sexta-feira, 31 de outubro de 2014

DOS PAIS DOS ESTUDANTES MEXICANOS AO PRESIDENTE: “NÃO SE NEGOCIA O SOFRIMENTO”



Representantes dos familiares dos 43 normalistas desaparecidos exigem respostas de Peña Nieto (Foto: EFE/Página/12)
O encontro entre o presidente mexicano e os familiares durou cinco horas. “Se o senhor não se considera competente para dar resultados, que venham da Comissão Interamericana de Direitos Humanos”, disse Felipe de la Cruz, um dos pais.

Por Gerardo Albarrán de Alba, da Cidade do México – no jornal argentino Página/12, edição de hoje, dia 31

“A confiança não se pede, a confiança se ganha”, alfinetaram os pais dos 43 estudantes desaparecidos ao presidente Enrique Peña Nieto durante uma reunião de mais de cinco horas na residência oficial de Los Pinos. “O governo não se dá conta de que o sofrimento não se negocia e que as vidas humanas não têm preço”, disse Emiliano Navarrete, pai de um dos normalistas desaparecidos.

Após mais de cinco horas de reunião entre Peña Nieto e os pais e mães dos 43 estudantes desaparecidos, o governo mexicano avivou a frustração de boa parte da sociedade ao por o manejo da crise de direitos humanos que despertou a preocupação internacional acima da investigação que esclareça um dos maiores casos de desaparecimento forçado no México nos últimos tempos.

“Lhe dissemos: ‘Não confiamos em seu governo, e se o senhor não se considera competente para dar resultados, que venham da Comissão Interamericana de Direitos Humanos’”, disse Felipe de la Cruz, outro dos pais. A dignidade destes camponeses, vítimas também eles do desaparecimento de seus filhos, encurralou o presidente Peña Nieto, que se viu obrigado a voltar duas horas depois ao salão onde se havia reunido com eles, junto com o secretário de Governo, Miguel Angel Osorio Chong, e o procurador geral da República, Jesús Murillo Karam, para colocar por escrito e assinar a minuta com os 10 compromissos verbais que ele havia apresentado ao longo do encontro realizado na residência oficial de Los Pinos.

Já avançada a noite de quarta-feira, numa coletiva de imprensa no Centro de Direitos Humanos Miguel Agustín Pro Juárez, representantes dos familiares e dos estudantes normalistas reclamaram que “continua sem chegar a resposta que se espera por parte do Estado mexicano”. Também foram claros ao condicionar um novo encontro com o governo de Peña Nieto para que haja resultados reais na busca dos estudantes vítimas de desaparecimento forçado em mãos da polícia municipal de Iguala, no estado de Guerrero, desde 26 de setembro.

Antes, da residência oficial de Los Pinos, o presidente Peña Nieto apareceu numa cadeia nacional de rádio e TV com um discurso que apelou às emoções, não a expor ações concretas de sua administração nem a demonstrar verdadeira vontade política. A intenção da reunião com os familiares dos desaparecidos, disse ante as câmeras de televisão, “busca gerar confiança”.

Com um discurso que novamente ficou longe das expectativas, Peña Nieto resumiu as novas promessas feitas durante o encontro: acedeu a buscar os 43 estudantes desaparecidos, assumindo que continuam vivos, e já não apenas em fossas clandestinas, como fizeram até agora; incorporar à investigação da PGR (Procuradoria Geral da República) a equipe de forenses argentinos, que já está há várias semanas no México, e aceitar pessoas de reconhecida idoneidade moral como coadjuvantes; não dar espaço à impunidade; respeitar os direitos humanos de todos os estudantes da Escola Normal Rural de Ayotzinapa e frear sua criminalização, assim como reconhecer a importância das escolas normais rurais e dignificar suas instalações; e criar uma comissão de acompanhamento com os familiares dos 43 estudantes desaparecidos, os próprios normalistas de Ayotzinapa e representantes da sociedade civil, junto com representantes da PGR e da Secretaria de Governo. E ainda: para isso definiu controlar a informação das investigações com a finalidade de evitar vazamentos aos meios de comunicação.

