domingo, 22 de dezembro de 2019

QUEREMOS QUE VOCÊS SE LASQUEM, OTÁRIOS! (os donos do poder não podem dizer isso)


A opressão precisa ser moralizada, difundindo-se a ilusão de que o interesse do dominado é levado em conta e, mais importante, convencendo-o de que a própria dominação é para o seu bem.



A opinião explícita que temos sobre nós mesmos tende a ser a mera justificativa da vida que levamos ou a mera repetição de chavões da mídia e da indústria cultural.



Por Jessé Souza (sociólogo) – do livro ‘A classe média no espelho’, editora Estação Brasil, págs. 58/59/60 (título e destaques acima são da edição deste blog)



(...)



Os donos do dinheiro e do poder não podem simplesmente dizer ao restante da sociedade: “Nosso intuito é deixar todos vocês, otários, sem propriedade e sem poder, apenas com a roupa do corpo, trabalhando nas condições mais favoráveis para mim”. Não é assim que acontece. Caso contrário, teríamos revolta e revolução. Não há dominação de poucos sobre muitos sem o recurso à mentira e ao engano. Em consequência, a opressão precisa ser moralizada, difundindo-se a ilusão de que o interesse do dominado é levado em conta e, mais importante, convencendo-o de que a própria dominação é para o seu bem.



Tão importante quanto notar devidamente a dimensão simbólica da sociedade é compreender a interconexão entre moralidade e poder, ou entre aprendizado efetivo e mera justificação de privilégios injustos. A infantilização e o bloqueio da capacidade de reflexão se dão seja pela construção de mitos nacionais vira-latas, contos de fadas para adultos, seja pela instalação de uma oposição simplista entre o bem e o mal. O resultado é a difusão da crença de que existem pessoas do bem, de um lado, e pessoas do mal, de outro.



Esse é o mundo das novelas, dos romances best-seller recheados de clichês, dos telejornais da Rede Globo, dos programas de rádio patrocinados por bancos, etc. Na realidade, não existem pessoas que incorporam unicamente a virtude absoluta ou o mal absoluto. Algumas podem ser muito boas e outras muito más. Porém mesmo esses casos limítrofes são muito raros. A grande parcela da humanidade, cerca de 99% das pessoas, é uma mescla de ambas as coisas no comportamento concreto e cotidiano, e cada um de nós faz o que pode para separar o joio do trigo.



O bem e o mal, portanto, estão “dentro de nós”, assim como estão “dentro de nós” as fontes morais, historicamente construídas, que definem o que é a virtude e o que é o vício. Como vimos, na cultura ocidental o bem e a virtude são definidos tanto como controle das emoções pelo espírito quanto pela expressão verdadeira dessas mesmas emoções. Isso implica que ser virtuoso, segundo nossos próprios termos, é uma aventura contraditória e conflituosa, seja na dimensão existencial, seja na dimensão pública da vida política.



Usando a linguagem popular, viver a vida de todo dia “não é fácil para ninguém”. Essa dificuldade é, ao mesmo tempo, existencial e política. Somos dilacerados por demandas valorativas conflitantes. Além disso, somo coagidos pela antiga demanda moral que caracteriza a tradição judaico-cristã ocidental: devemos, afinal, escolher seguir os valores morais ou optar pelo interesse egoísta de ocasião?



A primeira dificuldade é cognitiva e se refere ao desafio de compreender as fontes morais que nos comandam. Como esses valores sociais comuns são inarticulados e inconscientes, imaginamos, infantilmente, que criamos subjetivamente os valores que nos servem de guia. As consequências disso, como veremos, são de difícil comprovação empírica. Apesar de tais valores serem invisíveis – ou melhor, apesar de serem tornados invisíveis à nossa reflexão consciente pelos podres poderes que nos dominam -, seus efeitos no comportamento prático são facilmente observáveis e comprováveis.



Basta observar o mais importante, ou seja, o comportamento prático, e não as opiniões explícitas que as pessoas mantêm sobre si mesmas. A opinião explícita que temos sobre nós mesmos tende a ser a mera justificativa da vida que levamos ou a mera repetição de chavões da mídia e da indústria cultural. Como amamos justificar o que somos, exatamente por conta disso costumamos odiar a verdade.



(...)

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

VIOLÊNCIA NA BOLÍVIA JOGA OS “GOLPES BRANDOS” PARA A HISTÓRIA


(Foto: Ronald Schemidt/AFP - reproduzida do Página/12)
Grupos paramilitares – gangues armadas violentas – foram a vanguarda dos chefes golpistas bolivianos, reforçados pelas Forças Armadas e também pelas forças policiais.

Por Jadson Oliveira (jornalista/blogueiro) – editor deste Blog Evidentemente (baseado em artigo de Washington Uranga, do jornal Página/12).

