terça-feira, 31 de março de 2015

COMPANHEIROS BLOGUEIROS PROGRESSISTAS: SERIA O GOVERNO BRASILEIRO UM CASO PERDIDO?

Tenha a mais santa paciência: Dilma espera que com diálogo a informação chegue à sociedade (Foto: Internet)
Enquanto nosso governo cambaleia num espetáculo deprimente de submissão aos monopólios da mídia hegemônica, eu estou aqui assistindo – e morrendo de inveja – o presidente equatoriano, Rafael Correa, estraçalhar ao vivo, na tela da TV, as mentiras e manipulações da imprensa anti-nacional e anti-popular.
Por Jadson Oliveira (jornalista/blogueiro) – editor do blog Evidentemente – publicado em 31/03/2015
De Guaiaquil (Equador) – Fico daqui vendo o governo do presidente Rafael Correa, devidamente municiado, travando um combate frontal contra a mídia hegemônica, enquanto acompanho de longe, num misto de assombro e incredulidade, o governo do PT/Dilma/Lula, devidamente desarmado, ser massacrado diariamente pela Rede Globo e seus parceiros de monopólio.
Leio, por exemplo, a declaração do novo ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência (sua posse está prevista para hoje, dia 31), o ex-deputado petista Edinho Silva, cujo anúncio foi recebido com desconfianças pela ditadura midiática e com certa esperança pelos combativos companheiros da blogosfera progressista (ou “suja”).
“A presidente Dilma foi direta. Pediu que eu estabeleça o diálogo com os veículos (de comunicação). A prioridade é estabelecer o diálogo com os veículos para que a informação chegue à sociedade”, disse ele, conforme li na nossa blogosfera.
Mas que diálogo, meu irmão? Um interlocutor só te leva a sério quando você se apresenta para o diálogo mostrando que você também tem força. Não é o caso. Na guerra da informação (ou desinformação), a moderna guerra chamada de quarta geração, o governo brasileiro vive permanentemente grogue, acuado, numa palavra DESARMADO, diante de um inimigo poderoso.
“Diálogo com os veículos para que a informação chegue à sociedade!?” Não creio que seja ingenuidade. Para mim, soa como confissão de fraqueza. A informação (ou desinformação) vai chegar à sociedade como sempre chegou, porque ela depende da intermediação do inimigo e o inimigo é parte, tem lado nesta contenda, tem A SUA VERSÃO, A SUA VERDADE.
Os exemplos estão aqui pertinho na nossa Pátria Grande
Não sei até quando os assessores e dirigentes governamentais vão insistir neste faz de conta. Repito, não posso crer que seja ingenuidade. Para mim, soa como confissão de fraqueza. Os exemplos exitosos de construção duma mídia contra-hegemônica estão pertinho, aqui mesmo na nossa Pátria Grande. Aqui mesmo no Equador e também na Argentina, na Venezuela e na Bolívia.
Aliás, há poucos dias li um bom artigo na nossa Carta Maior, mostrando a diferença que faz um presidente que tem veículo para falar e fala diretamente com a população. Referia-se à eficácia do presidente estadunidense Roosevelt, com seu programa de rádio ‘Conversa ao Pé da Lareira’, na década de 30 do século passado. O articulista só não precisava ir tão longe no tempo e na geografia para buscar um exemplo.
Aliás (outra vez), nossos companheiros blogueiros progressistas (ou “sujos”) – nossos abnegados guerrilheiros que se batem contra o poderoso exército regular dos monopólios - também não parecem muito convencidos da necessidade (imprescindível, na minha opinião) de contarmos com uma potente rede de meios de comunicação, comprometida com uma política democrática, nacional, popular e de esquerda. Mesmo agora no tempo da Internet e redes sociais, que devem ser incluídas nesta “potente rede”.
Os blogueiros progressistas falam muito da ditadura midiática, do terrorismo midiático, da corrupção (sonegação) disseminada entre os meios hegemônicos, da inexistência duma política de comunicação do governo, do financiamento dos monopólios através da verba de publicidade, da falta de coragem da Dilma para peitar os senhores do “pensamento único”, etc, etc.
Mas o ponto específico – construir uma mídia contra-hegemônica – dificilmente é lembrado com todas as letras. Beto Almeida, da TV Comunitária de Brasília e conselheiro da Telesur, é quem volta e meia está batendo nesta tecla.
Outro dia o professor Laurindo Lalo Leal Filho, que é estudioso do tema, reconheceu que a regulamentação econômica da mídia não é suficiente na disputa pela hegemonia na cabeça e na mente dos brasileiros. É necessário também a construção duma mídia que eu chamo sempre contra-hegemônica.
Presumo que ele declarou neste sentido porque foi perguntado por Darío Pignotti, jornalista argentino que escreve para Carta Maior e Página/12. Digo isto porque leio sempre os esclarecedores artigos do professor e nunca o vi tocar neste aspecto.
A gente termina falando dos assuntos em pauta de maneira separada, mas, na verdade, sabemos que os fatos políticos e sociais estão sempre entrelaçados. Imagine quando e como vamos conseguir a regulamentação da mídia (especialmente as concessões públicas de rádio e TV) com os monopólios matracando todo santo dia: é censura, é censura, é censura... os “petistas” querem abolir a liberdade de expressão...
Raciocínio igual num outro tema capital: imagine a que tipo de reforma política (ou eleitoral) vamos chegar com a mídia reacionária (incluindo saudosistas da ditadura) comandando a informação (ou desinformação)!
Por falar em reforma política: se tivéssemos uma mídia comprometida nem que fosse um pouquinho com a verdadeira luta contra a corrupção, será que um ministro do STF teria peito para bloquear a votação sobre o financiamento das campanhas eleitorais pelos empresários? Será que a direita vai festejar o primeiro aniversário do pedido de vista, agora na próxima quinta-feira, dia 2? (DEVOLVE GILMAR!)
Correa, ao vivo na TV, desmascarando ponto por ponto as manipulações da mídia opositora (Foto: Internet)
Correa vai pra cima, devidamente municiado
Enquanto isso, fico aqui nesta chuvosa Guaiaquil, que é banhada pelo Pacífico mas tem todo jeito de caribenha, assistindo – e morrendo de inveja – o presidente Correa estraçalhar as mentiras e manipulações da mídia hegemônica, através da emissora pública Equador TV, canal 7 (e também por rádio), no seu programa semanal Enlace Cidadão.
São quatro horas, aos sábados (das 10 às 14 horas): noticia e explica exaustivamente as obras e as posições do governo, comenta com veemência e bom humor os assuntos relevantes, esmiúça fatos, contesta informações da mídia privada mostrando imagens repetidas vezes, dá a sua versão e bate até um providencial carimbo expressando claramente M E N T I R A.
“Somos mais, companheiros, somos muito mais”, repete inúmeras vezes o seu bordão. O jornalista e professor Ignacio Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique em espanhol, que esteve por aqui há poucos dias, disse que Correa estudou comunicação depois de ter se tornado presidente. Acrescento eu: deve ter tomado umas aulas com seu amigo Hugo Chávez.

