sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

UMA COMUNIDADE QUILOMBOLA QUE PARIU 12 MÉDICOS: CASO EXEMPLAR DO “MILAGRE” DAS POLÍTICAS INCLUSIVAS

(Foto: Smitson Oliveira - Seabra/Chapada)

O exemplo vem da Chapada, na Bahia: dentre os filhos/filhas de descendentes de africanos escravizados está a médica Maria de Lourdes Moreira (Dra. Lurdinha – foto acima), a primeira quilombola a entrar (e se formar) no curso de Medicina da UESB.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor do Blog Evidentemente

Uma comunidade quilombola, constituída atualmente por cerca de 80 famílias, conseguiu um feito memorável: graças às políticas públicas inclusivas, como as cotas raciais nas universidades, incrementadas principalmente a partir dos governos de Lula, já formou 12 médicos e médicas entre seus filhos.

Além de vários outros profissionais graduados em áreas como Enfermagem, Nutrição, Economia, Fisioterapia, Serviço Social, Biotecnologia, Biomedicina e Advocacia.

Para ser mais exato, são três pequenos povoados que se juntaram numa única comunidade remanescente de quilombo, no processo de reconhecimento e certificação pela Fundação Cultural Palmares, órgão do Ministério da Cultura: Barra, Bananal e Riacho das Pedras, no município de Rio de Contas, na Chapada Diamantina, interior da Bahia. O reconhecimento foi publicado no Diário Oficial da União em 12/09/2005.

É formada por descendentes de povos africanos escravizados que, ao longo de séculos, vêm enfrentando as mazelas decorrentes da miséria, abandono e preconceito, situação de modo geral comum à de quase uma centena de comunidades quilombolas da Chapada. No caso desta - em especial a parte de Riacho das Pedras -, ainda estão na lembrança os enormes prejuízos causados aos habitantes pela construção nas suas terras da barragem do rio Brumado, nos anos 1970/1980.

Diante da história de sofrimento de gerações e gerações, o registro de superação aqui anunciado pode ser visto realmente como um milagre, o verdadeiro milagre brasileiro, se nossas antenas estivessem direcionadas para o interesse da maioria, especialmente as camadas mais carentes.

São passos rumo à busca da superação da dura realidade social e cultural forjada sob o tacão de 350 anos de escravidão negra: pobres, pretos e mulheres se tornando doutores.

Infelizmente, na contramão desse processo, as forças dominantes do Brasil atual, cuja face mais visível é o mal chamado bolsonarismo, tentam destruir tais políticas buscando a manutenção – ou até o alargamento, se puderem – das desigualdades.

Mas, deixemos o discurso político-ideológico e voltemos aos fatos.

Uma doutora negra, de família pobre e... mulher, uma quilombola

Doutora Lurdinha – Maria de Lourdes Silva Aguiar Moreira, 33 anos – é uma dessas/desses 12 médicas/médicos. Nasceu em Livramento de Nossa Senhora, cidade que fica a 9 quilômetros de Rio de Contas. Filha de peão de estrada/boia-fria em São Paulo que só sabe escrever o nome. E de empregada doméstica, que trabalhava em casa duma professora e chegou a ser também professora.

“Seo” Salvador e a professora Bernardina (os nomes de seus pais) tiveram mais sete filhos. Por enquanto, apenas Lurdinha concluiu o curso superior, mas tem um irmão que estuda Educação Física e uma irmã fazendo Pedagogia.

Lurdinha foi alfabetizada na zona rural de Livramento; aos 10 anos foi morar com uma tia em Rio de Contas, estudou aí o fundamental; quanto ao ensino médio fez dois anos em Livramento e o terceiro já em São Paulo, concluído aos 18 anos, em 2003. A partir daí parou de estudar durante cinco anos, trabalhando na capital paulista.

Após a morte da mãe, em 2008, retorna a Livramento e, em seguida, foi estudar em Vitória da Conquista, onde, no ano seguinte, acabou entrando no curso de Medicina da UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia). Foi a primeira quilombola a conseguir tal façanha na UESB (a primeira a entrar e se formar).

Mas, para isso, teve que enfrentar e vencer algumas batalhas, sendo fundamentais os incentivos provenientes da certificação da Fundação Palmares, cujo processo já tinha sido concluído em 2005.

E também o apoio de entidades e militantes ligados ao movimento negro e de defesa das comunidades quilombolas em Conquista: fez o cursinho pré-vestibular Dom Climério, coordenado pela ativista negra Elizabeth Ferreira Lopes; e morou na Casa do Estudante Zumbi dos Palmares, hoje Dandara dos Palmares, que foi criada a partir dum projeto do então deputado federal Luiz Alberto (PT-Bahia), com a participação da prefeitura de Conquista.

Formada em maio de 2016, Lurdinha começa a vida de “doutora”, na região mesmo da Chapada: primeiro em Lençóis, depois em Seabra, trabalhando no Hospital Regional da Chapada, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e na Unidade Básica de Saúde (UBS) do distrito de Velame.

