domingo, 18 de novembro de 2018

GUERRA DE QUARTA GERAÇÃO: INSTALAR E CONSOLIDAR A FALSA VERDADE

(Foto: reproduzida de Carta Maior)

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro (o título acima é da edição deste blog)
“A total ubiquidade das tecnologias e as comunicações se converteram numa ferramenta política hoje privilegiada.
A direita, que tem em suas mãos todos os grandes meios de comunicação, pode impor sua agenda com liberdade e impunidade.
Amplifica seus interesses e silencia o resto, aqueles interesses que correspondem à grande maioria da população, a coletivos, organizações sociais e nacionais, sindicatos, estudantes, povos originários, pobres, migrantes ou mulheres. Os silencia, ou os demoniza, como violentos, terroristas e corruptos.
A imprensa dominante  tem suficiente poder para levantar e difundir mentiras sobre a vida privada de dirigentes sociais ou políticos contrários a seus interesses.
Essas montagens e outras armações comunicacionais difundidas por essa imprensa (pela mídia hegemônica, diria eu) são posteriormente uma festa nas redes sociais, que transformam a irrelevante e muitas vezes falsa informação em opinião pública (ou, como diria eu, na opinião publicada, ou nas “verdades” difundidas pelas Globo da vida).
A falsa verdade fica instalada e consolidada”.
Construir uma mídia contra-hegemônica
Companheiros (as), traduzi do espanhol esta pequena parte do artigo ‘Chile, outra vítima da Guerra de Quarta Geração’, de Paul Walder (vi no Carta Maior).
É focado na situação do Chile, como o título está indicando, mas o autor aponta que são os casos também do Brasil, Peru, Equador, Venezuela (país que sofre atualmente o mais ostensivo assédio), Colômbia, Paraguai e o “desastre centro-americano”.
Eu diria que é a situação geral em toda América Latina. É só lembrar a dura resistência dos argentinos, por exemplo (pelo mundo afora também, mas prefiro me restringir à nossa Pátria Grande, onde procuro acompanhar as coisas mais de perto).
Fala-se muito hoje nas “fake news”, que têm tudo a ver, mas, pelo menos no Brasil, há uma preocupante falta de consciência da importância do problema. Problema que costumo resumir na necessidade de se buscar a construção duma mídia contra-hegemônica.
As forças democráticas, nacionalistas e populares no Brasil nunca conseguiram tocar essa coisa. E agora a conjuntura está mais complicada com a vitória eleitoral de Bolsonaro e o crescimento da ultra-direita, inclusive com viés popular. O que deixa o campo das esquerdas e centro-esquerda baratinado em busca da difícil construção da resistência democrática.
Deixo aqui o link do artigo, em espanhol:

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

A GRANDE FAÇANHA DO PODER: FAZER UM POBRE VOTAR NUM BOLSONARO (parte 2)

Dois livros que podem ajudar a entender o fenômeno: ‘A elite do atraso’, do sociólogo brasileiro Jessé Souza, e ‘A formação da mentalidade submissa’, do professor espanhol Vicente Romano.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro

O fator essencial na formação do povo brasileiro são os 350 anos da escravidão negra - “o núcleo explicativo de nossa formação” -, conforme ensina Jessé Souza, em ‘A elite do atraso’, um de seus últimos livros, onde procura explicar os fundamentos da crise política atual que desembocou no golpe de Estado de 2016.