PS: Pelo que pude ver e apurar, a rede de meios públicos (ou estatais) de comunicação da Revolução Cidadã, liderada por Rafael Correa, conta com dois jornais diários, três emissoras de TV (sem contar a Telesur), uma de rádio e uma agência de notícias. (Farei matéria especificamente sobre este “arsenal”).     

segunda-feira, 30 de março de 2015

BRASIL: POR FRENTE DE ESQUERDA: "SE NOSSA VOZ NÃO FOR OUVIDA AGORA, PODERÁ SER CALADA PARA SEMPRE"

Ditador Figueiredo e Roberto Marinho (Foto: Viomundo)

Convocamos todos os companheiros de sonhos a unificar nossas forças na criação de uma frente de esquerda sem o comando (nem a exclusão) de entidades governistas.

Reproduzido do blog Viomundo - o que você não vê na mídia, de 30/03/2015

Manifesto: Mais democracia, menos corrupção

O sistema político-partidário brasileiro encontra-se colapsado, e nossos políticos perderam o pulso da história e a capacidade de liderar. O debate público, suas informações e deformações se dão nas redes sociais, freneticamente, num processo que eles não entendem ou acompanham. Por isso resolvemos escrever esse manifesto que é um grito de alerta, indignação e convocação.
Articulistas da mídia corporativa constroem uma narrativa na qual a esquerda e a direita estão disputando as ruas, enquanto uma terceira via centrista não se sente representada nem pelo PT nem pelo PSDB e não sai de casa.
Mas isso é só mais uma armadilha retórica para puxar o espectro político brasileiro à direita.
Apesar de a maioria dos militantes de base do PT ainda defenderem bandeiras de esquerda, o PT não só não conseguiu mudar o sistema político brasileiro como acabou por ele modificado. O peso de governar com um congresso corrupto e conservador e de financiar campanhas contra a direita milionária o empurrou para o centro. Isso gerou um imenso e perigoso vácuo político até mesmo na centro-esquerda, que não conta mais com partidos que outrora ocuparam esse lugar.
Não é o centro. É a esquerda a grande ausente das ruas neste momento. Em que pese a presença de organizações de esquerda no dia 13, o que vimos lá foi o que restou delas depois de 12 anos de desmobilização pelo PT e por sua política de conciliação de interesses, que agora chega ao seu limite estrutural. A maioria da esquerda não tem liderança, perdeu seu poder de reação e não vê por que defender esse governo, fato que é explorado pela direita para dividir as forças populares e preparar um gigantesco assalto ao Estado brasileiro, aos direitos trabalhistas e políticos.
Mas nós, cidadãos de esquerda, estamos sim, profundamente indignados. Nossa indignação é muito antiga e muito maior do que a destes indignados de 15 de março, que não só não têm o monopólio da indignação, como parecem ter uma indignação muito seletiva.
Porque esses estão indignados com o roubo de 4 bi dos lucros da Petrobrás durante 10 anos, e com a leniência de membros do PT com esse assalto à nossa maior empresa. Nós também.
Mas estamos muito mais indignados com os que a querem roubar inteira, privatizando-a e entregando lucros, que foram de 272 bi no período citado, a tubarões nacionais e internacionais.
E isso ainda é muito pouco, nossa indignação é muito maior que essa, porque nossa memória está abarrotada dos cadáveres insepultos da corrupção brasileira;
Nós estamos indignados até hoje com a privatização fraudulenta da Vale, com os crimes da privataria tucana que dilapidou metade de nosso patrimônio, com o Banestado, o HSBC, o Fonte-Cindam, a anulação da Satiagraha, os sanguessugas, a prescrição do mensalão tucano, o aeroporto de Cláudio, o helicóptero da coca, a lista de Furnas, a máfia do Cachoeira, o Metrô de São Paulo, os trens de SP, o Rodoanel, o Sivan, a sonegação da Globo, a sonegação do Itaú, a compra da emenda da reeleição de FHC, e tantos, tantos outros casos cuja apuração foi venalmente impedida no judiciário e criminosamente ocultada pela mídia. Estão todos soltos!

ELEIÇÕES NA BOLÍVIA: PARTIDO DE EVO PERDE EM CIDADES IMPORTANTES, MAS CONQUISTA MAIORIA DAS REGIÕES

Boliviana escolhe candidatos nas eleições bolivianas: resultado oficial sairá na próxima semana (Foto: EFE/Opera Mundi)

Nas eleições (estaduais e) municipais, MAS (Movimento ao Socialismo) tem influência reduzida; para o vice-presidente García Linera, resultados mostram "fraqueza" das lideranças locais

Reproduzido de Opera Mundi - de São Paulo, de 30/03/2015
O MAS (Movimento ao Socialismo), partido do presidente da Bolívia, Evo Morales, perdeu influência em importantes cidades do país nas eleições de domingo (29/03). Contudo, a legenda conseguiu obter predomínio em quatro de nove regiões, tendo a possibilidade de expandir para seis, já que seus candidatos apresentam vantagem no segundo turno em Chuquisaca e Beni. A oposição conseguiu três estados.

Uma das principais perdas para o MAS (Movimento ao Socialismo) foi em cidades-chave como El Alto, de maioria aimará, povo da mesma origem de Morales e considerada um bastião do governo. Outro município perdido é Cochabamba, local onde o chefe de Estado boliviano despontou sua carreira política nos anos 1990 como líder sindical e cocaleiro.

