domingo, 25 de agosto de 2019

ONDE ESTÃO AS SAÍDAS, DO PONTO DE VISTA DOS INTERESSES POPULARES, SOB O IMPÉRIO DO CAPITALISMO FINANCEIRO?

Ladislau Dowbor (Foto: reproduzida da Internet)

O vilão desta história é a financeirização da economia. É sobre isso que este blog está publicando matérias com base em palestre/debate com o professor de Economia José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente

De matéria do site Brasil 247 (Ladislau Dowbor: promessa de reformas de Bolsonaro é uma farsa): Economista e professor da PUC-SP, Ladislau Dowbor disse, em entrevista a TV 247, que não há outro caminho para dinamizar a economia do país que não o de gerar emprego e renda para a base da sociedade.

"As reformas são uma farsa. Acompanho a economia de muitos países, trabalhei muitos anos na ONU, acompanhando economias em crise, e não há outra saída além de estimular a economia pela base. Os empresários precisam ter mercado para vender e de crédito barato para investir. No Brasil, estamos quebrando a capacidade de compra da população, o que trava a economia, e taxas de juros para as empresas na faixa de 30% ao ano, enquanto na Europa eles não passam de 2%", analisou o economista, ao programa De Lucca Entrevista.

Dowbor ressalta que as influências externas em nossa economia são secundárias, já que as exportações brasileiras representam 10% do produto interno bruto (PIB), o que nos torna dependentes da dinamização do mercado interno.

"Foi isso que fizeram Lula e Dilma, no que o Banco Mundial chamou de Década Dourada. Você teve estímulo da base da sociedade..."

José Sérgio Gabrielli (Foto: Smitson Oliveira - Seabra/Chapada)
Márcio Pochmann (Foto: reproduzida do Portal Vermelho)
Digo eu: o vilão desta história é a financeirização da economia. É sobre isso que meu Blog Evidentemente está publicando matérias (já saiu a primeira - nesta semana deve sair outra) com base em palestre/debate com o professor de Economia José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras. O título:

NOVA ETAPA DO CAPITALISMO DEIXA ESQUERDA SEM RUMO: "QUANDO ESTÁVAMOS ENCONTRANDO AS RESPOSTAS, AS PERGUNTAS MUDARAM".

Menciono outra matéria (link no blog) com base em palestra do economista Márcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo, que vai numa linha semelhante.

BOLSONARO VEIO PARA MUDAR? BRIGAR COM O SISTEMA, COM A GLOBO, COM O SUPREMO? E AS ESQUERDAS?

Jair Bolsonaro (Foto: reproduzida da Internet)

Então é Bolsonaro quem ataca Merval, Míriam, a Globo? E nós torcemos contra Bolsonaro? Ou seja, a favor do Merval, da Míriam, da Globo? Alguma coisa está errada: A INDIGÊNCIA DA OPOSIÇÃO RESULTA NA DEFESA DE INIMIGOS DO POVO.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente

Há pouco tempo me chamou a atenção matéria com o jornalista Breno Altman, editor do site Opera Mundi, no Brasil 247. Título: BRENO ALTMAN: PARA TER FORÇA, A ESQUERDA PRECISA SER ANTI-SISTEMA.

Diz ele, por exemplo: "Se a esquerda quiser se enterrar ela defende a democracia liberal apodrecida e colapsada da Constituição de 88, porque é exatamente contra esse sistema político que se construiu maioria ao redor do Bolsonaro, e com razão porque esse sistema faliu”.

Continua: “Outra coisa são as liberdades democráticas, eu acho que a esquerda deve lutar com quem estiver disposto a cerrar fileiras pelas liberdades democráticas. Defender as liberdades democráticas não é a mesma coisa que defender o retorno ao regime político da Constituição de 88”.


Vi outro artigo do mesmo Breno, com o título: O PT COMO PARTIDO DA ORDEM QUE NÃO É SUA (no Viomundo – não me lembro se o li, é tanta coisa pra ler que a gente fica baratinado).

Me lembrei da primeira matéria citada – tinha guardado nos meus arquivos – ao ver a briga do presidente Bolsonaro com o jornalista do jornal O Globo, o famigerado Merval Pereira (um dos porta-vozes – dizem - mais reconhecidos dos Marinho – o outro, seria a Míriam Leitão), em torno da suposta palestra de 375 mil reais.

