domingo, 3 de novembro de 2019

É A MÍDIA DE ENTRETENIMENTO, ESTÚPIDO!


Não são apenas noticiários manipulados da mídia hegemônica que fazem a cabeça e o coração do povo, são sobretudo os Datena, os Huck, Hollywood, novelas e congêneres.

Por Fabiano Viana Oliveira – professor na área de Ciências Sociais – do livro ‘Em busca da verdade II – Bioética, Hipocrisia e Antipetismo’ – págs. 96/98 (título e destaque acima são deste blog)

(...) Outro erro do PT foi acreditar que o apoio de uma parte importante da mídia, especialmente a Globo, seria perene e fiel. Esses grupos de mídia não têm fidelidade a ninguém. Quando as verbas de publicidade estatal foram diluídas em um número muito maior de grupos, especialmente de Internet, isso incomodou os representantes das grandes mídias tradicionais. Se o que está previsto na constituição de 1988 sobre regulamentação e revisão das concessões de mídia tivesse sido efetivado desde o primeiro governo de Lula, quando tinha amplo apoio popular, talvez as coisas hoje fossem diferentes.

A influência da mídia nas mentalidades coletivas é algo amplamente estudado tanto pelas teorias quanto pela sociologia da comunicação. Pode-se inclusive responsabilizar em parte as mídias corporativas mundiais pela criação e manutenção do sentimento anti-esquerda que hoje se vive. Explica-se: independente de partidos e instituições, o sentimento que pode chamar de esquerda é aquele que pretende construir um mundo mais justo e igualitário. Dentro deste sentimento há linhas mais moderadas como a social democracia no estilo alemão com o Estado cuidando do bem estar dos cidadãos com alta carga de impostos e menor desigualdade social. E há linhas mais radicais que creem numa suposta revolução socialista que levaria ao fim da distinção entre classes econômicas.

O que se faz crer dentro da existência dessa ideologia que afeta as crenças pessoais é que isso é uma utopia, um desejo impossível ou um fruto de doutrinação ideológica de esquerda. Os conteúdos midiáticos (jornais, livros, filmes, séries, músicas, novelas, shows) apresentam um modelo de conduta social que direta ou indiretamente induz o espectador a crer que todo e qualquer discurso pró-esquerda é errado. Esse erro pode ser por ingenuidade: “isso é utópico!” - ou por pura maldade: “eles querem tirar tudo que é seu!”. Basta ver quanto o período de guerra fria entre USA e URSS criou todo um conteúdo de indústria cultural que tornava os americanos e ingleses em heróis defensores da liberdade e da democracia (Ex.: James Bond; Flint e outros) e os russos comunistas em terríveis e temíveis cerceadores das liberdades individuais.

Para além dessa (essa sim) doutrinação ideológica anti-esquerda, advinda dos conteúdos midiáticos de entretenimento, há também o esforço “jornalístico” da mídia corporativa mundial de desqualificar qualquer esforço um pouco mais à esquerda de produzir sociedades mais justas e menos desiguais. Basta resgatar todo esforço de parte da mídia americana e brasileira também de apresentar tudo sobre a ilha de Cuba nos últimos 50 anos como sendo um grande terror ditatorial. Que existem problemas políticos inerentes a um regime autocrático e personalista, tanto por influência soviética quanto das tradições latino-americanas, é inegável. Mas admitir esses problemas não pode reduzir as conquistas do pequeno país caribenho a apenas o ruim; como muito se faz por aqui e pelos EUA.

Um exemplo de uso estranho do nome de Cuba, apenas como apreensão pejorativa por parte do cinema de hollywood dos tempos da guerra fria, foi de ter o vilão do filme de James Bond, Goldfinger (também nome do filme), dizer no final do mesmo que está fugindo para Cuba, deixando subentender que a ilha comunista de Fidel serve de refúgio para vilões e bandidos internacionais. Tal suposição é das mais ridículas, pois o que o regime de Fidel fez com os criminosos comuns foi justamente expulsar do país. A nação que sempre teve por tradição atrair e refugiar bandidos é o Brasil. Esses conteúdos simbólicos ficam gravados em nosso subconsciente e quando a mídia jornalística resgata esse imaginário, fica fácil atribuir qualquer coisa de negativo a um país sobre o qual de fato não sabemos quase nada.

(...)

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

SEABRA: AVANÇO DAS FORÇAS PROGRESSISTAS NA AMÉRICA DO SUL NO ROTEIRO DE PALESTRAS DE GABRIELLI

José Sérgio Gabrielli (palestra em Seabra, último dia 17. Foto: Smitson Oliveira)
Da desigualdade histórica ao aumento dessa desigualdade nos governos Temer e Bolsonaro: previsão de crescimento da insatisfação popular e de vitórias eleitorais na Bolívia, Argentina e Uruguai. “Vamos reagir”, augurou Gabrielli.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente

De Seabra/Chapada/Bahia – Quem assistiu as palestras de José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, em Seabra (Chapada Diamantina), no último dia 17, viu e ouviu a previsão de avanço das forças progressistas, em especial na América do Sul.

Para um público em torno de 300 pessoas, a maioria jovens, reunidas no auditório do campus XXIII da Uneb, ele sublinhou o tremendo desastre do governo de Mauricio Macri na Argentina, cuja agenda econômica foi semelhante à do governo Bolsonaro. Mais exatamente, à do ministro Paulo Guedes.

Gabrielli, que é professor titular de Economia (aposentado) da UFBA, falou da previsão – já bastante alardeada, depois das prévias eleitorais e repetidas pesquisas – de vitória contundente de Alberto Fernández/Cristina Kirchner. Vitória confirmada, no primeiro turno, no último domingo, dia 27.

Mas não só Argentina. Lembrou a possibilidade das forças de centro-esquerda ganharem também as eleições presidenciais da Bolívia (dia 20) e Uruguai (também dia 27).

De fato, Evo Morales foi reeleito para seu quarto mandato consecutivo. Não tão folgadamente como em 2006, 2009 e 2014, mas ganhou no primeiro turno (com mais de 10% de votos na frente do segundo colocado, conforme reza a Constituição do país).

No Uruguai, o campo progressista, aglutinado na Frente Ampla que está na presidência há 15 anos, também conseguiu o primeiro lugar. Mas terá que disputar um difícil segundo turno, onde as principais alas de direita (e extrema-direita) prometem marchar unidas.

Realçando o quadro, tivemos a vitória do levante popular no Equador (mencionada por Gabrielli na UNEB/Seabra), forçando o governo a revogar medidas de “ajuste” receitadas pelo FMI. E as grandes jornadas de protesto no Chile, que estouraram a partir do dia 18.
Bandeira do povo indígena mapuche como símbolo dos protestos chilenos: para o Brasil, são muito simbólicas tais manifestações, pois o receituário das medidas anti-povo que o ministro Paulo Guedes está adotando teve como laboratório o modelo econômico da ditadura de Pinochet (Foto: da Internet)
Levando em conta, portanto, que nos últimos cinco/seis anos as forças populares e democráticas da América Latina vinham amargando recuos expressivos – a “restauração conservadora”, como chamou o ex-presidente equatoriano Rafael Correa -, tais vitórias e manifestações significaram um alento: “saímos das cordas”, disseram alguns.

Aliás, Álvaro García Linera, “eterno” vice-presidente de Evo Morales (intelectual comprometido com o movimento popular, estudioso da realidade indígena), sempre minimizou a força dos reacionários latino-americanos. Dizia que a nova “onda” neoliberal não seria duradoura, não tinha fôlego.

Houve ainda mais uma eleição, também no último domingo (dia 27), em “nossa Pátria Grande” (sonho de Simón Bolívar, cognominado o Libertador, repetido à saciedade pelo ex-presidente venezuelano Hugo Chávez): foi na Colômbia (eleições chamadas regionais – governadores, prefeitos, vereadores...).

Esta não foi mencionada por nosso palestrante, mas se encaixa nas suas previsões de avanço dos partidos e movimentos sociais do espectro das esquerdas (ou, talvez melhor, da centro-esquerda).

Então: também na Colômbia, o principal enclave do império estadunidense na América Latina – país bastião da ultradireita, do paramilitarismo e do narcotráfico -, as forças progressistas avançaram. O maior perdedor da jornada eleitoral foi o ex-presidente Álvaro Uribe, o mais notório líder da extrema direita na região, a quem é ligado o atual presidente colombiano Ivan Duque.

O professor Gabrielli enfocava, em sua palestra na UNEB, a marca cruel da desigualdade durante a história do povo brasileiro: desde a abolição formal da escravidão negra, passando pelo desenvolvimento da indústria a partir da Revolução de 1930 e chegando aos nossos dias com a hegemonia do capitalismo financeiro. E, por consequência, o aumento cada vez maior da desigualdade.

Falava do começo da construção dum Estado mais inclusivo socialmente nos governos de Lula e Dilma, seguindo-se, a partir daí, o processo de destruição dos mecanismos estatais indutores dum desenvolvimento menos desigual, nos governos Temer e Bolsonaro.

E fez a previsão de avanço – plenamente confirmada - das forças progressistas, em especial na América Latina, ao ressaltar a capacidade de luta dos povos. “Vamos reagir”, augurou Gabrielli, com certa dose de otimismo (ou realismo?).

Digo eu: vamos ver quando e como chegam ao Brasil os ventos refrescantes que começam a soprar por nuestra América.

sábado, 26 de outubro de 2019

ARGENTINA: VENTOS DE MUDANÇAS SAUDÁVEIS PARA OS POVOS SOPRAM EM NUESTRA AMÉRICA


Cristina Kirchner e Alberto Fernández (Foto: da Internet)
Trechos pinçados deLa lucha electoral en la Argentina y el ciclo progresista en América Latina y el Caribe’ – Por Paula Klachko, do portal Nodal – Notícias da América Latina e Caribe, de 25/10/2019

Vientos de cambios oxigenantes para los pueblos asoman en Nuestra América

El próximo nuevo gobierno y el ciclo progresista en América Latina y el Caribe

Por todo eso, el próximo nuevo gobierno de Alberto Fernández y Cristina Fernández de Kirchner - impulsado por esta última -, sin duda va a oxigenar al ciclo progresista del siglo XXI en América Latina que se encontraba en reflujo o cierto estancamiento, pero que de ninguna manera estaba agotado (como algunas y algunos analistas se empeñaron en señalar).

Por el contrario, ahora de la mano del nuevo gobierno popular en México, de la resistencia de la Revolución Bolivariana en Venezuela, si es que vuelve a triunfar el progresismo en Uruguay y la Revolución Cultural y Democrática en el Estado Plurinacional de Bolivia y permanecen resistiendo y construyendo revolución en Cuba (como hace 60 años) y también Nicaragua, pues, entonces, hay muchas condiciones para re-impulsar el ciclo progresista y restablecer el camino de la unidad latinoamericana.

Para salir del neoliberalismo en Argentina: lucha de calles y lucha institucional, antes y después de las elecciones

A pesar del actual momento de debilidad en que nos encontramos como pueblo hambreado y desocupado, con miedo a perder el trabajo - que es la mayor de las extorsiones del sistema -, las luchas de calle en Argentina no han cesado.

Han estado siempre presentes a lo largo de estos 4 años de neoliberalismo con el FMI a la cabeza. Pueden estar más visibles en determinados momentos, pero no han cesado ni un solo día de estar diferentes fracciones sociales en la calle.

Las y los maestros, trabajadores estatales, mujeres, trabajadores de la economía popular o desocupados y desocupadas, los sindicatos, federaciones y centrales sindicales mas importantes, entre otros. Se han desarrollado 5 huelgas generales con masivas movilizaciones en su mayoría, como también numerosas huelgas regionales o por rama.

El argentino es un pueblo con una sólida tradición de lucha en las calles y esto afortunadamente es parte de un patrimonio que ni las oligarquías con sus terrorismos de estados pudieron extirpar del todo sin que nuevos retoños asomaran venciendo todo tipo de mecanismos de disciplinamiento.

La perspectiva de lucha contra el neoliberalismo es posible en nuestra Argentina de la mano de la permanencia de los gobiernos populares en varios países de nuestra América y el retorno de las fuerzas populares - la mayoría desalojadas de los gobiernos por golpes de estado - a otros tantos, para poder librar la guerra superestructural contrahegemónica desde la imprescindible complementariedad que nos dará retomar la senda de la unidad latinoamericana y caribeña.

Sin duda las elecciones en Argentina traerán buenas noticias para nuestros pueblos y darán impulso a un nuevo momento de ascenso del ciclo progresista en Nuestra América.

Link para ler todo o artigo:

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

O ESTUPRO LEGAL NO PAÍS DO CARNAVAL


Carlos Nascimento (Foto: do site Blitz Conquista)
 “Não é direito de homem algum infringir “misérias” à mulher ou a quem quer que seja. O corpo feminino não está disposto à violação inconsentida, assim como o povo deste país não deve estar exposto às estocadas a ele deferidas sob o pretexto de um bem maior”.

Por Carlos Nascimento - bacharel em Administração e mestre em Ciências da Comunicação – artigo de 12/09/2019 (destaque acima e disposição dos parágrafos são da edição deste blog)

Quando aguardava pelo nascimento de minha primeira filha, um amigo, pai de uma recém-nascida, perguntou: “E aí? É homem ou mulher?”. Respondi que seria uma menina e, de imediato, recebi um tapa nas costas acompanhado de uma profecia em tom jocoso: “Pois é. Vamos pagar por todas as misérias que fizemos com as filhas desses sujeitos por aí!”. Um pouco assustado com a sentença, retruquei dizendo que não me recordava de já ter violentado alguém e que, o pouco que havia “aprontado” na vida, o fizera de comum acordo com as “aprontandas”. Logo, quando chegasse a vez de minha filha namorar, que o fizesse em paz e com a alma leve. Afinal, sexo é bom, e assim deve ser para todos.

Sempre que faço esta reflexão, penso na aceitação do papel do macho como violador. É ele, varão, o responsável pelo deflorar da mulher, importando pouco o desejo e o prazer da fêmea vitimada. Este mesmo homem, que entende poder transgredir a idealizada inocência feminina, tem também a obrigação de proteger e castrar a sexualidade de suas herdeiras. Causa e efeito do medo que forja o imaginário masculino. Quando tratamos de estupro, vale pensar nesta expressão como algo que transcende o ato físico.

É bom lembrar que, invasões ao direito e à privacidade das mulheres estão presentes em atitudes diversas, e permanecem a se alojar nos mais corriqueiros costumes, absorvidos e repassados também por estas, uma vez que educadas a partir de conceitos machistas, entendidos e aceitos como normatizadores sociais. (In)consciência coletiva que se projeta em irrupções que vão para além das relações genitais, pois, o ato e o discurso estuprador legitimam a imagem do homem frente a uma sociedade patriarcal e reacionária.

Visível consequência disto aparece no questionamento normalmente feito pela sociedade quanto à inocência da mulher vítima de violência sexual. A atitude sensual, a forma de vestir, a exposição a lugares impróprios ou o “pecado” de gostar de sexo são usualmente colocados como atributos culposos a esta. Forma disfarçada, mas consciente, de manutenção do discurso estuprador.

A feminista negra (e negra) Djamila Ribeiro descreve com propriedade como o domínio do Estado (machista) sobre o corpo da mulher é determinante para esta cultura. Em ‘Quem tem medo do feminismo negro?’ (Companhia das Letras, 2018), relata, através da crítica a fatos cotidianos, como a manutenção destes (pré)conceitos permanece viva e impregnada no dia-a-dia das pessoas. Em particular, discorre sobre a posição da mulher negra, tratada como subumana, disposta à sociedade e ao mercado de trabalho como serviçal doméstica e sexual. Pior dos reflexos do escravagismo que ainda não se desprendeu de nossa formação. Tudo isso é violência, é invasão, é estupro.

Em tempos recentes, um deputado federal declarou em público a quem preferia (ou não) estuprar. Escolha honrosamente negada à colega de plenário a quem entendia estar ofendendo. Além de imperdoável, sua afirmação reflete (e incentiva) a ideia de que o estupro é um direito legítimo do homem. Pensamento não diferente do explicitado na postura do ministro da Economia que, ao defender a retomada da CPMF, afirmou que: se esta for “pequenininha, não machuca”. Seu “humor” exemplifica o como estas expressões machistas estão encrustadas em nossa cultura, sendo corriqueiramente usadas sem qualquer preocupação semântica. Talvez importe lembrar ao ministro que, em uma relação entre iguais (democrática), o penetrar, seja do tributo grande ou do pênis pequeno, deve ser negociado, não imposto.

Na contramão destes discursos, a paulista Ana Cañas canta seu sexo explícito de forma violenta. Uma poesia carnal, agressiva e necessária. Que ofende homens e assusta mulheres, justamente por fazer o caminho inverso, violentando o universo machista que não aceita este direito quando posto à voz feminina. Sabe-se que, muitas das músicas que fazem sucesso nas rádios e na internet, descrevem mulheres sexualizadas e submissas, convocadas a “sentar”, “chupar”, “ajoelhar”, “rebolar”, mas nunca a gozar. O ato estuprador não é entendido como parte da natureza feminina e, por isso mesmo, a arte de Cañas é fundamental ao Brasil de hoje.

Em campo distinto, mas em reflexão análoga, o escritor e psicanalista Contardo Calligaris descreve o Brasil como um lugar eternamente disposto ao estupro. Em seu livro ‘Hello Brasil’ (Editora Escuta, 1991), analisa a relação dos colonizadores portugueses com esta terra prometida e disposta à exploração eterna. Calada, pronta ao deleite de seu conquistador, ela não tem o direito de reação e é desprezada como uma prostituta, sob os bravios de “este país não presta”. Trazer as percepções de Calligaris a este escrito se faz importante, pois demonstra o quanto o patriarcado, o falo que fala, naturaliza a violação da terra e da sociedade. Por isso mesmo, sua comparação com a violação da mulher reforça a indissociabilidade entre o feminismo e a política.

Reivindicar o direito ao sexo e ao corpo (ridículo ainda se falar nisso em pleno século XXI), se estende para além de questões de gênero. A inviolabilidade do corpo feminino é um marco fundamental para o entendimento de que o Estado (não macho) deve o mesmo respeito a todos, e que a construção de uma sociedade democrática passa pela percepção da igualdade nas diferenças.

Retomando o diálogo motivador deste texto, não é direito de homem algum infringir “misérias” à mulher ou a quem quer que seja. O corpo feminino não está disposto à violação inconsentida, assim como o povo deste país não deve estar exposto às estocadas a ele deferidas sob o pretexto de um bem maior. Em ambos os casos, corpos e vidas são invadidos, e os resultados desta “relação” apontam sempre para um gozo unilateral e explícito, mas muitas vezes distante da percepção geral de suas vítimas.

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sábado, 19 de outubro de 2019

SEABRA VIVEU UM DIA COM O PROFESSOR GABRIELLI


José Sérgio Gabrielli (Fotos: Smitson Oliveira)
Uma “aula” e debates sobre a conjuntura marcada pelo governo antipopular e antinacional de Bolsonaro, pela redução dos investimentos produtivos e aumento do desemprego e da desigualdade.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente

De Seabra/Chapada/Bahia – Foram duas palestras em que estudantes, professores, trabalhadores rurais – e seabrenses em geral – tiveram a oportunidade de refletir sobre a dramática conjuntura enfrentada hoje pelos brasileiros.

Conjuntura que o palestrante – José Sérgio Gabrielli, professor de Economia e ex-presidente da Petrobras – apresentou como marcada pela vigência dum governo antipopular e antinacional, pela redução dos investimentos produtivos e aumento cada vez maior do desemprego e da desigualdade social.

Em torno desses temas e correlatos, incluindo, claro, os desmandos do governo Bolsonaro, giraram ricos debates políticos e econômicos que se seguiram às exposições. E entre as duas palestras – uma pela manhã e outra à noite -, ele deu entrevistas às emissoras de rádio da cidade.

A “maratona” do professor Gabrielli em Seabra (chamada a capital da Chapada) foi na última quinta-feira, dia 17, começando logo cedo – a partir das 9 horas - com palestra/debate na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Participaram cerca de 160 agricultores (e agricultoras) familiares e também estudantes.
Leonardo Teixeira, da UNEB, conduziu os trabalhos com a ajuda de Antônia Araújo, da APLB-Sindiato
Goiano (José Donizette) foi o idealizador do evento
O auditório da UNEB superlotado
Muitos jovens na plateia
Uma foto posada com a mística da luta por Lula Livre
Hugo Luna e Djalma Novais (Piau), a prata de casa na música popular, fizeram breve show na abertura 
Na mesa do encontro no Sindicato dos Trabalhadores Rurais: Osvaldo Ferreira (presidente do Conselho Municipal de Desenvolvimento Sustentável - CMDS), Valter Ângelo (Tim), presidente do sindicato, Gabrielli e Goiano (estas duas últimas fotos foram reproduzidas da página do Facebook do sindicato)
O salão do sindicato ficou completamente lotado (de pé, camisa verde, o secretário de Finanças da entidade, João Batista)
Nas rádios Seabra FM 104.9 e Nova WEB Rádio – programas ‘Show da manhã’, apresentado por Marlon Mariano, e ‘Resumo da manhã’, de Nerisvaldo Sobrinho -, ele respondeu sobre os mais diversos assuntos da atualidade:

Como a poluição de petróleo nos mares do Nordeste (e da Bahia), as queimadas da Amazônia, a corrupção, avaliação dos supostos erros do PT, cortes de recursos e investimentos públicos do governo Bolsonaro e etc.

À noite foi a vez do evento central de Gabrielli com os seabrenses. O auditório da UNEB (campus XXIII, no Alto da Boa Vista) ficou superlotado, juntando uma plateia em torno de 300 pessoas e coroando o sucesso da programação.

Além de falar dos temas mencionados acima, o palestrante, no final da sua exposição, frisou que “vamos reagir”. Ressaltou que começam a assomar perspectivas de “tomada de consciência” da maioria do povo brasileiro, não do ponto de vista individual, mas sim coletivo, em busca dum novo modelo de desenvolvimento mais solidário e inclusivo.

A vinda de Gabrielli a Seabra foi uma iniciativa de Goiano (José Donizette), militante político conhecido na região também por sua atuação no campo cultural, através do Projeto Velame Vivo (PVV).



Tal iniciativa contou com o apoio e participação da UNEB, IFBA, CES, Projeto Universidade para Todos, Colegiado do Território da Chapada Diamantina, APLB-Sindicato, Levante Popular da Juventude, Sindicato dos Trabalhadores Rurais e dos dirigentes municipais dos partidos PT, PCdoB e PSOL.



PS: Este blog postará outras matérias tentando transmitir o rico conteúdo das palestras e debates, bem como mais fotos dos eventos.



Deixo aqui dois links:



Da página do Facebook de Smitson Oliveira, com dezenas de fotos e vídeos:




E de artigo falando do aumento da desigualdade nos últimos cinco anos, tema sublinhado por Gabrielli na sua análise:

terça-feira, 15 de outubro de 2019

A EDUCAÇÃO COMO FATOR DE OPRESSÃO (E DE LIBERTAÇÃO)


A elite dominante trabalha, conscientemente, para formar (e deformar) a mente das pessoas, através da manipulação da mídia hegemônica, do sistema educacional, da publicidade e das religiões.



Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente



De Seabra-Chapada-Bahia – Estou em Seabra ajudando a divulgar e para fazer a cobertura jornalística da palestra/debate (depois de amanhã, quinta, dia 17) com o professor de Economia Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras. Veja a foto/ilustração acima.



Ontem, segunda-feira (dia 14), tive a satisfação de ver e ouvir jovens (a maioria garotas) falando na Conferência Municipal de Educação, no auditório da UNEB, repleto de professoras/professores e estudantes.



Exalavam esperança e rebeldia, como é apropriado à juventude. Vocês não imaginam como isso é reconfortante para o coração e mente dum velho militante político!



O fator de “libertação” do título acima fica por conta das (e dos) jovens que falaram lá. Ludmila, do Levante Popular da Juventude, por exemplo, dissertou muito sobre os ensinamentos do nosso Paulo Freire.



Eu vou falar um pouquinho do fator de “opressão”. Mais exatamente, quero sugerir a leitura dum livro: ‘A formação da mentalidade submissa’.



Conheci este livro em Caracas em 2008: o então presidente Hugo Chávez mandou distribuí-lo, gratuitamente, à população. Pelo que sei, não há edição brasileira. Descobri depois, pela Internet, uma edição de Portugal.



O autor, professor espanhol Vicente Romano (já falecido), mostra, didaticamente, como as classes dominantes - os donos do mundo e da “verdade” - trabalham, conscientemente, para formar (e deformar) a cabeça das pessoas, através da manipulação da mídia hegemônica (no Brasil, a Globo e etc), do sistema educacional, da publicidade e das religiões.



No caso da educação, ele destaca em especial as distorções no ensino da Economia. Daí a conexão que fiz com o evento de depois de amanhã, quinta: nosso palestrante é professor titular (aposentado) da Faculdade de Ciências Econômicas da UFBA.



Vicente Romano diz que a história demonstra que a elite dominante – hoje capitaneada pelo capital financeiro - nunca se apresenta de cara descoberta. Cobre-se com o manto das religiões, do patriotismo e do bem comum. A burguesia proclama como coisa boa para todos o que é bom apenas para ela.



Aproveito para sugerir também a leitura das obras do sociólogo brasileiro Jessé Souza, que ultimamente vêm fazendo muito sucesso no Brasil. Já li duas delas: ‘A elite do atraso’ e ‘A classe média no espelho’.



Neste meu blog – que pode ser acessado, por exemplo, pelo Google (Blog Evidentemente Jadson Oliveira) – há postagens com trechos dos dois livros de Jessé citados.
Sociólogo Jessé Souza
   

domingo, 13 de outubro de 2019

MECANISMO REAL DA CORRUPÇÃO NO BRASIL: “O SISTEMA FINANCEIRO ROUBA E A IMPRENSA MENTE”


A pedida é ler o livro e estudar o resultado das investigações coordenadas pela auditora fiscal Maria Lúcia Fattorelli. Acesse o site da Auditoria Cidadã da Dívida: https://auditoriacidada.org.br/

Por Jessé Souza – sociólogo – do livro ‘A classe média no espelho – Sua história, seus sonhos e ilusões, sua realidade’ – da editora Estação Brasil – páginas 269/270 (o título e destaque acima são da edição deste blog).

(...)

“Além dos multimilionários que ficam com a parte do leão, existe uma camada superior de rentistas também na alta classe média. Alguns poucos milhões de indivíduos entre nós participam dos mecanismos legais e ilegais de se apropriar da riqueza coletiva e do orçamento público.

Para esse segmento social, funciona com perfeição a “boca de fumo” da verdadeira corrupção brasileira, institucionalizada no Banco Central – cujo presidente é indicado pelos bancos – e efetiva materialização do poder do capitalismo financeiro. A corrupção dos soldados do tráfico, ou seja, a dos políticos, por mais execrável que seja, é apenas um apêndice menor da intermediação dos negócios dos donos do mercado na esfera estatal.

Os políticos não passam de lacaios nesse esquema. O episódio das malas supostamente dirigidas a Aécio e Temer, mostradas na TV, comprova isso. Eram pagamento de serviços prestados aos patrões dos políticos: as corporações e o sistema financeiro.

Tal como no combate ao tráfico de drogas, a polícia prende apenas os soldados do tráfico, enquanto os poderosos donos da boca de fumo continuam em liberdade. Foi exatamente o que fez a Lava Jato. A operação não se interessou pelas denúncias que Palocci queria fazer do sistema financeiro. Afinal, não vinham ao caso, que era só prender Lula.

Precisa desenhar mais ainda, caro leitor e cara leitora? Palocci queria mostrar as irregularidades de um esquema para drenar a riqueza da sociedade  em benefício da elite e da alta classe média rentista. Não mais do que 2% da população brasileira. Nunca vamos saber dos detalhes, porque os paladinos da justiça seletiva só queriam ouvir as denúncias que lhe eram convenientes. E, na outra ponta do esquema, está a imprensa.

Este é o mecanismo real da corrupção entre nós: o sistema financeiro rouba e a imprensa mente, invertendo causa e efeito, tornando invisível o assalto real e distorcendo sistematicamente a realidade. A justiça seletiva apenas confere o selo da autoridade estatal a esse acordo.

Como o mito vira-lata é talhado de propósito, conforme os interesses dessa elite do mercado, basta apontar o dedo para os soldados da corrupção política e lançar uma cortina de fumaça sobre o assalto real dos bancos em benefício próprio e dos rentistas daqui e de fora. Esse é o trabalho da grande imprensa amiga e devidamente comprada”.

(...)

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

ESTUDAR, CONHECER E LUTAR POR UMA SOCIEDADE MENOS DESIGUAL

Vivemos no meio do tiroteio de informação e desinformação, intensificado pelas fake news: vamos tentar entender a realidade brasileira.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente

Seabra/Chapada/Bahia - Estudantes e professores – e também demais cidadãos e cidadãs – terão a bela oportunidade de ouvir e debater sobre os desafios da nossa difícil conjuntura econômica, política e social.

E com alguém preparado para tanto: o professor de Economia José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, que vem a Seabra especialmente – e gratuitamente – com esta finalidade (veja detalhes do evento na foto – card – acima).

Em recente palestra/debate em Salvador (mês de julho), Gabrielli discorreu largamente sobre o declínio do setor industrial no Brasil nos últimos anos e o papel hegemônico assumido pelo capitalismo financeiro, também chamado capitalismo improdutivo – não produz, não cria empregos e não tem compromisso nacional.

Falou da financeirização da economia, com as consequentes mudanças estruturais no mundo empresarial e no mundo do trabalho. Trata-se duma nova fase histórica, uma nova etapa do capitalismo brasileiro, alertou.

Questionou sobre a influência dessa nova situação quanto à mobilização e organização do movimento democrático e popular. Como ficam os partidos e sindicatos, por exemplo? E o movimento estudantil? E a disputa política e ideológica na sociedade e no Parlamento?

Discorreu ainda sobre o processo atual de destruição das políticas inclusivas que começaram a ser construídas nos governos de Lula e Dilma.

E defendeu a busca dum novo modelo de desenvolvimento, capaz de enfrentar a tragédia do desemprego e centrado na luta contra a desigualdade.

Gabrielli foi professor titular (hoje está aposentado) da Faculdade de Ciências Econômicas da UFBA. Quando jovem, militou no movimento estudantil. Participou da fundação do PT e da CUT.

Recentemente foi secretário do Planejamento do governo baiano. Tornou-se conhecido nacionalmente nos seis anos em que presidiu a Petrobras, durante parte dos governos de Lula e Dilma.

Nosso palestrante tem participado do debate nacional, dentro do PT e no âmbito das forças progressistas, no decorrer deste semestre, em busca de definições políticas da oposição ao governo Bolsonaro.

A sua vinda a Seabra é uma iniciativa de Goiano (José Donizette), militante político conhecido na região também pela ação cultural do Projeto Velame Vivo (PVV).

Tal iniciativa conta com o apoio da UNEB, IFBA, CES, APLB-Sindicato, Levante Popular da Juventude, Sindicato dos Trabalhadores Rurais e dos partidos PT, PCdoB e PSOL.

(Na mesma quinta-feira próxima, dia 17, pela manhã, Gabrielli fará outra palestra, desta vez na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais).

PS: Com base na referida palestra de Gabrielli, em julho/2019, este meu blog postou quatro matérias. Quem quiser conhecê-las é só acessar pelo Google: Blog Evidentemente – Jadson Oliveira. Deixo aqui o link para a primeira delas:
http://blogdejadson.blogspot.com/2019/08/nova-etapa-do-capitalismo-deixa.html


quinta-feira, 10 de outubro de 2019

SEABRA/CHAPADA: GABRIELLI FARÁ PALESTRA PARA TRABALHADORES RURAIS

Professor de Economia José Sérgio Gabrielli (Foto: Smitson Oliveira)

Os agricultores familiares constituem hoje a maior categoria de trabalhadores na Bahia, com 600 mil famílias, conforme revelou Gabrielli em recente debate em Salvador.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente

Agricultores e agricultoras familiares de Seabra, na Chapada Diamantina (interior da Bahia), terão a oportunidade de debater a conjuntura econômica e política na próxima quinta-feira, dia 17, com o professor José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobrás.

Será pela manhã, a partir das 9 horas, na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Seabra, onde estarão reunidos dirigentes sindicais e representantes das 70 associações de comunidades rurais do município, que compõem o CMDS (Conselho Municipal de Desenvolvimento Sustentável).

(No mesmo dia 17, à noite, a partir das 19 horas, Gabrielli participará de outra palestra/debate no auditório do campus da UNEB).

Em recente palestra em Salvador (mês de julho), Gabrielli discorreu sobre o declínio do setor industrial no Brasil nos últimos anos e o papel dominante assumido pelo capitalismo financeiro, também chamado capitalismo improdutivo – não produz, não cria empregos e não tem compromisso nacional.

É a financeirização da economia, com as consequentes mudanças na estrutura do mundo empresarial e também nas relações trabalhistas. Na ocasião, defendeu a busca dum novo modelo de desenvolvimento, capaz de enfrentar a tragédia do desemprego e centrado na luta contra a desigualdade.

Um dado significativo citado por ele em Salvador é que os agricultores familiares constituem hoje a mais numerosa categoria de trabalhadores na Bahia, com 600 mil famílias.

Além de professor titular aposentado da Faculdade de Ciências Econômicas da UFBA, Gabrielli foi desde jovem militante do movimento estudantil na Bahia. Participou da fundação do PT e da CUT. Recentemente foi secretário do Planejamento do estado. Tornou-se conhecido nacionalmente nos seis anos em que presidiu a Petrobras, durante os governos Lula e Dilma.

Numa das mais recentes entrevistas de Lula, na prisão em Curitiba, o ex-presidente confirmou que seu candidato preferencial ao governo da Bahia, quando da sucessão de Jaques Wagner, era Gabrielli (acabou sendo escolhido o atual governador Rui Costa).

O nosso palestrante tem participado do debate nacional, dentro do PT e no âmbito das forças progressistas, no decorrer deste semestre, em busca de definições políticas da oposição ao governo Bolsonaro.

A sua vinda a Seabra é uma iniciativa de Goiano (José Donizette – militante político conhecido pela ação cultural do Projeto Velame Vivo), contando com o apoio da UNEB, IFBA, CES, APLB-Sindicato, Levante Popular da Juventude, Sindicato dos Trabalhadores Rurais e dos partidos PT, PCdoB e PSOL. 

terça-feira, 8 de outubro de 2019

COMISSÃO VAI COORDENAR MOBILIZAÇÃO PARA PALESTRA DE GABRIELLI


Seabra/Chapada/Bahia - Reunião realizada ontem (segunda-feira), na UNEB (campus de Seabra), entre representantes das entidades que organizam a palestra/debate com o professor José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobrás, avançou nos preparativos do evento e definiu uma comissão que vai coordenar a mobilização e divulgação.

Ela é composta por Leonardo Teixeira, da UNEB, Smitson Oliveira, da direção do PT, professora Fátima Pina, Êmille Souza, do Levante Popular da Juventude, e Antônia Araújo, da APLB-Sindicato.

Participaram da reunião, dentre cerca de 20 pessoas, Renata Nascimento, diretora da UNEB, Celsino Teixeira, vice-diretor do CES (Colégio Estadual de Seabra) e vice-presidente do PT, Maristônia Oliveira (Tânia), dirigente da APLB e militante do PC do B, e Goiano (José Donizette), do Projeto Velame Vivo, que é o idealizador do encontro.

Além das entidades citadas acima, participam ainda da organização o IFBA e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Seabra, em cuja sede Gabrielli fará também uma palestra pela manhã, no mesmo dia 17.

Além de professor titular aposentado da Faculdade de Ciências Econômicas da UFBA, Gabrielli é antigo militante do movimento estudantil, foi fundador do PT e da CUT. Recentemente foi secretário do Planejamento do estado. Tornou-se conhecido nacionalmente nos seis anos em que presidiu a Petrobras, durante os governos Lula e Dilma.

Com essas palestras de Gabrielli, Goiano planeja incentivar um ciclo de debates em Seabra, pretendendo se estender pelas áreas de cultura e educação.
Renata Nascimento (blusa verde, gesticulando), diretora da UNEB, destacou na abertura da reunião a importância da universidade participar do debate político, econômico e social com a sociedade (Fotos: Smitson Oliveira)
Goiano (cabelo branco, gesticulando), como velho militante, falou de seu entusiasmo ao ver a juventude engajada na resistência democrática e popular 
Maristônia Oliveira (Tânia, de pé, vestido azul) declarou que a APLB-Sindicato (dos professores) se empenhará para o êxito do evento
Participantes do encontro posam com a mística da bandeira Lula Livre


terça-feira, 1 de outubro de 2019

GABRIELLI FARÁ PALESTRAS EM SEABRA NO DIA 17

Sérgio Gabrielli (Foto: Smitson Oliveira)

Serão dois encontros: pela manhã, no Sindicato dos Trabalhadores Rurais, e no final da tarde, no auditório da UNEB. Em pauta, a Conjuntura Econômica e Política.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente

O meio educacional, sindical e político vai estar movimentado, no próximo dia 17, em Seabra, na Chapada Diamantina (interior da Bahia): o professor de Economia José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, estará fazendo palestras na cidade sobre a Conjuntura Econômica e Política do país.

Uma ampla comissão local – com representantes da UNEB, IFBA, CES (Colégio Estadual de Seabra – nível secundário), APLB-Sindicato, Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Diretório Municipal do PT, além de outras entidades que poderão se integrar – está encarregada de organizar os eventos, conforme informações de Goiano (José Donizette), conhecido ativista político e cultural da região.

Segundo Goiano, constam da programação duas palestras de Gabrielli, ambas no dia 17, uma quinta-feira: pela manhã, no Sindicato dos Trabalhadores Rurais; e à tarde/noite, a partir das 17:30 horas, no auditório da UNEB. Estão programadas ainda entrevistas a rádios locais.

Além de professor titular (hoje aposentado) da Faculdade de Ciências Econômicas da UFBA, Gabrielli é antigo militante do movimento estudantil, foi fundador do PT e da CUT. Recentemente foi secretário do Planejamento do estado. Tornou-se conhecido nacionalmente nos seis anos em que presidiu a Petrobras, durante os governos Lula e Dilma.

Numa das mais recentes entrevistas de Lula, na prisão em Curitiba, o ex-presidente confirmou que seu candidato preferencial ao governo da Bahia, quando da sucessão de Jaques Wagner, era Gabrielli (acabou sendo escolhido o atual governador Rui Costa).

Gabrielli tem participado do debate nacional, dentro do PT e no âmbito das forças progressistas, em busca de definições políticas da oposição. Em recente palestra em Salvador, ele discorreu largamente sobre o declínio das atividades industriais e o atual domínio hegemônico do capitalismo financeiro, com as consequentes mudanças no mundo empresarial e no mundo do trabalho. Defende a busca dum novo modelo de desenvolvimento centrado na luta contra a desigualdade.

Com essas palestras (e debates) de Gabrielli, Goiano idealiza incentivar o início dum ciclo de debates em Seabra, pretendendo se estender pelas áreas de cultura e educação. Além da militância política, ele marcou sua presença na região através do Projeto Velame Vivo, movimento social de cunho cultural.