Continua em espanhol (com traduções pontuais):

Los llamados “compromisos” que asumió públicamente Peña Nieto el miércoles (na quarta-feira) es lo mínimo que los familiares de los desaparecidos y amplias capas (camadas) de la sociedad han reclamado desde hace ya 35 días en decenas de movilizaciones por todo el país y en cerca de medio centenar de ciudades por todo el mundo. Por eso era importante para los familiares que el presidente y sus funcionarios los pusieran por escrito y los firmaran. “Las palabras se las lleva el viento”, dijeron.

A tono con esa premisa, Peña Nieto apareció ante las cámaras hablando de sí mismo en tercera persona. Dijo que “el presidente de la República por igual está indignado por estos hechos”, y aseguró que su administración “asume por igual la indignación y consternación que estos hechos no sólo han causado en ellos como familias sino (también) a la sociedad mexicana”. El presidente fue ridiculizado de inmediato en las redes sociales, donde varios preguntaron si también participará en las siguientes marchas de protesta contra la ineficacia de su propio gobierno.

En realidad, la tónica de la reunión fue el dolor, la angustia, la consternación e indignación de los padres y madres de los 43 estudiantes desaparecidos, pero sobre todo flotó la impaciencia porque aún no los han encontrado.

“Yo me voy igual que como llegué. La reunión se da 33 días después, y no porque (Peña Nieto) quisiera recibirnos, esto se logró por la presión de la sociedad, no salió por él mismo. Me decepciona como gobierno que son, les falta mucho para representar a una sociedad. Como le dije a él, yo no le vengo a pedir un favor sino justicia como ciudadano mexicano que soy. Fueron personas de gobierno quienes cometieron el atropello contra nuestros hijos”, explica Emiliano Navarrete, padre de uno de los 43 estudiantes desaparecidos, y aplasta toda demagogia con una lógica irrebatible: “Para mí no están desaparecidos, porque no se perdieron solos. Se los llevaron contra su voluntad, hay gente que sabe dónde están”.

Para Melitón Ortega, padre de otro estudiante desaparecido, Peña Nieto “sale contento porque ya hay un acercamiento. No se da cuenta, él o (ou) algunas personalidades políticas, de que el sufrimiento no se negocia, que las vidas humanas no tienen precio”.

Lo ocurrido con los estudiantes normalistas de Ayotzinapa “es un crimen de lesa humanidad”, dijo Felipe de la Cruz Sandoval, otro padre que tampoco sabe qué fue de su hijo. Junto con los demás familiares hizo un llamado a la sociedad “a mantener el dolor, la indignación, el coraje y la ira para exigir que aparezcan nuestros hijos”.

Mientras tanto (Enquanto isso), el Estado mexicano sigue sin responder la pregunta que el país –y el mundo– le plantea desde hace más de un mes: ¿dónde están los 43?

Tradução (parcial): Jadson Oliveira

ULTRADIREITA MONTA CERCO NO CONGRESSO E BUSCA EMPAREDAR PRESIDENTA

Alves, presidente da Câmara, e Dilma, em recente encontro, evitam temas polêmicos
Henrique Alves, presidente da Câmara, e Dilma, em recente encontro, evitam temas polêmicos (Foto: Correio do Brasil)
O PT, diz Rodrigo Vianna, do blog Escrevinhador, “até hoje abdicou da rua, resolvendo tudo com conciliação. Esse tempo acabou. Mas não sejamos ingênuos, nem extremistas. A negociação segue sendo necessária. A esquerda não tem força para impor sua agenda ‘pura’ ao país. Apostar nisso é apostar num desastre”.

Do jornal digital Correio do Brasil, de Brasília e São Paulo - de 30/10/2014

Os votos ainda não esfriaram nas urnas, após declarada a vitória da presidenta Dilma Rousseff para um novo mandato, até 2018, e as forças mais reacionárias da sociedade brasileira já se articulam. Partidos de centro-direita, entre eles grande parte do PMDB e do PDT que, presumidamente, deveriam integrar a base aliada, articulam um bunker para deter as reformas sociais defendidas pela esquerda que, também em tese, venceu as eleições deste último domingo. Os parlamentares conservadores, porém, formam a maioria absoluta do Congresso, o que significa um jogo pesado para a presidenta, reconduzida ao cargo por uma diferença de apenas 3,5 pontos para o adversário tucano, Aécio Neves.

