segunda-feira, 31 de maio de 2010

Mulher comanda em Trinidad e Tobago

De Porto Espanha (Trinidad e Tobago) – A oposição teve uma vitória esmagadora na eleição do último dia 24, elegendo mais de 2/3 do Parlamento – 29 das 41 cadeiras – e, pela primeira vez na história, o país tem uma primeira-ministra: Kamla Persad-Bissessar (foto), 58 anos, líder do Congresso Nacional Unido (UNC – United National Congress), venceu à frente de uma coalizão de cinco partidos. Entre 1995/2000, quando seu partido estava no poder, ela chefiou o que se pode traduzir como Procuradoria Geral da República, um órgão que parece particularmente importante aqui, encarregado de fiscalizar a aplicação das leis e proteger os cidadãos.

Foi derrotado o agora ex-primeiro-ministro Patrick Manning (foto), chefe do Movimento Nacional do Povo (PNM - People’s National Movement), que governava T&B desde 2001 e já esteve no poder num período anterior (1991/1995). Tem 63 anos. Foi eleito parlamentar (poderíamos charmar deputado, aqui os jornais usam MP, membro do Parlamento) pela primeira vez aos 24 anos. Nesta eleição mais uma vez foi reeleito, continuando, portanto, como MP. Seu governo tinha como debilidades acusações de corrupção, de descontrole da criminalidade, de aumento do desemprego e de mau relacionamento com os trabalhadores (ou sindicatos).

Não consigo entender o significado histórico do desfecho eleitoral. Não percebo qualquer diferença política e ideológica entre os dois lados. (Como já disse, não compreendo a realidade local, devido à falta de domínio do inglês). Os comícios durante a campanha eram mais eventos musicais e artísticos. As mensagens dos candidatos eram sempre em tom paternalista, tipo “nós amamos vocês, vamos cuidar de vocês”.

São três os jornais mais vendidos aqui – Newsday, Guardian e The Daily Express, todos no formato mais moderno, tipo tabloide. Todos eles, segundo minha precária avaliação, apoiaram a oposição. Como a grande imprensa está sempre mais à direita, sou levado a supor que Patrick Manning, agora ex-primeiro-ministro, seria mais progressista. Mas, realmente, não tenho conhecimento da realidade para afirmar tal coisa.

Estavam aptos a votar 1 milhão de pessoas numa população em torno de 1,3 milhão de habitantes. O voto não é obrigatório.

Parlamentarismo e voto distrital

Politicamente, T&T é um país irrelevante no cenário da América Latina. Talvez o mais interessante seja anotar as diferenças, em relação ao nosso olhar brasileiro, do parlamentarismo e voto distrital, sistema copiado dos colonizadores, os ingleses.

1 – A disputa eleitoral se dá somente em cada um dos 41 distritos (39 em Trinidad e dois em Tobago), para a eleição dos 41 membros do Parlamento (MPs). Vão integrar a House of Representatives (Casa dos Representantes), o mesmo nome usado na Inglaterra e países colonizados por ela, como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia.

2 - Sendo eleito em seu distrito, pelo partido que consegue a maioria das cadeiras, o MP (ou a MP) que lidera seu partido torna-se então primeiro-ministro (ou primeira-ministra).

3 – Os senadores e o presidente da República não são escolhidos pelo voto popular. São nomeados pelo Parlamento, de acordo, e proporcionalmente, com os resultados eleitorais. O presidente não governa (espécie de rainha da Inglaterra), quem escolhe os ministros e governa é o primeiro-ministro (agora primeira-ministra).

4 – Ao todo concorreram 99 candidatos nos 41 distritos: 96 registrados por cinco partidos e mais três chamados independentes (sem partido).

5 – Para nossos padrões, a campanha foi curtíssima – apenas cinco semanas. Com inserções pagas pelos partidos nas TVs. Até a meia-noite do dia da eleição já se sabia o resultado.

