sexta-feira, 31 de agosto de 2012

"ASSIM É COMO ALIMENTAMOS OS ANIMAIS"



Imagen de la Convención Republicana que se está celebrando en Florida.
Imagem da convenção republicana realizada na Flórida (Foto: Efe)


Racismo na convenção republicana: atiram cascas de nozes e chamam “animal” a uma cinegrafista afro-estadunidense da CNN

Por Público.es (reproduzido de Aporrea.org, de 29/08/2012)


Duas pessoas que participavam da Convenção Nacional do Partido Republicano estadunidense, que escolheu como candidato à Presidência dos Estados Unidos o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, foram expulsas na terça-feira, dia 28, do evento por haver atirado cascas de nozes a uma cinegrafista afro-estadunidense da CNN enquanto diziam: “Assim é como alimentamos os animais”.

A própria cadeia de televisão estadunidense confirmou os fatos e assegurou que “numerosas testemunhas observaram” a ofensa e que agentes da polícia e  seguranças privados os retiraram da convenção política “imediatamente”.

"CNN pode confirmar que houve um incidente dirigido contra uma empregada dentro do Foro Tampa Bay Times no início desta tarde. CNN se entendeu com o pessoal da convenção sobre o assunto e não tem comentários a respeito", disse a cadeia num comunicado.

A Convenção Nacional Republicana emitiu um comunicado no qual confirma a expulsão dos dois “participantes” que tiveram “um comportamento deplorável”. “Sua conduta foi indesculpável e inaceitável. Este tipo de comportamento não será tolerado”, diz o comunicado.

BOB FERNANDES: BARBOSA JÁ PENSA NO OUTRO MENSALÃO (vídeo)


Publicado em 29/08/2012 por
Comentário Bob Fernandes

O deputado João Paulo Cunha foi condenado. Os votos dos ministros Cesar Peluso e Gilmar Mendes selaram o destino do ex-presidente da Câmara dos Deputados. A reação foi imediata.

À repórter Marina Dias, da revista Terra Magazine, aliados de João Paulo cobraram sua renúncia ainda nesta quarta-feira. Renúncia à candidatura a prefeito de Osasco. Um dos aliados disse que já há 10 dias o deputado não aparece no comitê de campanha.

A condenação do ex-presidente da Câmara indica uma óbvia tendência do Supremo Tribunal. Tendência por condenações de réus do chamado mensalão. Enquanto no Supremo segue o julgamento, arrasta-se no Congresso a CPI do Cachoeira.

O experiente senador Pedro Simon assim definiu em que pé anda a CPI: "Depois dos partidos terem feitos acordos (de até onde e a quem irão investigar) agora são facções dos próprios partidos que precisam fazer acordos".

Simon referia-se a indiretas do ex-diretor da Dersa no governo Serra, o engenheiro Paulo Vieira de Souza, a quem apelidaram de "Paulo Preto". Paulo, rodado no setor, saiu-se bem no depoimento à CPI. Mas não o suficiente para acabar com as dúvidas quanto a aditivos das obras do Rodoanel e da marginal do Rio Tietê.

Paulo Souza deu indiretas para os que um dia pensaram em "abandonar um líder ferido à beira da estrada", mas só escorregou mesmo diante de uma pergunta. Confrontado com uma entrevista sua, onde dizia ter ido para a Dersa porque o "mercado (as empreiteiras) queria fazer a marginal" Tietê, Paulo confirmou a entrevista.

Isso é grave. Tão grave quanto Pagot, o ex-diretor do DNIT, ter confirmado o pedido feito a empreiteiras, em 2010, de doações para a campanha de Dilma Roussef. Não importa se as doações foram legais, como afirmou Pagot. O pedido em si já é grave.

A CPI sinaliza acordos, o Supremo sinaliza condenações. Hora de pensar no futuro. O relator do caso mensalão, ministro Joaquim Barbosa, já pensa no futuro. Disse ele à colunista Mônica Bergamo estar "atento" ao que se chama "mensalão mineiro", que envolve líderes do PSDB. Processo que também o tem como relator. O ministro diz que o risco de "prescrição" do "mensalão mineiro" é maior do que era o do "mensalão petista".

