sábado, 29 de setembro de 2012

A "MAREA" NA LUTA CONTRA O BUROCRATISMO (nas ruas de Caracas 3)

De Caracas (Venezuela) - Continuamos nosso giro pelas ruas da capital venezuelana. Vejam aí cartazes da Marea (Maré) Socialista, organização bem à esquerda (no Brasil poderia ser encaixada como esquerda radical). As bandeiras centrais são a luta pelo socialismo (pelo Poder Popular ou Poder Comunal, através das comunidades, as Comunas Socialistas) e contra a burocracia do Estado burguês, conforme está explícito na sua propaganda: votar no presidente Hugo Chávez no dia 7 de outubro e, a partir do dia 8, partir para limpar o aparato estatal dos burocratas. Mantém sua estrutura organizacional independente e, recentemente, se filiou à Central Bolivariana Socialista dos Trabalhadores (chavista).

Mantém, portanto, sua estratégia, entendendo que, taticamente, é fundamental reeleger e fortalecer o "comandante", uma liderança popular da qual os venezuelanos não abrem mão, importantíssima para derrotar a burguesia, aliada ao imperialismo estadunidense, e fazer andar o procersso revolucionário. Estão com Chávez inclusive na luta contra o burocratismo, pois o próprio presidente reconhece a importância dessa luta e clama contra os entraves criados pelos burocratas do Estado que ele preside.
Esta foto ilustrou a matéria "Capriles finge ser de esquerda", do jornal mexicano La Jornada (traduzida e postada neste blog recentemente). A matéria explora justamente a tentativa de Henrique Capriles, principal opositor de Chávez, de iludir o eleitor, dizendo-se de esquerda ("Vota abaixo e à esquerda"). Depois da matéria passei a observar os cartazes do postulante direitista. E encontrei outros, veja aí:
 O primeiro pede para votar "abaixo e no centro" e o segundo "abaixo e à direita". Quer dizer, o rapaz tenta garimpar votos da esquerda, porque sabe que a esquerda está na crista da onda na Venezuela da Era Cháves. Mas não esquece de pedir votos nas faixas do centro e da direita, onde transita, especialmente na última, de maneira mais desenvolta. Está certo, eleitoralmente, e tem todo o direito de fazê-lo.

A última, das três fotos, é o seu cartaz mais comum: "Há um caminho - vota por teu progresso". Às vezes, algumas variações: "vota por teu futuro", "o caminho da segurança", etc.
Apesar do vermelho, esta não tem nada a ver com o processo eleitoral. Peguei na Praça O Venezuelano, miolo da cidade, nas imediações do Museu Bolivariano, numa casa antiga onde viveu a família do Libertador Simón Bolívar. É a estudantada fazendo passeios educativos no período das férias escolares - 10/agosto a 10/setembro.
E estas duas últimas são da campanha eleitoral dos chavistas: a primeira foi no meu bairro, Montalbán, já à noite quando voltava pra casa, era um show musical, há muitos por aqui. Quando cliquei o artista que aparece aí estava cantando hip-hop; e a última é um grupo cantando e tocando (alguns "bailando") salsa, um ritmo caribenho, o mais popular em Cuba (é muito apreciado aqui também, mas o mais popular por aqui é o merengue). 

É no centro, pertinho da Praça Bolívar (aparecem uma barraca do PSUV, Partido Socialista Unido da Venezuela, e a cúpula, com uma bandeira, do prédio da Assembleia - Congresso - Nacional). O PSUV é o grande partido de massa chavista, fundado em 2008, ou seja, já com Chávez na Presidência. Quando ele foi eleito pela primeira vez, em 1998, o foi pelo Movimento V República, em contraposição à chamada IV República, sistema democrático dentro dos marcos da democracia liberal e neoliberal, que chegou ao final do século 20 desgastadíssimo e foi jogado como lixo para a história com a ascensão do chavismo.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

REQUIÃO: "OPORTUNISMO, IRRESPONSABILIDADE, CIUMEIRA E RESSENTIMENTO"


Requião: "Não sejamos ingênuos de pedir ou exigir compostura da mídia. Não faz parte de seus usos e costumes. Sua impiedade, sua crueldade programada pelos interesses de classe não estabelece limites".
Por Roberto Requião, senador pelo PMDB/Paraná


Não costumo assinar manifestos, abaixo-assinados ou participar de correntes. Mas quero registrar aqui minha solidariedade a Luís Inácio Lula da Silva, por duas vezes presidente do Brasil.

Diante de tanto oportunismo, irresponsabilidade, ciumeira e ressentimento não é possível que se cale, que se furte a um gesto de companheirismo em direção ao presidente Lula. Sim, de companheirismo, que pouco e me dá o deboche do sociólogo.

A oposição não perdoa, e jamais desculpará a ascensão do retirante nordestino à Presidência da República.

A ascensão do metalúrgico talvez ela aceitasse, mas não a do pau-de-arara. Este, não!

Uma ressalva. Quando digo oposição, o que menos conta são os partidos da minoria. O que mais conta, o que pesa mesmo, o que é significante, é a mídia, aquele seleto grupo de dez jornais, televisões, revistas e rádios que consome mais de 80 por cento das verbas estatais de propaganda. Aquele finíssimo, distintíssimo grupo de meios de comunicação “que está fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada”, como resumiu com a sinceridade e a desenvoltura de quem sabe e manda, a senhora Maria Judith Brito, presidente da Associação Nacional dos Jornais.

(Para continuar lendo no Vi o Mundo)

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O PROBLEMA DE CHÁVEZ NÃO É GANHAR A ELEIÇÃO, MAS GANHAR COM UMA GRANDE DIFERENÇA



Chávez em ato de campanha, quarta, dia 26, na cidade de Coro, estado de Falcón (noroeste do país): "Temos que ganhar em 7 de outubro de maneira esmagadora" (Foto: AVN)
Seria o meio mais eficaz de enfraquecer as denúncias de fraude que a oposição fará após a divulgação dos resultados, através do poderoso esquema midiático internacional

De Caracas (Venezuela) - A 10 dias das eleições, com entusiástica mobilização popular e pesquisas de opinião apontando, de forma estável, uma vitória folgada, o grande problema do presidente Hugo Chávez não é ganhar, mas ganhar com uma grande margem. Só assim – acreditam os chavistas – as denúncias de fraude que a oposição fará logo após o anúncio dos resultados – noite do dia 7 e 8 de outubro - poderão cair no descrédito, mesmo contando com o poderoso esquema internacional do chamado terrorismo midiático, sob a batuta da CIA (agência de inteligência do império estadunidense).

Os institutos de pesquisa considerados confiáveis não têm deixado dúvida: desde o início do ano, quando os partidos oposicionistas escolheram seu candidato, vêm despejando números que indicam uma preferência indiscutível pelo “candidato da Pátria” sobre o principal opositor, Henrique Capriles Radonski, governador do estado de Miranda. Na quarta-feira, dia 26, a Hinterlaces, uma das empresas pesquisadoras de maior credibilidade, divulgou sua última safra de números antes do pleito (pesquisas só podem ser divulgadas até 30/setembro).

O diretor da Hinterlaces, Oscar Schemel, apresentou dois cenários: num Chávez ganha com diferença entre 14% e 16%; num segundo entre 10% e 12%, dependendo do nível de abstenção, estimado em 25% (na Venezuela o voto não é obrigatório). Destacou que um terceiro cenário seria “absurdo”, pois é “uma obrigação profissional” mostrar as previsões mais prováveis: “Não temos um cenário em que ganhe Henrique Capriles”, frisou, segundo amplo noticiário da imprensa chavista.
Schemel: "Não temos um cenário em que ganhe Henrique Capriles" (Foto: AVN)
Já a Internacional Consulting Services (ICS), com base na sua última sondagem, revelou na terça-feira, dia 25, que o chefe da chamada revolução bolivariana conta com 55,1% das intenções de voto, frente a 35,4% do aspirante da direita - uma diferença de 19,7%; 6,4% disseram que não votarão e 3,1% não sabem ou não responderam (margem de erro para mais ou para  menos 2%). Outro instituto, Consultores 30.11, divulgou sondagem nesta semana: Chávez – 57,2%; Capriles – 37,5%.

A direita vai “cantar fraude”, sabe que vai perder e maneja seu “plano B”

Até empresas de pesquisa tidas como afinadas com a oposição, como é o caso da Datanálisis, adotam agora dados considerados mais realistas. Sua última sondagem, divulgada também na terça, prevê 49% para Chávez e 39% para Capriles, conforme noticiou Últimas Notícias, o jornal mais lido do país e de política editorial mais ou menos equilibrada. Mas o dirigente da Datanálisis, Luis Vicente León, apresentou cenários menos desfavoráveis ao postulante da direita, comentando que “o único candidato que tem crescido é Henrique Capriles Radonski”.

De qualquer forma, para além das paixões e interesses políticos, um mínimo de sensatez recomenda que se acredite na vitória iminente dos bolivarianos. E as lideranças chavistas não só acreditam, como garantem que o comando oposicionista também acredita. Daí o empenho para atingir um patamar nunca antes alcançado: 70% dos votos e 10 milhões de votos, num eleitorado hoje em torno de 18 milhões (Na eleição de 2006, o “comandante” conseguiu 7,3 milhões de votos - 63%, enquanto o opositor Manuel Rosales ficou com 4,3 milhões – 37%; a abstenção foi 26%).

Porque assim enfraqueceriam o esperneio da direita quando sua derrota for anunciada, provavelmente na madrugada de 7 para 8 de outubro, com total respaldo da mídia “amiga”, conforme raciocinam os chavistas. Eles não têm dúvidas e repetem – eles e o próprio Chávez – todo santo dia nas entrevistas e nos discursos: a direita vai desconhecer os resultados e “cantar fraude”, a direita sabe que vai perder e maneja seu “plano B”, a direita busca provocar com atos violentos um cenário de desestabilização, de caos e de medo.

Há mais um detalhe nesse ambiente carregado de ameaças e suspeitas: líderes governistas vêm denunciando que está em marcha a pretensão da oposição de fazer uma suposta totalização paralela dos votos, de maneira a poder anunciar supostos resultados da votação antes do anúncio oficial do Conselho Nacional Eleitoral (CNE, equivalente ao nosso TSE, que já definiu que só vai anunciar o primeiro boletim da apuração, provavelmente na noite de 7 de outubro, quando os números já indiquem uma tendência irreversível). Imaginem a confusão: as corporações da mídia alardeando pelo mundo afora uma suposta vitória de Capriles, com base na “totalização paralela” do comando oposicionista!
O sistema venezuelano tem o que tanto Brizola reclamava: o papelzinho para comprovar o voto (Foto: Internet)
De Jimmy Carter, Leonel Brizola, votação eletrônica e nacionalismo

No “cantar fraude” está incluída a campanha de descrédito que a direita vem fazendo contra o CNE, que estaria, como “árbitro da partida”, beneficiando o chavismo. Ora, o órgão vem sendo agraciado com índices acima dos 70% de aprovação em pesquisas de opinião entre os venezuelanos. Não por acaso uma personalidade como o ex-presidente dos Estado Unidos, Jimmy Carter, que não pode ser “acusado” de esquerdista, nem tampouco de chavista, declarou recentemente que o sistema eletrônico de votação da Venezuela é o mais confiável do mundo (o Centro Carter, fundado por ele nos EUA, tem experiência com o trato de eleições em 92 países).

Por que será que Carter fez avaliação tão lisonjeira para o Poder Eleitoral venezuelano? Simplesmente porque o sistema fornece uma prova material do voto, um papelzinho, onde o eleitor pode conferir se o voto que ele marcou na maquininha corresponde ao que está no papel. Ou seja, a votação pode ser auditada, verificada, checada, recontada. No Brasil, por exemplo, tido como um sistema moderno, ágil e confiável, isso não é possível, não existe o tal do papelzinho.

Leonel Brizola, o velho guerreiro nacionalista perseguido pela Rede Globo de Televisão - quem se lembra? -, nunca confiou nas maquininhas do TSE brasileiro, não deixava passar uma oportunidade para denunciar a insegurança que representa a falta do comprovante do voto. Daí que o nosso Brizolão, se lhe fosse dado a ventura de acompanhar hoje os avanços da revolução bolivariana contra o imperialismo, estaria certamente apoiando-a e exaltando, com entusiasmo, o sistema eletrônico automatizado da Venezuela.

REVOLUÇÃO NA VENEZUELA: "NÃO HÁ POSSIBILIDADE DE AVANÇAR SE NÃO ENFRENTARMOS A DOMINAÇÃO CULTURAL BURGUESA"


Figueroa: "Os valores da sociedade burguesa ainda estão vivos e ativos na sociedade venezuelana" (Foto: Reprodução)
Entrevista com Amílcar Figueroa, historiador venezuelano e ex-presidente do Parlatino, sobre os cenários atuais e o contexto eleitoral na Venezuela:

(...)

"Tecer o tecido social da revolução a partir de baixo, fortalecer os organismos e o que é dado chamar de poder popular. Creio ser o estratégico. Não há chance de avançar se não dermos um salto na conquista da hegemonia social e, ao mesmo tempo, sem batalhar para reverter a atual dominação cultural. Ainda hoje não nos desprendemos da hegemonia cultural da burguesia. Os valores da sociedade burguesa ainda estão vivos e ativos na sociedade venezuelana. Em todas as instâncias. Então esta é a batalha estratégica frente a qual o movimento revolucionário tem de apontar as suas baterias. Sem uma visão estratégica, compreendendo ainda muitos outros problemas, não há avanços..."

(Para ler a entrevista no Brasil de Fato)





CARACAS TERÁ ÔNIBUS PARA 165 PASSAGEIROS




Trinta desses ônibus serão incorporados ao serviço de transporte da capital (Foto: AVN)
Camioneta: quase todos os ônibus que rodam hoje na capital são deste tipo (Foto: Jadson Oliveira)
De Caracas (Venezuela) - Vai ser um enorme contraste. Quase todos os ônibus que fazem atualmente o transporte público nas ruas da capital venezuelana são pequenos, chamados aqui "camionetas" ou "busetas", diminutivo de bus - ônibus. (Aparentam com as vans ou mini-ônibus aí do Brasil). Mas a partir do próximo dia 3 os caraquenhos passarão a usar também grandes ônibus, chamados ecológicos, com capacidade para 165 passageiros.

O novo sistema foi anunciado pelo presidente Hugo Chávez na terça-feira, dia 25. Ao todo serão 1.216 unidades. Destas, 30 serão incorporadas às rotas do BusCaracas, que se unirão com o serviço do metrô. Em Caracas o novo serviço terá 11 estações. Será operado por uma empresa socialista e a tarifa será de apenas 1,5 bolívar, igual à do metrô. Nas camionetas, que são exploradas pelos proprietários, chamados "transportistas" (não há grandes empresas donas de frotas de ônibus urbanos, como nas grandes cidades brasileiras), a tarifa hoje é de 4 bolívares (quase 1 dólar pela cotação oficial).

Conforme informações do governo, divulgadas através da Agência Venezuelana de Notícias (AVN), os ônibus ecológicos foram adquiridos através de acordos de cooperação com a China. Além da capital, serão distribuídos aos estados de Bolívar, Anzoátegui, Monagas, Miranda, Zulia e Lara.