Agora, no final de 2018, se transferiu para o município próximo de Wagner, integrando o programa Mais Médicos (e continua com plantões em Seabra - no Hospital Regional  e na UPA).

- E aí, doutora Lurdinha, o que lhe diz esta sua trajetória?

- Minha trajetória na universidade não foi fácil, mas foi um tempo de crescimento pessoal e profissional. Provei os sabores doces e amargos – olhares desacreditados por parte de alguns, indiferença e preconceitos -, mas sempre estive focada em conquistar o meu objetivo principal. Foram anos de estudo, anos de dedicação exclusiva à Medicina. Acredito que o resultado foi excelente e espero demonstrar isso no desempenho das minhas atividades.

- Uma curiosidade: o fato de sua mãe ser professora serviu de incentivo?

- Sim, muito. Tive (e tenho) como inspiração permanente a minha mãe (in memoriam) Bernardina Silva Aguiar, que sempre me incentivou a estudar. Eu sempre presenciava a minha mãe estudando e o gosto pela leitura partiu dessa convivência.

(Matéria baseada em informações da Dra. Lurdinha e pesquisa na Internet)

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

AMÉRICA LATINA: 2018 – UM ANO INDIGESTO PARA AS FORÇAS PROGRESSISTAS

Ilustração reproduzida de Nodal

“O pior que aconteceu foi a vitória de Jair Bolsonaro no Brasil, não só pelo que sofrerá o país, mas também porque instaura um “ambiente de época” reacionário que nos afetará a todos”.
Por Rafael Cuevas Molina (*) – transcrito do portal Nodal – Notícias da América Latina e Caribe, de 17/12/2018 (o título original é apenas ‘América Latina: 2018’; os inter-títulos abaixo também são da edição deste blog).
Brasil – volta revanchista e cínica do neoliberalismo
El 2018 ha sido en general un año de resistencia y retrocesos para las fuerzas progresistas y de izquierda de América Latina. Lo peor que pudo haber pasado es la victoria de Jair Bolsonaro en Brasil, no solo por lo que sufrirá ese país, sino porque instaura un “ambiente de época” reaccionario que resentiremos todos. Es la vuelta revanchista y cínica de un neoliberalismo chabacano y prepotente que emula a su epígono del Norte. En el 2019, quedaremos apresados entre estos dos trogloditas. No son buena noticias.
Venezuela – inflação disparada, boicote, contrabando, sanções do império
Es mala noticia la situación económica de Venezuela, que parece no tener salida a pesar de los variados y denodados esfuerzos del gobierno chavista. Este año se ensayó el Petro y hubo un atisbo de esperanza, pero la inflación sigue disparada, el boicot y el contrabando hacia Colombia va viento en popa y las sanciones de los Estados Unidos son férreas. Sobrevivir en esas circunstancias ha sido una verdadera hazaña.
Equador – perseguição judicial que virou moda
Ha sido también mala noticia que Lenin Moreno continúe echando para atrás las principales conquistas del gobierno de Rafael Correa, y que lo persiga judicialmente, acorde con la nueva modalidad de persecución establecido contra los dirigentes del progresismo latinoamericano. Correa es un intelectual brillante y un líder político carismático que no podía andar suelto por ahí porque podía volver “y ser millones”, como vaticinó Evita en la Argentina. La buena noticia en este caso fue que ni siquiera la Interpol le hizo caso a Moreno, y desistió de perseguir a Correa en el extranjero.
Argentina – endividada para a eternidade
Y qué decir de Argentina, con Mauricio Macri endeudando al país para la eternidad y haciendo exactamente todo lo contrario que dijo que haría en el gobierno cuando fue candidato. La buena noticia es que a Cristina Fernández no se le pudo imputar de nada, aunque hicieron el show y el escándalo, acorde con ese ambiente de época del que hablábamos antes, y hubo quienes soñaron con verla tras las rejas como tienen a Lula en Brasil.
Chile, Colômbia, Paraguai, Brasil e Argentina – disputa entre quem fica melhor com os EUA
Mala noticia también la victoria de Sebastián Piñera en Chile, de Iván Duque en Colombia y Mario Abdo Benítez en Paraguay. Toda una constelación que, tal cual Bolsonaro en Brasil y Macri en la Argentina, hacen competencia por ver quién queda mejor con los Estados Unidos y cómo atornilla mejor a sus respectivos pueblos.
México – abre-se uma janela de esperança
Es un panorama que solo se ve interrumpido por la victoria de Andrés Manuel López Obrador en México, que definitivamente abre una ventana que oxigena este panorama desolador y oscuro. La victoria de Obrador fue largamente anunciada, pero no por eso es menos esperanzadora, y así lo demostró el mismo pueblo mexicano que lo recibió entusiastamente cuando, por fin, asumió el poder gubernamental al término de esa larguísima transición presidencial que se estila en México.
Classes médias e amplos setores populares respaldam governos de direita
América Latina ha dado un vuelco hacia una dirección opuesta a la que prevalecía hace tres o cuatro años. Las clases medias y amplios sectores populares optan por respaldar gobiernos de derecha, muchos de ellos después de haber recibido los beneficios sociales y económicos que instauraron gobiernos progresistas, y que les han permitido ascender en la escala social.
Interrogações – leste europeu tomado por forças conservadoras, feroz repressão na França
La dimensión ideológica es muy importante para que se dé esta situación, pero no es suficiente para responder a las interrogantes que se abren respecto al porqué de esta situación, sobre todo cuando se puede observar cómo en otras latitudes se repiten situaciones similares: Europa del Este tomada por fuerzas conservadoras, muchas veces de corte neofascista, que hacen gala de su xenofobia, homofobia y racismo, y también impulsan agendas que profundizan las medidas económicas que tanto daño han hecho a los Estados de bienestar; Francia explota ante estas medidas y se desata la más feroz represión de la que tengan memoria los franceses; los disturbios se esparcen hacia los países vecinos y se yergue la amenaza de una sublevación popular generalizada de horizonte incierto.
Entretanto, García Linera, pensador e vice-presidente da Bolívia (talvez o único país que vem ostentando, na última década, indicadores econômicos invejáveis), parece não se abalar: “Esgotou-se o combustível neoliberal, este é um neoliberalismo zumbi”. Será!?
Terminamos el 2018 con los vientos contaminado con el humo de los gases lacrimógenos con las que son reprimidas las protestas ciudadanas. No hay mal que dure cien años parece ser la idea que subyace al análisis que hace Álvaro García Linera respecto a esta vuelta en tropel de la derecha continental: “habrá una noche oscura” conservadora, dijo en Buenos Aires en el Foro del Pensamiento Crítico, pero aseguró que “no será una larga” porque “el neoliberalismo está agonizando”. Esto porque tiene “dos límites intrínsecos: es fosilizado y es en sí mismo contradictorio”. Y agregó: “Tenemos un neoliberalismo fallido de corto aliento y un mundo incierto. Se ha agotado el combustible neoliberal, este es un neoliberalismo zombi”.
(*) Presidente da AUNA (Associação para a Unidade da Nossa América) - Costa Rica