O recente golpe de Estado que derrubou Evo Morales na Bolívia veio com um ingrediente novo, levando em conta o modus operandi que vinha predominando nas últimas duas décadas na América Latina: o chamado “golpe brando” (ou “suave”).

Foi como as forças da direita – instrumentalizadas pelas grandes corporações econômicas, os donos do dinheiro e verdadeiros donos do poder, aliadas às suas ramificações internas - derrubaram Fernando Lugo no Paraguai (2012) e Manuel Zelaya em Honduras (2009).

Os protagonistas mais visíveis nos casos de Lugo e Zelaya foram o Congresso Nacional e o Judiciário, com o respaldo fundamental da mídia hegemônica e ajuda das Forças Armadas.

Agora, na Bolívia (outubro/novembro/2019), a marca predominante foi a violência, deixando um rastro de mortos e feridos (o próprio Evo Morales esteve na iminência de ser assassinado). Esqueça o  “golpe brando” (e também os antiquados golpes militares dos anos 1960/1970, também violentos).

Grupos paramilitares – gangues armadas violentas – foram a vanguarda dos chefes golpistas, reforçados pelas Forças Armadas e também pelas forças policiais (no caso destas últimas, um protagonista relativamente novo no cenário latino-americano – esta observação é deste blogueiro que vos fala).

Com o apoio escancarado do governo dos Estados Unidos e da OEA (Organização dos Estados Americanos), organismo que voltou a incorporar o papel de capacho do império, fazendo jus ao antigo apelido de Ministério das Colônias (adendo da Casa Branca para cuidar do “quintal” latino-americano). E que, por isso, vem perdendo prestígio dia a dia.
(Foto: da Internet)
Quem nos alerta para esta diferença ocorrida no golpe boliviano é o analista político Washington Uranga (jornalista uruguaio que vive na Argentina), do excelente jornal argentino Página/12.

No artigo intitulado ‘Alertas’, do último dia 13/novembro, ele lembra, ironicamente, que este golpe sangrento contra o governo de Evo Morales foi executado sob o argumento da “defesa da democracia”, como expressou, sem um pingo de vergonha, o presidente Trump.

Continuando sua análise, Uranga observa que no caso boliviano não se usou o lawfare (“mentira apoiada em falácias jurídicas”) que levou ao golpe contra Dilma Rousseff no Brasil (2016).

O mesmo lawfare que levou ainda à prisão e proibição da candidatura de Lula e à perseguição ao ex-presidente equatoriano Rafael Correa, cujo substituto, Lenín Moreno, eleito pelas forças políticas de Correa, bandeou-se para a direita, traindo seus eleitores.

O mesmo lawfare que foi usado para perseguir a ex-presidenta Cristina Kirchner. Na Argentina, porém, as urnas se encarregaram de consertar o rumo, logrando-se uma contundente vitória eleitoral sobre o direitista Mauricio Macri, defenestrado da presidência a partir de ontem, dia 10/dezembro.

Uranga estende mais sua análise focando o seu país, Argentina, mencionando a permanente ofensiva do império estadunidense e seus tentáculos neoliberais contra a Venezuela.

Lembra que até parece que todos os métodos tentados para impedir que os povos decidam seu próprio destino são insuficientes.

Me lembrei da clássica proclamação de Simón Bolívar, cognominado o Libertador (lembrado amiúde pelo ex-presidente venezuelano Hugo Chávez): “Os Estados Unidos parecem destinados pela providência para encher de fome e miséria a América em nome da liberdade”.

Link para ler o artigo de Washington Uranga na íntegra (em espanhol):

domingo, 8 de dezembro de 2019

A REVOLTA LATINA, A CRISE AMERICANA E O DESAFIO PROGRESSISTA


Bandeira do povo indígena Mapuche como símbolo da rebeldia dos chilenos
Mesmo quando contestados, os EUA e o capital financeiro internacional mantêm o seu poder de vetar, bloquear ou estrangular economias periféricas que tentem uma estratégia de desenvolvimento alternativa e soberana, fora da camisa de força neoliberal, e mais próxima das reivindicações desta grande revolta latino-americana.


Por José Luís Fiori (linguista, professor da USP) – do portal Carta Maior, de 30/11/2019 (destaque acima, intertítulos e disposição dos parágrafos são da edição deste blog)


Num primeiro momento, pensou-se que a direita retomaria a iniciativa, e se fosse necessário, passaria por cima das forças sociais que se rebelaram, e surpreenderam o mundo durante o “outubro vermelho” da América Latina.


Ofensiva do governo brasileiro


E de fato, no início do mês de novembro, o governo brasileiro procurou reverter o avanço esquerdista, tomando uma posição agressiva e de confronto direto com o novo governo peronista da Argentina.


Em seguida interveio, de forma direta e pouco diplomática, no processo de derrubada do presidente boliviano, Evo Morales, que havia acabado de obter 47% dos votos nas eleições presidenciais da Bolívia.


A chancelaria brasileira não apenas estimulou o movimento cívico-religioso da extrema-direita de Santa Cruz, como foi a primeira a reconhecer o novo governo instalado pelo golpe cívico-militar e dirigido por uma senadora que só havia obtido 4,5% dos votos nas últimas eleições.


Ao mesmo tempo, o governo brasileiro procurou intervir no segundo turno das eleições uruguaias, dando seu apoio público ao candidato conservador, Lacalle Pou – que o rejeitou imediatamente – e recebendo em Brasília o líder da extrema-direita uruguaia que havia sido derrotado no primeiro turno, mas que deu seu apoio a Lacalle Pou no segundo turno.


Expansão da “onda vermelha”


Mesmo assim, ao fazer-se um balanço completo do que passou no mês de novembro, o que se constata é que uma expansão da “onda vermelha” havia se instalado no mês anterior no continente latino-americano.


Libertação de Lula


Nessa direção, e por ordem, o primeiro que aconteceu foi a libertação do principal líder da esquerda mundial, segundo Steve Bannon, o ex-presidente Lula, que se impôs à resistência da direita civil e militar do país, graças a uma enorme mobilização da opinião pública nacional e internacional.


Levante na Bolívia


Em seguida aconteceu o levante popular e indígena da Bolívia, que interrompeu e reverteu o golpe de Estado da direita boliviana e brasileira, impondo ao novo governo instalado a convocação de novas eleições presidenciais com direito à participação de todos os partidos políticos, incluindo o de Evo Morales.


Grande vitória no Chile


Da mesma forma, a revolta popular chilena também obteve uma grande vitória com a convocação, pelo Congresso Nacional, de uma Assembleia Constituinte que deverá escrever uma nova Constituição para o país, enterrando definitivamente o modelo socioeconômico herdado da ditadura do General Pinochet.


E mesmo assim, a população rebelada ainda não abandonou as ruas e deve completar dois meses de mobilização quase contínua, com o alargamento progressivo da sua “agenda de reivindicações” e a queda sucessiva do prestígio do presidente Sebastian Piñera, que hoje está reduzido a 4,6%.


Neste momento, a população segue discutindo nas praças públicas, em cada bairro e província, as próprias regras da nova constituinte, prenunciando uma experiência que pode vir a ser revolucionária, de construção de uma constituição nacional e popular, apesar de ainda existirem partidos e organizações sociais que seguem exigindo um avanço ainda maior do que o que já foi logrado.


Governo do Equador acuado


No caso do Equador, o país que se transformou no estopim das revoltas de outubro, o movimento indígena e popular também obrigou o governo de Lenin Moreno a recuar do seu programa de reformas e medidas impostas pelo FMI, e aceitar uma “mesa de negociações” que está discutindo medidas e políticas alternativas junto com uma agenda ampla de reivindicações plurinacionais, ecológicas e feministas.


Surpreendente avanço na Colômbia


Mas além de tudo isso, o mais surpreendente acabou acontecendo na Colômbia, o país que vem sendo há muitos anos o baluarte da direita latino-americana e é hoje o principal aliado dos Estados Unidos, do presidente Donald Trump, e do Brasil do capitão Bolsonaro, no seu projeto conjunto de derrubada do governo venezuelano e de liquidação dos seus aliados “bolivarianos”.


Depois da vitória eleitoral da esquerda, e da oposição em geral, em várias cidades importantes da Colômbia, nas eleições do mês de outubro, a convocação de uma greve geral em todo o país, no dia 21 de novembro, deslanchou uma onda nacional de mobilizações e protestos que seguem contra as políticas e reformas neoliberais do presidente Ivan Duque, cada vez mais acuado e desprestigiado.

Ponto em comum: rejeição das políticas neoliberais



A agenda proposta pelos movimentos populares varia em cada um desses países, mas todas elas têm um ponto em comum: a rejeição das políticas e reformas neoliberais, e sua intolerância radical com relação às suas consequências sociais dramáticas - que já foram experimentadas várias vezes através de toda a história da América Latina – e que acabaram derrubando o seu próprio “modelo ideal” chileno.


Frente a esta contestação quase unânime, duas coisas chamam muito a atenção dos observadores:


a primeira é a paralisia ou impotência das elites liberais e conservadoras do Continente, que parecem acuadas e sem nenhuma ideia ou proposta nova, que não seja a reiteração de sua velha cantilena da austeridade fiscal e da defesa milagrosa das privatizações que vêm fracassando por todos os lados;


e a segunda é a relativa ausência ou distanciamento dos Estados Unidos frente ao avanço da “revolta latina”.


Porque mesmo quando tenham participado do golpe boliviano, fizeram com uma equipe de terceiro time do Departamento de Estado, e não contaram com o entusiasmo que o mesmo departamento dedicou, por exemplo, à sua “operação Bolsonaro” no Brasil.


Ao mesmo tempo, este distanciamento americano tem dado maior visibilidade ao amadorismo e à incompetência da nova política externa brasileira, conduzida pelo seu chanceler bíblico.


(...)


O Brasil pode se transformar num pária continental


Não é necessário repetir que não existe uma única causa, ou alguma causa necessária, que explique a “revolta latina” que começou no início do mês de outubro.


Mas não há dúvida de que esta divisão americana, junto com a mudança da geopolítica mundial, tem contribuído decisivamente para a fragilização das forças conservadoras na América Latina.


Tem contribuído também para a acelerada desintegração do atual governo brasileiro e a perda de sua ———— dentro do continente latino-americano, com a possibilidade de que o Brasil se transforme brevemente num pária continental.


(...)


Para ler o artigo na íntegra:

https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/A-revolta-latina-a-crise-americana-e-o-desafio-progressista/4/45999

sábado, 7 de dezembro de 2019

JESSÉ SOUZA: “NINGUÉM INVENTA OS PRÓPRIOS VALORES MORAIS”


Todo indivíduo já nasce dentro de um contexto moral. Ilusões a respeito moldam pessoas dóceis e tradicionalistas e também consumidores ávidos, submissos aos black friday da vida.



Por Jessé Souza (sociólogo) – do livro ‘A classe média no espelho’ (editora Estação Brasil), páginas 30/31 (título e destaque acima são da edição deste blog)



...tendemos a achar que as ideias morais são criadas por nós individualmente, como se cada pessoa tivesse seus próprios valores morais, tal como cada um tem sua bicicleta, seu carro ou apartamento. O liberalismo dominante nada de braçada nessas ilusões objetivas. Para os egos infantilizados e inflados, ele reforça a ideia de que cada indivíduo define sua vida, seu conceito de felicidade e seus próprios valores. O resultado concreto disso são indivíduos dóceis e tradicionalistas na esfera pessoal e pública – e também consumidores ávidos num mercado que sempre oferece algum produto certo para acalmar a ansiedade e a insegurança existenciais.



Imaginar que os valores são criações individuais, como fazemos no dia a dia, é uma bobagem facilmente criticável e passível de refutação empírica. Ora, a moralidade é, por definição, social, ou seja, pressupõe ao menos duas pessoas com expectativas recíprocas de comportamento. Nesse sentido, todo indivíduo já nasce dentro de um contexto moral, o qual ele incorpora de modo insensível e irrefletido pela socialização familiar, e depois escolar, como algo afetivo e sagrado, uma vez que transmitido por pessoas próximas e amadas. Daí advém a força emotiva das demandas morais, as quais, quando descumpridas, inexoravelmente despertam sentimentos de culpa, de ressentimento e de altodesvalorização.



Esses inevitáveis “sentimentos morais” – como culpa, remorso, ressentimento, raiva ou inveja – comprovam que o “social” e sua força moral estão “dentro” – e não apenas “fora” – de nós, e precisamente por conta disso essa força é tão acentuada. Ninguém inventa os próprios valores morais. No máximo, enquanto indivíduos, podemos reagir de modo peculiar ao enorme impacto de uma moralidade social que, por sua vez, nos oprime e nos molda quase por completo. As reações individuais à moralidade social, quando não se tornam força social e política, tendem a ser uma teimosia descontínua, subjetiva e desprovida de consequências práticas.



(...)

domingo, 1 de dezembro de 2019

PODER MODERADOR DA GLOBO


“...indica punição e prisão a adversários políticos, mesmo sem provas, perdoa corrupção e crime de aliados políticos...”

Por Antonio Negrão de Sá – reproduzido de Espaço do Leitor, do jornal A Tarde, de hoje, dia 01/dezembro (destaque acima e disposição dos parágrafos são da edição deste blog)

Poder Moderador foi criação da monarquia e conferia ao imperador “vigiar a Constituição” e harmonizar outros poderes. Se sobrepõe ao legislativo, judiciário e executivo.

Esse tem sido o papel da Globo nas últimas cinco décadas na política e na economia. Não é legal, mas cultural e real, devido o monopólio dos meios de comunicação.

Destitui ou elege governos, influi na indicação e julgamento dos ministros da Suprema Corte, impõe reformas econômicas neoliberais, indica punição e prisão a adversários políticos, mesmo sem provas, perdoa corrupção e crime de aliados políticos, concede anistia a torturadores do Estado, apoia candidatos e elege torturadores e matadores de pobres.

Usa a seguinte estratégia nesse momento: holofote para Rodrigo Maia nas reformas neoliberais, investigação do Coaf ao Ministério Público e polícia para manter os Bolsonaros como reféns.

Enfim, sobrepõe e controla os poderes.