Joaquim Barbosa, justamente festejado por seu trabalho, disse a interlocutores, e a colunista publicou, que no caso petista tudo sempre foi aprovado por unanimidade no STF. Mas, disse também e relata a colunista, que tem encontrado "dificuldades" para fazer andar no STF o caso do "mensalão do PSDB".

Disse ainda Joaquim Barbosa que quando provocado por repórteres a falar do "mensalão petista", ele pergunta: "E sobre o outro mensalão, vocês não vão perguntar nada?" Segundo Barbosa, a resposta são "sorrisos amarelos". Encerra o festejado ministro Joaquim Barbosa: "A imprensa nunca deu bola para o mensalão mineiro".

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

CINECITTÀ VENEZUELANA PRETENDE COMBATER 'DITADURA DE HOLLYWOOD'

Cena do filme Miranda Regresa, que conta a história de Francisco de Miranda, um dos precursores da independência venezuelana (Foto: Divulgação/Villa del Cine)
A Cidade do Cinema é o primeiro complexo de estúdios e um dos principais motores da produção cinematográfica do país

Por Marina Terra, de Caracas (reproduzido do Especial Venezuela - A Era Chávez, de 24/08/2012, do portal Opera Mundi)

Com uma mochila nas costas, um garoto de 13 anos abandona sua casa em ruínas e segue em viagem pela costa venezuelana. No caminho, consegue sensibilizar as pessoas ao narrar uma tragédia que marcou sua vida e, dessa forma, obtem ajuda para sobreviver. Cada vez que repete a história, no entanto, dá uma versão diferente. Para alguns, diz que está atrás de sua mãe; para outros, que ela se sacrificou para salvá-lo; ou então afirma que é órfão de pai. As mentiras, ou verdades, são conectadas por um fio condutor: o trágico deslizamento de terra ocorrido em 1999 no estado de Vargas, na Venezuela, que deixou milhares de mortos e desaparecidos.

O filme O garoto que mente (El chico que miente, 2009 - vídeo abaixo), de Marité Ugas, sucesso de público e um dos selecionados para a edição de 2011 do Festival de Berlim, é um dos mais recentes exemplos de renascimento do cinema venezuelano. Parte dessa transformação se deve às novas políticas de incentivo e produção cultural do governo de Hugo Chávez, declaradamente voltadas para "o rompimento com a ditadura dos filmes norte-americanos".

A qualidade do cinema local, de acordo com o cineasta e roteirista Diego Sequera, caiu sensivelmente nos anos 1990, tanto em quantidade de produções quanto na qualidade desse material. “Foi o boom dos filmes identificados com Hollywood, uma forma de colonização por meio do cinema”, diz o venezuelano, que trabalha na Cidade do Cinema (Villa del Cine, em espanhol), o primeiro complexo de estúdios e um dos principais motores da produção do país.

Vista aérea da Cidade do Cinema, criada em 2006 pelo governo da Venezuela (Foto: Divulgação/Villa del Cine)
Situada na cidade de Guarenas, 33 quilômetros ao leste de Caracas, o empreendimento fundado em 2006 já produziu mais de 500 filmes - entre longas-metragens, curtas e documentários. A maioria aborda temas nacionais, especialmente ícones ou momentos da história.

O que levou Chávez a investir recursos nesse centro foi saber, segundo suas próprias palavras, que "oito grandes estúdios de Hollywood dividem 85% do cinema mundial e representam ao menos 94% da oferta cinematográfica na América Latina".

Esse novo perfil de cinema foi alvo de críticas de cineastas e produtores independentes, que consideram a Cineccità venezuelana mais um instrumento da propaganda chavista. Somente roteiros identificados com a esquerda estariam recebendo investimentos. Jonathan Jakubowicz, diretor que ganhou reconhecimento internacional com o filme “Sequestro Express”, de 2005, denuncia que a Cidade do Cinema só apoia filmes “que retratam a revolução como solução para todos os problemas da nação, ou aqueles que contam histórias dos líderes da independência, sempre com uma versão que favorece valores apropriados pela revolução bolivariana”.


