quinta-feira, 12 de julho de 2018

JESSÉ SOUZA: A CLASSE MÉDIA BRASILEIRA ODEIA O POVO


A classe média brasileira possui um ódio e um desprezo cevados secularmente pelo povo. Essa é talvez nossa maior herança intocada da escravidão nunca verdadeiramente compreendida e criticada entre nós.
Para que se possa odiar o pobre e o humilhado, tem-se que construí-lo como culpado de sua própria (falta de) sorte e ainda torná-lo perigoso e ameaçador.
Se possível, deve-se humilhá-lo, enganá-lo, desumanizá-lo, maltratá-lo e matá-lo cotidianamente. Era isso que se fazia com o escravo e é exatamente a mesma coisa que se faz com a ralé de novos escravos hoje em dia.
Transformava-se o trabalho manual e produtivo em vergonha suprema, como “coisa de preto”, e depois se espantava que o negro não enfrentasse o trabalho produtivo com a mesma naturalidade que os imigrantes estrangeiros, para quem o trabalho era símbolo de dignidade.
Dificultava-se de todas as formas a formação da família escrava e nos espantamos com as famílias desestruturadas dos nossos excluídos de hoje, mera continuidade de um ativismo perverso para desumanizar os escravos de ontem e de hoje.
Os escravos foram sistematicamente enganados, compravam a alforria nas minas e eram escravizados novamente e vendidos para outras regiões, eram brutalizados, assassinados covardemente. A matança continua também agora com os novos escravos de todas as cores.
O Brasil tem mais assassinatos – de pobres – que qualquer outro país do mundo
O Brasil tem mais assassinatos – de pobres – que qualquer outro país do mundo. São 60 mil pobres assassinados por ano no Brasil. Existe uma guerra de classes hoje declarada e aberta.
Construiu-se toda uma percepção negativa dos escravos e de seus descendentes como feios, fedorentos, incapazes, perigosos e preguiçosos, isso tudo sob forma irônica, povoando o cotidiano com ditos e piadas preconceituosas, e hoje muitos se comprazem em ver a profecia realizada.
A concepção que um ser humano tem de si mesmo não depende de sua vontade e é formada pela forma como o indivíduo é percebido pelo seu meio social maior. É isso que significa dizer que somos produtos sociais. Nos tornamos, em grande medida, aquilo que a sociedade vê em nós.
O Brasil não simplesmente abandonou os escravos e seus descendentes à miséria. Os brasileiros das classes superiores cevaram a miséria e a construíram ativamente. Construiu-se uma classe de humilhados para assim explorá-los por pouco e para construir uma distinção meritocrática covarde contra quem nunca teve igualdade de ponto de partida.
Não se entende a miséria permanente e secular dos nossos excluídos sociais sem esse ativismo social e político covarde e perverso de nossas classes “superiores”.
Mais um aperitivo para a leitura de ‘A elite do atraso – Da escravidão à Lava Jato – Um livro que analisa o pacto dos donos do poder para perpetuar uma sociedade cruel forjada na escravidão’, do sociólogo Jessé Souza (páginas 169/170) – editora Casa da Palavra/LeYa. (O título, o intertítulo e a disposição dos parágrafos são da edição deste blog)

segunda-feira, 9 de julho de 2018

LULA LIVRE: DECISÃO JUDICIAL É CONSTRUÍDA A PARTIR DE MANCHETE DA GLOBO


A batalha, hoje, crucial, é a batalha da comunicação. Enquanto estivermos sob a hegemonia da Globo, ditando o ritmo, a regra, os valores, a verdade, não temos qualquer chance.

Por Jadson Oliveira - jornalista/blogueiro, editor deste Blog Evidentemente

O problema do embate político é saber se temos força ou não temos – foi o que se viu neste domingo, dia 8, com a soltura/prisão de Lula. De nada adianta argumentar com base nas firulas jurídicas. Trata-se – repito – de ter força ou não ter força, de ter bala na agulha ou não ter, de ter munição para a batalha ou não ter. O velho chavão da correlação de forças.

É isto que conta. O resto é choradeira de perdedor. E de perdedor, as esquerdas têm experiência de décadas. Perdemos em 1954, perdemos em 1964, perdemos em 2016. E continuamos perdendo. Não aprendemos?