Na véspera, a bancada do PMDB na Câmara dos Deputados aclamou seu líder, Eduardo Cunha – integrante da extrema-direita no Estado do Rio – como candidato à presidência da Casa. O anúncio ocorre três meses antes da eleição, em um claro movimento de pressão ao PT e o governo para que aceite a candidatura do peemedebista, desafeto declarado da presidenta Dilma. A próxima eleição para presidente da Casa será em fevereiro de 2015, quando os novos deputados tomam posse.

A estratégia da bancada peemedebista da Câmara ocorre à revelia da cúpula do PMDB e visa a atrair partidos de oposição, na queda de braço entre o governo e a atual legislatura. Além de não ter a simpatia da presidente reeleita Dilma Rousseff, Cunha não cultiva boas relações com o vice-presidente Michel Temer, que também preside a legenda. Até agora, governo e PT, que terá a maior bancada da Câmara em 2015, estão apenas assistindo aos movimentos de Cunha, o que pode colaborar com sua estratégia de pavimentar o terreno para a candidatura até um ponto irreversível. Aliados de Cunha romperam o acordo com os petistas, que previa um rodízio no comando da Câmara. Agora, seria a vez do PT apontar um candidato à Presidência, com o apoio do PMDB.

Para ler mais no Correio do Brasil:

PIZZOLATO: JUSTIÇA ITALIANA ALEGOU TRÊS RAZÕES PARA NÃO EXTRADITÁ-LO



VITO GIANNOTTI LANÇA NOVO LIVRO: COMUNICAÇÃO DOS TRABALHADORES E HEGEMONIA

O autor defende que sindicatos e movimentos sociais devem ter seus próprios instrumentos de comunicação – jornais, rádios, TVs, redes sociais”.

Reproduzido do sítio web NPC - Núcleo Piratininga de Comunicação, de 28/10/2014 

O escritor Vito Giannotti, coordenador do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), está lançando mais um livro sobre a importância da comunicação dos trabalhadores para a transformação da sociedade. Esse tema tem pautado sua atuação e de todo o NPC nos últimos 20 anos, com a promoção de cursos, palestras e seminários pelo Brasil inteiro. A obra apresenta reflexões sobre diversos conceitos, como o de hegemonia, pensado por Marx, Lenin e Gramsci. Também nega veementemente o mito da neutralidade dos meios de comunicação e explica porque considera a mídia o verdadeiro partido da burguesia.

Além de apresentar uma sólida base teórica, oferece dicas práticas aos sindicatos e movimentos populares que desejam construir e aprimorar seus veículos de informação. Aborda, portanto, os meios impressos, rádios, TVs e internet, pensando em como aperfeiçoar desde a pauta até a linguagem e a diagramação, para que esses veículos sejam atrativos e compreendidos pela maioria da classe trabalhadora.

O jornalista e professor Dênis de Moraes (UFF) assina a orelha do livro, que também conta com comentários dos jornalistas Laurindo Leal Filho, Beto Almeida e Hamilton Octavio de Souza. A jornalista e professora de história Claudia Santiago, também coordenadora do NPC, explica na apresentação da obra: “Giannotti acredita que as ideias dominantes na sociedade são as ideias da classe dominante. E estas são transmitidas para toda a sociedade pelos ‘meios de comunicação dos patrões’, como enfatiza em seus inúmeros artigos e palestras. Ele não acredita que sindicatos e movimentos sociais devam implorar ou pagar por pequenos espaços nos jornais da burguesia que, na visão de Vito, defendem única e exclusivamente os interesses da classe patronal. Defende que estes devem ter seus próprios instrumentos de comunicação – jornais, rádios, TVs, redes sociais”.

