sábado, 28 de abril de 2012

LIBERDADE DE IMPRENSA


Do Blog do Paulo Costa Lima, postagem de 26/04/2012 (Reproduzido a partir do portal Terra Magazine)

Se eu tivesse um canal de notícias ia planejar a cobertura política como se fosse algo derivado da telenovela, com trama, enredo e desfecho garantido.

Primeiro gastaria mundos e fundos pra convencer o assinante de que aquilo era jornalismo sério, com repórteres-atores em Londres, Paris e Nova Iorque, agilidade de pauta, helicópteros e todo o profissionalismo possível.

Daria importância capital à qualidade da imagem. Ambientes de luxo fingindo despojamento, gente muito bem vestida. Daria preferência ao modo de vestir e de falar carioca, nada de deselegância discreta, só uma vez ou outra na cobertura da Bolsa.

Âncora com sotaque nordestino ou assemelhado nem pensar. Fala sério! Vai parecer Greenville, vão dar as notícias com uma interpretação toda equivocada. Nem mesmo gaúchos devem assumir essa responsabilidade diante do povo brasileiro.

E é claro que não me arriscaria com pardos, mestiços, sararás, japas, jurunas ou cabo-verdes… Se são maioria no país, paciência, na televisão não é assim. Talvez uma comentarista lá pelo meio da tarde, só pra não responder processo.

O povo brasileiro foi acostumado com esse padrão, desde que o mundo da televisão é mundo. Estranhariam ver seus semelhantes em posição de destaque nacional, e seria péssimo para o nível de audiência.

Faria tudo isso pelo bem da comunicação brasileira, excluindo quase toda a diversidade, mas garantindo gente fina e cativante dando notícias a toda hora com sotaque da zona sul, e comoção especial a cada tragédia da vida…

E depois, pouco a pouco, iria enxertando em cada fala, em cada escolha de pauta e de comentarista o discurso político de minha preferência, fazendo tudo parecer absolutamente natural, a mais pura técnica de neutralidade jornalística.

É só tomar cuidado para não dar espaço real para pensamentos divergentes, não deixar que vozes que se opõem a mim tenham a oportunidade de cativar o meu assinante. Vão mamar em outro lugar!

Mas tudo isso com muito cuidado, porque ninguém pode ficar convencido de estar ouvindo e vendo uma missa encomendada. O assinante deve achar que é livre. E deve ficar fascinado pela nossa performance.

Então eu mandava entrevistar líderes da oposição, pessoas do governo que detesto, editando cada frase e cada suspiro, deixando que eles falassem apenas o trivial, e realçaria qualquer deslize, qualquer coisa que pudesse parecer comprometedora.

Na verdade é muito fácil fazer isso tudo depois de algumas décadas de experiência — embora a internet esteja sendo um grande desserviço. A gente vai criando bordões, e depois de um tempo os bordões já apresentam audiência fiel, gente que acredita neles de corpo e alma.

Exigiria fidelidade de todos que trabalham na ‘equipe’. Mesmo os comentadores, que em princípio estão ali para expressar opiniões livres, devem andar em rédea curta. Ou faz o jogo ou pula fora.

Algumas coisas eu combinaria diretamente com meus aliados políticos, e a maior parte da mensagem seria dada por eles próprios, eu só garantiria o espaço. Projetaria a imagem deles e faria quase tudo para protegê-los da plebe rude.

Depois que os bordões já estiverem aceitos, a gente vai salpicando durante todo o dia. Nas entrevistas vai conduzindo as perguntas para a mensagem do bordão, e vai fingindo que não ouve o que não interessa, e bola pra frente.

Mais importante que tudo: não deixar o assinante suspeitar que existem leis regulando o que fazemos no ar, e que elas poderiam acabar com minha brincadeira.

Pois então, quando aqueles jovens radicais ou intelectuais sem rumo vierem dizer que isso é simplesmente fascismo, e que é preciso rediscutir a legislação sobre a mídia no país, nem se incomode:

Bote o seu pessoal pra fazer discursos sobre o princípio sagrado da liberdade de imprensa…

Boa noite.

Paulo Costa Lima é compositor e escritor. Pesquisador CNPq. Academia de Letras (cadeira 8 – Cipriano Barata) e Academia de Ciências da Bahia. Professor de Composição e Análise. Mestre (Univ. Illinois) Doutor (UFBA e USP).

(Quem quiser se deliciar com esclarecedores diálogos gravados pela Polícia Federal do caso Cachoeira/Demóstenes/Veja, é só acessar o blog Vi o Mundo: o que você não vê na mídia - http://www.viomundo.com.br/ . Vi o Mundo publicou a partir do site Brasil 247.





quinta-feira, 26 de abril de 2012

ACM NETO, O GRAMPINHO


Do blog DoLaDoDeLá, de Marco Aurélio Mello, ex-editor da Rede Globo em São Paulo, postagem de 25/04/2012

Lembrei-me do episódio que narro abaixo depois de ver a notícia de que o deputado vai se candidatar à prefeitura de Salvador. E, segundo o presidente do DEM, senador Agripino Maia, ACM Neto é o fato novo do partido, com potencial para se projetar nacionalmente e reerguer a combalida legenda. Pois bem, vamos aos fatos.

Minha chefe me convoca para ir a Brasília. Pergunto se sou obrigado e ela responde que sim, que todos os editores do Jornal Nacional em São Paulo (um por semana, quatro ao todo, sendo três mulheres e eu). Quero saber se preciso ser o primeiro da fila. Ela responde que não, que conversará com as outras editoras e decidirá quem vai primeiro. Peço para, se possível, ficar por último. Estamos em setembro de 2005.

A primeira colega foi, passou uma semana e voltou, desamparada. A segunda também seguiu para lá e voltou desmilinguida. A terceira editora entrou em licença médica. Assim, sobrou para mim. Comprei uma caixa de Passiflora (calmante natural de Maracujá) e segui viagem. Era para ser uma semana, mas fiquei duas. Entrava ao meio-dia e saia depois que o Jornal da Globo terminava, não raro depois da uma.

Minha tarefa era reforçar a edição do Jornal Nacional e do Jornal da Globo, mas como chegava antes do Jornal Hoje ainda ajudava a coordenar entradas ao vivo, isso quando não editava alguma matéria bruta para eles também. Resumindo: trabalho semi-escravo, desumano.

A capital federal ardia com duas CPIs simultâneas: a dos Correios (Mensalão) e a dos Bingos, apelidada de "Fim do Mundo", de tão ampla. Investigou os assassinatos dos prefeitos petistas de Campinas, Toninho do PT, e de Santo André, Celso Daniel; a “máfia do lixo” em Ribeirão Preto; o escândalo da Loterj; a renovação do contrato entre a multinacional GTech e a Caixa Econômica Federal para loterias; os dólares de Cuba para a campanha de Lula; a máfia do apito no Brasileirão, e por aí foi...

