quinta-feira, 15 de agosto de 2019

EXALTADO O PAPEL DE GOIANO NAS ARTICULAÇÕES DO PT DA CHAPADA

Goiano: construir a sustentação da ação política através da organização popular (Fotos: Smitson Oliveira)

O reconhecimento público veio no quinto encontro regional do partido, em Nova Redenção, através do anúncio de Ivan Soares, ex-prefeito, líder do PT local e anfitrião do evento.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente

Quem cantou a pedra foi o ex-prefeito Ivan Soares, em Nova Redenção, durante o quinto Encontro de Diretórios Municipais do PT, no último dia 3. Anfitrião do evento e dirigente dos trabalhos, ele chamou Goiano (José Donizette) para compor a mesa, ao lado dos representantes petistas da Chapada, justificando:

- Foi um dos idealizadores e principal articulador dos encontros de dirigentes do PT regional, desde o primeiro, realizado em Seabra em maio do ano passado, sempre visando organizar melhor as bases e reforçar as direções municipais do partido. Ou seja, Ivan proclamou publicamente uma verdade sobejamente conhecida entre as lideranças partidárias da Chapada.

Antigo militante político desde a década de 1970, a partir do sindicalismo bancário em Salvador, Goiano tem uma extensa folha de serviços no campo das esquerdas, tendo inclusive participado da criação da CUT e do PT. Nos últimos anos, além de outras militâncias (também na capital), vem se dedicando às campanhas eleitorais de petistas, como o deputado Jorge Solla, e atuando junto a comunidades rurais e quilombolas, particularmente em Seabra e municípios vizinhos.

E, em paralelo, atua como uma espécie de agitador cultural e tem se empenhado na luta pelo fortalecimento do PT na região, o que abrange as articulações para os encontros regionais. Daí o reconhecimento anunciado por Ivan Soares.
Ivan Soares, líder do PT em Nova Redenção e anfitrião do encontro

Ao falar para mais de uma centena de pessoas no encontro de Nova Redenção, Goiano relembrou resumidamente sua vida militante e apontou erros do partido nas diversas gestões a seu encargo, nos níveis municipal, estadual e federal:

“É preciso uma autocrítica, pois houve muitas falhas na ação do partido e de seus governos, sobretudo no tocante à organização do povo”, acusou. Erros que, na sua avaliação, desembocaram no golpe e ascensão das forças de extrema direita.

Levantou a bandeira ecológica e bradou contra a disseminação dos venenos na alimentação dos brasileiros (agrotóxicos) promovida pelo agronegócio, com o beneplácito inclusive de governos petistas. Defendeu então o fortalecimento dos agricultores familiares.

Acenou ainda para a necessidade de estímulos à participação da juventude nos movimentos sociais e para a prioridade de construir a sustentação da ação política através da organização popular. E não apenas – como predomina hoje nos maiores partidos de esquerda e centro-esquerda – nos processos eleitorais.

E Goiano é candidato a prefeito?

O fato mais curioso na trajetória recente do “militante político” de nome de batismo José Donizette, o popular Goiano, é que ele, apesar do seu profícuo ativismo junto ao PT – mesmo mantendo mil e uma restrições à sua prática -, não é filiado ao partido (nem a qualquer outro).

Nem se dispôs até hoje a se filiar, embora cobrado frequentemente por dirigentes petistas, em especial de Seabra (os exemplos mais notórios são Pedro Lima e Smitson Oliveira, da Executiva do PT/Seabra).

Daí que este fato insofismável – não filiação partidária – descarta qualquer possibilidade de que ele venha a ser candidato a prefeito de Seabra na próxima eleição, em 2020. Apesar dos rumores em sentido contrário que se ouvem nos quatro cantos da cidade e em zonas rurais, insistentemente. Aliás, desde eleições anteriores.

Até aqui em Salvador, muitas vezes amigos comuns me perguntam: “E aí, Goiano vai ser finalmente candidato a prefeito de Seabra?” Eu respondo: “Não sei, acho que não. Ele não é filiado a nenhum partido”.

PS: Com esta matéria - a quarta postada neste meu blog -, encerro a cobertura do V Encontro de Diretórios Municipais do PT da Chapada, realizado em Nova Redenção, no último dia 3.  

