sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

"CONTINUO PRESO A..." (tirinha)

- Primeiro estive preso à família originária
- Depois, à religião
- Me libertei. Custou muito, mas me libertei
- Logo depois me prendi a uma segunda família
- E a dívidas. E à culpa por me haver libertado da segunda família
- Mas me libertei de tudo. De tudo. Agora o universo era meu. A voar
- Mas não. Continuo preso a...


(Tirinha do jornal argentino Página/12, edição de 27/01/2014)

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IGOR OJEDA E A COPA: PROTESTAR CONTRA VIOLAÇÕES É SER DE ESQUERDA




(Foto: Viomundo)
No mundo onde cresci, protestar contra violações é ser de esquerda.

As manifestações são compostas por uma gama de movimentos e organizações legítimas, que têm em comum a opção por lutar contra os abusos decorrentes da realização da Copa do Mundo.

Espantosa a megalomania de considerar que qualquer protesto contra a Copa seja uma armação destinada especialmente a atacar (e derrubar) o governo Dilma. Por mais que tentem fazer crer, a luta de classes no Brasil não se resume a PT x PSDB.

Por Igor Ojeda, no blog Viomundo, de 29/01/2014

Assombrosas algumas das reações aos protestos que questionam a organização da Copa do Mundo no Brasil. Não por apontarem incoerências, contradições ou desacordos com os manifestantes, mas por qualificá-los de antemão como terroristas ou “contra o Brasil”. Reações que partem do fígado são muitas vezes assim, acabam turvando a realidade. E esse profundo ciclo de desinformação (intencional ou não), requer, a meu ver, algumas pontuações:

1 – O famoso “Não vai ter Copa” é um slogan, muito mais de sentido simbólico do que prático. Podemos concordar ou discordar, achá-lo adequado ou não, certeiro ou irresponsável. Mas é um slogan. E está sendo espalhado por aí pela metade. Na verdade, ele completo é “Se não tiver direitos, não vai ter Copa”.

2 – Os protestos convocados não são, em sua essência, contra a realização em si da Copa. Esta não é a reivindicação central. É, como dito, uma palavra de ordem mais de caráter simbólico do que prático. O ponto fundamental das manifestações são as violações a direitos causadas pelos eventos esportivos, que são muitas, inúmeras, e gravíssimas. No mundo onde cresci, violações a direitos são ações de direita. Protestar contra essas violações é uma ação de esquerda. E absolutamente legítima. De qualquer forma, mesmo que o foco principal fosse o cancelamento do evento, por tudo que ele representa em abusos, isso também seria legítimo.

3 – Não existe determinado grupo, organização, partido, ONG ou governo estrangeiro “por trás” desses protestos. Afirmar isso, ainda mais de forma categórica, é extremamente leviano. As manifestações são compostas por uma gama de movimentos e organizações legítimas, que têm em comum a opção por lutar contra os abusos decorrentes da realização da Copa do Mundo.

Para ler todo o artigo no Viomundo:

MANIFESTO PEDE A ABOLIÇÃO DA TORTURA NO BRASIL

(Ilustração: Internet)
Manifesto foi aprovado em encontro realizado durante o Fórum Mundial de Direitos Humanos, realizado em Brasília, em dezembro de 2013.

Do portal Carta Maior, de 29/01/2014
Durante o Fórum Mundial de Direitos Humanos, realizado em Brasília, em dezembro de 2013, ocorreu o encontro “Vamos abolir a tortura no Brasil!”, coordenado pela Ação dos Cristãos pela Abolição da Tortura (ACAT-Brasil). O encontro aprovou o Manifesto contra a Tortura, que já foi assinado por uma centena de entidades, redes e personalidades e está percorrendo o Brasil em busca de novas adesões.