O presidente ameaçou, numa iniciativa realmente corajosa e inovadora: só dará entrevista a jornalista que ouse falar da tal suposta palestra de Merval, supostamente paga pelo Senac.

Pensei: então é o Bolsonaro quem ataca o Merval, a Míriam, enfim, a Globo? E nós torcemos contra Bolsonaro? Ou seja, a favor do Merval, da Míriam, da Globo, enfim, da venal mídia hegemônica?

Aliás, outro dia aí o Bolsonaro barrou, para uma entrevista coletiva, jornalistas que representariam os meios de comunicação: TV Globo, Globonews, jornal O Globo, Rádio CBN, Valor Econômico, Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL.


Então é também o Bolsonaro quem ataca o STF, ministros do Supremo, Gilmar Mendes, etc? Um dos filhos já chegou até a dizer que bastam um cabo e um soldado para fechar a suprema Corte!

E nós torcemos contra Bolsonaro? Ou seja, a favor daquela coisa que chamamos Supremo, que esperou um tempão (uns seis meses, não?) para defenestrar o Eduardo Cunha da presidência da Câmara, esperando ele votar o impeachment da Dilma?

Que está esperando – conforme penso – o Guedes e o capital financeiro aprovarem a pauta prioritária dos golpistas – reforma da Previdência, reforma tributária, completar a destruição das políticas públicas populares, acabar o que resta dos direitos trabalhistas?

E o que mais? Que os fazendeiros, madeireiros e empresas de mineração acabem de destruir a floresta amazônica? Que acabem totalmente com a raça do que resta dos nossos indígenas? E o que mais?

Esperando para que? Esperando completar a pauta neoliberal para que descubram que o Lula foi condenado num processo fraudulento?

Por falar no STF, outro dia aí as centrais sindicais (e mais entidades de peso da chamada sociedade civil) fizeram um manifesto em defesa desses tão impolutos quanto impopulares juízes supremos. Com direito, na entrega, a sessão especial festiva.

A Suprema Corte é insubstituível para o país e é dever de todos a sua defesa, pois, sem ela, nenhum cidadão está protegido”. Uma belezura, não?

Alguma coisa está errada. Quando as esquerdas vão conseguir se comunicar com as camadas populares, com os trabalhadores? (não com os sindicatos nem com os partidos ditos dos trabalhadores, mas com os trabalhadores). O bolsonarismo (ou coisa que o valha) vem conseguindo.

Vamos ficar dependentes da liderança carismática do Lula para falarmos alguma coisa que o povo entenda?

Outro dia, tive uma inspiração quiçá brilhante de escrever um artigo quiçá arrasador, quiçá histórico. Escrevi o título (e ficou somente no título): A INDIGÊNCIA DA OPOSIÇÃO RESULTA NA DEFESA DE INIMIGOS DO POVO. É a questão das alianças?


Que tal? Na maioria das vezes, eu penso que não entendo nada de política. Tudo que espero, prevejo (é simples torcida, né? aquela coisa do wishful thinking – pensamento desejoso), dá tudo errado.


Mas, raras vezes, eu penso desafiadoramente: que nada! eu devo ser um daqueles gênios incompreendidos. Não deixa de ser um delírio inspirador, mesmo que seja para escrever um arrazoado assim recheado de perguntas.


quarta-feira, 21 de agosto de 2019

NOVA ETAPA DO CAPITALISMO DEIXA ESQUERDA SEM RUMO: “QUANDO ESTÁVAMOS ENCONTRANDO AS RESPOSTAS, AS PERGUNTAS MUDARAM” (parte 1)

Sérgio Gabrielli: a sociedade está mudando e tem perguntas novas (Fotos: Smitson Oliveira - Seabra/Chapada)

Agora a realidade tem um nome: capitalismo financeiro, que não produz, não emprega e não tem compromisso nacional. O valor do patrimônio dos 50 mil fundos de investimento, a maioria controlada por cinco bancos, chega a 4,2 trilhões de reais.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente

A primeira parte do título é deste pretensioso blogueiro. A segunda, entre aspas, é do economista José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobrás, em palestra e debate sobre a conjuntura, em Salvador, no auditório do Sindae, no último dia 27/julho, com participação de 250 pessoas (o outro palestrante foi o ex-governador gaúcho Olívio Dutra).