IVAN SOARES: “TEMOS QUE NACIONALIZAR AS ELEIÇÕES MUNICIPAIS”

Ivan Soares: "É hora de organizar e lutar" (Foto: Smitson Oliveira)

Ex-prefeito de Nova Redenção e anfitrião do encontro de petistas da Chapada foi um debatedor ativo em todos os itens da pauta.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente

A proposta foi lançada por Ivan Soares, ex-prefeito e líder petista de Nova Redenção, durante o V Encontro de Diretórios Municipais do PT da Chapada Diamantina, interior da Bahia (no último dia 3).

Ele parte duma constatação, na sua visão, inegável: a massa de eleitores, em especial entre as camadas mais carentes, vai sentir saudade das políticas de inclusão social dos governos Lula e Dilma, “a única vez nos 500 anos da história brasileira em que os pobres tiveram vez”.

Então, nas campanhas do próximo ano, nas eleições municipais, os petistas e aliados dos partidos progressistas devem martelar nos temas que demonstram os imensos prejuízos sofridos pela população, vítima “desse projeto vagabundo” do governo Bolsonaro, oriundo do processo fraudulento patrocinado especialmente pela Operação Lava Jato.

Daí, a proposta de “nacionalizar as eleições municipais” de 2020, já apontando rumos para a disputa de 2022, conforme explicou Ivan, que foi a presença mais marcante do encontro: anfitrião atento, dirigente da mesa dos trabalhos e debatedor de todos os assuntos em pauta, um verdadeiro “homem dos sete instrumentos”.

Foi enfático também ao criticar a fraqueza da estrutura do PT na região da Chapada – “estamos fracos, raquíticos, muitos diretórios foram desativados, não há nem comissões provisórias, o Diretório Estadual nunca teve um olhar mais próximo para ver como está nosso partido”, denunciou ele, conclamando seus companheiros de partido: “É hora de organizar e lutar”.

PS: Sobre este último ponto, ver dados na matéria anterior sobre o encontro, postada neste blog no último dia 12. Link:

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

NOVA REDENÇÃO: UM DIA DE POLÍTICA E “FRATERNIZAÇÃO” COM PETISTAS DA CHAPADA (carta a uma amiga)

Ivan Soares, ex-prefeito e líder do PT local: dirigiu os trabalhos e se destacou nos debates (Foto: Smitson Oliveira)
(Foto: da página do Facebook do PT Nova Redenção)

Debate do 5º. encontro regional do PT (o maior até aqui – 130 pessoas) abrangeu o desmonte das políticas públicas populares após o golpe, críticas à direção estadual do partido e empenho para fortalecer os diretórios municipais.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente

Querida amiga Lucilla,

Quanto tempo sem te escrever! Invoco teu nome em busca de inspiração para reportar um dia de debates políticos na bela região do interior da Bahia, a Chapada Diamantina. Foi na cidade de Nova Redenção, no último dia 3 (um sábado).

Um dia proveitoso e prazeroso: de fazer política, num tempo em que o Brasil vive uma conjuntura adversa de criminalização da política (e dos políticos, especialmente dos petistas); e dia também de “fraternização”, para realçar a palavra usada por nosso anfitrião, Ivan Soares, ex-prefeito do município e líder do PT local, que dirigiu os trabalhos.

Friso, porém, sobretudo, o grau de politização que prevaleceu nas discussões. Foi o mais politizado e crítico da série de encontros iniciada em Seabra – chamada a “capital da Chapada” – em maio do ano passado. Em especial, houve empenho na busca de organização e fortalecimento dos diretórios municipais do partido, que é muito fraco na região.

Pois é, amiga. Isso ficou patente: dos 28 municípios da chamada microrregião, compareceram dirigentes partidários de apenas três diretórios, além dos de Nova Redenção, sede do encontro: Seabra (como sempre, uma grande delegação), Andaraí e Ibitiara.

Dos três (ou quatro?) prefeitos petistas da região, esteve presente somente a prefeita anfitriã, Guilma Soares, mulher de Ivan (ela exerce o terceiro mandato do PT no município). Presentes ainda quatro vereadores da base aliada da prefeita.

Tal debilidade foi muito ressaltada nas discussões, agravada – segundo críticas de dirigentes, puxadas principalmente por Smitson Oliveira, da Executiva de Seabra, e reforçadas por Ivan Soares – pela falta de apoio e atenção da direção estadual.

