sábado, 30 de junho de 2012

JAMES PETRAS: “O GOLPE NO PARAGUAI SURGE PELAS DEBILIDADES DE LUGO”

Fernando Lugo (Foto: Agências)

“Por que 60 ou 70% dos pobres votam em Chávez? Porque seus problemas vão sendo resolvidos, receberam moradias, se implementam uma cesta barata de alimentos e tratamento de saúde gratuito. E o que fez Lugo, a exemplo de tais iniciativas? Nada”.

“O presidente Lugo vinha combinando políticas com os golpistas, com os latifundiários, vinha freando os campesinos, desalojando-os de todas as ocupações”.

Entrevista de James Petras (sociólogo e analista político norte-americano, estudioso sobre o imperialismo e a América Latina) a Chury Iribarne, da Rádio Centenário, de Montevideo (Uruguai), através de
www.radio36.com.uy (Do portal aporrea.org, postagem de 28/06/2012; reproduzida apenas a parte referente ao golpe de Estado no Paraguai).

James Petras: Há vários ângulos que devemos tratar. Primeiro, é certo que o golpe parlamentar contra o presidente (Fernando) Lugo é parte de um esforço dos Estados Unidos de recuperar influência, junto a seus sócios oligárquicos na América Latina, como no caso de Honduras onde tiveram êxito. Mas este golpe surge pelas debilidades de Lugo. Temos que considerar que nos últimos quatro anos o presidente Fernando Lugo vinha combinando políticas com os golpistas, com os latifundiários, vinha freando os campesinos, desalojando-os de todas as ocupações. De maneira tal que a oligarquia pode aproveitar de seu desprestígio diante do choque armado que deixou 50 feridos e 11 campesinos mortos, para atacá-lo no momento em que Lugo está envolvido. Inclusive seu ministro do Interior renunciou depois dos assassinatos; com isto abre caminho para que a direita tome o poder.

Discordo totalmente de todas as forças progressistas que estão pintando Lugo como ‘grande amigo da democracia e das mudanças sociais’ na América Latina. O que é correto, até certo ponto, é que o Paraguai participou no Mercosul, colaborou com o Brasil de alguma forma a favor de maior ampliação da participação na América Latina. Mas, por outro lado, firmou acordos com (o ex-presidente colombiano Álvaro) Uribe – o pior assassino da região - para o treinamento de forças especiais de repressão; firmou acordos com o Pentágono para estender as operações norte-americanas na América Latina: reprime os campesinos nos quatro anos que levava de governo traindo as promessas que fez na sua campanha eleitoral. Não é nada um progressista. Apesar de (Hugo) Chávez, Evo Morales e todos os demais o chamarem um líder progressista, não o é.

Porém, ao mesmo tempo, devemos entender que o golpe é para criar um regime mais à direita, mais pró norte-americano, mais anti-latino-americano. Por esta razão, devemos dizer que temos de nos opor ao golpe porque é mais um passo do imperialismo na América Latina. Mas de maneira alguma devemos pintar o regime como um governo progressista.

O que sim devemos fazer é analisar por que ocorre este golpe. Devemos dizer que ocorre porque o Paraguai criou espaço para os golpistas. O governo de Lugo, para dizer francamente, não poderia convocar mais de mil participantes num protesto. Inclusive quando ocorre o golpe, Lugo foi pra sua casa sem convocar nenhuma mobilização. O fato é que ele se desculpa dizendo que não queria que houvesse mortes, que não queria sangue nas ruas. Fez uma capitulação, e só depois que toda América Latina se levantou contra os golpistas, ele saiu a dizer que era um golpe, que era ruim, que não devíamos reconhecer os golpistas. Mas perdeu a oportunidade da iniciativa.