A "Fim do Mundo" teve papel importante na derrocada do então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, acusado de envolvimento com a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo. O caseiro afirmou ter visto Palocci na “casa do lobby”, mansão do Lago Sul onde, segundo denúncias, a República de Ribeirão dava expediente e festinhas para firmar negócios com empresários interessados em parcerias com o Governo Federal.

Nas reuniões preparatórias dos telejornais notei a existência de duas colegas, uma de São Paulo e outra de Brasília, que não botavam a mão na massa. Ou melhor, botavam sim, mas no cocô. Eram as duas porta-vozes do então todo-poderoso diretor de jornalismo Ali Kamel no Congresso.

O papel delas era articular a cobertura de cima para baixo. Elas definiam no gabinete dos deputados quais seriam as manchetes do dia seguinte de todos, digo, todos os jornais impressos e telejornais do país. E como funcionava isso? Enquanto corríamos feito loucos para assistir e noticiar os fatos daquele dia, elas se encarregavam dos vazamentos.

Tudo o que era conversado a portas fechadas, requerimentos sigilosos, acordos de bastidores, convocação de depoentes, as duas tinham acesso primeiro e municiavam os colegas com os desdobramentos daquilo que a Globo julgava mais conveniente à cobertura.

O pivô desta relação promíscua, para não dizer expúria, era o então deputado ACM Neto, apelidado carinhosamente de "grampinho" (talvez inspirado pelo estilo do avô). Foi uma destas colegas que delicadamente o aconselhou a parar de mascar chicletes nas sessões da CPI, para que não passasse uma imagem de adolescente. Afinal, o Brasil inteiro estava ligado, ou na TV Câmara, ou na TV Senado, quando não na Globonews.

Alguma coisa começou a dar errado quando houve os dois depoimentos mais esperados de todos: de Daniel Dantas, do Banco Opportunity, à CPI do Mensalão, e do doleiro Toninho da Barcelona à dos Bingos: Tive o privilégio de assistir às mais de quatro horas da fala do banqueiro e, ao final, saí convencido de que uma enorme pizza estava no forno.

Ou melhor, começaria ali o plano de sangramento homeopático do Governo, que deveria durar um ano, até a corrida eleitoral de 2006, mas como todos sabemos, o plano não deu certo.

No fim daquela semana este editor voltaria para São Paulo conhecendo um pouco mais do tipo de jornalismo que se faz em Brasília, a partir de uma das maiores emissoras de TV do mundo, e dos tipos de jornalistas inescrupulosos que temos que encarar numa redação.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

COMO PREPARAR UMA CRISE INSTITUCIONAL

Por Luis Nassif (foto) - Blog do Nassif (Reproduzido do portal Carta Maior, postagem de 24/04/2012)

(*) Publicado originalmente no Blog do Nassif

No dia 1º de setembro de 2008, os Ministros Gilmar Mendes, Cezar Peluso e Carlos Ayres Britto saíram da sede do STF (Supremo Tribunal Federal) atravessaram a Esplanada dos Ministérios e entraram no Palácio do Planalto para uma reunião com o presidente da República, Luiz Ignácio Lula da Silva.

Foi uma reunião tensa, a respeito da suposta conversa grampeada entre Gilmar e o senador Demóstenes Torres. Os três Ministros chegaram sem nenhuma prova concreta sobre a autoria ou mesmo a existência do tal grampo. Mas atribuíam-no irresponsavelmente à ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) e exigiam de Lula providências concretas.

No auge da reunião, Gilmar blasonou: “Não queremos apenas apuração, mas punição”.

Bastaria Lula ter perdido a paciência e endurecido o jogo para criar uma crise institucional sem precedentes, entre o Supremo e o Executivo. Sua habilidade afastou o risco concreto de uma crise institucional, à custa do sacrifício do diretor-geral da ABIN, delegado Paulo Lacerda, afastado enquanto durassem as investigações.

Tanto no Palácio como na Polícia Federal e no Ministério Público Federal sabia-se que o grampo, se existiu, não havia partido da ABIN nem da Operação Satiagraha, já que nenhum dos dois – Demóstenes e Gilmar – eram alvo de investigação.

Foi aberto um inquérito na PF que concluiu pela não existência de qualquer indício, por mínimo que fosse, de que o grampo tivesse existido.

O país esteve à beira da mais grave crise institucional pós-redemocratização devido a uma conspiração envolvendo Demóstenes Torres-Carlinhos Cachoeira, a revista Veja e, direta ou indiretamente, o Ministro Gilmar Mendes.

Pouco antes do episódio, o assessor da presidência, Gilberto Carvalho, foi procurado por repórteres da revista com a informação de que ele também havia sido grampeado. Descreviam diálogos que teria tido com interlocutores.

A intenção era criar um clima de terror, passar ao governo a impressão de que a ABIN e a Satiagraha haviam saído de controle e estavam espionando as próprias autoridades. E, com isso, obter a anulação da operação que ameaçava o banqueiro Daniel Dantas.

É bem possível que os tais diálogos de Gilberto tenham sido gravados pelo mesmo esquema Veja-Cachoeira que forjou um sem-número de dossiês, muitos deles obtidos de forma criminosa e destinados ou a vender revista, impor o medo nos adversários, ou a consolidar o império do crime do bicheiro.

Durante anos e anos foi um festival de assassinatos de reputação, de jogadas pseudo-moralistas visando beneficiar o parceiro Cachoeira.

A revista tentou se justificar, comparando essas jogadas ao instituto da “delação premiada” – pelo qual promotores propõem redução de pena a criminosos dispostos a colaborar com a Justiça. No caso de Cachoeira, suas denúncias serviam apenas para desalojar inimigos e reforçar seu poder e o poder da revista.

Esses episódios mostram o poder devastador do crime, quando associado a veículos de grande penetração.

É um episódio grave demais, para ser varrido para baixo do tapete.







terça-feira, 24 de abril de 2012

GALEANO: MARÇO 30 - DIA DA EMPREGADA DOMÉSTICA


Eduardo Galeano
Mariinha não tinha idade.

Dos seus anos de antes, nada contava. Dos seus anos de depois, nada esperava.

Não era bonita, nem feia, nem mais ou menos.

Caminhava arrastando os pés, empunhando o espanador, ou a vassoura, ou a colher de pau.

Acordada, afundava a cabeça entre os ombros.

Dormindo, afundava a cabeça entre os joelhos.

Quando falavam com ela, olhava o chão, como quem conta formigas.

Havia trabalhado em casas alheias desde que tinha memória.

Nunca havia saído da cidade de Lima.

Muito se mudou, de casa em casa, e em nenhuma se sentia acolhida. Por fim, encontrou um lugar onde foi tratada como se fosse humana.

Em poucos dias, se foi.

Estava se humanizando.


Um dos “filhos dos dias” do uruguaio Eduardo Galeano. De seu novo livro “Los hijos de los días”, que está sendo lançado por esses dias. Tem forma de calendário e de cada dia nasce uma história. Traduzi e estou publicando aqui e no blog Pilha Pura a partir de algumas histórias adiantadas pelo jornal argentino Página/12, edição de 18/03/2012.