Em alguns casos, a falta de apoio chega até a avançar para o boicote a iniciativas das direções municipais, o que deve se refletir no atual processo de renovação dos dirigentes partidários (está em curso o chamado PED – Processo de Eleições Diretas, nos níveis municipal, estadual e nacional, mas as chapas ainda não estavam definidas).
Lula Livre: Smitson Oliveira e Celsino Teixeira (da Executiva do PT/Seabra), Ivan Soares, Carmélia Santos (presidente do PT/Andaraí e vereadora), Pedrinho (pres. do PT/Ibitiara e vereador) e Ronilton Almeida (pres. do PT/Nova Redenção) (Quase todas as fotos são de Smitson Oliveira)
Afonso Florence, deputado federal do PT, fez a avaliação da conjuntura
Guilma Soares, prefeita do município (terceiro mandato do PT)
Pedro Lima (no microfone - pintor e presidente do PT/Seabra) ao lado de Pedrinho, Ivan, Carmélia, Geisa Neiva (assessora do deputado Jacó, do PT) e Goiano (José Donizette, de larga militância nas esquerdas, reconhecido como grande impulsor da série de encontros do PT da Chapada)
Pedrinho fala em nome dos petistas de Ibitiara
Ronilton Almeida
Carmélia Santos
Outro agravante é que tal desatenção vem também dos órgãos do governo estadual, cujo governador, Rui Costa, é do PT (é o quarto mandato petista consecutivo no estado, na “província”, como vocês, cara Lucilla, chamam aí na tua Argentina).

Entra aí a famigerada governabilidade, um nó “transcendental” (uma palavra muito usada por aí) da política brasileira. E também na Bahia: o senador baiano Oto Alencar, do PSD, tem grande influência na Chapada e é da base aliada do governador. Diz a maioria dos observadores que Oto já está, há muito tempo, coroado para dar “sequência” aos quatro mandatos petistas.

Criada uma Coordenação Regional

Para tentar enfrentar a debilidade do PT na região, foi criada, no final do encontro, uma Coordenação Regional, com oito membros (dois de cada diretório presente), que buscará uma articulação mais eficiente entre os companheiros da região. Em parte dos municípios – comentaram – não há nem comissão provisória do partido.

Os oito membros: de Nova Redenção: Ivan e Ronilton Almeida, presidente do PT municipal; Seabra: Pedro Lima, presidente, e Smitson; Andaraí: Carmélia Santos, presidente e vereadora, e Domingos Santos; e Ibitiara: Neto Sales e Joyce Evangelista, ambos do diretório municipal.

Será, querida Lucilla, uma tarefa muito difícil a desta coordenação, a pensar no precedente: já se tentou uma  semelhante no primeiro encontro, que deu em nada. Mas, em tempos mais difíceis, talvez se redobrem os esforços, quem sabe?.

No quesito da conjuntura, o deputado federal Afonso Florence, do PT, que é bem votado no município, falou do desmonte  - a partir do golpe de Estado e início do governo Bolsonaro - das políticas públicas populares que vinham sendo construídas nos governos Lula e Dilma. Inclusive com enormes prejuízos para as comunidades rurais, agravados pela chamada Reforma da Previdência.

E também ressaltou a regressão social e democrática, destruição dos direitos trabalhistas, violação da nossa soberania, o chamado “enxugamento” da economia e o processo de corrupção denunciado pela Vaza Jato. Ao falar dos cortes de verbas das universidades, determinados pelo governo Bolsonaro, num processo de desmonte do ensino público, lembrou os atos de rua, em defesa da educação, programados nacionalmente para amanhã, terça, dia 13.

Como vê, minha amiga, nossa situação política é bem parecida com a dos hermanos argentinos na era Mauricio Macri, embora as prévias eleitorais realizadas aí já indiquem, felizmente, uma grande vitória da chapa Alberto Fernandez/Cristina Kirchner - o que faz a gente prever uma virada progressista na nossa Pátria Grande.
Goiano (José Donizette)
Geisa Neiva
Adriana Oliveira (liderança entre os professores - APLB-Sindicato) exaltou a participação da juventude na luta contra os desmandos do governo Bolsonaro na educação: "Às vezes é na adversidade que nos fortalecemos". É sangue novo na militância petista de Seabra, reforçando a ala feminina com Alice Cerqueira, Fátima Pina, Geisa Neiva, Carol Campos e Antônia Araújo
 
Antônia Araújo
Celsino Teixeira, vice-presidente do PT/Seabra
A maioria aí é da delegação de Seabra
Carol Campos
Smitson (Foto do Facebook do PT Nova Redenção)
Delegação de Seabra (com Pedrinho/Ibitiara "infiltrado") na bela paisagem do Morro do Pai Inácio (dois aí não foram mencionados nas legendas anteriores: o engenheiro  Jorginho Oliveira (o segundo da esq. para dir.) e o professor Leonardo Teixeira (o sétimo)
Mas já me alonguei bastante nesta carta de política e de saudade. Depois te mandarei mais algumas notas sobre o intercâmbio político/partidário mantido nesse sábado na Fazenda Gameleira (de propriedade de Ivan), situada a 3 quilômetros da cidade. (Mais informações estão nas legendas das fotos. Leitores poderão suprir alguma falta de identificação nas legendas, através de comentários no blog).