Estas reflexões me batem, em desespero, neste final de domingo, depois de participar de concentração (dita resistência, com escassos resistentes) na praça vermelha do Rio Vermelho, em Salvador, esperando a soltura de Lula, de acordo com ordem expedida e confirmada e, outra vez - a terceira vez -, repetida pelo desembargador Rogério Favreto, plantonista do TRF4.

Os entendidos no tema não têm dúvidas: é líquido e certo o direito do plantonista ao mandar soltar Lula. Mas o que é o direito em confronto com o poder real? O que é o direito em confronto com o poder concentrado nas mãos do juiz Sérgio Moro? O poder real vem, por vias tortuosas, do império do norte e torna-se visível na tela da Rede Globo.

Meus amigos e amigas já festejavam, antecipadamente, o gostinho da vitória com a iminente libertação de Lula. Eu avisei que, por volta do final da tarde, uma das manchetes da Globo News era: “O presidente do TRF4 vai decidir se mantém ou não a prisão de Lula”.

Fui apupado como derrotista. Me advertiram cantando o aguerrido reggae de Edson Gomes: “Lute amigo, lute, lute amigo, lute, lute amigo, lute, porque senão a gente vai perder o que conquistou”.

Eu estava sendo acusado de derrotista. Me lembrei da pecha intolerável que recaia sobre os companheiros que duvidavam da eficácia da luta armada contra a ditadura militar no início da década de 1970.

Intolerável!? Estava desbundando, como dizíamos naquela fase desgraçada da nossa história. E centenas de jovens idealistas foram massacrados pela repressão cruel. Estamos condenados a não aprender com nossos erros? Até quando seremos compelidos a ir ao campo de batalha desarmados? Teremos de nos submeter a quantos espetáculos mais de crucificação?

A batalha, hoje, crucial, é a batalha da comunicação. Enquanto estivermos sob a hegemonia da Globo, ditando o ritmo, a regra, os valores, a verdade, legitimando aos olhos da população todo atropelo judicial (além de outros), não temos qualquer chance.

A nossa única chance, dentro da realidade atual, estaria na mobilização popular. Mas isto está fora de cogitação, porque não temos - e não teremos, pelo menos a curto prazo -, qualquer chance de mobilização popular enquanto não tivermos meios de comunicação capazes de disputar os corações e mentes do povo brasileiro.

Me parece uma coisa tão simples, tão elementar. Mas, desconfio, será mesmo? Porque os nossos líderes das esquerdas brasileiras não parecem sensibilizados com isso.

Uma amiga, certa vez, me disse: quem faz trabalho de base no Brasil, hoje, é a Rede Globo, nós não temos canais de interlocução com as massas. A nossa possível salvação, neste campo, é Lula, disse eu. Porque – acrescentei -, em termos de massa, em termos de esquerda (ou centro-esquerda), apenas e unicamente Lula sabe falar com o povo. Nós, as esquerdas, estamos interditados. Até quando?

Vai se estendendo a noite na praça vermelha. Ou poucos – daí nossa impotência – militantes ensaiaram várias vezes festejar a iminente libertação. Se animavam a cada notícia favorável, juristas se diziam escandalizados com os atropelos, até a Cármen Lúcia, presidente do STF, jurava que a hierarquia judicial era sagrada. Um velho, calejado de desilusões, destoava: “Só acredito quando ver o homem na rua”.

E veio, afinal, a decisão do presidente do TRF4, Thompson Flores, recolocando tudo nos eixos. Como a Globo já tinha antecipado: “O presidente do TRF4 vai decidir se mantém ou não a prisão de Lula”.

“Lute amigo, lute, lute amigo, lute, lute amigo, lute...”

terça-feira, 3 de julho de 2018

A REBELIÃO DOS MEXICANOS – POR FERNANDO BUEN ABAD DOMÍNGUEZ

(Foto: EFE/Sáshenka Gutiérrez - Reproduzida de Página/12)

O México padece da virulência do neoliberalismo e dos embates coloniais do império ianque.

Ninguém pode frear o crime organizado e sua metástase em todas as estruturas sociais e culturais do país. Ninguém pode exercer regulação alguma em matéria de democracia comunicacional. Ninguém pode garantir o direito à educação, o direito ao trabalho, o direito à saúde, o direito à alimentação…

Agora começa o difícil.

Por Fernando Buen Abad Domínguez – parte de artigo traduzido do jornal argentino Página/12, de 03/07/2018.

