sexta-feira, 31 de maio de 2013

A DIREITA VENEZUELANA MANTÉM OFENSIVA, MAS PERDE SUA PRINCIPAL TRINCHEIRA TELEVISIVA





Capriles, respaldado pelo império estadunidense, mantém a postura golpista depois da derrota apertada para Maduro (Fotos: Internet)
De Salvador (Bahia) - José Vicente Rangel é um jornalista muito bem conceituado na Venezuela. Apesar de chavista declarado - já foi inclusive ministro da Defesa e vice-presidente de Chávez -, tem livre trânsito na mídia privada, a maioria dela anti-chavista. Além do programa na TV privada (Televen) referido na matéria postada logo abaixo, tem uma página semanal no Últimas Notícias, o jornal privado de maior circulação do país, que busca um certo equilíbrio no seu noticiário, porém é mais contra do que a favor do chavismo. (O diário faz parte do Grupo Capriles, o mais poderoso no ramo da comunicação. Como o nome está indicando, o líder da oposição Henrique Capriles Radonski, governador do estado de Miranda e perdedor nas duas últimas eleições presidenciais, faz parte da família dos proprietários).


Arrisco uma opinião pessoal: o Rangel me parece muito otimista ao dizer que acredita na possibilidade de diálogo. Ao contrário, desde o anúncio da derrota apertada de Capriles na eleição de 14 de abril - diferença de uns 270 mil voto, menos de 2 pontos percentuais -, a ultra-direita passou a dar as cartas na oposição, não reconheceu Nicolás Maduro como presidente e partiu pra cima. Atos de violência, convocados por Capriles, deixaram 11 mortos (contando com feridos que vieram a morrer; segundo a imprensa governista, todas as vítimas eram chegadas à militância chavista), dezenas de feridos e muitos estragos materiais.
Cabello, o segundo homem (depois de Maduro) mais forte do chavismo
Lideranças chavistas e representantes do Ministério Público garantiram que os ataques violentos seriam apurados e os responsáveis punidos. Até agora, nada. Creio que o governo de Maduro teme o agravamento de sua imagem, diante de uma possível punição que atingisse líderes políticos da direita - claramente comprometidos com os protestos violentos, tachados pelo governo como fascistas. Especialmente porque os monopólios da mídia hegemônica, em todo o mundo (inclusive no Brasil), orquestrados pelo poderoso império, fazem escancaradamente o jogo da oposição venezuelana. Possíveis condenações de lideranças direitistas seriam noticiadas em todo o mundo como manifestação da intolerância governamental.


E Capriles, a meu ver, continua na ofensiva, não dando qualquer demonstração de que vá se enquadrar nos moldes de uma oposição democrática e institucional. Nesta quarta-feira, dia 29, por exemplo, conseguiu ser recebido pelo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, o que o fortalece politicamente. O governo venezuelano já acusou o golpe e protestou, lembrando a possibilidade de “descarrilamento” nas boas relações dos dois países. Boas relações conseguidas, a duras penas, por Chávez, depois da saída do ultra-direitista Álvaro Uribe e a assunção de Santos à presidência.


Mas a oposição acaba de sofrer um pesado golpe na área da comunicação, área que se tornou protagonista nas grandes batalhas da política moderna. Perdeu a sua mais radical cidadela televisiva: a TV Globovisión, que era chamada pelos chavistas de Globoterror, representante maior do que eles denominam terrorismo midiático.


Mesmo antes da eleição de 14 de abril, o acionista majoritário da Globovisión já tinha anunciado a venda da emissora. Parecia cansado de perder eleições depois de 14 anos de derrotas. O anúncio foi consumado. Recentemente a nova direção da TV esteve no Palácio Miraflores com o presidente Maduro. Resultado: anunciou há poucos dias que vai buscar fazer noticiários equilibrados e os pronunciamentos do Capriles deixaram de ser transmitidos ao vivo: serão - explicaram, como, aliás, seria o normal - noticiados nos seus tele-jornais, tratamento a ser dado a pronunciamentos de outros líderes políticos, inclusive chavistas (ou "oficialistas", como dizem por lá). E começou a afastar de seus programas noticiosos - leia-se opinativos, radicalmente anti-chavistas - apresentadores carimbados da oposição.
Mario Silva, o "guerrilheiro midiático", com seu comandante Chávez, no popular La Hojilla
Enquanto isso, entre os governistas houve também forte turbulência na mesma área. O popularíssimo apresentador da Venezuelana de Televisão (VTV - a mais importante emissora estatal), Mario Silva - dono do célebre La Hojilla (A Navalha), que atacava impiedosamente a direita, especialmente seus porta-vozes na imprensa -, foi tirado do ar depois que a oposição divulgou um vídeo onde ele, supostamente, denuncia atos de corrupção no seio governista, envolvendo o presidente da Assembleia (Congresso) Nacional, Diosdado Cabello, o segundo homem (depois de Maduro) mais forte do chavismo. 


(Cabello era tenente do Exército, companheiro do então tenente-coronel Hugo Chávez quando do levante militar - ou tentativa de golpe - de 1992, episódio que catapultou Chávez para o topo da política nacional. Cabello já ocupou várias posições de relevo nesses 14 anos de chavismo, inclusive a de vice-presidente, sendo atribuída a ele forte liderança entre os militares).


Mario Silva contestou a autenticidade da gravação e se colocou à disposição do Ministério Público para as investigações. Publicamente foi respaldado por declarações tanto de Maduro como do próprio Cabello, que se apressaram a desqualificar o deputado ultra-direitista Ismael García, que apresentou a gravação. Mas, pelo sim e pelo não, o combativo La Hojilla, no ar desde 2004, com seu famoso grito de guerra "Prepare-se", e o Mario Silva, já chamado de “guerrilheiro midiático” da Revolução Bolivariana, foram defenestrados da TV estatal.

JORNALISTA ACREDITA NA POSSIBILIDADE DE DIÁLOGO ENTRE OS VENEZUELANOS (vídeo)


José Vicente Rangel em seu programa de domingo pela Televen (Foto: Correo del Orinoco)


Por Agência Venezuelana de Notícias (AVN) - reproduzido de Aporrea.org, de 26/05/2013

O jornalista venezuelano, José Vicente Rangel, manifestou no último domingo que na Venezuela a polarização não pode ter mais força que a vontade de paz, e afirmou que "existe a possibilidade de diálogo entre os venezuelanos".

"Continuo acreditando, e nada nem ninguém poderá mudar minha opinião, na possibilidade de diálogo entre os venezuelanos. A polarização não pode ser mais forte que o poder e a vontade de paz, que a gente encontra na maioria do povo", disse no seu programa José Vicente Hoje, transmitido pela Televen (emissora de TV privada).

Indicou que após as eleições presidenciais de 14 de abril, nas quais resultou ganhador o candidato da Pátria, Nicolás Maduro (aí é a linguagem da AVN, estatal, leia-se "o candidato chavista"), "ficou em evidência que existem dois blocos de opinião, que se refletiram nos resultados das urnas. Mas a realidade social, política e eleitoral da Venezuela atual, e da qual a oposição deve estar consciente, é que o chavismo e o governo de Maduro representam a institucionalidade, e ademais contam com um poderoso apoio".

Destacou também que o chavismo deve estar "consciente de que a oposição representa um ponto de vista, e não pode ser atropelado".

Rangel assinalou que ambos setores devem conversar em profundidade, e avaliar em que pontos estão de acordo.

"É necessário se falar, conversar e definir em que aspectos da vida nacional se está de acordo e em quais não, para se tratar estes últimos duma maneira civilizada".

Considerou um acerto a aproximação entre o presidente da República, Nicolás Maduro, e o proprietário das Empresas Polar, Lorenzo Mendoza.

"Foi um acerto a reunião que se deu encima de claras divergências e posições encontradas entre Nicolás e sua equipe de governo com Lorenzo Mendoza, num clima atravessado pela negação, não é fácil este tipo de encontro, no entanto, se fez, e os resultados foram alentadores", analisou.

"Além deste aspecto, e do desenrolar do processo que acaba de se iniciar e as disposições expressas pelas partes para avançar em acordos que beneficiam a produção nacional, ficam demonstradas as vantagens do diálogo".

Tradução: Jadson Oliveira



DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA NA AMÉRICA LATINA EM DEBATE

Ana Fonseca (Unila), Leonardo Severo (CUT) e Pedro Carrano (Brasil de Fato) durante o lançamento do livro Latifúndio Midiota (Foto: Julio Cargnano)

A comunicação no centro da disputa da hegemonia e ferramenta de dominação cultural e ideológica de uma classe sobre a outra. A partir dessa perspectiva “gramsciana” foram norteados os debates construídos no Seminário Comunicação, Emancipação e Integração na América Latina, realizado nos dias 22 e 23 de maio, na cidade de Foz do Iguaçu

Por Julio Carignano, no portal Opera Mundi, de 24/05/2013

Promovido pela Universidade Federal de Integração Latino Americana (Unila) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (SindiJor-PR), Subseção de Foz do Iguaçu, o evento reuniu estudantes, professores, sindicalistas, jornalistas e militantes da comunicação e ligados a movimentos sociais.
 

As discussões partiram das experiências de democratização dos meios de comunicações realizadas em países da América Sul. O jornalista Leonardo Wexell Severo, assessor de comunicação da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e membro fundador do site Barão de Itararé, apresentou suas impressões de coberturas jornalísticas realizadas nas eleições presidenciais na Venezuela e Equador e nas manifestações do 7D na Argentina. “A comunicação hoje é uma guerra, onde a mídia burguesa e neoliberal reproduz seu padrão de comportamento alienante”, disse.
 

Mariano Gallego, professor da Universidade de Palermo e pesquisador da Universidade de Buenos Aires, apresentou um panorama da Lei de Meios argentina, com seus avanços e falhas. Integrante da Rede Nacional de Investigadores em Comunicação, Gallego detalhou os 21 pontos básicos do direito à comunicação que embasaram a nova lei de serviços áudio visuais argentina.

Para ler mais:

VENEZUELA: JOVENS BUSCAM CONSTRUIR UMA PÁTRIA SOCIALISTA



Nosso Comandante Chávez em sua proposta de Programa da Pátria assinalava: “Não nos enganemos: a formação sócio-econômica que ainda prevalece na Venezuela é de caráter capitalista e rentista”.

Por  Prensa Patria Socialista – reproduzido de Aporrea.org, de 17/05/2013

Caracas - El próximo 01 de junio del año en curso cientos de Jóvenes de todo el país nos encontraremos en Caracas, para dar paso al 1º Encuentro Nacional de la Juventud por una Patria Socialista. Este evento surge de la iniciativa de jóvenes de todo el país, dispuestos a trabajar día a día por la construcción de una Patria Socialista. Nos unifica el compromiso de no perder nunca la capacidad irreverente, crítica, luchadora, creativa y, por sobre todo, propositiva que cualquier revolucionario debe tener. Se trata de sumar esfuerzos para estar a la altura de los desafíos propios de la Revolución, garantizando que el legado de Chávez no sea letra muerta sino una de nuestras guías para mantener una movilización permanente junto al pueblo bolivariano, contribuyendo a que nuestros sueños y esperanzas de justicia y libertad se conviertan, más temprano que tarde, en una realidad.

Nuestro Comandante en su propuesta de Programa de la Patria señalaba: “No nos llamemos a engaño: la formación socioeconómica que todavía prevalece en Venezuela es de carácter capitalista y rentista”, evidenciando las dificultades a las que se enfrenta el proceso bolivariano y al mismo tiempo haciendo énfasis en la necesidad de reconocer nuestra realidad para poder transformarla. Ahora asume el volante de la Revolución Nicolás Maduro y es su misión dar ese Golpe de Timón planteado por Chávez en su último Consejo de Ministros y siempre junto al pueblo. Es por ello que debemos propulsar el fortalecimiento del Poder Popular como organización del pueblo, también es necesario garantizar la lucha antiburocrática y jugárnosla con el pueblo bolivariano sin burguesía, sin dejar de tomar en cuenta que estos son sólo algunos de los elementos que hoy deben ser banderas de lucha para la Juventud. Joven venezolano, tú eres Chávez, así nos dijo el gran Líder y debemos asumirlo construyendo el ¡TODOS SOMOS CHAVEZ, TODOS DECIDIMOS! abriendo así la más amplia democracia revolucionaria para un rumbo consecuente al socialismo.

El pasado 14 de abril con los resultados de las últimas elecciones, muchos son los debates abiertos, pero muchas más son las conclusiones. La necesidad de reconstruir y fortalecer los espacios de debate, la reivindicación de la crítica, la lucha anticapitalista que a su vez es la lucha antiburocrática, y el reconocimiento de los liderazgos naturales del proceso, son ejes fundamentales que serán a partir de hoy banderas de la Plataforma Política Patria Socialista, y sobre todo de nosotros los jóvenes.

Basados en lo anterior, hemos tomado la decisión de realizar esta actividad. Más allá de encontrarnos y compartir -elementos esenciales en el desarrollo de una mística revolucionaria-, se trata de asumir nuestra responsabilidad de cara al Pueblo Bolivariano. No podemos quedarnos en casa, por el contrario, debemos retomar la calle saliendo a buscar a los nuestros y convenciendo a quienes tomaron la decisión de no votar por Maduro, de que la única oportunidad de generar cambios es dentro de la Revolución. Aspiramos a garantizar un espacio de debate donde la diversidad de pensamiento sea respetada, la crítica sea aplaudida y la construcción de propuestas para fortalecer la transición al socialismo sea nuestra meta.

