quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

"ESTAMOS DEVENDO MUITO AO POVO BRASILEIRO"

Olívio Dutra, velho militante sindical, fundador do PT, ex-prefeito de Porto Alegre, ex-governador do Rio Grande do Sul e ex-ministro de Lula (Foto: blog Viomundo)
"Não mexemos na estrutura deste Estado, que continua sendo uma cidadela dos grandes interesses econômicos e culturais", afirma Olívio Dutra

Por Daniel Cassol, de Porto Alegre (RS), do jornal Brasil de Fato, de 23/01/2013


Desde quando criticou as “más com­panhias” que teriam levado o PT a enve­redar pelos caminhos ortodoxos da po­lítica, Olívio Dutra vem sendo uma das vozes internas críticas ao processo de inflexão conservadora do próprio parti­do. Fundador do partido, primeiro prefeito petista em Porto Alegre, governa­dor do Rio Grande do Sul entre 1999 e 2002 e ministro das Cidades no primei­ro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Olívio Dutra faz um ba­lanço realista dos dez anos de PT no go­verno federal. 

“Não mexemos na estrutura deste Es­tado, que continua sendo uma cidade­la dos grandes interesses econômicos e culturais”, afirma. Em entrevista ao Brasil de Fato, Olívio, que esteve pre­sente no lançamento do jornal durante o Fórum Social Mundial em janeiro de 2003, em Porto Alegre, reconhece os limites da gestão petista, que começou naquele mesmo mês. “Temos uma gran­de dívida pela frente, mesmo que tenha­mos conquistado melhores condições de vida e de protagonismo político de mi­lhões de brasileiros“, reconhece, defen­dendo que o partido e a esquerda reto­mem o debate sobre as transformações necessárias na sociedade brasileira.

Além de um balanço dos últimos dez anos, o ex-governador gaúcho apontou os limites da experiência petista, os de­safios da esquerda e não deixou de refor­çar sua posição sobre a postura do parti­do em relação ao “mensalão”: “O PT ja­mais poderia ter feito isso mas pode, da­qui para frente, se assumir como partido da transformação e não da conciliação”.

(Para ler a entrevista)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A VERDADE MORREU




Capa do jornal espanhol, edição de 24/01/13 (Foto: Página/12)
Por José Pablo Feinmann, filósofo e escritor argentino (traduzido do jornal argentino Página/12, edição de 28/01/2013. O assunto foi objeto de postagem deste blog no dia 24)


O tema da verdade é um dos mais complexos da filosofia e a ela pertence, corresponde. Deixemos de lado os gregos porque, do contrário, não terminaremos nunca. Mas acompanho Protágoras e a sua formidável frase “O homem é a medida de todas as coisas”.


