sexta-feira, 24 de outubro de 2014

POR QUE TANTO ÓDIO CONTRA O PT? AINDA NEM CHEGOU A HORA DA REVOLUÇÃO...



(Foto: Página/12
“Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros” – Che Guevara

 

Acredito que a maioria dos que professam esse antipetismo exacerbado o faz devido às qualidades dos governos petistas e não devido aos seus defeitos.

 

Por Jadson Oliveira (jornalista/blogueiro) – editor do blog Evidentemente

 

De Salvador (Bahia) - Acabei de ler um texto e fiquei impressionado: um nascido em berço de ouro, como se diz, de família paulistana tucaníssima – seu nome é Rafael Cardone – fala, de coração, que sua vida, de sua família, de seus amigos e vizinhos, continua boa e reconhece que o que mudou com os 12 anos de governos de Lula/Dilma, para melhor, foi a vida do povo mais necessitado do Brasil. Simples, simples: minha vida continua boa e a vida dos mais pobres melhorou, então por que não votar na Dilma? (aqui o link, no Viomundo: “O depoimento de um tucano que bateu as asas e deixou o ninho”).


 

Agora eu pergunto: por que tanto ódio contra o PT e os petistas (nem revolucionários eles são)? Fico admirado de ler na blogosfera/redes sociais a expressão de tanto ódio e tanta intolerância, vindos inclusive de pessoas que conheço (ou conheci), pessoas boas, normais, humanas, que viveram a ditadura, se revoltaram contra a ditadura, contra a censura da ditadura. Em nome desse ódio, alguns que sentiram na própria carne o terror que é uma ditadura até se dispõem a votar num candidato explicitamente de direita, neoliberal, apoiado pelo império estadunidense.


 

É difícil conviver com tanto fel. Essa revolta seletiva contra a corrupção, repetindo o “mar de lama” assacado contra Getúlio Vargas e a campanha contra o “corrupto e incompetente” João Goulart. Passam o borrão no fato notável de que os governos petistas foram os primeiros que criaram, em 500 anos de tenebrosa história, estruturas institucionais capazes de combater a corrupção, os corruptores e a impunidade. A luta é dura, mas avançamos um pouco nisso.


 

Já escrevi aqui neste meu blog que acredito que a maioria dos que professam esse antipetismo exacerbado o faz devido às qualidades dos governos petistas e não devido aos seus defeitos. E olhe que os defeitos dos governos Lula/Dilma não são pequenos, pelo menos do ponto de vista de uma esquerda que considero mais consequente: conluio com políticos direitistas corruptos, abandono da reforma agrária, cumplicidade com o grande empresariado (transnacionais, banqueiros, agronegócio, empreiteiras, mineradoras), cumplicidade e financiamento dos monopólios da mídia hegemônica (mesmo apanhando todo dia deles).


 

Tudo isso combinado com a despolitização da sociedade, a criminalização da política e dos movimentos sociais, a acomodação dos sindicatos dos trabalhadores e a desmobilização popular.


 

Já temos aí muitos defeitos, e certamente há mais. Mas não é por isso que a maioria da classe média odeia o que eles chamam petismo, petistas, lulopetismo, os mais ensandecidos chamam petralhas. O ódio – da maioria, friso – vem de carona na carroça carregada de coisas boas para os mais pobres: melhores salários, mais empregos, política de valorização do salário mínimo, mais inclusão social, pobres e negros nos shoppings, nos aeroportos, nas universidades, nos cursos técnicos, médicos (até cubanos, ave Maria!) e luz elétrica nos grotões deste imenso país, mais facilidades para o menos rico comprar casa própria, crédito para compra de geladeira, computador, roupa de lavar, etc, etc.


 

Creio, como já frisei, que se enquadra nisso uma maioria da classe média, cuja cabeça parece cada vez mais envenenada pelas nossas TVs, rádios, jornais e seus sites na Internet, destilando diariamente doses mortais de violência, intolerância, racismo, sexismo, preconceitos contra as chamadas minorias, valores como o consumismo, individualismo, egoísmo, o vale-tudo por dinheiro. Sem esquecer a arrogante meritocracia, que justifica os privilégios dos ricos, brancos e bonitos, porque afinal os pobres são os únicos culpados pelas suas provações neste vale de lágrimas.


 

Mas há uma parte, talvez pequena, de gente que anda vomitando ódio e agressividade contra o “petismo” que é formada por gente que podemos classificar de normal, gente boa, gente que deve se lembrar de que o bom desta vida é gostar das pessoas, é conviver alegremente com as pessoas, inclusive as que pensam de maneira distinta. Gente que parece ter se esquecido de que há valores perenes do que podemos chamar de humanismo, valores que nos tornam certamente mais felizes, como amor, amizade, solidariedade, fraternidade, será que não somos mais felizes sendo menos desiguais socialmente, economicamente?


 

Será que os jovens não seriam mais felizes e cheios de esperança se - ao invés de vitaminados pelo ódio através da mídia predominante -, estivessem impulsionados por sonhos generosos próprios da juventude, sonhos de igualdade e justiça social, sonhos de uma bela utopia social?


 

Outro dia vi no Facebook um vídeo com uma bela moça gritando que votava no Aécio porque “eu sou rica”. Uma loucura! Será que ela é mais rica do que o rapaz de espírito humanista do depoimento referido logo no início deste texto?


 

E reparem que esse processo político iniciado há 12 anos no Brasil é marcadamente conciliador, inclusive liderado por um mestre da conciliação chamado Luiz Inácio Lula da Silva, o popular Lula. Embora um nordestino mal-nascido, um analfabeto, como dizem os da chamada elite, não deixa de ser um mestre da conciliação, característica básica da nossa história (talvez isso ajude a explicar o seu grande sucesso).


 

Agora, imaginem se estivéssemos vivendo um processo político revolucionário, uma luta francamente anticapitalista, em prol de algum tipo de socialismo? Imaginem! A luta de classes aflorando francamente, soltos todos os anjos e demônios. Aí o pau ia quebrar! Seria “a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar”.

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