“Quem dera fosse verdade que a Cidade do Cinema fosse voltada apenas para filmes inspirados pela revolução", contesta Sequera. "Mas não é assim. Muitos opositores do governo trabalham lá. Adversários abertos do regime, que têm liberdade total para criar.” Para o roteirista, a crítica que deveria ser feita está na forma de produção de alguns filmes, ainda bastante influenciados pelo modelo norte-americano. “Em 2005, o processo de industrialização do cinema começa a mudar as estruturas da produção audiovisual venezuelana. Porém, filmes como
Miranda regresa e La Clase trazem um formato gringo, de superproduções. Acredito que deveria haver mais criatividade”, desabafa.

O primeiro filme citado por Sequera contava a biografia de Francisco de Miranda, um dos precursores da independência venezuelana. Com 140 minutos de duração e orçamento de 2,32 milhões de dólares, envolvei mais de mil figurantes.  
Miranda Regresa foi rodado na Venezuela, em Cuba e na República Tcheca. Conta com uma pequena participação do ator e ativista norte-americano Danny Glover, admirador público de Chávez. Já La Clase narra a história de um jovem violinista de origem humilde dividido entre a carreira musical e a história da Venezuela.

Junto com a Cidade do Cinema, foi criado o curso da Escola Nacional de Cinema, na UCV (Universidade Central da Venezuela), e o curso de Licenciatura em Arte Audiovisuais na Unearte (Universidade Experimental das Artes). A Unearte, criada em 2008, é totalmente voltada para as artes, com cursos de teatro, dança, artes plásticas, música e, desde 2011, cinema.

A Cidade do Cinema, também em 2011, abriu o Centro de Formação Profissional. “Ha áreas em que temos um só especialista. Isso poderia funcionar quando fazíamos um ou dois longas por ano, mas não quando estamos fazendo 10, 12 ou 14 como agora", explicou Pedro Calzadila, ministro da Cultura, na época da inauguração.

  

Observação do Evidentementre: Segundo matéria do jornal argentino Página/12, desta quinta, dia 30, a presidenta Cristina Kirchner acaba de anunciar e apresentar o projeto de criação de um Polo Audiovisual, uma "cidade" para incrementar a indústria cinematográfica da Argentina. Muito entusiasmo durante o anúncio diante de cerca de 1.300 personalidades e profissionais da cultura, do cinema e das artes.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

VENEZUELA: BOMBEIROS FRUSTAM OS ESFORÇOS DA IMPRENSA E APAGAM O INCÊNDIO DA REFINARIA


Jornais falam da ampliação do fogo, enquanto desde 7:15 da manhã o incêndio está debelado (Fotos: Jadson Oliveira)
O único diário privado chavista foi quem acertou na manchete
Os jornalões alardearam nas manchetes desta terça, dia 28, o fogo num terceiro tanque e “esconderam” que por volta da meia-noite o incêndio já estava quase todo debelado: é mais uma manifestação do terrorismo midiático contra a chamada revolução bolivariana

De Caracas – A incansável imprensa anti-chavista bem que se esforçou, mas em vão: cumprindo a previsão anunciada na véspera pelo ministro da Energia e Petróleo e presidente da Pdvsa (a estatal do petróleo), Rafael Ramírez, às 7:15 horas da manhã desta terça-feira, dia 28, os bombeiros terminaram de apagar o último dos três tanques com nafta que queimavam no dia anterior. Desde a explosão em torno de 1 hora da madrugada de sábado, dia 25, no gigantesco complexo de refinação de Amuay (no estado ocidental de Falcón), ardiam em chamas dois tanques.

Aconteceu que na tarde da segunda-feira, dia 27, apesar do trabalho dos 222 bombeiros no local, o vento acabou jogando as chamas para um terceiro tanque. O ministro Ramírez explicou então que o fato não representava aumento de riscos, garantiu que a situação estava sob controle e, mais ainda, previu que “amanhã”, na terça, o fogo estaria extinto completamente em todos os três tanques.
Anunciou um incêndio no título e "escondeu" a extinção de outro no "rabo" da chamada
Outro (La Calle - A Rua) que foi na onda do "Arde terceiro tanque"
Não adiantou nada a previsão do ministro. Os aguerridos jornais da direita venezuelana, ávidos por mais fogo – na tentativa de torrar a reeleição tida como certa do presidente Hugo Chávez em 7 de outubro -, se fartaram com o incêndio no terceiro tanque. Foi a manchete da capa de quase todos os diários privados editados em Caracas, parte deles de circulação nacional. Repetiu-se à exaustão, com variações de praxe: “Arde terceiro tanque”.