A vitória de Morena-López Obrador (Movimento de Regeneração Nacional-Andrés Manuel López Obrador) é uma rebelião nas entranhas duma estrutura democrática severamente apodrecida pelo corporativismo de dois partidos políticos (PRI-Partido Revolucionário Institucional e PAN-Partido de Ação Nacional) e por uma lista imensa de vícios e práticas corruptas que levaram à bancarrota institucional de toda a estrutura política. Uma rebelião assediada pela violência macabra desatada por uma falsa guerra contra o “crime organizado”, que na prática não foi senão a militarização “encoberta” de todo o território para colocar as riquezas nacionais a serviço das empresas multinacionais e seus cúmplices locais. Uma rebelião que teve de saltar milhares de armadilhas e emboscadas em todos os tipos odiosos do empobrecimento econômico e das guerras midiático-psicológicas. 

O México padece da virulência do neoliberalismo e dos embates coloniais do império ianque. É um país sequestrado por gerentes - impostos pela via da fraude - para entregar recursos naturais, para explorar a mão de obra. No México até hoje ninguém pode garantir ao povo a defesa nacional e a defesa dos recursos naturais. Ninguém pode garantir o exercício independente da Justiça. Ninguém pode frear o crime organizado e sua metástase em todas as estruturas sociais e culturais do país. Ninguém pode exercer regulação alguma em matéria de democracia comunicacional. Ninguém pode garantir o direito à educação, o direito ao trabalho, o direito à saúde, o direito à alimentação… Ninguém pode assegurar dignidade às pessoas porque uma moral entreguista e rasteira, adoradora do império ianque, serve da forma mais ignominiosa à opressão. Nesse contexto ganha as eleições López Obrador.

Agora começa o difícil. López Obrador se propõe a pacificar o país; acabar com a corrupção e recompor a economia dignificando o trabalho e o salário. Lograr a inclusão dos mais desprezados e a distribuição equitativa do orçamento federal. Isso implica derrotar as máfias que sequestraram o governo e o Estado, para fazer justiça...

O autor é diretor do Instituto de Cultura y Comunicación, Universidad Nacional de Lanús. Segue o link/endereço para quem quiser ler o artigo na íntegra, em espanhol:

https://www.pagina12.com.ar/125781-la-rebelion-de-los-mexicanos

domingo, 1 de julho de 2018

MÉXICO, ELEIÇÕES NESTE DOMINGO: LÓPEZ OBRADOR (CENTRO-ESQUERDA), SE NÃO HOUVER UMA FRAUDE DE DIMENSÕES GIGANTESCAS, DEVE SER ELEITO PRESIDENTE

López Obrador (Foto: Opera Mundi)

“As pesquisas dão até 54% de intenções de voto para AMLO (Andrés Manuel López Obrador), 26% para o direitista Ricardo Anaya, 21% para o governista José Antonio Meade e 4% para Jaime Rodríguez Calderón”. (No México não há segundo turno)

“Para a esquerda latino-americana, López Obrador se converteu na sua maior aposta para deter as derrotas que significaram a eleição de Mauricio Macri na Argentina (2015) e Michel Temer no Brasil (2016), assim como de Sebastián Piñera no Chile e Iván Duque na Colômbia, ambos neste ano de 2018”.

Matéria do jornal argentino Página/12, de 01/07/2018 (o título acima é deste blog)

Por Gerardo Albarrán de Alba - Desde Ciudad de México

López Obrador es el amplio favorito para ganar las elecciones presidenciales que se realizan hoy en México

AMLO PODRÍA REVERTIR EL GIRO A LA DERECHA REGIONAL

Las encuestas dan hasta un 54 por ciento de apoyo para AMLO por sobre un 26 para el derechista Ricardo Anaya, un 21 para el oficialista José Antonio Meade y un cuatro para Jaime Rodríguez Calderón.

Andrés Manuel López Obrador podría revertir el giro a la derecha que ha vivido Latinoamérica en los últimos tres años y reavivar la oleada  de centro-izquierda que gobernó la región hace una década, si hoy resulta electo como presidente de México en la culminación de un proceso marcado por la descomposición de los partidos políticos nacionales.

Las últimas encuestas daban hasta un 54 por ciento de las preferencias para López Obrador por sobre el derechista Ricardo Anaya (26 por ciento) y el oficialista José Antonio Meade (21 por ciento). Al cuarto candidato, el gobernador de Nuevo León con licencia Jaime Rodríguez Calderón, le estiman un marginal cuatro por ciento.