Confesso ser uma temeridade minha traduzir uma linguagem poética como a do nosso Galeano nesse livro. Por precaução, publico abaixo o original (Segundo vi na Internet, o Dia da Empregada Doméstica no Brasil é 27 de abril):

MARZO 30
Día del servicio doméstico



segunda-feira, 23 de abril de 2012

LEANDRO FORTES: A CPI E O FIM DO JORNALISMO INVESTIGATIVO DE ARAQUE


Por Leandro Fortes (foto), no seu blog em Carta Capital (trecho de artigo reproduzido do blog Vi o Mundo, postagem de hoje, 23/abril)

(...)

Não há, obviamente, nenhum risco à liberdade de imprensa ou de expressão, nem à democracia e ao bem estar social por causa da CPI do Cachoeira. Há, isso sim, um claro constrangimento de setores da mídia com a possibilidade de serem investigados por autoridades às quais dedicou, na última década, tratamento persecutório, preconceituoso e de desqualificação sumária. Sem falar, é claro, nas 200 ligações do diretor da Veja em Brasília para Cachoeira, mentor confesso de todos os furos jornalísticos da revista neste período. Em recente panfletagem editorial, Veja tentou montar uma defesa prévia a partir de uma tese obtusa pela qual jornalistas e promotores de Justiça obedecem à mesma prática ao visitar o submundo do crime. Daí, a CPI da Cachoeira, ao investigar a associação delituosa entre a Veja e o bicheiro goiano, estaria colocando sob suspeita não os repórteres da semanal da Abril, mas o trabalho de todos os chamados “jornalistas investigativos” do país.

A tese é primária, mas há muita gente no topo da pirâmide social brasileira disposta a acreditar em absurdos, de modo a poder continuar a acreditar nas próprias convicções políticas conservadoras. Caso emblemático é o do atentado da bolinha de papel sofrido pelo tucano José Serra, na campanha eleitoral de 2010. Na época, coube ao Jornal Nacional da TV Globo montar um inesquecível teatro com um perito particular, Ricardo Molina, a fim de dar ao eleitor de Serra um motivo para entrar na fila da urna eleitoral sem a certeza de estar cometendo um ato de desonestidade política. Para tal, fartou-se com a fantasia do rolo-fantasma de fita crepe, gravíssimo pedregulho de plástico e cola a entorpecer as idéias do candidato do PSDB.

Todos nós, jornalistas, já nos deparamos, em menor ou maior escala, com fontes do submundo. Esta é a verdade que a Veja usa para tentar se safar da CPI. Há, contudo, uma diferença importante entre buscar informação e fazer uso de um crime (no caso, o esquema de espionagem da quadrilha de Cachoeira) como elemento de pauta – até porque, do ponto de vista da ética jornalística, o crime em si, este sim, é que deve ser a pauta. A confissão do bicheiro, captada por um grampo da PF, de que “todos os furos” recentes da Veja se originaram dos afazeres de uma confraria de criminosos, nos deixa diante da complexidade desse terrível zeitgeist, o espírito de um tempo determinado pelos espetáculos de vale tudo nas redações brasileiras.

(...)

(Para ler a íntegra do artigo, clicar aqui)


(Link para ver exemplo de manipulação da velha mídia, no Vi o Mundo: “91 petistas assinam CPI que o PT não queria”)

domingo, 22 de abril de 2012

“SOMOS GENOCIDAS, MAS NÃO DISCRIMINAMOS”

- No meu governo tivemos que eliminar muitos guerrilheiros.

- E também muitos que não eram guerrilheiros... sindicalistas, empresários, cientistas, artistas...

- Somos genocidas, mas não discriminamos.
- Videla... você agora admite que mataram milhares de pessoas. Por que não disse isso há 35 anos?

- O que você quer? Havia uma ditadura.


O ditador argentino, ex-general Jorge Rafael Videla, 86 anos, prisioneiro, já com duas condenações à prisão perpétua e outras a caminho, anda falando pelos cotovelos. Já admitiu até que mataram de sete a oito mil pessoas. Viram aí acima? Fico admirado com a capacidade dos homoristas (Daniel Paz & Rudy, do jornal argentino Página/12) de fazer graça com coisas tão terríveis.

Agora, faço um link aqui para o artigo do jornalista Eric Nepomuceno, no portal Carta Maior, sobre as declarações de Videla, em especial o aspecto da participação dos empresários na ditadura: “Os grandes grupos econômicos argentinos e seus mortos”.


E vai mais uma charge, desta vez do “Duke” fazendo palavras cruzadas, sobre o momentoso caso brasileiro: a CPMI do Cachoeira/Demóstenes/revista Veja (peguei no blog Vi o Mundo):



sábado, 21 de abril de 2012

PIAU E CESCÉ COM BATATA: RECEITA À MODA CHAPADENSE (fotos)

De Salvador (Bahia) - Uma receita de sucesso à moda da Chapada Diamantina, interior da Bahia: cantadores Piau (Djalma Novaes, de Seabra) e Cescé Amorim (e sua banda, de Feira de Santana) e o músico Uéliton Batata (de Morro do Chapéu). O show foi no último dia 14, no restaurante Grande Sertão, em Costa Azul (Salvador). Promoção do Projeto Velame Vivo, movimento social e cultural da Chapada. Entre os presentes, seabrenses, chapadenses, feirenses, amigos, familiares e admiradores dos três. Segue uma seleção de fotos:




sexta-feira, 20 de abril de 2012

PROTÓGENES DIZ QUE DANTAS E CACHOEIRA TINHAM ESQUEMAS PARECIDOS NA MÍDIA

Link para o Vi o Mundo: matéria assinada por Luiz Carlos Azenha, com o título acima, fala de acusações que pesam contra jornalistas, citando alguns nomes, de acordo com as conversas que dia-a-dia surgem a partir dos grampos feitos pela Polícia Federal, no bojo do caso Cachoeira/Demóstenes/Veja, assunto da CPMI instalada ontem, dia 19, no Congresso Nacional. O delegado Protógenes Queiroz, deputado federal pelo PCdoB-SP, faz referência a indícios de pagamentos a jornalistas.

Protógenes Queiroz

quinta-feira, 19 de abril de 2012

AS DÚVIDAS SOBRE A PRISÃO DE DOIS JOVENS


Testemunhas dizem que polícia prendeu inocentes

Câmeras de segurança e depoimentos de vizinhos indicam que suspeitos estavam longe do local do crime

Thaís Nunes, no Diário de São Paulo, sugerido pelas Mães de Maio (Mães de Maio é uma entidade criada pelas mães de bairros populares de São Paulo em maio de 2006, quando da matança de centenas de jovens nas periferias da capital paulista, como resposta da polícia aos ataques do PCC - Primeiro Comando da Capital). Matéria reproduzida do blog Vi o Mundo, postagem de hoje, 19/abril. 
A cela 34 do Centro de Detenção Provisória de Guarulhos, na Grande São Paulo, é a nova casa de Márcio Almeida dos Santos, 24 anos, e Diego Cardoso de Souza, de 19, há 43 dias. A dupla foi presa pelo roubo de um BMW em São Bernardo do Campo, no ABC. Inconformadas, as mães dos jovens obtiveram imagens de câmeras de segurança e depoimentos de 20 pessoas que fragilizam a história contada pela polícia e acatada pela Justiça.