Quase todos menos um: o Diário Veja (“Vea”), o único privado chavista, foi o  único a exibir nas bancas uma manchete condizente com a realidade do dia, ou seja, o incêndio estava completamente debelado a partir das 7:15 horas da manhã. O título era tirado das declarações de Ramírez: “Nas próximas horas extinguirão fogo em Amuay”.

Até o Últimas Notícias, considerado o mais lido da rede privada e que tem um noticiário mais equilibrado do que os tradicionais El Nacional e El Universal, e do que uma dezena de outros, entrou na dança: deu o terceiro tanque com certo destaque na capa e deu na manchete principal das páginas internas.

Notícia positiva para o governo sai “escondida”

E tem um detalhe que pode ser considerado mais grave e revelador do partidarismo: a redação do Últimas Notícias tinha a informação de que perto da meia-noite só faltava apagar um tanque e, mesmo assim, este último tanque já estava quase apagado – cerca de 75%. Tanto tinha a informação que a publicou “escondida” no “rabinho” (como a gente falava no meu tempo de redação lá na Bahia) da principal matéria da cobertura nas páginas internas.
O considerado mais lido e mais equilibrado mostrou também partidarismo
Olha aí onde o Últimas Notícias "escondeu" o Twitter de Chávez
Está lá no “rabo” da matéria, “escondida”, sem qualquer título, sem nenhuma menção na primeira página. Foi inserida com base na mensagem difundida por Chávez na sua conta do Twitter (chavezcandanga) antes da meia-noite. A estimativa do percentual de 75% é da mensagem do presidente, baseado no informe do seu ministro Ramírez.

Pelo horário do Twitter de Chávez, pode haver a possibilidade de alguns dos jornais já estarem nessa hora “fechados”, isto é, com o trabalho de edição concluído. Mas, além do Últimas Notícias, pude constatar que pelo menos mais um jornalão publicou a notícia: El Nacional. Também “escondida” no “rabinho” da chamada da capa. Só isso: “À meia-noite, o presidente disse que se conseguiu extinguir o fogo no tanque 200”. (Numa avaliação profissional-cínica, é compreensível o tratamento dado a esta informação, já que ela contraria a manchete do jornal e o espírito de toda a edição).
"Negligência criminosa" e "Mais de cem mortos": vale tudo contra Chávez
Para vocês terem um painel mais amplo dos jornais do dia: estão aí o El Nuevo País, que sempre consegue radicalizar um pouco mais: de 41 mortes confirmadas até agora, ele joga para “mais de cem” e mete os “médicos cubanos” no jogo: são sempre referidos aqui pelos anti-chavistas como vilões. São cerca de 20 mil que certamente cometem algum tipo de crime por trabalharem na Missão Bairro Adentro, que presta serviço de saúde gratuito aos pobres; e o Tal Cual, que sai com “Negligência criminosa” e costuma encher a primeira página com o início de um textão tipo editorial.

Já os diários chavistas considerados públicos (ou estatais) – Correo Del Orinoco, do governo federal, e Ciudad CCS, da prefeitura de Caracas (município de Libertador) -, preferiram destacar nas capas desta terça as ações do governo para ajudar as vítimas da tragédia: pensões para as viúvas, bolsas de estudo para filhos dos policiais e trabalhadores mortos, criação de um fundo para custear moradias e reparos (moradores vizinhos da refinaria tiveram casas destruídas e danificadas), assistência a familiares, etc.

Para se ter ideia do gigantismo do complexo de refinação onde ocorreu a tragédia (na imprensa aqui ela é referida como a maior do mundo): se falou muito dos dois tanques de nafta queimando, depois de um terceiro; pois bem, Rafael Ramírez comentou que a explosão causou problemas em nove tanques. Sabe quantos tanques existem no tal complexo? 608, informou ele.

