domingo, 30 de novembro de 2014

URUGUAI: BOCA DE URNA CONFIRMA VITÓRIA DE TABARÉ

Tabaré Vázquez (Foto: Página/12)
As pesquisas de boca de urna antecipam que o candidato da Frente Ampla ganharia com mais de 10 pontos percentuais frente ao postulante do Partido Nacional Luis Lacalle Pou. As eleições se encerraram às 18.30 (hora argentina) e os resultados oficiais serão conhecidos à meia-noite. A substituição de José Mujica por Tabaré Vázquez marcaria o início do terceiro mandato consecutivo da coalizão de esquerda, que chegou ao poder em 2005.

De 'Últimas Notícias" da edição digital do jornal argentino Página/12

Vázquez votó apenas se abrieron los comicios y, aunque ganó claramente la primera vuelta, prefirió mantener cautela: "No vamos a vender la piel del oso antes de cazar; vamos a esperar que pase el día", advirtió.

El candidato oficialista destacó que la integración regional "es muy importante" y aseguró que de ganar va a "ayudar y propiciar a que sea cada vez mejor". Además, el médico oncólogo de 74 años prometió que, de resultar ganador, el único anuncio que hará esta noche será "llamar a un gran encuentro nacional para discutir temas que le importan a todos los uruguayos para entre todos ir diseñando el Uruguay del futuro".

Por su parte, Lacalle Pou emitió su voto pasado el mediodía y aseguró que "el dialogo no es solo para que el político se saque una foto; el diálogo transforma la vida de la gente".

"La tarea de un gobernante es abrirle el mundo al uruguayo que trabaja", agregó Lacalle Pou tras votar en medio de las fuertes lluvias en el departamento Canelones y subrayó que llamó al excandidato presidencial del Partido Colorado, Pedro Bordaberry, para agradecerle el apoyo dado con vista al balotaje.

En tanto, el ministro de la Corte Electoral Gustavo Silveira indicó que "la lluvia viene incidiendo" en el desarrollo de la votación y "puede enlentecer el transcurso normal del comicio". "Tuvimos que hacer algunos cambios de circuitos electorales en algunos departamentos del interior por inundaciones que afectaron algunos de los lugares en los que había planificados circuitos", agregó Silveira.

De todos modos, el funcionario aseguró que se estaban "tomando previsiones para que no se demore el escrutinio y poder trabajar con la Policía y el Ejército para el traslado de urnas".

Según comunicó el Frente Amplio, la fórmula Vázquez-Sendic tiene pensado celebrar el resultado sobre la avenida 18 de Julio, que permanece cerrada al tránsito desde la madrugada, una vez que se conozcan los primeros resultados oficiales "antes de la medianoche", como estimó Silveira.

En la primera vuelta, el Frente Amplio consiguió 47,8 por ciento de los votos, con los que aseguró que en el próximo período parlamentario conservará la mayoría tanto en la Cámara de Diputados (50 de 99) como en la de Senadores (15 sobre 30, más el voto del vicepresidente).

URUGUAIOS DECIDEM HOJE A VOLTA DE TABARÉ



Tabaré Vázquez e a bandeira do Uruguai durante o encerramento da campanha da Frente Ampla em Montevidéu (Foto: AFP/Página/12)

O candidato da Frente Ampla é o grande favorito para chegar à presidência no segundo turno deste domingo: os principais institutos de pesquisa concordam que a chapa governista composta por Tabaré Vázquez e Raúl Sendic triunfará diante da oposição liderada pelo Partido Nacional (Luis Lacalle Pou e Jorge Larrañaga). A diferença prevista está em torno de 14 pontos percentuais em favor de Tabaré. Mais de 2,6 milhões de eleitores estão inscritos para votar.

Logo no início da noite devem ser divulgados os resultados das pesquisas de boca de urna. Os números oficiais são esperados para perto da meia-noite.

Link para matéria, em espanhol, do jornal argentino Página/12, edição impressa deste domingo, dia 30, assinada por Mercedes López San Miguel. Clique aqui

MANCHETÔMETRO SEGUE VIGIANDO A MÍDIA


Arquivo
(Foto: Carta Maior)

Produzido pelo Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (Lemep), da UERJ, o site Manchetômetro foi uma das melhores sacadas das eleições deste ano.

Por Altamiro Borges, do Blog do Miro - artigo reproduzido do portal Carta Maior, de 27/11/2014
 
Produzido pelo Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (Lemep), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o site Manchetômetro foi uma das melhores sacadas das eleições presidenciais deste ano. A academia, infelizmente tão distante da sociedade, deu uma importante contribuição para o avanço da democracia.

Através de gráficos e análises, o site acompanhou as manchetes dos três principais jornais do país (Folha, Estadão e O Globo) e, ainda, do Jornal Nacional da TV Globo. Sem adjetivos, ele conseguiu comprovar a postura partidarizada da mídia privada, que priorizou as notícias negativas contra a presidente Dilma Rousseff e fez campanha escancarada para os candidatos da direita. Concluído o pleito, o Lemep informa agora que manterá o site!

Nesta nova fase, o “Manchetômetro” seguirá analisando as manchetes dos mesmos veículos, mas mudará as suas variáveis. “Além da análise quantitativa das notícias pró e contra, o foco será na cobertura dos escândalos, no enquadramento que a mídia usa para falar sobre eles e na maneira como aborda os partidos políticos”, revela o site Muda Mais.