O livro é voltado para professores de comunicação, estudantes, sindicalistas, militantes sociais e todos aqueles interessados em entender a importância dos meios de comunicação na formação das ideias e na prática social. Custa R$ 30,00 e está à venda na Livraria Antonio Gramsci, que fica na Rua Alcindo Guanabara, 17, térreo, Cinelândia (fundos do prédio). Interessados em adquirir podem também solicitar pelo e-mail livraria@piratininga.org.br. Outras informações pelos telefones (21)2220-4895 e 2220-4623.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

MARCELO SALLES: O BRASIL É MAIOR QUE A GLOBO (OU "O POVO DERROTOU O GOLPE MIDIÁTICO")

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(Foto: Viomundo)

Duvido muito que as forças progressistas vençam em 2018 se continuarem perdendo a batalha da comunicação.


Por Marcelo Salles (*) - reproduzido do blog Viomundo - O que você não vê na mídia, postagem de 30/10/2014 às 13:37

Essas eleições entram para a História do Brasil como o momento mais nítido em que as corporações de mídia tentaram impor sua vontade ao povo. Mais do que em 1989, com a famosa edição do debate entre Lula e Collor. Mais do que em 2006, quando o foco do debate foi deslocado para pilhas de dinheiro expostas ad nauseam.

Em 2014 apostaram todas as fichas, e a contrário de outras vezes não o fizeram veladamente. Assumiram seu papel de partido político de oposição, conforme conclamou Judith Brito, diretora-superintendente do Grupo Folha, vice-presidente da ANJ e colaboradora do Instituto Millenium.

Faltando 11 dias para o segundo turno do pleito, os institutos de pesquisa davam empate técnico entre os dois candidatos – Aécio Neves à frente 2 pontos, dentro da margem de erro.

Como resposta, a militância de esquerda foi às ruas, os movimentos sociais organizados reforçaram sua participação na campanha e a candidata à reeleição partiu para o enfrentamento nos debates. O mote era um só: comparar os governos tucanos e petistas, o que garantiu vantagem a Lula e Dilma em praticamente todos os setores. Se o oponente baixava o nível, a resposta vinha à altura.

Nos oito dias seguintes, Datafolha e Ibope registraram crescimento de Dilma. No primeiro, de 49% para 53%; no Ibope, de 49% para 54%. Enquanto isso, Aécio caiu de 51% para 46% (Ibope) e 51% a 47% (Datafolha). Dilma encerrou a campanha com vantagem de 6 a 8 pontos de vantagem, cenário praticamente impossível de ser invertido em 48 horas.

Aí surgiu a capa da revista Veja na sexta-feira, antevéspera do pleito, acusando, sem provas, Lula e Dilma de terem conhecimento de desvios na Petrobras. De sexta até domingo a Veja atingiria algo entre 500 mil e 1 milhão de pessoas. A maioria das quais, no entanto, já tinham o voto decidido para Aécio. A capa da veja, por si só, merecia o repúdio na medida em que foi dado pela campanha do PT. A própria presidenta Dilma usou parte do tempo de propaganda eleitoral para denunciar a manobra da revista.

No entanto, foi o Jornal Nacional do sábado, véspera da eleição, o grande responsável pela interferência na vontade popular. No primeiro bloco, Dilma recebeu 5 minutos, com destaque no suposto medo de avião e nos problemas com a voz. Enquanto Aécio teve direito a 5’55’’ a apresentá-lo como alguém incansável, que trabalha durante o voo e aparece com a esposa e os filhos no colo (“um cara família”). Em outro trecho, as imagens saltadas em repetição durante comícios, com a bandeira do Brasil nas costas, revelam, como num filme de ação, um homem destemido que estaria preparado para conduzir o destino da Nação.

Logo no início do segundo bloco, o JN exibiu extensa reportagem sobre a capa da Veja. Aí, o que era de conhecimento de até 1 milhão de pessoas que já votariam Aécio, alcançou 30-40 milhões de pessoas, entre os quais um sem número de indecisos. Isto na véspera do pleito, sem que houvesse tempo para se organizar a estratégia de enfrentamento desse verdadeiro crime midiático. Como resultado, a vantagem de 6-8 pontos de Dilma caiu drasticamente, e quando terminou a apuração as urnas sacramentaram 51,5% x 48,5%.