6 – Uma diferença gritante dos nossos costumes políticos: o pleito foi no dia 24, dois dias depois, dia 26 à tarde, a nova primeira-ministra já estava sendo empossada no cargo.

7 – As pesquisas de opinião não têm tanta importância. Vi uma pesquisa onde Kamla Persad-Bissessar, hoje primeira-ministra, aparecia como a mais querida e popular entre a população. Mas se observava que isso não teria peso significativo na votação. É que ela, na verdade, só foi votada no seu próprio distrito. Para chegar a primeira-ministra, como chegou, ela dependeu de cada disputa em cada um dos distritos. Muito diferente do nosso presidencialismo.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Direitos Humanos: Brasil na vanguarda do atraso

No quesito Direitos Humanos, particularmente quanto à punição a torturadores da fase da ditadura, a democracia brasileira está entre as mais atrasadas da América do Sul. É fácil se constatar isso quando se acompanha o noticiário sobre os processos judiciais da Argentina, Uruguai e Chile, mesmo chegando até nós através da “discrição” dos nossos meios de comunicação.

Mas não apenas nestes três países e é isso que quero enfatizar, apontando avanços também no Peru, Bolívia e Paraguai. Especialmente este último, alvo até de piadas, sempre lembrado na hora de se falar de tudo que é ruim ou atrasado (por sinal, soube há poucos dias no blog Fazendo Media, em entrevista de Marina dos Santos, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que o Paraguai é o campeão em nossa região na concentração de terras, o Brasil só perde para ele no particular).

Não é à toa, portanto, que nosso país está, desde a última quinta-feira, dia 20, sentado no banco dos réus da Corte Interamericana de Direitos Humanos, na Organização dos Estados Americanos (OEA), respondendo acusações quanto à impunidade de agentes das Forças Armadas no caso da Guerrilha do Araguaia, no sul do Pará, no período de 1972/75, quando cerca de 70 pessoas, que tentaram desencadear um movimento guerrilheiro na região, foram torturadas e mortas (ou, como se diz, desaparecidas).

A vanguarda do atraso ficou patente na recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que rechaçou o pedido de revisão da Lei da Anistia, em ação de iniciativa da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ou seja, decidiu que acusados de torturar e matar opositores durante a ditadura não devem ser julgados. Supremo deboche! O relator do processo, ministro Eros Grau, chegou a argumentar usando o “caráter cordial” do brasileiro, famosa tese de Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil. Nosso grande historiador não merece tal companhia.

(Este juiz/ministro Eros Grau é o mesmo que foi relator quando nossa justiça - vai, de propósito, com “j” minúsculo - devolveu o “feudo” chamado Maranhão ao “senhor feudal” chamado José Sarney, um senador que é “dono” de um estado e se dá o luxo de representar um outro, o Amapá, um escândalo que parece não escandalizar nesta nossa república – vai, também, com “r” pequeno).

Ex-ditador da Bolívia está na prisão

Mas voltando ao ponto central deste arrazoado. No Peru, que tem um governo francamente de direita, a Justiça botou na cadeia o ex-presidente Alberto Fujimori, campeão da era do neoliberalismo (vivia de braços dados com nosso FHC nos tempos da privatização e entreguismo). Foi julgado responsável pela morte de dezenas de pessoas em dois massacres ocorridos no início dos anos 90 e condenado a 25 anos de prisão.

Na Bolívia, o último general ditador (1980/81), Luis García Meza, condenado a 30 anos de reclusão, está cumprindo pena em La Paz (mesmo com 81 anos e já doente, continua preso), junto com seu ministro do Interior (responsável pela área da segurança, isto é, da repressão), Luis Arce Gómez. (No Brasil, quem se atreveria a sequer imaginar a possibilidade de mandar um Garrastazu Médici para a cadeia?). No início deste mês, o governo anunciou a detenção do ex-militar Freddy Quiroga Reque, outro participante do sangrento golpe de 1980, que foi condenado também a 30 anos e estava foragido.