O objetivo é criar uma ampla mobilização na sociedade em defesa do fim dessa prática corriqueira no Brasil. Leia a seguir o manifesto, que sintetiza os objetivos desse movimento que pretende se espalhar pelo país:

Vamos abolir a tortura no Brasil!
Manifesto aprovado no âmbito do Fórum Mundial de Direitos Humanos, realizado em Brasília de 10 a 13 de dezembro de 2013

O mal da tortura persiste no Brasil como uma prática corriqueira de agentes do Estado, que gozam de elevada impunidade e de revoltante tolerância por parte de autoridades públicas.

Isso é inadmissível! A tortura é inaceitável porque fere a nossa dignidade humana e de brasileiros, que lutamos por uma sociedade democrática para nós e nossos filhos. A prática da tortura não pode ser justificada em nenhuma circunstância, qualquer que seja a condição ou o crime de que possam ser acusadas as vítimas desta selvageria contra seres humanos.

Não podemos aceitar tão pouco o acobertamento sistemático da Justiça à prática da tortura, contrário à lei vigente, que lhe dá outros nomes e assim evita a punição dos responsáveis, desrespeitando suas vítimas, as comunidades em que vivem e a própria sociedade brasileira.

Hoje, tanto no Brasil como no plano internacional, a tortura está absolutamente proibida e de maneira inequívoca. A Constituição de 1988 tornou a prática da tortura um crime hediondo, inafiançável e insuscetível de graça ou anistia (artigo 5º, inciso XLIII). A Lei nº 9455/1997 definiu de forma precisa e abrangente o crime de tortura e estabeleceu penas apropriadas contra esta conduta abominável.


Para ler todo o manifesto:

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

OS “VELHINHOS COMUNISTAS” ATACAM DE NOVO (crônica)



Olha eles aí, a terceira aparição/versão dos “velhinhos comunistas”: (sentido horário) Laranjeira, Valdimiro Lustosa, Goiano, Edelson Ferreira, a cadeira vazia deste repórter/blogueiro e Antonio Carlos Santos, e mais os amigos Vavá (Lourival Garcia) e nosso sanfoneiro Hugo Luna (de costas, de chapéu) (Fotos: Jadson Oliveira)
De Salvador (Bahia) - Volta e meia eles aparecem na blogosfera, aqui neste meu blog. Uma vez foram chamados de “os velhinhos”, outra vez de “sete comunistas” (clicar aqui). Daí então resolvi chamá-los de “velhinhos comunistas” pra tentar institucionalizá-los ao menos midiaticamente.

Nem sempre são sete exatamente, mas são sempre em torno de sete. E nem sempre são os mesmos, saem uns, entram outros... mas há sempre um certo núcleo. “Velhinhos” é sacanagem, tem gente que ainda faltam uns aninhos para os 60 e tem gente que já passou bastante daí. O que posso garantir é que nenhum bateu ainda na casa dos 70, embora alguns já estejam bem perto!

O certo é que eles se encontram, de vez em quando, quando um deles dá de provocar: “Vamos lá, bater um papo, tomar umas cervejas, lembrar os velhos tempos”. E aí acontece. Por “os velhos tempos” não espere, minha senhora!, por favor, que falem de mulheres, por exemplo, de amores passados, paixões da juventude distante, que sempre há, sabemos, mas não.

Poderia ser de música, por que não? Da Jovem Guarda, da Bossa Nova, dos roqueiros brasileiros dos anos 80, por exemplo, por que não? Mas não. Daquela garota gostosa da faculdade? todos (ou quase todos) comendo-a com os olhos de glutão, que naquela época – ah! como eram viçosos os  18 anos – éramos mesmo uma “potência”... Também não.