Nós (os “velhinhos”, como brincou Gabrielli com os da nossa geração) estamos ainda com a cabeça nos operários das grandes indústrias, nos bolcheviques de Lênin de mais de 100 anos atrás, no ‘O que fazer’, do mesmo Lênin. Pra não falar nos “guerrilheiros heroicos” de Fidel/Che ou na “guerra popular prolongada”, o campo cercando a cidade, de Mao. (Esta pequena digressão saudosista é também deste blogueiro).

Enquanto isso, entramos numa nova etapa do capitalismo. Gabrielli chamou “novo momento histórico”, uma “mudança estrutural na forma de organização do capitalismo”. E parece que só agora, pouco a pouco, estamos nos dando conta disso. (A magnitude da nova etapa histórica pode ser comparada com a da abolição formal da escravidão negra e a da Revolução de 30).

Pensamos na “centralidade do trabalho” e devemos pensar mesmo. Mas que trabalho? Que tipo de trabalhador? E que tipo de empresário? A indústria brasileira, como projeto nacional, não existe mais – o capitalismo industrial foi a marca do progresso, do desenvolvimento, do século passado, no pós Revolução de 30. Há de se pensar também nos setores do comércio e de serviços.
Auditório do Sindae superlotado: 250 pessoas
Olívio Dutra e Sérgio Gabrielli, os palestrantes, nas duas pontas; no meio, Valdimiro Lustosa e Osvaldo Laranjeira, dois dos organizadores do evento (o outro foi Goiano/José Donizette)
Mas quem floresce e dá as cartas mesmo, nos dias que correm, é o capital financeiro, com suas ramificações internacionais – os fundos de investimento, os banqueiros, os rentistas, os especuladores – que não produz nada e não emprega quase ninguém.

Quando ainda pensamos e sonhamos com a massa de operários do ABC paulista que ajudou a empurrar para o fim a ditadura militar, Gabrielli nos lembra que os metalúrgicos do ABC, na década de 1970 – dentro dos padrões marxistas, a vanguarda da classe operária -, chegavam a 200 mil, hoje são menos de 100 mil.

2015 – Explosão dos fundos de investimento

“O papel do trabalhador industrial diminuiu substancialmente”, diz ele, acrescentando: “Hoje, as maiores categorias na Bahia, por exemplo, não são os trabalhadores industriais – não estou falando de operários, mas dos trabalhadores industriais no geral -, e sim os agricultores familiares, com 600 mil famílias, uma categoria que não tem uma relação direta com salário”.

“A segunda maior são os empregados (e empregadas) domésticos – 450 mil”, continua o professor titular (aposentado) da Faculdade de Ciências Econômicas da UFBA, observando: “A relação capital X trabalho nessas duas categorias é completamente diferente do que nós pensamos da relação clássica capital X trabalho”.

Gabrielli fez um breve resumo da tentativa de construção dum projeto nacional até a derrubada do governo Dilma, em 2016. A partir daí – mais precisamente a partir de 2015, com a explosão dos fundos de investimento -, “descemos ladeira abaixo rumo à financeirização da economia”.
Deta Almeida, que ajudou nos trabalhos, e Sinval Soares, assessor de imprensa do Sindae, que deu o suporte para o debate graças ao apoio dos dirigentes Danillo Assunção (coordenador geral) e Edmilson Barbosa (diretor de imprensa)
E dá um dado assombroso: o valor que está circulando no mercado financeiro equivale a três vezes o PIB brasileiro, valor controlado por 50 mil fundos de investimento. Repisando: o valor do patrimônio desses fundos chega a 4,2 trilhões de reais. Para efeito de comparação: o patrimônio das 800 mil cadernetas de poupança no Brasil é 280 bilhões de reais.

O que significa isso? Significa que qualquer empresário vai pensar várias vezes antes de investir nos seus negócios. “O industrial – explica o professor e estudioso de Economia – que pode vir a fazer uma nova fábrica, vai pensar duas vezes se faz isso ou se aplica no fundo de investimento”.

É o capitalismo financeiro nadando a braçada, sem qualquer compromisso nacional, cinco bancos controlando a maioria desses fundos, informa Gabrielli e pergunta: Como enfrentar isso? Sua palestra, que abrange mais aspectos da realidade brasileira, certamente não pretendeu responder esse tremendo desafio, mas dá subsídios valiosos para buscarmos uma resposta necessária.

