segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Nasce o Pátria Livre


Roberto Requião
De Curitiba(PR) – Está nascendo no Brasil o Partido Pátria Livre (PPL), que se apresenta como nacionalista e prega o nacional-desenvolvimentismo. Na história, exalta figuras como Tiradentes e Getúlio Vargas. Sua principal bandeira atual é a defesa do petróleo do pré-sal para os brasileiros. Em relação à política nacional, apoia com entusiasmo o governo Lula (PT). No Paraná, fecha, também com entusiasmo, com o governador Roberto Requião (PMDB).

Mário Bacellar Filho
Depois de ter sido lançado nacionalmente em São Paulo, no dia 21 de abril (para lembrar Tiradentes), na última sexta-feira, dia 28, foi a vez do Paraná. Foi realizado em Curitiba o seu I Congresso Estadual, que escolheu o Diretório Estadual, presidido pelo velho militante de esquerda Mário Bacellar Filho.


Os militantes paranaenses do novo partido
Agora é lutar para atingir as 500 mil assinaturas e obter uma adesão significativa em pelo menos nove estados para, até 30 de setembro, conseguir o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que lhe dará condições de participar do processo eleitoral de 2010. O entusiasmo do encontro dá a indicação de que a meta será alcançada.
Requião participou da abertura do congresso e fez um discurso exaltando o surgimento de um "partido ideológico" de esquerda. Desfiou muito à vontade seu ideário nacionalista e condenou, como de costume, o mercado, o deus do neoliberalismo que, atualmente, anda cabisbaixo, depois da crise do capitalismo. O PCdoB, Partido Comunista do Brasil, esteve representado (não confundir com o PCB, Partido Comunista Brasileiro, o Partidão, que hoje tem uma linha bem mais à esquerda).


A mesa na abertura do congresso
O Pátria Livre (PPL) é herdeiro do MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro, data da captura de Che Guevara - 1967 -, executado no dia seguinte)। Herança que os militantes do novo partido fazem questão de ressaltar. O MR-8 participou da luta armada contra a ditadura, inclusive do famoso seqüestro do embaixador dos Estados Unidos. Depois, já na abertura, adotou a luta mais institucional, eleitoral, de amplas alianças, dentro dos quadros do PMDB. Seu porta-voz mais notável é o jornal Hora do Povo.


"Quase nostálgico, com olhar de quem parte"


O "chinês", perto do meu bar predileto
há sempre um "boteco"...
Me permito citar a mim mesmo (que luxo!), de "carta de amor", para me despedir dos cantos e gentes curitibanos। É certamente meu último escrito por acá (já estou com o espanhol na cabeça, vou pra Assunção), meu último suspiro por aqui, plagiando o grande Luis Buñuel em sua bela autobiografia।


Já fiz meu último passeio "turístico" ao Parque Barigüi,
já vendi pro sebo meus livros companheiros dos últimos meses, tantos personagens que quebraram a solidão da alcova (quebrada também, felizmente, por UMA personagem especial, por um tempo, sempre pouco), já fiz meu último cuscuz, por onde "moro" deixo sempre um cuscuzeiro marcando minhas pegadas, já falei dos últimos contatos com os queridos lutadores dos movimentos sociais।

Vou dar uma última mirada (olha o espanhol) na Boca Maldita, mais uma caminhada até o Passeio Público, vou me despedir de mais um amigo, vou tomar a saideira no Stuart, outra no "chinês" – perto do meu bar predileto, há sempre um "boteco" alternativo. Em seguida, pé na estrada outra vez, em busca de novas rotinas, conhecer o desconhecido, abrir novas fronteiras do olhar. Até mais!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

A que corrupção você se refere?

De Curitiba(PR) – Eu também não gosto de ler um texto cheio de números। Acho muito chato। Mas vamos tentar, pois não só de prazeres é o nosso viver. Tente se concentrar um pouco: neste ano de 2009, até 4 de abril, o governo federal gastou R$ 207 bilhões (207 BI, não confundir com 207 milhões) com o pagamento do serviço e amortização da dívida interna e externa (incluindo a chamada “rolagem”).

Isso representa:

cinco vezes os gastos com servidores,
18 vezes o gasto com a saúde,
40 vezes os gastos com a educação ou ...

...1।210 vezes o gasto com reforma agrária”.

Os dados são citados por Maria Lúcia Fattorelli, coordenadora da Auditoria Cidadã da Divida, em entrevista à revista Caros Amigos de julho/2009. Ela ganhou notoriedade por ter participado no ano passado da auditoria da dívida do Equador, a convite do governo daquele país.

Os mesmos dados, em percentuais:
“Em 2008, mais de 30% do orçamento federal brasileiro foi destinado ao pagamento da dívida, enquanto os gastos com saúde foram de 4,81%, com educação, 2,57%, e com reforma agrária, 0,27%”। (Na mesma edição da revista, o deputado federal Ivan Valente, do PSOL-SP, que luta pela instalação da CPI da Dívida Pública, confirma em artigo intitulado O gargalo do desenvolvimento no Brasil: “Somente em 2008, o país desembolsou 30,57% de seu orçamento com juros e amortizações”).