Já sei, falavam das façanhas na prática viril do futebol, especialidade de todo brasileiro que se preze, ou não? Também não, minha senhora! Mesmo considerando que ali estavam vários craques de brilhante trajetória, que encheria, sem gozação! páginas dum livro de razoável grossura. Não vamos esquecer que, além de “sete” e além de “velhinhos”, está destacado aí o “comunistas”.
Osvaldo Laranjeira (primeiro presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, após a derrubada dos pelegos da ditadura, em 1981): da pouco conhecida Organização Comunista 1º.de Maio ao PT
Goiano - José Donizette (da mesma diretoria presidida por Laranjeira): do PCdoB a dissidências mais à esquerda, em busca dum “verdadeiro” Partido Operário
Então, é disso que eles falam, é disso que eles falaram, da militância política – principalmente no movimento sindical bancário - nos tempos da ditadura militar (que agora se fala “civil-militar” pra buscar mais exatidão), anos 70/80 do século passado, uns 80% da juventude foram empregados na luta conspirativa, tanto na “de massa”, como na clandestina – o velho poeta Ferreira Gullar, que, aliás, anda se endireitando a cada dia, tem um belo poema que diz “clandestinamente a vida bate”, lembram?

“Coisa de ex-militantes”, dizem, com desprezo, militantes, partidários ou não, mais jovens, na ativa, nestes tempos atuais de “indignados”, “desorganizados”, “facebuqueiros”, tuiteiros, Fora do Eixo, black blocs e rolezinhos.

E daí que no final de semana os “velhinhos” voltaram a atacar: falaram, falaram, chegou até a umas rodadas de “três minutos” para cada, com moderador e tudo mais pra macaquear velhas e intermináveis reuniões/assembleias. Não chegaram a fundar um novo “partido” dissidente da mais recente dissidência da praça, isso não, porque os tempos são outros.

Mas falaram, lamentaram, esbravejaram, cheios de razão, às vezes bem humorados, às vezes nem tanto, porque afinal o crepúsculo vem vindo e os sonhos socialistas não vicejaram. Ainda! fazem questão de enfatizar os mais persistentes. Certo, mas não vicejaram, frisam os mais chatos.

Falamos dos exemplos revolucionários que tentamos imitar e não logramos – o “caminho” da revolução dos sovietes russos (o marxismo-leninismo “puro”); o “modelo” cubano dos guerrilheiros barbudos de Fidel e do Che; e o chinês, o campo cercando as cidades, da “guerra popular prolongada” de Mao.

Foi lembrado um “caminho” agora do século 21, na nossa América Latina, de governos tentando rumar para a construção do socialismo, embora nascidos de eleições “burguesas” e acossados pela imprensa direitista (alô Venezuela bolivariana!).

E aí sobraram pancadas pra todo lado, isto é, pro lado da esquerda, em especial pra o PT e o PCdoB. Também pudera! Foi por aí que, assim ou assado, transitamos (com variações, uns às vezes percorrendo dissidências mais à esquerda). E quem manda abandonar a senda “revolucionária” e priorizar apenas a via eleitoral, aprisionados nos contornos da nossa corrupta democracia representativa? Os mais radicais não perdoam, embora sobrem argumentos para o sim e para o não.

E - para fechar dizendo alguma coisa grandiloqüente - assim caminha a humanidade (ou, “e assim caminha a impunidade”, como vi outro dia na nossa blogosfera, referindo-se, claro, a eles, nossos inimigos).

PS: Companheiros, a maioria está sedenta por outros encontros, quando será o próximo? De minha parte, prometo, no próximo, beber menos e tentar apreender o que há de aproveitável no conteúdo dos debates.

LÊNIN: TEORIA E PRÁTICA, A REVOLUÇÃO SEM DOGMAS



Lênin, numa imagem pouco comum, quando jovem (Fotos: blog de Atilio Boron)
Ao abrir uma nova era na longa marcha da humanidade para a construção da sua própria história, o seu legado, e o da Revolução Russa, demonstraram por muitas razões ser imperecíveis. Alguns, inclusive em certa esquerda livresca ou pós-moderna, não concordam; mas a direita e o imperialismo, com infalível instinto de classe, não se enganam e sabem que qualquer esforço é pouco para tentar apagar da face da terra a figura de Lênin e a epopeia da Revolução Russa.