Lá pelo meio da tarde, depois do almoço, reunião da Coordenação Regional, finalização dos trabalhos, umas cervejas e despedidas calorosas, com gentil lembrança distribuída pelo Ivan Soares: um CD intitulado 25 Anos de Cantoria. É que o Ivanzinho, como é também conhecido, é celebrado ainda como cantador e violeiro.

A delegação de Seabra – da qual fazia parte este teu amigo – partimos para cumprir 150 quilômetros de asfalto. Com parada para foto diante do Morro do Pai Inácio, belíssimo panorama turístico da Chapada, você precisa conhecer num dia desses. (Pedro Lima me “ordenou”: bote na matéria que na saída de Seabra, o café Delícia da Chapada, de Laudeci Anjos, brindou a delegação petista com um café da manhã).

Assim, me despeço, querida Lucilla. Recordando que te conheci num debate político em Caracas, em 2012, ano da última reeleição do nosso Chávez. Lembra? Beijo e abraço.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

NOVA REDENÇÃO: PT DA CHAPADA FAZ ENCONTRO COM 130 PESSOAS


Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente

Foi o quinto encontro regional da Chapada Diamantina, desta vez em Nova Redenção, no sábado, dia 3. (Os quatro primeiros foram dois em Seabra, um em Rio de Contas e outro em Ibitiara).

Bateu recorde com a presença de 130 pessoas, recepcionadas por Ivan Soares, ex-prefeito do município, líder do PT local.

Mas houve representantes de apenas quatro diretórios municipais da região: além de Nova Redenção (os anfitriões), participaram dirigentes de Seabra (como sempre, com uma grande delegação), Ibitiara e Andaraí.

Foi bem politizado, com análise da conjuntura política nacional e estadual, a partir de avaliação do deputado federal Afonso Florence (PT-BA).

E com críticas à atuação da direção estadual do partido, no bojo da renovação ora em processo, neste semestre, dos dirigentes partidários (o chamado PED – Processo de Eleições Diretas)nos três níveis: municipal, estadual e nacional.

Foi criada uma coordenação regional, com oito membros (dois de cada diretório municipal presente), para buscar uma articulação mais eficiente entre os dirigentes petistas da Chapada.

PS 1 – Por enquanto, vai aqui somente um pequeno registro. Outras matérias serão postadas neste blog com desdobramento de temas abordados nas discussões, inclusive com seleção de fotos.
PS 2 – Uso aqui algumas fotos reproduzidas da página do Facebook do PT Nova Redenção.


quarta-feira, 31 de julho de 2019

DIRIGENTES PETISTAS DA CHAPADA SE REÚNEM NO SÁBADO EM NOVA REDENÇÃO

Ivan Soares, ex-prefeito, anfitrião do encontro (Foto: Smitson Oliveira)

Trata-se do quinto encontro: será na sede da Fazenda Gameleira, a 3 quilômetros da cidade, às 9 horas da manhã do sábado, dia 3.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente

Será o V Encontro dos Diretórios Municipais do PT da Chapada Diamantina, interior da Bahia, cujo objetivo central é buscar o fortalecimento do partido na região e analisar a conjuntura política nacional e estadual.

A reunião será na sede da Fazenda Gameleira, a 3 quilômetros da cidade, a partir das 9 horas da manhã do sábado, dia 3. São esperados representantes de diretórios de vários municípios circunvizinhos, conforme informou Ivan Soares, ex-prefeito do município, líder político e principal anfitrião do encontro (é reconhecido também como consagrado violeiro).

O PT, porém, ainda é fraco na Chapada – atualmente, dos 28 municípios da microrregião, tem prefeitos em apenas três: no próprio Nova Redenção, onde o partido está no terceiro mandato consecutivo, e em Ibitiara e Itaetê.

Daí que a necessidade de organização e crescimento está entre as principais metas dos dirigentes petistas. É preciso trocar experiências, detectar o que está pegando, levando em conta os processos eleitorais, no momento inclusive em que está se desenrolando a campanha pela renovação das direções partidárias – nos níveis municipal, estadual e nacional.