PS 1: Este blog já publicou oito matérias em torno deste debate e haverá outras, pois o evento foi riquíssimo. Resolvi dividir a cobertura para evitar matérias muito longas e não perder a oportunidade de divulgar dados importantes sobre o que foi discutido.

PS 2: O Sindae nos brindou com a cobertura online ao vivo. Na sua página do Facebook, você pode acessar o vídeo: ‘Conjuntura Política e Econômica – Gabrielli e Dutra’. Link: www.facebook.com/sindaeba/ 

PS 3: A análise que Gabrielli nos apresentou em Salvador estará presente, de alguma forma, nos debates dos quais participará no âmbito do PT e outros partidos e movimentos sociais, a nível nacional, durante este semestre, em busca de resoluções políticas das forças progressistas.

PS 4: O economista Márcio Pochmann, em palestra recente em Porto Alegre, aborda assuntos semelhantes numa linha próxima à de Gabrielli, conforme matéria do site Sul21, postada no Portal Vermelho: ‘Márcio Pochmann diz que partidos e sindicatos deverão se reinventar’. Link: http://www.vermelho.org.br/noticia/322767-1

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

EXALTADO O PAPEL DE GOIANO NAS ARTICULAÇÕES DO PT DA CHAPADA

Goiano: construir a sustentação da ação política através da organização popular (Fotos: Smitson Oliveira)

O reconhecimento público veio no quinto encontro regional do partido, em Nova Redenção, através do anúncio de Ivan Soares, ex-prefeito, líder do PT local e anfitrião do evento.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente

Quem cantou a pedra foi o ex-prefeito Ivan Soares, em Nova Redenção, durante o quinto Encontro de Diretórios Municipais do PT, no último dia 3. Anfitrião do evento e dirigente dos trabalhos, ele chamou Goiano (José Donizette) para compor a mesa, ao lado dos representantes petistas da Chapada, justificando:

- Foi um dos idealizadores e principal articulador dos encontros de dirigentes do PT regional, desde o primeiro, realizado em Seabra em maio do ano passado, sempre visando organizar melhor as bases e reforçar as direções municipais do partido. Ou seja, Ivan proclamou publicamente uma verdade sobejamente conhecida entre as lideranças partidárias da Chapada.

Antigo militante político desde a década de 1970, a partir do sindicalismo bancário em Salvador, Goiano tem uma extensa folha de serviços no campo das esquerdas, tendo inclusive participado da criação da CUT e do PT. Nos últimos anos, além de outras militâncias (também na capital), vem se dedicando às campanhas eleitorais de petistas, como o deputado Jorge Solla, e atuando junto a comunidades rurais e quilombolas, particularmente em Seabra e municípios vizinhos.

E, em paralelo, atua como uma espécie de agitador cultural e tem se empenhado na luta pelo fortalecimento do PT na região, o que abrange as articulações para os encontros regionais. Daí o reconhecimento anunciado por Ivan Soares.
Ivan Soares, líder do PT em Nova Redenção e anfitrião do encontro

Ao falar para mais de uma centena de pessoas no encontro de Nova Redenção, Goiano relembrou resumidamente sua vida militante e apontou erros do partido nas diversas gestões a seu encargo, nos níveis municipal, estadual e federal:

“É preciso uma autocrítica, pois houve muitas falhas na ação do partido e de seus governos, sobretudo no tocante à organização do povo”, acusou. Erros que, na sua avaliação, desembocaram no golpe e ascensão das forças de extrema direita.

Levantou a bandeira ecológica e bradou contra a disseminação dos venenos na alimentação dos brasileiros (agrotóxicos) promovida pelo agronegócio, com o beneplácito inclusive de governos petistas. Defendeu então o fortalecimento dos agricultores familiares.

Acenou ainda para a necessidade de estímulos à participação da juventude nos movimentos sociais e para a prioridade de construir a sustentação da ação política através da organização popular. E não apenas – como predomina hoje nos maiores partidos de esquerda e centro-esquerda – nos processos eleitorais.

E Goiano é candidato a prefeito?

O fato mais curioso na trajetória recente do “militante político” de nome de batismo José Donizette, o popular Goiano, é que ele, apesar do seu profícuo ativismo junto ao PT – mesmo mantendo mil e uma restrições à sua prática -, não é filiado ao partido (nem a qualquer outro).

Nem se dispôs até hoje a se filiar, embora cobrado frequentemente por dirigentes petistas, em especial de Seabra (os exemplos mais notórios são Pedro Lima e Smitson Oliveira, da Executiva do PT/Seabra).