De acordo com o boletim de ocorrência, a PM foi avisada sobre o roubo às 15h08 e imediatamente passou a perseguir os assaltantes na Rodovia Anchieta. Os PMs afirmam que os dois presos estavam no BMW.


Mas as imagens de câmeras de um supermercado mostram que Márcio estava na Estrada das Lágrimas, em Heliópolis, Zona Sul, às 15h20. Ele passeava com um amigo numa motocicleta Hornet.


Isso significa que se Márcio participou do roubo, ele teve apenas 12 minutos para fugir do ABC até Heliópolis, abandonar o BMW em uma viela, livrar-se da arma, guardar o dinheiro e cartões da vítima, deixar Diego, trocar de roupa e encontrar o amigo dono da Hornet.


“É absurdo. Nossos filhos trabalham desde criança, nunca encostaram em armas. Ao contrário do que todos pensam, ser morador da favela não é sinônimo de ser bandido”, diz Ivanice de Souza, mãe de Diego.


O dono da Hornet, que pediu para ter o nome preservado, comemorava o aniversário naquela tarde em um churrasco na casa de Diego. A festa começou às 13h e as testemunhas que deram depoimento estavam no local com os suspeitos. “Como é possível que eles estivessem em dois lugares?”, questiona o aniversariante.

No momento da prisão, às 15h40, Diego e Márcio tinham saído para dar uma volta na Hornet. É costume do dono da motocicleta emprestá-la para os amigos darem breves passeios. Naquela tarde, eles bateram em um ônibus. E foi após o acidente que foram presos. Segundo a PM, a batida aconteceu durante a perseguição. Mas o motorista do ônibus conta que a viatura chegou bem depois. “E a moto não estava em alta velocidade”, garante.


Rodrigo Castello, advogado dos suspeitos, enviou as imagens e os depoimentos para o juiz, apelando para que eles respondam ao processo em liberdade. Mesmo com os indícios de que pode ter havido confusão no flagrante, o juíz Davi Capella informou que não revogaria a prisão porque “os averiguados não comprovaram ter ocupação lícita”. Márcio é funcionário da Controlar. Diego é auxiliar financeiro e universitário. A ficha criminal de ambos é limpa. O juíz Capella informou que não se manifestaria sobre sua decisão. O caso tramita pela 21ª Vara Criminal.


As vítimas reconheceram os suspeitos, mas informaram que os ladrões usavam bonés e roupas diferentes das de Márcio e Diego. O delegado titular do 83ºDP (Parque Bristol), Enjolras Araújo, não soube explicar como os donos da BMW reconheceram os presos em outro roubo, o de um Corolla do qual não foram vítimas. O crime foi em 26 de agosto. O ponto eletrônico comprova que Márcio e Diego estavam trabalhando.



PROFESSORES BAIANOS EM GREVE OCUPAM ASSEMBLEIA (vídeo)


(Vídeo de 18/abril reproduzido do site da APLB-Sindicato, entidade que representa o professorado da Bahia)

Termina greve na Arena Fonte Nova, clique aqui para ler matéria de 18/abril da Assessoria de Comunicação do Sintepav-Bahia, sindicato dos trabalhadores da construção pesada.

terça-feira, 17 de abril de 2012

SEM TERRA FAZEM CAMINHADA EM SALVADOR (vídeo)

                   De Salvador (Bahia) - Trabalhadores sem terra, acampados desde ontem, segunda (16), na capital baiana, fizeram na tarde de hoje, dia 17, uma caminhada pelo Centro Administrativo da Bahia (CAB), com parada em frente do Tribunal de Justiça, para clamar por justiça nos conflitos do campo e para marcar os 16 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido nesta data (em 1996) no Pará, com 21 trabalhadores rurais assassinados, e até hoje sem punição para os responsáveis.


Eles estão acampados nos estacionamentos do Incra e do Dnocs, nas proximidades do CAB. São em torno de 3.000 trabalhadores do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), do Ceta (Movimento dos Trabalhadores Assentados, Acampados e Quilombolas), do MTD (Movimento dos Trabalhadores Desempregados) e da Pastoral Rural.

O vídeo registra a chegada dos manifestantes à área do Incra logo após a caminhada.

Outras matérias sobre o assunto serão postadas neste blog.

Clique aqui para ler, em Carta Maior, "Intelectuais entregam à Presidência manifesto a favor da reforma agrária".

segunda-feira, 16 de abril de 2012

MST FAZ PROTESTOS EM 17 ESTADOS


Manifestação no Ministério do Desenvolvimento Agrário, em Brasília 
(Foto: Agência Brasil)
Da Página do MST (Reproduzido do blog Vi o Mundo, postagem de hoje, 16/abril)

Nessa segunda-feira (16), o MST realizou uma série de protestos na Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária. Foi para cobrar a realização da Reforma Agrária e pela punição dos responsáveis pela morte de 21 trabalhadores rurais assassinados no Massacre de Eldorado dos Carajás, em operação da Polícia Militar, no Pará, em 1996.

Já foram realizados protestos em 17 estados e em Brasília, somando 38 ocupações de terra, oito ocupações de sedes do Incra, cinco protestos em prédios públicos, além de trancamentos de estradas e criação de acampamentos nas cidades.

Em Brasília, cerca de 1500 trabalhadores rurais do MST ocuparam o Ministério do Desenvolvimento Agrária (MDA) em Brasília, para denunciar a estagnação da Reforma Agrária e a diminuição de investimentos em desapropriações de terras no país por parte do governo federal.

Em Pernambuco, os Sem Terra já ocuparam seis fazendas improdutivas. Nesta segunda, cerca de 300 famílias ocuparam a fazenda Amargoso, no município de Bom Conselho, agreste do estado, e a fazenda Condado, no município de São Bento do Una.

Na Bahia, cerca de 3 mil integrantes dos movimentos sociais do campo, como o MST, montaram acampamento, na manhã desta segunda-feira, na frente da sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador. O MST já ocupou 24 fazendas na Bahia, desde o começo do mês de abril. Foram ocupações no Extremo Sul, Sul, Sudoeste, Baixo Sul, Chapada, Recôncavo, Norte e Nordeste. Duas ocupações foram realizadas nesta segunda-feira, em Juazeiro e Queimada.

(Para ler mais, clique aqui).