Em entrevista coletiva à imprensa, o vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, atribuiu os resultados à "fraqueza" da formação de lideranças locais de seu partido, em comparação com os resultados da eleição presidencial de meados de outubro de 2014, quando Morales conquistou terceiro mandato com mais de 60% dos votos.
Com os resultados, a perda da influência do MAS dá vantagem para o crescimento de outros partidos, como o de centro-esquerda opositor Sol (Soberania e Liberdade), que também obteve regiões importantes como La Paz. Já em Santa Cruz, o partido de direita Unidade Democrata Social tem 59,9% dos votos.

Os dados divulgados nesta manhã (nesta segunda-feira) fazem parte de pesquisas elaboradas pela Ipsos e Equipes Mori para os canais de televisão ATB Unitel. De acordo com a ABI (Agência Boliviana de Informação), o Tribunal Supremo Eleitoral emitirá os resultados oficiais a partir da próxima semana.

Ontem (domingo), os bolivianos foram às urnas eleger nove governadores, oito sub-governadores, um vice-governador e 339 prefeitos, entre outros cargos públicos (deputados estaduais e vereadores).

domingo, 29 de março de 2015

RAMONET: “GOVERNOS PROGRESSISTAS SOFREM HOJE UMA OFENSIVA MICROMIDIÁTICA”

Jornalista e acadêmico Ignacio Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique em espanhol (Foto: Marco Salgado/El Telégrafo)
“As redes sociais são atualmente o principal ator na mobilização social”.

“A maioria desses governos (progressistas da América Latina) sofre uma ofensiva que já não é megamidiática, mas sim micromidiática”.

“Obama tem 47 milhões de seguidores no Twitter, tem maior alcance quando comunica por Twitter do que pela televisão, porque não há nenhuma televisão nos EUA que tenha 47 milhões de telespectadores”.

No caso da Venezuela, “há uma conspiração midiática internacional”.

Esta é a segunda parte da rica entrevista do jornalista e professor Ignacio Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique em espanhol, ativista e estudioso do papel político exercido pelos meios de comunicação. Foi matéria de capa do El Telégrafo, edição impressa de 23/03/2015, com a manchete: ‘Ramonet: Meios de comunicação substituem as forças conservadoras’. Este blog Evidentemente publicou a primeira parte em 24/03/2015, com o título: ‘Ramonet: PT/Lula/Dilma não cuidou de criar um sistema público de comunicação’.

Por Orlando Pérez e María Elena Vaca, do jornal equatoriano El Telégrafo (empresa pública), edição de 23/03/2015 (o título e os destaques acima são deste blog)

Continuação: no final da primeira parte, o entrevistado dizia:

Muitos dirigentes fazem uma análise dos meios de comunicação, que é o que se podia fazer há 10 ou 15 anos, mas hoje a reflexão deve integrar as redes sociais, que são o principal ator na mobilização social. De fato, se você quer, a maioria desses governos sofre uma ofensiva que já não é megamidiática, mas sim micromidiática.

É aconselhável fazer o enfrentamento com as pessoas nas redes como o faz o presidente Correa? Isso é válido no tema da disputa política?

Não sei se um presidente deve entrar aí. Uma coisa é fazer uma consideração geral e outra é por em marcha igual a um governo ou uma empresa, que têm um departamento de comunicação, e hoje em dia os governos e empresas inteligentes têm um departamento de resposta rápida mediante o uso do Twitter, Facebook, blogs, páginas bem elaboradas na web. Esse é o bom nível de resposta. Exceto que haja algo mais importante. Eu não penso num presidente estabelecer um diálogo crítico com um tuiteiro, ou algo assim.

Dizia isto porque, em alguma medida, a derrota que Rafael Correa infligiu a esse sistema de comunicação tradicional se transferiu para as redes, nas quais agora os cidadãos são os que confrontam essa tensão com o presidente...

Da mesma forma que frente aos megameios, os meios de comunicação públicos desenvolveram uma política de financiamento e desenvolvimento de megameios públicos, de igual maneira há que desenvolver uma política no campo da comunicação com respeito aos micromeios. Para isso tem que haver uma reflexão de como estão funcionando.
Até onde os atores políticos progressistas, de esquerda, devem modificar seus comportamentos políticos em função de gerar uma comunicação política para um mundo mais polarizado nesse território?

A maioria dos governantes de hoje se preocupou em desenvolver sua comunicação, mediante o Twitter, e informam pessoalmente, como o presidente Maduro, que tem um seguimento contínuo do Twitter. Obama tem 47 milhões de seguidores no Twitter, tem maior alcance quando comunica por Twitter do que pela televisão, porque não há nenhuma televisão nos EUA que tenha 47 milhões de telespectadores. Hoje faz parte da comunicação elementar de um dirigente.

E apesar disso, como ocorre na Venezuela, Maduro não consegue romper o desequilíbrio sobre a realidade desse país...

Porque ali, sim, há uma conspiração midiática internacional e contra a Venezuela sempre houve uma aliança de contrários, porque a característica da Venezuela é que acumulou os adversários social-democratas e os adversários do conservadorismo tradicional. Em particular há um ódio social-democrata contra Chávez, porque liderou a rebelião de 1992 contra um presidente social-democrata com muita influência na Internacional Socialista, Carlos Andrés Pérez. Isso criou muita confusão no seio da esquerda durante muito tempo. E então, enquanto houve esta confusão, os meios de comunicação construíram uma imagem primeiro de Chávez como ditador, autoritário, quando era o contrário, porém essa imagem ficou e hoje em dia essa ofensiva continua com novas formas, porque aos meios de comunicação internacionais se somou a operação do tipo de ‘revolução de cores’ com as redes sociais que também difundem esta mesma mensagem. (Continua)


Tradução: Jadson Oliveira

O STF ESCOLHE: O CIDADÃO OU O PODER ECONÔMICO? (BRASIL: "DEVOLVE GILMAR!")

(Foto: Viomundo)

Kenarik Boujikian: Se Gilmar já criticou na imprensa a ADI da OAB contra financiamento de empresa por que segurar mais o processo?