El líder del Movimiento de regeneración Nacional (Morena) y ahora tres veces candidato a la Presidencia de la República, se ha mantenido como puntero durante todo el proceso, básicamente con un discurso repetitivo en contra de las políticas neoliberales y la corrupción encarnadas por los gobiernos del PRI y del PAN.

Para la izquierda latinoamericana López Obrador se ha convertido en su mejor apuesta para detener las derrotas que les significaron la elección de Mauricio Macri en Argentina (2015) y Michel Temer en Brasil (2016), así como de Sebastián Piñera en Chile e Iván Duque en Colombia, ambos este mismo año.

Por lo pronto, López Obrador ha generado el respaldo de dirigentes políticos latinoamericanos y europeos que, desde sus redes sociales, anticiparon el triunfo del líder carismático mexicano (ver nota aparte). Por ejemplo, Rafael Correa, expresidente de Ecuador, dijo que un triunfo de López Obrador “será un vendaval de frescura, una gran esperanza para Iberoamérica y México”, mientras el expresidente de Honduras, Manuel Zelaya, dio su apoyo al dirigente de Morena y anticipó que su elección como presidente de México significa que “la pesadilla neoliberal y los crímenes contra el pueblo mexicano están a punto de terminar”.

Pese al entusiasmo de los progresistas en el mundo, en realidad no es tan claro el giro a la izquierda que significaría una presidencia de López Obrador. De hecho, los principales analistas financieros internacionales descartan giros bruscos. Por el contrario, esperan un López Obrador con políticas moderadas, más cercanas a Luiz Inácio Lula da Silva y a Ollanta Humala, y con una interlocución más natural con los centroizquierdistas Lenín Moreno, de Ecuador, y Tabaré Vásquez, Uruguay, que con Nicolás Maduro en Venezuela.

López Obrador ya gobernó la Ciudad de México (2000-2005) con políticas sociales claras, pero sin afectar intereses del gran capital. Un ejemplo es la entrega de prácticamente todo el centro de la capital del país a Carlos Slim, uno de los hombres más ricos del mundo, quien adquirió decenas de los más importantes edificios de la zona e inició un agresivo proceso de gentrificación. 

Más aún, estas elecciones sometieron el espectro ideológico nacional a las alianzas pragmáticas. Así, el centroizquierdista López Obrador mantuvo su alianza con el Partido del Trabajo (PT) pero incluyó al Partido Encuentro Social, de corte retrógrado e intolerante, identificado con las iglesias protestantes y con posturas abiertamente homofóbicas y antiabortistas. Entre esos tres partidos conformaron la alianza “Juntos Haremos Historia” para postular a López Obrador.

Otra alianza imposible es la que forzaron el derechista PAN, que gobernó al país entre 2000 y 2012 con Vicente Fox y Felipe Calderón, y el izquierdista PRD, alguna vez dirigido por el propio López Obrador, pero que cada vez más se aleja de su esencia. A ellos se unió el oportunista Movimiento Ciudadano para crear la alianza “Por México al Frente”.

En cuanto al PRI, recurrió al Partido Verde y Nueva Alianza, sus viejos patiños, para crear “Todos por México” y postular a José Antonio Meade, que fue secretario de Hacienda del panista Felipe Calderón y del priísta Enrique Peña Nieto, en cuyas administraciones también fue secretario de Relaciones Exteriores, de Energía y de Desarrollo Social. La paradoja es que Meade no milita ni en el PAN ni en el PRI, pero es el candidato de la continuidad de estos partidos en el poder. La pérdida de referentes ideológicos no impidió identificar a López Obrador con amplios grupos de izquierda y centro-izquierda. A fin de cuentas, el PRI y el PAN son la misma derecha, con distintos colores.

terça-feira, 19 de junho de 2018

MÉXICO: ALERTA DE LÓPEZ OBRADOR ANTE DESESPERACIÓN DEL ESTABLISHMENT – POR GERARDO VILLAGRÁN DEL CORRAL


¿Hasta dónde llegará para impedir que López Obrador llegue a la Presidencia?