Segundo o professor João Feres Júnior, coordenador do projeto, o “Manchetômetro” cumpriu seu papel e tornou-se uma necessidade no estudo sobre os meios de comunicação. “Tenho noção de que não dobramos o braço da mídia, tanto é que ela tentou dar um golpe no final. Mas incomodamos, colocamos uma pulga atrás da orelha deles”, afirma. Daí a decisão de manter o site no período pós-eleitoral, que também será tenso.

Além das mudanças nos focos das análises, o site também sofrerá alterações tecnológicas, ampliando a área de ação do projeto. “Estamos com dois projetos pilotos para sites noticiosos (Uol, G1 e R7), utilizando robôs. Então essa contagem não seria feita por humanos, mas pela máquina, que identifica padrões nas notícias contrárias ou favoráveis”, afirma João Feres.

Assim, com um nível de 90% de coincidência entre a ação da máquina e a humana, o número de matérias analisadas será ainda maior. O objetivo da iniciativa é aumentar a fiscalização sobre os monopólios midiáticos. “Precisamos do controle de fora, não podemos esperar que eles se regulem. A rede social é pulverizada e eles têm um poder oligopolizado. A gente precisava institucionalizar um pouco essa regulação”.

VIOLÊNCIA POLICIAL NOS EUA: ONTEM OHIO, HOJE MISSOURI

Shawn Semmler
(Foto: Carta Maior)

O incidente de Ferguson teve um papel catalisador para o crescimento das manifestações e tornou-se símbolo da violência contra negros nos Estados Unidos

Por Tomaz Paoliello(*) - do portal Carta Maior, de 29/11/2014

Em junho de 1970 foi lançada nos Estados Unidos a faixa Ohio, de Crosby, Stills, Nash & Young. O grupo entrou em estúdio para gravar a música de Neil Young escrita menos de um mês antes. A pressa era justificada, a canção havia sido concebida como reação ao horror do assassinato de quatro jovens estudantes da Universidade de Kent pelas forças da Guarda Nacional de Ohio, no dia 4 de maio. As cenas de soldados armados com baionetas marchando contra estudantes desarmados, e as imagens dos corpos mortos estendidos no campus se tornaram inspiração para o compositor e símbolos dos movimentos contra a Guerra do Vietnã. 

Ao longo dos últimos meses, uma série de protestos se espalharam pelos Estados Unidos após o assassinato de um jovem negro, Michael Brown, por Darren Wilson, um policial branco. O assassinato é parte de um fenômeno maior de crescente repressão policial violenta voltada a pobres e minorias. De acordo com estatísticas recentes, na cidade de Nova York, onde a população de negros e hispânicos é de aproximadamente 50%, os casos de mortes por violência policial são de aproximadamente 90% para os mesmos grupos. O incidente de Ferguson teve um papel catalisador para o crescimento das manifestações e tornou-se símbolo da continuada violência contra negros no país. O julgamento que inocentou o policial, mais cedo essa semana, reacendeu a onda de protestos que se iniciaram em agosto. As imagens que tomaram os noticiários em todo o mundo são assustadoras: ainda com a lembrança do corpo de Brown estendido na rua, vemos manifestantes defrontados com soldados armados para combate em zonas de guerra. Young nunca pareceu tão atual.

A letra da música do grupo Crosby, Stills, Nash & Young convoca não apenas universitários para as manifestações contra a Guerra no Vietnã. Os músicos acreditavam que seu sucesso poderia ajudar a amplificar a voz dos estudantes  que pediam o final da guerra, movimento que crescia com os que se juntaram para gritar também por liberdade de manifestação e fim da repressão policial armada. De fato, a repercussão do massacre de Kent levou a uma greve de estudantes por todo o país, e enormes protestos tomaram as ruas de grandes cidades como Nova York e Washington. A canção foi banida das grandes rádios norte-americanas por sua menção explícita ao presidente Richard Nixon, mas ganhou grande repercussão nas pequenas rádios universitárias. O chamado a lutar por todos e não apenas por si mesmo foi ouvido, e isso precisa ser feito novamente.

A dupla face da Guarda Nacional

A Guarda Nacional é um corpo particular dentro do aparelho repressivo americano. Organizadas em cada um dos 50 estados, elas servem dupla função – são utilizadas como forças de reserva do exército americano, sob o Departamento de Defesa, e são utilizadas como contingente adicional e emergencial para funções de segurança pública. Apesar das polícias norte-americanas serem, em grande medida, responsabilidade das municipalidades e condados, em eventos de maior magnitude a Guarda Nacional é chamada para apoio às forças locais.

As Guardas são formadas principalmente por voluntários, geralmente trabalhadores em outros empregos, e que servem apenas durante alguns períodos do ano. Apesar de serem utilizadas como forças de segurança pública, o treinamento e organização das guardas é majoritariamente militar. Seus uniformes, equipamento, táticas e procedimento são militarizados. Notícias recentes dão conta de que os homens da Guarda Nacional foram e são treinados pelos militares ou por empresas militares de segurança privada, e atuam nas guerras ao lado das forças regulares.

Durante a guerra do Vietnã a repressão proveniente das Guardas Nacionais aparecia com uma face adicional de controvérsia – no período, alistar-se na Guarda foi uma maneira de driblar o alistamento em unidades que se envolveriam em missões de combate. A maioria dos membros da Guarda Nacional nem sairia do território americano, e os que de fato foram enviados ao Vietnã ou ao Camboja raramente estiveram no front. As chamadas “unidades champanhe” foram formadas por filhos das famílias ricas e pessoas com conexões no governo.  A Guarda que havia se tornado símbolo da desigualdade de classe na sociedade americana tornou-se também a linha de frente da repressão aos movimentos sociais anti-guerra nos Estados Unidos.