Durante a Idade Média o problema não foi difícil. Deus possuía a verdade e a revelava aos homens. Ou melhor dito aos pastores. À instituição eclesiástica. Surge isso que Foucault (ao qual recorreremos muitas vezes) chama “poder sacerdotal”. Os bons servos de Deus sempre se sentem em pecado, acodem ao bom sacerdote e, no confessionário, contam as opacidades de sua alma. O pastor conhece tudo do servo e o bom homem não sabe nada do pastor. Assim, o confessionário é como a CIA (Agência de Inteligência dos EUA) da Igreja. Tem um fichário de todos os servos de todos os lados. A “verdade” que Deus revela a recebe a Igreja e quem não a cumpre será castigado pela Inquisição. Descartes vem estabelecer uma nova verdade. Ao duvidar de tudo duvida também de Deus. O que é que lhe permite duvidar de tudo? Seu pensamento. O que é aquilo do qual não pode duvidar? Claro está: de seu pensamento. A verdade que vem  instaurar Descartes é a da razão: ego cogito, ergo sum (Penso, logo existo). Mas há outra verdade que Descartes deveria provar. A externa. Como sair do cogito? Através de Deus. A revolução não foi total. Se vejo tudo isso aí em torno é porque deve existir; se não, Deus não me faria ver. Ou seja, a única verdade que Descartes vem estabelecer é a do pensamento, a da subjetividade. A do homem. Mas esse homem é incapaz de provar a existência do mundo exterior. Tudo muda com Kant. Kant é um filósofo fundamental. O que fez ainda serve. Diz: todo conhecimento começa pela experiência mas não se reduz à experiência. A primeira parte da frase é uma concessão ao pensamento de Hume, ao empirismo inglês, o qual Kant respeitava muito. Ou seja, todo conhecimento começa pela experiência, pelo real, pelo empírico. Pelos fatos. Hegel dirá: O verdadeiro é o todo. Tomemos qualquer instância da dialética histórica. Há três momentos: afirmação, negação da afirmação e negação da negação. O terceiro momento é a síntese dos outros dois e os contém numa totalidade que os contém enquanto superação. Este terceiro momento é a totalidade. E a totalidade – em Hegel – é o verdadeiro. Sobretudo ao constituir-se enquanto sistema. Adorno (no século XX), opondo-se à dialética hegeliana, lançará um famoso dito: A totalidade é o falso. Sartre, na Crítica da razão dialética, dirá que a totalidade nunca fecha: apenas totaliza já se destotaliza. Mas sempre há algo que nunca falta: o empírico, a materialidade. Nietzsche diz: “Não há fatos, há interpretações”. Mas sim: há fatos. Só que a verdade se estabelece por meio da interpretação dos fatos. Só que, sem fatos, não há interpretações. Sejamos redundantes porque aqui está o centro da questão: ainda quando a primazia da interpretação dos fatos parece levar a um relativismo, essa interpretação parte também do real (“fáctico”). Dos fatos. Sem fatos, não há interpretações. Foucault partindo de Nietzsche e Heidegger estabelece a verdade como luta de interpretações. A verdade é deste mundo, diz em Microfísica do poder. Em A verdade e as formas jurídicas estabelece que há uma luta pela verdade. Algo que também faz em Poder e verdade. Se luta pela verdade porque a verdade é quem estabelece o poder. Em suma, de todas as interpretações dos fatos vão triunfar aquelas que possam acumular mais poder. Daí o interesse dos monopólios em conservar o que conquistaram. É fácil: se eu tenho duzentas ou trezentas bocas comunicacionais através das quais enuncio minha interpretação da realidade, esta se transforma na verdade porque logro convencer a maioria. A verdade é filha do poder. Hoje mais do que nunca pelo alcance sufocante dos meios de comunicação. Isto não significa que não existam verdades alternativas à do poder midiático. Porém serão muito débeis. Já que o monopólio midiático (e, não o esqueçamos, os meios de comunicação são o partido político da direita) foi devorando todas as forças competitivas do mercado. O mercado não é livre e é anti-democrático: o devoram os monopólios e os oligopólios, que concentram o poder juntando-se com os competidores ou levando-os à ruína. O que é fácil: qualquer monopólio pode vender um ano com prejuízo e liquidar as pequenas empresas do mercado. Aí as compra ou deixa que entrem em processo de falência, para que as compre ou se liquidem.