Kenarik Boujikian:  “O ministro tem o dever republicano de devolver o processo”
Por Kenarik Boujikian, especial para o blog Viomundo - o que você não vê na mídia - postagem de 28/03/2015 (reproduzido aqui no Evidentemente em 29/03/2015)
Cada dia fica mais claro que o Brasil necessita de uma real reforma política, a ser feita por eleitos para este fim específico e sem que o sejam às custas de empresas. Este desafio não pode ser exercido por este Congresso e nem se está a imaginar que o Supremo Tribunal Federal (STF) possa fazê-lo. Evidente que não, mas cabe ao STF dizer se a lei, que permite que as empresas e os ricos mandem nas eleições, deve valer ou não para as próximas campanhas.
Para tanto, a decisão do STF deverá ter por norte tornar os fundamentos da República, especialmente a cidadania, reais e efetivos para o povo brasileiro, de quem emana o poder.
Um dos meios de exercício do poder se dá através dos representantes eleitos para o legislativo e executivo. Mas quem de fato está exercendo este poder? O povo brasileiro ou as empresas?
A resposta está dada: nas eleições presidenciais de 2010, 61% das doações da campanha eleitoral tiveram origem em 0,5% das empresas brasileiras. Em 2012, 95% do custo das campanhas se originaram de empresas. Só uma construtora doou, para diversos candidatos, o montante de R$ 50 milhões. Nas eleições de 2014, em todo o Brasil, os valores foram estratosféricos.
Forçoso concluir que o sistema eleitoral está alicerçado no poder econômico, o que não pode persistir. Para que se tenha uma eleição justa e democrática é necessário respeitar a máxima: “uma pessoa, um voto” e acabar de uma vez por todas com o “mais cifrões, mais votos “ e nesta medida deixar de privilegiar os mais poderosos.
Não por outro motivo, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil ajuizou ação direta de inconstitucionalidade (ADI 4650), em setembro de 2011, e requereu a limitação das doações de pessoas físicas (muitas vezes do próprio candidato) e a proibição das pessoas jurídicas (empresas) de participarem do sistema eleitoral.
Dada a importância do tema, o STF realizou grande audiência pública e diversas entidades, como a CNBB, participam do processo como “amicus curiae” (instrumento democrático de participação) . Ficou absolutamente transparente o que todos já sabem: que as campanhas são milionárias, financiamentos maiores que orçamentos de várias cidades e estados.
Em dezembro de 2013, o processo entrou em julgamento. Seis ministros (portanto, já configurando a maioria) votaram contra o financiamento por empresas: Luiz Fux, Marco Aurelio,  Luís Roberto Barroso, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa e Dias Toffoli. O ministro Teori Zavaschi deu voto contrário ao pedido da OAB. Na sequência, em 02.4.2014, o ministro Gilmar Mendes exerceu o direito de vista, mas desde então o processo está paralisado.
Durante a votação, ministros apresentaram os fatos, às claras, sem tergiversação e disseram: não se pode acreditar no patrocínio desinteressado das pessoas jurídicas; deve-se evitar que a riqueza tenha o controle do processo eleitoral em detrimento dos valores constitucionais compartilhados pela sociedade; a pretensão da ADI é indispensável para dar fim ao monopólio financeiro das empresas e grandes corporações sobre as eleições e alcançar-se a equidade do processo eleitoral exigida pela Constituição; a enorme desigualdade entre os participantes produz resultados desastrosos para a autenticidade do processo eleitoral; o financiamento, como posto, fere o equilíbrio dos pleitos, pois as pessoas comuns não têm como se contrapor ao poder econômico; a lei deve servir para proteger a normalidade e a legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico.

OSVALDO BAYER: A DEMOCRACIA DO DINHEIRO

(Foto: Corbis/Página/12)
Deve começar já a grande discussão sobre o que é democracia. Não pode ser que se chame democrático um país onde há pessoas que ganham milhões e outras que têm apenas para comer, se o têm.

Por Osvaldo Bayer (da Alemanha) – no jornal argentino Página/12, edição impressa de ontem, dia 28