Se a Guarda Nacional teve papel menor no palco da Guerra do Vietnã, tornou-se uma das principais fornecedoras de homens nos conflitos recentes no Afeganistão e no Iraque. Com o fim da conscrição, em 1973, uma das vitórias dos manifestantes anti-Vietnã, os Estados Unidos passaram a depender exclusivamente de voluntários e contratados privados. Dessa forma, a Guarda Nacional se tornou um dos maiores contingentes de soldados dos EUA na Guerra ao Terror, compondo quase metade do total de forças combatentes no Iraque e no Afeganistão. Esses homens, treinados para operações de contraterrorismo e contra-insurgência, são os mesmos que operam como “defensores da ordem” em protestos nos Estados Unidos. A ambiguidade de sua natureza se revela como um fenômeno mais generalizado de adoção de procedimentos militares para as forças de segurança pública. O massacre de Kent nos mostra que o fenômeno não é novo, mas a repressão às manifestações em Ferguson chama atenção ao importante crescimento desse tipo de solução para a segurança pública.

Circunstâncias diferentes, remédios iguais

O renovado vigor das manifestações em Ferguson, Missouri, como consequência do julgamento do policial responsável pela morte de Michael Brown, levou o atual governador do estado de Missouri, Jay Nixon, a convocar a Guarda Nacional para auxiliar o controle dos protestos. Essa velha conhecida dos movimentos sociais norte-americanos veio juntar-se a um contingente policial já amplamente militarizado, treinado por de empresas militares de segurança privada, e com equipamento excedente comprado das forças armadas. Em agosto, uma série de reportagens demonstrou espanto com transformação pela qual havia passado a polícia, cada vez mais parecida com tropas militares. Com a convocação da Guarda Nacional, a repressão policial militarizada se amplia em escala e em contingente.

Numa sinistra coincidência histórica, um novo Nixon repete textualmente a denúncia de Neil Young. As imagens que chegam de Ferguson são dos “soldados de chumbo de Nixon” marchando contra manifestantes desarmados. As baionetas das imagens dos protestos em Kent deram lugar a moderno equipamento de combate, incluindo rifles e carros blindados, que lembram mais os cenários dos conflitos no Afeganistão e no Iraque. Ademais, o amplo processo de crescimento da repressão social por forças de segurança pública se dá dentro de um perigoso processo de despolitização, no qual pesam a eficiência e a capacidade de controle, e pouco importam direitos e liberdades. As palavras do governador sobre a necessidade de proteger “as pessoas e a propriedade” são de um cinismo avassalador ao constatarmos que as pessoas que devem ser protegidas evidentemente não são os manifestantes. É importante lembrar que  das quatro mortes em Kent pelas mãos da Guarda Nacional, duas foram de jovens que não faziam parte dos protestos.

A emoção do choro de David Crosby ao final da gravação de Ohio parece não ter se diluído com o tempo. Seu grito de “quantos mais?” parece ainda ecoar em cada episódio de violência policial. Os processos de militarização das polícias e da gestão urbana nos lembrarão por muito tempo dos tristes versos de Neil Young. Seja nos Estados Unidos, seja no Brasil, a luta é para que as vítimas, principalmente negros e pobres, não se tornem invisíveis. Nas palavras do próprio Young “como é que você pode fugir sabendo disso”?


*Professor de Relações Internacionais da PUC-SP

sábado, 29 de novembro de 2014

MÉXICO: CONSIGNA PELOS ESTUDANTES DESAPARECIDOS VIRA UM RITO CULTURAL



Movimentos sociais se manifestam em frente da Procuradoria Geral na Cidade do México (Foto: EFE/Página/12)
Manifestações públicas de artistas e escritores e até jogadores de futebol e programas de humor: o desaparecimento dos 43 estudantes sacudiu todos os segmentos da vida cultural mexicana. O presidente Peña Nieto e sua família sofrem a reprovação social no seu dia-a-dia e ficam expostos em toda sua frivolidade exibicionista.

Por Gerardo Albarrán de Alba, da Cidade do México – no jornal argentino Página/12, edição impressa de hoje, dia 29

Apenas Enrique Peña Nieto terminou de dar uma mensagem pela televisão para resumir o encontro de cinco horas que acabava de manter com os pais dos 43 estudantes normalistas de Ayotzinapa desaparecidos, em Los Pinos, a residência oficial se converteu num privilegiado salão para uma festa de máscaras. Era o 29 de outubro, vésperas do Halloween, e – mais importante – o aniversário de Sofía Castro, a enteada do presidente do México, que se vestiu de fada para celebrar por antecipação sua chegada à maioridade. Três dias depois se vestiu como La Catrina, o personagem criado pelo célebre gravador José Guadalupe Posada (1852-1913), precursor do movimento nacionalista nas artes plásticas mexicanas que foi impulsionado por José Clemente Orozco e Diego Rivera.

Esse é o ambiente em que a família Peña Nieto-Rivera se sente à vontade: a festança e a frivolidade exibidas na imprensa e na TV (la farándula y la frivolidad de las revistas del corazón). As exibições favoritas são as entrevistas na Televisa (o principal monopólio de televisão, equivalente à Rede Globo no Brasil), à qual devem tudo: ele, a construção de sua candidatura presidencial; ela, sua carreira e até sua casa.

O problema é quando mudam o disco. Para Peña Nieto, Ayotzinapa se converteu numa crise social e política sem precedentes. Sua esposa, a atriz Angélica Rivera, se afunda num escândalo pela mansão de 7 milhões de dólares que ocupa, construída em dois prédios, um que foi “presenteado” pela Televisa e outro que é propriedade da empreiteira de obras públicas favorita do governo de seu marido, o presidente.