Mas tudo mudou. Uma mudança na ética jornalística. Vimos que todas as filosofias partiam dos fatos. Kant requeria a experiência. Daí que seja nosso exemplo predileto. Todo conhecimento começa pela experiência. O jornalismo nasceu para dizer a verdade. Se diferencia nisto da literatura. O bom jornalismo diz a verdade, a boa literatura mente. Esta é uma frase indiscutível e cheia de orgulho para os escritores. O escritor escreve ficções. (Não vou entrar aqui nas interpretações que afirmam que interpretar a realidade é uma ficção porque seria estender muito. Quem levou esta interpretação ao extremo é Hayden White em A ficção da narrativa. Mas é uma posição muito discutível). Digamos que Kant jamais diria que não parte da experiência. Que Nietzsche não negaria que parte dos fatos para interpretá-los. E que essa guerra pela verdade que postula Foucault também se baseia na realidade. No jornalismo isto é o que morreu. O jornalismo já não parte dos fatos. Esta foi sua tarefa primordial desde seu nascimento. O jornalismo informava. Pretendia informar imparcialmente. Aí radicava sua seriedade. Pretendia ser um ferrão para manter em alerta os homens e advertir-lhes que não aderissem à falsidade. Ou pretendia ser um clarim (em espanhol “clarín”, nome do principal monopólio privado das comunicações na Argentina) sobre os grandes problemas argentinos, não para encobri-los, e sim para enfrentá-los, para dizer, sobre eles, a verdade. A contra-capa que publicamos ontem foi provocativa (Página/12 publicou no dia anterior, 27, a mesma foto acima, com o mesmo título: A verdade morreu, acrescentando: Matou-a “o jornalismo independente”). Porém, acreditamos, contundente. Agora o jornalismo já não trabalha sobre materialidade alguma. Ao estar em constante estado de beligerância deixa de lado o real. Já não parte dos fatos, os inventa. Essa foto do suposto Chávez na capa de El País é a prova. El País foi um diário respeitável e louvável, progressista. Hoje é parte do complô midiático contra os governos populares da América Latina que nós – sentimos muito mas são nossas convicções, pedimos que as respeitem e não se rebaixem insultando-nos – defendemos. Esse “Chávez” não se baseia em nenhuma “materialidade”, em nenhum “fato”. Todos os filósofos que citei diriam que assim não se consegue a verdade. Que não é o caminho para se chegar a ela. Porque sem base material não é possível a interpretação. E se não há interpretação, o que há é a mais recalcitrante e vergonhosa mentira. Senhores, vocês estão liquidando o jornalismo. Custará muito que recuperem a fé dos leitores, ou de muitos deles que não se deixam enganar facilmente. Vocês, senhores, ao apelar para a mentira como arma de antagonismo, estão matando a verdade. E isso não tem retorno. E é, ademais, imperdoável.


Brevemente: vamos à Argentina onde tudo isto infelizmente abunda. Na Feira do Livro, faz um par de anos, o médico psiquiatra Marcos Aguinis, junto com Jorge Fontevechia,  diagnosticou, sem conhecê-la, sem nunca tê-la visto, sem tê-la tido como paciente, “depressão bipolar” em Cristina Fernández. Além disso, um diagnóstico não se dá em público, na Feira do Livro! Um médico, se é honesto, guarda o diagnóstico como todo paciente o merece. Uma indecência. Falei isto com vários psiquiatras e psicólogos amigos. Sobretudo, com um que havia sido professor de Aguinis e lhe havia indicado pacientes. “Marquitos fez isso? Que absurdo. Era uma boa pessoa.” Ainda não há legislação penal sobre isso, mas não importa. O que importa, o que alarma, é a impunidade para mentir. Porque a mentira é a morte da verdade. E a verdade morreu. Pelo menos na capa de El País no dia em que publicaram essa foto obscena do falso Chávez. E, cotidianamente, em muitos outros meios de comunicação da pretensiosamente chamada “imprensa independente”.


Tradução: Jadson Oliveira

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

EM CARTA, HUGO CHÁVEZ ELOGIA CUBA E ENALTECE IMPORTÂNCIA DA CELAC

O vice-presidente Nicolás Maduro (Agência Efe - 28/01/13)
Documento foi lido nesta segunda-feira pelo vice-presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em reunião na capital chilena

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, enviou uma carta lida nesta segunda-feira (28/01) aos chefes de Estado presentes em cúpula da Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos), em Santiago, no Chile. Chávez está em Havana, Cuba, onde se recupera da quarta operação contra um câncer na região pélvica e, como idealizador do bloco, foi a principal ausência do evento.

(Palácio Miraflores - Agência Efe)
 Na mensagem, lida pelo vice-presidente Nicolás Maduro no início da sessão plenária, o presidente venezuelano afirmou que a Celac é o projeto de integração regional mais importante da história contemporânea da região. “A Celac é o projeto de união política, econômica, cultural e social mais importante de nossa história contemporânea. Podemos nos sentir orgulhosos: a ‘Nação das Repúblicas’, como era chamada por Simón Bolívar, começou a se tornar uma feliz realidade”.
 