O povo derrotou o golpe midiático e deu a vitória a Dilma. Agora o povo quer a democratização dos meios de comunicação, tarefa prioritária para o próximo governo. Até porque duvido muito que as forças progressistas vençam em 2018 se continuarem perdendo a batalha da comunicação.

(*) Marcelo Salles é jornalista.

CHILE: BACHELET DENUNCIA “CAMPANHA DE TERROR” DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO



Bachelet e Felipe compartilharam uma cerimônia no palácio real de Madrid (Foto: Página/12)
Bachelet iniciou uma visita de Estado à Espanha para promover projetos de cooperação econômica. Em entrevista, ela questionou os meios de comunicação que buscam desinformar sobre temas fundamentais para o país, como as reformas tributária e educativa e suas políticas sociais. “Há toda uma campanha de terror totalmente injustificada diante destas mudanças”.

Matéria do jornal argentino Página/12, edição de hoje, dia 30

A presidenta do Chile, Michelle Bachelet, denunciou que há uma “campanha de terror” injustificada contra várias de suas políticas, como a reforma tributária e a educativa. “No governo não contamos com meios de comunicação. E por um lado os setores que podem se ver economicamente afetados por algumas dessas decisões se inquietam se não conhecem bem o que queremos fazer e para onde vamos”, expressou a mandatária numa entrevista ao jornal El País, da Espanha, onde se encontra em visita oficial. “Por outro lado, muitas vezes a informação que sai é uma informação que não é neutra e que não é muito pró-reformas tampouco, e portanto também os cidadãos começam a ver fantasmas e a se assustar”, agregou.

Bachelet, que foi recebida ontem pelos reis Felipe e Letizia no Palácio de El Pardo, iniciou uma visita de Estado para promover projetos de cooperação  econômica. A agenda inclui hoje, ademais, uma reunião da presidenta chilena com o chefe de governo espanhol, Mariano Rajoy. Mas antes de sua chegada a Madrid, Bachelet concedeu uma entrevista na qual se referiu à educação, à economia, à polarização política em seu país e à legalização do aborto.

A mandatária criticou, também, a oposição por não acompanhar sua reforma tributária e por não apresentar um projeto alternativo. “Recebi todos os partidos e a todos lhes disse a mesma coisa: se todos os senhores têm propostas que melhorem a nossa proposta, mas que mantenham dois objetivos fundamentais da reforma, que junte 8 bilhões de dólares e que avance em equidade tributária, apresentem tais propostas. Esses dois critérios, se são mantidos, eu não tenho nenhum problema em receber e escutar. E, a verdade é que não houve uma atividade tão imediata de entrega de propostas”, apontou a presidenta.

No entanto, negou que seu país se encontre dividido entre os que apoiam seu governo e aqueles que são partidários de um projeto político conservador. “Eu não creio que esteja mais polarizado do que há quatro ou há oito anos. O que eu creio que acontece é o fato de que ao termos proposto reformas que são estruturais faz com que algumas pessoas se sintam inseguras. Mas eu lhes quero dizer que isso não é uma coisa nova; e eu, de partida, vou fazer todo o possível para que não haja uma polarização em nossa sociedade além do que é o saudável e normal debate de ideias, que às vezes pode ser apaixonado debate, mas que é isso”, assinalou Bachelet.

Continua em espanhol (com traduções pontuais):

“Lo que sí (sim) nos obliga a hacer a nosotros como gobierno es a ser mucho más claros, explícitos, a comunicar mejor lo que queramos hacer para que los grados de incertidumbre (os graus de incerteza) que puedan existir disminuyan y la gente pueda saber lo que queremos hacer. Ahora, muy distinto es que hay gente que no quiere cambiar (mudar) las cosas; hay gente que quiere que todo quede tal como está hoy e incluso cree que no hay desigualdad en Chile”, advirtió.