Daí que este fato insofismável – não filiação partidária – descarta qualquer possibilidade de que ele venha a ser candidato a prefeito de Seabra na próxima eleição, em 2020. Apesar dos rumores em sentido contrário que se ouvem nos quatro cantos da cidade e em zonas rurais, insistentemente. Aliás, desde eleições anteriores.

Até aqui em Salvador, muitas vezes amigos comuns me perguntam: “E aí, Goiano vai ser finalmente candidato a prefeito de Seabra?” Eu respondo: “Não sei, acho que não. Ele não é filiado a nenhum partido”.

PS: Com esta matéria - a quarta postada neste meu blog -, encerro a cobertura do V Encontro de Diretórios Municipais do PT da Chapada, realizado em Nova Redenção, no último dia 3.  

IVAN SOARES: “TEMOS QUE NACIONALIZAR AS ELEIÇÕES MUNICIPAIS”

Ivan Soares: "É hora de organizar e lutar" (Foto: Smitson Oliveira)

Ex-prefeito de Nova Redenção e anfitrião do encontro de petistas da Chapada foi um debatedor ativo em todos os itens da pauta.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente

A proposta foi lançada por Ivan Soares, ex-prefeito e líder petista de Nova Redenção, durante o V Encontro de Diretórios Municipais do PT da Chapada Diamantina, interior da Bahia (no último dia 3).

Ele parte duma constatação, na sua visão, inegável: a massa de eleitores, em especial entre as camadas mais carentes, vai sentir saudade das políticas de inclusão social dos governos Lula e Dilma, “a única vez nos 500 anos da história brasileira em que os pobres tiveram vez”.

Então, nas campanhas do próximo ano, nas eleições municipais, os petistas e aliados dos partidos progressistas devem martelar nos temas que demonstram os imensos prejuízos sofridos pela população, vítima “desse projeto vagabundo” do governo Bolsonaro, oriundo do processo fraudulento patrocinado especialmente pela Operação Lava Jato.

Daí, a proposta de “nacionalizar as eleições municipais” de 2020, já apontando rumos para a disputa de 2022, conforme explicou Ivan, que foi a presença mais marcante do encontro: anfitrião atento, dirigente da mesa dos trabalhos e debatedor de todos os assuntos em pauta, um verdadeiro “homem dos sete instrumentos”.

Foi enfático também ao criticar a fraqueza da estrutura do PT na região da Chapada – “estamos fracos, raquíticos, muitos diretórios foram desativados, não há nem comissões provisórias, o Diretório Estadual nunca teve um olhar mais próximo para ver como está nosso partido”, denunciou ele, conclamando seus companheiros de partido: “É hora de organizar e lutar”.

PS: Sobre este último ponto, ver dados na matéria anterior sobre o encontro, postada neste blog no último dia 12. Link:

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

NOVA REDENÇÃO: UM DIA DE POLÍTICA E “FRATERNIZAÇÃO” COM PETISTAS DA CHAPADA (carta a uma amiga)

Ivan Soares, ex-prefeito e líder do PT local: dirigiu os trabalhos e se destacou nos debates (Foto: Smitson Oliveira)
(Foto: da página do Facebook do PT Nova Redenção)

Debate do 5º. encontro regional do PT (o maior até aqui – 130 pessoas) abrangeu o desmonte das políticas públicas populares após o golpe, críticas à direção estadual do partido e empenho para fortalecer os diretórios municipais.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente

Querida amiga Lucilla,

Quanto tempo sem te escrever! Invoco teu nome em busca de inspiração para reportar um dia de debates políticos na bela região do interior da Bahia, a Chapada Diamantina. Foi na cidade de Nova Redenção, no último dia 3 (um sábado).

Um dia proveitoso e prazeroso: de fazer política, num tempo em que o Brasil vive uma conjuntura adversa de criminalização da política (e dos políticos, especialmente dos petistas); e dia também de “fraternização”, para realçar a palavra usada por nosso anfitrião, Ivan Soares, ex-prefeito do município e líder do PT local, que dirigiu os trabalhos.

Friso, porém, sobretudo, o grau de politização que prevaleceu nas discussões. Foi o mais politizado e crítico da série de encontros iniciada em Seabra – chamada a “capital da Chapada” – em maio do ano passado. Em especial, houve empenho na busca de organização e fortalecimento dos diretórios municipais do partido, que é muito fraco na região.

Pois é, amiga. Isso ficou patente: dos 28 municípios da chamada microrregião, compareceram dirigentes partidários de apenas três diretórios, além dos de Nova Redenção, sede do encontro: Seabra (como sempre, uma grande delegação), Andaraí e Ibitiara.

Dos três (ou quatro?) prefeitos petistas da região, esteve presente somente a prefeita anfitriã, Guilma Soares, mulher de Ivan (ela exerce o terceiro mandato do PT no município). Presentes ainda quatro vereadores da base aliada da prefeita.

Tal debilidade foi muito ressaltada nas discussões, agravada – segundo críticas de dirigentes, puxadas principalmente por Smitson Oliveira, da Executiva de Seabra, e reforçadas por Ivan Soares – pela falta de apoio e atenção da direção estadual.

Em alguns casos, a falta de apoio chega até a avançar para o boicote a iniciativas das direções municipais, o que deve se refletir no atual processo de renovação dos dirigentes partidários (está em curso o chamado PED – Processo de Eleições Diretas, nos níveis municipal, estadual e nacional, mas as chapas ainda não estavam definidas).
Lula Livre: Smitson Oliveira e Celsino Teixeira (da Executiva do PT/Seabra), Ivan Soares, Carmélia Santos (presidente do PT/Andaraí e vereadora), Pedrinho (pres. do PT/Ibitiara e vereador) e Ronilton Almeida (pres. do PT/Nova Redenção) (Quase todas as fotos são de Smitson Oliveira)
Afonso Florence, deputado federal do PT, fez a avaliação da conjuntura
Guilma Soares, prefeita do município (terceiro mandato do PT)
Pedro Lima (no microfone - pintor e presidente do PT/Seabra) ao lado de Pedrinho, Ivan, Carmélia, Geisa Neiva (assessora do deputado Jacó, do PT) e Goiano (José Donizette, de larga militância nas esquerdas, reconhecido como grande impulsor da série de encontros do PT da Chapada)
Pedrinho fala em nome dos petistas de Ibitiara
Ronilton Almeida
Carmélia Santos
Outro agravante é que tal desatenção vem também dos órgãos do governo estadual, cujo governador, Rui Costa, é do PT (é o quarto mandato petista consecutivo no estado, na “província”, como vocês, cara Lucilla, chamam aí na tua Argentina).

Entra aí a famigerada governabilidade, um nó “transcendental” (uma palavra muito usada por aí) da política brasileira. E também na Bahia: o senador baiano Oto Alencar, do PSD, tem grande influência na Chapada e é da base aliada do governador. Diz a maioria dos observadores que Oto já está, há muito tempo, coroado para dar “sequência” aos quatro mandatos petistas.

Criada uma Coordenação Regional

Para tentar enfrentar a debilidade do PT na região, foi criada, no final do encontro, uma Coordenação Regional, com oito membros (dois de cada diretório presente), que buscará uma articulação mais eficiente entre os companheiros da região. Em parte dos municípios – comentaram – não há nem comissão provisória do partido.

Os oito membros: de Nova Redenção: Ivan e Ronilton Almeida, presidente do PT municipal; Seabra: Pedro Lima, presidente, e Smitson; Andaraí: Carmélia Santos, presidente e vereadora, e Domingos Santos; e Ibitiara: Neto Sales e Joyce Evangelista, ambos do diretório municipal.

Será, querida Lucilla, uma tarefa muito difícil a desta coordenação, a pensar no precedente: já se tentou uma  semelhante no primeiro encontro, que deu em nada. Mas, em tempos mais difíceis, talvez se redobrem os esforços, quem sabe?.

No quesito da conjuntura, o deputado federal Afonso Florence, do PT, que é bem votado no município, falou do desmonte  - a partir do golpe de Estado e início do governo Bolsonaro - das políticas públicas populares que vinham sendo construídas nos governos Lula e Dilma. Inclusive com enormes prejuízos para as comunidades rurais, agravados pela chamada Reforma da Previdência.

E também ressaltou a regressão social e democrática, destruição dos direitos trabalhistas, violação da nossa soberania, o chamado “enxugamento” da economia e o processo de corrupção denunciado pela Vaza Jato. Ao falar dos cortes de verbas das universidades, determinados pelo governo Bolsonaro, num processo de desmonte do ensino público, lembrou os atos de rua, em defesa da educação, programados nacionalmente para amanhã, terça, dia 13.