Também na carta, assinada com tinta vermelha (foto acima), Chávez fez elogios a Cuba e destaca que, apesar dos mais de 50 anos de bloqueio impostos ao país pelos Estados Unidos, “a intenção de isolar a maior de todas as Antilhas fracassou”. Ele também celebrou o fato de Cuba ter recebido a Presidência pró-tempore da entidade, em razão dos “anos de resistência”. A próxima reunião da entidade será em Havana, em 2015.

CÍCERO GUEDES, COORDENADOR DA OCUPAÇÃO NA USINA CAMBAHYBA, É ASSASSINADO NO RIO


Da Página do MST, de 26/01/2013

O trabalhador rural e militante do MST Cícero Guedes (foto) foi assassinado por pistoleiros nesta sexta-feira (25/1), nas proximidades da Usina Cambahyba, no município de Campos dos Goytacazes (RJ).

Cícero foi baleado quando saía do assentamento de bicicleta. Nascido em Alagoas, ele foi cortador de cana e coordenava a ocupação do MST na usina, que é um complexo de sete fazendas que totaliza 3.500 hectares.

Esse latifúndio foi considerado improdutivo, segundo decisão do juiz federal Dario Ribeiro Machado Júnior, divulgada em junho.A área pertencia ao já falecido Heli Ribeiro Gomes, ex-vice governador biônico do Rio, e agora é controlada por seus herdeiros.

Cícero Guedes era assentado desde 2002 no Sítio Brava Gente, no norte do Rio de Janeiro, no assentamento Zumbi dos Palmares, mas continuou a luta pela Reforma Agrária. Era uma referência na construção do conhecimento agroecológico tanto entre os companheiros de Movimento como também entre estudantes e professores da Universidade do Norte Fluminense.

(Para ler mais)

ARGENTINA: PRIMEIRO O OLIGOPÓLIO MIDIÁTICO, AGORA O CORPORATIVISMO JUDICIAL

O ano de 2012 terminou com uma reviravolta impensável na batalha contra os grupos midiáticos na Argentina, quando a presidenta Cristina Kirchner (foto) decidiu enfrentar o poder judicial, acusando-o de exercer uma justiça favorável sempre, em última instância, às corporações econômicas. Com isso, estabeleceu novamente a sintonia com os setores populares. A análise é de Oscar Guisoni, de Buenos Aires, para a Carta Maior.

(Para ler o artigo)

domingo, 27 de janeiro de 2013

BRASIL: O CHORO DA OPOSIÇÃO

Do Blog do Cadu
 
A choradeira é geral e livre na oposição e na “grande imprensa” após o anúncio da redução da conta de luz feita pela presidenta Dilma em cadeia nacional de rádio e TV. Editoriais e artigos dos jornalões se espremidos escorrerão lágrimas aos litros.

O PSDB lançou uma nota que não passa de birra de “menino amarelo”. Aliás, tudo que a oposição escreveu após o anúncio não passa disso: birra de “menino amarelo”.

Acusam Dilma de se lançar candidata com o anúncio. Aécio e Serra são candidatos declarados desde os tempos que a posição de cócoras era novidade.

Um chefe de Executivo anunciar medidas é o mesmo que se lançar candidato a alguma coisa? Só na cabeça doente por Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) e depressão pós-derrotas eleitorais monta uma fantasia dessas.

O fato da “grande imprensa” achar em seus pesadelos que Lula é candidato gera o desespero por anúncio oficial do nome do PT para 2014. Somente quem é doente não enxerga que hoje (política muda ao sabor da conjuntura) Dilma vai à reeleição. Não há um único motivo para que isso não ocorra.
 
 
'Bolsa Prozac' para a 'grande imprensa'
 
Do Blog do Cadu 
 
Vai faltar luz; a economia brasileira será sempre um fiasco; a seca também será mais dura e estaremos com nossa imagem no exterior abalada enquanto o PT e aliados estiverem na Presidência da República.