Agora, como respondem os países da América Latina? Chávez, à frente, rompe relações e suspende a venda de petróleo. De outro lado, o Brasil não rompe relações e inclusive diz que não há nada a fazer e que devemos esperar para ver como os acontecimentos vão evoluir. Neste sentido, o Brasil está protegendo seus grandes investidores, latifundiários, que têm ocupado enormes faixas de terra do Paraguai. O Brasil de (Dilma) Rousseff não toma posição contra os golpistas, simplesmente se pronuncia sobre algumas coisas folclóricas. (Ver observação abaixo)
Hugo Chávez (Foto: Barrios TV)
E entre as duas posições, a de princípios de Chávez e a do Brasil, estão os demais presidentes, como Cristina (Fernández) que decidiu que a Argentina retirasse seu embaixador. É uma grande revelação que os governantes da  América Latina se preocupam, pois um golpe deste estilo pode se repetir em outros países. É uma grande preocupação, já que uma vez iniciados tais golpes pode se dar um efeito dominó. Mas como disse, à exceção do Brasil. E isto temos que anotar, porque há gente que diz que Rousseff é progressista, que tem uma grande preocupação pela democracia. Mas quando ocorre um fato de grande importância, toma posições de apoio aos golpistas.

Chury Iribarne: Quando se reprimiu os campesinos paraguaios, o próprio Lugo declarou que mandou a Polícia e em seguida o Exército, para reforçar a operação contra os campesinos.

JP: Exatamente. Mas acontece que lendo comentaristas da esquerda, eles não mencionam de forma alguma a ação repressiva do Ministério do Interior paraguaio, não mencionam sequer a renúncia do ministro do Interior de Lugo logo após o massacre que deixou 17 mortos e dezenas de feridos. Foi um dos piores massacres cometidos pelo governo de Lugo e depois toda a esquerda fala somente sobre o golpe de Estado, sem levar em conta as políticas de Lugo, o desprestígio do seu governo, coisas como o massacre que facilitaram o golpe.

Por essa razão, isto é um aviso a todos os governos progressistas na América Latina, de que não se pode construir nada progressista em aliança com a oligarquia, com os latifundiários, os donos de grandes plantações…
É um mito.

Agora o podemos ver na Bolívia, onde há um levantamento de polícias, sub-oficiais, que pedem um salário mínimo de 287 dólares, que não é uma grande reivindicação, mas a política fiscal conservadora com 13 bilhões nas reservas do Banco Central, em vez de atender às reivindicações se pôs contra falando em golpe de Estado.

As medidas da polícia são extremas, são violentas, e podem provocar consequencias muito negativas. Evo Morales deve deixar de gritar “lobo” toda vez que haja um protesto de professores, campesinos, mineiros ou agora a polícia. Isso de gritar “golpe, golpe” cada vez que se enfrenta um protesto, não dá resultado porque um dia o golpe pode ocorrer e ninguém vai acreditar.

Melhor é refletir sobre toda a política de rendas e salários. Quando a Bolívia tem ganho tantos milhares de milhões com a venda de minerais e energia, deve repensar a política de rendas e aceitar subir o salário de policiais a 287 dólares e não apenas dar migalhas com aumentos de 7%. Não se pode viver assim. Creio inclusive que vão se multiplicar os protestos, não vão ser só os policiais.

Agora, isso pode ser aproveitado pela direita ou pela ultradireita para explorar essas debilidades do governo junto aos setores populares, e aproveitar para orientá-las no rumo de seus próprios objetivos. Não há dúvida de que a direita pode meter-se no protesto policial, porém a forma de evitar isso não é gritar “golpe, golpe”, e sim repensar a política social do governo.

Dizem que aumentam os salários, mas diante dos recursos que recebe cada ano a Bolívia pela venda de estanho, cobre, ouro, etc, é proporcionalmente pouco o que se investe em melhoria salarial e isso cria vulnerabilidades em duas frentes: a direita e os movimentos populares. A essa combinação poucos governos podem resistir, como o caso de Lugo o demonstra.

CI: Se pode falar de novo modelo do império para derrubar governos que não querem? Por exemplo, o que ocorreu com a primavera árabe ou este golpe parlamentar no Paraguai.

JP: Mas isso não é novo, lembre que o golpe de Estado no Uruguai começou com (Juan María) Bordaberry, que foi um presidente eleito e que aproveitou seus poderes legislativos e executivos para terminar com a democracia e iniciar a repressão militar, assassinatos e torturas.
Não é acidental.