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

PENSAMENTO CRÍTICO, FIM DE DIREITA E ESQUERDA, NOSTALGIA E FALTA DE PROJETOS – POR ARAM AHARONIAN

Álvaro García Linera, pensador e vice-presidente da Bolívia

Nos esquecemos da construção de novo pensamento crítico, de novos quadros políticos, econômicos, administrativos, da construção duma nova comunicação popular.

Pequeno trecho de artigo postado no portal Carta Maior (link abaixo)

(...)

Ahora hay un gran desorden, un caos de sentido y para sobrepasar este momento necesitamos una gran dosis de creatividad, señaló García Linera(pensador e vice-presidente boliviano), quien se animó a hablar de las redes sociales:  Lo que es interpelado con las redes es un conjunto de componentes del sentido común neoliberal: el miedo, el individualismo, la competencia, el gregarismo, el racismo y la salvación externa, que está latente desde hace mucho tiempo y el momento progresista no lo pudo anular, simplemente los fracturó temporalmente, señaló.

No se puede olvidar, tampoco, que los gobiernos progresistas de la región (América Latina) impulsaron el empoderamiento de vastos sectores sociales anteriormente privados de los derechos más elementales y la reafirmación de la soberanía económica, política y militar, por contraposición a la profundización de la subordinación económica, política y militar impulsada por los regímenes derechistas.

El español Juan Carlos Monedero preguntó “¿si la izquierda está muerta, dónde están los cadáveres de sus sujetos: los obreros, los campesinos, los originarios, las mujeres, los jóvenes, los explotados? ¿Es que han desaparecido? Mientras sobreviva el capitalismo y sus víctimas sigan creciendo en proporción geométrica la izquierda estará más viva y será más necesaria que nunca.(…) la distinción entre derecha e izquierda es más válida hoy que en tiempos de la Revolución Francesa”, añadió.

Llevamos 526 años en resistencia, hemos resistido a todo, nos hemos acostumbrado a su lógica y, cuando tuvimos gobiernos progresistas no cambiamos la agenda y nos olvidamos de la construcción. La construcción de nuevo pensamiento crítico, de nuevos cuadros políticos, económicos, administrativos, la construcción de una nueva comunicación popular. Quedamos anclados en el pasado, en la mera resistencia inmovilizadora.
(…)
https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Poder-e-ContraPoder/Pensamiento-critico-fin-de-derecha-e-izquierda-nostalgia-y-falta-de-proyectos/55/42533

domingo, 18 de novembro de 2018

GUERRA DE QUARTA GERAÇÃO: INSTALAR E CONSOLIDAR A FALSA VERDADE

(Foto: reproduzida de Carta Maior)