Sobre as suspeitas de sabotagem (objeto de postagem deste blog), as autoridades governamentais dizem que só tratarão do assunto depois da conclusão das investigações. Por enquanto, o episódio continua sendo tratado oficialmente como acidente. Uma comissão de 50 investigadores está encarregada do caso.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

PRESIDENTE COLOMBIANO CONFIRMA APROXIMAÇÃO COM AS FARC PARA PROCESSO DE PAZ


O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, anuncia aproximação com as FARC em discurso (27/08) (Foto: Presidência da República da Colômbia)
Operações militares serão mantidas até negociações serem concluídas

Reproduzido do portal Opera Mundi, de 28/08/2012
O governo colombiano iniciou aproximação com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) para solucionar o conflito que afeta o país há 45 anos, informou nesta segunda-feira (27/08) o presidente Juan Manuel Santos.

"Desde o primeiro dia de meu governo, cumpri com a obrigação constitucional de buscar a paz”, afirmou ele em discurso no Palácio Presidencial. O presidente alertou, no entanto, que as operações das Forças Armadas colombianas vão ser mantidas enquanto o conflito não for plenamente resolvido.


Santos assinalou também que a segunda maior guerrilha colombiana, o ELN (Exército de Libertação Nacional), pode integrar as conversas - como foi proposto pelo líder máximo deste grupo rebelde, Nicolás Rodríguez, na segunda-feira (27/08).
Os resultados das negociações com os grupos guerrilheiros somente serão divulgados nos próximos dias, mas Santos garantiu aos colombianos que “podem confiar plenamente no governo que está agindo com prudência, seriedade e firmeza”.

De acordo com o presidente, sua administração está se baseando nos erros do passado para estabelecer um processo de negociação da paz que leve “ao fim do conflito, não ao seu prolongamento”.


Três pontos


Santos detalhou que a aproximação de seu governo com as FARC se baseará em três princípios. O primeiro deles é que se deve aprender "com os erros do passado para não repeti-los"; em segundo lugar que "qualquer processo tem que levar ao fim do conflito, não a seu prolongamento".


E o terceiro, que as forças de segurança do Estado "manterão as operações e a presença militar sobre cada centímetro do território nacional".
Manuel Marulanda Vélez ou "Tirofijo", fundador e principal líder das Farc até sua morte por causas naturais em março de 2008 (Foto: da Internet)
Negociações
 

O ex-presidente colombiano e ex-secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), César Gaviria, é apontado como um dos possíveis interlocutores do governo caso se concretize a abertura de um diálogo de paz. O nome de Gaviria como integrante do comitê mediador ou negociador oficial perante a principal guerrilha colombiana foi mencionado por alguns meios de comunicação de Bogotá, entre eles a rádio RCN, mas sem citar fontes.

A realização formal das negociações está prevista para outubro, na cidade de Oslo, Noruega, meses após um encontro entre as partes que teria acontecido na capital cubana. "De lá, os delegados do governo e da guerrilha se dirigirão novamente a Havana com a disposição de negociar até que se saia com a assinatura de um pacto de paz que ponha fim a quase 50 anos de conflito", informou a
Telesur.

Segundo o programa apresentado pelas autoridades colombianas, a viagem dos delegados à Noruega deverá incluir uma visita ao Storting (parlamento unicameral), onde participarão de um debate sobre a democracia participativa.


O diretor de informação da
Telesur, Jorge Enrique Botero, ressaltou que o processo de paz começou a ser gestado em maio do ano passado, quando iniciaram-se conversas secretas em Havana, que contaram com o acompanhamento de Venezuela, Cuba e Noruega.

Ainda de acordo com a emissora, os arquitetos desse processo por parte das FARC foram o comandante guerrilheiro Mauricio, mais conhecido como El Médico, que sucedeu Jorge Briceño, conhecido como Mono Jojoy. Também participaram os rebeldes Rodrigo Granda, Marcos Calarcá e Andrés París.


Por parte do governo colombiano participaram do processo o atual conselheiro para a Segurança, Sergio Jaramillo; o ministro do Meio Ambiente, Frank Pearl, e Enrique Santos Calderón, irmão do presidente Juan Manuel Santos.


Gaviria


Outro nome nesse panorama é o de Gaviria, reconhecido como o presidente da Colômbia que ordenou a primeira e maior operação militar contra as FARC, que estão em atividade desde 1964 e na atualidade contam com cerca de 8,5 mil combatentes, segundo fontes militares. A ação foi lançada em 10 de dezembro de 1990 e consistiu em um bombardeio a Casa Verde, cidadela na área montanhosa de Uribe, cidade do departamento de Meta.