A mesma coisa na Argentina, no ano de 1974, dois anos antes do golpe de Estado, a senhora Perón (Izabelita) lançou com “la Triple A” (AAA/Aliança Anticomunista Argentina, semelhante, no Brasil, ao CCC/Comando de Caça aos Comunistas) uma série de assassinatos e torturas, repressão feroz contra todos os setores populares. O que se chamou de “golpe branco” foi realmente o começo do golpe de Estado, com a característica de manter a fachada parlamentar, mas inserido nisso estava a política de militarização e repressão.

(...)

Assumir responsabilidades políticas sem capacidade de cumprir o que se promete nas eleições é uma forma de suicídio político. Isso aconteceu com Lugo. Fez promessas, chegou a presidente, se declarou impotente frente ao Senado, termina colaborando e termina desprestigiado e jogado fora pelo poder. É a fórmula que utiliza a direita quando entram progressistas no governo, limitar sua capacidade de atuar, desprestigiá-los e logo voltar ao poder.

CI: E ainda por cima semeiam um mal exemplo a seguir.

JP: Sim. A única forma de repetir e ganhar poder é como faz (o presidente da República Bolivariana da Venezuela Hugo) Chávez, quando tem o poder utilizá-lo, aplicar medidas populares que acumulam forças. Essa é a forma de continuidade, de reeleição, de conseguir mais maiorias, demonstrar que é realmente um governo. Porque o povo está acostumado com políticos burgueses que prometem todo tipo de reformas quando estão em campanha e quando chegam ao governo lhe dão as costas.

Neste sentido, a esquerda temos que demonstrar que somos diferentes, que não vamos conciliar com nossos inimigos, não vamos enganar o povo. Concretamente, se dizemos que apoiamos os campesinos, implementamos uma reforma agrária; utilizando o exército se necessário para impor a reforma agrária contra os pistoleiros dos latifundiários. Como o fez Chávez, que mandou a Guarda Nacional, por isso mais de 300 mil campesinos receberam terras, no que pese que alguns sofreram pois houve mortos, mas em geral a reforma marcha e o campo na grande maioria vai votar em Chávez, muito mais que na cidade. Ocorre o mesmo com os bairros populares, que votam em sua maioria em Chávez.

Por que 60 ou 70% dos pobres votam em Chávez? Porque seus problemas vão sendo resolvidos, receberam moradias, se implementam uma cesta barata de alimentos e tratamento de saúde gratuito. E o que fez Lugo, a exemplo de tais iniciativas?
Nada. Então não podemos comparar com o que ocorreu no Paraguai, que é o oposto do que tem feito Chávez para manter seu poder na Venezuela.

(…)

Observação do Evidentemente: A crítica ao governo brasileiro, neste caso, me parece exagerada. Claro que a reação inicial do Brasil foi acanhada, mas a presidenta Dilma lembrou, logo no primeiro momento, a possibilidade de expulsão do Paraguai do Mercosul e da Unasul. A verdade é que Petras, com carradas de razões, tem uma posição bastante crítica sobre as concessões à direita feitas pelos governos petistas.

Tradução: Jadson Oliveira

sexta-feira, 29 de junho de 2012

FANTASMA DA FRAUDE PAIRA SOBRE ELEIÇÕES NO MÉXICO


Manuel López Obrador é o candidato progressista com alguma chance: está em segundo lugar, segundo as últimas pesquisas. Enrique Peña Nieto, candidato do PRI (o velho Partido Revolucionário Institucional, de direita, que governou o país por 70 anos, até 2000, e que agora pode voltar), é considerado favorito nas eleições do domingo, dia primeiro.
De Carta Maior, postagem de 28/06/2012

O espectro de uma fraude paira sobre a eleição deste domingo que pode consagrar o retorno do PRI ao poder depois de 12 anos na oposição. O candidato da esquerda, Manuel López Obrador, chegou a segundo nas pesquisas por conta da péssima campanha da candidata do governista PAN, Josefina Vázquez Mota. Até cerca de um mês, Obrador ocupava o terceiro lugar. No entanto, a irrupção do movimento estudantil YO SOY 132, abertamente hostil ao candidato do PRI, modificou a ordem das preferências. O artigo é de Eduardo Febbro, direto da Cidade do México. Clique para ler

MIRA LA MIERDA!

*O título é um comentário perfeito de Leandro Fortes no Facebook.