PIAU E CESCÉ COM BATATA: RECEITA À MODA CHAPADENSE (três vídeos)





De Salvador (Bahia) - Uma receita de sucesso à moda da Chapada Diamantina, interior da Bahia: cantadores Piau (Djalma Novaes, de Seabra) e Cescé Amorim (e sua banda, de Feira de Santana) e o músico Uéliton Batata (de Morro do Chapéu). O show foi no sábado, dia 14, no restaurante Grande Sertão, em Costa Azul (Salvador). Promoção do Projeto Velame Vivo, movimento social e cultural da Chapada.


No primeiro vídeo, aparecem Piau cantando e Batata acompanhando no violão. No segundo, Cescé e sua banda. E o terceiro é uma breve apresentação do espetáculo. Além destes três, estou postando mais um vídeo no blog Pilha Pura (www.pilhapuradejoaninha.blogspot.com). O Evidentemente, mais para frente, ainda vai publicar mais três vídeos do show e uma seleção de fotos.

domingo, 15 de abril de 2012

EVERALDO AUGUSTO: UMA OPÇÃO NO CAMPO DA ESQUERDA (vídeo)



De Salvador (Bahia) - Everaldo Augusto, do PC do B, ex-vereador e sindicalista bancário, é uma das opções no campo da esquerda para vereador da capital baiana. No sábado, dia 14, no hotel Plaza (Ondina), ele reuniu dezenas de apoiadores num seminário de preparação para a campanha eleitoral. Muitos dirigentes e militantes do partido, bem como lideranças de movimentos sociais participaram das discussões.


No vídeo, aparecem na mesa: deputada federal Alice Portugal, pré-candidata a prefeita pelo PC do B, ex-deputado Javier Alfaya, Adilson Araújo, presidente da CTB-Bahia (Central dos Trabalhadores do Brasil), e Raimundo Nonato (consagrado jogador de futebol Bobô), diretor geral da Sudesb (Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia).

O CONTADOR E AS FITAS QUE ESTÃO POR AÍ


Amedrontar e circunscrever [título original do post]


Por Luiz Carlos Azenha (foto), do blog Vi o Mundo: o que você não vê na mídia, de 13/04/2012


A Globo pediu acesso a todos os documentos da Operação Monte Carlo, que resultaram num processo que corre em segredo de Justiça, no STF. A Carta Maior também pediu. O acesso foi negado a ambos.


Demóstenes Torres, como parte envolvida, teve acesso.


Curiosamente, por pura coincidência, depois que isso aconteceu sobrou para Protógenes Queiroz, Agnelo Queiroz e a construtura Delta — a construtora do PAC, grita O Globo –, que também seria a favorita de Sergio Cabral.


O objetivo que precede a CPI é jogar a rede o mais amplamente possível, suscitar medos e, ainda que não impeça a Comissão, domá-la desde o início.


Al Capone não faria melhor.


Faz sentido a notícia de que a tática dos acusados seria a de não falar absolutamente nada durante os depoimentos, deixando a bomba explodir no colo dos políticos e agentes públicos convocados.


Não digo que a tática vá funcionar, mas que faz sentido divulgar a suposta tática agora, colocando minhoca na cabeça dos deputados e senadores antes que eles criem a CPI.


Mas será que eu assino esta CPI, que pode se voltar contra quem a criou?


O movimento inclui jogar Lula — que apóia a CPI — contra Dilma que, segundo a Folha de S. Paulo, teme a investigação. Mas, será que teme mesmo?


O movimento inclui dizer que o PT pretende usar politicamente a CPI para cercear a liberdade de imprensa.


Compreendam: a mídia corporativa tem muito a perder com a CPI do Cachoeira. Pela primeira vez na história da República, o grande público terá acesso aos métodos aplicados em nome do “jornalismo investigativo” e à relação entre arapongas e redações. São estes métodos que garantem à mídia ascendência sobre políticos e agentes públicos e, portanto, atendimento a importantes interesses econômicos. Ou vocês acreditam que os tucanos alimentam a mídia paulista por achá-la boazinha?


Além disso, as capas bomba da revista Veja eram repercutidas automaticamente, sem qualquer questionamento. A bola rolava na revista, era impulsionada pelo JN de sábado e ganhava as páginas de O Globo, Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo já no domingo. A ordem era repercutir, repercutir, repercutir. Se possível, com novos ângulos e novas investigações. O mar de lama, curiosamente, só banhava uma praia.


Não foi por acaso que nada menos que quatro senadores se negaram a relatar as acusações contra Demóstenes Torres no Conselho de Ética do Senado, Lobão Filho (PMDB-MA), Ciro Nogueira (PP-PI), Gim Argello (PTB-DF) e Renan Calheiros (PMDB-AL). O que Demóstenes teria guardado contra eles?


Sobrou para o ex-ministro da Saúde Humberto Costa (PT-PE).


Costa, lembrem-se, foi acusado de envolvimento com a máfia dos sanguessugas, que atuou no Ministério da Saúde desde “o governo anterior”, como em priscas eras o JN se referia ao governo de FHC. Em 2006, na semana que antecedia o primeiro turno das eleições, o Jornal Nacional noticiou com destaque o indiciamento dele — que era candidato a governador de Pernambuco — no inquérito, ao lado do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares. Mas a lista de indiciados era muito mais longa e incluía gente próxima do ex-ministro José Serra, como Platão Fischer-Pühler — Serra concorria ao governo paulista. A lista completa dos indiciados, disse Fátima Bernardes naquela ocasião, você vê no site do Jornal Nacional.


Posteriormente, Costa foi inocentado de todas as acusações. Mas, em 2006, nem chegou ao segundo turno.


Se a CPI sair — só acredito vendo –, vai nascer amedrontada. Tem muita gente com muito a perder. Ou será que teremos um acordão no fim-de-semana? É esperar e ver…


PS do Viomundo: Fonte bem informada, que nunca nos decepcionou, diz que o homem-chave continua foragido, o contador de Carlinhos Cachoeira, Giovani Pereira da Silva. Giovani, diz a fonte, guardava num cofre as fitas produzidas pela arapongagem a serviço de Cachoeira. Nos próximos dias podem vazar fitas, que serão atribuídas ao inquérito mas na verdade são do arquivo de Cachoeira. A própria fonte, no entanto, disse que às vezes é impossível discernir quem está a serviço de quem, no submundo de Brasília. Há, segundo ele, brincando, “agentes duplos, triplos e quadrúpedes”.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

10 ANOS DO GOLPE NA VENEZUELA: CHÁVEZ VOLTA NOS BRAÇOS DO POVO


Hoje, 13/abril/2012, marca os 10 anos em que o povo venezuelano derrotou o golpe de Estado de 11/abril/2002. O presidente Hugo Chávez foi sequestrado no dia 11 e, dois dias depois, voltou ao poder nos braços do povo. O vídeo mostra a euforia popular.
Eu estava em Caracas em abril/2008. Estava começando minha vida de blogueiro e escrevi duas matérias para meu blog sobre as comemorações dos seis anos do golpe. 
Clique aqui para ler "Golpe e contra-golpe na Venezuela" e aqui para "Papel das rádios e TVs comunitárias".