A democracia do dinheiro. Um tema para discutir já. Na Alemanha, todos os anos se reinicia esta discussão. Os jornais acabam de publicar a grande notícia: “Os diretores de empresas alemãs ganham mais do que nunca”, e se publica a lista. É para não acreditar numa democracia. O que ganha mais é o diretor geral da empresa automobilística Volkswagen, Martin Winterkorn, que em 2014 obteve 15,9 milhões de euros. Algo incrível, 6% mais do que percebeu em 2013. O segundo a cobrar mais é Dieter Zetschke, presidente da Daimler-Mercedes Benz, com 14,4 milhões de euros anuais, 5% mais que no ano anterior. Em terceiro lugar, nada menos que o diretor do Correio alemão, Frank Appel, com 9,6 milhões de euros, 22% mais que em 2013; em seguida Ulf Schneider, da empresa Fresenius, com um ganho anual de 9,2 milhões de euros, 70% mais que em 2013; depois Kurt Bock, da BASF, 7,8 milhões, 54% mais que em 2013; vem a seguir Kasper Rorsted, da Henkel, com 7,7 milhões; Joe Kaeser, da Siemens, com 6,7 milhões; Martin Dekkerss, da Bayer, com 6,7 milhões; Elmar Degenhardt, da Continental, e Anshu Jain, do Deutsche Bank, ambos com 6,2 milhões anuais cada um.
Incrível. Uma sociedade que se diz democrática, onde os aposentados e desocupados vivem com 500 euros mensais. Enquanto sob o mesmo céu há gente que ganha milhões. É democracia isto? Sim, a Alemanha é considerada o país mais democrático da Europa. É como para ir ao espelho de casa e arrancar a própria língua. Aqui a ironia chega já a seus limites: a Grécia, com o novo governo de esquerda, manifestou ante a Europa sua impossibilidade de pagar suas dívidas ao Mercado Comum Europeu. O ministro alemão de Finanças, Wolfgang Schäuble, lhe respondeu que reduza os soldos dos aposentados. É incrível, sim, é que os aposentados gregos têm fama de serem os que estão em melhor situação na Europa. Porém, que sentido tem que uma sociedade democrática tire de seus aposentados para pagar dívidas externas? Democrático, o ministro.
Deve começar já a grande discussão sobre o que é democracia. Não pode ser que se chame democrático um país onde há pessoas que ganham milhões e outras que têm apenas para comer, se o têm. Democracia, antes de tudo, deve significar Liberdade em Igualdade. O repetimos sempre, cabe uma vez mais nosso Hino Nacional de 1813: “Ved en trono a la noble Igualdad. ¡Libertad, Libertad, Libertad!”. É como para se cantar na cara destes executivos alemães. Não é democrático um regime onde alguns ganham milhões e outros – e não são poucos – recebam apenas moedas. Falo da Alemanha, mas nos Estados Unidos as diferenças são piores. O que ganham os executivos das empresas é o triplo ou mais do que ganham os executivos alemães.
Continuar em espanhol (com traduções pontuais):
Las empresas tienen un argumento cuando se les reprochan esos altos pagos (pagamentos): “Si no se les paga eso los managers se van a Estados Unidos donde los atraen con mejores sueldos”. Sí, los ejecutivos norteamericanos, como decimos, ganan dos o (duas ou) tres veces más que lo que reciben los alemanes en su país. Quiere decir que el “mal de la democracia”, con las diferencias sociales tan grandes, viene de ese ejemplo de llamada democracia. En 2014, el ejecutivo que en Estados Unidos ganó más dinero fue Robert Iger, del consorcio Walt Disney, que obtuvo unos 32,1 millones en euros, para comparar con el ejecutivo alemán de más ganancias (lucros, ganhos): 15,9 millones de euros.
Además, a los ejecutivos se les pone a disposición autos con choferes y se les pagan todos los gastos de comunicación.
Son todas fórmulas económicas inspiradas en el ejemplo de Estados Unidos, que siguen imponiéndose con su forma de actuar en el mundo entero.
Todo pertenece al reino de la hipocresía. El que es rico “por algo será”, es el principio ético que vale. No se estudia, por ejemplo, cómo el poder somete (submete) y cómo las posibilidades de llegar a los sueldos vienen a ser el único fin moral de la sociedad.
Por supuesto (Por certo), esa forma de cambiar (mudar) la Etica por la “capacidad de producción” o (ou) la capacidad de ganar más es el fondo de la ideología capitalista. Que – y esto lo repetimos una vez más – se basa (baseia) en la democracia del voto. Y del ciudadano que cree que ya con poner el papel en la urna es un democrático. La realidad de nuestra democracia es que hay partidos políticos que tienen millones y otros que dependen apenas del bolsillo del obrero (do bolso do operário).
Alguna vez el pueblo argentino saldrá a la calle (sairá às ruas) cantando ese increíble “Ved en trono a la noble Igualdad. ¡Libertad, Libertad, Libertad!” y hará (e fará) valer esos principios tan soñados por aquellos hombres de Mayo como Moreno, Belgrano y Castelli (homens que lutaram pela independencia argentina).
Reconhecimento do holocausto armênio
Hay un ejemplo en el mundo: el pueblo armenio que – desde que los turcos cometieron ese horrible crimen del genocidio armenio con más de un millón y medio de víctimas – no dejó nunca en todo el mundo de reclamar justicia. Y eso ha tenido su eco. Nadie (Ninguém) ya puede negar ese crimen tan cobarde y absurdo. Por ejemplo, la Iglesia Católica Argentina, por primera vez en su historia, dio una misa en la Catedral por las víctimas armenias en aquel holocausto. La misa fue ofrecida por el cardenal Marco Aurelio Poli. Y estaba presente el arzobispo de la Iglesia Apostólica Armenia para Argentina y Chile, monseñor Mouradian. Por su parte, el papa Francisco anunció que oficiará una misa en la Basílica de San Pedro por las víctimas armenias, el 12 de abril próximo. Y para el 24 de abril próximo, a las 19:15, se organizó un acto religioso en “reconocimiento de los mártires del genocidio armenio” en el convento de Santa Anna Kloster, Munich, donde actuará el coro de mujeres de Geghard, Armenia.
La movilización constante de todo un pueblo a lo largo de un siglo ha tenido ese reconocimiento. Sólo así, con la gente en la calle (nas ruas), lograremos un mundo sin miserias, sin niños con hambre y en Libertad (sem crianças com fome e em Liberdade).

Tradução (parcial): Jadson Oliveira

sábado, 28 de março de 2015

MARCOS ROITMAN ROSENMANN: FELIPE GONZÁLEZ, A IMPUDICÍCIA DE UM POLÍTICO INDECENTE

Felipe González (Foto: Internet)
Depois de sua saída da política se transformou em assessor de lobbys e empresas transnacionais espanholas, estadunidenses e europeias, entre outras de venda de armamento, obtendo rendosos benefícios