Os dirigentes do PT de Seabra, que iniciaram tais encontros no ano passado (a cidade sediou o primeiro e o terceiro dos quatro já realizados – os demais foram em Rio de Contas e Ibitiara), deverão estar presentes com uma boa delegação.

Segundo Ivan, está confirmada a participação do deputado federal Afonso Florence (PT), ex-ministro do Desenvolvimento Agrário e ex-secretário de Desenvolvimento Urbano da Bahia.

terça-feira, 30 de julho de 2019

OLÍVIO EXALTA A POLÍTICA, MAS POLÍTICA ONDE O POVO É SUJEITO E NÃO OBJETO

Olívio Dutra (Fotos: Smitson Oliveira)

O ex-governador gaúcho defendeu em Salvador uma reciclagem do PT: os governos petistas construíram políticas públicas, mas não tocaram nas estruturas de poder. “As reformas foram ficando só no discurso – é evidente que tem de haver uma autocrítica”, disse.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente

Numa época em que a política foi duramente criminalizada – a política, os políticos e, em especial, os petistas, chamados até de “petralhas” -, o ex-governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, um dos fundadores do PT, fez em Salvador uma veemente exaltação do fazer política: só através dela podemos mudar este mundo prenhe de injustiça e desigualdade.

Foi no último sábado, dia 27, no auditório do Sindae (nos Barris), para uma plateia de 250 pessoas, a maioria “jovens” de 60/70 anos, mas também com a presença alvissareira de algumas dezenas de jovens (sem aspas). O outro palestrante foi o economista baiano José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras.

Olívio defendeu uma política feita com o povo (e não para o povo). Ou seja, um tipo de política com plena participação popular, como de fato praticou, com mil e uma dificuldades, quando prefeito de Porto Alegre (1989/92) e governador do estado (1999/2003).

“Temos que atuar de baixo para cima, todos nós temos que ser sujeitos e não objetos da política, tudo que vem de cima para baixo é para piorar”, pregou ele, que foi também ministro das Cidades do ex-presidente Lula e, na década de 1970, em plena ditadura militar, presidente do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre.

Mostrou passo a passo na história que, ao contrário, tudo no Brasil vem sendo feito de cima para baixo, em proveito das elites e contra os interesses populares e nacionais. Falou dos 350 anos da escravidão negra, da fase do império, do extermínio na Guerra do Paraguai, da proclamação da República com os “republicanos escravocratas”, da imigração dos europeus para o “branqueamento” dos brasileiros, da Revolução de 1930 e da formação dos sindicatos e da CLT.
José Sérgio Gabrielli e Olívio Dutra, os dois palestrantes

Auditório do Sindae ficou superlotado: em torno de 250 pessoas

Ex-deputado constituinte em 1988, lembrou como as reformas estruturais foram sendo abandonadas. E já falando do período dos governos petistas, com a dependência da formação de maiorias no Congresso, em busca da “governabilidade”: o sistema tributário injusto foi mantido, não se fez a reforma agrária, nem a reforma política, nem a judiciária, o orçamento da União foi estilhaçado com as emendas parlamentares.

(Acrescento como contribuição deste repórter: não foi feita – nem sequer tentada – a tão falada regulamentação da mídia. A população ficou desarmada diante do bombardeio diário das campanhas anti-populares e anti-nacionais, promovidas pela Rede Globo e demais comparsas dos monopólios midiáticos. Campanhas, nos últimos anos, supostamente de combate à corrupção, em conluio com a Lava Jato e o Judiciário).

A metáfora da enxada (o PT precisa ser afiado)

Palavras de Olívio: “Um partido é como um instrumento. Uma enxada, por exemplo: o agricultor não vai para o eito com uma enxada enferrujada, sem o fio ou com dentes no fio. A nossa enxada tocou em toco, em pedra, então o fio dela pode estar precisando ser afiado. Precisamos afiar o fio dessa nossa ferramenta. E a enxada não pode estar frouxa no cabo. Se está frouxa temos de colocar uma cunha, uma cunha nova pra apertar bem a folha. O agricultor não vai para o eito com a enxada numa mão e o chimarrão na outra (pra usar no caso o gaúcho). Ele vai segurar o cabo da enxada com as duas mãos. A nossa ferramenta tem de estar bem firme nas nossas mãos e tem de estar permanentemente sendo afiada, porque ela vai topar terrenos pedregosos, perigosos, de toda ordem, porque não vamos achar sempre o terreno ideal. Vamos cuidar da nossa ferramenta e ela tem de estar nas mãos das bases”.