PELA DEMOCRACIA POPULAR


Por João Pedro Stédile (parte final do artigo publicado na revista Caros Amigos no. 180, de março/2012, sob o título “O Brasil precisa de projeto!” O título acima e a disposição em itens numerados são deste blog).


“O que está faltando precisamente no governo e entre as forças populares é um programa de mudanças estruturais, que inclua urgentemente:


1 – A reforma política, sem a qual não se democratizará o Estado e continuaremos reféns dos financiamentos empresariais, que cobram faturas elevadas e são a verdadeira fonte da corrupção;


2 – Uma reforma tributária que, de fato, puna os milionários, aqueles 5% que ficam com 60% da renda, e alivie os trabalhadores que são os que mais pagam impostos;


3 – Uma reforma agrária que democratize a propriedade da terra;


4 – Uma reforma educacional que, de fato, alfabetize os 14 milhões de adultos e garanta acesso a pelo menos 60% de nossos jovens às universidades;


5 – Uma reforma urbana que garanta acesso à moradia digna ao povo, e resolva as condições de vida nas grandes cidades, que viraram um inferno pelo sistema de transporte individual e pela especulação imobiliária;


6 – Uma mudança na política econômica, que reduza os juros e o superávit primário ao equilíbrio, e o saldo atual de 240 bilhões de reais destinados ao pagamento dos serviços da dívida interna aos banqueiros, possa ser destinado aos investimentos que beneficiem a população;


7 – E uma reforma na concessão e uso dos meios de comunicação de massa, para que, de fato, o povo possa ter acesso à informação não manipulada e a imprensa deixe de ser apenas instrumento de lucro, de circo ou de pressão política”.


(João Pedro Stédile é membro da coordenação nacional do MST e da Via Campesina Brasil).

quinta-feira, 12 de abril de 2012

quarta-feira, 11 de abril de 2012

POVO NA RUA, LEVANTE DA JUVENTUDE E CASO DEMÓSTENES



De Salvador (Bahia) - Me impressiono com a falta de ocupação ou preocupação de políticos/militantes/estudiosos de esquerda com o tema mobilização popular, ir às ruas. Não seria esse fator imprescindível para se andar no rumo de mudanças na estrutura de poder em favor do povo, das maiores, dos injustiçados socialmente? Ou se, no Brasil, estamos no chamado descenso das massas, então não é bom ficar matracando isso todo dia?

João Pedro Stédile, o líder mais destacado do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), certamente não está entre os referidos acima. Volta e meia, o combativo Stédile está a chamar a atenção para a necessidade de mobilização dos trabalhadores, dos camponeses, da juventude.

Gosto de recordar que numa entrevista à revista Carta Capital, durante o primeiro mandato do presidente Lula, ele previu um ascenso de massas lá para meados do mandato presidencial seguinte, fosse Lula ou não reeleito. Não era bem uma previsão, o próprio Stédile reconhecia, era mais um “chute”, pode-se entender mais como um “pensamento desejoso”. Bem, o desejado ascenso não veio. Passou todo o segundo quatriênio de Lula e já estamos no segundo ano de Dilma. E nada.

Esta semana o líder do MST voltou a tocar no assunto em entrevista à TV Record (parte dela está no vídeo acima). Além de outros temas, fala da crise de representatividade – “os parlamentares e os políticos não representam mais a sociedade” -, fala do financiamento privado das campanhas eleitorais – “quem dirige os parlamentares são as empresas que financiaram a campanha” -, e defende, claro, uma reforma política.

E bate, a meu ver, no essencial: estamos num descenso do movimento de massas, o último ascenso se deu entre 1979 e 1990, a última greve geral foi em 1988. Estamos assim: o povo abriu mão da participação política, prefere assistir na televisão: “Vamos ver o que aconteceu na política” e se senta diante da TV. E vai continuar assim, diz Stédile, “enquanto não houver um reascenso do movimento de massas, para que as massas se transformem em atores da vida política”.

Alguém mais cuidadoso pode ressalvar que a mobilização popular não é tudo, não é panaceia, é preciso estar atento também à organização política. Está certo, certíssimo. Mas não esquecer que o povo nas ruas é fundamental para que as coisas comecem a mudar.

Um exemplo recente: quem vai negar que a queda-de-braço com os saudosistas da ditadura (os militares de pijama), tendo como pano de fundo a Comissão Nacional da Verdade, já apresenta uma feição mais favorável a partir da entrada em cena do Levante Popular da Juventude? E olhe que, em termos quantitativos, é (ainda?) uma mobilização minúscula: manifestações de apenas 100, 300, 500 pessoas.

“Stédile e o caso Demóstenes”

O vídeo foi postado no site da Record e no YouTube com título “Stédile e o caso Demóstenes”. É que a desgraceira do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-Goiás) continua dominando as pautas da mídia. Óbvio, com as conveniências de praxe: as quatro principais revistas semanais, por exemplo, são casos exemplares que devem estar sendo material riquíssimo nas faculdades de Jornalismo.

A Veja, que, tudo indica, está atolada na lama do caso Demóstenes/Carlinhos Cachoeira (apesar da blindagem da velha mídia), deu capa na semana passada com os mistérios do Santo Sudário e uma chamadinha sobre o tormentoso caso. Nesta semana, nada. A capa atacou de “revolução digital”, nem sequer uma chamadinha.

A IstoÉ e Época, esta semana, deram uma chamadinha, e preferiram dedicar suas capas também a assuntos “frios”, como se diz no jargão das redações. Somente a Carta Capital, uma revista realmente atrelada ao bom jornalismo, que teve a edição da semana “sumida” das bancas em Goiás, surfou lindamente na pauta do momento: “Abre o olho, Perillo” (referência ao governador goiano Marconi Perillo, do PSDB).

(Quem escreveu esta semana artigos interessantes sobre o caso Demóstenes/Cachoeira/mídia foi o jornalista Emiliano José, deputado federal pelo PT-Bahia. Faço link aqui para um deles, no Vi o Mundo: “O partido mídia e o crime organizado”).

UMA RECEITA À MODA CHAPADENSE


Piau, também conhecido como Djalma Novaes
Piau e Cescé com Batata: como diz o convite, “essa receita à moda da Chapada Diamantina” promete agradar no sábado, dia 14, a partir das 13 horas, no restaurante Grande Sertão (Costa Azul, Salvador). Vai sair muita coisa boa da Música Popular Brasileira, menos, claro, axé-music e pagode (os baianos da capital que me perdoem).