Continua em espanhol:

Y si ellos no han sabido darle un adecuado manejo de crisis, la adolescente Sofía Castro tiene menos recursos para defenderse sola, fuera del manto protector del Estado Mayor Presidencial, el cuerpo militar de elite responsable de la seguridad del presidente y su familia, ahora que empieza a incursionar en el mundo de las telenovelas. Ella es hija de la actriz Angélica Rivera (hoy casada con Peña Nieto) y el productor José Alberto Castro, lo que la hace sobrina de la actriz Verónica Castro y prima hermana del cantante Cristian Castro.

A la hijastra del presidente la increparon la semana pasada cuando llegó a hospedarse en un hotel de Las Vegas, Nevada: “¡No sigan robando el dinero de México!”, le gritaron mientras caminaba entre máquinas tragamonedas. Ella los ignoró, hasta que una mujer le soltó: “¡Vete a vivir allá!”. Entonces estalló. “¡Vivo allá! ¡Qué te importa! Vengo de vacaciones, ¡qué te importa!”, respondió iracunda, mientras al menos cuatro guardaespaldas la rodeaban. “¡Rateros!” “¡Que digan algo de Ayotzinapa!” “¡Matan a los estudiantes en México!” “¡Estamos cansados!”, le siguieron gritando.

Días después, en la entrega de los Grammy latinos, Sofía Castro fue perseguida por el conductor del programa El gordo y la flaca, especializado en chismes de la farándula. Cuando logró arrinconarla para cuestionarle que eludía el tema de los 43 estudiantes desaparecidos de Ayotzinapa, cada vez que le preguntaban, ya no hubo ni respuesta. Una mujer que la va escoltando todo el tiempo la tomó casi en vilo y la sacó de ahí.

A la familia presidencial no parece sentarle bien la realidad. Frases del tipo “Vivos los queremos” y “Todos somos Ayotzinapa”, o cientos o miles de voces contando desde uno hasta cuarenta y tres, rematado por el grito de “¡Justicia!”, se han vuelto la constante en innumerables eventos masivos cuyo público está al margen de la férula del control de Televisa, la gran aliada de Peña Nieto. Pero también está en la fila que hace la gente para comprar tortillas, en las cantinas, en los parques de barrios tradicionalmente populares y conservadores, en funciones de teatro y hasta en partidos de fútbol, como los del fin de semana último, en los que la protesta que desde hace un par de meses se expresa en las gradas (incluso en los partidos de la selección nacional) finalmente bajó a la cancha: varios jugadores formaron el número 43 con los dedos de sus manos durante la celebración de sus goles, aunque el gesto fue invisibilizado por Televisa.

Lo que los medios electrónicos y la prensa alineada con el oficialismo priista no pueden controlar son las redes sociales y el resto del mundo que se da por enterado de lo que ocurre en México y comparte la indignación de la sociedad civil mexicana, como lo hicieron en Twitter el delantero mexicano del Real Madrid, Javier “Chicharito” Hernández, y el club de fútbol Liverpool, 18 veces campeón de Inglaterra y cinco veces campeón de Europa.

Actores como Damián Alcázar y Daniel Giménez Cacho incluso leyeron en el escenario el comunicado de la primera Acción Global por Ayotzinapa, el 8 de octubre. Decenas de artistas plásticos se unieron para crear ilustraciones de los 43 normalistas desaparecidos y los subieron al tumblr #IlustradoresConAyotzinapa. Las imágenes han servido desde entonces para todas la marchas.

“¡Regrésenlos!”, clamó la escritora Elena Poniatowska durante un mitin de Morena, el nuevo partido político de izquierda que encabeza Andrés Manuel López Obrador. Y es que, particularmente los escritores, han vertido ríos de tinta en artículos y columnas en periódicos y revistas de todo el mundo para denunciar la desaparición de los 43 estudiantes normalistas de Ayotzinapa. En la segunda Feria Internacional del Libro de Acapulco, en la que Argentina fue el país invitado, varios autores cancelaron su participación en señal de protesta, como el poeta Javier Sicilia, cuyo hijo fue asesinado por el crimen organizado el 28 de marzo de 2011. Otros escritores han aprovechado foros en los que participan para desgranar la realidad, como Juan Villoro, para quien “México está al borde de un estallido social” ante la exclusión y criminalización de los jóvenes, dijo en la presentación de uno de sus libros en la Tercera Feria Internacional del Libro en la Universidad Autónoma de Chiapas, apenas cuatro días después de los sucesos del 26 de septiembre en Ayotzinapa.

Entre los artistas, los hay quienes están mejor dispuestos a sumarse a la protesta generalizada de la sociedad civil mexicana, como Café Tacvba, que incluso ha desplegado mantas en algunos conciertos. A mediados de este mes, el vocalista Rubén Albarrán dedicó unos minutos a la memoria de los 43 estudiantes normalistas desaparecidos, durante los tres conciertos que dio en un abarrotado Auditorio Nacional que lució plagado de mantas de solidaridad con Ayotzinapa. Un par de días antes, León Larregui, vocalista del grupo Zoé, dio un discurso sobre la desaparición y muerte de los jóvenes. “México está de luto, México está sangrando”, dijo en medio de un concierto en el Foro Sol. “¿En qué país quieres vivir tú?, ¿en el que el simple hecho de exigir tu derecho a una vida digna y justa signifique que te van a desaparecer y a matar? ¡Qué chingada madre es eso!”