Por Atilio Boron, cientista político argentino, em seu blog, de 21/01/2014, com o título “Lênin, a 90 anos de sua morte”. O título e destaque acima é deste Evidentemente. (Usei a versão em português – com correções, inclusive troquei Lenine por Lênin – encontrada no sítio web Primeira Linha em rede, postagem de 24/01/2014)

Compartilho esta reflexão sobre Lênin, ao se completarem hoje (21 de janeiro) 90 anos da sua morte.

A deflagração da Revolução de Fevereiro surpreende Lenine no seu exílio suíço. Tal como tantos outros exilados, trava uma dura batalha para regressar à Rússia, o que finalmente concretiza um par de meses mais tarde. Lênin chegou a Petrogrado na noite de 16 de abril de 1917. Tal como narra o grande historiador Edward Wilson, isto foi o que se passou à sua chegada na Estação Finlândia, ponto final de seu périplo:
“A estação terminal dos comboios procedentes da Finlândia tinha uma sala reservada para o Czar e quando chegou o comboio, muito tarde, para ali foi levado Lênin pelos camaradas que foram recebê-lo. No cais exterior, um oficial aproximou-se dele e fez a saudação. Lênin, surpreendido, devolveu a saudação. O oficial deu a ordem de “sentido!” a um destacamento de marinheiros com baioneta calada. Holofotes de luz elétrica iluminavam o cais e bandas de música tocavam a Marsellesa. Uma tempestade de aplausos elevou-se duma multidão que se apinhava em redor. “O que é isto?”, perguntou Lênin, retrocedendo uns passos. Responderam-lhe que eram as boas-vindas a Petrogrado que lhe dedicavam os trabalhadores e marinheiros revolucionários; a multidão tinha estado gritando uma palavra: “Lênin”. Os marinheiros apresentaram armas e o comandante pôs-se às suas ordens. Disseram-lhe ao ouvido que queriam que falasse. Avançou uns passos e tirou o chapéu:

Camaradas marinheiros – começou -, saúdo-vos sem saber se acreditam ou não nas promessas do Governo Provisório. Mas afirmo que quando vos falam amavelmente, quando vos prometem tanta coisa, estão vos enganando e estão enganando todo o povo russo. O povo precisa é de paz, o povo precisa é de pão, o povo precisa é de terra, e o que lhe dão é guerra e fome, e permitem que os latifundiários continuem a desfrutar da terra. Temos que lutar pela revolução social, lutar até o fim, até a completa vitória do proletariado. Viva a revolução socialista mundial!”

Fonte: Edmund Wilson, Hacia la Estación de Finlandia. Ensayo sobre la forma de escribir y hacer historia (Madrid: Alianza Editorial, 1972), pp.547-550.

Este trecho do esplêndido livro de Wilson dá-me pé para fazer um par de comentários.

Lênin, no seu exílio em Zurique, compreendeu como ninguém duas coisas:

Primeiro, que no contexto da revolução que tinha estourado em fevereiro de 1917, o papel dos Sovietes era fundamental e estava chamado a eclipsar por um tempo o partido. Fiel ao seu profundo sentido de autocrítica e à ideia de que o marxismo não é um dogma e sim um guia para a ação, não hesitou um instante em lançar uma original palavra de ordem: “Todo o poder aos Sovietes”, pondo provisoriamente em suspenso “nesse contexto de dissolução e falência do czarismo e auge revolucionário, o papel reitor que durante tanto tempo tinha atribuído nos seus escritos e na sua prática política ao partido”. Não é preciso assinalar que este verdadeiro tour de force foi fortemente resistido pelos seus camaradas, ou ridicularizado pelos liberais russos, que achavam que a Rússia se tinha convertido em Inglaterra e que se encontravam a uns passos do estabelecimento duma democracia liberal e duma monarquia constitucional. A cegueira e o fetichismo político de uns e outros impediam que percebessem a imensa potência do impulso revolucionário que a guerra, a fome e a arrogância da aristocracia e da burguesia russas alimentavam sem cessar, impulso que inexoravelmente acabaria com o czarismo e abriria as portas para a revolução socialista. Para Lênin, o trânsito de fevereiro para a revolução social requeria o protagonismo dos Sovietes, mais que o do partido. Muitos pensavam que a visão de Lênin era um extravio próprio dum emigrado que depois de longos anos de exílio não compreendia o que estava acontecendo na Rússia. A realidade demonstrou exatamente o contrário.
Segundo, a espantosa precisão com que captou o estado de consciência das massas russas - aquilo que Fidel tantas vezes tem chamado a “consciência possível” das massas, os conteúdos cognitivos e avaliativos que estão em condições de assimilar e assumir como ponto de partida para as suas lutas. Lênin compreendeu que o que requeria a tumultuosa forja da revolução não eram grandes discursos teóricos ao estilo dos que faziam Kautsky e os acólitos da social-democracia alemã. Que, na hora dos “fornos”, para utilizar a expressão de Martí, o fundamental a ser visto era a luz, e que os soldados, camponeses e operários russos dificilmente veriam essa luz nas teses marxistas sobre a composição orgânica do capital ou na tendência decrescente da taxa de lucro. Essa luz que os mobilizaria e lançaria para a luta tinha que se sintetizar numa proposta que interpelasse com simplicidade e contundência as massas russas. Lênin achou isso ao plasmar uma palavra de ordem simples, compreensível e duma extraordinária efetividade política: “Pão, terra e paz”.

Eis esta breve lembrança dum momento crucial na vida do grande revolucionário russo, que dirigiu e conduziu, até sua morte, a primeira revolução socialista da história. Sobrevivente a custo de duas tentativas de assassinato - a última das quais, em agosto de 1918, deixou-lhe marcas indeléveis no seu corpo que, anos mais tarde, precipitariam a sua morte -, Lênin faleceu poucos meses antes de fazer os 54 anos de idade, num dia como hoje (21 de janeiro), faz exatamente 90 anos. Ao abrir uma nova era na longa marcha da humanidade para a construção da sua própria história, o seu legado, e o da Revolução Russa, demonstraram por muitas razões ser imperecíveis. Alguns, inclusive em certa esquerda livresca ou pós-moderna, não concordam; mas a direita e o imperialismo, com infalível instinto de classe, não se enganam e sabem que qualquer esforço é pouco para tentar apagar da face da terra a figura de Lênin e a epopeia da Revolução Russa. Precisamente por isso devemos comemorar este novo aniversário do seu falecimento.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

CHILE: PRESOS ENVENENADORES DA DITADURA PINOCHETISTA



Ex-presidente Eduardo Frei, aparente alvo de envenenamento com uma toxina trazida do Brasil (Foto: Página/12)
Dois médicos militares e dois oficiais reformados foram detidos sob a acusação de intoxicar presos políticos: a mesma equipe de envenenadores é investigada pela morte do ex-presidente Eduardo Frei, ocorrida semanas depois, em janeiro de 1982, na Clínica Santa María. Suspeitosamente, Neruda faleceu na mesma clínica.

Matéria do jornal argentino Página/12, edição de 25/01/2014

A Justiça chilena deteve quatro militares acusados de envenenar com toxinas botulínicas presos políticos em 1981, operação considerada a ante-sala do assassinato do ex-presidente Eduardo Frei. “Estão processados e com detenção preventiva o médico militar Eduardo Arriagada, seu assistente e veterinário Sergio Rosende, e os oficiais reformados Joaquín Larraín e Jaime Fuenzalida”, disse o advogado Francisco Ugas, do Ministério do Interior. Os dois primeiros repressores estão detidos sob a acusação de homicídio dos opositores e militantes do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR – “I” de Izquierda) Víctor Corvalán e Héctor Pacheco. Os outros dois como cúmplices do assassinato frustrado de outros cinco presos políticos.