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro (o título acima é da edição deste blog)
“A total ubiquidade das tecnologias e as comunicações se converteram numa ferramenta política hoje privilegiada.
A direita, que tem em suas mãos todos os grandes meios de comunicação, pode impor sua agenda com liberdade e impunidade.
Amplifica seus interesses e silencia o resto, aqueles interesses que correspondem à grande maioria da população, a coletivos, organizações sociais e nacionais, sindicatos, estudantes, povos originários, pobres, migrantes ou mulheres. Os silencia, ou os demoniza, como violentos, terroristas e corruptos.
A imprensa dominante  tem suficiente poder para levantar e difundir mentiras sobre a vida privada de dirigentes sociais ou políticos contrários a seus interesses.
Essas montagens e outras armações comunicacionais difundidas por essa imprensa (pela mídia hegemônica, diria eu) são posteriormente uma festa nas redes sociais, que transformam a irrelevante e muitas vezes falsa informação em opinião pública (ou, como diria eu, na opinião publicada, ou nas “verdades” difundidas pelas Globo da vida).
A falsa verdade fica instalada e consolidada”.
Construir uma mídia contra-hegemônica
Companheiros (as), traduzi do espanhol esta pequena parte do artigo ‘Chile, outra vítima da Guerra de Quarta Geração’, de Paul Walder (vi no Carta Maior).
É focado na situação do Chile, como o título está indicando, mas o autor aponta que são os casos também do Brasil, Peru, Equador, Venezuela (país que sofre atualmente o mais ostensivo assédio), Colômbia, Paraguai e o “desastre centro-americano”.
Eu diria que é a situação geral em toda América Latina. É só lembrar a dura resistência dos argentinos, por exemplo (pelo mundo afora também, mas prefiro me restringir à nossa Pátria Grande, onde procuro acompanhar as coisas mais de perto).
Fala-se muito hoje nas “fake news”, que têm tudo a ver, mas, pelo menos no Brasil, há uma preocupante falta de consciência da importância do problema. Problema que costumo resumir na necessidade de se buscar a construção duma mídia contra-hegemônica.
As forças democráticas, nacionalistas e populares no Brasil nunca conseguiram tocar essa coisa. E agora a conjuntura está mais complicada com a vitória eleitoral de Bolsonaro e o crescimento da ultra-direita, inclusive com viés popular. O que deixa o campo das esquerdas e centro-esquerda baratinado em busca da difícil construção da resistência democrática.
Deixo aqui o link do artigo, em espanhol:

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

A GRANDE FAÇANHA DO PODER: FAZER UM POBRE VOTAR NUM BOLSONARO (parte 2)

Dois livros que podem ajudar a entender o fenômeno: ‘A elite do atraso’, do sociólogo brasileiro Jessé Souza, e ‘A formação da mentalidade submissa’, do professor espanhol Vicente Romano.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro

O fator essencial na formação do povo brasileiro são os 350 anos da escravidão negra - “o núcleo explicativo de nossa formação” -, conforme ensina Jessé Souza, em ‘A elite do atraso’, um de seus últimos livros, onde procura explicar os fundamentos da crise política atual que desembocou no golpe de Estado de 2016.

“Por conta disso – diz ele -, até hoje, reproduzimos padrões de sociabilidade escravagistas, como exclusão social massiva, violência indiscriminada contra os pobres, chacinas contra pobres indefesos que são comemoradas pela população, etc”.
Daí eu recorrer aos seis estudos para tentar entender “a grande façanha da direita (ou do PODER)”, como me referi na primeira parte do artigo, ao fazer um negro votar num Bolsonaro da vida; ou fazer um pobre votar num milionário, ou o oprimido votar no opressor, ou o cara optar “livremente” pela defesa dos interesses que não são os seus.
São centenas de anos de história, de formação cultural, servindo de adubo, de caldo de cultura, para chegarmos à tragédia atual, com grande parcela da população, inclusive dos setores populares, incensando uma candidatura presidencial que exala ódio e violência (fascismo) por todos os poros. Além de comprometida com tudo o que há de antipopular e antinacional.
A influência desta nódoa escravagista, no entanto, foi substituída nos estudos de nossa formação por teorias como o patrimonialismo (herdado dos portugueses e restrito à corrupção apenas no Estado e nunca no mercado) e o populismo (a estigmatização das camadas populares e seus líderes), segundo Jessé Souza.
Ele desbanca tais teorias, apesar delas terem dominado soberbamente o pensamento da academia e intelectualidade do país desde o início do século passado e serem hegemônicas até hoje no imaginário dos brasileiros. Tais teorias – desprovidas de base científica, na avaliação de Jessé – são reforçadas no dia a dia dos brasileiros, especialmente através da mídia hegemônica.
Seus principais mentores foram Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Raymundo Faoro, acatados até hoje tanto no espectro político à direita (o que seria óbvio) como à esquerda (o que seria surpreendente).
“A classe poderosa nunca se apresenta de cara descoberta”
Outro livro que ajuda a entender o que chamo “a grande façanha do poder” - as pessoas adotarem ideias e posições contrárias ao seu próprio interesse, ou no caso específico: trabalhador, mulher, gay, pobre ou negro votar em Bolsonaro - é ‘A formação da mentalidade submissa”, de Vicente Romano, uma das grandes autoridades europeias no estudo da Comunicação.
Como o título indica, o professor espanhol mostra, didaticamente, como os donos do mundo e da “verdade” trabalham, conscientemente, para formar (e deformar) a cabeça das pessoas, através da manipulação da mídia hegemônica, do sistema educacional (ele destaca em especial o ensino da Economia), da publicidade e das religiões.
Não há edição brasileira. Conheci o livro numa edição venezuelana e depois, através da Internet, numa de Portugal.
Com muita satisfação, encerro meu artigo passando a palavra a Valdimiro Lustosa, meu velho companheiro de lutas democráticas e sindicais na Bahia, que me comentou sobre o livro num email de agosto do ano passado:
“Estou em Portugal, exatamente em Lisboa. Há poucos dias acessei o facebook e vi um comentário seu sobre o livro A Formação da Mentalidade Submissa, de autoria do espanhol Vicente Romano. Fui a uma livraria e comprei-o. Já li.