O ataque não deixou mortos entre a chefia rebelde, então liderada por Manuel Marulanda Vélez ou "Tirofijo", fundador e principal líder desta guerrilha até sua morte por causas naturais em março de 2008, mas obrigou os insurgentes a abandonar o acampamento.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

VENEZUELA: SUSPEITAS EM TORNO DA EXPLOSÃO DA REFINARIA

O incêndio no gigantesco complexo continuava no domingo
 circunscrito a dois tanques (Foto: da Internet)
De Caracas – Muito além do corre-corre natural diante da tragédia causada pela explosão do maior complexo de refinação de petróleo do país – chamado Amuay, no estado ocidental de Falcón, na madrugada de sexta para sábado (41 mortes confirmadas até domingo) -, há a guerra midiática em plena campanha eleitoral em que concorre o presidente Hugo Chávez, buscando sua segunda reeleição no dia 7 de outubro.

E, claro, estão no ar muitas especulações e muitas suspeitas, nas quais joga um papel fundamental o chamado terrorismo midiático, nacional e internacional, que mira em Chávez como um dos seus vilões prediletos. E para reforçar as suspeitas, começou a circular pela blogosfera neste domingo uma matéria citando várias “coincidências” (veja mais abaixo).

Como tenho dito neste blog, em várias ocasiões, não saem da agenda diária da campanha presidencial os alertas dos chavistas e analistas quanto ao “plano B” que estaria sendo germinado a partir das hostes da direita, que tem como candidato Henrique Capriles Radonski, governador do estado de Miranda, já que é tida como muito provável, mais uma vez, a vitória eleitoral do chavismo.

Diante da tragédia da refinaria, todos se lembraram das ressalvas feitas por dirigentes de institutos de pesquisa, ao anunciarem repetidas vezes a folgada diferença das intenções de voto em favor do chefe da chamada revolução bolivariana: a vitória de Chávez só pode ser revertida se acontecer alguma catástrofe, algum evento extraordinário que provoque uma "comoção coletiva", afetando a imagem política do presidente candidato.

A comentarista internacional e advogada Eva Golinger, muito reconhecida no seio das forças bolivarianas, escreveu em sua conta no Twitter: “Não se pode ainda chegar a conclusões sobre a tragédia em Amuay, mas não seria a primeira vez que há sabotagem contra o Estado às vésperas de eleições”. (Faltam 41 dias para a votação).

Mario Silva é considerado um "guerrilheiro midiático" por seu
 confronto diário pela TV contra os meios de imprensa da direita
(Foto: da Internet)
O apresentador Mario Silva, do celebrado programa La Hojilla (A navalha), da estatal Venezolana de Televisión (VTV), comentou na noite deste domingo – vai ao ar normalmente a partir das 23 horas – que o encadeamento da cobertura de TVs internacionais com a local Globovisión foi realmente de chamar a atenção no sentido de atrair suspeitas. Da rede de imprensa privada, Globovisión é aqui o maior destaque por seu radical anti-chavismo, inclusive por sua participação no golpe de abril de 2002. Não é à toa que os chavistas se referem a ela como Globoterror.

Claro que a cobertura dos conglomerados privados da mídia enfocou principalmente opiniões e declarações sobre falta ou falhas nos serviços de manutenção e descaso do governo quanto à prevenção de acidentes. Foi divulgado, por exemplo, que moradores das vizinhanças da refinaria vinham se queixando de forte cheiro de gases, e as providências devidas foram negligenciadas. Noticiou-se também a suposta ameaça de falta de combustível, o que foi desmentido pelo governo.

Isso levou Chávez a repudiar os que querem tirar proveito político da situação, comentando quando de sua visita ao local: “Recomendo não cair em especulações, não especular, sobretudo os meios de comunicação. Quem está por aí divulgando coisas como essas, que podem causar alarme, é irresponsável ou fala sem conhecimento”. Sobre as várias hipóteses em torno do episódio, ele declarou que por enquanto nao descarta nenhuma.