É essa a ladainha que a “grande imprensa” insiste em repetir dia após dia para os brasileiros. Paulo Henrique Amorim afirma em seu blog que isso é provocação. Pode até ser, mas que tem um misto de depressão com as sucessivas derrotas eleitorais e Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) em destruir um ex-presidente e seu partido.

O ódio a todas as politicas sociais aplicada no Brasil e o elogios às suas cópias nos EUA e Europa ilustram bem essa doença. Além do golpismo, a “grande imprensa” está doente. E muita gente já percebeu isso, inclusive os capitalistas.
 

sábado, 26 de janeiro de 2013

SUBINDO NA VIDA E BRILHANDO (Delírios 4 – Recordações dos anos 60)



Honoré de Balzac
- Vai chegar o dia, quero ver com esses olhos que a terra há de comer, seo Florentino vai passar lá na seção e me cumprimentar, apertar minha mão: “Sr. Juventino, parabéns, o senhor acaba de ser promovido a chefe de seção”. Ai meu Deus, aí eu quero ver, eu sabia que as coisas iam mudar um dia, pensava, com minha comissão dobrada e ganhando comissão sobre as vendas de todos, será que Grande ia me apoiar? eu como chefe, agora sim, minha vida sentimental ia mudar de qualidade, não precisava nem tirar um Simca Chambord no programa de César de Alencar, a Dorinha, aquela gostosa lá do Palace Lila, ia olhar pra mim quando eu entrasse no salão pra jantar: “Vocês já sabem? o Juventino agora é chefe”. Ai meu Deus, aquela gostosa... quem sabe!? um dia... e posso até ser citado por seo Florentino na festa do próximo aniversário da Florensilva: “Quero distinguir neste momento a pessoa do Sr. Juventino Perpétuo de Jesus como um empregado exemplar, acabamos de promovê-lo, merecidamente, à chefia da importante seção de tecidos”. Minha mãe tinha de ver e ouvir isso, ia tapar sua boca, “ah! Juventino, fica quieto no seu canto”, ah! uma porra, que mãe desnaturada! queria ver sua cara quando me visse assim subindo na vida, brilhando e conquistando belas mulheres, uma vida gloriosa, glamurosa, aí vocês aqui dessa merda de boteco do Relógio de São Pedro não iam me ver mais por aqui, o Ricardinho que vive me sacaneando, aquela Valquíria lá do elevador metida à besta só porque já trabalhou em São Paulo, disse que na minha seção só tinha babaca, eu ia beber lá no Hotel da Bahia, como aquele deputado lá da minha terra que outro dia tava lá bebendo e dançando com Elza Soares, eu vi na coluna social da Tarde, a coluna da July. Queria ver a cara dela... Vocês sabem que a mãe do grande Honoré de Balzac também não acreditava nele, sempre desdenhou dele, dizia que ele não tinha talento pra ser escritor, “ah! veja só, escritor, quando muito um advogadozinho de porta de cadeia”, pois sim! o grande Balzac assombrou o mundo com a “comédia humana”, pegou muitas mulheres, se bem que ele só tinha sorte com coroas, mas pegou muitas mulheres da aristocracia, sangue azul, acabou inclusive casando com uma nobre russa, se bem que já tava fudido quando casou, mas era da nobreza, uma duquesa, parece, já tava fudido, com 50 anos, o estômago arrombado de tomar café forte pra não dormir, ficava escrevendo a noite toda pra pagar as dívidas, sonhando em ser nobre também, mas casou e assombrou o mundo, isso é que é importante. Mas também nem adianta falar essas coisas aqui nessa merda de boteco, aqui ninguém nunca leu um livro na vida, tô dando pérolas a porcos, como diz o professor e jornalista Altamirando Requião... e até outro dia, vou m’embora, tô aqui estragando meu latim, vocês vão ver um dia, vou tapar a boca de todo mundo. Já paguei a conta Ricardinho?

- Já, Juventino, vai com Deus, sábado que vem tem mais.

(Crônica publicada no blog Pilha Pura em 31/03/12)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

CHAVISTAS TOMAM AS RUAS DE CARACAS (vídeo e fotos)


Este vídeo é da Agência AFP (France-Presse) - clique em YouTube para assistir - sobre a enorme manifestação da quarta-feira, de 23, na Venezuela, em comemoração dos 55 anos da queda da última ditadura militar no país (23 de janeiro de 1958). O ditador foi o general Marcos Pérez Jiménez, que ficou 10 anos no poder. Foi denominada "A tomada de Caracas" e o mote principal foi "o povo nunca mais será traído": é que os chavistas argumentam que a ditadura foi derrubada, mas o povo foi traído pelos partidos da burguesia, que governaram durante 40 anos, de 1958 a 1998, quando Hugo Chávez foi eleito presidente, dando início, finalmente, a verdadeira democracia.

Os milhares de venezuelanos, a chamada "maré vermelha" (eles falam em "rojo, rojito" - tradução literal: vermelho, vermelhinho), marcharam a partir de três pontos da capital e se juntaram na "Paróquia 23 de Enero" (23 de Janeiro, nome que homenageia a data de 1958 - "paróquia" em Caracas é como se fosse um bairro, só que muito grande - a cidade de cerca de 3 milhões de habitantes é dividida em 22 "paróquias", cada "paróquia" tem suas "urbanizações", que equivalem ao que chamamos aqui de "bairros"). A "Paróquia 23 de Enero" é particularmente famosa pela sua tradição de combatividade popular - revolucionária, chavista, bolivariana, socialista. Tem uma larga história de participação nas rebeliões e lutas dos caraquenhos, como na derrubada da ditadura (1958), no "Caracazo" (rebelião de Caracas - 1989), no contra-golpe de abril/2002 para repor Chávez na presidência.

No vídeo, o vice-presidente Nicolás Maduro, ao discursar durante a concentração, denuncia que os organismos de inteligência do governo descobriram uma trama da ultra-direita para assassinar ele e Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional. Depois de Chávez, que continua internado num hospital de Havana (Cuba) desde 11 de dezembro, os dois são os principais líderes do chavismo. Maduro, no discurso, refere-se a ele próprio como "autobusero" (motorista de ônibus) e a Cabello como "teniencito" (tenentinho), que são nomes pejorativos usados pela oposição para se referir aos dois (Maduro era realmente motorista de ônibus e foi para a política a partir da militância sindical, enquanto Cabello era tenente do Exército, companheiro de Chávez desde a tentativa do golpe militar - os chavistas chamam "insurreição militar" - de 1992 contra o então presidente Carlos Andrés Pérez.

Vou deixar aqui o link para quem quiser ver outros vídeos da manifestação. O vídeo acima é o último dos vários postados pelo portal venezuelano Aporrea.org, mostrando o noticiário de TV em vários países, como Argentina, Irã, Rússia, México e Colômbia. No da Argentina (o maior, com 8 minutos), há uma reportagem sobre a "paróquia 23 de Enero" (Clicar aqui).

Em seguida uma seleção de fotos da "Tomada de Caracas":
 

MINO CARTA: "A IMPRENSA ESTÁ SEMPRE A FAVOR DO QUE HÁ DE MAIS REACIONÁRIO"

Por Pedro Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:
 
O que o senhor (Mino Carta - foto) acha da imprensa brasileira?

Ela é excepcionalmente ruim. O melhor jornal que circula em São Paulo é esse aqui, olha. [Pega uma edição do italiano Corriere Della Sera]. Essa reforma da Folha (de S.Paulo) é para rir, né? A imprensa de qualquer país democrático é melhor do que a brasileira. A meu ver, a imprensa brasileira tem dois problemas sérios.

O primeiro está na posição deles. No mundo todo, você vai encontrar posições diferentes entre os jornais. Cada jornal tem a sua postura, que se diferencia da do concorrente. No Brasil, não. Todos os jornais e revistas se juntam contra um inimigo comum. No caso, o PT. Eles não querem incentivar o debate. A nossa imprensa é de uma safadeza e de uma hipocrisia imbatível. Não existe igual no mundo. A imprensa está sempre a favor do que é pior, do que há de mais rançoso, do que há de mais reacionário. Eles gostam de ser súditos, gostam de ser súditos dos Estados Unidos.

O segundo ponto é que os jornais são tecnicamente ruins. Muito ruins. Sem contar as ofensas diariamente cometidas contra a língua portuguesa, uma língua muito bonita, flexível e que mereceria um tratamento melhor.
 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

JORNAL ESPANHOL PUBLICA FOTO FALSA DE CHÁVEZ

Capa de hoje, dia 24, que teve de ser substituída, mas parte da edição já tinha sido distribuída (Foto: Internet)
O jornal espanhol El País publicou uma foto de um homem entubado identificando-o falsamente como o presidente Hugo Chávez, que continua hospitalizado em Havana (Cuba) depois da quarta cirurgia, realizada em 11 de dezembro, no tratamento contra o câncer. A foto foi publicada na primeira página da edição que está circulando hoje, dia 24, e no sítio do diário na Internet (veja registro fotográfico das duas publicações).

A fraude, no entanto, foi desmascarada com rapidez, o que mostra a frenética guerra midiática em torno do líder socialista e da Revolução Bolivariana. O El País – que juntamente com o diário ABC, também espanhol, tem se notabilizado na campanha persistente da direita visando a desestabilização do governo de Chávez – teve que retirar a foto da sua página web e substituir a sua publicação na capa do diário impresso, embora parte da edição com a foto falsa já tivesse sido distribuída.
Portal web do diário da Espanha, sempre muito ativo na campanha contra a Revolução Bolivariana (Foto: Internet)
O jornal dizia no texto que acompanhou a fotografia no portal web: ”EL PAÍS oferece uma imagem inédita e exclusiva (de Chávez), tomada há uns dias, que mostra um momento do seu tratamento médico em Cuba, segundo as fontes consultadas por este diário". Depois, em nota, pediu desculpas a seus leitores, dizendo que “abriu uma investigação para determinar as circunstâncias do episódio e os erros que possam ter sido cometidos na verificação da fotografia”.

O vídeo que deu origem à foto é de 2008 e registra a entubação de um homem num leito de hospital. Tinha sido divulgado através do Youtube e foi capturado – apenas 30 segundos do vídeo original - pelas redes sociais, como se se tratasse do presidente da Venezuela, alvo de permanente e sórdida campanha internacional orquestrada pelo império dos Estados Unidos, através dos monopólios privados da mídia hegemônica.

A denúncia da fraude e o processo de desmascaramento foram amplamente veiculados através dos meios de comunicação estatais da Venezuela, especialmente nos programas de grande audiência conduzidos pelos moderadores Mario Silva e Walter Martínez, da Venezuelana de Televisão (VTV). Silva, cujo programa na TV chama-se La Hojilla (A Navalha – normalmente a partir das 11 horas da noite/hora local), popularíssimo entre os venezuelanos, classificou os órgãos da imprensa que mentem o tempo todo sobre o tratamento de Chávez de “pornonecrófilos” e os representantes da oposição de “pornográficos”.

O governo venezuelano vem alertando sobre uma “guerra psicológica” que atribui às corporações midiáticas transnacionais, para difundir falsos rumores sobre a saúde de Chávez: "O governo da República Bolivariana da Venezuela alerta o povo venezuelano sobre a guerra psicológica que o conglomerado  midiático transnacional desatou em torno da saúde do Chefe de Estado, com a finalidade de desestabilizar a República Bolivariana da Venezuela, desconhecer a vontade popular expressa nas eleições presidenciais de 7 de outubro último e acabar com a Revolução Bolivariana liderada por Chávez", destacou num comunicado recente.
 
(Informações baseadas em sítios da Internet de órgãos de comunicação do Sistema Nacional de Meios Públicos/SNMP da Venezuela e no portal venezuelano Aporrea.org).