sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

GOVERNO DA VENEZUELA APOSTA NO DIÁLOGO: BALANÇO DA REUNIÃO PELA PAZ

Os protestos começaram no dia 12/fevereiro (Foto: EFE/Página/12)
Maduro: “As amplas maiorias da Venezuela repudiam a violência de pequenos grupos que agridem a sociedade; a direita deve deter a violência já”.

Matéria do jornal argentino Página/12, edição de hoje, dia 28

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou que o caminho a seguir é o do diálogo e confia que a oposição participará dum próximo encontro. “Isto não pode ser um diálogo entre partidos, tem que ser um diálogo da sociedade. Tiremos os setores da sociedade da violência e nos elevemos”, propôs o mandatário na denominada Conferência Nacional pela Paz, convocada por seu governo. “Aqueles setores que não aceitaram participar nesta reunião... não façamos um drama de que alguém haja dito que não vem. Busquemos que diga que sim, que vem na próxima reunião”, indicou em referência à aliança antichavista Mesa da Unidade Democrática (MUD) – liderada por Henrique Capriles, governador do estado de Miranda -, que não foi à reunião por considerá-la uma simulação. “As amplas maiorias da Venezuela repudiam a violência de pequenos grupos que agridem a sociedade; a direita deve deter a violência já”, expressou ontem Maduro em sua conta da rede social Twitter. “Sigamos construindo uma pátria de paz e felicidade para um povo que hoje é protagonista de sua história. Venezuela derrotará os violentos!”, escreveu após a jornada de diálogo.

Maduro recebeu no Palácio de Miraflores na noite de quarta-feira representantes empresariais, do meio artístico, políticos governistas, religiosos e de meios da imprensa, a quem propôs os pontos principais para arrancar os debates. “Proponho formalmente nesta primeira reunião de trabalho da conferência nacional pela paz o respeito à Constituição por parte de todos”, expressou o presidente. O debate com diversos setores da sociedade venezuelana se estendeu inclusive até passando da meia-noite.

“Não é um diálogo entre o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), o Grande Polo Patriótico e a Mesa da Unidade Democrática. Eles sempre serão bem-vindos, mas isto transcende os partidos, então avancemos rumo a um modelo que incorpore os setores porque a sociedade não pode se esbarrar na violência”, sustentou Maduro. Apesar da ausência dos principais representantes da oposição política, participaram deputados opositores como Pedro Pablo Fernández e Ricardo Sánchez, assim como prefeitos não governistas como Miguel Cocchiola (Valencia).

Estiveram também no palácio presidencial representantes do mundo empresarial como Jorge Roig, presidente da Fedecâmaras – principal patronal do país; Miguel Pérez Abad, presidente da Federação das Indústrias (Fedeindústrias); Lorenzo Mendoza, presidente de Empresas Polar, assim como representantes de meios de comunicação como Carlos Bardasano, da TV Venevisión; Carlos Croes, da TV Televen; Enza Carbone, presidenta da Câmara Venezuelana da Indústria da Radiodifusão; Eleazar Díaz Rangel, diretor do jornal Últimas Notícias (o de maior circulação no país), e o jornalista Vladimir Villegas, além de líderes de diversas religiões no país, segundo informou o diário Notícias 24.

Além disso, participaram da conferência a presidenta do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena; a presidenta do Tribunal Supremo de Justiça, Gladys Gutiérrez; a procuradora geral da República, Luisa Ortega Díaz, e o presidente da Assembleia Nacional (AN), Diosdado Cabello Rondón.

Continua em espanhol:

El mandatario se mostró más conciliador y expresó que espera que los que no aceptaron participar en la primera reunión se incorporen en las siguientes y que nadie (ninguém) se niegue al diálogo. Maduro afirmó que no tiene miedo de verle la cara a ningún representante opositor y destacó la presencia del presidente Roig, a quien en ocasiones anteriores había acusado de dirigir un complot contra el gobierno. Roig dijo que en la calle (na rua) hay protestas que son legítimas, debido a que el país está mal por un modelo fracasado, ya que la “economía marcha mal” y los venezolanos “se están matando entre sí”. “Nosotros creemos en el diálogo. Esto no significa claudicar posiciones, tenemos profundas diferencias con su sistema económico y su sistema político, pero la democracia gracias a dios permite que procesemos estas diferencias en este tono en que las estamos procesando en el día de hoy”, señaló Roig.