O último presidente boliviano do neoliberalismo, Gonzalo Sanchez de Lozada, está respondendo processo, mesmo estando exilado em Miami (EUA), acusado de massacre. Na revolta popular que resultou na sua fuga, em 2003, na chamada Guerra do Gás, foram mortas 67 pessoas e umas 400 feridas.

Até tu, Paraguai!?

Pois é, até o Paraguai está na nossa frente. Em 1999, 10 anos após a queda da ditadura de Stroessner, a Justiça paraguaia, numa decisão até então pioneira na América Latina, condenou a 25 anos de prisão três torturadores e dois dos mandantes no caso do professor Mario Raúl Schaerer Prono, de 23 anos. Em 1976, ele foi preso, torturado e assassinado. Se livraram da punição o ditador, que estava exilado no Brasil, onde morreu em 2006, e seu ministro do Interior, Sabino Montanaro, também fora do país, exilado em Honduras.

Atualmente, há um monumento em Assunção com o nome de Mario Raúl, em homenagem aos que tombaram na luta contra a ditadura. Está na praça vizinha ao Palácio do Governo, rebatizada de Praça dos Desaparecidos. Antes se chamava Praça General Alfredo Stroessner, onde estava a estátua do tirano, que foi feita em padaços, com os quais se construiu outro monumento, um “monumento terrível” (foi como o chamei em artigo que escrevi quando por lá estive, intitulado O ditador despedaçado, postado neste blog em 27/09/09).

Será que a tortura acabou?


E mais um sério agravante: fica parecendo que a tortura no Brasil foi somente na ditadura (ou nas ditaduras, para falar da história dos últimos 80 anos, porque na de Getúlio Vargas, do qual apenas é lembrado o lado bom - o nacionalismo, a defesa dos recursos naturais do país -, a tortura contra opositores, especialmente os comunistas, correu solta). Parece que acabou. Até a campanha/o livro Tortura Nunca Mais, apesar de se tratar de um trabalho importantíssimo, acaba reforçando, sem querer, esta falsa idéia. A tortura realmente acabou, mas somente para nós, classe média, universitários, próximos da elite. Para a MAIORIA, pobres/negros das periferias, a tortura continua nas nossas delegacias de polícia. Sempre existiu, também durante as chamadas democracias, e continua vigente.

Nossas polícias estaduais não só torturam como matam, diariamente, jovens negros e pobres. Os jornais noticiam: “morto ao resistir à prisão” ou “foi ferido na troca de tiros com a polícia e morreu ao ser conduzido ao hospital”. Trata-se de uma política pública de Estado (assim com “E” maiúsculo), não de direito, mas de fato.

Apesar dos avanços inquestionáveis na área social, a Era Lula ficará na história com uma mancha feia quando se falar da impunidade dos torturadores. Nisso estão de mãos dadas a maioria do governo (o ministro Paulo Vannuchi é minoria, junto com Tarso Genro, agora ex-ministro), a maioria do Legislativo, a maioria da Justiça e a totalidade da chamada grande imprensa.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Turistando em Tobago



De Porto Espanha (Trinidad e Tobago) – Amiga, passei um final de semana fazendo turismo na cidade de Scarborough, a principal de Tobago, a segunda ilha que compõe com Trinidad este país do Caribe. Na verdade, há várias outras ilhotas, uns montes de terra rochosa (a maioria desabitada, creio), pelas quais passamos de ferry-boat no trajeto de 30 quilômetros entre uma ilha e outra.



Tobago é sempre referida pelas pessoas e folhetos turísticos como tendo praias bonitas, maravilhosas, mas é difícil se usar tais adjetivos quando se conhece as praias do Nordeste brasileiro (meu companheiro de passeio, o colombiano Armando Viveros, também acha mais bonitas as de sua cidade Santa Marta, na costa norte caribenha do estado – departamento – de Magdalena).