A investigação do juiz Alejandro Madrid indicou que em 9 de dezembro de 1981 as sete vítimas, supostos opositores da ditadura de Augusto Pinochet, foram trasladadas do Centro de Detenção Preventiva de Santiago, onde estavam detidos por delitos comuns, a um hospital, devido a sérios problemas de saúde por causa duma intoxicação produzida pela denominada toxina botulínica. Dita toxina foi trazida do Brasil para o Chile pelo Instituto de Saúde Pública e, posteriormente, entregue aos encarregados dum laboratório secreto a cargo da Direção de Inteligência do Exército (DINE), conforme a investigação.

A mesma equipe que figura nesta ação repressiva é investigada pela morte de Frei, ocorrida semanas depois, em janeiro de 1982, na Clínica Santa María, após uma operação. Alguns destes suspeitos são apontados também como responsáveis pela morte do poeta Pablo Neruda, que faleceu na mesma clínica. “Isto é muito importante”, disse o advogado Eduardo Contreras, litigante no caso Neruda. “E não detiveram Sergio Draper?”, inquiriu em alusão ao médico que atendeu Neruda e Frei.

Os detidos, que foram transferidos a um regimento, constituíam a equipe que na ditadura transportou armas químicas do Brasil para o Chile, com fins de “guerra interna” e externa, como eles mesmos confessaram à polícia. Estas armas de destruição massiva, que chegavam primeiro ao próprio palácio presidencial La Moneda, eram basicamente toxinas botulínicas, um veneno mortal. A operação, segundo declarações à polícia dos demais envolvidos, começou em inícios de 1980, antes do envenenamento dos presos políticos e da morte de Frei, em cujos restos foram encontrados gás “mostaza” e “talio”.

Continua em espanhol:

El propio director del Instituto de Salud Pública (ISP) en esos años, el coronel Joaquín Larraín, reconoció a la policía civil en un texto con su firma que la adquisición de armas químicas comenzó luego de una reunión con el médico Eduardo Arriagada Rehren, de inteligencia militar. En el encuentro, Arriagada preguntó a Larraín, un ex profesor de la Escuela de las Américas, si el ISP tenía toxinas botulínicas, aduciendo que el ejército las necesitaba, debido a las tensiones con países limítrofes, en especial Argentina.

Arriagada, quien estuvo acompañado en el encuentro además por el veterinario Rosende, admitió los hechos también a los investigadores, quienes realizaron las pesquisas por petición del juez Alejandro Madrid. El magistrado, quien lleva años investigando la muerte de Frei y el envenenamiento de presos en la Cárcel Pública de Santiago, debería dictar sentencia en el magnicidio en los próximos meses.

Si bien la detención de los cuatro militares es considerada un logro para esclarecer lo ocurrido durante la dictadura pinochetista, la Corte de Apelaciones de Santiago rebajó ayer las penas a tres de cinco agentes de la dictadura condenados por la desaparición de los hermanos Mario y Nilda Peña Solari, ocurrida a fines de 1974. La resolución de las juezas Dobra Lusic, Adelita Ravanales y María Teresa Figueroa modificó la sentencia de primera instancia, dictada el 30 de marzo de 2012 por el juez especial Joaquín Billard a los autores de los secuestros, ocurridos el 9 y 10 de diciembre de 1974 en la capital chilena.

Los nombres de los hermanos Peña Solari fueron incluidos en 1975 en la llamada Operación Colombo, que consistió en un montaje para encubrir la desaparición de 119 presos políticos, en su mayoría militantes del MIR. Durante la dictadura de Pinochet, según documentos oficiales, unos 2300 chilenos murieron a manos de agentes del Estado y de ellos, 1192 permanecen aún como desaparecidos.

Tradução: Jadson Oliveira