Os cantadores Piau (conhecido em Seabra, lá na Chapada, também como Djalma Novaes) e Cescé, de Feira de Santana, serão acompanhados pelo músico Uéliton Batata, de Morro do Chapéu. A promoção é do Projeto Velame Vivo, movimento social e cultural de Seabra. Ingresso: R$ 20,00.

terça-feira, 10 de abril de 2012

"ACREDITAM NAS COISAS LÁ DO CÉU"

Belíssima foto do baiano Manoel Porto, guerrilheiro da imagem que está, num esforço pessoal admirável, trabalhando para documentar os efeitos da tremenda seca que castiga o interior da Bahia. (O verso acima é do clássico Procissão, música do nosso Gilberto Gil). Para ver mais, clique e acesse o blog Pilha Pura

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O DIA EM QUE WAGNER MOURA HUMILHOU A REVISTA VEJA


Por Luis Soares, do site Pragmatismo Político, postagem de 22/09/2011


Sem papas na língua, ator revela que não concede entrevistas à revista por considerá-la conservadora, reacionária e de extrema-direita


Os acontecimentos recentes que despertaram as inúmeras falcatruas da revista Veja, e, consequentemente, empurram a publicação para um poço sem fim, com crescente perda de credibilidade, nos remetem à entrevista que o ator global Wagner Moura concedeu à Caros Amigos.


A entrevista é atemporal pela atualidade do conteúdo, e sobreviverá enquanto a Veja não desistir de tratar o leitor com a irresponsabilidade característica dos semeadores de dissimulações.


As palavras de Wagner Moura são irretocáveis, confira:


“A linha editorial da revista Veja, uma revista de extrema direita brasileira. Eu me lembro claramente de uma capa da revista Veja que me indignou profundamente, sobre o desarmamento, que dizia assim: “Dez motivos para você votar ‘Não’“. Eu me lembro claramente da revista Veja elogiando Tropa de Elite pelos motivos mais equivocados do mundo. E semana sim, semana não está sacaneando colega nosso: Fábio Assunção, Reynaldo Gianecchini, de uma forma escrota, arrogante, violenta. Outro motivo é que na revista Veja escreve Diogo Mainardi! Eu não posso compactuar com uma revista dessas, entendeu? Conservadora, elitista. Então, não falo com a revista Veja, assim como não falo para a revista Caras. Agora, a mídia é um negócio complexo, importante.”


O posicionamento do ator deve servir como estímulo ao exercício da autocrítica não apenas para os editores e colunistas da revista, que normalmente reservam pedestais para artistas oriundos da emissora dos Marinho, mas para os seus colegas de profissão, carentes de personalidade, de identidade, e que quando não optam por abraçar o muro ao serem pressionados, compactuam com o que há de mais atrasado na história política republicana desse país.


Cantor Lobão exalta a ditadura militar e ataca Chico Buarque e Che Guevara


Do site Pragmatismo Político, postagem de 01/06/2011


Entre aplausos e vaias, o egocêntrico classificou a esquerda brasileira de “gente rancorosa e invejosa” e diz que torturadores arrancaram “apenas umas unhazinhas”


Lobão pirou de vez. De crítico da indústria da música e do regime militar, no passado, ele hoje se converteu num direitista bravateiro. Até parece que faz as suas declarações bombásticas para atrair os holofotes. Mas agora ele exagerou.


Durante o Festival da Mantiqueira, ocorrido na cidade de São Francisco Xavier (SP), ele criticou o cantor João Gilberto – que “virou um ser sagrado e nós temos que destronar tudo o que é sagrado” –, atacou Chico Buarque e ainda afirmou que “a MPB é de uma mediocridade galopante”.


“Torturadores arrancaram umas unhazinhas“


Entre aplausos e vaias, o egocêntrico classificou a esquerda brasileira de “gente rancorosa e invejosa”. No auge das suas baboseiras reacionárias, Lobão afirmou que há “um excesso de vitimização na cultura brasileira… Essa tendência esquerdista vem da época da ditadura. Hoje, dão indenização para quem seqüestrou embaixadores e crucificam os torturadores que arrancaram umas unhazinhas”.


Lamentável. O que não se faz por dinheiro e por alguns minutos de fama na mídia brasileira.


Leia abaixo a fala de Lobão:


A gente tinha que repensar a ditadura militar. Por que as pessoas acham… Essa Comissão da Verdade que tem agora. Por que que é isso? Que loucura que é isso? Aí tem que ter anistia pros caras de esquerda que sequestraram o embaixador, e pros caras que torturavam, arrancavam umas unhazinhas, não [risos]. Essa foi horrível [risos]. Mas é, é bem isso. Quem é que vai falar isso? Quem é que vai ter o colhão de achar que bunda de pinto não é escovinha? Porque não é. Não é. Então é o seguinte: a gente viveu uma guerra. As pessoas não estavam lutando por uma democracia, as pessoas estavam lutando por uma ditadura de proletariado. As pessoas queriam botar uma Cuba no Brasil, ia ser uma merda pra gente. Enquanto os militares foram lá e defenderam nossa soberania”.


Em seguida Lobão afirma que Che Guevara foi um facínora que assassinou camponeses.


“Por que ele [Che] é mais humano que um torturador? Essa é uma pergunta que é capciosa, é corrosiva, mas é pertinente. Então os caras que sequestravam fulano, beltrano, então eles eram mais bonzinhos do que o cara que arrancava unha nos calabouços? Vamos fazer essa equação? Empate, cara. Pensa bem. Tem que ser um cara muito escroto pra poder falar sobre isso, mas é a pura verdade."

(As declarações de Wagner Moura sobre Veja foram lembradas no Facebook por Janio Rego, meu velho companheiro de redação na Tribuna da Bahia, e por Arnor Silva).

domingo, 8 de abril de 2012

SAKAMOTO: MANIFESTANTES PROTESTAM EM FRENTE À CASA DE LEGISTA ACUSADO DE ENCOBRIR TORTURA


(Foto: Leonardo Sakamoto)
Do Blog do Leonardo Sakamoto (reproduzido do blog Vi o Mundo, postagem de 07/04/2012)


Cerca de 100 pessoas realizaram uma manifestação na frente da casa do médico legista e ex-diretor do Instituto Médico Legal, Harry Shibata, na tarde deste sábado (7), na Vila Madalena, bairro da zona oeste de São Paulo.


Ele é acusado de ser responsável por falsos atestados de óbito usados para acobertar assassinatos de opositores pela ditadura militar, ignorando marcas deixadas por sessões de tortura e produzindo laudos de acordo com as necessidades dos militares. Na manhã deste sábado, os bairros de Pinheiros e da Vila Madalena já haviam amanhecido com centenas de cartazes acusando Shibata, colados por manifestantes durante a madrugada.


Sob o lema “Se não há justiça, há esculacho popular”, uma coroa de flores foi colocada no portão de sua casa ao lado de fotos de mortos durante o regime cujos laudos necroscópicos teriam sido alterados por ele. Os manifestantes, que marcharam em passeata da esquina das ruas Fradique Coutinho e Inácio Pereira da Rocha até a casa de Shibata a cinco quadras de distância, encerrariam o ato com discursos em uma praça ao lado.