Como vê, minha amiga, nossa situação política é bem parecida com a dos hermanos argentinos na era Mauricio Macri, embora as prévias eleitorais realizadas aí já indiquem, felizmente, uma grande vitória da chapa Alberto Fernandez/Cristina Kirchner - o que faz a gente prever uma virada progressista na nossa Pátria Grande.
Goiano (José Donizette)
Geisa Neiva
Adriana Oliveira (liderança entre os professores - APLB-Sindicato) exaltou a participação da juventude na luta contra os desmandos do governo Bolsonaro na educação: "Às vezes é na adversidade que nos fortalecemos". É sangue novo na militância petista de Seabra, reforçando a ala feminina com Alice Cerqueira, Fátima Pina, Geisa Neiva, Carol Campos e Antônia Araújo
 
Antônia Araújo
Celsino Teixeira, vice-presidente do PT/Seabra
A maioria aí é da delegação de Seabra
Carol Campos
Smitson (Foto do Facebook do PT Nova Redenção)
Delegação de Seabra (com Pedrinho/Ibitiara "infiltrado") na bela paisagem do Morro do Pai Inácio (dois aí não foram mencionados nas legendas anteriores: o engenheiro  Jorginho Oliveira (o segundo da esq. para dir.) e o professor Leonardo Teixeira (o sétimo)
Mas já me alonguei bastante nesta carta de política e de saudade. Depois te mandarei mais algumas notas sobre o intercâmbio político/partidário mantido nesse sábado na Fazenda Gameleira (de propriedade de Ivan), situada a 3 quilômetros da cidade. (Mais informações estão nas legendas das fotos. Leitores poderão suprir alguma falta de identificação nas legendas, através de comentários no blog).

Lá pelo meio da tarde, depois do almoço, reunião da Coordenação Regional, finalização dos trabalhos, umas cervejas e despedidas calorosas, com gentil lembrança distribuída pelo Ivan Soares: um CD intitulado 25 Anos de Cantoria. É que o Ivanzinho, como é também conhecido, é celebrado ainda como cantador e violeiro.

A delegação de Seabra – da qual fazia parte este teu amigo – partimos para cumprir 150 quilômetros de asfalto. Com parada para foto diante do Morro do Pai Inácio, belíssimo panorama turístico da Chapada, você precisa conhecer num dia desses. (Pedro Lima me “ordenou”: bote na matéria que na saída de Seabra, o café Delícia da Chapada, de Laudeci Anjos, brindou a delegação petista com um café da manhã).

Assim, me despeço, querida Lucilla. Recordando que te conheci num debate político em Caracas, em 2012, ano da última reeleição do nosso Chávez. Lembra? Beijo e abraço.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

NOVA REDENÇÃO: PT DA CHAPADA FAZ ENCONTRO COM 130 PESSOAS


Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente

Foi o quinto encontro regional da Chapada Diamantina, desta vez em Nova Redenção, no sábado, dia 3. (Os quatro primeiros foram dois em Seabra, um em Rio de Contas e outro em Ibitiara).

Bateu recorde com a presença de 130 pessoas, recepcionadas por Ivan Soares, ex-prefeito do município, líder do PT local.

Mas houve representantes de apenas quatro diretórios municipais da região: além de Nova Redenção (os anfitriões), participaram dirigentes de Seabra (como sempre, com uma grande delegação), Ibitiara e Andaraí.

Foi bem politizado, com análise da conjuntura política nacional e estadual, a partir de avaliação do deputado federal Afonso Florence (PT-BA).

E com críticas à atuação da direção estadual do partido, no bojo da renovação ora em processo, neste semestre, dos dirigentes partidários (o chamado PED – Processo de Eleições Diretas)nos três níveis: municipal, estadual e nacional.

Foi criada uma coordenação regional, com oito membros (dois de cada diretório municipal presente), para buscar uma articulação mais eficiente entre os dirigentes petistas da Chapada.

PS 1 – Por enquanto, vai aqui somente um pequeno registro. Outras matérias serão postadas neste blog com desdobramento de temas abordados nas discussões, inclusive com seleção de fotos.
PS 2 – Uso aqui algumas fotos reproduzidas da página do Facebook do PT Nova Redenção.