Por Marcos Roitman Rosenmann, no jornal mexicano La Jornada, de 28/03/2015
     Para muchos, Felipe González es un ícono de la democracia española. Sin embargo (No entanto), nada más alejado (distante) de la realidad. Su pasado es otro. Hoy se presenta al mundo como el abogado defensor de Leopoldo López, dirigente del partido Voluntad Popular, y del alcalde (prefeito) de Caracas, Antonio Ledezma, elegido por la Mesa de Unidad Democrática (MUD – coalizão de partidos opositores na Venezuela). Ambos políticos venezolanos, imputados por participar y urdir la trama de golpe de Estado para derrocar al gobierno constitucional del presidente Nicolás Maduro.
Felipe González tiene una cara oculta. Tiene en su debe político urdir parte del proceso desestabilizador que culminó en el fallido golpe de Estado del 23-F (23 de fevereiro) en España, para crear un gobierno cívico-militar. También gestar la guerra sucia (suja) contra la izquierda abertzale y ETA. Siendo presidente de gobierno, entre 1983 y 1985 dio luz verde a la actuación de los Grupos Antiterroristas de Liberación (GAL). El resultado: 27 personas asesinadas y cientos (centenas) de damnificados colaterales.
La historia de Felipe González está ligada indisolublemente a la evolución del Partido Socialista Obrero Español (PSOE) desde los años 70 del siglo XX. La modernización política había desplazado (substituído) a los viejos camisas azules y una generación de nuevos políticos tecnócratas asaltaban el poder. En este contexto, Franco nombraría en 1969 a su sucesor. El régimen tendría continuidad bajo (sob) la restauración monárquica. El elegido no sería el hijo (filho) de Alfonso XIII, don Juan, sino su nieto, Juan Carlos, saltándose la cadena sucesoria. El 20 de noviembre de 1975, Franco, tras (após) 40 años de dictadura, moría en la cama. Su régimen sobrevivía. El 22 de noviembre de 1975 Juan Carlos I es coronado rey. En noviembre de 1976 las cortes franquistas aprueban convocar un referendo para la reforma política, a celebrarse el 15 de diciembre. Los actores de la modernización están en el poder. Adolfo Suárez preside el gobierno y una oposición tolerada se legitima. En febrero de 1977 se legaliza al PSOE y en abril del mismo año el Partido Comunista. Los interlocutores se reconocían, pero el itinerario había sido diseñado con el caudillo en vida. El objetivo, encontrar una salida negociada, redactar una ley de amnistía y punto final para salvaguardar a los dirigentes del régimen.
Estados Unidos, Alemania y Gran Bretaña, valedores de Franco, agradecidos por su papel en la lucha anticomunista, requerían una organización opositora fiable, capaz de negociar una vez muerto el dictador. Sus ojos se ponen en el PSOE. Partido con poca actividad durante la dictadura y considerado pro occidental. En esta estrategia, el Departamento de Estado estadunidense entra en contacto con un hombre oscuro, abogado laboralista (trabalhista) y militante del partido: Felipe González. En poco tiempo pasaría a transformarse en una figura destacada de la transición. La operación contó con fondos y aval de los países señalados y la socialdemocracia internacional. Previamente, Felipe González y su equipo debía tomar las riendas (rédeas) del PSOE, en manos de la vieja guardia desde 1944. El momento idóneo, el 26 congreso, a celebrarse en la localidad francesa de Suresnes, en 1974. En dicho evento, Felipe González será nombrado secretario general, desplazando (substituindo) a Rodolfo Llopis. Dos (2) años más tarde, en diciembre de 1976, el PSOE celebrará, en la clandestinidad, su 27 congreso en Madrid; radiado y televisado nadie (ninguém) será detenido. En ese instante, Felipe González, aclamado por el partido, se convierte en el hombre de Estados Unidos en España y el interlocutor de la socialdemocracia europea para América Latina. En 1982 su partido obtendrá mayoría absoluta, siendo elegido presidente de gobierno. Allí se quita su careta (Aí se tira sua máscara). En medio de la guerra contrainsurgente en Centroamérica, declara: Habría que ayudar a Estados Unidos a encontrar la dimensión positiva de su liderazgo (de sua liderança) en América Latina. Y de paso no sorprender nunca a la administración Reagan en las decisiones que tomara el Ejecutivo.
Su periplo (périplo) por América Latina no tiene desperdicio. En su currículum debemos destacar la relación con el entonces miembro de la Junta Militar Argentina, almirante Eduardo Massera, para crear el partidoDemocracia Social, integrado a la Internacional Socialista. Maniobra que fracasó estrepitosamente, no sin antes González presentar a Massera como socialdemócrata. Dichos datos (Ditos dados) salieron a la luz en la causa instruida por el juez Garzón contra la dictadura Argentina. Publicitados por el equipo Nizkor y el periódico argentino La Nación. Durante la dictadura de Videla, Felipe González condecoró a varios militares. Entre otros, al almirante Rubén Franco, condenado posteriormente a 25 años de cárcel por participar en el secuestro y apropiación de hijos (filhos) de desaparecidos, con la Gran Cruz de la orden del merito aeronáutico. Asimismo, no tuvo escrúpulos en convertirse en fiador para la venta de armas a las dictaduras latinoamericanas. Sólo en el Chile de Pinochet, entre morteros, lanzacohetes, ametralladoras, aviones de entrenamiento, helicópteros, en el año 1983, los beneficios superaron los 80 millones de dólares. No es de extrañar que pidiera la libertad de Pinochet con tanto ahínco (afinco) tras su detención en Londres, sin olvidar que en los años 80 recomendó a Ricardo Lagos que fuese Pinochet el timonel (timoneiro) de la transición. La visita de ministros de Pinochet a España para asesorar las privatizaciones, la reforma laboral (trabalhista) y abrir las puertas a Telefónica, Iberdrola, Endesa, Repsol, Santander, BBVA, en Chile fue una constante. Financió la contra (os contra) nicaragüense, apoyó el informe Kissinger y negó apoyo al FDR-FMLN en El Salvador. Tras (Depois de) su salida de la política se transformó en asesor de lobbys y empresas trasnacionales españolas, estadunidenses y europeas, entre otras de venta de armamento, obteniendo pingües (rendosos) beneficios. Además de asesorar empresarios latinoamericanos para esquilmar sus riquezas, entre los que destaca Carlos Slim (bilionário mexicano).
Ahora se presenta como un demócrata comprometido con las libertades en América Latina. Nunca lo estuvo ni lo estará. Mientras (Enquanto) cultiva su hobby, comprar y diseñar joyas, alienta la desestabilización de golpistas. No puede ser de otra forma. Siempre revoloteó en su nido (Sempre revoou em seu ninho). Estados Unidos se lo agradece. Su impudicia (impudicícia) no tiene límite.

Tradução (parcial): Jadson Oliveira

RENATO ROVAI: RBS, BRAÇO DA GLOBO NO SUL, ESTÁ NA LISTA DA OPERAÇÃO ZELOTES

(Ilustração: Internet)
União pode ter deixado de arrecadar 5,7 bilhões de reais por causa da manipulação de julgamentos em processos administrativos e multas de empresas autuadas pela Receita Federal

Por Renato Rovai, no Blog do Rovai (Portal Fórum), de 28/03/2015

A Operação Zelotes realizada, na última quinta-feira (26), por diversos órgãos federais contra um esquema que causava o sumiço de débitos tributários identificou várias grandes empresas e bancos entre os suspeitos de pagar propina para se livrarem de dívidas. Uma dessas empresas é a RBS, que atualmente é a maior afiliada da Rede Globo no Sul do país e que se comporta como um partido político da direita principalmente no Rio Grande.
Segundo informações de O Estado de S. Paulo, a RBS pode ter pago 15 milhões de reais para que um débito da empresa de 150 milhões de reais sumisse. No total, as investigações sobre débitos da RBS chegam a 672 milhões de reais.