“En el mundo moderno no podemos resolver los conflictos políticos ni con armas ni con violencia, siempre se tiene que buscar la vía de la Constitución, asumida y respetada por todo el país”, concluyó Maduro.

Tradução: Jadson Oliveira

IMPRENSA NO BRASIL: A FALTA QUE FAZ UM JORNAL DIÁRIO COMO O PÁGINA/12




A capa do jornal argentino, edição impressa desta sexta, dia 28
Pense um pouco, por exemplo, como é o noticiário no Brasil sobre os embates da política na Venezuela. Nossos meios de comunicação dos monopólios hegemônicos só divulgam um lado.

De Aracaju (Sergipe) – Uma pequena mostra da falta que faz uma publicação diária comprometida com a verdade factual e orientada editorialmente para fortalecer o movimento democrático e popular. Como o Página/12 da Argentina, cujas matérias – via online – uso sempre neste meu blog, como estão carecas de saber meus caros leitores.

Mesmo havendo atualmente uma situação bem menos escandalosa, devido à influência cada vez maior dos blogs chamados progressistas – e a batalha que se trava diariamente através da Internet -, creio que um meio de comunicação impresso, bem estruturado e com recursos adequados, diário, ainda teria um papel importante a cumprir na luta dos brasileiros por uma comunicação confiável.

Acredito que redutos do pensamento único – alinhado incondicionalmente com o ideário do “mercado”, do grande empresariado, do capital financeiro, das transnacionais, do império estadunidense – ainda fazem um estrago considerável nos corações e mentes da gente brasileira, através de diários como Folha de S.Paulo, Estadão e O Globo. Mesmo porque eles se repercutem com veículos da mídia hegemônica como a Rede Globo, a revista Veja e etc, etc.  

Pense um pouco, por exemplo, como é o noticiário no Brasil sobre os embates da política na Venezuela. Nossos meios de comunicação dos monopólios hegemônicos só divulgam um lado, as versões construídas pela direita, é um verdadeiro massacre de mentiras e manipulações.

Compare com a cobertura da edição impressa de hoje (sexta, dia 28) do Página/12, que deu manchete de capa ao assunto – “Apoio total e absoluto” -, falando da visita do chanceler venezuelano Elías Jaua. Traduzo a chamada da primeira página:

“O governo argentino aproveitou a visita do chanceler venezuelano, que se reuniu com (a presidenta) Cristina Kirchner, para respaldar as instituições democráticas desse país. ‘Se deve respeitar as instituições e a vontade popular, que se expressou há oito meses em eleições livres’, afirmou (Héctor) Timerman”. 

(Deixo aqui olink para a matéria interna, em espanhol: “Vamos pedir respeito à democracia”).

Há outra matéria na mesma edição, intitulada “Uma convocação à Unasul”. Traduzo o primeiro parágrafo:

“O chanceler venezuelano, Elías Jaua, esteve em Buenos Aires poucas horas, como parte dum giro pelos países da região. Com uma fisionomia séria, Jaua concedeu entrevista na Casa Rosada junto ao seu colega, Héctor Timerman, após se reunir com a presidenta Cristina Fernández, e agradeceu o apoio do governo argentino. ‘Encontramos na Argentina uma firme posição em defesa dos valores fundamentais da democracia e do direito a viver em paz que temos os venezuelanos’. No escasso tempo em que respondeu perguntas, Jaua disse que ia convocar uma reunião da União das Nações Sul-americanas (Unasul) para tratar da crise enfrentada por seu país. Assinalou que o governo de Nicolás Maduro espera que a oposição se sente para conversar. ‘O diálogo está aberto. Alguns não foram à Conferência Nacional pela Paz (de quarta-feira) por medo do linchamento midiático’”.

(Como já foi divulgado, o principal líder da oposição venezuelana, Henrique Capriles, governador do estado de Miranda e candidato derrotado duas vezes a presidente da República, recusou-se a participar da referida conferência, convocada por Maduro, dizendo se tratar de uma “simulação”, uma artimanha para livrar a cara do governo).