Tradução (parcial): Jadson Oliveira

A PIADA BOLIVARIANA DA DOUTRINAÇÃO DE CRIANÇAS BRASILEIRAS PELA VENEZUELA

Os pequenos bolivarianos se preparam para invadir o Brasil
Os pequenos bolivarianos se preparam para invadir o Brasil (Foto: DCM)
A energia que o Ministério Público despendeu para ir atrás de um mico dá uma medida do grau de calamidade intelectual causado pelo fantasma do “bolivarianismo".

Por Kiko Nogueira, no blog DCM - Diário do Centro do Mundo, de 28/11/2014

A paranoia anticomunista no Brasil acabou de perpetrar mais uma piada. A vítima e os suspeitos são os de sempre, mas o humor involuntário sobreviveu intacto.

O Ministério Público Federal de Goiás abriu um inquérito para investigar o recrutamento de crianças pelo governo venezuelano para, basicamente, sofrer lavagem cerebral bolivariana.

Segundo a Folha, o procurador Ailton Benedito de Souza pediu para “apurar ações ou omissões ilícitas da União, relativamente às condutas praticadas pelo governo venezuelano, ao levar, desde 2011, crianças e adolescentes brasileiros à Venezuela, com o fim de transmitir conhecimentos relativos à ‘revolução bolivariana’”.

O site do Ministério das Comunas e Movimentos Sociais da Venezuela cita, de fato, o Brasil. Na verdade, é o nome de um bairro no estado de Sucre, a 400 quilômetros de Caracas.

O procurador afirma que se baseou em notícias veiculadas pela imprensa brasileira. “Temos que saber em que condições, quem levou e quem autorizou a ida dessas pessoas até a Venezuela”, disse ao G1.

Ou seja, o MP de Goiás, que não tem nada a ver com o pato, baseou-se não num documento original, mas num boato da imprensa, que depois reverberou a medida.

Ailton Benedito é um iniciado no assunto. Em sua conta no Twitter, repercute coisas como “Ditadura bolivariana na Venezuela acusa líder da oposição de plano para matar Maduro”; editoriais do Estadão; parte da obra de Merval Pereira; tudo sobre a Lava Jato.

A energia que o MP despendeu para ir atrás de um mico dá uma medida do grau de calamidade intelectual causado pelo fantasma do “bolivarianismo. O país vive, para certas camadas, em plena Guerra Fria. Não interessa esclarecer o que é “bolivariano” ou algo que o valha. Interessa confundir.

E isso é apenas o começo. Nos próximos quatro anos, o bolivarianismo ainda vai dar muita alegria às crianças, jovens e adultos do Brasil.

O SOCIALISMO ESTÁ EM CRISE? E O CAPITALISMO?

Arquivo
(Foto: Carta Maior)

Se a construção prática do socialismo enfrentou problemas, o que dizer dos resultados apresentados pelo capitalismo? Como anda a África, por exemplo?

Por Wadih Damous (*), no portal Carta Maior, de 28/11/2014

A queda do Muro de Berlim e a extinção do bloco socialista na Europa do Leste fizeram a alegria dos defensores do capitalismo. Houve até quem, como Francis Fukuyama, decretasse o fim da história: a partir dali, afirmava ele, não haveria mais solavancos. As coisas aconteceriam sem mudanças radicais na sociedade.

Fukuyama não foi o primeiro a vaticinar o caráter perene de uma determinada situação de hegemonia. O Império Romano já falava nisso. Vindo mais para perto no tempo, poderia ser lembrado também o “Reich dos Mil Anos”, apregoado pelos próceres do nazismo, e que, em vez de mil, mal durou 15 anos...

De qualquer forma – é preciso reconhecer – as experiências socialistas enfrentaram percalços para transformar em realidade os sonhos de milhões de lutadores sociais que as defenderam ao longo dos últimos cento e poucos anos.

Essas dificuldades têm que ser objeto de estudo. A compreensão de suas razões será importante para a construção do futuro.

Questões relacionadas com a democracia e o desenvolvimento da produtividade do trabalho, e das forças produtivas em geral, estão a clamar por respostas. Ao não serem resolvidas, empurraram aquelas sociedades para uma excessiva estatização e uma burocratização que criou camadas privilegiadas e parasitárias – o que lhes foi fatal.

Mas, seria o caso de, por isso, se abdicar do socialismo, de se jogar fora a criança juntamente com a água da banheira?

Penso que não.

Essas dificuldades têm que ser vistas como desafios a serem vencidos para os que não têm o sistema capitalista como solução para os problemas da humanidade.

Por isso, é preciso travar o debate ideológico. E, se a construção prática do socialismo enfrentou problemas, o que dizer dos resultados apresentados pelo capitalismo? Como anda a África, onde, em pleno século 21, milhões de seres humanos são desnutridos e morrem de fome? O que o capitalismo trouxe para essas pessoas.

Mas, deixemos de lado a África - continente que, ainda hoje, enfrenta as consequências da escravidão, que retirou durante mais de três séculos sua força de trabalho mais qualificada. Vejamos o que o capitalismo oferece aos cidadãos na maior potência econômica da história.

Como anda a assistência de saúde nos Estados Unidos? Por incrível que pareça, lá não existe sequer um sistema universal de saúde, algo correspondente ao nosso SUS (mesmo com os problemas que o SUS possa ter). Quem não tem plano de saúde privado está arriscado a morrer diante de um hospital sem ser atendido. Isso é civilização?