TORTURA NÃO É COISA DO PASSADO (vídeo)


Publicado em 29/06/2012 por
Policiais torturam para forçar confissões, agentes penitenciários torturam para castigar os presos. Há centenas de denúncias de tortura todos os anos mas poucos agentes do Estado são punidos. A reportagem completa está em http://apublica.org/2012/06/dizia-o-torturador/

quinta-feira, 28 de junho de 2012

AÇÃO GOLPISTA SERÁ RESPONDIDA COM OCUPAÇÃO DE TVs E RÁDIOS PRIVADAS


Marcha por Chávez, pelo poder popular e contra o terrorismo midiático (Fotos: Jadson Oliveira)
A advertência é dos representantes dos meios de comunicação alternativos e comunitários, que marcharam pelas ruas de Caracas na quarta, dia 27

De Caracas (Venezuela) - Com um discurso politicamente avançado – comunicação a serviço da revolução, do poder popular e do socialismo -, os chamados comunicadores populares marcharam na quarta-feira, dia 27, pelas ruas de Caracas, e deixaram no ar a advertência: se as forças da oposição venezuelana avançarem em ações desestabilizadoras e golpistas, a resposta será a ocupação e o confisco de meios das corporações privadas, hoje o braço mais visível e organizado da direita (o mais visado de tais meios é a TV Globovisión, que os chavistas chamam Globoterror).

Foram ao redor de duas mil pessoas que atuam nos cerca de 600 veículos alternativos e comunitários de todo o país (rádios, TVs, jornais e “páginas Web”/Internet), todos engajados na campanha pela reeleição, no dia 7 de outubro, do presidente Hugo Chávez, mencionado sempre como “comandante”. Desfilaram – com cartazes, bandeiras, discursos, músicas e muito barulho – da Praça Venezuela (nome de uma praça e também de uma área da cidade) até as imediações do Palácio Miraflores, sede do governo, no centro, na Avenida Urdaneta, ao lado da Catedral de Caracas (uma distância servida por cinco estações do metrô).

Aí falaram os representantes dos 24 estados (incluindo o Distrito Capital), apresentaram músicas e peça teatral malhando o “terrorismo midiático capitalista” e leram o documento assinado pelo Comando Nacional da Comunicação Popular Missão 7 de Outubro, onde expressam suas posições sobre o novo Projeto de Lei de Comunicação Popular, atualmente em discussão.
A coluna encoberta na curva da descida da Avenida Libertador
Os cerca de 2 mil manifestantes chegando ao centro da cidade, no início da tarde
Os comunicadores populares elogiam o projeto e as propostas do programa de governo de Chávez para o setor, mas reivindicam uma participação maior no Conselho Nacional de Comunicação Popular e a redistribuição do espaço radioelétrico, com predomínio dos comunitários sobre os meios dos sistemas privado e estatal. O documento foi entregue formalmente à vice-ministra de Comunicação, Lídice Altuve, no palanque, para ser encaminhado à Presidência.

O documento e os pronunciamentos estão inseridos na orientação geral de se construir um sistema público nacional de comunicação nas mãos do Poder Popular (assim com P maiúsculo), das comunidades, das comunas e dos movimentos sociais do “nuestro pueblo”.

O risco de golpe de Estado volta com força na “nuestra América”

O tema do golpismo foi realçado pela manifestação de solidariedade aos povos do Paraguai (vítima de um golpe de Estado “parlamentar” na sexta-feira passada, dia 22) e da Bolívia, que acabou de passar por seis dias de turbulência com uma greve de policiais, no bojo da qual o governo de Evo Morales identificou nova tentativa de golpe (o país já vem de recente ameaça golpista, bem mais forte, em 2008).

É, na verdade, um tema sempre presente na conjuntura venezuelana nesses quase 14 anos de poder de Chávez, especialmente agora às vésperas de eleições (todos os dias são lembrados o golpe e o contra-golpe popular de 11 e 13 de abril/2002). O candidato de oposição Henrique Capriles se nega a reconhecer a imparcialidade do “árbitro da partida” (o Conselho Nacional Eleitoral/CNE, o nosso TSE), o que gera denúncias de tentativas de desestabilização e golpe, principalmente em decorrência do aparente favoritismo dos bolivarianos na corrida presidencial. Daí a advertência dos comunicadores populares na abertura desta matéria.
A concentração a 300 metros do Palácio Miraflores, sede do governo
Na altura do Parque Carabobo: discursos, músicas e muito barulho em todo percurso
O risco de golpe de Estado, aliás, voltou a poluir os ares e as mentes da “nuestra América” em plena era da integração soberana, depois da derrubada do presidente paraguaio Fernando Lugo com “embalagem legalista”, como disse o presidente equatoriano Rafael Correa. O que mostra que as velhas oligarquias latino-americanas e seu eterno tutor, o império estadunidense, se reciclaram (o projeto piloto talvez tenha sido o golpe de Honduras, em 2009).