(Fica aqui olink também para esta matéria do diário argentino, em espanhol).

MENSALÃO: DOEI R$ 100 A DIRCEU COMO PROTESTO CONTRA ILEGALIDADES DO STF




Agora sabemos que o STF é tão falho como qualquer outra instituição nacional. É humano, é frágil, é passível de erros e seus ministros se vergam a pressões da mídia, do poder econômico e do mundinho classe média, reacionário, moralista e preconceituoso em que eles e suas famílias circulam.

Por Miguel do Rosário, de 28/02/2014 (enviado pelo companheiro Geraldo Guedes, de Brumado-Bahia)

Reproduzo abaixo uma carta de leitor, na qual ele explica porque doou R$ 100 para José Dirceu pagar sua multa.
Acho que ela nos ajuda a entender porque o clima está mudando, e o exército de coxinhas úteis, que a Globo achava ser seu último trunfo para enquadrar para sempre o STF, não está mais sozinho na praça. Há cada vez mais gente crítica ao que a mídia fez durante a Ação Penal 470, essa pressão espúria, ameaçadora, sobre a consciência dos ministros do STF.

Há uma vantagem nessa confusão toda armada por este julgamento político feito pelo STF, sobretudo por Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes, os ministros mais histericamente midiáticos. Eles conseguiram a proeza de dessacralizar a suprema corte, que era a última virgem do puteiro. Não é mais. Agora sabemos que o STF é tão falho como qualquer outra instituição nacional. É humano, é frágil, é passível de erros e seus ministros se vergam a pressões da mídia, do poder econômico e do mundinho classe média, reacionário, moralista e preconceituoso em que eles e suas famílias circulam.

Por isso, é tão importante que os internautas, cidadãos brasileiros cujo voto e cuja dignidade valem tanto quanto a de qualquer jurista importante, colunista de jornal ou mesmo ministro do Supremo, estejam hoje expressando, com mais liberdade e mais coragem, a sua opinião política.

A esculhambação do STF promovida por ministros comprometidos antes com a mídia do que com a justiça está tirando os brasileiros da zona de conforto e trazendo-os para o centro da arena política, com olhos injetados de indignação.

Mas esses brasileiros são alfabetizados politicamente e democráticos. Não são idiotas de máscara quebrando pontos de ônibus e orelhões. Usam a inteligência.

À carta do leitor, que é meu xará, Miguel Freitas.

Porque doei 100 reais para a vaquinha do Zé Dirceu

Por Miguel Freitas, internauta

1) Porque mesmo que o Dirceu fosse um babaca, isso não permite que ele seja condenado sem provas.

2) Porque ele segue preso em regime fechado ILEGALMENTE mesmo tendo sido condenado ao regime semi-aberto.

3) Porque o Barbosa trocou ILEGALMENTE o juiz responsável pela execução penal do Dirceu por considerar que o antigo seria muito bonzinho (“Pelo menos na Constituição que eu tenho aqui em casa não diz que o presidente do Supremo pode trocar juiz, em qualquer momento, num canetaço” – presidente da Associação dos Magistrados do Brasil)

4) Porque todas as auditorias realizadas sobre as notas da Visanet demonstram que o dinheiro NÃO foi desviado e sim gasto em campanhas publicitárias. Dos R$ 74 milhões da Visanet, por exemplo, R$ 5 milhões foram para a Globo e outros tantos para promover um encontro de magistrados em Salvador, com participação do então presidente do STF.

5) Porque o Procurador Geral e o Barbosa ESCONDERAM o laudo 2828 da Polícia Federal que inocentava Pizzolato (ao mostrar quem realmente liberava o dinheiro da Visanet). O laudo 2828 era de conhecimento de Barbosa desde junho de 2007, porém só é anexado ao processo em novembro, ou seja: eles esperaram que os outros ministros votassem às cegas a aceitação da denúncia para só então anexar o laudo ao processo (ocultação de provas).

6) Porque o Procurador Geral MENTIU por escrito em sua denúncia ao dizer que o laudo 2828 da Polícia Federal confirmava que Pizzolato e Gushiken beneficiaram a empresa de Marcos Valério. Na verdade, o nome de Pizzolato não aparece nem uma única vez no laudo 2828, o que é facilmente verificável uma vez que ele está disponível na íntegra na internet.