(Enquanto Olívio Dutra deu seu recado militante, Sérgio Gabrielli deu subsídios para a militância compreender a realidade concreta na qual vai atuar. Mas esta parte será objeto duma próxima matéria).

Mais palavras de Olívio (até hoje, aos 78 anos, militante político):

“Nós criamos o Ministério das Cidades e nunca se falou da reforma urbana”.

“Não mexemos nas estruturas fundamentais do Estado brasileiro: nas esferas federal, estaduais e municipais, e nos três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário”.

“Se diz que para mudar as coisas precisamos dum cara bom, como o Lula. Não, não é assim que a coisa funciona. Temos de fazer uma reflexão de como atuar numa realidade adversa como a de hoje, mais adversa do que aquela da ditadura, onde estava claro quem era o inimigo, o adversário. Agora não, agora a realidade é muito mais complexa, cheia de meandros, coisas que se disfarçam, que enganam. O que temos de fazer? Fazer, por exemplo, como estamos fazendo aqui. Temos que aprender uns com os outros”.

“A estrutura tributária brasileira é pesada, mas é muito mais injusta do que pesada. Num país como o nosso, ela tem que servir também como um elemento distribuidor de renda. A reforma tributária que vem aí (no governo Bolsonaro) não se pode nem pensar nisso. A que apresentamos (no governo Lula), que tinha sido discutida com os movimentos sociais populares – claro que a discussão deveria ter sido muito mais ampliada -, foi sendo abandonada, pois desagradava a nossos aliados. A reforma agrária, que era necessária, urgente – nós a tínhamos no nosso discurso -, foi ficando como na Constituinte. Ficou para o Judiciário resolver. O Judiciário e não a luta social, o interesse social”.

“Eu não tenho a pretensão de responder ‘o que fazer?’ (conforme perguntas feitas em intervenções da plateia). Meu caminhãozinho não tem capacidade para tanta areia. Mas é evidente que não dá pra fazer o que vínhamos fazendo. É evidente que tem de haver uma autocrítica. Mas autocrítica não é dizer que o culpado é Fulano ou Beltrano, e sim avaliar a experiência do nosso partido e também das forças de esquerda com as quais compomos”.

“A democracia não é uma receita pronta e acabada, é uma obra aberta para ser aperfeiçoada. Temos que qualificá-la, ampliando a participação consciente e cidadã, e o controle público sobre o Estado. O Estado não é propriedade dos governantes, dos seus partidários, dos seus familiares, dos seus financiadores de campanha. O Estado Democrático de Direito só pode acontecer na medida em que o povo está controlando a máquina pública, a qual está sempre em disputa”.

“O Estado brasileiro continua sendo uma espécie de propriedade privada das elites”.


Os palestrantes com os organizadores do evento: Goiano (José Donizette), Valdimiro Lustosa e Osvaldo Laranjeira
“A luta democrática para nós é fundamental, a luta pela liberdade do Lula é uma luta democrática. Não porque é o Lula, mas porque ele é a representação de um projeto coletivo, solidário. Temos muita luta a fazer: conscientização, mobilização e reforço das organizações populares”.

“Não vendo a ilusão de que vamos sair disto que temos hoje e cair no socialismo. Não há condições para isso. Mas eu sou socialista, cristão, marxista... imagina o que é isso: talvez não um bom cristão, nem um bom socialista, mas sou um lutador social que está sempre disposto a aprender e, junto com outros, construir um mundo de solidariedade e fraternidade, que é um mundo que não cabe no capitalismo, é um mundo a ser feito”.

“O ser humano não se realiza se não se realizar na sua dimensão política. Ser político, portanto, não é ter um cargo, um mandato executivo, legislativo. Evidente que como partido precisamos eleger representantes para nos representar, não para nos substituir, e gente séria”.

“Ser político é da natureza do cidadão, do ser humano. Quando a gente nasce, o parteiro (ou a parteira) dá um tapa na nossa bunda e a gente grita, chora, porque a gente está saindo de um mundo e entrando num outro mundo, somos políticos até na hora que estamos nascendo”.