De fato, ele traça uma radiografia das mentalidades do povo e diz sem meias palavras o papel que a mídia exerce nas pessoas, persuadindo-as, pregando notícias bombásticas e ocultando os fatos reais. Por outro lado, traça um perfil do papel das igrejas (um câncer com seus dogmas - comentário meu).

Enfim, um excelente livro. Mostra o porquê as pessoas são envolvidas pelas notícias.

Diz o autor (a edição é portuguesa) que a história demonstra que a classe poderosa nunca se apresenta de cara descoberta. Cobre-se com o manto das religiões, do patriotismo e do bem comum. A burguesia proclama como coisa boa para todos o que somente é bom para ela. É o que está acontecendo, por exemplo, no Brasil”.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

FAÇANHA DO PODER É FAZER UM NEGRO POBRE VOTAR NUM BOLSONARO (parte 1)


Por Jadson Oliveira (jornalista/blogueiro)

Esta é a grande façanha da direita (ou do PODER): fazer um negro pobre votar num Bolsonaro da vida (um amigo meu disse no Facebook que mulher, negro ou gay votar em Bolsonaro é o cúmulo da burrice).

Ou fazer um pobre votar num rico, um rico assim como o “garoto milionário” ACM Neto ou no “gestor” Dória; o oprimido votar no opressor, o explorado votar no explorador, o escravo puxar o saco do senhor, o cara optar “livremente” pela defesa dos interesses que não são os seus.

Esta é a grande façanha do PODER, assim com maiúsculas para tentar tirar o verdadeiro poder das sombras. Agir à margem da lei é a sua grande especialidade (no espanhol nossos hermanos latino-americanos usam o termo “poderes concentrados”).

No Brasil de hoje quais seriam tais poderes? Vamos tentar apontar (quem sempre toca nisso é o professor Fábio Konder Comparato – é preciso desconstruir a falsa percepção de que o presidente da República manda tudo, pode tudo):

Primeiro, o mais poderoso dos poderes atualmente – banqueiros, rentistas e especuladores, cujos interesses estão entrelaçados com o capital internacional/império estadunidense (não é à toa que quase a metade do orçamento da União é destinada ao pagamento da chamada dívida interna);

Depois vêm grande empresariado, narcotráfico, mineradores, agronegócio (faltou algum ramo importante do mundo empresarial?).

Como atuam na clandestinidade na nossa democracia representativa, seus interesses aparecem e são exercidos através do pensamento e ação dos poderes formalmente constituídos – Executivos, Parlamentos e Justiça -, nos quais se trava uma  complexa luta intestina, cujo resultado depende dos avanços, recuos e ziguezagues da badalada correlação de forças em cada conjuntura.

Temos que levar em conta fatores fundamentais, hoje, no Brasil, num momento em que forças e manifestações de claro viés fascista avançam e fortalecem uma candidatura como a de Bolsonaro :

Os monopólios dos meios de comunicação (gosto de chamá-los mídia hegemônica) – sempre identificados com os interesses antipopulares e antinacionais -, numa orquestração afinadíssima com a militância político-partidária de juízes, procuradores e policiais da PF entrincheirados na Operação Lava Jato.

Quadro que é agravado pela atuação de um STF e um TSE acovardados/acuados.

Para agravar a situação, do ponto de vista das forças de esquerda e centro-esquerda, temos também o fortalecimento de partidos de direita no Congresso, mesmo levando em conta o bom desempenho do PT que saiu da eleição ainda com a maior bancada.

E para coroar o quadro de dificuldades, temos um fenômeno novo na conjuntura eleitoral: o protagonismo cada dia mais às claras de oficiais superiores das Forças Armadas.

Queria neste artigo dar uma ideia de como se entrelaçam as engrenagens subterrâneas com as engrenagens formais do jogo do poder. E como tais engrenagens fazem a cabeça e o coração dos brasileiros, levando um pobre, um trabalhador, um desempregado, um excluído a votar num Bolsonaro.