Por Gerardo Villagrán del Corral (*) – CLAE – do portal Nodal – Notícias da América Latina e Caribe – de 19/06/2018
A poco más de dos semanas de la elección presidencial y legislativa del 1 de julio, crece la tensión en México, marcada por altos niveles de violencia - 113 asesinatos de candidatos -, la guerra sucia mediática, los ataques de la oligarquía local y trasnacional al candidato de centroizquierda, las repetidas violaciones a la ley electoral y las jugadas del aparato estatal para impedir que Andrés Manuel López Obrador llegue al poder.
Nada nuevo aportó el tercer debate entre los cuatro candidatos a la presidencia, en el Gran Museo del Mundo Maya en Mérida,Yucatán, el martes 12, que tuvo la misma dinámica de los dos anteriores: los opositores del centroizquierdista López Obrador, quien va cómodo liderando las encuestas de opinión, fueron en patota a tratar de matarlo políticamente.
Con el crecimiento económico, desigualdad, pobreza, educación, ciencia y tecnología, y salud y desarrollo sustentable como pretexto, a sabiendas de que era la última oportunidad, el cruce de imputaciones sobre corrupción de los contendientes se ubicó como temática. Un tema donde el mismo gobierno participa activamente, ya queoptó el 7 de junio por la vieja tradición del “videoescándalo político”.
No fue para incriminar a López Obrador, sino que, por sus ya conocidas maniobras de lavado de dinero, atacó al candidato de la derecha más conservadora, Ricardo Anaya, segundo en las encuestas con 24% en la intención de voto, abanderado de la coalición “Por México al Frente” por los partidos PAN-PRD-MC.
La difusión de un audio y un video sobre el lavado de dinero por parte de Anaya en su negocio de compraventas inmobiliarias en parques industriales de Querétaro, puso en aprietos al candidato del PAN. Pero Anaya devolvió el golpe (con otro canallesco) y afirmó que López Obrador, “ya pactó” con el PRI la impunidad a corruptos a cambio de que la presidencia se incline a su favor en el proceso electoral en curso.
López Obrador respondió que sí ha realizado pactos y acuerdo, pero con movimientos sociales y organizaciones populares, que dieron lugar a la construcción de un amplio acuerdo de unidad – Juntos Haremos Historia - para emprender la transformación del país, que se extendió a partidos políticos como el PES y el PT: un frente amplio plural, pluriclasista, diverso, heterogéneo.
De esa alianza ampliada derivó una propuesta de gabinete en la que hay personas con experiencia en la administración pública, juristas, dirigentes sociales e intelectuales en estricta paridad de género, de todas las edades y procedentes de varios partidos, corrientes, ideologías y sectores.
El Proyecto de Nación 2018-2024 (proyecto18.mx) es un documento elaborado con el propósito de ser el embrión de un nuevo pacto social para un país que se ha quedado sin él. También el candidato oficialista José Antonio Meade presentóEl México que merecemos (en mayo último), un discurso lleno de promesas, mientras Anaya no salió de propuestas que supuestamente pudieran captar votos, sin profundidad o seriedad.
Todo vale para no perder el poder
Para José Luis Ríos Vera esta nueva ofensiva del gobierno de Enrique Peña Nieto guarda dos cartas bajo la manga: pulverizar a Ricardo Anaya para buscar sumarle sus votos a su propio candidato, José Antonio Meade, de la coalición “Todos Por México” (PRI-PVEM-NA), en tercer lugar con una intención de voto del 20%, y obligarlo (bajo la amenaza judicial) a firmar un pacto oligárquico de facto que supone su renuncia a la postulación en favor del bloque en el poder, para así poder imponerse al centroizquierdista López Obrador.
Pero le queda otra carta bajo la manga a Peña Nieto y el Partido Revolucionario Institucional si fallara esta maniobra de cancelar la alianza sistémica entre el PRI y el PAN, sustento del auge neoliberal de los últimos 30 años: el fraude que tantas veces utilizó el PRI.
Mientras, la clase empresarialguarda silencio, tras la presión hecha a los trabajadores de sus compañías para que no sumen su voto al candidato centroizquierdista, en espera del accionar del gobierno y sus instituciones, en un marco de crisis de legitimidad, inestabilidad política, endurecimiento autoritario, militarización, agotamiento de la democracia formal, explotación de los trabajadores, pobreza alimentaria y escasas condiciones de protección y seguridad laboral.
Sin duda, este panorama explica por sí sólo la permanencia de López Obrador como el favorito absoluto de los electores, con un discurso en contra de la dinámica neoliberal en la conducción del Estado y la política económica y social, bases de un conflicto de clase profundo que aqueja a México desde hace décadas.
Y explica, asimismo, la desesperación de un poder fáctico, adueñado de México por un siglo, que ve amenazado su poder, y está dispuesto a no perder sus privilegios. El tiempo se acaba: ¿Hasta dónde llegará para impedir que López Obrador llegue a la Presidencia?
(*) Antropólogo y economista mexicano, asociado al Centro Latinoamericano de Análisis Estratégico (CLAE, www.estrategia.la)

CARLOS CARRILLO, ANALISTA COLOMBIANO: “EL TRIUNFO DEL URIBISMO ES UNA SERIA AMENAZA PARA EL PROCESO DE PAZ”


Entrevista a Carlos Carrillo, analista colombiano


"El triunfo de Duque (na Colômbia) significa la permanencia de la derecha en el poder pero en su versión más guerrerista.
Todas las malas prácticas que han gobernado en Colombia en el último siglo se reunieron alrededor de la candidatura de Duque y ganaron.


Él es un hombre formado en los EEUU, que trabajó en el Banco Interamericano de Desarrollo, con absoluta seguridad pondrá en práctica una política exterior muy en línea con lo que EEUU exija.


Colombia seguirá siendo un polo hacia la derecha en el continente, y seguirá siendo un estado que va en contravía de los procesos progresistas que se han dado en el resto de América Latina, muy en línea con lo que pasa con Mauricio Macri en la Argentina".


Por Cecilia Escudero, de la redacción de NODAL – Noticias de América Latina y Caribe – de 18/06/2018 
Iván Duque, delfín del expresidente Álvaro Uribe, se impuso en las presidenciales de Colombia al vencer por dos millones de votos al candidato de la izquierda, Gustavo Petro. El triunfo de Duque significa la permanencia de la derecha en el poder pero en su versión más guerrerista. Para comprender las claves de este triunfo conversamos con analista colombiano Carlos Carrillo, docente, investigador y director del portal Al Garete.
¿El uribismo volvió al poder con la victoria de Iván Duque? ¿Cómo evalúa su programa de gobierno?
Sin duda el triunfo de Iván Duque es un triunfo del expresidente Álvaro Uribe Vélez. Hace unos seis o siete meses prácticamente nadie en el país conocía el nombre de Iván Duque. Éste es un senador que comenzó su carrera política hace apenas 4 años con una curul que le dio el expresidente Uribe a dedo. Y durante este tiempo lo modelaron para que sea el candidato del uribismo. Por lo tanto, sí, es un triunfo para el expresidente. Y también para la clase política tradicional colombiana que tuvo que alinearse por completo para lograr derrotar al candidato Gustavo Petro. Nunca había habido una confluencia de todas esas fuerzas de la política tradicional, de todos los caciques regionales, de todos los políticos cuestionados o incluso condenados, no sólo por corrupción si no también por homicidio o por paramilitarismo. En fin, todas las malas prácticas que han gobernado en Colombia en el último siglo se reunieron alrededor de la candidatura de Duque y ganaron.
El programa de gobierno de Duque es más de lo mismo, más de lo que el país ya ha conocido en los últimos 30 años, y que han sido políticas neoliberales, políticas absolutamente sumisas a los mandatos que vengan de los EEUU, del libre comercio, etcétera. Es un programa que tiene un enorme déficit en temas educativos, seguramente continuaremos con programas bastantes cuestionados en este sentido. Y que son los que usualmente destinan fondos no a la educación pública sino a las universidades privadas que hoy están haciendo unos negocios gigantescos gracias a esta visión del gobierno, que podría sintetizarse en que todo, incluso la educación, debe ser privado.
También el programa de Iván Duque hace énfasis en el tema del emprendimiento como si éste fuera una pócima mágica que va a mejorar todos los problemas de la economía. Me parece difícil en una sociedad donde la producción de conocimiento es bastante escasa. No tenemos una industria que genere un valor agregado y un mercado interno rico, por lo que francamente creo que estos programas de emprendimiento terminarán financiando fracasos privados con dineros públicos.
Las Farc ya pidieron a Duque no dañar el pacto de paz ¿cómo vislumbra su actuación en este sentido? ¿su victoria significa un retroceso en el proceso de pacificación?