“Ocorre que a gente não se assume como político e acaba sofrendo a política dos outros, inclusive dos nossos partidos de esquerda. Partidos centralizados, decidem as coisas de cima pra baixo. O PT surgiu criticando essas coisas, mas às vezes a gente diz uma coisa e pratica outra”.

domingo, 28 de julho de 2019

250 PESSOAS NO DEBATE COM GABRIELLI E OLÍVIO

Auditório do SINDAE ficou superlotado
Olívio Dutra, Valdimiro Lustosa, Osvaldo Laranjeira (dois dos organizadores) e Sérgio Gabrielli

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente

O auditório do SINDAE (Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente) ficou realmente superlotado ontem (sábado, pela manhã e início da tarde), com gente em pé e sentado pelos cantos: cerca de 250 pessoas, excedendo as previsões mais otimistas dos organizadores.

Tanto que eles anunciaram logo que este foi o primeiro duma série de debates que virão, já que ficou patente a ânsia por entender os desafios da conjuntura social, política e econômica, bem como – e especialmente – por buscar a resposta crucial: o que fazer?

As duas palestras e o debate que se seguiu foram riquíssimos e serão desenvolvidos aqui no Blog Evidentemente e nas redes sociais no decorrer da semana, inclusive com ampla cobertura fotográfica. Por enquanto, dou apenas uns toques reduzidíssimos:

O economista José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobrás, fez primeiro uma apreciação técnica sobre o desenvolvimento do capitalismo no Brasil, mostrando a hegemonia hoje do capital financeiro, o crescimento avassalador dos fundos de investimento.

E no final, avançou com dados para subsidiar a busca de ‘o que fazer?’, mostrando que, na nova fase histórica do desenvolvimento capitalista, a classe trabalhadora mudou sua composição, suas características. Não é mais a mesma formada a partir da Revolução de 1930 – daí que “mudaram as perguntas e mudaram as respostas”.

Já o ex-governador gaúcho Olívio Dutra, com grande bagagem de militância sindical (como Gabrielli, quadro histórico do PT), bateu firme na necessidade de se fazer política “com o povo” e não “para o povo”.

Deixou claro que os governos do PT, ao lado dos êxitos das políticas públicas aplicadas, não deram um passo sequer no sentido de alterar as estruturas de poder do Estado brasileiro – estruturas, claro, injustas e anti-populares por excelência.

Quem quiser assistir as mais de quatro horas de palestras/debates é só acessar o Facebook do SINDAE, que nos brindou com uma cobertura em tempo real.

Você pode acessar pelo Google digitando Sindae Facebook ou através de www.facebook.com/sindaeba/ (Note que as fotos usadas aqui são, por enquanto, improvisadas a partir do vídeo disponibilizado pelo SINDAE na sua página do Face).

sexta-feira, 26 de julho de 2019

VELHOS MILITANTES BANCÁRIOS VÊM A SALVADOR PARA DEBATE COM OLÍVIO E GABRIELLI - AMANHÃ, SÁBADO, 10 HORAS, NO SINDAE (NOS BARRIS, DEFRONTE DA BIBLIOTECA CENTRAL)

Por Jadson Oliveira - jornalista/blogueiro - editor deste Blog Evidentemente

São eles Geraldo Guedes, que mora em Brumado, no sudoeste da Bahia, e Smitson Oliveira, mora em Seabra, na Chapada Diamantina.

Geraldo, hoje advogado, foi o primeiro a se mexer para derrubar a pelegada da ditadura no Sindicato dos Bancários. O pioneiro nessa luta (no pós AI-5), a partir de 1972, luta que veio a se organizar na Oposição Sindical, Chapa Verde (em 1975 - vetada pelos "órgãos de segurança"), e depois Movimento Participação, que veio a desembocar na chapa vitoriosa de 1981, presidida por Osvaldo Laranjeira (um dos organizadores da palestra/debate). Publiquei a história desta luta iniciada por Geraldo (do antigo BANEB) em 1980, quando das comemorações dos 80 anos do sindicato. (História somente do período de 1972 a 1975).

Smitson também era do BANEB, mas foi demitido por perseguição, devido à sua militância, na época do então presidente do banco, Clériston Andrade. Smitson militou já um pouco mais adiante, já no Movimento Participação. Hoje é aposentado do Banco do Brasil, dirigente do diretório municipal do PT e fotógrafo (sua presença é garantia duma cobertura fotográfica ampla e de boa qualidade).