7) Porque o Barbosa inacreditavelmente MENTIU para todos os outros ministros do STF ao dizer que o inquérito 2474 (também conhecido como “gavetão”) deveria permanecer em sigilo por não ter relação com os fatos investigados na AP470. Ele disse, com todas as palavras, que o 2474 não tratava do Banco Rural. Essa mentira está registrada em um vídeo de 2011 disponível no youtube.

8) Porque os presos foram enviados ILEGALMENTE para Brasília com o único objetivo de produzir um show midiático, uma vez que a legislação determina que a pena seja cumprida próxima ao domicílio do condenado.

9) Porque eu me junto a alguns dos maiores juristas brasileiros como o Celso Bandeira de Melo, que doou para a vaquinha do Genoíno e denunciou uma série de irregularidades do processo, ou Ives Gandra Martins, um anti-petista histórico que reconheceu que o Dirceu foi condenado sem provas.

10) Porque é inaceitável que, depois de todas as provas virem a público, um ministro do STF como o Gilmar Dantas ainda tenha a cara-de-pau de passar recibo por escrito de uma mentira (“o mensalão desviou mais de R$ 100 milhões”), e ainda por cima acusar os doadores de estarem lavando dinheiro.

11) Porque a doação é uma forma de protesto legítima contra todas essas arbitrariedades.

12) E finalmente, porque o dinheiro é MEU, recebido pelo meu trabalho assalariado, com imposto de renda devidamente descontado na fonte. Não vai ser um ministro do STF que comprou apartamento de 1 milhão em Miami declarando apenas 10 dólares para não pagar imposto (Barbosa), ou mesmo outro ministro que é dono de um instituto com inúmeros contratos sem licitação com o governo (Gilmar), contratos estes questionados pelo TCU, que terão moral alguma para reclamar da minha doação.

abraços,
Miguel Freitas

MENSALÃO: BARBOSA, A MARIONETE DO GOLPE, MORREU PELA BOCA






(Ilustração: do Blog do Miro)

O Brasil vive um tipo de fascismo midiático cuja maior vítima (e algoz) é a classe média e os estamentos profissionais que ela ocupa



Por Miguel do Rosário, no seu blog O Cafezinho, de 27/02/2014

O escritor argentino Ricardo Piglia, num de seus ensaios, propõe uma tese segundo a qual um conto oferece sempre duas histórias. Uma delas acontece num descampado aberto, à vista do leitor, e o talento do artista consiste em esconder a segunda história nos interstícios da primeira.
 
Agora sabemos que não são apenas escritores que sabem ocultar uma história secreta nas entrelinhas de uma narrativa clássica. O ministro Luís Roberto Barroso nos mostrou que um jurista astuto (no bom sentido) também possui esse dom.

Esta é a razão do ridículo destempero de Joaquim Barbosa. Esta é a razão pela qual Barbosa interrompeu o voto do colega várias vezes e fez questão de, ao final deste, vociferar um discurso raivoso e mal educado.

Barbosa sentiu o golpe.

Houve um momento em que Barbosa praticamente se auto-acusou: “o que fizemos não é arbitrariedade”. Ora, o termo não fora usado por Barroso. Barbosa, portanto, não berrava apenas contra seu colega. Havia um oponente imaginário assombrando Barbosa, que não se encontrava em plenário, mas ele sentiu sua presença enquanto ouvia Barroso ler, tranquilamente, seu voto.

O oponente imaginário são os milhares de brasileiros que vem se aprofundando cada vez mais nos autos da Ação Penal 470, acompanhando os debates do Supremo Tribunal Federal, ajudando alguns réus a pagar suas multas, dando entrevistas bem duras em que denunciam os erros do julgamento, e constatando, perplexos, que houve, sim, uma série de erros processuais e arbitrariedades.

Barroso contou duas histórias. Uma delas, no primeiro plano, era seu voto. Um voto tranquilo e técnico. Só que nada na Ação Penal 470 foi tranquilo e técnico, e aí entra a história subterrânea, por trás do cavalheirismo modesto de Barroso.

E aí se explica a fúria de Barbosa.

Para continuar a leitura no blog O Cafezinho: