sexta-feira, 28 de junho de 2019

OS “TONTOS” DO MBL AINDA ACREDITAM NO MORO?

(Foto: reproduzida de Ananindeuadebates)

Será esclarecedor o teste deste domingo. Poderemos mensurar qual o peso social e político dos brasileiros que se dispõem – ainda – a defender o ex-juiz. Que acreditam – ainda - que lhe caiba o troféu de campeão da luta contra a corrupção.

Transcrito do site Ananindeuadebates, de Ananindeua (cidade da Região Metropolitana de Belém/Pará), de 28/06/2019

Os movimentos de direita MBL (Movimento Brasil Livre) e Vem pra Rua, bem como defensores de intervenção militar, estão convocando para depois de amanhã, domingo (dia 30), atos em todo o país para defender o ex-juiz Sérgio Moro, hoje ministro da Justiça do governo de extrema direita de Jair Bolsonaro.

Moro e os procuradores da Lava Jato são suspeitos de manipularem o processo jurídico que levou o ex-presidente Lula à prisão, de acordo com o vazamento de mensagens que vêm sendo publicadas através do site The Intercept Brasil, numa ação conhecida como #Vazajato. O ex-juiz aparece como uma espécie de chefe dos procuradores e, portanto, da acusação, quando legalmente teria que se comportar com imparcialidade. O julgamento da suspeição de Moro no STF (Supremo Tribunal Federal) começou no último dia 25 e será retomado no início do segundo semestre. Sua condenação, se ocorrer, acarretaria em consequência a anulação da condenação de Lula.

A posição do ex-juiz é cada vez mais difícil, mas os jovens extremistas de direita, agrupados sobretudo no MBL – chamados de “tontos” por Moro nos diálogos divulgados -, não parecem se importar. Eles parecem seguir a mesma cartilha do seu guru e procuradores de Curitiba, orientados pelo viés político-partidário: "aos amigos tudo, aos inimigos nada".

Jovens do MBL e outros grupos entraram na política com o discurso da anti-política e anti-partidos. Hoje suas principais lideranças são parlamentares de velhos  partidos conservadores, como DEM, PTB e PR. Jovens supostamente liberais de 2013, imbuídos dum anti-petismo desvairado, que levantaram bandeiras contra a chamada “velha política”, se transformaram em parlamentares, envelheceram rápido na política.

São esses os “tontos" – para enfatizar o epíteto utilizado pelo próprio guru – que estão convocando seus partidários às ruas em defesa do atual ministro da Justiça, o qual, não custa lembrar, está sentado no banco dos réus do Supremo, envolvido num caso que pode ser considerado um dos maiores escândalos de corrupção do Judiciário brasileiro. 

As lideranças do MBL e Vem pra Rua acreditam que os fins justificam os meios? As normas elementares da Justiça num Estado Democrático de Direito podem ser desrespeitadas impunemente?

De qualquer forma, será esclarecedor o teste deste domingo. Poderemos mensurar, em números e representatividade, qual o peso social e político dos brasileiros que se dispõem – ainda – a defender o ex-juiz Sérgio Moro. Que acreditam – ainda - que lhe caiba a toga de paladino da Justiça, de campeão da luta contra a corrupção.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

RONDA MARIA DA PENHA: O DURO COMBATE A UMA DOENÇA CHAMADA MACHISMO

Major Denice, da PM baiana, comandante da Ronda Maria da Penha (Fotos: Smitson Oliveira)

A major Denice Santiago foi a Seabra/Chapada, a convite do PT local, falar sobre violência doméstica: a missão é coibir não só a agressão física, mas também a moral, o estupro conjugal e a violência patrimonial, sexual e psicológica. Mais de 5 mil mulheres já foram atendidas.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente

Falar da Ronda Maria da Penha – programa do governo do estado e da Polícia Militar reconhecido nacionalmente – é falar do combate ao machismo, esta terrível doença social que mancha indelevelmente nossa cultura e é transmitida secularmente por gerações e gerações.

Ditos populares como “briga de marido e mulher ninguém mete a colher” estão aí no nosso dia-a-dia para naturalizar a violência contra as mulheres. Briga? A mulher apanha e os vizinhos apontam “uma simples briga!”

Mas “mulher gosta mesmo é de apanhar”, alardeia outra joia duma suposta sabedoria popular.

Foi sobre isso - o combate à violência doméstica e familiar contra a mulher - que a major PM Denice Santiago Santos do Rosário, comandante da Ronda, discorreu para uma plateia de mulheres e homens de Seabra, na Chapada Diamantina, interior da Bahia. (Foi no último dia 15, no auditório da Câmara Municipal).
Pedro Lima, presidente do PT, dando as boas vindas à palestrante
Major Normando, comandante da 29a. CIPM
Pedro Lima, Fátima Pina (atuou na condução dos trabalhos), Denice Santiago, Smitson Oliveira e Celcino Teixeira, ambos da Executiva do PT, e Alice Cerqueira, organizadora do evento

Ela atendeu ao convite da ala feminina (e feminista) do PT de Seabra, representada pela professora Alice Cerqueira, cuja iniciativa foi muito elogiada no debate que se seguiu à palestra. Várias participantes queriam saber como e quando poderiam ouvir novamente a major Denice, lamentando a tão pequena assistência.
Apesar disso - apenas cerca de 30 pessoas estiveram presentes -, ela se disse à disposição para novas oportunidades e lembrou ter sido a primeira vez que foi convidada a palestrar por um partido político.
Avanços da Lei Maria da Penha
Com linguagem simples e descontraída, a major Denice apresentou, passo a passo, os avanços na luta contra a violência doméstica a partir da Lei Maria da Penha, criada em 2005, durante o governo do ex-presidente Lula. De coisas aparentemente sem importância como o fato das mulheres agredidas (antes da lei) serem forçadas a entregar a intimação aos maridos, como a retirada da queixa passar a ser feita somente diante do juiz e a adoção de medidas protetivas.
Até a tipificação dos diversos crimes e não apenas o de agressão física, como antes: passou a existir a agressão moral, a violência patrimonial, o estupro conjugal, a violência sexual e a violência psicológica.
Participantes em companhia da vereadora Jeannethe Brandão (última à direita)

- Em cada sete minutos uma mulher sofre violência doméstica, é uma doença que infesta toda a sociedade, pobres e ricos, o machismo é como um vírus - denuncia a comandante do programa, que já foi alvo de várias homenagens, a exemplo da Comenda 2 de Julho. Acrescentou que “nossa sociedade cria crianças para usar a violência doméstica”. Segundo dados estatísticos, quando a mulher chega a denunciar, ela já é vítima, em média, da sétima agressão.
A Ronda, criada em 2015, surgiu em conexão com os movimentos de mulheres, conforme frisa a oficial da PM. Atua diretamente em Salvador e Região Metropolitana, tendo ainda unidades em outras cidades, e já atendeu mais de 5 mil mulheres. Comentam que no subúrbio ferroviário da capital, onde está sua sede e onde os índices de agressão são altos, quando aparece uma de suas viaturas, com layout e logotipo característicos, os machões tremem.
Uma questão surgida no debate em Seabra foi quanto ao suposto aumento dos índices de agressão. A major Denice foi diplomática, não quis contestar dados frontalmente, mas deixou claro que o que ocorre, na verdade, é o aumento da visibilidade da violência depois da legislação pertinente, bem como da atuação de órgãos como as delegacias especializadas e, também, a própria Ronda da PM. É claro que agora há mais denúncias, enfatizou.
A palestrante estava acompanhada do seu colega, major PM Normando Júnior, que é comandante da 29ª. CIPM (Companhia Independente da PM), sediada em Seabra. Presentes também a vereadora Jeannethe Brandão, do PSB, vice-presidente da Câmara Municipal, e o pintor Pedro Lima, presidente do Diretório Municipal do PT.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

SEABRA/CHAPADA NOS PROTESTOS DA GREVE GERAL

(Todas as fotos: Smitson Oliveira/Seabra/Chapada)

Nos cartazes, faixas, cantos e discursos, a defesa da Previdência pública e a indignação contra o desmonte da educação e a farsa da Lava Jato.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente

A cidade de Seabra, chamada de “a capital da Chapada”, no coração da Bahia, também participou da mobilização nacional convocada pelas centrais sindicais, sob a bandeira da greve geral. Estudantes, professores, trabalhadores rurais e lideranças políticas e sociais foram às ruas na manhã de hoje (sexta, dia 14) e se alinharam ao protesto contra a Reforma da Previdência e o desmonte da educação.

Nos cartazes, faixas, cantos e discursos não faltaram também referências indignadas ao conluio ilegal do então juiz Sérgio Moro com os procuradores da Lava Jato, tornado um escândalo de enormes proporções políticas depois das gravações que começaram a ser divulgadas pelo site The Intercept Brasil, onde se destaca em especial a perseguição ao ex-presidente Lula.

Foi uma manifestação bastante expressiva pela alegria e entusiasmo da juventude, bem como pelo conteúdo dos pronunciamentos, mesmo contabilizando um número pequeno de participantes – em torno de 300 pessoas numa cidade cuja população deve estar na casa de 25 mil (uma chuva fina caiu toda a manhã, certamente atrapalhando um maior comparecimento).

Participaram dirigentes e filiados da APLB (sindicato dos professores), do Levante Popular da Juventude (LPJ) e do sindicalismo rural (sindicatos, Fetag e Polo Sindical da Chapada). Presentes também professores e alunos do IFBA (Instituto Federal da Bahia, que substituiu as escolas técnicas).

Houve ainda a participação de representantes de movimentos de municípios vizinhos, como Palmeiras e Souto Soares, incluindo uma delegação da comunidade do Capão, povoado de Palmeiras conhecido por seus dotes turísticos. Dentre os partidos políticos, havia dirigentes e integrantes do PT, PCdoB e PSOL.

Ocupar as ruas contra os desmandos

A concentração principal se deu no miolo da zona comercial da cidade – esquinas onde estão as agências do Banco do Brasil e do Bradesco.

Um dos oradores, o vereador Lauro Roberto (Professor Lauro), do Rede, fez um veemente apelo para que a população “ocupe as ruas” se quiser ter alguma chance de enfrentar os desmandos anti-povo pobre e anti-educação, a exemplo dos danos embutidos na pretensão de destruir a Previdência pública. Seu apelo por mobilização foi estendido especialmente aos seus colegas professores.

Bateram em tecla semelhante – com variações e nuances próprias -  várias professoras (e professores) e dirigentes da APLB, como Maristônia Oliveira, Adriana Oliveira de Souza, Marcela Leite, Fernando Monteiro (do PSOL), Caio Fernandes (do movimento ÉDOCAPÃO) e Azamor Coelho Guedes, do IFBA.

O sindicalismo rural estava bem representado: Valter Ângelo (Tim), presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Seabra, foi muito aplaudido ao recitar: “Trabalhadores/eu não me engano/Bolsonaro é miliciano”. Fez um apelo aos comerciantes lembrando que seus negócios dependem da renda dos trabalhadores, renda ameaçada pela Reforma da Previdência.

(Aliás, apelos aos comerciantes, que não fecharam suas lojas num dia de greve geral, foram uma constante. Um dos cantos repetidos pelos manifestantes: “Ei, você aí, essa reforma também vai te atingir”).

Tim estava em companhia de João Batista, também dirigente do sindicato e presidente da Associação dos Moradores do Quilombo Vão das Palmeiras - ao falar, junto das agências bancárias, ele lembrou a ganância dos banqueiros de olho no dinheiro da Previdência -, e de Osvaldo Ferreira de Souza, presidente do Conselho Municipal de Desenvolvimento Social (CMDS – órgão ligado às associações rurais).

Os três carregavam um belo painel em homenagem a Júlio Cupertino, líder da comunidade quilombola de Baixão Velho (já falecido).

Louvando a juventude

Já o ex-vereador Smitson Oliveira, da Executiva Municipal do PT, velho militante de esquerda desde as lutas sindicais bancárias de Salvador, na década de 1970, falou, dentre outros temas, da necessidade de se quebrar o monopólio da mídia hegemônica. Fez também a louvação da participação da juventude nos embates sociais e políticos da conjuntura atual. Encerrou sua fala com o grito de LULA LIVRE.

A presença da juventude (e também das mulheres), por sinal, foi marcante na manifestação. As jovens Ingrid Enaille e Ludmila Oliveira, da coordenação do Levante, deram o ritmo e compasso como mestres de cerimônia, puxando os cantos e gritos de guerra.

Bárbara Pina e Iasmin Íris, do grupo de teatro Misto Arte, fez uma criativa e espirituosa apresentação, com base no texto Islam da Resistência, segundo elas de autoria de Lucas Afonso e Vitória Maria, de São Paulo.

E Isa Noronha, estudante do CES (Centro Educacional de Seabra – segundo grau), encerrou o evento, já na “praça dos Correios”, cantando a bela canção de Belchior, Como nossos pais.

PS: Apesar da matéria citar muita gente, não estão mencionados todos os que discursaram.

Para ver mais fotos e vídeos, clicar:

terça-feira, 11 de junho de 2019

A VITÓRIA DE LELEI/MORPARÁ NO TCM: “NUNCA DEVEMOS DESISTIR”

Prefeito Lelei Barreto, de Morpará (Fotos: Smitson Oliveira)

Ameaçado de ter suas contas rejeitadas por ultrapassar o limite com despesas de pessoal, o prefeito de Morpará foi lá na “cova dos leões” e arrancou um triunfo pelo placar de 3 x 2.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente

“Nosso valente prefeito” -  foi como muitos dos petistas reunidos no IV Encontro de Diretórios Municipais do PT da Chapada/Bahia se referiram ao prefeito de Morpará (vale do Rio São Francisco - Bahia), Sirley Novaes Barreto (conhecido como Lelei Barreto). Ele conseguiu, ao fazer sua própria defesa perante a turma de conselheiros do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), derrubar a rejeição das suas contas referentes ao exercício de 2017.

O encontro do PT foi em 4 de maio, em Ibitiara (Chapada Diamantina), onde um plenário de mais de 100 pessoas aplaudiu com entusiasmo o anúncio do triunfo obtido pelo prefeito, dois dias antes, no plenário do TCM. Lelei ainda estava impregnado da áurea dos que estão saindo dum combate vitorioso. Parecia respirar o ar dos justos, dos que acreditam na justeza de seus atos, dos que se arriscam e conseguem fazer prevalecer a sua verdade.

Daí sua exclamação aplaudida por petistas e simpatizantes do IV Encontro: “Nunca devemos desistir”. Relatou que companheiros seus o tinham aconselhado a ser menos veemente, a ter mais cuidado quanto a se bater diretamente contra as posições dos conselheiros do tribunal, para não dificultar a aceitação de seus argumentos.

Mas Lelei preferiu seguir os ditames de seu coração e foi pessoalmente – o que parece não ser um procedimento usual - defender a aprovação das suas contas, enfrentando cara a cara os juízes e, inclusive, o parecer contrário do relator, Fernando Vita. No final, virou o jogo e ganhou de 3 x 2. Conforme o texto da matéria do setor de comunicação do próprio tribunal:

“O relator do parecer, conselheiro Fernando Vita, votou pela manutenção do parecer original que opinou pela rejeição, sendo acompanhado pelo conselheiro Francisco Netto. O conselheiro Raimundo Moreira apresentou voto divergente, sendo acompanhado pelo conselheiro José Alfredo Rocha Dias. O presidente Plínio Carneiro Filho emitiu o voto de desempate, opinando pela aprovação com ressalvas”.

O motivo da ameaça de rejeição das contas foi o gasto de 62% da receita com despesas de pessoal, enquanto o limite fixado pela Lei de Responsabilidade Fiscal é de 54%. O prefeito argumentou que fez todo esforço possível para sanar a irregularidade, realizando uma reforma administrativa e chegando a demitir mais de 100 servidores. Tentou inclusive reduzir o seu próprio salário, bem como o do vice-prefeito e secretários, mas sua iniciativa neste sentido foi barrada pela Câmara dos Vereadores.

Lelei falando durante o encontro dos petistas em Ibitiara 
Argumentou também que a crise econômica provocou redução da arrecadação do município, lembrando que tal arrecadação, em 2017 - primeiro ano de sua gestão - foi bem inferior ao último ano da gestão anterior. Lembrou ainda que durante seu primeiro mandato à frente da prefeitura – de 2009 a 2012 – teve todas as suas contas aprovadas pelo TCM, fato registrado pela primeira vez na história do município.

“Me causa estranheza”, disse Lelei Barreto, o rigor adotado pelo tribunal ao analisar as contas de sua gestão. Na sua defesa perante os conselheiros, apontou que em diversos julgamentos o mesmo TCM, “analisando contas do mesmo exercício de 2017, de responsabilidade de gestores de diversos outros municípios baianos, e em situações idênticas, aplicando o princípio constitucional da razoabilidade e da proporcionalidade, aprovou, com ressalvas, tais contas...”

Tal orientação foi adotada também – exemplificou – no exame das contas dos quatro exercícios da gestora anterior do município (No período de 2013 a 2016, Morpará teve como prefeita Edinalva Pereira de Almeida).

“Peço, portanto, aos Senhores Conselheiros, que antes de proferirem seus respectivos votos, procedam a análise minuciosa do caso concreto, com as suas peculiaridades...” E proclamou, mencionando o artigo 5º. da Constituição: “Todos são iguais perante a Lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se, dentre outros, o direito à IGUALDADE”.

Prevaleceu, no final, “o entendimento de que, se tratando de primeiro ano do mandato, não cabe a rejeição das contas pelo motivo da não recondução da despesa com pessoal, devendo o gestor adotar as medidas legais previstas para a recondução aos limites impostos”, conforme explica a matéria do TCM citada acima.

O prefeito Lelei Barreto tem 39 anos. De família bem modesta economicamente, formação escolar de magistério, começou a se destacar na política aos 20 anos, ao ser eleito vereador (2001/2004). Participou da reativação do PT de Morpará e, em 2004, surpreendeu quase se elegendo prefeito, o que aconteceu na eleição seguinte. Em 2012, porém, não se reelegeu – conta que os adversários formaram uma grande frente contra o PT.

Mas, dentro da mística que permeou sua luta recente pela aprovação das contas no TCM – “nunca devemos desistir” -, ele persistiu e emplacou seu segundo mandato ora em curso.


Sobre o quarto encontro dos petistas, este blog postou também:

MAIS DE 100 PESSOAS NO ENCONTRO DO PT EM IBITIARA

FOTOS DO ENCONTRO DO PT EM IBITIARA


quarta-feira, 5 de junho de 2019

ME FUI NAS ASAS DO TEMPO (Memória e ficção)

Foi aqui, junto do Forte S. Pedro, chegando ao Campo Grande, que sucederam alguns fragmentos de minha vida

Não deu: deixei escorrer minha promissora carreira bancária, estranhas ideias começavam a mexer comigo, a onda hippy, o comunismo, as utopias entortavam meus pareceres de jovem sonhador...

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente

Seria apenas mais um perdido pelas ruas da cidade? Ia subindo a avenida Sete, início da noite, rumo ao Campo Grande, cambaleando… delirava? Vicentão ia ficando para trás: “Não vou mais, Jadinho, já estou bêbado, vamos pra casa. Você não pode andar por aí assim... sozinho... vamos embora”.

Lá me fui tentando um equilíbrio impossível. Não ouvia mais Vicentão, meu querido amigo, 34 anos de jornal e boemia, meu direitista predileto – aliás, não o ouço mais, não o vejo mais, nunca mais, escafedeu-se, embarcou com bilhete só de ida na canoa do Caronte, como rezam essas mitologias.

Mas eu queria justamente passar por aqui, não nos ermos dos mortos, mas aqui, junto do Forte São Pedro, onde também me vem a sombra da morte, de Tirson, do antigo Bar do Tirson, o ex-craque do Bahia que queria porque queria me cobrar 20 reais numa dose de Cavalo Branco, “porra, Tirson, você pode entender muito de bola, mas não sabe porra nenhuma de preço de uísque”, mas eu estou confuso, misturando as coisas, outro dia conto esta parte.

Foi aqui - era isso que eu ia dizendo - foi aqui que vivi o ápice da minha quase brilhante carreira bancária, no antigo BANEB (o Banco do Estado da Bahia, “doado” pelo velho cacique ACM ao Bradesco, nos idos dos anos 1990), subgerente duma agência do BANEB na capital, lá pra 1969, com 24 aninhos, minha mãe orgulhosa do filho promissor, a confiança sempre renovada do chefe de Recursos Humanos (chamava FUNCI o departamento), seo Argolo (Argolão, a gente dizia entre a gente, era – ou ainda é - um homem grande).

Mas não deu, deixei escorrer minha futurosa carreira, estranhas ideias já começavam a mexer comigo, a onda hippy, o comunismo, as utopias entortavam meus pareceres de jovem sonhador/generoso/besta, as coisas não casavam, o gerente, meio durão, meio caretão – pode-se dizer “normal” – até que foi legal, tentou me levar ao caminho natural, mas não deu.

A gota d’água foi numa manhã em que um taxista chegou lá me cobrando uma corrida feita na madrugada, a partir da antiga casa de mulheres 63, na Ladeira da Montanha. Realmente não caía bem para um funcionário com a patente de subgerente... eu joguei a toalha e o gerente apoiou, aliviado. Sentei e bati na máquina (de datilografia, claro) o pedido de dispensa da função.

Era bem aqui a agência - eu apontava, gesticulava -, era aqui, agora tem uma agência dos Correios, o banco mudou-se pra Rua João das Botas, hoje Bradesco. Mirava pras bandas de cima, pro lado do Campo Grande, mas não mais caminhava, estava estendido no chão, um bocado de gente me cercando, um casal me apalpava – seriam anjos? -, parece que pegaram meu celular, depois uma moça iluminada chegou – seria minha fada madrinha? -, “o senhor conhece esta moça?”, eu sorrindo, meio abestalhado, delirante, “é a paixão dos meus 50 anos”, e para ela: “estou bem, mas não me deixam levantar, o que está acontecendo?” “É a sua ex-mulher!!!??? Meu Deus, você é um cara abençoado, se fosse a minha ex era capaz de querer passar o carro por cima de mim”.

Parece que me fugia a consciência, escorria um pouco de sangue da testa, me doía a mão esquerda, eu tentava ficar de pé e não podia, ou não deixavam, “o culpado foi Vicentão, ele se picou e eu ia andando, andando... não sei...” Senti que levitava, ia subindo devagar, as vozes se apagando pouco a pouco, minha fada madrinha, com incríveis asas brilhantes, me levando para o nada para o ermo, “estou bem... estou bem...”   

segunda-feira, 3 de junho de 2019

CARACAS, CIUDAD TRINCHERA DE MILICIAS BOLIVARIANAS

(Foto: reproduzida de Nodal)

El gobierno norteamericano mantiene la posición pública que sostiene que toda solución pasa por la salida de Nicolás Maduro (…) ¿hasta dónde está dispuesto a ir Estados Unidos? (…) El chavismo trabaja sobre todos los posibles escenarios. Caracas es el epicentro de poder que busca asaltar el golpismo, y se prepara, en consecuencia, en trinchera.

Por Marco Teruggi, de Caracas – transcrito do portal Nodal – Notícias da América Latina e Caribe, de 02/06/2019
Caracas toma forma de trinchera. En diez días mil setecientos hombres y mujeres han recibido instrucciones para la defensa. El objetivo es llegar a cien mil en el mes de octubre, con centros de formación en las veintidós parroquias para abarcar los ciento diecisiete ejes territoriales de la capital: que la ciudad sea un pantano para las acciones golpistas.
El primer espacio de formación está situado al sur de la ciudad, en Macarao. Aquí la derecha quemó la sede de la organización comunal el 30 de abril pasado, mientras las cámaras enfocaban a Juan Guaidó, Leopoldo López y el puñado de militares en la acción fallida. De esta jornada de entrenamiento participan líderes de movimientos sociales, organizaciones de base del chavismo, personas de todas las edades, para quienes es la primera vez que agarran un fusil o aprenden técnicas de reconocimiento de territorio. Nadie les ha obligado a venir: son gente humilde, de las barriadas organizadas, del esfuerzo de cada día que se ha transformado en batalla por el gas, los precios o el transporte.
El entrenamiento cuenta de varias partes, como aprender a realizar cartografías del barrio, movilizarse con armas, técnicas de salud, de evacuación, defensa personal, ejercicios físicos. Los instructores son integrantes de la Milicia Bolivariana, el cuerpo conformado por más de dos millones y medio de hombres y mujeres, parte vertebral de la llamada doctrina de defensa integral de la nación. Al frente de la conducción política del plan de formación está la dirección del Partido Socialista Unido de Venezuela (Psuv).
“Caracas es una ciudad de paz, una ciudad de vida, y vamos a defenderla con la organización de nuestro pueblo, la unión cívico-militar, y con la preparación e inteligencia que estamos desarrollando en este esfuerzo de formación integral”, explica la alcaldesa del municipio libertador de Caracas, Erika Farías, miembro de la dirección del Psuv y del Frente Francisco de Miranda.
El trabajo de formación abarca varios actores: el Psuv, los partidos aliados, los movimientos sociales, comunales, los integrantes de la Asamblea Nacional Constituyente. Los objetivos son tres. En primer lugar, la organización de la defensa a través del diseño y ejecución de un plan de manera unificada entre los diferentes actores, de manera a conformar un núcleo en cada territorio. En segundo lugar, los ejercicios como tal. En tercer lugar, el esfuerzo productivo, donde el objetivo es que cada una de las veintidós parroquias cuente con un centro de entrenamiento y producción de alimentos.
“Todos los venezolanos tenemos corresponsabilidad en la defensa de la patria, está escrito en el artículo 326 de la Constitución. No es solamente una cuestión de armamento, vamos a crear una cadena logística muy importante, por cada combatiente que aquí se forme debe haber ocho o nueve personas detrás, debe continuar la instrucción, en cada territorio deben estar todos los componentes para la defensa integral”, explica el coronel Boris Iván Berroterán de Jesús, comandante del área de defensa integral 414 Caricuao.
El entrenamiento puesto en marcha busca dar respuesta a dos hipótesis principales de conflicto. La primera ya es conocida, se trata de las acciones que la derecha ha realizado en el 2013, 2014, 2017 y principios de este año: ataques a locales del Psuv, de comunas, de centros de salud, infantiles, a dirigentes chavistas, acciones nocturnas de provocación e intento de caotizar zonas populares. La derecha ha realizado un trabajo de infiltración y contratación de grupos armados desde hace varios años, para disputar la cotidianeidad de los territorios populares y poder desplegarlos en momentos de asalto.
Dos millones y medio de personas componen el cuerpo de la milicia.

La segunda hipótesis responde a un escenario que ha sido denunciado por el gobierno: la posibilidad de que la derecha apele a la estrategia de fuerzas mercenarias compuestas por diferentes actores, como paramilitares, bandas criminales, contratistas privadas. En un cuadro de esas características los territorios caraqueños, sus cerros sobrepoblados en formas de laberintos con escaleras y platabandas, podrían ser espacios de confrontación irregular. La población organizada debe estar preparada para reconocer movimientos, saber cómo actuar.
El plan de formación en Caracas avanza en simultáneo con la apuesta central de resolución del conflicto planteada por el chavismo desde el mes de enero: el diálogo para llegar a un acuerdo. Esos intentos se dieron en primer lugar de manera secreta durante meses y, desde hace dos semanas, se hicieron públicos por los acercamientos en la capital de Noruega, Oslo.
El chavismo se ha mostrado unido alrededor de la búsqueda de diálogo, y ha afirmado que insistirá para llegar a un acuerdo. La oposición en cambio se ha mostrado dividida al respecto: mientras un sector es parte del intento de diálogo, como los representantes de Guaidó –direccionados desde Estados Unidos– y del partido Un Nuevo Tiempo, otro sector ha insistido que ya no existe nada que hablar ni negociar. El segundo espacio mantiene la tesis de que solo se saldrá del chavismo a través de una acción de fuerza internacional. Para ese objetivo trabajan públicamente, por ejemplo, sobre el reingreso ficticio, vía Asamblea Nacional, de Venezuela al Tratado Interamericano de Asistencia Recíproca.
El gobierno norteamericano, por su parte, mantiene la posición pública que sostiene que toda solución pasa por la salida de Nicolás Maduro, y ha vuelto, a través de su vicepresidente Mike Pence, ha dar apoyo a Guaidó. La pregunta, que ha estado desde el inicio de la autoproclamación de Guaidó, es: ¿hasta dónde está dispuesto a ir Estados Unidos?
Mientras esos son los debates públicos, ¿qué se prepara a puertas cerradas? La derecha, dentro del plan y financiamiento norteamericano, ya ha realizado acciones violentas los días alrededor de la autoproclamación de Guaidó, intentó el ingreso por la fuerza desde Colombia el 23 de febrero, desplegó ataques sobre el sistema eléctrico, intentó la acción político-militar el 30 de abril en la madrugada. ¿Qué viene si no están aún dispuestos a acordar en Oslo un proceso que no implique la salida Maduro? El chavismo trabaja sobre todos los posibles escenarios. Caracas es el epicentro de poder que busca asaltar el golpismo, y se prepara, en consecuencia, en trinchera.
(do jornal argentino Página/12)