Por ello este 01 de Junio nos encontraremos para demostrar que nadie frenará el deseo de construir nuestros sueños, no habrá manera de evitar que los jóvenes sumemos nuestros esfuerzos para construir la Patria Socialista.

EQUIPO PROMOTOR NACIONAL DE LA PLATAFORMA POLITICA PATRIA SOCIALISTA.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

VENEZUELA CONFIRMA INSTALAÇÃO DO BANCO DO SUL NO INÍCIO DE JUNHO

Maduro: ata de fundação foi definida desde dezembro de 2007
Do portal Opera Mundi, postagem de 29/05/2013

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou na terça-feira (28/05) que o Banco do Sul, que representa a Unasul (União de Nações Sul-Americanas), será instalado na segunda-feira (03/06), em Caracas, capital venezuelana, onde funcionará a sede da instituição.

A entidade deverá ter um fundo de cerca de US$ 20 milhões, oriundo de repasses dos 12 países que fazem parte do bloco. A Unasul é formada pelos seguintes países: Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Venezuela, Chile, Guiana e  Suriname. Participam como observadores o Panamá e o México.

O objetivo de criar o banco é promover o desenvolvimento e o crescimento econômico, assim como o estímulo às obras de infraestrutura. A sede será em Caracas, mas haverá escritórios em Buenos Aires, na Argentina, e La Paz, na Bolívia.
 

Idealizado pelo então presidente da Venezuela Hugo Chávez, que morreu em março, o Banco do Sul pretende ser uma alternativa ao FMI (Fundo Monetário Internacional) e ao Banco Mundial. As contribuições para o fundo deverão ser por igual, para que nenhum integrante tenha maioria.
 

Maduro ressaltou que o Bando do Sul surgiu como uma proposta que corresponde aos esforços da Unasul para uma “nova economia”. Ele confirmou a instalação do conselho diretor durante a Conferência da Unasul sobre Recursos Naturais para o Desenvolvimento Integral da Região, em Caracas.
 

O ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, disse que a criação do banco é uma ferramenta importante da unidade e da consolidação de ação conjunta. A ata sobre a fundação da instituição foi definida em 9 de dezembro de 2007, na Argentina. Representantes da Bolívia, Equador, Uruguai,  Venezuela, Brasil e do Paraguai assinaram o documento.
 

O texto foi adaptado durante o Convênio Constitutivo do Banco do Sul em 26 de setembro de 2009, na Ilha Margarita, na Cúpula da América do Sul e África.

A AGROECOLOGIA COMO ALTERNATIVA NO MEIO RURAL



Por Eduardo Sá, no blog Fazendo Media: a média que a mídia faz, de 09/05/2013


O final da década de 80 foi marcado pela ascensão do modelo neoliberal, que no meio rural se traduziu na chamada “revolução verde”. No Brasil isso representou, com a ausência do Estado, a entrada de grandes empresas de insumos agroindustriais, transgênicos e outros elementos propagados pela “modernização do campo”. A reforma agrária, no entanto, avançou muito pouco.

A migração dos camponeses para a cidade seguiu crescendo nos anos 90. O cenário, em termos de direitos sociais e preservação ambiental, não era dos melhores. Não à toa que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), nos últimos 25 anos, se tornou o maior movimento social da América Latina, efeito do modelo de desenvolvimento excludente e predatório. Reflexo da desigualdade no país.

Apesar dessa hegemonia do agronegócio, com forte apoio do governo aos latifundiários e empresas, sustentada ideologicamente pelos meios de comunicação, um modelo alternativo construído pelos agricultores e movimentos, em parceria com a academia, vem crescendo gradativamente nas últimas décadas. Experiências locais, baseadas na agroecologia, têm feito contraponto a esse arranjo dominante. É um método que, através da técnica, faz o embate político. É uma luta econômica e política com base na cultura local. Uma concepção ampla sobre a natureza, em busca da harmonia. Mistura de conhecimento tradicional, herdado secularmente pelos camponeses, com os acadêmicos que acreditam em outra forma de produção no campo. É uma disputa de sociedade.

Segundo alguns integrantes do núcleo executivo da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), uma rede de movimentos sociais, camponeses e acadêmicos e outros setores da sociedade, criada em 2002, que está na vanguarda da luta política nessa área, é possível sintetizar a agroecologia na seguinte fórmula: “Agroecologia como campo do conhecimento interdisciplinar, fundado na aplicação da Ecologia ao estudo dos agroecossistemas, visando à otimização de relações sinérgicas entre capacidade produtiva, uso e conservação da biodiversidade e dos demais recursos naturais, equilíbrio ecológico, eficiência econômica e equidade social”. A segurança alimentar e nutricional da população está associada a essa perspectiva, que é de transformação do modelo de desenvolvimento.


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