E para que a esquerda da América Latina não seja acusada de estar sonhando – acusação que já lhe foi feita nos anos 60 e 70 com bons motivos -, é bastante lembrar, além dos casos referidos acima, outras tentativas recentes de golpe contra governos considerados progressistas: na Argentina, em 2008 (revolta dos ruralistas); no Equador, em 2010, a partir de movimento de policiais como agora na Bolívia; e no Brasil, em 2005, com o episódio disseminado pelos monopólios privados da velha mídia com o nome de “mensalão”, cuja denúncia acaba de ser reforçada pelo governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, em artigo divulgado no portal Carta Maior.

Voltando aos nossos comunicadores bolivarianos: a marcha de ontem (27) deu-se no Dia Nacional dos Jornalistas. “Num dia como ontem do ano de 1818”, como dizem por aqui, Simón Bolívar fundou o jornal Correo del Orinoco, denominado pelo próprio Libertador de “A artilharia do pensamento”. Daí o dia em homenagem aos jornalistas. Em 2009, o governo de Chávez fez renascer o jornal que continua circulando, diário, estatal, com o mesmo nome e a mesma consigna.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

COMUNICADORES POPULARES EM PÉ DE GUERRA NAS RUAS DE CARACAS (vídeo 1)


De Caracas (Venezuela) - Milhares de comunicadores populares - dos meios de comunicação alternativos e comunitários - foram hoje, quarta-feira, dia 27, às ruas de Caracas com três objetivos: manifestar apoio à reeleição do presidente Hugo Chávez nas eleições de 7 de outubro; divulgar sua posição sobre a nova lei e regulamento da comunicação popular; e repudiar a ação anti-democrática e golpista dos monopólios privados da mídia venezuelana (e também internacional). Fizeram uma marcha da Praça Venezuela até as imediações do Palácio Miraflores, sede do governo, no centro da cidade.

COMUNICADORES POPULARES EM PÉ DE GUERRA NAS RUAS DE CARACAS (vídeo 2)



Este segundo vídeo, já na concentração perto do Miraflores, mostra parte do discurso de Roberto Sanabria, coordenador da rádio Vozes Libertárias 97.3 FM e membro do Comando Nacional Missão 7 de outubro. Ele faz uma advertência aos donos das corporações privadas: caso insistam nas ações golpistas contra o governo da revolução bolivariana, os comunicadores populares marcharão e ocuparão suas rádios e TVs. (Texto e fotos serão postados amanhã, dia 28, neste blog).

terça-feira, 26 de junho de 2012

COMUNICAÇÃO COMUNITÁRIA: O QUE FAZ O GOVERNO VENEZUELANO É TUDO O QUE O GOVERNO BRASILEIRO NÃO FAZ


“Governo bolivariano entregou recursos financeiros a meios comunitários (título do portal aporrea.org, postagem de 23/junho)

De Caracas (Venezuela) - Na semana passada, a Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) entregou 1.713.885 bolívares a 17 meios de comunicação comunitários. São 15 emissoras de rádio e duas de televisão localizadas nos estados de Amazonas, Aragua, Bolívar, Carabobo, Distrito Capital, Falcón, Guárico, Lara, Miranda, Sucre e Zulia, conforme matéria da assessoria da Conatel veiculada pelo portal aporrea.org.

Isso mostra que o governo do presidente Hugo Chávez continua aplicando seu programa de apoio às rádios e TVs comunitárias, visando fortalecer a política de liberdade de expressão para o povo e se contrapor à influência das corporações da mídia privada, comprometidas com os interesses das velhas oligarquias, aliadas do império estadunidense.