ENCHENDO AS “BURRAS” DOS BANQUEIROS - Isso não é corrupção!? Com modestíssimas noções de economia e finanças, mas com a antena política ligada, me arrisco a proclamar: esta sim é a corrupção essencial, a corrupção substantiva, a que desvia montanhas de dinheiro arrecadado pelo governo para as “burras” das corporações financeiras (nacionais e estrangeiras), em detrimento das necessidades sociais। Ou você imagina que os escandalosos lucros dos bancos nada tenham a ver com as crianças que morrem de fome por esse Brasilzão
Corporações financeiras (nacionais e estrangeiras) que subornam governos, compram agentes públicos, financiam políticos. E por que será que sai governo e entra governo e este escândalo não se altera? (podemos apontar inúmeros avanços do governo Lula, em relação ao entreguista FHC, mas neste particular o quadro é imutável). Por que será que nossos telejornais, revistas semanais (exceção para Carta Capital) e jornalões não falam da corrupção substantiva? E nossa Justiça, agora “investida” de superpoderes?

É por isso que quando topo com alguém falando de corrupção, o que ocorre quase todos os dias, me vem logo a indagação: a que corrupção você se refere? A cada temporada estoura um caso, com mil e um desdobramentos, matracados a todo dia, a toda hora, no juízo das pessoas. Da farra da dívida, do saque dos nossos recursos naturais, da entrega das nossas empresas estatais às multinacionais, nada, só o silêncio cúmplice. Corrupção no atacado, não! Só no varejo! E seletiva!

O VÍRUS “C” É MAIS LETAL QUE O “A” - Agora é a vez do Senado, como se ele não fosse o retrato – dentro das devidas proporções – das nossas casas legislativas, nos diversos níveis। O vírus C (de corrupção, muito mais letal do que o A, da gripe suína) disseminado pelos parlamentos da nossa carcomida democracia representativa। Atos secretos!? Grande novidade, santa hipocrisia! Os nobres parlamentares (a maioria, sempre há as exceções) devem ficar, no íntimo, indignados: “Corruptos nós? Por que só nós?”

Quando se fala em auditoria da dívida, um dispositivo contido na nossa Constituição de 88, a grande mídia brasileira - sempre atrelada aos interesses das corporações transnacionais, as que se acham com direito a mandar no mundo, embora nunca tenham se submetido a qualquer eleição - salta logo enfurecida: é calote, não pode, o Brasil tem que honrar seus compromissos.

A Argentina, depois de declarar moratória em 2001 e passar por um período de convulsão social, conseguiu renegociar a dívida e respirou um pouco. O Equador auditou sua dívida e descobriu enormes ilegalidades. Seu exemplo está sendo seguido pelo Paraguai e deve ser seguido ainda pela Venezuela e Bolívia. E o Brasil?

Após advertir que “os dados divulgados pelo governo e pela grande mídia costumam ser manipulados, excluindo parcelas importantes das dívidas externa e interna”, a auditora Maria Lúcia Fattorelli revela que, ao final de 2008, a dívida externa chegou a US$ 267 bilhões e a interna, que atualmente parece ser a mais danosa, alcançou R$ 1,6 trilhão.

(Ivan Valente, no mesmo artigo mencionado acima, cita números semelhantes. Ele lembra a evolução vertiginosa da dívida interna: janeiro/1995 – R$ 61,8 bilhões; dezembro/2002 – R$ 687,3 bilhões; e janeiro/2009 – R$ 1,6 trilhão).

O POVO PAGA O BANQUETE DOS ESPECULADORES - Fattorelli explica a controvérsia sobre a suposta eliminação da dívida externa brasileira (o governo chegou a anunciar que se tornou “credor externo” devido ao volume das reservas), concluindo ter sido um processo prejudicial à economia do país e muito rentável para os especuladores. Tal processo está vinculado ao crescimento rápido da dívida interna (é uma coisa meio complicada, pelo menos para mim e, presumo, para a maioria das pessoas).

E desvenda na entrevista como se dão as “mágicas” em torno da dívida, cujo resultado é o saque criminoso dos recursos das nações mais pobres, patrocinado por organismos tipo Fundo Monetário Internacional (FMI), que foi ferido mortalmente com a atual crise do capitalismo, mas busca reerguer-se, de alguma forma, para continuar servindo ao império dos Estados Unidos।
ITAIPU – UM CASO EXEMPLAR - Ela dá os números de um caso exemplar, carimbando sempre os absurdos como “ilegalidades”: a dívida proveniente da construção da usina de Itaipu, a binacional do Brasil e Paraguai. Foi orçada em US$ 2 bilhões (agora estamos falando de dólares) e acabou custando US$ 20 bilhões – 10 vezes mais. Tem mais: como resultado da alta de juros e atualização monetária, “até hoje Itaipu pagou de serviço desta dívida US$ 25 bilhões, ou seja, 12 vezes seu custo orçado inicial, e ainda assim a dívida hoje está em quase US$ 20 bilhões!”.

É mole? Parece piada. Mas, ainda tem mais. Maria Lúcia Fattorelli conclui o relato da “tenebrosa transação” (a lembrança do nosso Chico Buarque é minha): “Caso não se altere esta situação, Itaipu pagará ao todo US$ 63 bilhões por uma obra que deveria ter custado US$ 2 bilhões!”

(Vale ler a entrevista, repito, Caros Amigos no. 148 – julho/2009. Mais material sobre a “experiência histórica” do Equador pode ser visto no sítio da Auditoria Cidadã da Divida – http://www.dividaauditoriacidada.org.br/).

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O papo é alfabetização digital


De Curitiba(PR) – Descobri uma coisa simples e, ao mesmo tempo, chocante: sou um analfabeto digital। É até chique dizer isso! No fundo, parece que já tinha uma semiconsciência disso, mas constatei, com toda consciência, ao assistir a uma palestra, seguida de debate, na quarta-feira, dia 19, sobre Digitalização e convergência das mídias, dentro da II Jornada pela Democratização da Mídia, organizada pela Comissão Paranaense Pró-Conferência de Comunicação (CPC/PR)।


Não compreendi quase nada. Como se diz, "um burro olhando pro palácio" (um ditado popular de muito mau gosto, por sinal). Tentei acompanhar o palestrante, os esquemas dos slides, nada. Agüentei firme, pensei, quando começar o debate talvez eu pegue alguma coisa. Começou, e nada. Aqueles termos estranhos, a maioria em inglês. "Como é que vou escrever sobre isso no meu blog?", fiquei me perguntando. Fui dormir com esta indagação e acordei decidido: "Vou comentar sobre minha ignorância digital, talvez valha pela originalidade". Dito e feito.




O palestrante foi James Görgen(fotos), jornalista, ex-secretário-executivo do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e ex-coordenador de projetos do Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom)। Ele acompanhou o processo de privatização das empresas de telecomunicações e coordenou o projeto de pesquisa Donos da Mídia (www.donosdamidia.com.br). Atualmente, é coordenador geral de Políticas Audiovisuais da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, mas falou em seu nome pessoal, como pesquisador da matéria.



OS DONOS SÃO SEMPRE OS MESMOS - Como se vê, um currículo respeitável, uma rica experiência. Görgen deu dados históricos, as conceituações, comentou sobre as oscilações do tema no governo Lula, a imensa força dos bilhões de reais envolvidos, o poder das empresas de telecomunicações (as teles, como são chamadas), dos provedores, das redes na Internet (comunidades virtuais, não sei bem como denominar), das TVs por assinatura, esse emaranhado ligado às novas tecnologias da informação, cujos donos costumam ser as mesmas corporações empresariais que dominam a mídia.
Usou metáforas elucidativas, como comparar as estradas digitais com as nossas estradas reais, as rodovias, e também com as árvores. Eu tentava acompanhar, ia pelo tronco da árvore, passava pelos galhos e quando chegava nas folhas já estava baratinado. ("Resistir, quem há-de?", já dizia o poeta). Mas, pelas discussões, julgo que os participantes aproveitaram bem, uma boa parte pelo menos.




James Görgen fez uma advertência: os representantes dos movimentos sociais que vão à I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), prevista para dezembro, têm que se prepararem para enfrentar os dos empresários (também os do governo), os quais, com aquele discurso de "defesa da liberdade de expressão", podem passar por cima das posições mais democráticas। "Não são suficientes só as bandeiras, é preciso fundamentar as propostas", alertou। Rachel Bragatto, do Intervozes (Coletivo Brasil de Comunicação Social), integrante da CPC/PR, lembrou "o risco de se engolir os anzois armados pelos empresários".


ABISMOS DA DESIGUALDADE - Creio que consegui dar uma pálida idéia do conteúdo da palestra, mesmo tropeçando nas palavras e conceitos. Mas voltando ao ponto inicial, o papo, na verdade, não é bem inclusão digital, como se apregoa por aí. E sim alfabetização digital. Num momento em que ainda pululam analfabetos tradicionais, da vida real, poderíamos chamar "analfabetos analógicos?"
Veja os abismos entre as gentes: outro dia vi um especialista dizendo na TV que a meta até 2015 é alfabetizar (ensinar a ler e escrever) 17 milhões de pessoas na América Latina। Isto representaria eliminar 50% dos analfabetos। Claro, sem falar nos milhões de semialfabetizados, os que sabem codificar e decodificar os sinais da escrita, mas não compreendem o que lêem e o que escrevem.


E quanto aos analfabetos digitais, quem se arriscaria a fazer estimativas? Essa dura realidade talvez explique a perplexidade e a angústia manifestadas por alguns dos participantes do evento, diante dos desafios colocados à frente dos ativistas sociais. Ao final, porém, predominou a voz dos que ousam lutar e tentam vencer.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Movimentos sociais protestam nas ruas


De Curitiba(PR) – Foram mais de 20 entidades envolvidas na manifestação, inclusive o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), que tem o maior poder de mobilização dentr

e os movimentos sociais. Em torno de mil pessoas, a maioria com bandeiras vermelhas, percorreram ruas centrais de Curitiba gritando palavras-de-ordem em defesa do Brasil e do povo brasileiro. Foi a parte dos paranaenses na “jornada nacional de lutas”. O bordão central: “Os trabalhadores não vão pagar pela crise”.

A concentração iniciou-se a partir das 8 horas da sexta-feira, dia 14, na Praça Santos Andrade, no centro da cidade. E após cerca de duas horas de marcha – Rua João Negrão, Avenida Iguaçu (no bairro Rebouças) e Avenida Marechal Floriano -, os manifestantes retornaram ao centro para o encerramento na Boca Maldita, por volta de 13:30 horas.

Márcio e João Paulo: a comissão pró-Confecom vai às ruas
Uma manhã de muitos discursos inflamados, empenho e entusiasmo dos ativistas sociais para mostrar aos curitibanos as posições reais das esquerdas, sempre escondidas ou distorcidas pela maioria das TVs, rádios e jornais do país. Foram às ruas dizer que querem o petróleo brasileiro para os brasileiros, querem a reforma agrária, querem trabalho, justiça e dignidade para o povo, querem autonomia e altivez frente à voracidade dos grandes capitalistas nacionais e estrangeiros, querem a revolução socialista, querem a integração soberana da América Latina, querem a volta do presidente deposto por um golpe em Honduras.

Foram às ruas dizer que são contra a criminalização dos movimentos sociais, são contra o “derrame” de dinheiro despejado na goela insaciável das corporações financeiras (o dinheiro tem que ser para a educação, saúde e moradia), são contra os monopólios da mídia, são contra a matança diária de jovens (negros e pobres) nas periferias das grandes cidades, chega de demissão, de mentira, de corrupção!

São estes e outros mais os pontos abordados nos discursos, que começaram na Santos Andrade, defronte da Universidade Federal. Lá falaram os representantes do PT, PC do B, PSTU, PCB e PSOL (foi, portanto, como dizem as esquerdas, uma manifestação unitária). Também os deputados estaduais Tadeu Veneri e professor Lemos, ambos do PT. E houve apresentação teatral do Grupo Palco Escola, do Colégio Estadual Cruzeiro do Sul, que voltou a se apresentar no final.

Durante a passeata, houve uma parada em frente à sede dos Correios (já quase dobrando para a Avenida Iguaçu), abraçada simbolicamente em defesa do seu papel como empresa púbica (situação confirmada em recente decisão do Supremo Tribunal Federal – STF). Aí falou o deputado federal Dr. Rosinha, também do PT. Já quase chegando à Boca Maldita, ao passar por uma agência do Banco do Brasil, falou o presidente do Sindicato dos Bancários, Otávio Dias, lançando a campanha salarial deste ano.

A polícia controla o trânsito para a passagem dos manifestantes
Os discursos no carro de som, entremeados pelas exaltações dos incansáveis animadores – Darli Sampaio, do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores (Cepat), e Diego Moreira, do MST -, foram se sucedendo ao longo do percurso e no ato final, na Boca. Falaram representantes das centrais sindicais, das entidades estudantis, das mulheres, dos negros, dos diversos movimentos e organizações populares. O pronunciamento final, em nome da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), foi feito por Gustavo Erwin, chamado de Red (vermelho - além de militante de esquerda, ele é ruivo).

Há dois meses, o MST e outros movimentos já tinham agitado as ruas da capital paranaense e realizado debates dentro da mesma temática em escolas e bairros. A “jornada nacional de lutas”, como o enunciado indica, aconteceu em pelo menos uma dezena de estados, inclusive com atividades desde o início da semana, como foi o caso de Curitiba.

(O panfleto convidando para a manifestação é assinado por 24 entidades: CUT, CGTB, CTB, Intersindical, Assembleia Popular, Cebrapaz, CMB, CMP, Conam, FDIM, Marcha Mundial das Mulheres, MST, MTD, MTL, MTST, OCLAE, UBES, UBM, UNE, Unegro/Conen, Via Campesina, CNTE, Círculo Palmarino e Consulta Popular).

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Paranaenses voltam à Boca (carta de amor)

De Curitiba(PR) – Amor, eu ia escrever uma matéria jornalística, mas resolvi fazer uma carta de amor, uma carta de amor incluindo coisas ridículas e com o dizer errado/certo do povo (desculpe, andei lendo Fernando Pessoa e Manuel Bandeira).


Manifestação do Fórum popular contra o pedágio

Militantes do MST iniciaram manifestaçõएस
de rua na terça-feira
A matéria era pra dizer que o pessoal ligado a mais de 20 entidades do movimento social, como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), volta ao centro de Curitiba para protestar contra os efeitos da crise do capitalismo, os quais terminam sempre caindo no lombo dos mais pobres. Por obra e mágica dos governos e dos capitalistas. (Lembras? em junho último, o MST e outras entidades fizeram manifestações e debates aqui, pelo mesmo motivo, acompanhados pelo repórter deste blog).Nesta sexta-feira, dia 14 (dia do aniversário de um casal muito nosso conhecido), será o chamado ponto alto da “jornada nacional de lutas”। Eles farão concentração a partir das 8 horas, na Praça Santos Andrade (aquela da Universidade Federal e do Teatro Guaíra) e, em seguida, ato político/cultural onde? onde? lá mesmo, na Boca Maldita.


Pelo petróleo: Luis Rosa (Centro Che Guevara)
e Gustavo Erwin (CMS)

Aglomerações não faltam
no calçadão da Rua XV
Pois bem, numa carta de amor não preciso me ater àquele jeitão convencido do falar jornalístico e quero te falar mais à vontade da minha afeição pela Boca, como dizem, abreviadamente, os curitibanos। Na verdade (assim falava, ainda bem pequena, tua afilhada Ana Carolina), aquele calçadão da Rua XV de Novembro, que considero a alma da cidade।
(Interrompo, por um momento, para ver e fotografar, da minha janela do 16º andar, as duas colunas de sem-terra que já começam, nesta terça-feira, dia 11, a agitar as ruas। Vão pela André de Barros martelando suas palavras-de-ordem, incansáveis, pela reforma agrária, em defesa dos direitos sociais, etc, etc).

Uns leem jornais, os (e as) jovens
preferem revistas "femininas"
Te falava da Boca, da Rua XV, daquele fervilhar de gente, a maioria de casaco escuro no frio inverno sulista। Por onde me habituei a circular todos os dias desde o primeiro dos quase seis meses curitibanos. As gentes e coisas que vejo primeiro com olhar de surpresa, olhar de quem chega, e depois, já agora, quase nostálgico, com olhar de quem parte. Por onde me acostumei a parar nas bancas de jornal (nas revistarias, nome que usam por aqui), para ler as primeiras páginas afixadas, as manchetes com a gripe suína (quem agüenta?) e Sarney, o repetidor da Globo no Maranhão, o “presidente da transição” – só agora a chamada grande imprensa “descobriu” tratar-se de um pequeno demônio.

Tu já viste, mas quero te mostrar outra vez, afinal esta carta de amor não é só tua, é minha também, e cada um tem seu jeito de ver (já me disseste esta grande verdade)।

Zé do Bandoneon (José Antônio Scholtz)
Dupla de repentistas: um se diz alagoano,
o outro pernambucano
Amarildo Ricardo, no e-mail "palhaço doida"
Quero falar dessas figuras estranhas que aparecem na Boca, dos malabaristas da sobrevivência, o sem-braço que toca violão, o sem-perna que joga futebol, os repentistas que se dizem nordestinos, os músicos populares, os enganadores com seus remédios milagreiros, os mágicos, os artesãos, as “estátuas vivas”, os vendedores e vendedoras de PF, de cocada, de retrato, de pipoca, de tanta coisa... os palhaços que vendem barato sua falsa alegria. Mas sobrevivem, é o que importa. Até aqueles que, à noite, mais tarde, dormem sob as marquises enrolados em sujos cobertores (com esse frio e chuvisco, meu deus do céu!).

Na fila do McDonald's para comprar sorvete


"Colabore com nossa carreira",
pedem os garotos no cartaz


A "bicicleta folclórica" do Jacaré
(material de garrafas plásticas)

Quero te falar também dessa gente mais bonita, as mulheres batem firme o salto das botas, tok, tok, tok, tok... desfilam sua elegância, nada como o frio! A gente que compra, compra, compra no desespero desse fundamentalismo moderno (alô Milton Santos, grande cientista baiano). Que bebe chopp, que bate papo, que fofoca (razão do nome Boca Maldita), que faz fila no McDonald’s pra comprar aquele sorvete “plastificado”. E têm ainda as barracas de órgãos governamentais, oferecendo serviços e orientação, ora sobre aleitamento materno, ora sobre hipertensão arterial, etc, etc. Outro dia medi minha pressão por lá, está, por enquanto, sob controle.

Dalva, da cocada (esquina da Rua XV com a Rio Branco)
Anunciando retratos para documentos

Amor, comecei esta carta com política e vou acabar com política। Já me disseram que só vejo política em minha frente. Será? Mas tudo é política, não? Então, os militantes políticos levam também suas bandeiras até a Boca. Sempre estão por lá, pedem sua adesão, sua assinatura para um projeto de lei ou um
abaixo-assinado। Passam por lá os representantes do Fórum popular contra o pedágio, de campanhas como O petróleo tem que ser nosso, pela criação do Partido Pátria Livre, contra a bomba nuclear... falei pro cara “tem que dizer que a bomba foi jogada no Japão pelo império dos Estados Unidos, não foi pelo Irã, nem Coreia do Norte, nem Cuba e nem tampouco pela Venezuela...” “Tá certo, tá certo...” concordou।

Sábado passado, dia 8, revivi meus velhos tempos de militante comunista. Participei de um curso de formação (ao todo são três módulos, quatro horas cada) sobre Marxismo para Revolucionários, patrocinado pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), a cargo do economista José da Silveira Filho (professor Caju, do Partido Comunista Marxista-Leninista – PCML). A sede do PCB fica ali mesmo num edifício da Boca Maldita. Eu era o mais velho do grupo, alguns bem jovens, me vi um pouco neles, uns 30 anos atrás, sonhando com a revolução popular, socialista. Mas, na verdade, creio que continuo sonhando, de olho na utopia. Afinal, tenho a humanidade em boa conta.


Professor Caju (de pé, do PCML) e Rodrigo Jurucê (PCB)
(Atenção: não confundir com o Partido Comunista do Brasil – PC do B, bem maior e mais conhecido, priorizando hoje as atividades institucionais, inclusive participando do governo Lula। Ambos – PC do B e PCB – reivindicam a herança histórica do PC desde a fundação, em março de 1922).Assim, amor, minha boa vida vai passando, o tempo escorregando às vezes devagar, às vezes mais rapidamente do que esperamos. “Se a vida, que é tudo, passa por fim, como não hão-de passar o amor e a dor, e todas as mais cousas, que não são mais que parte da vida?” (Fernando Pessoa).
Porém, isso é a vida de cada um, porque a vida, propriamente dita, não passa.

Que tal minha carta de amor? Beijos, te amo.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Sistema público de comunicação: como chegar lá?

De Curitiba(PR) – Este é mais um dentre os desafios colocados para os movimentos sociais que vão participar da I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), prevista para dezembro próximo. Há uma grande confusão – conceitual e de legislação – envolvendo o tema e, principalmente, pouca "bala na agulha" na chamada sociedade civil para enfrentar os pesos-pesados das corporações da mídia privada.

O assunto foi debatido no sábado, dia 8, pela Comissão Paranaense Pró-Conferência de Comunicação (CPC/PR), dentro da II Jornada pela Democratização da Mídia, que se iniciou em 11 de julho e vai até 5 de setembro, com encontros mais ou menos de 15 em 15 dias. Desta vez a palestra foi de Jonas Valente (foto), que integra o Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação e faz parte da Comissão Organizadora Nacional da Confecom.

TV PÚBLICA OU ESTATAL? - A confusão começa logo na dificuldade de se identificar se uma emissora de rádio ou TV é pública ou é estatal. E se estende a outras definições, como a forma de controle social (no caso de um Conselho Curador, quando existe, quem escolhe ou como se escolhem seus membros), as formas de financiamento, a orientação da programação, etc.

Pegando um exemplo paranaense: a TV Paraná Educativa – talvez a mais atuante e progressista do ponto de vista político e ideológico entre as "educativas" brasileiras -, utilizada pelo governador Roberto Requião como trincheira de resistência contra o cerco midiático de que é vítima, é uma TV pública ou estatal?

Jonas Valente falou da experiência da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), reforçada recentemente com a criação da TV Brasil (dezembro/2007). A EBC tem ainda oito emissoras de rádio, uma agência de notícias e outros serviços. É a principal referência no caso brasileiro. Apesar de representar um avanço frente aos oligopólios da mídia privada, carece de efetiva participação da sociedade na sua direção.

Falta um projeto mais arrojado para a TV Brasil, como avaliou o representante do Intervozes. "É preciso chegar à população com uma programação competitiva", frisou, lembrando por exemplo a necessidade de inclusão de novelas, que não têm de ser necessariamente imbecilizantes.

OS DONOS DA MÍDIA QUEREM, NO MÍNIMO, TUDO - Talvez por isso (também) a audiência das TVs públicas (e/ou estatais) seja tão pequena. Embora a medição seja considerada um terreno movediço – mesmo porque se concentra sempre nas cidades de São Paulo e Rio -, o Intervozes estima que cabe às públicas (e/ou estatais) uma parcela de 3% a 5% dos telespectadores.

Convenhamos, é uma fatia diminuta diante dos imensos "latifúndios" das redes Globo, Record, SBT e Band, o que mata na raiz qualquer avaliação que indique a existência de sistema político democrático no Brasil. Mas, pelo visto, parece que os donos da mídia querem, no mínimo, tudo. Há poucos dias, o jornal Folha de S.Paulo, um de seus porta-vozes, defendeu em editorial a extinção da TV Brasil.

Porém, há outra face da moeda (sem trocadilho, pois estamos falando de moedeiros): frente às restrições, protelações e boicotes promovidos pelos empresários contra a Confecom, Jonas Valente, com toda a tarimba de militante da área, bota o dedo na ferida: "Eles têm medo do debate público".

Ele apresentou durante a palestra uma rica ferramenta para os que querem conhecer o assunto, o livro "Sistemas públicos de comunicação no mundo: a experiência de 12 países e o caso brasileiro", elaborado graças ao empenho do Intervozes. São examinados os casos da Alemanha, Austrália, Canadá, Colômbia, Espanha, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Portugal, Reino Unido e Venezuela.

DIGITALIZAÇÃO E CONVERGÊNCIA DAS MÍDAS – Este tema dá seguimento à jornada, no próximo dia 19, uma quarta-feira, a partir das 18:30 horas, sempre no Sindicato dos Trabalhadores da Educação (APP-Sindicato). Celso Schröder, do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), fará a palestra. No dia 5 de setembro, quando se encerra a programação organizada pela CPC/PR, será a vez do tema Universalização da banda larga, inclusão digital e Internet.

sábado, 8 de agosto de 2009

Lembrança do destemido dom Timóteo

De Curitiba(PR) - Pelo menos dois episódios marcaram a passagem do monge Timóteo Amoroso Anastácio, conhecido como dom Timóteo, como abade do Mosteiro de São Bento, em Salvador-Bahia: a destemida resistência à invasão policial do mosteiro durante perseguição a estudantes, no tumultuado ano de 1968, culminado em 13 de dezembro com a edição do famigerado AI-5 (para os mais jovens, o Ato Institucional n. 5, que radicalizou a ditadura e matou o renascente movimento de massas contra o regime militar); e o famoso diálogo que o beneditino promoveu entre os católicos e o candomblé, iniciativa que resultou na memorável Missa do Morro, um escândalo para os conservadores.

Mas quero dar meu testemunho sobre fatos mais corriqueiros, aparentemente menos heróicos, reflexo do dia-a-dia da ação do nosso monge no apoio aos movimentos sociais em luta contra os aproveitadores da ditadura militar.

Refiro-me particularmente à atuação dos bancários baianos na década de 70, na peleja para expulsar os pelegos do sindicato। Que relação pode ter isso com dom Timóteo? Aí é que está, tem relação sim. Como ocorreu com vários outros segmentos populares, pois ele estava sempre ao lado dos mais pobres, dos injustiçados, dos olvidados.

Eu trabalhava no antigo Baneb, o Banco do Estado da Bahia, que, depois, na era do entreguismo de FHC, foi “doado” ao Bradesco (mandava na Bahia o então cacique Antonio Carlos Magalhães, o ACM). Em 1975, organizamos uma chapa para concorrer às eleições do sindicato. Era a Oposição de Verdade, a Chapa Verde (havia essa coisa de uma cor para cada chapa, claro que ninguém escolhia o vermelho, era uma cor banida).

Nossa chapa era encabeçada por Corinto Soares Joazeiro (do antigo Banco Econômico), remanescente da oposição bancária desarticulada na época do AI-5. E tinha entre os membros mais destacados Vivaldo Ornellas, do Banco do Brasil (atuava no MDB, depois PMDB, vinha de uma campanha para suplente de senador); e o hoje blogueiro (dando ares de memorialista) que vos fala, que então militava clandestinamente no PC do B.

No fervor da campanha, a Delegacia Regional do Trabalho (DRT, órgão do Ministério do Trabalho) comunicou que alguns nomes da oposição tinham sido vetados pelos “órgãos de segurança”. Depois acrescentaram outros vetos e a chapa perdeu a condição “legal” de disputar. Hoje, para quem é jovem e não estudou nossa história contemporânea, pode parecer absurdo, mas se tratava de um fato normal para a época. (Os bancários baianos só conseguiram derrubar os pelegos, os aproveitadores da ditadura, em 1981, com a segunda chapa que concorreu após a tentativa da Chapa Verde).

Naquele clima de medo (voltamos a 1975), com o comunicado dos vetos através da DRT, onde nos reuníamos na maioria das vezes? Acertou! No Mosteiro de São Bento, sob a proteção de dom Timóteo, graças à ajuda do advogado Adelmo Oliveira, pessoa próxima ao monge, que se empenhou na defesa da chapa. Mas, os tais “órgãos de segurança” nem se deram o trabalho de dizer o porquê dos vetos. Adelmo, aliás, mereceria um texto à parte. Poeta, desprendido, solidário à causa dos oprimidos, foi também deputado estadual pela oposição. Não me esqueço. Quando lhe agradecemos, ele respondeu: “Não precisa agradecer. São deveres da cidadania”.

Voltando a dom Timóteo, que morreu em 1994, aos 84 anos. Era uma figura admirável, com um jeito tranquilo e sábio. Em resumo, um humanista. Me lembro ele dizendo numa entrevista: “Ninguém é herói para seu mordomo”. Espero que Fabiano o tenha retratado bem.

(Este texto, originalmente bem mais resumido, foi escrito há uns três meses, a pedido do meu filho, professor Fabiano Viana Oliveira, para publicação junto à biografia que escreveu sobre o religioso, a ser incluída em coleção patrocinada pela Assembleia Legislativa da Bahia. A previsão inicial é que o livro seria publicado neste mês de agosto, com o título A força de um abade amoroso).

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Meu bar predileto


Tião, Jamil, Dino (também abaixo em foto de 50 anos atrás) e Jadson
De Curitiba(PR) – Norma, minha filha, diz que a frase "meu bar predileto em tal cidade..." é a minha cara. Pois bem. Meu bar predileto em Curitiba é o Stuart, que existe desde 1904, no centro da cidade, ali na Praça Osório, a 50 passos da charmosa Boca Maldita, simplesmente a Boca para os curitibanos.


Nena e Helena (cozinheiras) com Jamil
Foi amor à primeira vista: no dia em que cheguei, há pouco mais de cinco meses, saí do hotel em frente à rodoviária, fui caminhando pela Rua Sete de Setembro, virei a Barão do Rio Branco, subi até a Rua XV, fui pelo calçadão e bati no Stuart. Pronto, estava fisgado.

Tião e Joelson abraçados por cliente/amigo
Assim, abro espaço neste meu blog – ultimamente dedicado à cobertura de movimentos sociais, em especial as atividades da Comissão Paranaense Pró-Conferência de Comunicação (CPC/PR) – para deixar registradas fotos com a turma do Stuart, clicadas por Deta, nossa fotógrafa titular, numa recente confraternização quando ela por aqui passou, curtindo o inverno curitibano.


Deta, nossa fotógrafa, entre Jamil e Tião


E estendo a homenagem, nostalgicamente, a outros prediletos, de preferência botecos (ou butecos), em locais onde morei ou por onde passei. Digo, graças talvez a uma espécie de licença literária, que a cidade é o meu bar, ou meu bar é a cidade, recordando com saudades os amigos ou parceiros fugazes de copo e de papo.
Belém e Rodrigo esbanjam
talento nas terças e sábados

Em Salvador, o bar de David, cujos "personagens" estão em crônica escrita desde Havana, Cuba, no início de 2008 (está neste blog – Porque hoje é sábado, véspera de caminhada). O Abaixadinho de Zé e o Alagoano (na Sete Portas, já extinto) dos tempos do jornal Tribuna da Bahia. O Plim-plim e o "Bahia", no Rio Vermelho, com os companheiros Sinval e Joaninha (minha editora, não repare a vã tentativa de concorrer com o Pilha Pura). A barraca de Maciel, no Cabula, o Quintal (Raso da Catarina), de José Irecê, o bar de Demétrio, com o pessoal da prefeitura, no início da década de 80 (do século passado, viu Carmelita!).


O centenário e aconchegante Bar Stuart
Em Seabra-Bahia (Chapada Diamantina), minha cidade natal (ou "quebrada de origem", como diz o cadastro da bandidagem), o bar de Eudaldo, meu primo, o Maré Mansa de Léo, o bar de Edinho, o de Deme. Em Itabuna, sul da Bahia – o Taurus, à margem do destruído Rio Cachoeira, fedorento, tomado pelas "baronesas". Em Brumado, sudoeste da Bahia – o barzinho do Veio João Vaqueiro, no povoado de Correia (alô, Militão!).


Rose (D), do movimento contra pedágios,
com amigos
Em Manaus, a Choparia São Carlos, no centro da cidade, chamada antigamente "bar dos Cornos" (com este título, há um arrazoado neste blog contando meu espanto ao descobrir tal denominação).

Christian
Dino e Valter
Deixei para o fim o mais chic, os internacionais: El Tuxpan, em Cuba, a uns 300 metros da centena de degraus da imponente escadaria da Universidade de Havana, já homenageado com singelos versos (está no blog, e em espanhol, coisa de velho boêmio metido a besta); e o San Vicente, em Caracas, a uma quadra do Palácio Miraflores, do governo da Venezuela।


Antonio, corredor cujas façanhas estão ,
neste blog: "A gente é do tamanho do sonho"
Adam e Dino, o gerente

Alemão

Tenho certeza de que, depois, vou me lembrar, "porra, me esqueci daquele buteco lá de..." Deixa pra lá, eu ia só mostrar as fotos do Stuart... (Falando tanto em bares, Stimison, lá de Seabra, vai pensar: "Meu irmão tá uma pessoa inutilizada")।