Para concluir, queria apresentar dois livros que li recentemente e que me ajudaram a entender um pouco essas tais engrenagens: ‘A elite do atraso’, do sociólogo brasileiro Jessé Souza, e ‘A formação da mentalidade submissa’, do professor espanhol (já morto) Vicente Romano. Espero concluir antes da eleição num segundo artigo.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

O IMPONDERÁVEL TE PRIVOU DO SUPREMO PRAZER DE VOTAR EM BOLSONARO


Amigo é amigo... e uma verdade filosófica que me é cara: ninguém é Santo o tempo todo e, também, ninguém é Satanás o tempo todo.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro

Meu amigo Vicentão,

Ando todos os dias pelas ruas e becos das imediações da Piedade, centro de Salvador, espio a mesa vazia “de Dominguinho” no bar do Zequinha, busco, instintivamente, logo abaixo de cada cabelo branco que vislumbro entre o burburinho de gente um rosto que não encontro mais.

Um rosto, uma cumplicidade alimentada nos 34 anos de convivência no jornalismo e nos bares/botecos da cidade, uma imensa saudade...

Um sentimento contraditório me bate nestes tempos em que os valores humanistas são golpeados por um candidato a presidente da República e seus seguidores, momentaneamente vitoriosos; nestes tempos em que uma expressiva parte dos brasileiros e brasileiras - muitos, acredito, levados pela desinformação - aderem ao partido do ódio e da intolerância.

Nesta sexta, dia 19, você estaria fazendo 78 anos. Será que nossa amizade resistiria a estes tempos? Creio que sim... Afinal, nos últimos anos já havíamos diminuído bastante nossas “brigas”.

“Brigas” que, na verdade, nunca levaram a nada. Desde os velhos tempos do teu malufismo exacerbado – “para ser presidente do Brasil o cara tem de ser bandido”, você dizia.

“Um cara direitista desse, como é que você aguenta beber toda noite com um cara desse?”, se indignavam alguns amigos.

Às vezes eu tentava amenizar um pouco: “Bem, você tem razão, mas uma coisa eu garanto: ele nunca foi carlista; além disso, tem uma pequena fase de sua vida em que ele foi brizolista, são atenuantes que a gente tem de considerar”.

Amigo é amigo... e uma verdade filosófica que me é cara: ninguém é Santo o tempo todo e, também, ninguém é Satanás o tempo todo.

Mas é difícil te defender, meu amigo.

Sei e posso afirmar com segurança: muitos anos antes de um Bolsonaro pintar no horizonte, você já era racista, machista, homofóbico; defender os direitos humanos, os direitos dos trabalhadores, mais oportunidades para os pobres? Nem pensar!

E “bandido bom é bandido morto”. Quantas vezes a gente discutiu na redação da Tribuna da Bahia quando você reproduzia aqueles clichês das matérias policiais dando conta de que “o bandido morreu ao trocar tiros com a polícia”.

- Vicente, você sabe mais do que eu que na maioria das vezes isso é mentira.

- Oh Jadinho, você quer defender bandido, é?

Daí que pra você seria uma delícia viver num tempo em que Bolsonaro ensaia publicamente o fuzilamento de “petralhas”. Você adorava este termo “petralha”. Quer dizer, era bolsonarista antes de Bolsonaro.

Valeria a pena tentar te convencer a não votar em Bolsonaro? Não digo votar em Haddad, isso nem pensar, mas pelo menos não votar.

Estimo em 99% se tratar duma missão impossível, mas, porém, todavia... deixo aí 1% de esperança por conta do teu espírito solidário/humanista nos momentos mais difíceis dos nossos colegas caídos em necessidade.

Além do mais, Haddad não é mais Lula, é Haddad mesmo; não é mais candidato do PT, mas da Frente Democrática; e sua cor não é mais o vermelho, mas as cores da nossa bandeira.

De qualquer forma, sei que não vamos mais “brigar” e não verei mais teu rosto bonito arrodeado de cabelo branco. Ficam as últimas e pungentes lembranças:

- Não quero que ela me visite, estou muito feio.

- Jadinho, me ajude a morrer.  

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

SEABRA: FORÇAS PROGRESSISTAS SAEM DA ELEIÇÃO FORTALECIDAS


Em Seabra, a “capital” da Chapada, os candidatos a deputado federal da esquerda e centro-esquerda (PT, PCdoB e PSB) conseguiram mais votos do que os de direita (“golpistas”), forças políticas que tradicionalmente mandavam no interior.

A soma dos candidatos progressistas mais votados chega a 7.953 (PT – 5.363, PCdoB – 1.689 e PSB – 901), enquanto a dos direitistas vai a 6.283: Cláudio Cajado – 3.393 (era do DEM, mas nesta eleição passou para o PP, base do governador Rui Costa) e Leur Lomanto (DEM ) – 2.890.

Cajado e Leur são o tipo de políticos que dominavam a votação pelo interior, o tipo de lideranças que compunham partidos como a Arena/PFL da ditadura militar, marcados pela política eleitoral clientelista, do toma lá, dá cá. Individualmente ainda aparecem bem votados, mas perderam aquela hegemonia tradicional.