Registro mais três presenças (me desculpem, serão muitas, mas não posso falar de todas):

George Sá, aposentado do BANEB, deve estar na faixa dos 80 anos. Foi da geração de militantes que estava na frente de luta pós golpe de 64. A turma tomou "um chega pra lá" quando do AI-5. Quando a luta foi retomada a partir de 1972, George e outros de seus companheiros (me lembro bem de Nilton Coutinho, do Banco do Brasil, que, infelizmente, já se foi) passaram a atuar como nossos assessores, nos ensinaram muito.

Outro que não vai perder a oportunidade de abraçar o companheiro Olívio Dutra é nosso Pedro Barbosa, o Pedrinho (aposentado do Banco do Nordeste), que foi secretário geral da diretoria de 1981 a 1984. Grande militante político e grande figura.

Mais um, este não é bancário, mas metalúrgico: Zé Costa (entre amigos Zé Paraíba). Foi o primeiro presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Bahia, a partir de 1982, quando foi defenestrado o então pelego da ditadura. Ele está se recuperando duma cirurgia delicada, mas garantiu que se DEIXAREM ele estará entre nós no sábado, amanhã.

Zé Costa aparece numa foto que vai publicada acima, foto recente, ele está entre Jadson (este repórter que vos fala) e o primeiro mencionado Geraldo Guedes.

Vão mais duas fotos: uma de George Sá (foto de 2013, quando da festa dos 80 anos do sindicato) e outra de Smitson (fácil de identificar, pois está com pose de fotógrafo).

quinta-feira, 25 de julho de 2019

COMO ESTÁ O BRASIL DE BOLSONARO, LAVA JATO E VAZA JATO?


Vivemos sob um novo tipo de ditadura? Ou será a tal da “democracia híbrida”, conceito cunhado pelo sociólogo português Boaventura de Sousa Santos? Vamos debater com Olívio Dutra e Sérgio Gabrielli.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente

É a conjuntura política e econômica do Brasil do governo Bolsonaro, da Operação Lava Jato e do seu contraditório - a Vaza Jato - que estará em debate depois de amanhã, sábado, dia 27, em Salvador (pela manhã, no auditório do SINDAE, nos Barris).

A partir de palestra de dois pesos pesados da política e da economia, ambos quadros históricos do PT: o ex-governador gaúcho Olívio Dutra e o economista baiano José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobrás.

Olívio tem como marca exemplar de sua militância sindical e política o apego visceral à participação popular e à conduta simples e ética. É isso que atesta a trajetória inteira de sua vida, seja como dirigente do sindicato dos bancários no Rio Grande do Sul, seja como prefeito de Porto Alegre, governador do seu estado e ministro do ex-presidente Lula.

Só para ilustrar: o revolucionário instituto do orçamento participativo, reconhecido nacional e internacionalmente, nasceu e ganhou fama na sua gestão à frente da prefeitura da capital gaúcha (1989/92). Não é à toa que foi lá o berço do Fórum Social Mundial.

Será, por certo, uma ótima oportunidade para ouvir dele (e com ele debater) sua visão dos desafios que as forças populares, democráticas e nacionalistas têm na difícil conjuntura atual. Inclusive sobre as alternativas vislumbradas pelo PT, ao lado duma avaliação criteriosa dos seus acertos e erros nos 14 anos de presidência.

Já Gabrielli, que é professor titular aposentado da Faculdade de Ciências Econômicas da UFBA, conforme antecipou de forma bem resumida, apontará para a consolidação da financeirização da economia, como consequência das medidas adotadas no pós impeachment da presidenta Dilma e neste início do governo presidido por Jair Bolsonaro.

Para ele, acabou toda a perspectiva de expansão da indústria nacional e dos setores do comércio e serviços. “Até o governo Dilma ainda havia um embrião de projeto social brasileiro, hoje isso foi para o espaço”, diz o também ex-secretário de Planejamento da Bahia.

Continua o professor Gabrielli: Houve um abandono do investimento produtivo, com enorme expansão do investimento financeiro, que não gera emprego nem atividades produtivas. Trata-se, portanto, dum processo de destruição do Estado brasileiro, de subordinação à dinâmica internacional e do abandono de qualquer perspectiva de diminuição da desigualdade.

Esta mesma análise será desenvolvida por ele nos debates ora em curso e que serão incrementados nacionalmente, no âmbito do PT e outras forças progressistas, até o mês de novembro, visando a adoção de definições políticas da oposição.

Os organizadores do evento são Goiano (José Donizette), Osvaldo Laranjeira e Valdimiro Lustosa, velhos militantes e dirigentes do sindicalismo bancário que continuam atuantes, de uma forma ou de outra, no movimento popular e democrático.