terça-feira, 31 de julho de 2012

PRESIDENTE DO EQUADOR ACABA A PUBLICIDADE OFICIAL NAS CORPORAÇÕES DA MÍDIA



Rafael Correa: “Por que com dinheiro do povo equatoriano vamos continuar beneficiando esses negócios?”
Equatorianos aplaudem: se não veem as realizações, que não vejam o dinheiro

Da Agência ANDES – reproduzido de Aporrea.org, de 30/07/2012

Quito - O governo não pautará publicidade nos meios de comunicação empresariais do país. Este foi o anúncio feito pelo presidente da República, Rafael Correa, durante o Enlace Ciudadano 282 (programa oficial do presidente).
O mandatário recordou que há seis semanas conclamou os meios que fazem oposição ao governo a recusar a publicidade do Estado nos seus espaços e páginas.

Na ocasião, pediu que os canais, rádios e jornais que constantemente questionam, sem fundamento, coisas como a suposta falta de liberdade de expressão no país, enviassem uma comunicação expressando sua vontade de não receber publicidade oficial.

Apesar do tempo transcorrido, tal comunicação não chegou e representantes de veículos, como El Comercio ou Ecuadoradio (Rádio Quito), afirmaram que não conheciam oficialmente o assunto.

Inclusive o presidente da Associação Equatoriana de Editores de Jornais, Diego Cornejo, numa entrevista radiofônica, disse que não enviariam nenhuma carta renunciando à publicidade oficial porque “vai contra a lógica do negócio" e acrescentou que em todo caso o governo pode fazer uso da opção de retirar seus anúncios. O presidente se mostrou satisfeito por Cornejo ter reconhecido publicamente que os meios de comunicação são um negócio e sua lógica é ganhar dinheiro e aceitou a opção de retirar, por sua decisão, a publicidade oficial dos veículos empresariais para ver se eles exercitam uma vocação ou atuam simplesmente por dinheiro.

"Para que vamos continuar enchendo o bolso de meia dúzia de famílias quando claramente nos dizem que priorizam seus negócios em detrimento do direito do povo de estar bem informado. Então, por que com dinheiro do povo equatoriano vamos ficar beneficiando esses negócios?", insistiu Correa.


Diante disso, o governante decidiu que efetivamente o Executivo fará uso desta opção e, nesse contexto, determinou que o secretário Nacional de Comunicação, Fernando Alvarado, de agora em diante, não mande publicidade oficial aos meios mercantilistas porque "não temos motivo para, com dinheiro dos equatorianos, beneficiar o negócio de seis famílias deste país".

segunda-feira, 30 de julho de 2012

O QUE TÊM EM COMUM OBAMA E O ASSASSINO DE DENVER? UM CARTAZ CAUSA INDIGNAÇÃO NOS ESTADOS UNIDOS


Um cartaz publicitário atribui a Obama mais mortes do que ao atirador que abriu fogo na estréia de Batman, em Denver (Foto: Facebook)
De RT.com – reproduzido de Aporrea.org, de 29/07/2012

Um cartaz gigante exibido na cidade de Caldwell (estado de Idaho) mostra duas fotografias. A sorridente imagem do jovem James Holmes, autor do massacre de Denver, vai acompanhada das seguintes palavras: "Mata 12 numa sala de cinema com um rifle de assalto. Todo o mundo se escandaliza”. Enquanto a foto de Obama ostenta o texto: "Mata milhares com sua política exterior. Ganha o Prêmio Nobel da Paz".

Resposta pelas “promessas não cumpridas"

O cartaz, patrocinado pela Fundação Rafael Smeed, que apóia os opositores do atual presidente, representa, segundo seus criadores, “uma resposta a Obama por sua promessa não cumprida de trazer as tropas para casa”.

"Todos estamos indignados pela matança no cinema de Aurora, mas não o estamos pelas crianças mortas no Afeganistão", sustenta um dos membros da fundação, Maurice Clements, que explica não se tratar de comparar Obama a Holmes, e sim da reação da sociedade. "Não estamos dizendo que Obama é um louco", defendeu-se Clements.

"Ofensivo e patético"
Independentemente das explicações dos publicitários, a mensagem não caiu bem para as autoridades nem para os moradores da área, que a qualificaram de "ofensiva", "repugnante" e "patética".

"Este cartaz é ofensivo não só ao presidente, mas também a todas essas vidas perdidas e afetadas pelos disparos", escreveu Fabiola G. Monroy na página de Facebook criada especialmente pelos usuários para discutir o assunto, a qual já conta com milhares de notas deste tipo.

Observação de Evidentemente: As convenções são mais convenientes do que as verdades nuas e cruas.

ATO PEDE RETIRADA DE NOMES DA DITADURA DE MONUMENTOS PÚBLICOS

“AS TROPAS... ONDE ESTÃO AS TROPAS?” “AÍ, MEU MAJOR, AÍ...”


Ernesto Villegas, autor do livro, era repórter nos dias do golpe (Fotos: Jadson Oliveira)
De Caracas (Venezuela) – Perguntava alarmado o major do Exército e respondia seu camarada capitão, apontando em direção dos milhares de homens e mulheres enfurecidos diante da emissora estatal de TV Venezuelana de Televisão (VTV), cujo retorno ao ar era questão de vida ou morte na hora de botar em execução o contra-golpe de 13 de abril de 2002, que traria de volta ao poder o presidente Hugo Chávez. Ele tinha sido derrubado por um golpe dois dias antes e uma das primeiras providências dos golpistas foi tirar a TV do ar.

Espero que esta introdução seja suficiente para se entender um pequeno trecho eletrizante do livro “Abril Golpe Adentro”, página 396, do jornalista venezuelano Ernesto Villegas Poljak. Traduzo:

“(...)

Em determinado momento, Zambrano Mata (major no momento do golpe sem comando de tropa, pois estava fazendo um curso, e tinha pedido ao capitão para arranjar soldados a fim de incrementar a reação ao golpe) recebeu uma chamada do capitão Marco Torres, que lhe disse achar-se em frente ao prédio da VTV, e apressou o companheiro:

- Meu major, venha pra cá pois já tenho as tropas.

Quando chegou à emissora ficou surpreso com a multidão que cercava a VTV, a qual explodiu em aplausos ao ver o uniforme verde oliva.

- Mas não vejo soldados!

Ali estavam Marco Torres (o capitão seu amigo), o tenente de Fragata Luís Mariño, o GN (Guarda Nacional) Jaspe Ramírez e o cabo segundo Armando Beltrán, todos em traje civil.

- Marco, onde estão as tropas?

- Aí, meu major. Aí...

Com a mão apontava no rumo dos homens e mulheres da manifestação. Não havia soldados. Somente povo.

Após um instante de contrariedade, disse:

- Bem, estas serão nossas tropas!

Zambrano Mata se aproximou da multidão e veio ao seu encontro Miriam Caripe, liderança espontânea de Petare (bairro popular, era na verdade uma ambulante que se destacou na hora do pega-pra-capar), que, sem saber nada de hierarquias militares, lhe disse:

- Olha, senhor. Nós queremos que regresse ao ar o canal 8 (VTV) para que nos informe o que está acontecendo. Aqui nós não comemos esse conto de que o presidente renunciou (os golpistas tinham divulgado que Chávez tinha renunciado e o bilhete de Chávez negando só seria divulgado logo depois). Daqui nós não vamos sair.

Um aperto de mãos selou a convergência do povo e do Exército num mesmo objetivo.

(...)”
Relançamento na 3a. Feira do Livro de Caracas
Que tal? Sinto aí o verdadeiro espírito da revolução popular. Me lembrei logo da correria, dos atropelos, improvisações e, sobretudo, o heroísmo e a entrega pessoal, a disposição de luta retratados em “Dez dias que abalaram o mundo”. Me pergunto quantos jovens de hoje já leram este livro. É do jornalista norte-americano John Reed, que estava na Rússia – “no lugar certo e na hora certa” – justamente no momento em que eclodiu a revolução russa de 1917. E conta assim no calor do momento.

Bem, dei uma lida rápida, saltando páginas, do “Abril Golpe Adentro”, e me entusiasmei com o trecho acima. Tinha acabado de chegar, domingo à tarde, da 3ª. Feira do Livro de Caracas, na Praça dos Museus. O livro é de 2009 e foi relançado agora, com distribuição gratuita, patrocínio da prefeitura caraquenha (dirigida por um chavista, claro). A feira é imensa, com uma porrada de eventos, começou na sexta, dia 27, e vai até o outro domingo, dia 5, uma das promoções em comemoração aos 445 anos da cidade.

domingo, 29 de julho de 2012

TARIQ ALÍ: “OS ESTADOS UNIDOS NÃO RENUNCIARAM AO SEU ‘QUINTAL’ E PROCURA IMPEDIR A REELEIÇÃO DE CHÁVEZ”


Alí conclamou os venezuelanos a “fazer uma transformação social de maneira tal que logremos incorporar muitíssima gente e que esteja permanentemente envolvida com estas mudanças; porque os ricos sozinhos não podem derrubar este governo, somente quando o povo se divide é que eles podem vencer" (Foto: Arquivo)
Da Agência Venezuelana de Notícias (AVN) – reproduzida de Aporrea.org, de 26/07/2012

Caracas - Os Estados Unidos não renunciaram ao seu "quintal" e utilizam fatores que se opõem à Revolução Bolivariana para ganhar em 7 de outubro, o que representaria uma vitória enorme para o imperialismo, sustentou no último dia 26 o escritor paquistanês de esquerda, Tariq Alí.

Alí exortou os venezuelanos a realizar uma escolha correta nas eleições presidenciais. "Isso é muito importante para nós no mundo inteiro. Não podemos perder a Venezuela".

"Já tentaram derrubar (Hugo) Chávez em várias oportunidades, através dum golpe de Estado, organizando a greve petroleira, através da guerra midiática e até agora fracassaram. Sempre temos vencido democraticamente com o apoio do povo", expressou Alí.

Durante sua participação no programa Toda Venezuela, transmitido por Venezuelana de Televisão (VTV - estatal), Alí chamou o povo a ficar atento e  não pensar que os Estados Unidos renunciaram ao seu “quintal”, mas que apenas estão atuando de maneira diferente.

"Já não estão recorrendo ao golpe militar, como mostra o ocorrido no Paraguai, em Honduras e como o fazem no México durante duas eleições seguidas", assinalou.

Alí explicou que agora os métodos para derrubar governos na América Latina mudaram, "há que ter muito cuidado e seria uma tolice pensar que as vitórias que temos conseguido na Venezuela, Equador e Bolívia são irreversíveis".

Pediu ao povo venezuelano para manter-se muito alerta e unido. "Temos que  fazer uma transformação social de maneira tal que logremos incorporar  muitíssima gente e que esteja permanentemente envolvida com estas mudanças; porque os ricos sozinhos não podem derrubar este governo, somente quando o povo se divide é que eles podem vencer".

Tariq Alí atua como escritor, cineasta e historiador, tem sido um crítico fundamental das políticas dos Estados Unidos e Israel. Em 2010 participou da realização do documentário “Al sur de la frontera” (Ao sul da fronteira), dirigido por Oliver Stone, no qual se faz uma reflexão sobre o papel dos governos de esquerda na América-Latina.