São apoiados por políticos locais, geralmente prefeitos e ex-prefeitos, que de modo geral não demonstram, do mesmo jeito que seus deputados, qualquer compromisso com  o interesse público, a democracia e a soberania nacional e popular. No caso, Cajado foi apoiado pelo prefeito atual Fábio Lago Sul e pelo ex-prefeito Dálvio Leite. Já Leur, foi apoiado pelo ex-prefeito Rochinha.

Os candidatos mais votados do campo das esquerdas foram: Jorge Solla (PT) – 1.635; Daniel Almeida (PCdoB) – 1.613; Caetano (PT) – 1.328; Afonso Florence (PT) – 1.254; Lídice (PSB) – 882; Zé Neto (PT) – 590; e Carlos Martins (PT, não eleito) – 411 (entre os mais votados está também Otto Filho, do PSD – 1.270).

A comparação acima é pertinente, porque no interior a votação dos deputados federais é utilizada, normalmente, como o principal critério para medir o prestígio eleitoral das lideranças locais do município.

Apoiadores de Solla comemoram

As forças políticas e sociais que apoiaram a campanha de Jorge Solla em Seabra têm três motivos para comemoração: ele foi o terceiro federal mais votado no município; foi o primeiro entre os progressistas; e, no estado, foi muito bem votado, ficou em quinto lugar (135.657 votos) dentre os 39 federais da Bahia.

(Só para registrar: em Seabra, Rui Costa obteve 94% dos votos válidos, enquanto Zé Ronaldo ficou com 5%; Haddad – 80% e Bolsonaro – 10%).

Com quantos linchamentos se faz um bolsonário

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

QUILOMBOLAS REFORÇAM CAMPANHA PETISTA NA CHAPADA

Professor Fábio, em montagem com os candidatos (Fotos: Fábio/Facebook)

Os contatos que lideranças do PT e movimentos sociais vinham mantendo com comunidades quilombolas da Chapada, no interior da Bahia, devem resultar em dividendos eleitorais.

É o caso, por exemplo, do quilombo Mato Preto, no município de Iraquara, cujos representantes declararam apoio ao deputado federal Jorge Solla, em campanha pela reeleição, e ao ex-deputado Luiz Alberto, que disputa vaga na Assembleia Legislativa.

Eles se reuniram, no próprio quilombo, com militantes do PT e Goiano Sousa, do Projeto Velame Vivo, que coordena o comitê de campanha de Solla em Seabra. Mais de 20 pessoas da comunidade participaram do encontro, na sexta-feira passada.

Entre as lideranças da comunidade estavam a presidente da Associação Quilombola de Mato Preto, Valterlice Dourado, conhecida como Té, e a do Grupo Cultural Professor Manoel Teles, Cláudia Sá Teles, além do professor José Fábio Carvalho, presidente da associação do quilombo vizinho (Renascimento dos Negros, antes chamado Os Morenos).

Fábio é diretor do Departamento de Reparação Racial da Secretaria de Ação e Desenvolvimento Social da prefeitura de Iraquara, cargo para o qual foi eleito pelas comunidades quilombolas do município.
Goiano (primeiro à esq.) e militantes posam para foto com membros da comunidade após a reunião


quinta-feira, 27 de setembro de 2018

SEABRA FAZ CARREATA NESTA QUINTA NA ONDA LULA/HADDAD


A partir de hoje (quinta, 27), a militância progressista de Seabra, na Chapada Diamantina, interior da Bahia, incrementa a campanha pró Lula é Haddad/Haddad é Lula e Rui Correria. A carreata será a partir das 18 horas, saída da Praça da Bandeira (da Igreja – de pedra – do Bom Jesus).

A iniciativa é da direção municipal do PT, com a participação dos diversos comitês de campanha de deputados que compõem a base do governador Rui Costa e de coletivos e movimentos sociais.

Amanhã, sexta, por volta das 11 horas da manhã, a movimentação pró Lula/Haddad prossegue com uma caminhada pelo centro da cidade em companhia do deputado federal Jorge Solla (PT), em campanha pela reeleição.

Mulheres unidas contra Bolsonaro

E no sábado, dia 29, na parte da manhã, as mulheres de Seabra mostram nas ruas seu engajamento ao Mulheres Unidas contra Bolsonaro - #ele não, #ele nunca –, movimento de caráter nacional e internacional que já atraiu a adesão, nas redes sociais, de 1 milhão a 2 milhões de mulheres.

Em Seabra, a passeata começa com concentração a partir das 8:30 horas, na mesma Praça da Bandeira. Desce até a esquina do Banco do Brasil e continua rumo à área da Feira Livre do Mercadão. A organização é de militantes sociais, como Ingrid, Perla, Filismina, Geisa, Maria Alice, Antônia, Maristela, Ana e Mônica, dentre outras.

O movimento das mulheres é suprapartidário. Seu objetivo é lutar contra os valores (ou anti-valores) fascistas, que, de uma forma ou de outra, vieram encarnar na política (ou anti-política) de Jair Bolsonaro, um dos candidatos mais cotados para a Presidência.