El triunfo del uribismo es una seria amenaza para el proceso de paz. Así como en octubre de 2016 ganó el NO (en el referéndum de paz) gracias a un montón de mentiras y de una campaña en contra del proceso. Esta vez nuevamente el uribismo gana enarbolando esas banderas de modificar los acuerdos con la guerrilla. Y para peor esto también es una amenaza para el dialogo de paz que actualmente se desarrolla con la guerrilla del ELN. Seguramente habrá modificaciones sustanciales en la manera en que se trate, por ejemplo, la justicia para la paz. En Colombia, hay una nueva Corte que es la Jurisdicción Especial para la Paz que debería encargarse de juzgar a quienes fueron actores en el conflicto y para el uribismo esta justicia especial para la paz es exógena a la Constitución. Ellos hicieron campaña en contra de esto, y creo yo que eso en buena medida obedece a la búsqueda de impunidad del uribismo. Recordemos que el presidente Uribe tiene casi trescientos procesos penales en su contra. Ha sido acusado de ser el determinador de masacres paramilitares, de escuchas ilegales a la oposición, a la Corte, y de muchos casos de corrupción también. Así que lo que él necesita es asegurar la impunidad y sobre todo asegurar que unos actores del conflicto reciban un castigo, pero otros no. Uribe siempre ha sido visto en el país como un hombre proclive a las expresiones paramilitares y lo que buscará este nuevo gobierno del uribismo es asegurar la impunidad, no solamente para Uribe sino para una enorme cantidad de sus socios políticos.
¿Qué significa para América Latina y el Caribe la elección de Iván Duque en Colombia?
Muy probablemente en sus primeros días de gobierno el presidente Duque va a manejar un discurso conciliador. Es muy difícil realmente saber cuáles van a ser sus políticas porque está empeñado. Porque para ser elegido no sólo necesitó el apoyo de su padrino Álvaro Uribe Vélez sino también tuvo que negociar con toda la clase política corrupta del país. Podríamos decir que le debe una vela a cada santo. Sin embargo, buena parte de la campaña la hizo en torno a la situación en Venezuela, reuniéndose con la oposición venezolana y recibiendo el apoyo de figuras como María Corina Machado y Lilian Tintori. El discurso de Duque apuntaba a que si no era él el presidente, pues, cualquier cosa convertiría a Colombia en una segunda Venezuela. Considero y espero que Duque sea prudente en cuanto a la política internacional. Él es un hombre formado en los EEUU, que trabajó en el Banco Interamericano de Desarrollo, con absoluta seguridad pondrá en práctica una política exterior muy en línea con lo que EEUU exija. Será un gobierno completamente sometido, como lo han sido todos los gobiernos colombianos históricamnte. Así, Colombia seguirá siendo un polo hacia la derecha en el continente, y seguirá siendo un estado que va en contravía de los procesos progresistas que se han dado en el resto de América Latina, muy en línea con lo que pasa con Mauricio Macri en la Argentina.

#paredechupar

BANCÁRIOS BAIANOS: NAVEGADORES DO SONHO, 40 ANOS DEPOIS


Goiano e Lustosa organizaram o encontro (no canto, Deise Lins) (Todas as fotos: Smitson Oliveira)
Bancários, ex-bancários, aposentados, amigos/amigas – ao todo, coincidentemente, 40 pessoas -, militantes políticos a partir da década de 1970, viveram uma tarde de congraçamento no último sábado, dia 16, em Salvador. Festejaram o companheirismo forjado nas lutas sindicais e políticas contra os pelegos e outros agentes da ditadura militar; e celebraram a comunhão de sonhos por um Brasil melhor, por um mundo mais justo.

Congraçamento temperado nas lembranças dos jovens lutadores de ontem e, em grande parte, ainda lutadores e sonhadores 40 anos depois. Por que 40 anos, com o velho simbolismo dos anos arredondados?

Em 1978, a Oposição Sindical Bancária conseguiu disputar uma eleição para dirigir o Sindicato dos Bancários da Bahia, numa chapa encabeçada por Edelson Santos. Foi derrotada pelo então presidente, reeleito, Eraldo Paim, “pelego da ditadura”.