Aos incrédulos, eu recomendaria que assistissem ao filme “Sicko”, realizado em 2007 pelo cineasta americano Michael Moore, que mostra o quão excludente é o sistema de saúde nos Estados Unidos.

E nem só de fracassos viveram as experiências socialistas até agora existentes.

Vejamos Cuba, por exemplo: é um país pequeno, sem grandes recursos naturais e que apresenta alguns indicadores sociais de fazer inveja. Seu índice de mortalidade infantil – critério usado pelas Nações Unidas para medir a qualidade de vida, pois, quando se esta se deteriora as crianças são a parcela da população mais vulnerável – é o melhor da América Latina, sendo superior até mesmo ao dos Estados Unidos.

Por outro lado, seu sistema educacional - que abrange todas as crianças do país, sem exceção - tem recebido os maiores prêmios internacionais da Unesco, à frente de todos os demais países da América Latina.

Cuba é um país pobre. Deve ser comparada não às nações do Norte da Europa, mas às da América Central, como Guatemala, Honduras ou República Dominicana. Quem vive melhor? A população desses países, que são capitalistas, ou o povo cubano, apesar de todos os problemas que tem diante de si?

Assim, a discussão sobre os problemas do socialismo tem que ser enfrentada sem subterfúgios. Mas considerar que, devido às dificuldades (algumas delas oriundas do bloqueio e da sabotagem de países capitalistas, diga-se), a solução estaria no capitalismo é um enorme engano.

Que, nestes tempos de confusão ideológica e amesquinhamento de objetivos, as correntes progressistas não percam essa verdade de vista.


(*) Advogado

RAUL PONT: AÇÃO DA RBS, UM DOS MOTIVOS DA DERROTA DE TARSO GENRO NO SUL

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Tarso investiu na internet, mas não foi o suficiente (Foto: Viomundo)


por Raul Pont*, na Teoria & Debate (reprodução parcial)

Reproduzido aqui no Evidentemente do blog Viomundo - o que você não vê na mídia, de 28/11/2014

Penso que a razão maior da derrota está na conjuntura regional e nacional, no clima de incertezas e ansiedades criado pela criminalização da política e na demonização do PT como responsável por governos, atacado diuturnamente pelos grandes meios de comunicação.  

O estudo da Uerj sobre capas e manchetes negativas, ao longo de meses, comprovou isso de forma insofismável. Se pesquisa semelhante a essa feita com O Globo, O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo for estendida ao grupo RBS, o resultado será muito pior, na criminalização do PT e, por consequência, no desgaste do governo através dos jornais, das rádios e TVs. Centenas de matérias, ao longo do mandato, com manchetes do tipo “Estradas esburacadas”, “Caos na saúde”, “Crise na educação”, “Governo não paga o piso”, “Transporte não funciona”, “Mensalão e corrupção do PT” repercutiam contra o governo.

As manifestações massivas de junho de 2013, inicialmente vistas pela mídia como expressões de “baderneiros”, “vândalos”, rapidamente foram saudadas como legítimas representantes da cidadania e de ações reivindicativas.

Esse clima que se arrasta há quase uma década com a Ação Penal 470 foi exacerbado com as denúncias da Petrobras. Exploradas por Aécio, foram avalizadas por Marina e por Eduardo Campos, dando respaldo às denúncias e acusações contra Lula, Dilma e principalmente, o PT. Esse clima exasperou a tese da “mudança”, sem considerar que esta pode ser para um recuo ao passado ou para pior. A racionalidade, o debate livre de preconceitos, a história e os compromissos dos concorrentes eram secundários. O que importava era a “mudança”.

O uso na eleição da TV e do rádio para mostrar o governo, suas obras e serviços, publicizar o que fora sonegado ou manipulado pela mídia ao longo do mandato, não teve importância para a população.

O enfrentamento à candidatura Ana Amélia (PP-PSDB) era incontornável. Favorita desde o início da campanha até as vésperas do primeiro turno, a candidata precisava ser desnudada de sua aparência de apresentadora de TV por seus compromissos partidários e de classe que, efetivamente, sempre representou. Não resistiu ao mínimo confronto programático e de história de vida, mas sua derrocada foi traduzida como resultado dos “ataques impiedosos e arrogantes” de Tarso e do PT.

Transformou-se em vítima e fortaleceu o senso comum na montanha-russa das pesquisas eleitorais. Em uma semana, a candidatura Sartori, que já desativava equipes de TV e rádio, saltou do terceiro lugar para chegar à frente no primeiro turno. No segundo turno, Sartori (PMDB) fez 61% dos votos e Tarso (PT) 39%.

Esse fenômeno é de difícil explicação na lógica natural da relação de forças, da qualidade das campanhas, do brilho e competência pessoal dos candidatos. Não há uma racionalidade que decifre esse sentimento que mistura senso comum, ansiedade por mudança e ódio e intolerância no debate político. Este foi substituído pela não política. O atributo e a virtude passam a ser não ter opinião, não assumir compromissos, não apresentar alternativas aos principais desafios que o estado exige. Um candidato sem partido (“meu partido é o Rio Grande”), sem programa ou opinião (“um gringo que faz”) e com um elogio ao simplório, ao senso comum (“Sartorão da massa”).

Mesmo com candidaturas acima de suspeitas, de qualquer indício desabonador em sua trajetória, Tarso Genro e Olívio Dutra, como candidato ao Senado, foram derrotados, primeiro, por esse sentimento difuso, preconceituoso, do antipetismo, da mudança sem rumo, do elogio ao senso comum e, principalmente, da identificação do PT e do governo nas denúncias da Petrobras.