As “coincidências” que intrigam

A matéria foi produzida pela estatal Agência Venezuelana de Notícias (AVN) e divulgada pela blogosfera, atribuindo as informações à coleta feita na rede social Facebook pelo “cidadão” J. W. Wekker Vega. A primeira “coincidência” teria sido a presença de uma pessoa com uma câmera profissional, às 2 horas da madrugada, nos arredores da refinaria, tendo filmado a primeira explosão. As imagens foram difundidas “com exclusividade”, em tempo recorde, pela Globovisión.

A matéria da AVN diz que à mesma hora da explosão foram registradas invasões de hackers nos sítios da Internet de três órgãos do Estado venezuelano: da Comissão de Administração de Divisas (Cadivi), do Observatório Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação e da Defesa Pública.

Outros indícios suspeitos: poucos minutos depois da tragédia foram disparados pela Internet milhares de “torpedos”, inclusive através de difusores automáticos; o tratamento “politiqueiro” dado ao fato por dirigentes da oposição, com ataques contra Chávez e a Pdvsa, a estatal de petróleo; e a circulação de informações falsas sobre o abastecimento de combustíveis, numa tentativa de gerar insegurança e caos social.

Pelo sim, pelo não, o sociólogo e cientista político argentino Atilio Boron publicou em seu blog matérias sobre as suspeitas (inclusive a da AVN referida acima), com o comentário:

“A explosão (...) não pode senão despertar suspeitas de que poderia tratar-se de uma das típicas sabotagens que o governo dos Estados Unidos costuma levar a cabo - através de diversos meios e agências - contra governantes que não se submetem às suas ordens. (...) Será o caso de acompanhar de perto as notícias e não me surpreenderia de forma alguma se num futuro não muito distante nossas suspeitas chegarem a ser cabalmente confirmadas”.

domingo, 26 de agosto de 2012

OS ASSEXUADOS: ENTRA EM CENA A QUARTA ORIENTAÇÃO SEXUAL


Por The Independent (traduzido de Aporrea.org, de 21/08/2012)

Em papos de pátios de recreio, pelas ruas, em revistas, jornais e na televisão, nos e-mails não desejados em nossos computadores, o sexo é um tema de todo dia. Entretanto, uma pequena e comumente mal entendida minoria da população é quase totalmente ignorada: os que não sentem absolutamente nenhuma atração sexual por outras pessoas.

Um livro que será publicado no Reino Unido no próximo mês diz que esses homens e mulheres - se estima que 1% da população - devem ser reconhecidos como uma quarta orientação sexual: assexuais (ou assexuados).

O livro do professor Anthony Bogaert, "Entendendo a assexualidade", sustenta que um número cada vez maior de pessoas se considera assexual. Ele crê que os assexuados são "uma população pouco estudada" que pode sentir-se excluída da nossa "cultura muito sexualizada". Diz que nossa sociedade "deve colocar suas expectativas em ambos, as pessoas sexuais e as assexuais, mas em particular nas assexuais".

Josué Hatton, de 23 anos, estudante de idiomas de Birmingham, está de acordo. "Há três anos me encontrei com a assexualidade, isso me explicou tudo, já não tinha que mentir para mim mesmo. Se supõe que os jovens tenham algum tipo de sexo casual, é o que pensa todo mundo.
Agora me sinto mais à vontade...."

Bogaert, professor associado na Universidade de Brock, no Canadá, define a assexualidade como uma total falta de atração sexual. "Existem duas formas: as pessoas que têm algum nível de desejo sexual, mas não dirigem esse impulso para os demais (se masturbam), e outras que não têm desejo sexual em absoluto".

A primeira conferência não-acadêmica para abordar a assexualidade foi realizada na Universidade de Southbank, Londres, no mês passado. Michael Doré, organizador da conferência World Pride (Orgulho Mundial), disse: "Queremos que se reconheça a assexualidade como uma orientação sexual válida, em lugar de um transtorno ou algo que a gente tem que esconder".

O termo assexual se fez popular em 2001, quando David Jay lançou o sítio web "Visibilidade Assexualidade e Rede de Educação".
Atualmente tem mais de 50.000 membros em todo o mundo.

A comunidade assexual se compõe de pessoas que se definem como hetero-românticas, o que significa que têm sentimentos românticos dirigidos ao sexo oposto, ainda que não desejo sexual; como homo-românticas, que sentem afeto pelo mesmo sexo; e como bi-românticas.

Tradução do inglês: Aporrea.org