A destinação dos recursos entregues aos representantes das emissoras faz parte do Plano de Fortalecimento de Meios Comunitários, promovido pela Conatel, que já beneficiou 153 veículos da chamada comunicação popular. Tal iniciativa governamental abrange: a distribuição de recursos financeiros, o plano de conectividade “alámbrica”, “inalámbrica” ou satelital, a página Web, o centro de produção de conteúdo de propriedade coletiva e as oficinas de formação.

Traduzo o restante da matéria: “O gerente geral de Serviço Universal da Conatel, José Suárez, destacou a importância da organização para avançar na  entrega de recursos e na habilitação das emissoras de rádio e TV comunitárias que usam o espectro radioelétrico, um bem de domínio público.

‘As renovações passam por decisões coletivas. Os meios comunitários serão avaliados e validados pelo Poder Popular em cada estado’, assinalou Suárez.

Ele conclamou os meios comunitários a ocupar espaços para o intercâmbio de ideias e a discussão da Lei de Comunicação Popular e Meios Alternativos, assim como o Regulamento de Radiodifusão Sonora e Televisão Aberta de Serviço Público Sem Fins Lucrativos em cada uma de suas regiões.

O representante da emissora Yecuana 88.1 FM, Elías Díaz, que opera no município de Atures do estado de Amazonas recebeu com satisfação o aporte e destacou a importância que isso representa no aprofundamento da comunicação popular. ‘Este apoio garante que as comunidades indígenas continuem tendo acesso a uma comunicação livre e plural, além de avançar no desenvolvimento da construção do país que necessitamos’.

Díaz ressaltou o acompanhamento técnico e social que a Conatel tem proporcionado ‘de maneira constante, consequente e oportuna’ às organizações populares.

Alcides Martínez, representante da emissora sem fins lucrativos El Comunitario 96.7 FM do município de Maturín, estado de Monagas, ratificou o firme assessoramento prestado pelos funcionários da Conatel. ‘Constantemente recebemos recomendações, esclarecimentos e orientações dos técnicos sobre os equipamentos’”.

Governo brasileiro persegue rádios e TVs comunitárias (Observações do Evidentemente):

1 – Temos que levar em conta que a matéria foi elaborada e distribuída pela assessoria de imprensa da Conatel.

2 – A discussão da lei e do regulamento referidos na matéria é um dos pontos que motivam a manifestação dos comunicadores populares nas ruas de Caracas, convocada para amanhã, quarta, dia 27, conforme vídeo logo abaixo e cartaz que ilustra esta postagem. Eles vão divulgar suas posições e fazê-las chegar, formalmente, ao governo. Os outros dois pontos da marcha: manifestar apoio à reeleição do presidente Hugo Chávez e fazer um julgamento simbólico (uma condenação, está claro) das corporações da mídia capitalista pró império.

3 – A matéria acima reflete duas realidades completamente distintas: o que o governo de Chávez faz rotineiramente e tudo o que o governo brasileiro (Lula e Dilma) não faz ou não pode fazer: apoiar os meios de comunicação alternativos e comunitários, uma forma eficaz de resistir ao tremendo bombardeio dos monopólios da mídia, que desinformam e manipulam as mentes e corações da gente brasileira (imagino a “inveja” do pessoal da Abraço – Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária -, aí no Brasil, ao ler uma materinha como esta acima).

E não é apenas o que o governo brasileiro não faz. É bem pior: o governo brasileiro faz sim, mas é perseguir as poucas rádios e TVs que conseguem, a duras penas, fazer comunicação comunitária, conforme vemos nas denúncias e queixas contra a ação de órgãos como a Polícia Federal, o Ministério das Comunicações e a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

Não sei bem até que ponto esse aspecto da luta pela democratização da mídia tem sido destacado no Brasil. Creio que o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), com a ajuda de parte da blogosfera (os chamados blogueiros progressistas), tem avançado no debate em defesa do chamado marco regulatório, embora até o momento com repercussões bastante tímidas no seio do governo.

No que pese o Partido dos Trabalhadores (o PT de Lula e de Dilma) ter promovido recentemente um seminário sobre o assunto; e no que pese, sobretudo, escândalo do tamanho do pipocado, ultimamente, com a revelação das relações entre a revista Veja e o esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira/senador Demóstenes Torres.