Quanto às famosas águas claras, transparentes, tudo bem, minha amiga, uma beleza, mando inclusive uma foto tentanto retratá-las (se não for postada por minha editora, fica contigo como brinde à nossa idílica parceria). Estivemos na praia Mt. Irvine (eles usam assim, abreviatura de “mount”, “mountain”, monte, montanha), conhecida por ser preferida pelos surfistas no período de dezembro a março. Realmente, não parece grande coisa, a faixa de areia é muito estreita e não é alva como dizem. Além disso, tem muita pedra.



Mas curtimos bem, além da praia, a travessia de quase três horas no ferry T&T Express (bem maior, mais veloz e luxuoso do que os ferries de Salvador/Ilha de Itaparica); o giro pela cidade sob o sol e calor desta terra tropical; e, principalmente, a peregrinação pelos bares (parafraseando o amigo Franciel, poderia dizer: “Fui a Tobago e gostei. A cerveja de lá é tão boa quanto a daqui”).



Amiga, você gosta de Geografia? Eu prefiro História, mas vai aí. Trinidad tem 4.800 quilômetros quadrados, enquanto Tobago tem somente 330, mais ou menos o dobro da superfície da nossa Ilha de Itaparica, aí de cara com Salvador, na bela Baía de Todos os Santos. Trinidad fica pertinho da costa nordeste da Venezuela, apenas a 11 quilômetros. Detalhe importante: T&T está fora da rota dos furacões, que costumam açoitar a região do Caribe especialmente entre agosto e novembro.



EDUCAÇÃO NO TRÂNSITO - Para finalizar esta cartinha turística, vou te falar da melhor coisa que vi nesta cidade de Port of Spain nos dois meses por estas bandas: a gentileza dos motoristas com os pedestres. É realmente um espanto para quem vem de outra cultura como a brasileira (a sulamericana?). Não adianta você parar e esperar para atravessar uma rua, o motorista (lá no lado direito do carro, que estranho!) vai logo parando e, gesticulando, manda você passar. Inclusive nos trechos fora da faixa de pedestre (só vi coisa semelhante no Brasil naquelas pequenas cidades da Serra Gaúcha). Claro que não nas pistas consideradas de velocidade, onde, aliás, o limite é de apenas 50 quilômetros.



Por falar em trânsito, já disse antes que a capital trinidense (uma pequena cidade inserida numa região metropolitana de 600 mil pessoas) tem toda pinta de grande metrópole, incluindo aí os engarrafamentos, um horror!



Beijo, amiga, até mais, nos vemos, see you.



PS: UM POUQUINHO DE REFLEXÃO FILOSÓFICA:


Nada em tua vida tem a ver com o teu merecimento. A religião te enganou.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Esperança de “cambio” na Colômbia

De Porto Espanha (Trinidad e Tobago) - Depois da vitória eleitoral da direita no Chile e Panamá, da consolidação do golpe em Honduras e da derrota dos Kirchner na última eleição legislativa na Argentina, as forças progressistas e de esquerda da América Latina respiram esperançosas com a perspectiva de mudança na Colômbia, que elege no próximo dia 30 de maio seu novo presidente.

O atual, Álvaro Uribe (foto), que foi derrotado na pretensão de disputar a segunda reeleição, transformou o país no posto avançado do ainda poderoso império estadunidense na região (uma espécie de Israel no Oriente Médio), colocando a Colômbia na contramão da política de integração soberana predominante na América do Sul. Seu governo se manteve ostentando muita força, graças ao apoio financeiro, militar e midiático dos Estados Unidos, apesar do bombardeio sofrido com as constantes denúncias sobre o envolvimento com grupos de traficantes e paramilitares, bem como com a ação de espionagem contra os opositores.

Seu caráter “guerrerista” e terrorista tem sido fundamental para a sua manutenção, daí o boicote às iniciativas que poderiam conduzir a uma política de diálogo e paz com os grupos armados insurgentes, como é o caso das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Tal caráter é, no entanto, escondido pela mídia internacional, incluindo, claro, a brasileira, sempre subserviente às bulas imperiais.