En este sentido, Bachelet cuestionó a los medios de comunicación que buscan desinformar sobre cuestiones clave (chaves, fundamentais) para su país, como la reforma educativa, una de sus principales promesas de campaña. “Hay toda una campaña del terror frente a estos cambios (estas mudanças) totalmente injustificada. Nosotros no queremos cerrar los colegios privados, no queremos que solamente haya escuelas públicas. Pero lo que sí queremos es que las escuelas que sean privadas garanticen calidad de educación. De los colegios que son particulares, subvencionados, pero con fines de lucro, algunos son buenos; pero hay un grupo muy importante que, lamentablemente, cuando uno ve los estudios a largo plazo, muestran que tienen más males incluso que los municipales públicos”, explicó la jefa de Estado.

La mandataria hizo hincapié (finca-pé) en lo que significó la involución experimentada por la educación durante la dictadura de Augusto Pinochet. “En la época de la dictadura, la educación pública pasó a depender del municipio y, si el municipio tiene recursos, puede tener unos liceos y escuelas estupendas con buenas tecnologías; y si el municipio es pobre, se refleja también en las escuelas. La primera gran decisión es que la educación no puede seguir dependiendo de los municipios, pasa al Estado de Chile, vuelve al Estado, donde estaba previo a los años ochenta, en un sistema descentralizado, a nivel regional, provincial y local, pero es el Estado entonces el que garantiza los recursos y no depende ni de la voluntad del alcalde (do prefeito) ni del valor que el alcalde le da a la educación”, aseveró.

Por otra lado, Bachelet se refirió también a la ley del aborto, que en Chile está prohibido en todos los casos. La mandataria afirmó que el proyecto que se presentará a fin de año ante el Parlamento fue consensuado entre todas las fuerzas de su coalición, aunque ella hubiera preferido que fuera más radical. “Cuando uno es presidente de un país uno puede tener sus opiniones, su corazón puesto en un lugar. Pero también uno se comprometió con un programa de gobierno que fue el acuerdo al interior de una coalición. Yo, como mujer, como médica, como directora ejecutiva de ONU Mujeres siempre he planteado que me parece que las mujeres tenemos derechos en todos los ámbitos, que no se nos pueden restringir todos los derechos y que debiéramos tomar decisiones en todos los ámbitos”, sostuvo. “Ahora, como Chile es un país que en esto tenemos años luz de poco avance, y porque nuestra coalición está conformada por sectores diversos, yo me he comprometido con la despenalización del aborto terapéutico en tres ámbitos: en el de las mujeres violadas, en el del riesgo vital para las mujeres y en el de los niños con malformación congénita que no tienen ninguna posibilidad de sobrevivir a eso”, dejó en claro Bachelet.

Tradução (parcial): Jadson Oliveira

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

MÉXICO: PRESOS MAIS QUATRO NO CASO DO DESAPARECIMENTO DOS 43 ESTUDANTES



Investigadores forenses buscam os estudantes desaparecidos perto da localidade de Cocula (Foto: AFP/Página/12)
Caem quatro narco-traficantes como supostos autores materiais do desaparecimento dos normalistas: o procurador anunciou que dois dos detidos disseram haver recebido “um grande grupo de pessoas”, enquanto os outros dois confessaram haver participado como vigilantes no massacre. Peña Nieto recebe familiares das vítimas.

Matéria do jornal argentino Página/12, edição de hoje, dia 29

As autoridades mexicanas detiveram quatro supostos autores materiais dos 43 estudantes que desapareceram em mãos de policiais e criminosos em Iguala. O procurador mexicano, Jesús Murillo, anunciou que dois dos detidos disseram haver recebido “um grande grupo de pessoas”, enquanto que os outros dois confessaram haver participado como vigilantes na noite de 26 de setembro e suas declarações são coincidentes com as dos primeiros. Os quatro detidos, membros do cartel Guerreros Unidos, foram levados para depor perante a Subprocuradoria Especializada em Investigação sobre Delinquência Organizada. “Dado o sigilo que requer a investigação, nos reservamos a não revelar o nome destas pessoas”, assinalou Murillo. O presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, se reunirá hoje pela primeira vez com os familiares dos estudantes desaparecidos, informou um dos pais.