Outros fatores também influíram na derrota da Unidade Popular no Rio Grande do Sul. São de natureza distinta e, em conjunto ou individualmente, não mudariam, do nosso ponto de vista, o resultado final. Mas são importantes como experiências e lições para qualquer força política, e temos de aprender com isso.

Nos três primeiros anos, o governo sofreu uma crítica duríssima do maior sindicato do Estado – o Centro dos Professores do Rio Grande do Sul (Cpers) – em relação ao piso nacional do magistério. Uma visão marcada pelo esquerdismo economicista que simplificava todo o debate num índice impraticável aprovado pelo Congresso e desconhecia que nenhum professor recebia menos que o piso e os reajustes dados pelo governo garantiam, no mandato, um ganho real superior a 50% com a manutenção do plano de carreira. A crítica foi dura e partidarizada, influindo em outras categorias e na opinião pública, por meio de caríssimas campanhas de outdoors que eram aproveitadas pela direita. O sectarismo era tão acentuado que a diretoria do Cpers foi derrotada na categoria, em 2014.

O Sindicado dos Médicos, de base estadual, desempenha um papel reacionário e corporativo com campanhas de rádio, jornal e TV em defesa de uma saúde abstrata contraposta às políticas governamentais sempre ditas insuficientes. Seu corporativismo fundamentalista é contra novas faculdades de medicina e colocou-se até contra o Programa Mais Médicos. Pregando um falso moralismo e uma categoria com grande influência nos setores médios, acaba tendo audiência pública.

A saída dos aliados, PSB e PDT, do governo também enfraqueceu o projeto. O primeiro sob a alegação da candidatura presidencial de Eduardo Campos, que, posteriormente com Marina, acabou no colo de Aécio. Uma trajetória galopante para a direita e para reforçar o antipetismo. O PDT afastou-se em razão da candidatura própria no estado, do deputado federal Vieira da Cunha. O prejuízo foi grande, pois levou o PDT, apesar do equívoco da candidatura que se revelou um fracasso, a não assumir com firmeza a candidatura Dilma, além da condição de opositor no estado, do governo de que havia participado.

No governo, tivemos problemas e equívocos consideráveis. O Conselhão, por suas características, não criava relações de protagonismo no governo que nos permitissem ampliar o número de pessoas que, se identificando com as políticas, fossem apoiadoras do projeto. Isso retirou esforços na direção dos conselhos estaduais ou de algo como o orçamento participativo, que são mecanismos muito mais seguros para o protagonismo e a identificação com as políticas aprovadas.

A falta de foco, de um plano previamente determinado, facilitou a dispersão de recursos sem uma hierarquia a ser buscada. A poderosa Secretaria de Infraestrutura não conseguia operar obras e serviços, debatia-se num leque enorme de ações e, periodicamente, perdia tempo, esforços e recursos financeiros em projetos inviáveis.

A manutenção do sistema eleitoral com voto nominal, financiamento por empresas e coligações proporcionais foi outro fator de prejuízo. Dificultou alianças mais programáticas, pulverizou as campanhas individualizadas e estas se automatizaram sem compromisso programático e material com as campanhas majoritárias. A maioria dos panfletos, santinhos, fôlderes, cartazes etc. dos candidatos dos partidos aliados não divulgavam a chapa majoritária para governador e senador.

Por fim, a campanha teve um atraso injustificável e falta de material. É conhecida a fragilidade estrutural dos partidos, inclusive o nosso. Numa campanha dominada pelo poder econômico, a fragilidade do PT é enorme. Refiro-me não apenas aos recursos arrecadados para os candidatos, mas aos recursos disponíveis e potenciais em cada município (sedes, veículos, implantação social, disponibilidades de militantes etc.). Nesse aspecto, a estrutura partidária é muito débil e, nos momentos eleitorais, a burguesia e seus partidos contam com os clubes, as igrejas, a propriedade do comércio, das empresas, dos serviços, das rádios e jornais, transformando-os em uma força considerável.

A soma dessas questões alteraria o resultado se evitadas ou corrigidas? Penso que não. Existem situações conjunturais dificilmente reversíveis, mas, ao menos, precisamos e devemos ter consciência e aprender em cada circunstância dessas, para nos prepararmos para as próximas.

*Raul Pont é deputado estadual (PT-RS)

PS do Viomundo: E o PT encomendou uma pesquisa para desvendar o motivo da rejeição ao partido! Só rindo…

