quinta-feira, 3 de julho de 2008

2 de Julho


Dá gosto ver tanta gente ao longo do trajeto do cortejo das comemorações do dia 2 De julho। Uma festa cívica realmente peculiar, como muitas outras coisas que só acontecem na Bahia. O gringo suíço Jean Pierre não acreditava no que via: “Muito bom, hã?” repetia.

“Como, independência? A nossa independência não foi no dia 7 de Setembro?”, diriam outros brasileiros não baianos.


A deputada federal Lídice da Mata disse certa vez que uma das dificuldades para convencer os colegas sobre a mudança do nome do nosso aeroporto é que os “nobres” deputados e senadores não sabem da importância do 2 de julho para a Bahia e o Brasil।

Os parlamentares não sabem que teve muita luta e gente (índios, vaqueiros, freira e todo o povo de Salvador e do Recôncavo) que se envolveu numa verdadeira batalha para expulsar daqui os portugueses resistentes।

Só a partir de 2 de Julho de 1823, dez meses depois do grito heróico de D. Pedro às margens do Ipiranga, a independência do Brasil se consolidou, aqui, sem a tran qüilidade repassada na didática escolar.


Os baianos valorizam muito essa história omitida nas escolas e instituições do país (nos rituais obrigatórios da Presidência da República não deveria constar a participação do titular de plantão nessa data?) e vão para as comemorações com tudo o que têm direito. Ou quase tudo, porque nesse ano faltaram as faixas e os panfletos e a defesa pelo retorno do nome do aeroporto de Salvador para 2 de Julho.



“A saga de um povo não pode ser substituída por um só homem”, esse era um slogan bastante utilizado nas comemorações após a mudança do nome do nosso aeroporto para homenagear o filho morto de AC M, que também já se foi.




Mas teve gente do povo que lembrou essa luta e cobrou na camiseta a tão ansiada mudança que os políticos prometeram e... esqueceram.


Neste ano, como em todo ano de campanha eleitoral, o palanque público e ao ar livre (com direito a estréias e teste de popularidade das candidaturas recém oficializadas nas convenções partidárias que se realizam em junho) deu uma idéia de como serão feitas as campanhas.


O PMDB, por exemplo, levou o estilo do ministro Geddel para vender a candidatura de João Henrique à reeleição: colocou muito balão gigante com a sigla, banda e toda uma produção para impressionar no trajeto, que começa na Lapinha, passando pelas principais ruas do bairro de Santo Antônio e do Pelourinho e termina no Terreiro de Jesus.



O PT desfilou com número, porém sem as suas principais estrelas, porque elas estavam no bloco chapa branca do governador .

Ponto para o partido. Afinal, Wagner foi às convenções dos candidatos a prefeito de Salvador que compõem a base aliada, mas quem se sentiu à vontade para desfilar no 2 de Julho ao lado do governador foi o seu correligionário Walter Pinheiro.

Pinheiro desfilou ao lado de Wagner e da sua candidata a vice - prefeita, Lídice da Mata (PSB), ex-prefeita de Salvador.

O Dem também passou querendo fazer alvoroço, mas nem de longe lembrou os tempos do estardalhaço que ACM fazia. Difícil mesmo era identificar o candidato ACM Neto naquele ba-fa-fá.

O PSDB bem que fez barulho, mas Imbassahy passou normal.

O PSOL trouxe novamente a sua estrela principal, a ex-senadora Heloísa Helena, que procurou ser notada abrindo o sorriso e carregando nos braços um buquê de flores।



Independente do jogo político explícito no cortejo, o caboclo e a cabocla, símbolos dos nossos heróis, impressionaram visitantes e reencataram os baianosComo também chamaram atenção:

- o orgulho dos estudantes que apresentaram passos e toques ensaiadíssimos representando as escolas públicas,


- o ar de dever cumprido dos ativistas e militantes de movimentos sociais que reclamam contra a impunidade, como no caso dos parente das vítimas da explosão da fábrica de fogos em Santo Antônio de Jesus, há 11 anos,

-o protesto contra a intervenção no Rio Seixas, na Avenida Centenário,


-a luta da UFBA pelo pagamento da URV, das universidades estaduais,


- denúncia contra a discriminação contra a mulher e o rastafari no mercado de trabalho।


Todo ano é assim: calçadas e janelas dos velhos casarões e sobrados ficam lotadas por moradores e populares que relembram com orgulho a nossa saga pela independência e levantam novas bandeiras de liberdade e direitos de liberdade e cidadania। Tudo com muita alegria e beleza, porque nessa festa o público também se enfeita, se fantasia e se exibe.

Joana D’Arck