Além da afiliada da Globo, outras grandes empresas como a já famosa em lista de corrupções, Camargo Corrêa, a BRF, fusão da Sadia, que praticamente faliu em outro esquema de derivativos cambiais, com a Perdigão, a Mitsubishi, a Light e os bancos Bradesco, Santander, Safra, BankBoston e Pactual. Um nome que também aparece como um dos principais investigados é o de Carlos Alberto Mansur, irmão de Ricardo Mansur, que faliu o Mappin e a Mesbla, e tio de Ric Mansur, um dos melhores amigos do senador Aécio Neves.
Os investigadores de uma força-tarefa formada por Receita Federal, Polícia Federal, Ministério Público Federal e a Corregedoria do Ministério da Fazenda dizem já possuir indícios suficientes para comprovar que a União deixou de arrecadar 5,7 bilhões de reais por causa da manipulação de julgamentos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O conselho é vinculado ao Ministério da Fazenda e julga, em segunda instância, recursos de processos administrativos e multas de empresas autuadas pela Receita Federal.
A força-tarefa descobriu a existência de empresas de consultoria que vendiam serviços de redução ou desaparecimento de débitos fiscais no Carf. Essas consultorias tinham como sócios conselheiros ou ex-conselheiros do Carf. Elas controlavam o resultado dos julgamentos via pagamento de propinas. As investigações começaram no fim de 2013 e já foram examinados 70 processos em andamento ou já encerrados no Carf. Esses processos somam 19 bilhões de reais em tributos.
Entre os crimes apurados na Zelotes, estão advocacia administrativa, tráfico de influência, corrupção, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Na operação, houve busca e apreensão em Brasília, Ceará e São Paulo e o cálculo é que mais de 2 milhões de reais em dinheiro vivo foram apreendidos.
Há indícios de que os volumes de recursos investigados nesta operação sejam maiores do que o da Lava Jato. “Essa investigação é uma das maiores, se não a maior, de uma organização criminosa especializada em sonegação fiscal no Brasil, pelos valores e pelo modus operandi”, disse o delegado Oslain Campos Santana, diretor de Combate ao Crime Organizado da PF.
Abaixo, a lista de débitos investigados de algumas das empresas, segundo o Estadão:

Santander – R$ 3,3 bilhões
Bradesco – R$ 2,7 bilhões
Gerdau – R$ 1,2 bilhão
Safra – R$ 767 milhões
RBS – R$ 672 milhões
Camargo Corrêa – R$ 668 milhões
Mitsubishi – R$ 505 milhões
Carlos Alberto Mansur – R$ 436 milhões
Cervejaria Petrópolis – R$ 406 milhões
Marcopolo – R$ 260 milhões
Cimento Penha – R$ 109 milhões
Bank Boston – R$ 106 milhões
Petrobras – R$ 53 milhões
Copersucar – R$ 62 milhões
Évora – R$ 48 milhões
Embraer – R$ 12 milhões
BRF – Os números ainda estão sendo apurados

ELEIÇÕES ESTADUAIS E MUNICIPAIS NA BOLÍVIA: UMA PROVA PARA EVO

Evo Morales, o político mais popular do país, se empenhou na campanha por seus candidatos (Foto: AFP/Página/12)
Os bolivianos escolhem neste domingo governadores, prefeitos, deputados estaduais e vereadores: se espera que o MAS (Movimento Al Socialismo – partido governista) perda em alguns distritos, mas o resultado não afetará a estabilidade de Morales, reeleito com 61% em 2014, nem seu controle do  Parlamento.
Do jornal argentino Página/12, edição impressa de hoje, dia 28 (em espanhol, com traduções pontuais)
Bolivia elegirá mañana gobernadores y alcaldes (prefeitos) regionales, en un proceso en el que el presidente Evo Morales juega su prestigio político, para salvar a su partido del riesgo de perder bastiones electorales claves (chaves) a causa de sus divisiones internas. Según los sondeos, el oficialismo (os governistas) podría tener un duro revés en ciudades y regiones claves, como la hasta ahora oficialista La Paz y la opositora Santa Cruz, centro de definición política y pulmón de la economía respectivamente.
El resultado no afectará sin embargo (entretanto) la estabilidad de Morales, reelegido con el 61 por ciento el año pasado para un tercer mandato de cinco años, ni su férreo control del Parlamento, que le asegura gobernabilidad. Es, además, el más popular de sus colegas en la región, en momentos en que la economía del país registra sólidos índices de crecimiento. A pesar de ello (A pesar disso), Morales se volcó de lleno (se empenhou) a la campaña en favor de sus candidatos.
“No podemos perder en las elecciones, yo tengo mucha confianza, no creo en las encuestas (pesquisas), creo en los movimientos sociales, creo en el pueblo”, afirmó el mandatario el miércoles (na quarta-feira), en el cierre de campaña del Movimiento al Socialismo (MAS), ante el eventual triunfo opositor.
Ganar la región de La Paz es, en gran medida, un mecanismo clave (chave) para garantizar la tranquilidad política del gobierno. El departamento ha sido para todas las gestiones presidenciales la joya de la corona (a joia da coroa).
Según analistas, Morales no puede darse el lujo de ceder el departamento de La Paz y sus dos (2) municipios también en juego (La Paz y su vecina El Alto), pues sus habitantes tienen la histórica tradición de definir el curso de la política nacional.
En los comicios (Nas eleições) presidenciales del año pasado, Morales triunfó en ocho (8) de los nueve (9) departamentos de Bolivia, excepto Beni, con un 61 por ciento en el cómputo nacional y una diferencia de 37 puntos sobre su principal rival, el empresario Samuel Doria Medina. Esta vez están en juego nueve (9) gobernaciones y más de 300 alcaldías (prefeituras) y puestos en las asambleas regionales y en los consejos municipales (assembleias estaduais e câmaras municipais), según el Tribunal Supremo Electoral (TSE), que habilitó para sufragar a unas seis millones de personas.
La dispersa oposición está conformada por partidos y agrupaciones de derecha, centro y centroizquierda, con influencia nacional o (ou) estrictamente local, y no hay una cabeza visible que los aglutine para ensombrecer el liderazgo (para ofuscar a liderança) de Morales. Los más visibles son el empresario Samuel Doria Medina y el candidato a gobernador de Santa Cruz, Rubén Costas, un líder regional sin los quilates del mandatario aymara.
Según sondeos divulgados por medios privados de prensa, el oficialismo (governismo) perdería en La Paz y en Santa Cruz, que ya es un bastión opositor, y ganaría en Cochabamba, las tres regiones más grandes del país, que concentran el 72 por ciento de los casi seis millones de votantes.
El MAS perdería además en Tarija y ganaría en Chuquisaca, regiones que cobijan los principales reservorios de gas, motor de la economía del país.
En otros tres departamentos, Potosí, Oruro y Pando, de escaso peso político, el gobierno saldría vencedor, mientras (enquanto) que en la amazónica de Beni el panorama es incierto.
Para el sociólogo Lazarte, “un resultado adverso puede tener un efecto devastador” para el gobierno, porque “significará, por ejemplo, que afectará sus bastiones históricos, como El Alto, La Paz y Cochabamba”.
Lazarte anota dos causas para el probable descenso de la votación del MAS: la voluntad de los votantes de buscar contrapesos de poder entre el gobierno central y las regiones, y unas últimas denuncias de corrupción contra candidatos a gobernadores, por el manejo discrecional de recursos económicos en un fondo indígena.
El mismo oficialismo reconoció que hay división en sus filas que podrán dispersar el voto en favor de la oposición. Los primeros resultados de las elecciones regionales se conocerán en un plazo de 15 días, aunque normalmente los medios (de comunicação, com base em pesquisas) los anuncian casi de inmediato con poco margen de error.

Tradução (parcial): Jadson Oliveira

sexta-feira, 27 de março de 2015

BOLIVIANOS VÃO ÀS URNAS PARA DEFINIR GOVERNADORES, PREFEITOS, DEPUTADOS E VEREADORES

(Foto: Nodal)

Do portal Nodal - Notícias da América Latina e Caribe, de 27/03/2015 (em espanhol, com traduções pontuais)

Nas eleições deste domingo, dia 29, os bolivianos elegerão mais de 600 autoridades departamentais (estaduais) e municipais em todo o país, incluindo governadores, prefeitos e deputados dos nove departamentos (estados) do Estado Plurinacional. Atualmente, o partido governante MAS (Movimento Al Socialismo) controla sete governos estaduais – a exceção de Santa Cruz e Beni - e oito das nove Assembleias Departamentais (Estaduais).


O presidente chama os bolivianos a votar e superar os 90% de participação


El presidente Evo Morales llamó a los bolivianos a acudir a las urnas y superar el 90% de participación en las elecciones subnacionales del domingo 29, donde serán elegidas 4.975 autoridades municipales y departamentales. “Voten por quien sea, pero voten”, pidió a dos (2) días del verificativo electoral.
Los bolivianos acudirán a las urnas el domingo para elegir autoridades subnacionales, entre ellas alcaldes (prefeitos), gobernadores, concejales (vereadores) y asambleístas (deputados). Para ello (isso) se ha dispuesto un complejo operativo electoral que incluye el uso de papeletas diferencias según las características de la composición del poder político de cada municipio y cada región.
“Nuestro país es el país más democrático del mundo”, destacó el Jefe de Estado, durante un breve encuentro con los periodistas (jornalistas) en la ciudad de Santa Cruz, donde participó de un encuentro de defensores de animales.
“Voten para quien sea, pero voten. Vayan a participar en las elecciones, que todos vayan a votar el domingo en las elecciones”, convocó el Mandatario.
Los diferentes tribunales electorales departamentales (estaduais) son los responsables de organizar el operativo electoral. La Policía desplazará (deslocará) 15 mil uniformados para garantizar el derecho al voto de los bolivianos. Las Fuerzas Armadas también forman (fazem) parte del operativo de seguridad.

"MARCHA PELA VIDA": O BRANCO INUNDOU AS RUAS DE SAN SALVADOR

(Foto: Nodal)

Durante seu discurso, o presidente Salvador Sánchez Cerén anunciou um projeto de Lei de Reinserção de Pandillas (tipo gangues, "tribos" delinquentes) e Prevenção para Pessoas em Risco. 


Parte de matéria do portal Nodal - Notícias da América Latina e Caribe, de 27/03/2015 (em espanhol, com traduções pontuais)


El cielo nublado y deslucido (escuro) que amaneció ayer (ontem) por la mañana desentonaba con los ánimos que mostraban las personas que se concentraron desde temprano (desde cedo) para participar en la Marcha por la Vida, la Paz y la Justicia. 


Personas de todas las edades se sumaron a las expresiones contra la violencia. “Hay que seguir adelante y la paz es lo principal en el país”, dijo René, un estudiante del Instituto Nacional Alberto Masferrer (INAM), que participó con su banda de paz en el recorrido (no percurso) que inició del redondel Schafik Hándal, en Mejicanos.


Al mismo tiempo también salía otra de las cuatro marchas de la Plaza Gerardo Barrios (Cívica) en el centro capitalino (da capital). Tanto estudiantes, empleados (trabalhadores) y otros ciudadanos lograron organizarse y marcharon en orden durante todo el trayecto.
Debido a que no había nadie (ninguém) que coordinara qué debían hacer, algunas personas decidían lanzar vítores (consignas) espontáneos, que el resto a su alrededor repetía. Agentes policiales y miembros de Comandos de Salvamento siguieron todas las marchas, en caso de una emergencia que no se reportó.
Según diría posteriormente el presidente Salvador Sánchez Cerén, 300,000 personas marcharon en San Salvador y 200,000 en el interior del país.
En el Monumento a la Constitución, organizaciones feministas mantenían una concentración recordando que el problema de la violencia no solo está relacionado a las pandillas (gangues) y que persiste la violencia de género. Mientras (Enquanto) que, entre la multitud que se aproximaba a la alameda Roosevelt, algunos se adelantaron para llegar antes.
Los que llegaron primero agarraron los mejores puestos en la grama, sentados bajo el sol, esperando que empezara (começasse) el evento principal. Otros hicieron fila para obtener refrigerios otorgados por empleados de diversas carteras de Estado. Y algunos, aunque no había llegado Sánchez Cerén, se retiraban de la concentración junto a sus familias, pero la mayoría se quedó hasta el final (mas a maioria ficou até o final).


Lei de Reinserção de Pandillas 

El presidente Salvador Sánchez Cerén anunció este jueves (nesta quinta-feira) una propuesta de Ley de Reinserción de Pandillas (tipo gangues, "tribos" delinquentes) y Prevención para Personas en Riesgo durante el discurso que brindó al finalizar la Marcha por la Vida, la Paz y la Justicia.