“Por conta disso – diz ele -, até hoje, reproduzimos padrões de sociabilidade escravagistas, como exclusão social massiva, violência indiscriminada contra os pobres, chacinas contra pobres indefesos que são comemoradas pela população, etc”.
Daí eu recorrer aos seis estudos para tentar entender “a grande façanha da direita (ou do PODER)”, como me referi na primeira parte do artigo, ao fazer um negro votar num Bolsonaro da vida; ou fazer um pobre votar num milionário, ou o oprimido votar no opressor, ou o cara optar “livremente” pela defesa dos interesses que não são os seus.
São centenas de anos de história, de formação cultural, servindo de adubo, de caldo de cultura, para chegarmos à tragédia atual, com grande parcela da população, inclusive dos setores populares, incensando uma candidatura presidencial que exala ódio e violência (fascismo) por todos os poros. Além de comprometida com tudo o que há de antipopular e antinacional.
A influência desta nódoa escravagista, no entanto, foi substituída nos estudos de nossa formação por teorias como o patrimonialismo (herdado dos portugueses e restrito à corrupção apenas no Estado e nunca no mercado) e o populismo (a estigmatização das camadas populares e seus líderes), segundo Jessé Souza.
Ele desbanca tais teorias, apesar delas terem dominado soberbamente o pensamento da academia e intelectualidade do país desde o início do século passado e serem hegemônicas até hoje no imaginário dos brasileiros. Tais teorias – desprovidas de base científica, na avaliação de Jessé – são reforçadas no dia a dia dos brasileiros, especialmente através da mídia hegemônica.
Seus principais mentores foram Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Raymundo Faoro, acatados até hoje tanto no espectro político à direita (o que seria óbvio) como à esquerda (o que seria surpreendente).
“A classe poderosa nunca se apresenta de cara descoberta”
Outro livro que ajuda a entender o que chamo “a grande façanha do poder” - as pessoas adotarem ideias e posições contrárias ao seu próprio interesse, ou no caso específico: trabalhador, mulher, gay, pobre ou negro votar em Bolsonaro - é ‘A formação da mentalidade submissa”, de Vicente Romano, uma das grandes autoridades europeias no estudo da Comunicação.
Como o título indica, o professor espanhol mostra, didaticamente, como os donos do mundo e da “verdade” trabalham, conscientemente, para formar (e deformar) a cabeça das pessoas, através da manipulação da mídia hegemônica, do sistema educacional (ele destaca em especial o ensino da Economia), da publicidade e das religiões.
Não há edição brasileira. Conheci o livro numa edição venezuelana e depois, através da Internet, numa de Portugal.
Com muita satisfação, encerro meu artigo passando a palavra a Valdimiro Lustosa, meu velho companheiro de lutas democráticas e sindicais na Bahia, que me comentou sobre o livro num email de agosto do ano passado:
“Estou em Portugal, exatamente em Lisboa. Há poucos dias acessei o facebook e vi um comentário seu sobre o livro A Formação da Mentalidade Submissa, de autoria do espanhol Vicente Romano. Fui a uma livraria e comprei-o. Já li.

De fato, ele traça uma radiografia das mentalidades do povo e diz sem meias palavras o papel que a mídia exerce nas pessoas, persuadindo-as, pregando notícias bombásticas e ocultando os fatos reais. Por outro lado, traça um perfil do papel das igrejas (um câncer com seus dogmas - comentário meu).

Enfim, um excelente livro. Mostra o porquê as pessoas são envolvidas pelas notícias.

Diz o autor (a edição é portuguesa) que a história demonstra que a classe poderosa nunca se apresenta de cara descoberta. Cobre-se com o manto das religiões, do patriotismo e do bem comum. A burguesia proclama como coisa boa para todos o que somente é bom para ela. É o que está acontecendo, por exemplo, no Brasil”.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

FAÇANHA DO PODER É FAZER UM NEGRO POBRE VOTAR NUM BOLSONARO (parte 1)


Por Jadson Oliveira (jornalista/blogueiro)

Esta é a grande façanha da direita (ou do PODER): fazer um negro pobre votar num Bolsonaro da vida (um amigo meu disse no Facebook que mulher, negro ou gay votar em Bolsonaro é o cúmulo da burrice).

Ou fazer um pobre votar num rico, um rico assim como o “garoto milionário” ACM Neto ou no “gestor” Dória; o oprimido votar no opressor, o explorado votar no explorador, o escravo puxar o saco do senhor, o cara optar “livremente” pela defesa dos interesses que não são os seus.

Esta é a grande façanha do PODER, assim com maiúsculas para tentar tirar o verdadeiro poder das sombras. Agir à margem da lei é a sua grande especialidade (no espanhol nossos hermanos latino-americanos usam o termo “poderes concentrados”).

No Brasil de hoje quais seriam tais poderes? Vamos tentar apontar (quem sempre toca nisso é o professor Fábio Konder Comparato – é preciso desconstruir a falsa percepção de que o presidente da República manda tudo, pode tudo):

Primeiro, o mais poderoso dos poderes atualmente – banqueiros, rentistas e especuladores, cujos interesses estão entrelaçados com o capital internacional/império estadunidense (não é à toa que quase a metade do orçamento da União é destinada ao pagamento da chamada dívida interna);

Depois vêm grande empresariado, narcotráfico, mineradores, agronegócio (faltou algum ramo importante do mundo empresarial?).

Como atuam na clandestinidade na nossa democracia representativa, seus interesses aparecem e são exercidos através do pensamento e ação dos poderes formalmente constituídos – Executivos, Parlamentos e Justiça -, nos quais se trava uma  complexa luta intestina, cujo resultado depende dos avanços, recuos e ziguezagues da badalada correlação de forças em cada conjuntura.

Temos que levar em conta fatores fundamentais, hoje, no Brasil, num momento em que forças e manifestações de claro viés fascista avançam e fortalecem uma candidatura como a de Bolsonaro :

Os monopólios dos meios de comunicação (gosto de chamá-los mídia hegemônica) – sempre identificados com os interesses antipopulares e antinacionais -, numa orquestração afinadíssima com a militância político-partidária de juízes, procuradores e policiais da PF entrincheirados na Operação Lava Jato.

Quadro que é agravado pela atuação de um STF e um TSE acovardados/acuados.

Para agravar a situação, do ponto de vista das forças de esquerda e centro-esquerda, temos também o fortalecimento de partidos de direita no Congresso, mesmo levando em conta o bom desempenho do PT que saiu da eleição ainda com a maior bancada.

E para coroar o quadro de dificuldades, temos um fenômeno novo na conjuntura eleitoral: o protagonismo cada dia mais às claras de oficiais superiores das Forças Armadas.

Queria neste artigo dar uma ideia de como se entrelaçam as engrenagens subterrâneas com as engrenagens formais do jogo do poder. E como tais engrenagens fazem a cabeça e o coração dos brasileiros, levando um pobre, um trabalhador, um desempregado, um excluído a votar num Bolsonaro.

Para concluir, queria apresentar dois livros que li recentemente e que me ajudaram a entender um pouco essas tais engrenagens: ‘A elite do atraso’, do sociólogo brasileiro Jessé Souza, e ‘A formação da mentalidade submissa’, do professor espanhol (já morto) Vicente Romano. Espero concluir antes da eleição num segundo artigo.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

O IMPONDERÁVEL TE PRIVOU DO SUPREMO PRAZER DE VOTAR EM BOLSONARO


Amigo é amigo... e uma verdade filosófica que me é cara: ninguém é Santo o tempo todo e, também, ninguém é Satanás o tempo todo.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro

Meu amigo Vicentão,

Ando todos os dias pelas ruas e becos das imediações da Piedade, centro de Salvador, espio a mesa vazia “de Dominguinho” no bar do Zequinha, busco, instintivamente, logo abaixo de cada cabelo branco que vislumbro entre o burburinho de gente um rosto que não encontro mais.

Um rosto, uma cumplicidade alimentada nos 34 anos de convivência no jornalismo e nos bares/botecos da cidade, uma imensa saudade...

Um sentimento contraditório me bate nestes tempos em que os valores humanistas são golpeados por um candidato a presidente da República e seus seguidores, momentaneamente vitoriosos; nestes tempos em que uma expressiva parte dos brasileiros e brasileiras - muitos, acredito, levados pela desinformação - aderem ao partido do ódio e da intolerância.

Nesta sexta, dia 19, você estaria fazendo 78 anos. Será que nossa amizade resistiria a estes tempos? Creio que sim... Afinal, nos últimos anos já havíamos diminuído bastante nossas “brigas”.

“Brigas” que, na verdade, nunca levaram a nada. Desde os velhos tempos do teu malufismo exacerbado – “para ser presidente do Brasil o cara tem de ser bandido”, você dizia.

“Um cara direitista desse, como é que você aguenta beber toda noite com um cara desse?”, se indignavam alguns amigos.

Às vezes eu tentava amenizar um pouco: “Bem, você tem razão, mas uma coisa eu garanto: ele nunca foi carlista; além disso, tem uma pequena fase de sua vida em que ele foi brizolista, são atenuantes que a gente tem de considerar”.

Amigo é amigo... e uma verdade filosófica que me é cara: ninguém é Santo o tempo todo e, também, ninguém é Satanás o tempo todo.

Mas é difícil te defender, meu amigo.

Sei e posso afirmar com segurança: muitos anos antes de um Bolsonaro pintar no horizonte, você já era racista, machista, homofóbico; defender os direitos humanos, os direitos dos trabalhadores, mais oportunidades para os pobres? Nem pensar!

E “bandido bom é bandido morto”. Quantas vezes a gente discutiu na redação da Tribuna da Bahia quando você reproduzia aqueles clichês das matérias policiais dando conta de que “o bandido morreu ao trocar tiros com a polícia”.

- Vicente, você sabe mais do que eu que na maioria das vezes isso é mentira.

- Oh Jadinho, você quer defender bandido, é?

Daí que pra você seria uma delícia viver num tempo em que Bolsonaro ensaia publicamente o fuzilamento de “petralhas”. Você adorava este termo “petralha”. Quer dizer, era bolsonarista antes de Bolsonaro.

Valeria a pena tentar te convencer a não votar em Bolsonaro? Não digo votar em Haddad, isso nem pensar, mas pelo menos não votar.

Estimo em 99% se tratar duma missão impossível, mas, porém, todavia... deixo aí 1% de esperança por conta do teu espírito solidário/humanista nos momentos mais difíceis dos nossos colegas caídos em necessidade.

Além do mais, Haddad não é mais Lula, é Haddad mesmo; não é mais candidato do PT, mas da Frente Democrática; e sua cor não é mais o vermelho, mas as cores da nossa bandeira.

De qualquer forma, sei que não vamos mais “brigar” e não verei mais teu rosto bonito arrodeado de cabelo branco. Ficam as últimas e pungentes lembranças:

- Não quero que ela me visite, estou muito feio.

- Jadinho, me ajude a morrer.  

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

SEABRA: FORÇAS PROGRESSISTAS SAEM DA ELEIÇÃO FORTALECIDAS


Em Seabra, a “capital” da Chapada, os candidatos a deputado federal da esquerda e centro-esquerda (PT, PCdoB e PSB) conseguiram mais votos do que os de direita (“golpistas”), forças políticas que tradicionalmente mandavam no interior.

A soma dos candidatos progressistas mais votados chega a 7.953 (PT – 5.363, PCdoB – 1.689 e PSB – 901), enquanto a dos direitistas vai a 6.283: Cláudio Cajado – 3.393 (era do DEM, mas nesta eleição passou para o PP, base do governador Rui Costa) e Leur Lomanto (DEM ) – 2.890.

Cajado e Leur são o tipo de políticos que dominavam a votação pelo interior, o tipo de lideranças que compunham partidos como a Arena/PFL da ditadura militar, marcados pela política eleitoral clientelista, do toma lá, dá cá. Individualmente ainda aparecem bem votados, mas perderam aquela hegemonia tradicional.

São apoiados por políticos locais, geralmente prefeitos e ex-prefeitos, que de modo geral não demonstram, do mesmo jeito que seus deputados, qualquer compromisso com  o interesse público, a democracia e a soberania nacional e popular. No caso, Cajado foi apoiado pelo prefeito atual Fábio Lago Sul e pelo ex-prefeito Dálvio Leite. Já Leur, foi apoiado pelo ex-prefeito Rochinha.

Os candidatos mais votados do campo das esquerdas foram: Jorge Solla (PT) – 1.635; Daniel Almeida (PCdoB) – 1.613; Caetano (PT) – 1.328; Afonso Florence (PT) – 1.254; Lídice (PSB) – 882; Zé Neto (PT) – 590; e Carlos Martins (PT, não eleito) – 411 (entre os mais votados está também Otto Filho, do PSD – 1.270).

A comparação acima é pertinente, porque no interior a votação dos deputados federais é utilizada, normalmente, como o principal critério para medir o prestígio eleitoral das lideranças locais do município.

Apoiadores de Solla comemoram

As forças políticas e sociais que apoiaram a campanha de Jorge Solla em Seabra têm três motivos para comemoração: ele foi o terceiro federal mais votado no município; foi o primeiro entre os progressistas; e, no estado, foi muito bem votado, ficou em quinto lugar (135.657 votos) dentre os 39 federais da Bahia.

(Só para registrar: em Seabra, Rui Costa obteve 94% dos votos válidos, enquanto Zé Ronaldo ficou com 5%; Haddad – 80% e Bolsonaro – 10%).

Com quantos linchamentos se faz um bolsonário

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

QUILOMBOLAS REFORÇAM CAMPANHA PETISTA NA CHAPADA

Professor Fábio, em montagem com os candidatos (Fotos: Fábio/Facebook)

Os contatos que lideranças do PT e movimentos sociais vinham mantendo com comunidades quilombolas da Chapada, no interior da Bahia, devem resultar em dividendos eleitorais.

É o caso, por exemplo, do quilombo Mato Preto, no município de Iraquara, cujos representantes declararam apoio ao deputado federal Jorge Solla, em campanha pela reeleição, e ao ex-deputado Luiz Alberto, que disputa vaga na Assembleia Legislativa.

Eles se reuniram, no próprio quilombo, com militantes do PT e Goiano Sousa, do Projeto Velame Vivo, que coordena o comitê de campanha de Solla em Seabra. Mais de 20 pessoas da comunidade participaram do encontro, na sexta-feira passada.

Entre as lideranças da comunidade estavam a presidente da Associação Quilombola de Mato Preto, Valterlice Dourado, conhecida como Té, e a do Grupo Cultural Professor Manoel Teles, Cláudia Sá Teles, além do professor José Fábio Carvalho, presidente da associação do quilombo vizinho (Renascimento dos Negros, antes chamado Os Morenos).

Fábio é diretor do Departamento de Reparação Racial da Secretaria de Ação e Desenvolvimento Social da prefeitura de Iraquara, cargo para o qual foi eleito pelas comunidades quilombolas do município.
Goiano (primeiro à esq.) e militantes posam para foto com membros da comunidade após a reunião


quinta-feira, 27 de setembro de 2018

SEABRA FAZ CARREATA NESTA QUINTA NA ONDA LULA/HADDAD


A partir de hoje (quinta, 27), a militância progressista de Seabra, na Chapada Diamantina, interior da Bahia, incrementa a campanha pró Lula é Haddad/Haddad é Lula e Rui Correria. A carreata será a partir das 18 horas, saída da Praça da Bandeira (da Igreja – de pedra – do Bom Jesus).

A iniciativa é da direção municipal do PT, com a participação dos diversos comitês de campanha de deputados que compõem a base do governador Rui Costa e de coletivos e movimentos sociais.

Amanhã, sexta, por volta das 11 horas da manhã, a movimentação pró Lula/Haddad prossegue com uma caminhada pelo centro da cidade em companhia do deputado federal Jorge Solla (PT), em campanha pela reeleição.

Mulheres unidas contra Bolsonaro

E no sábado, dia 29, na parte da manhã, as mulheres de Seabra mostram nas ruas seu engajamento ao Mulheres Unidas contra Bolsonaro - #ele não, #ele nunca –, movimento de caráter nacional e internacional que já atraiu a adesão, nas redes sociais, de 1 milhão a 2 milhões de mulheres.

Em Seabra, a passeata começa com concentração a partir das 8:30 horas, na mesma Praça da Bandeira. Desce até a esquina do Banco do Brasil e continua rumo à área da Feira Livre do Mercadão. A organização é de militantes sociais, como Ingrid, Perla, Filismina, Geisa, Maria Alice, Antônia, Maristela, Ana e Mônica, dentre outras.

O movimento das mulheres é suprapartidário. Seu objetivo é lutar contra os valores (ou anti-valores) fascistas, que, de uma forma ou de outra, vieram encarnar na política (ou anti-política) de Jair Bolsonaro, um dos candidatos mais cotados para a Presidência.

São valores (ou anti-valores) como o culto ao ódio e à violência, em especial contra as mulheres, negros, pobres, gays, indígenas e quilombolas. No dia 29, o rechaço aos preconceitos encarnados em gente como Bolsonaro ganhará as ruas de uma centena de grandes cidades do Brasil e dos principais países do mundo. Em Salvador-Bahia, por exemplo, será a partir das 14 horas, concentração no Campo Grande.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

OPORTUNISMO E ELITISMO, OS MALES DO STF SÃO

Edson Fachin (Foto: Internet)

Por Jadson Oliveira (jornalista/blogueiro) - editor deste blog

“Esses caras (os ministros do STF indicados pelos governos do PT), agora, que o contexto político mudou, têm que provar que não possuem nenhuma relação com o PT. Exageram na mão precisamente para afastar qualquer suspeita. Aí se tornam mais realistas que o rei e são tão parciais quanto o Moro é”.

Esta opinião é de um advogado e professor citada pela advogada Bibi Prado numa matéria de hoje, dia 25, do blog Conversa Afiada (Moro tem ódio de classe contra o PT e Lula).

É exatamente isso que eu penso. Me lembrei especialmente do Edson Fachin. Vocês se recordam? Quando ele foi indicado pelo governo Dilma foi um verdadeiro pandemônio, passava a impressão que o homem era um esquerdista radical, um espírito guerrilheiro, progressista empedernido, defensor do interesse popular, um perigoso amante do povo... pois não é que até já foi advogado do MST!?

A imprensa hegemônica, tendo à frente, claro, a Globo, fez um escândalo: os alicerces da nossa jovem democracia e da nossa sofrida república estavam sob ameaça mortal; a sabatina no Senado, então, foi um circo de indignação e hipocrisia. Terminou aprovado por nossos impolutos senadores, mas haja contorcionismo do candidato!

Pensei comigo, na minha santa ingenuidade: finalmente vamos ter um juiz no Supremo que vai colocar seu conhecimento jurídico e seu espírito de justiça a serviço dos interesses do povo e da Nação.

Logo, logo, porém, o homem já estava perfeitamente adaptado aos ventos da direita e do cinismo. Esteve sempre nesses gloriosos tempos de golpismo entre os ministros mais radicais e confiáveis na perseguição aos trabalhadores, ao petismo, a Lula.

Resta constatar: se os ventos mudarem de rumo, ele certamente mudará também rapidamente, ou melhor, se adaptará. Porque “esses caras”, como os chamou o professor, e agora digo eu, são basicamente oportunistas, além de profundamente elitistas.

Toda vez que leio alguma notícia sobre o Fachin, eu me recordo duma passagem dum livro do jornalista Ricardo Kotscho, que foi assessor de campanha eleitoral de Lula e chefe de sua Comunicação no primeiro governo (não localizei o título do livro, onde relata justamente esta sua convivência com Lula).

Kotscho conta que uma vez tentava convencer Lula a conceder uma entrevista a um determinado repórter. Lula resistia. Ele então argumentou que o colega era um bom profissional, etc e tal, inclusive já havia sido do PT.

Aí foi que Lula, já bastante calejado, cortou fora o rapaz. Disse: “Ah! esses são os piores, têm que provar o tempo todo ao chefe e ao patrão que não são mais petistas”.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

EM NOME DE DEUS

Slogan da campanha de Bolsonaro: Brasil acima de tudo, Deus acima de todos (Foto: Internet)

Em nome de Deus um número mais que razoável de pastores, bispos, padres, e até judeus, dão as bênçãos a um candidato que prega a violência e a aniquilação dos adversários...


Por Alberto Freitas – jornalista baiano (postado originalmente na sua página do Facebook; destaque, foto e legenda são da edição deste blog)


Em nome de Deus o “povo eleito” saqueou e destruiu cidades e matou populações inteiras, sequer poupando mulheres e crianças. Está lá, no “livro sagrado”.

Os cruzados barbarizaram judeus e muçulmanos na “terra santa” das três religiões monoteístas, em nome de Deus.

Em nome de Deus, há séculos se escraviza, saqueia, persegue, desterra, humilha, tortura e mata.

Hitler, Mussolini, Franco, Pinochet, os generais uruguaios, argentinos e brasileiros, o libanês Elie Hobeika, Reagan, Nixon, os israelenses Ariel Sharon e Benjamin Netanyahu foram ou são abençoados por sacerdotes, ministros ou rabinos, em algum momento, pois eram ou são patriotas de fé.

Foi em nome de Deus que os cristãos ortodoxos da Ucrânia participaram de pogrons em apoio aos nazistas e é em nome Dele que nos dias atuais apoiam um governo neonazi.

Em nome de Deus um número mais que razoável de pastores, bispos, padres, e até judeus, dão as bênçãos a um candidato que prega a violência e a aniquilação dos adversários e conduzem um rebanho que destila ódio, preconceitos, desejo de submeter, dominar e, se necessário, exterminar aqueles que consideram inferiores - negros, pobres, índios, LGBTs, mulheres, socialistas, comunistas…

Uma história que teima em se repetir, seja porque muitos insistem em negar, seja pela omissão e a conivência dos de sempre: imprensa, liberais, “neutros”, gente de fé…

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

PETISTAS DA CHAPADA FAZEM SEGUNDO ENCONTRO EM BUSCA DE AÇÃO UNIFICADA

Dirigentes do PT da Chapada Diamantina posam para foto no final do encontro realizado em Seabra em maio (Foto: Marivaldo Filho)

Neste segundo encontro (sábado, dia 8), em Rio de Contas, ampliou-se o nível de articulação dos dirigentes do PT: está confirmada a presença de 14 diretórios da região (no primeiro, em Seabra, em maio, houve representação de apenas seis).
Por Jadson Oliveira (jornalista/blogueiro) – editor do Blog Evidentemente
Os dirigentes do PT da Chapada Diamantina e Sudoeste baiano se reúnem amanhã (sábado, dia 8) na cidade de Rio de Contas, em busca de afinar o discurso e construir uma ação mais unificada. Além, claro, de debater o processo eleitoral, trocar experiências e tentar fortalecer a política partidária na região, visando também um relacionamento mais eficaz com os órgãos do governo estadual.
É, na verdade, o segundo encontro desta natureza. O primeiro foi realizado em Seabra, em 12 de maio último, aproveitando a passagem pela cidade – conhecida como “a capital da Chapada” – da caravana por Lula Livre, com a participação do deputado federal Jorge Solla e do ex-deputado Luiz Alberto, ambos do PT (o primeiro em campanha pela reeleição e o segundo buscando um mandato na Assembleia Legislativa).
Agora no segundo encontro ampliou-se o nível de articulação dos dirigentes petistas: em Seabra, houve a participação de dirigentes e militantes de apenas seis municípios; para Rio de Contas está confirmada a presença de 14 diretórios, contando com o dos anfitriões, presidido por Marinilton Martins.
Constam da pauta, dentre outros itens: fortalecimento dos diretórios, efetivação da Coordenação Regional da Chapada, eleição de diretórios e processo eleitoral, fomentar proposta de candidaturas em 2020 e criar calendário de reuniões de diretórios, além de escolher a cidade que receberá o III Encontro e discutir a organização dum “bingo solidário” para arrecadar dinheiro.
O diretório estadual estará representado por Filipe Almada. A delegação de Seabra será composta por Pedro Lima (presidente), os membros da Executiva Celsino Teixeira (vice) e Smitson Oliveira, bem como os ativistas sociais Alice e Goiano (José Donizette – da coordenação do Projeto Velame Vivo).
A reunião será no Teatro São Carlos, a partir das 9 horas da manhã. Além de Rio de Contas e Seabra, confirmaram a participação representantes de Livramento, Palmeiras, Mucugê, Ibitiara, Dom Basílio, Jussiape, Abaíra, Boninal, Brumado, Paramirim, Andaraí e Nova Redenção.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

JESSÉ SOUZA: PATRIMONIALISMO, A TEORIA QUE INVISIBILIZA O INIMIGO


Com o endeusamento dessa teoria, a real e efetiva privatização do Estado, aquela feita pelos interesses organizados do mercado sob a forma de cartéis e oligopólios, e sob a forma de atuação dos atravessadores financeiros, se torna completamente invisível conceitualmente.
Transcrição do livro A elite do atraso (o título e destaque acima são da edição deste blog)
A noção de patrimonialismo (demonização da política e do Estado – não do mercado -, em especial quando o Estado é governado por líderes populares) é falsa por duas razões: primeiro as elites que privatizam o público não estão apenas e nem principalmente no Estado, e o real assalto ao Estado é feito por agentes que estão fora dele, principalmente no mercado. A elite que efetivamente rapina o trabalho coletivo da sociedade está fora do Estado e se materializa na elite do dinheiro, ou seja, do mercado, que abarca a parte do leão do saque.
A elite estatal e política fica literalmente com as sobras, uma mera percentagem, mínima em termos quantitativos, dos negócios realizados. Cria-se aí a corrupção dos tolos, que vemos hoje no Brasil. A atenção se foca na propina, nos “3% dos Sérgio Cabral” da vida, e torna invisível o assalto ao trabalho coletivo como um todo em favor de meia dúzia de atravessadores financeiros. O principal efeito da noção de patrimonialismo é tornar esse dado, que é o mais importante, literalmente invisível; depois o patrimonialismo como privatização do bem público, suprema “viralatice”, é percebido como singularidade brasileira, como se o Estado apenas aqui fosse privatizado.
Na verdade, o Estado é privatizado em todo lugar, e a noção de patrimonialismo apenas esconde mais esse fato fundamental, possibilitando uma dupla invisibilização: dos interesses privados que realmente dominam o Estado; e do rebaixamento geral dos brasileiros, que passam a tratar não apenas os estrangeiros, mas os interesses estrangeiros, como superiores e produto de uma moralidade superior. A atual destruição da Petrobras – sob acusação de corrupção patrimonialista, como se as petroleiras estrangeiras que irão substituí-la também não o fossem e em grau seguramente muito maior – é um perfeito exemplo prático dos efeitos vira-latas dessa teoria.
O cidadão, devidamente imbecilizado pela repetição do veneno midiático, pensa consigo: “é melhor entregar a Petrobras aos estrangeiros do que ela ficar na mão de políticos corruptos”. Tudo como se a suprema corrupção não fosse entregar a uma meia dúzia a riqueza dos todos que poderia ser usada, como estava previsto o pré-sal, para alavancar a educação de dezenas de milhões.
De resto, a oposição entre o público e o privado assume a forma do senso comum que percebe apenas o Estado como uma configuração de interesses organizados. Assim se oporia ao Estado e representaria a esfera privada apenas os sujeitos privados, pensados como instância de uma intencionalidade individual. Sendo a esfera privada percebida como individual, o homem cordial de Sérgio Buarque (de Holanda), então o mercado capitalista e competitivo é tornado literalmente invisível na sua positividade e eficácia. A partir de Raymundo Faoro, inclusive, o mercado é percebido como o verdadeiro céu na terra, prenhe de virtudes democráticas que apenas o Estado não permite florescer.
Em resumo, a real e efetiva privatização do Estado, aquela feita pelos interesses organizados do mercado sob a forma de cartéis e oligopólios, e sob a forma de atuação dos atravessadores financeiros, se torna completamente invisível conceitualmente. Melhor legitimação dos piores interesses de uma elite do saque e da rapina do trabalho coletivo me parece impossível. No entanto, boa parte da esquerda – além de toda a direita obviamente – tem esses autores e suas ideias como interpretações intocáveis e irretocáveis para o Brasil de hoje.
De ‘A elite do atraso – Da escavidão à Lava Jato – Um livro que analisa o pacto dos donos do poder para perpetuar uma sociedade cruel forjada na escravidão’, de autoria do sociólogo brasileiro Jessé Souza (páginas 136/137) – editora Casa da Palavra/LeYa.

O fragmento do livro a ser postado em seguida será sobre o populismo – “o desprezo secular e escravocrata pelas classes populares”.

Já foi postado aqui neste Blog Evidentemente:

JESSÉ SOUZA: O LIBERALISMO CONSERVADOR COLONIZOU TAMBÉM A ESQUERDA







terça-feira, 21 de agosto de 2018

IMPRESSIONANTE A SIMPATIA DO "POVÃO" POR LULA

Outro dia falei da impressão que me causou ver a simpatia, a identificação do chamado povão com Lula. Não vão pras ruas se manifestar por Lula, não se rebelam coletivamente contra o golpismo que tirou Dilma da presidência e botou Lula na prisão, o que não deixa de ser o grande trunfo da direita. Mas o diabo - para a direita - é que o povão gosta de Lula e certamente quer votar em Lula. Daí a perseguição ao líder popular, que se evidencia especialmente no noticiário da TV Globo e demais meios de comunicação hegemônicos. Se evidencia também, escancaradamente, nas "decisões" dos órgãos do Poder Judiciário.

