quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

OS “VELHINHOS COMUNISTAS” ATACAM DE NOVO (crônica)



Olha eles aí, a terceira aparição/versão dos “velhinhos comunistas”: (sentido horário) Laranjeira, Valdimiro Lustosa, Goiano, Edelson Ferreira, a cadeira vazia deste repórter/blogueiro e Antonio Carlos Santos, e mais os amigos Vavá (Lourival Garcia) e nosso sanfoneiro Hugo Luna (de costas, de chapéu) (Fotos: Jadson Oliveira)
De Salvador (Bahia) - Volta e meia eles aparecem na blogosfera, aqui neste meu blog. Uma vez foram chamados de “os velhinhos”, outra vez de “sete comunistas” (clicar aqui). Daí então resolvi chamá-los de “velhinhos comunistas” pra tentar institucionalizá-los ao menos midiaticamente.

Nem sempre são sete exatamente, mas são sempre em torno de sete. E nem sempre são os mesmos, saem uns, entram outros... mas há sempre um certo núcleo. “Velhinhos” é sacanagem, tem gente que ainda faltam uns aninhos para os 60 e tem gente que já passou bastante daí. O que posso garantir é que nenhum bateu ainda na casa dos 70, embora alguns já estejam bem perto!

O certo é que eles se encontram, de vez em quando, quando um deles dá de provocar: “Vamos lá, bater um papo, tomar umas cervejas, lembrar os velhos tempos”. E aí acontece. Por “os velhos tempos” não espere, minha senhora!, por favor, que falem de mulheres, por exemplo, de amores passados, paixões da juventude distante, que sempre há, sabemos, mas não.

Poderia ser de música, por que não? Da Jovem Guarda, da Bossa Nova, dos roqueiros brasileiros dos anos 80, por exemplo, por que não? Mas não. Daquela garota gostosa da faculdade? todos (ou quase todos) comendo-a com os olhos de glutão, que naquela época – ah! como eram viçosos os  18 anos – éramos mesmo uma “potência”... Também não.

Já sei, falavam das façanhas na prática viril do futebol, especialidade de todo brasileiro que se preze, ou não? Também não, minha senhora! Mesmo considerando que ali estavam vários craques de brilhante trajetória, que encheria, sem gozação! páginas dum livro de razoável grossura. Não vamos esquecer que, além de “sete” e além de “velhinhos”, está destacado aí o “comunistas”.
Osvaldo Laranjeira (primeiro presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, após a derrubada dos pelegos da ditadura, em 1981): da pouco conhecida Organização Comunista 1º.de Maio ao PT
Goiano - José Donizette (da mesma diretoria presidida por Laranjeira): do PCdoB a dissidências mais à esquerda, em busca dum “verdadeiro” Partido Operário
Então, é disso que eles falam, é disso que eles falaram, da militância política – principalmente no movimento sindical bancário - nos tempos da ditadura militar (que agora se fala “civil-militar” pra buscar mais exatidão), anos 70/80 do século passado, uns 80% da juventude foram empregados na luta conspirativa, tanto na “de massa”, como na clandestina – o velho poeta Ferreira Gullar, que, aliás, anda se endireitando a cada dia, tem um belo poema que diz “clandestinamente a vida bate”, lembram?

“Coisa de ex-militantes”, dizem, com desprezo, militantes, partidários ou não, mais jovens, na ativa, nestes tempos atuais de “indignados”, “desorganizados”, “facebuqueiros”, tuiteiros, Fora do Eixo, black blocs e rolezinhos.

E daí que no final de semana os “velhinhos” voltaram a atacar: falaram, falaram, chegou até a umas rodadas de “três minutos” para cada, com moderador e tudo mais pra macaquear velhas e intermináveis reuniões/assembleias. Não chegaram a fundar um novo “partido” dissidente da mais recente dissidência da praça, isso não, porque os tempos são outros.

Mas falaram, lamentaram, esbravejaram, cheios de razão, às vezes bem humorados, às vezes nem tanto, porque afinal o crepúsculo vem vindo e os sonhos socialistas não vicejaram. Ainda! fazem questão de enfatizar os mais persistentes. Certo, mas não vicejaram, frisam os mais chatos.

Falamos dos exemplos revolucionários que tentamos imitar e não logramos – o “caminho” da revolução dos sovietes russos (o marxismo-leninismo “puro”); o “modelo” cubano dos guerrilheiros barbudos de Fidel e do Che; e o chinês, o campo cercando as cidades, da “guerra popular prolongada” de Mao.

Foi lembrado um “caminho” agora do século 21, na nossa América Latina, de governos tentando rumar para a construção do socialismo, embora nascidos de eleições “burguesas” e acossados pela imprensa direitista (alô Venezuela bolivariana!).

E aí sobraram pancadas pra todo lado, isto é, pro lado da esquerda, em especial pra o PT e o PCdoB. Também pudera! Foi por aí que, assim ou assado, transitamos (com variações, uns às vezes percorrendo dissidências mais à esquerda). E quem manda abandonar a senda “revolucionária” e priorizar apenas a via eleitoral, aprisionados nos contornos da nossa corrupta democracia representativa? Os mais radicais não perdoam, embora sobrem argumentos para o sim e para o não.

E - para fechar dizendo alguma coisa grandiloqüente - assim caminha a humanidade (ou, “e assim caminha a impunidade”, como vi outro dia na nossa blogosfera, referindo-se, claro, a eles, nossos inimigos).

PS: Companheiros, a maioria está sedenta por outros encontros, quando será o próximo? De minha parte, prometo, no próximo, beber menos e tentar apreender o que há de aproveitável no conteúdo dos debates.

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