quarta-feira, 5 de novembro de 2014

MÉXICO: CAPTURADOS O PREFEITO E SUA MULHER NO CASO DOS 43 ESTUDANTES DESAPARECIDOS



Abarca e sua mulher passaram a terça-feira prestando depoimento perante a Subprocuradoria (Foto: AFP/Página/12)
José Luis Abarca (ex-prefeito de Iguala) e María de los Angeles Pineda Villa, foragidos há 38 dias, são acusados de ser os autores intelectuais do desaparecimento forçado dos normalistas do estado de Guerrero.

Por Gerardo Albarrán de Alba, da Cidade do México, no jornal argentino Página/12, edição de hoje, dia 5

A Polícia Federal capturou na madrugada da terça-feira (dia 4) o ex-prefeito de Iguala, José Luis Abarca, e sua mulher, María de los Angeles Pineda Villa, foragidos há 38 dias, acusados de ser os autores intelectuais do desaparecimento forçado de 43 estudantes da Escola Normal Rural de Ayotzinapa, Guerrero, no dia 26 de setembro último.

Abarca e sua mulher foram localizados e detidos às 2:30 horas da manhã da terça-feira numa casa alugada, mobiliada, num bairro da delegação de Iztapalapa, uma zona populosa do oriente do Distrito Federal, mediante uma diligência que, apesar de espetacular, não disparou um só tiro. Ambos passaram o dia de ontem prestando depoimento na Subprocuradoria Especializada em Investigação de Delinquência Organizada (Seido), da Procuradoria Geral da República (PGR).

Enquanto isso, uma comissão especial da Câmara dos Deputados concluiu ontem que os estudantes normalistas de Ayotzinapa sofreram desaparecimento forçado, tortura, tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes e execuções extra-judiciais.

Abarca solicitou licença para se afastar de seu cargo como presidente municipal (prefeito) de Iguala em 30 de setembro, mas a pressão política sobre o Congresso do estado o obrigou a realizar um julgamento de revogação em 17 de outubro, quer dizer, três semanas depois do desaparecimento forçado dos 43 estudantes normalistas, e do assassinato de mais três e de outras três pessoas alheias à diligência supostamente ordenada pelo próprio prefeito e sua mulher.
www.miguelrep.com.ar / www.miguelrep.blogspot.com (do Página/12 - clicar na imagem para ver maior)
Parte do escândalo político por este caso é que tanto o governo do estado de Guerrero como o exército e a PGR sabiam dos indícios sobre ligações de Abarca com o crime organizado, segundo declarou à imprensa o agora ex-governador Angel Aguirre Rivero. De fato, Abarca foi investigado por delinquência organizada entre 2010 e 2012, durante a administração do panista (do PAN – Partido da Ação Nacional) Felipe Calderón. Várias averiguações prévias “foram encerradas porque em nenhum dos casos se encontrou nada”, disse na semana passada o secretário de Governo, Miguel Angel Osorio Chong. A administração do priista (do PRI – Partido Revolucionário Institucional) Enrique Peña Nieto começou a investigar Abarca em agosto último por enriquecimento ilícito, disse o responsável pela segurança nacional.

Continua em espanhol (com traduções pontuais):

Tal nivel de impunidad resulta inverosímil, dados los públicos nexos de la familia de María de los Angeles Pineda Villa, la esposa de Abarca, empezando por su padre (por seu pai), Salomón Pineda Bermúdez. En mayo 2009 la PGR ofrecía recompensa de 15 millones de dólares por Mario y Alberto Pineda Villa, dos (dois) de los hermanos de la esposa de Abarca; entre los tres controlaban la zona de Guerrero y Morelos para el cartel de los hermanos Beltrán Leyva. Mario y Alberto fueron ejecutados a finales de ese año en Cuernavaca, Morelos, por supuestas rupturas con los Beltrán Leyva. Unos meses antes, en junio de 2009, fue detenido en Morelos otro de los hermanos de María de los Angeles Pineda Villa, como presunto jefe de plaza de los Guerreros Unidos en Morelos y Guerrero, pero fue liberado en 2013.

Versiones periodísticas (jornalísticas) señalan que el ahora ex alcalde (ex-prefeito) de Iguala, José Luis Abarca, formaría parte (faria parte) de una red de presidentes municipales y policías locales que permite el tráfico de drogas, entre otros delitos controlados por el crimen organizado en esa región.

Eso habría permitido el ataque de la policía municipal de Iguala contra los tres camiones en que viajaban los estudiantes normalistas, reforzados por la vecina policía municipal de Cocula, el pasado 26 de septiembre. Ese día, el gobierno del estado no intervino pretextando que el alcalde Abarca “no contestaba (não respondia) el teléfono”. Semanas más tarde, el ahora gobernador con licencia de Guerrero, Angel Eladio Aguirre Rivero, le dijo a la comisión especial legislativa que las escuelas normales del estado, como la de Ayotzinapa, están “infiltradas de grupos delictivos”.

En un informe preliminar de la comisión creada en la Cámara de Diputados se dijo preocupada ante los reiterados intentos de funcionarios públicos por “criminalizar a las víctimas como una manera de justificar los hechos (os fatos) que sufrieron y sufren sus familiares, causando un agravio más a sus derechos”.

El informe de 41 páginas documenta que autoridades militares y la policía estatal fueron alertadas o (ou) conocieron del tiroteo y la agresión, pero no intervinieron. Hasta ahora, en la búsqueda de los 43 estudiantes normalistas desaparecidos, las autoridades han descubierto nueve (9) fosas clandestinas en las que se han localizado los restos de otras 38 personas.

Tradução (parcial): Jadson Oliveira

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