Mas é impressionante! A maioria do povo, aquela parcela mais carente, mais excluída na desigual divisão das riquezas materiais, parece que não come reggae. A maioria simpatiza com Lula e quer votar em Lula. Parece até que, como defendem vários teóricos, o fato dele estar preso aumenta o grau de solidariedade, de identificação, de apoio. Afinal, o "povão" sempre foi considerado a parte podre pelos "donos" do mundo, pela imprensa, pela Justiça, pela polícia. Será!!!???

Essa coisa de ficar impressionado me bateu há uns dias atrás, quando acompanhei, na Estação da Lapa, aqui em Salvador, uma panfletagem feita por Lula Livre, Lula presidente, etc, etc, com a participação de pequeno número de militantes. O número de militantes era pequeno (uma dezena, mais ou menos), mas as milhares de pessoas que transitam pela Estação da Lapa, no final da tarde, representam muito. Só vi duas pessoas que se manifestaram contra Lula.

Esta mesma impressão repetiu-se no último sábado, por volta do meio-dia, quando uns 300/400 militantes promoveram um trompetaço, na mesma Lapa, em defesa de Lula e sua complicada candidatura. Uma belezura! Diga-se de passagem: complicada e até agora exitosa, vamos ver em que vai dar, vamos ver os torpedos que os golpistas ainda vão disparar contra a estratégia petista.

O jogo está sendo jogado, a cada dia novos lances. Acompanhamos não só através da Globo golpista e companhia, mas também, através, claro, da mídia contra-hegemônica - blogueiros progressistas e etc. E vamos pras ruas, a luta continua.

O trompetaço começou e terminou na Lapa (espaço em frente da entrada do metrô), com um passeio - sempre bem aplaudido - pelos espaços e corredores do Shopping Piedade. As fotos acima são do companheiro Rodrigo Yamashita. 

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

A REVOLUÇÃO É FEMINISTA (Somos as netas de todas as bruxas que nunca puderam queimar)

Foram meses de grande mobilização das argentinas pela descriminalização do aborto, mas o projeto de lei, aprovado na Câmara dos Deputados, foi derrubado no Senado na última madrugada (Foto: Página/12)

Precisamos de soberania sobre nossos corpos e nossas vidas para não sermos cidadãs de segunda classe. Se não podemos decidir sobre nossos corpos, como disse Simone de Beauvoir, somos simplesmente escravas.

Por Marta Dillon – trechos traduzidos de artigo do jornal argentino Página/12, de 09/08/2018 (o complemento do título e o destaque acima são da edição deste blog)

(…) uma história que conserva a memória do genocídio das bruxas e que se rebela contra a morte gritando: somos as netas de todas as bruxas que nunca puderam queimar. Porque em algum momento (a las mujeres) nos queimaram por tomar decisões sobre nossos corpos, nos queimaram porque nos reuníamos entre nós mesmas, porque nossa capacidade reprodutiva necessitava ser apropriada para reproduzir somente força de trabalho. Não nos esqueçamos disso. É o mesmo poder que agora pressiona a mais rançosa –rançosa porque cheira mal – da liderança política para que decida  contra as mulheres. O mesmo poder que sempre esteve contra todas as liberdades. A Igreja Católica e as igrejas evangélicas pretendem falar por nós; usam seu poder de veto porque se sentem ameaçadas, porque não têm como sustentar a moral que proclamam quando sua instituição está corrompida pela pedofilia, pelos abusos contra as freiras, pela organização patriarcal onde as mulheres não têm nenhum poder. Pretendem nos arrebatar nossas vidas, nossos prazeres, nossos desejos; pretendem ocultar o que é uma evidência concreta: a maternidade tem que ser desejada e é por isso que abortamos. O fizemos por muitos anos com vergonha, com temor devido à criminalização, com medo de não saber se estávamos nas mãos de quem sabia o que fazia. O fizemos, abortamos na clandestinidade, porque isso é defender nossa liberdade. E a liberdade não se pede, se toma, se busca. Mas já não queremos mais por em risco nossa vida, não tem sentido, nossa insubmissão é essa: defender nossas vidas como cada vez que dizemos #NiUnaMenos. Basta de femicídios. Basta de femicídios de Estado, que isso e não outra coisa é cada mulher que morreu ou que morre agora mesmo por ter que recorrer a um aborto inseguro.

Que argumento puderam colocar os defensores dos antidireitos? Que argumento de peso se pode (pôde) escutar, nestes meses de debate, que tivesse a força suficiente para contradizer que nós precisamos de soberania sobre nossos corpos e nossas vidas para não sermos cidadãs de segunda classe? Se não podemos decidir sobre nossos corpos, como disse Simone de Beauvoir, somos simplesmente escravas.

(...)

Porque à clandestinidade não se volta, aborto se diz em voz alta, as maternidades serão desejadas ou não serão. E a revolução que estamos gestando, sem dúvida, é feminista.


Para ler o texto na íntegra, em espanhol: