sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Peladeiros da Força Aérea

Jadson, Maia, Ribeiro, Elias, Eliezer, Ramos, Agostinho, Altomar, Monteiro e Duarte

Toda quinta-feira em Manaus tenho diversão garantida. Uma animada e simpática turma da Aeronáutica reúne-se nesse dia, final da tarde/início da noite, para jogar futebol, às vezes no campo do Cassam (Clube dos Suboficiais e Sargentos da Aeronáutica, na Vila Militar Ajuricaba), e quase sempre no Casota (Clube dos Cabos/Sds e Taifeiros da Aeronáutica), bairro de São Lázaro. Logo após a pelada, que chega a movimentar cinco times, há logo uma breve sessão regada a umas geladinhas.

Agostinho esbanjando animação durante toda a noite

Mas a confraternização, com um grupo mais reduzido, claro, segue rumo aos bares de Betânia e Morro da Liberdade, bairros das imediações, na Zona Sul। Linhares, que me introduziu na turma – através da apresentação de Anchieta e Valéria, seus camaradas de corporação e amigos meus de Paulo Afonso-Bahia -, me perguntou logo se eu gostava de jogar bola.

- Gostar, gostaria muito... Já joguei muita bola, mas depois de uma certa idade não jogo mais, respondi. E ele: “Em seguida, emendamos uma esticada pela noite e umas cervejas...” “Bom, aí dá pra mim, esse esporte eu pratico razoavelmente bem”, aceitei rapidinho.


Duarte, Linhares e Monteiro: firmes na pelada e na cerveja

E aqui estamos, no Bar do Ceará ou do Beto (ele disse que tanto faz), em Betânia, numa quinta-feira não muito quente (choveu hoje – que novidade! - e refrescou um pouco). O próprio Ceará e o gentil garçon Ruca não deixam faltar cerveja na mesa, bem como churrasco, com aquela farinha grossa tão comum na região (estranhei muito, mas aderi logo, logo, e estou gostando).

Sabedor de minhas predileções, Linhares, como bom amigo, arranja logo uma dose de cachaça, da boa, não é 51 não, pelo amor de Deus! Vou bebendo devagarinho, pois não posso dar vexame diante dos novos companheiros de copo. E o papo vai se animando, alteando as vozes, o teor alcoólico regulando os decibéis, mas tudo dentro da mais perfeita ordem, “sem alteração” (pra quem não é do ramo, isso é gíria de caserna).


O simpático garçon Ruca com uma amiga

“Saiba que meu grande amor, ela vai se casar, quero tomar todas, vou me embriagar...” O serviço de som ataca de Reginaldo Rossi, é o clímax, alguém próximo não se aguenta, levanta várias vezes da mesa, o braço direito estendido reforçando a exclamação: “Naná, sua miserável, volte, eu ainda te amo!”




O dono do bar, Ceará ou Beto, "tanto faz"

Lá pras 11, 12 horas, a farra está acabando, afinal amanhã ainda é dia de expediente. Um sugere uma saideira no Bar da Lene, pertinho, no Morro da Liberdade, mas a idéia não prospera. “Fica pra outro dia”, comenta alguém, como prêmio de consolação. Duarte, ao meu lado, me cochicha: “Somos os peladeiros da Força Aérea Brasileira”. E eu sorri pensando: achei o título da matéria (coisa de jornalista).



Maia com a esposa, Irlene, e a filha Giovana

A crônica e o título podem sugerir uma ironia, a pelada poderia ser interpretada como uma desculpa para a sobremesa, os bares. No entanto, asseguro que a interpretação estaria equivocada। Nossos peladeiros curtem realmente a pelada (parte considerável do bate-papo é sobre isso), mas por que não uma cervejinha depois?

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Em busca da utopia, uma terra sem males


A Cachoeira da Onça representou o que posso considerar o primeiro contato direto com alguma coisa da floresta amazônica, uma pequena amostra, muito acanhada certamente, mas já é um começo. Dá pra sentir que a gente está numa mata diferente, uma certa grandiosidade se imaginamos nosso mato da Chapada Diamantina ou (é sacanagem!) nossa caatinga do sertão baiano.

A caminhada pela trilha é um exercício prazeroso e saudável

A cachoeira propriamente dita é pequena, mas o seu entorno é grande.
Aquelas árvores compridas, produzindo sempre sombra, uma variedade de plantas, muitos riachos (chamados aqui igarapés) e pequenas pontes por toda a trilha, em torno de dois quilômetros, da sede da reserva ecológica até a cachoeira. Uma gostozura a caminhada.

Pequenas pontes embelezam a travessia dos igarapés

Fala-se numa grande variedade também de pássaros, animais e o que os técnicos chamam de formações rochosas।



Leitura da Carta da Floresta, uma exortação pela preservação


A Reserva Particular de Proteção Natural é mantida pela Fundação Rede Amazônica, que, por sua vez, é mantida pela Rede Amazônica de Rádio e Televisão, cuja TV é a repetidora da Rede Globo no estado।


Cachoeira da Onça em reserva no município de Presidente Figueiredo


Fica no município de Presidente Figueiredo (que nome!), a 107 quilômetros de Manaus, por uma BR que pode levar você até Boa Vista, capital de Roraima, depois de rodar 820 quilômetros (o asfalto é ótimo, mas quase sem acostamento, pelo menos nesta parte inicial, depois não sei, tem pela frente uns 100 quilômetros de barro numa reserva indígena, onde há restrições quanto a se rodar à noite).

A visita à reserva, de ônibus (três ônibus), na quarta-feira, dia 19, fez parte da programação do Festival Literário Internacional da Floresta – Flifloresta, ao qual já me referi na matéria anterior, SOS Amazônia। Paguei mais 25 reais, com direito a café da manhã, para a viagem.

Os organizadores do seminário (A Livraria Valer, a maior de Manaus, foi o principal patrocinador) quiserem apresentar, num ambiente apropriado, à sombra das grandes árvores e ao som da queda d'água, a Carta da Floresta.

Um pagé (com ramos) e outros representantes de nações indígenas

E assim o fizeram. Com simplicidade, mas com toques solenes, a combinar com o tema e local. Nada contundente, são declarações de princípio mais chegadas ao formal. Fala da crença "na utopia e na realização do sonho de edificação de uma terra sem males".

"Afirmamos nosso compromisso em defendê-la (a Amazônia) e empreender esforços para promover iniciativas capazes de preservá-la como espaço vital do ser humano, dos bichos, das plantas, das águas, dos passarinhos. De todos os seres, inclusive os encantados". E vai por aí... Bonito, poético.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

SOS Amazônia




O jornalista Washington Novaes
(foto), muito conhecido por sua dedicação à luta pelo meio ambiente, esteve em Manaus na terça-feira, dia 18, falando de desmatamento da floresta, no Simpósio de Cultura e Natureza na Amazônia. Se dermos crédito a ele – e me parece que ele tem toda credibilidade -, o processo de destruição da grande floresta tropical, cantada em verso e prosa em todo o mundo, vai de vento em popa.




Platéia formada por estudiosos, professores e estudantes

Os dados e argumentos de Novaes são arrasadores: a mata vai sendo derrubada dia-a-dia para dar lugar à plantação de soja, à criação de boi, às atividades das mineradoras... tudo dentro da lógica de servir ao mercado externo, tudo para exportar। (Ultimamente fala-se também no avanço da plantação de cana para o biocombustível). Até o Pólo Industrial de Manaus (PIM), o carro-chefe da economia regional, é explorado de acordo com os interesses dos capitais coreanos, chineses e japoneses.



Mesa com os professores Niro Higuchi, Marcílio de Freitas, Virgílio Viana e Terezinha सोअरेस

Bem, a triste realidade foi mostrada pelo jornalista sem meias tintas, inclusive quanto ao esquentamento paulatino, inexorável, do planeta, e às questões relacionadas com o uso da água. Enquanto isso, ele disse, a sociedade brasileira continua passiva, restringe-se a uma “retórica indignada”, que é só isso, retórica. (Anteontem mesmo, dia 18, o governador daqui, Eduardo Braga, e o da Califórnia, o roliudiano Arnold Schwarzenegger, assinaram acordo visando a “preservação ambiental amazonense”, como diz, solenemente, o noticiário da nossa imprensa। Agora a coisa vai!).

Manifestações artísticas de indígenas da região animaram o simpósio

Para piorar as coisas, a última investida do poder econômico contra a floresta vem agora através de uma tal lei de concessão de florestas públicas, patrocinada pelo nosso governo Lula। Novaes comentou que até hoje nenhum estudioso ou cientista botou a cara para defender tal iniciativa। Ele, me parece, chega a se angustiar: defendeu que a sociedade precisa radicalizar।

E há um detalhe fundamental: toda ação na região exclui os interesses da maioria da população. São cerca de 25 milhões de pessoas na parte brasileira, na Amazônia Legal (os sete estados da Região Norte e pegando mais Maranhão e Mato Grosso). Há ainda o caso especial das reservas indígenas, tema que tem merecido a atenção do governo Lula, mas sem o êxito pretendido. (Fico matutando como a ex-ministra Marina Silva aguentou quase seis anos no governo!).

Poeta Thiago de Mello


Quem também participou do encontro foi o poeta Thiago de Mello, filho e eterno amante da região. Não quis discursar, cedeu o seu tempo a Washington Novaes e preferiu saudar os presentes (em torno de quatro centenas de gente do meio acadêmico) recitando um poema onde a floresta, tão grande e aparentemente tão poderosa, pede socorro ao homem. Emocionante! (Uma dezena de especialistas, alguns de destaque internacional, participou das discussões, realizadas na Universidade do Estado do Amazonas).

(Me perdoem os ecologistas, mas realmente esta não é minha praia. Mesmo assim, achei politicamente correto reativar meu blog com um assunto que é a cara da região. Estou em Manaus há duas semanas e quero compartilhar com vocês minhas impressões deste país quase estrangeiro. Me aventuro agora a uma capenga cobertura fotográfica, estou tentanto, não sei. Será mais um capítulo do meu conflituoso relacionamento com a tecnologia moderna. Também, penso continuar escrevendo, daqui e dalhures, para o Mídia Baiana).

domingo, 16 de novembro de 2008

Porque hoje é sábado, véspera de caminhada

Cerrou os olhos e se viu, ao cabo de segundos, em uma mesa do Bar de David, em meio a vozes esgarçadas, canções, violão, aquele burburinho ondeante, mais para os altos volumes que marcam os bate-papos paralelos depois da terceira, quarta दोसे.




“Que barulho de los diablos, que porra, qué carajo!”, queixa-se, recém chegado do Caribe, ainda misturando os idiomas, com um copo de uísque na mão. “Já tomou quantas, companheiro?”, pergunta de pronto Carlinhos Ipiaú, abrindo um sorriso. “Estou na primeira...” “Então, é isso, não é o barulho, você é que bebeu pouco”, arremata Carlinhos, derramando a sabedoria bebida nos botecos da vida, sob a observação do outro Carlinhos – geração saúde – sempre muito gentil.

O ruído vai e vem, como em ondas, alteando, às vezes amainando um pouco, para altear, altear, na justa medida das doses consumidas numa tarde de sábado, em pleno verão baiano। Ah, hoje é sábado, este sol, este calor... Puxa, mas não podemos nos exceder, porque amanhã é a tradicional caminhada à Colina Sagrada.

E aí Nello, tá tudo planejado, e as camisas? Nosso líder reage com aquele ar de ceticismo, enfadado ao ser inquirido sobre as mesmas questões tantos dias seguidos, olha como a pensar “mais um pra encher meu saco!” Mas são apenas as aparências। Ao contrário, responde educadamente como gentleman que é: “Tá tudo certo, veja as camisas com David”.

Helinho, com aquele invejado físico de atleta, recorda, numa animada conversação, as façanhas do inesquecível Fábio Rêgo।

Professor Marconi, com o violão - cigarro sempre aceso e o óleo milagroso à mão para qualquer emergência - pontifica numa roda tão simpática quanto animada. “E aí, Deta, vamos atacar de Maluco Beleza”, convida, numa referência ao nosso Raul Seixas, sucesso garantido nas tardes (e noites) de David.

“Como está a companheira Vera?”, “Bem, estudando sua pós-graduação”, diz rapidamente, atiçando: “Eu devia estar contente, sou um cidadão respeitado...”, sob o olhar cúmplice do companheiro André, e a pedidos de Mário – a única pessoa que conhece dois Eudaldos. Vasco dando o tempero certo em sua escaleta। Antonio, o mágico do pandeiro e da percussão। “Ah que sujeito chato sou eu”, em dueto, vai-se espalhando pela alegre confraria, distraindo corações e mentes.

“Confraria não, para mim é terapia. Já gastei muito dinheiro com terapeutas, agora aqui em David gasto menos e faço uma terapia mais prazerosa”, discorre Ernesto, passando a mão pelos cabelos e lembrando as viagens internacionais, feitas com Helena e os dois filhos. Ernesto está certo, nossa amiga Eliana já o disse, esgrimindo sua verve poética,: “Confraria, alguns chamam terapia...”

Rolam cerveja e uísque, e também uma cachacinha, que ninguém é de ferro. “Daviiiiiiiiiiiii!”, grita Jean Pierre, nosso suíço/baiano predileto, entremeando, vez e outra, os copos de cerveja com um copito da branquinha, sob o olhar protetor da sempre atenta Léa. Sinval também não dispensa uma cachaça, só quando está bebendo aquela coisa intragável, genebra, remédio (mui amigo) para o estômago.E Jadson beberica um golezinho, tanto da pinga de Jean Pierre (je peux? merci), como da horrível genebra. Mas ele chegou aqui dizendo que ia beber com moderação por causa da caminhada... ih! já passou do quarto uísque e inicia seu interminável refrão: “Me desculpe, evidentemente, vá pra porra!” “Professor, já está na hora de cantar o VPP”, sugeriu alguém, quem foi, quem foi?, parece que foi Joaninha, que começa a se animar. Ou foi Mônica? Deve ter sido Délio, um eterno gozador। Tudo organizado?


Mas a cachaça não é complemento e sim o essencial numa mesa vizinha, comandada por nosso querido Bira, com seu jeito de menino travesso. A roda dos bunda verméia, a turma de Euclides da Cunha, comparece em grande estilo. Além de Rejânia, com seu charme e simpatia, estão Jurandi, que sabe tudo da política de Macururé, nosso corretor de seguro de automóvel preferido, João, sempre solidário com o nosso presidente Lula, Alvinho, que na verdade é de Paulo Afonso, e outros camaradas de Euclides que prestigiam nossa ruidosa tertúlia. Sem faltar, claro, Paulinho Nolasco, anunciando a promoção de mais um bode अस्सदो.



Ao lado o empreendedor Marcos, com Sirlene, diverte-se depois de sanear com os banheiros químicos mais um carnaval. Roberto Luminária e Mônica também
estão aqui। Que bom, que bom!

Olha quem está chegando... Heraldo, o alagoano। “Como está jornalista?” “Companheiro Heraldo, meu direitista predileto, já criticou muito hoje Lula e os petistas?” “Que coisa mais atrasada esse negócio de direita e esquerda, não existe mais isso. Eu sou um democrata”, diz, abrindo um abraço e um sorriso, na companhia aconchegante da Marta e de nossa amiga Uiara.E vai se enturmando na mesa da música. Falando de política, Heraldo agrada a uns e desagrada a outros, porém, cantando, agrada a todos. E pega o violão das mãos do professor, pois já é hora de começar o rodízio. “O importante é que emoções eu vivi...”, aplausos, aplausos. “Negue o teu amor, o teu carinho, diga que você já me esqueceu, pise machucando...” Já é Vasco seguindo com outra canção romântica, provocando suspiros nos corações marcados por amores feitos e desfeitos.E a farra continua. Quem está ao violão agora é o grande Siro (Renata senta-se nas proximidades), rememorando belos sucessos, com a força e o virtuosismo que lhe são peculiares. “Adubar a terra, conhecer os desejos da terra... o cio da terra propícia estação....e se fartar de pão...” Aldo e seu irmão também apareceram para o deleite dos amantes do rock dos anos 80, especialmente Legião Urbana.
A tarde já se foi e a noite ensaia instalar-se. Caiado, fumando charuto, demolia as convenções sociais que tanto limitam a vida, tendo como interlocutor Mamede, o velho e querido Mama.Roberto Lemos, com seu infalível cigarro apagado, sobe à tribuna improvisada (espécie de canteiro que envolve a velha mangueira) e faz um discurso, após ouvir a queixa de que “começou a beijação” entre os homens. “Meus amigos, isso é uma pouca vergonha, onde já se viu homem beijar homem?! David precisa tomar providências, nós precisamos tomar providências em defesa da moral e dos bons costumes. Este é um ambiente de família, de respeito...”, aplausos, todos concordam, mas o diabo da beijação continua, quem vai segurar bebedores depois da quarta, quinta cerveja, “depois do quarto, quinto copo, tudo que vier eu topo”, já dizia a canção.
O que restou da antiga turma dos Primatas, a jovem guarda, o futuro de David, desfrutava à larga. Os outrora parceiros de TarsoAnderson, Igor e outros – participavam daquela saudável produção.Bem próximo (porque o espaço é pequeno), Corral dissertava sobre suas preferências. “Quais são as três melhores coisas da vida?” E ele mesmo respondia, rindo, satisfeito: “Primeira, mulher, segunda, mulher, e terceira, leite condensado Moça”. Não se sabe se Tonhinho (a genética é uma porra, companheiro!) estava inteiramente de acordo, mas sorria solidário com o irmão, enquanto Roberto Fortuna deixava um pouco seu movimentado Super Serve para compartilhar nossa alegria.
Mas David já quer fechar, amanhã é dia de caminhada, minha gente, vocês se esqueceram? Nello, com a sabedoria de líder, tenta conciliar: “Cada um pode tomar mais uma saideira, certo David?”, porém Alda, o Anjo Anunciador, já está se arrumando para sair।



Conseguimos segurar por um instante o português bem-amado। Conte aquela piada de dono de bar, pedimos। David olhou, coçou a cabeça, sorriu, engoliu o cansaço e a má vontade, trata-se, na verdade, de um santo homem.


“Quando jovem – começou - um futuro dono de bar, que era filho adotivo, foi chamado ao leito de morte pelo pai, juntamente com dois irmãos”. O velho queria transmitir suas últimas vontades. Últimas e sagradas, porque estava chegando o momento em que se vão as coisas provisórias da existência humana e vai chegando a hora definitiva. Meu filho, disse, dirigindo-se ao primeiro, quero que você seja médico; e você – falou ao segundo – quero que seja advogado, assim vocês terão oportunidade de ajudar as pessoas. O terceiro, que havia sido adotado, perguntou então, impaciente: “E eu, meu pai?” “Você, que é filho de puta, vai ser dono de bar”, sentenciou o velho pai.

“Satisfeitos? agora vamos fechar...” Fechou, afinal, mas sob os protestos veementes do nosso aguerrido professor Marconi. “Vou protestar pela trigésima vez. Esse negócio de David fechar o bar na hora que quer, na hora que lhe apetece, não tá certo. Todo estabelecimento tem um horário determinado de funcionamento. David tem a obrigação de definir um horário e cumpri-lo, é uma questão de respeito aos clientes, a todos nós”.Como ele próprio frisou, foi o trigésimo protesto. Mas foi modesto, certamente houve bem mais. E haverá outros. Em vão

(Escrito em Havana, Cuba, 16/02/2008)