Pesquisa prevê derrota de Uribe

Há uns seis meses atrás seria temeridade se prever a não reeleição de Uribe ou o insucesso de um candidato do seu Partido Social de Unidade Nacional (“Partido de la U”, a sua sigla oficial, o que leva os colombianos a conhecê-lo como “partido de Uribe”). Pois é o que parece estar pintando. Primeiro, a segunda reeleição foi derrubada na Justiça. Agora, a um mês do pleito, o seu candidato, Juan Manuel Santos (seu ex-ministro da Defesa e cuja família é dona de um poderoso monopólio de comunicação), aparece em segundo lugar em pesquisa realizada entre os dias 27 e 29 de abril pela empresa Datexco, com 26,7% das intenções de voto, segundo matéria do sítio da TV Telesur.

Quem surge em primeiro lugar, com 38,7%, é Antanas Mockus, do Partido Verde (foto), filósofo e matemático, ex-prefeito da capital do país Bogotá por duas vezes. No caso do provável segundo turno (eles chamam “segunda vuelta”), Mockus teria 41,5% e Santos 29%, de acordo com a mesma pesquisa.

Quase 10% dos pesquisados preferiram Noemín Sanín, do Partido Conservador. Aparecem mais três candidatos na faixa dos 2% e 3%, entre eles Gustavo Petro, do Polo Democrático, e Rafael Pardo, do Partido Liberal, partido que na pesquisa é apontado como o preferido dos eleitores (neste aspecto, o “Partido de la U” fica também em segundo lugar, enquanto o Partido Verde é o terceiro). Ao todo são nove candidatos, os outros três ficam no 0%.

A Datexco aponta ainda que 3,3% dos quase 30 milhões de eleitores votariam em branco, enquanto 10,6% não sabem ainda em quem votar. A consulta foi aplicada em 37 cidades e foram consultadas 2.225 pessoas. A margem de erro é 2,12%.

Colômbia tem 44 milhões de habitantes. Depois do Brasil, é o país mais populoso da América do Sul. Recentes estudos da sua realidade social indicam a existência de cerca de 19 milhões de miseráveis, dos quais 7 milhões afundados na chamada miséria absoluta. Conselho de Maquiavel em O Príncipe: é conveniente manter o povo pobre e dependente, pois assim é mais difícil ele se encorajar e desafiar o “príncipe”.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Canto do amor revisitado



De Porto Espanha (Trinidad e Tobago) – Amiga, eis o teu poema. Você diz que a autoria é de um teu amigo. Pode ser. Você me pede para bolar um título: está aí, espero que goste. E me pede para publicá-lo, observando ser a cara do meu blog. O dono do blog agradece lisonjeado, torcendo para que seja apreciado por seus leitores:


“Então, quando pensei que o tamanho da dor me sufocava,

que me debatia debalde e a esperança era um fio se extinguindo...

O resgate aportou longe e foi chegando,

de forma imprecisa, provocante, arisca.

Seria o corpo de mulher?

Seria o povo de novo na rua?

Seria a revolução?

Pode ser o delírio do amor inacabado.

Pode ser o amanhecer do amor revisitado.

Pode ser o estertor do amor abortado,

abrindo veredas depois avenidas para o novo.

Quão belo, embora tardio, o dia da alegria, na canção de Vandré!

A vida batendo, perseguida, clandestinamente, no verso de Gullar.

As veias sangradas da América Latina, no ensaio pungente de Galeano.

Tu vens, de novo, esticando as fibras do meu coração.

Tu vens, de novo, buscando esperança, a excomungada, a olvidada,

porém inesgotável, sonhada, matada e sempre renascida.

Tu vens, de novo, e eu te quero, guloso...

e seremos milhões, no grito profético e visceral de Tupac Katari”.