Foi derrotada, mas mostrou o crescimento dos setores combativos do sindicalismo bancário, uma categoria de grande tradição de luta na Bahia e no Brasil que tinha sido golpeada a partir de 1964/1968 (derrubada de Jango e AI-5). Crescimento que desembocou na vitória eleitoral e tomada do sindicato em 1981, instalando uma diretoria presidida por Osvaldo Laranjeira, representativa de forças políticas ligadas a partidos de esquerda.

Os organizadores do encontro, realizado no restaurante Gibão de Couro, na Pituba, foram Valdimiro Lustosa e Goiano (José Donizette), ambos componentes da nova diretoria vitoriosa de 1981.

A comemoração dos “40 anos”, portanto, se espraiou não apenas para a vitória de 1981, mas também para o início da Oposição Bancária em 1972, cuja figura de proa foi Geraldo Guedes, hoje advogado em Brumado-Bahia, presente também ao encontro. (Melhor dizer reinício da oposição sindical, que tinha sido desarticulada pelo AI-5 em 1968).

Se espraiou ainda para a famosa “chapa verde” de 1975, uma tentativa de concorrer na eleição sindical, frustrada pelos vetos dos “órgãos de segurança”. Era encabeçada por Corinto Soares Joazeiro, do antigo Banco Econômico e um dos poucos “sobreviventes” dentre os ativistas barrados pela repressão no bojo do AI-5.

Então, foram as lutas, os casos e as lembranças do período de 1972 a 1981, anos marcantes da nossa história, que foram revividos pelos então jovens, hoje sessentões e setentões. Lembranças às vezes tristes e doloridas, mas às vezes também divertidas e belas, lembradas com saudade, porque afinal de contas éramos jovens e habituados aos sonhos e às utopias.

Debate sobre a conjuntura

Mas muito do conteúdo dos comentários e discursos  – entremeados pelas bonitas canções de Gilton Della Cella, cantor e compositor (cantautor, diriam os hermanos latino-americanos) – mostrou que as atenções dos participantes não estão restritas à questão sindical. Estão, também e sobretudo, voltadas para os difíceis desafios da conjuntura brasileira: o movimento Lula Livre, eleições com viés de perseguição aos partidos e movimentos de esquerda e o protagonismo da tutela da mídia hegemônica e da Justiça (Operação Lava Jato), tendo como biombo o suposto combate à corrupção.

Além do assanhamento de forças da ultradireita, promotoras do clima de ódio e intolerância, uma situação que é facilitada pela débil mobilização popular e a desarticulação dos segmentos democráticos. Nota-se ainda um maior protagonismo das Forças Armadas, como se vê no caso da intervenção no Rio de Janeiro.

E, por último, sem que sejam menos graves,outros atentados  aos interesses populares e nacionais, consubstanciados no ajuste econômico neoliberal, com o conseqüente aumento do desemprego e outros índices de recessão, na destruição das conquistas trabalhistas e na entrega das riquezas naturais, em especial o petróleo.

Daí que Goiano lembrou a oportunidade dos debates sobre a conjuntura que o Projeto Velame Vivo e outros movimentos sociais estão programando para serem retomados no próximo mês de julho, ainda sem data definida. A perspectiva é que haja a participação de Sérgio Gabrielle, ex-presidente da Petrobras, e Ruy Medeiros, conhecido advogado e ativista social de Vitória da Conquista.

PS1: Além de Gilton, houve a colaboração do “cantautor” Carlos Villela. Ele cantou, de sua autoria, ‘Navegador de sonhos’. Daí que este jornalista/blogueiro “roubou”, com pequenas alterações, para o título da matéria. 

PS2: O encontro parece ter sido um sucesso. Circularam entre os participantes sugestões no sentido de novos eventos semelhantes, inclusive com a ideia de passarem a ser regionais.  

Segue uma seleção de fotos:
Genésio Ramos e Carlos Novais

Euclides Fagundes foi da oposição sindical, já exerceu a presidência do Sindicato e hoje integra sua diretoria (atrás Gilton Della Cella)

Leonel Rocha, Paulo Morais e Pedro Barbosa
Mila Novaes, Goiano, Maria de Jesus, Edna Soares, Lustosa e Pedro Barbosa

Carlos Villela

Sérgio Guerra e Rita Rapold


Laranjeira e Lustosa


Leonel Rocha, Bebé, Lustosa e Goiano

Antônio Carlos, Edelson Santos, Jadson Oliveira e Geraldo Guedes

Gilton Della Cella