São valores (ou anti-valores) como o culto ao ódio e à violência, em especial contra as mulheres, negros, pobres, gays, indígenas e quilombolas. No dia 29, o rechaço aos preconceitos encarnados em gente como Bolsonaro ganhará as ruas de uma centena de grandes cidades do Brasil e dos principais países do mundo. Em Salvador-Bahia, por exemplo, será a partir das 14 horas, concentração no Campo Grande.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

OPORTUNISMO E ELITISMO, OS MALES DO STF SÃO

Edson Fachin (Foto: Internet)

Por Jadson Oliveira (jornalista/blogueiro) - editor deste blog

“Esses caras (os ministros do STF indicados pelos governos do PT), agora, que o contexto político mudou, têm que provar que não possuem nenhuma relação com o PT. Exageram na mão precisamente para afastar qualquer suspeita. Aí se tornam mais realistas que o rei e são tão parciais quanto o Moro é”.

Esta opinião é de um advogado e professor citada pela advogada Bibi Prado numa matéria de hoje, dia 25, do blog Conversa Afiada (Moro tem ódio de classe contra o PT e Lula).

É exatamente isso que eu penso. Me lembrei especialmente do Edson Fachin. Vocês se recordam? Quando ele foi indicado pelo governo Dilma foi um verdadeiro pandemônio, passava a impressão que o homem era um esquerdista radical, um espírito guerrilheiro, progressista empedernido, defensor do interesse popular, um perigoso amante do povo... pois não é que até já foi advogado do MST!?

A imprensa hegemônica, tendo à frente, claro, a Globo, fez um escândalo: os alicerces da nossa jovem democracia e da nossa sofrida república estavam sob ameaça mortal; a sabatina no Senado, então, foi um circo de indignação e hipocrisia. Terminou aprovado por nossos impolutos senadores, mas haja contorcionismo do candidato!

Pensei comigo, na minha santa ingenuidade: finalmente vamos ter um juiz no Supremo que vai colocar seu conhecimento jurídico e seu espírito de justiça a serviço dos interesses do povo e da Nação.

Logo, logo, porém, o homem já estava perfeitamente adaptado aos ventos da direita e do cinismo. Esteve sempre nesses gloriosos tempos de golpismo entre os ministros mais radicais e confiáveis na perseguição aos trabalhadores, ao petismo, a Lula.

Resta constatar: se os ventos mudarem de rumo, ele certamente mudará também rapidamente, ou melhor, se adaptará. Porque “esses caras”, como os chamou o professor, e agora digo eu, são basicamente oportunistas, além de profundamente elitistas.

Toda vez que leio alguma notícia sobre o Fachin, eu me recordo duma passagem dum livro do jornalista Ricardo Kotscho, que foi assessor de campanha eleitoral de Lula e chefe de sua Comunicação no primeiro governo (não localizei o título do livro, onde relata justamente esta sua convivência com Lula).

Kotscho conta que uma vez tentava convencer Lula a conceder uma entrevista a um determinado repórter. Lula resistia. Ele então argumentou que o colega era um bom profissional, etc e tal, inclusive já havia sido do PT.

Aí foi que Lula, já bastante calejado, cortou fora o rapaz. Disse: “Ah! esses são os piores, têm que provar o tempo todo ao chefe e ao patrão que não são mais petistas”.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

EM NOME DE DEUS

Slogan da campanha de Bolsonaro: Brasil acima de tudo, Deus acima de todos (Foto: Internet)

Em nome de Deus um número mais que razoável de pastores, bispos, padres, e até judeus, dão as bênçãos a um candidato que prega a violência e a aniquilação dos adversários...


Por Alberto Freitas – jornalista baiano (postado originalmente na sua página do Facebook; destaque, foto e legenda são da edição deste blog)


Em nome de Deus o “povo eleito” saqueou e destruiu cidades e matou populações inteiras, sequer poupando mulheres e crianças. Está lá, no “livro sagrado”.

Os cruzados barbarizaram judeus e muçulmanos na “terra santa” das três religiões monoteístas, em nome de Deus.

Em nome de Deus, há séculos se escraviza, saqueia, persegue, desterra, humilha, tortura e mata.

Hitler, Mussolini, Franco, Pinochet, os generais uruguaios, argentinos e brasileiros, o libanês Elie Hobeika, Reagan, Nixon, os israelenses Ariel Sharon e Benjamin Netanyahu foram ou são abençoados por sacerdotes, ministros ou rabinos, em algum momento, pois eram ou são patriotas de fé.

Foi em nome de Deus que os cristãos ortodoxos da Ucrânia participaram de pogrons em apoio aos nazistas e é em nome Dele que nos dias atuais apoiam um governo neonazi.

Em nome de Deus um número mais que razoável de pastores, bispos, padres, e até judeus, dão as bênçãos a um candidato que prega a violência e a aniquilação dos adversários e conduzem um rebanho que destila ódio, preconceitos, desejo de submeter, dominar e, se necessário, exterminar aqueles que consideram inferiores - negros, pobres, índios, LGBTs, mulheres, socialistas, comunistas…

Uma história que teima em se repetir, seja porque muitos insistem em negar, seja pela omissão e a conivência dos de sempre: imprensa, liberais, “neutros”, gente de fé…