A Procuradoria Geral da República (PGR) busca evidências para corroborar as declarações dos detidos sobre o lugar onde ocorreram os fatos relacionados com o desaparecimento, informou Murillo. Estas pessoas se somam aos 52 detidos previamente em relação ao caso, entre policiais e servidores dos municípios de Iguala e Cocula, assim como integrantes do Guerreros Unidos, incluído seu próprio líder. Ainda que não tenham sido divulgadas informações sobre onde estão ocorrendo os processos de verificação dos dados, houve uma grande diligência policial numa zona situada a 10 quilômetros de Cocula, a meia hora da cidade de Iguala, onde os 43 estudantes foram detidos por policiais.

A zona se encontra vigiada por membros da Marinha do México que não deixam entrar no lugar os meios de comunicação, enquanto experts da PGR realizam as perícias. No lugar chegou o diretor da Agência de Investigação Criminal (AIC) da PGR, Tomas Cerón, mas ele não fez declarações à imprensa. No momento em que Murillo falava dos últimos avanços nas investigações do caso, cerca de 500 alunos da Escola Normal (dedicada à formação de professores) de Ayotzinapa e familiares dos desaparecidos realizaram uma pequena marcha em Iguala até o lugar em que morreram dois dos estudantes na noite de 26 de setembro.

Continua em espanhol (com traduções pontuais):

Las madres (mães) de los jóvenes llevaban carteles (cartazes) con las fotos de sus hijos desaparecidos, flores y velas para recordar a los muertos y pedir que los desaparecidos aparezcan con vida. Junto al lugar en el que murieron los dos estudiantes se colocaron dos cruces y se celebró una misa por la paz. Luego caminaron hacia un descampado cercano (Em seguida caminharam para um descampado próximo), en donde fue depositado el 26 de septiembre el tercer cuerpo, y clavaron una tercera cruz. La Policía Federal, que mantiene el control en Iguala y se encarga de las tareas de seguridad, realizó un operativo de prevención para proteger los centros comerciales de esta ciudad, después de que los estudiantes saquearan dos supermercados en Chilpancingo, capital de Guerrero.

El vocero (porta-voz) de los padres de familia, Felipe de Jesús de la Cruz, dijo que al encuentro que mantendrán hoy con el presidente mexicano también asistirán (participarão) familiares de los tres alumnos de la Escuela Normal de Ayotzinapa, ubicado en el sureño (localizado no sulista) estado de Guerrero, que murieron esa noche y otros dos (dois) que perdieron la vida en un enfrentamiento con policías en diciembre de 2011. La reunión se llevará a cabo a las 14 hora local (17 de Argentina) en la residencia presidencial de Los Pinos, será totalmente privada y no habrá fotografías del encuentro, condición impuesta por las familias, agregó De la Cruz.

Consultadas sobre el encuentro, fuentes de la presidencia mexicana dijeron que no lo tienen registrado en la agenda de Peña Nieto, si bien aclararon que no se puede descartar dado que puede haber cambios (mudanças) en cualquier momento. “Vamos con mucha ira, con mucho coraje, porque han hecho creer a la opinión pública que han estado trabajando y a nosotros nos han metido en ese rollo, hasta vamos con ellos a las búsquedas y nos damos cuenta de que nada más van, se asoman y regresan. Eso no es búsqueda para nosotros”, afirmó el portavoz de los familiares.

Desde las instalaciones de la Escuela Normal, que se ha convertido en el lugar de espera de noticias para las familias afectadas, De la Cruz dijo que los padres no creen en el gobierno, que no van a aceptar jamás una Comisión de la Verdad cuando no está terminado el proceso de búsqueda. “Para nosotros los muchachos están vivos”, indicó el vocero. Según algunos de los 56 detenidos hasta ahora, tras (após) los ataques a los estudiantes por órdenes del entonces alcalde del municipio de Iguala, José Luis Abarca, que dejaron 6 muertos y 25 heridos, los 43 jóvenes fueron detenidos por policías y entregados al cartel Guerreros Unidos. Desde entonces se desconoce su paradero.

Tradução (parcial): Jadson Oliveira