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

ELEIÇÕES NO URUGUAI: CLIMA DE FESTA NO ENCERRAMENTO DA CAMPANHA DA FRENTE AMPLA

Sendic e Vázquez saúdam a militância da Frente Ampla, no encerramento da campanha para a votação em segundo turno no domingo (Foto: EFE/Página/12)
TABARÉ VÁZQUEZ, CANDIDATO GOVERNISTA, é AMPLO FAVORITO PARA GANHAR NO SEGUNDO TURNO DE DOMINGO
Com "murga" de fundo e abundante mate, no parque da capital cheio de simpatizantes, secundado por seu companheiro de chapa, Raúl Sendic, filho do histórico líder guerrilheiro (do mesmo nome), Vázquez falou do progresso que teve o país na última década.
 Por Mercedes López San Miguel (do jornal argentino Página/12, edição impressa de hoje, dia 28)
De Montevidéu
Al anochecer había un clima de fiesta en el Parque Batlle, colmado de simpatizantes del Frente Amplio (FA) que esperaban desde temprano las últimas palabras del candidato Tabaré Vázquez, amplio favorito para ganar el ballottage del próximo domingo. Secundado por su compañero de fórmula, Raúl Sendic, hijo del histórico dirigente de la guerrilla Tupamaros, Vázquez habló del progreso que tuvo el país en la última década. “Desarrollamos un país de inversiones, de trabajo, de política de inclusión social, para luchar contra la pobreza y derrotarla, para disminuir la mortalidad infantil. No lo entienden (los opositores) y se preguntan por qué el Frente Amplio va a lograr un tercer gobierno”, dijo entre aplausos y fuegos artificiales. Su rival, Luis Lacalle Pou, del Partido Nacional (Blanco) y el candidato a vice, Jorge Larrañaga, cerraron la campaña en la ciudad de San Carlos, vecina de Punta del Este en el departamento de Maldonado.
Al acto de final de la coalición de centroizquierda gobernante acudieron veteranos frenteamplistas, mamás con cochecitos, tribus de adolescentes que votan por primera vez, parejas de personas del mismo sexo, travestis, abuelos. Murga de fondo y abundante mate. Con una bandera tricolor rojo, azul y blanco como estandarte, Juan Vianchi, 63 años, contó por qué espera que el Frente Amplio conquiste un tercer gobierno. “Desde que nació el Frente en 1971, lo voto. Los blancos y los colorados son de ultraderecha. Todavía hay pobreza y un próximo gobierno de la izquierda tiene que sacar a todos los pobres de la calle.”
Desde que la alianza que agrupa una docena de partidos, entre ellos a socialistas, comunistas, socialdemócratas, independientes y ex tupamaros, llegó al poder en 2005 de la mano del oncólogo Vázquez, la economía uruguaya creció a ritmo sostenido, acompañada de una baja del desempleo y reducción de la pobreza. Según datos del Instituto Nacional de Estadísticas, la pobreza pasó del 40 por ciento en 2004 a 10 por ciento en la actualidad y la tasa de desocupación, que llegó a rozar un inédito 20 por ciento hace diez años, hoy se ubica en torno del seis por ciento. Según el politólogo e historiador Gerardo Caetano, de la Universidad de La República, es significativo que la coalición gobernante haya obtenido por tercera vez la mayoría legislativa, algo que no ocurría desde hace un siglo. “El gobierno ha sido razonablemente exitoso durante diez años. Hay una evolución innegable de los indicadores económicos y sociales. Y también ha sabido administrar la bonanza económica por el auge del precio de los commodities”.
La última encuesta, de la consultora Equipos, indica que el FA obtendría el domingo un 54,5 por ciento de los votos y la fórmula del Partido Nacional, un 40 por ciento de los sufragios. Otros sondeos proyectan ganador a Vázquez con el 52 por ciento de los votos contra 37 de Lacalle Pou.
Vázquez heredó un Uruguay en crisis como consecuencia de las políticas neoliberales aplicadas en los noventa. Caetano afirma que el mérito del hoy candidato fue saber reconstruir el país y que su sucesor, José Mujica, instaló una agenda de nuevos derechos: matrimonio igualitario, despenalización del aborto, ley de regulación de la marihuana. Casi dos de cada tres uruguayos respaldan la gestión de Mujica, según el sondeo de la consultora Equipos publicado ayer. Un 65 por ciento de los uruguayos aprueba el desempeño del mandatario que deja su cargo el 1º de marzo próximo, mientras que un 18 por ciento tiene opiniones intermedias y un 17 por ciento lo desaprueba.
En el Parque Batlle, donde circulaban simpatizantes con caretas de Tabaré, muchos destacaron la figura del ex intendente de Montevideo y primero en llegar a la presidencia por el Frente. Mary Cabrera, de 47 años, empleada doméstica, dijo que Vázquez tiene las mejores propuestas. “Con su gobierno las empleadas domésticas ganamos todos los derechos. Antes lucraban con nosotras. Me gusta hasta la idea de que los jubilados tengan una tablet”.
A su lado, un señor que no paraba de aplaudir dijo que es militante frenteamplista desde que tenía 18 años –ahora tiene 62–. “La situación económica viene mejorando desde el primer gobierno. Vamos en el rumbo correcto. A Lacalle Pou no lo conozco, pero el país no necesita ir hacia atrás”, dijo José Bos, que tiene un taller de bicicletas.
El candidato opositor, hijo del ex presidente Luis Alberto Lacalle, recordado por sus políticas neoliberales, se esforzó por mantenerse fiel a su estrategia “por la positiva”, desideologizada, pese a que fue poco rendidora a la luz de los resultados de la primera vuelta electoral (el FA logró un 47,8 por ciento de los votos, el Partido Nacional 30,9 y el Partido Colorado 12,9 por ciento de los sufragios). Lacalle Pou dijo que no era simplemente una postura de no confrontar, sino “una actitud de vida” que no cambiaría. “Si quieren sacar la positiva me tienen que sacar a mí del medio”, dijo el político de 41 años, quien apoyó bajar la edad de imputabilidad de los menores en un referéndum que fracasó. Si hasta la primera vuelta la maquinaria del marketing estuvo encendida las 24 horas, en este tramo de la campaña perdió fuerza. Basta pasar por las sedes del partido y comprobar la ausencia de militantes.
Los desafíos para el gobierno que surja el domingo escriben un libreto más exigente. El politólogo Caetano enumera, a su entender, los retos principales: “Diversificar la matriz productiva, transformar la educación y mejorar la cohesión social, dado que Uruguay tiene el menor índice delictivo de la región, pero una mayoría de la población se siente insegura”.
De todos modos, más allá de lo que queda por hacer, ayer en Parque Batlle sobraron motivos para festejar.