O grupo, que afirma não estar ligado a nenhum sindicato, partido político ou entidade, diz que é formado por pessoas preocupadas com o direito à verdade e à justiça em relação aos crimes cometidos pelo Estado durante a ditadura militar. Eles exigem que Shibata seja “intimado para depor na Comissão da Verdade”, de acordo com um panfleto distribuído no ato.


A Comissão foi criada para esclarecer quem foram os responsáveis por mortes, torturas e desaparecimentos na ditadura, mas sem poder de punição. O Palácio do Planalto tem sofrido críticas por conta da demora em sua instalação.


Os manifestantes lembraram também que o médico está sendo processado pelo Ministério Público Federal, junto com outras autoridades da época, pelo crime de ocultação de cadáver. “A tortura e os assassinatos praticados durante a ditadura militar permanecem como prática institucional do Estado. E a impunidade dos crimes praticados pelo Estado no passado funciona como uma “carta branca” para que as forças policiais e as Forças Armadas o façam hoje”, diz o panfleto.


Médico Harry Shibata, legista da ditadura, é alvo de escracho em SP



(Fotos: Leonardo Sakamoto)
Do Movimento Verdade e Justiça (reproduzido do blog Vi o Mundo, de 07/04/2012)


Está acontecendo agora (sábado, dia 7) na Vila Madalena, São Paulo (SP) um escracho contra Harry Shibata, médico-legista da Ditadura Militar. Os manifestantes se encontraram às 14h na esquina das ruas Inácio Pereira da Rocha e Fradique Coutinho e caminham em direção à casa de Shibata, na rua Zapara, 81.


Durante a noite, um grupo espalhou mais de 800 cartazes em postes, lixeiras, pontos de ônibus e muros da Vila Madalena, Pinheiros e Alto de Pinheiros, denunciando a atuação de Shibata durante o regime.


Segundo os manifestantes e documentos oficiais, Shibata, assinou inúmeros laudos necroscópicos atestando falsamente a causa da morte de vítimas da ditadura militar. Os cartazes denunciam alguns desses casos e expõe o endereço do legista.

Nos laudos falsificados, Shibata escondia a verdadeira causa do assassinato das vítimas, sob tortura, alegando que tinham sido mortas em tiroteios, atropelamentos ou cometido suicídio. Entre os laudos forjados por ele com a versão de suicídio por enforcamento está o do jornalista Vladimir Herzog.


O médico assinou ainda o laudo de Sonia Maria de Moraes Angel Jones, que depois de torturada, teve seus seios arrancados e foi estuprada com um cassetete. A versão do legista foi de morte em tiroteio. Shibata, que foi diretor do Instituto Médico Legal entre 1976 e 1983, e teve seu registro profissional cassado pelo Conselho Federal de Medicina, instruía os torturadores dos órgãos de repressão da ditadura a não deixar marcas de suas ações nos corpos de torturados. Segundo os manifestantes, hoje tal prática continua sendo utilizada pela polícia, que ensina a não deixar marcas da tortura para o exame de corpo de delito.


Atualmente, Shibata está sendo processado pelo Ministério Público Federal juntamente com outras quatro autoridades da época pelo crime de ocultação de cadáver. O MPF pede que os cinco sejam condenados à perda de suas funções públicas e/ou aposentadoria.


O objetivo dos manifestantes é resgatar a memória dos que lutaram, morreram e desapareceram durante a resistência ao regime; pressionar por uma Comissão da Verdade efetiva; e exigir a punição dos agentes do Estado que praticaram crimes de lesa-humanidade no período, como tortura e ocultação de cadáver.


O MARXISMO AINDA É RELEVANTE? (Göran Therborn vem ao Brasil lançar o livro “Do marxismo ao pós-marxismo?")


(Reproduzido de Carta Maior, postagem de 06/04/2012)

O sociólogo sueco Göran Therborn vem ao Brasil a convite da Boitempo para o lançamento do livro "Do marxismo ao pós-marxismo?". Serão três dias de eventos nas capitais de São Paulo, Rio Grande do Sul e Pará: no dia 10/04, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) recebe Therborn no Teatro TUCARENA; no dia 11/04 é a vez da Câmara Municipal de Porto Alegre; e no dia 13/04, o autor se apresenta na Universidade Federal do Pará (UFPA).


Todos os eventos são gratuitos e não há necessidade de inscrição prévia. A programação completa é a seguinte:


10/04
Terça-feira
19h30 - São Paulo (SP)


Teatro TUCARENA (PUC-SP)


Rua Ministro Godói, 969 – Perdizes – (11) 3670-8453

Realização: APROPUC, Faculdade de Ciências Sociais da PUC-SP e Boitempo Editorial.


Apoio: PUC-SP e Teatro TUCA.


11/04
Quarta-feira
19h - Porto Alegre (RS)


Plenário Otávio Rocha da Câmara Municipal de Porto Alegre


Avenida Loureiro da Silva, 255 – Centro – (51) 3220-4187

Realização: Câmara Municipal de Porto Alegre, Escola do Legislativo Julieta Battistoli, Comissão de Educação, Cultura, Esportes e Juventude (CECE), Seção de Memorial, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFRGS, Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFRGS e Boitempo Editorial.

Apoio: Hotel Everest, Sindicato dos Professores do Ensino Privado do RS e Sindicato Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul.


13/04
Sexta-feira
17h - Belém (PA)


Auditório José Vicente Miranda Filho do Instituto de Ciências Jurídicas - ICJ da Universidade Federal do Pará (UFPA) - (91) 3201-7211


Realização: Universidade Federal do Pará (UFPA), Pró-Reitoria de Relações Internacionais (PROINTER), Editora UFPA e Boitempo Editorial

Sobre a obra


Planejado como um mapa e uma bússola, "Do marxismo ao pós-marxismo?", do sociólogo sueco Göran Therborn, é uma tentativa de entender as mudanças sociais e intelectuais entre os séculos XX e XXI. Não tem a pretensão de ser uma história das ideias, mas apresenta propósitos bem claros: situar os espaços de pensamento e as práticas da esquerda; analisar a trajetória do marxismo no século XX; antecipar seu legado para o pensamento radical no século XXI.


Radicado em Cambridge, Therborn é conhecido pela desenvoltura com temas diversos, que vão do alto nível de especialização exigido pelas estatísticas demográficas até os desdobramentos contemporâneos do pensamento crítico.


“Estamos diante de um sociólogo vocacionado para a pesquisa conceitual, mas que não renuncia ao diálogo com os dados empíricos”, afirma Ruy Braga ao distinguir Therborn de outros teóricos sociais.“Num ambiente universitário cada dia mais especializado, este livro relembra-nos uma antiga lição do marxismo clássico: o contato com audiências extra-acadêmicas enriquece o pensamento crítico.”


Aqueles que conhecem o sociólogo apenas por "Sexo e poder", seu memorável estudo das transformações da instituição familiar no século XX, possivelmente se surpreenderão com Do marxismo ao pós-marxismo?, publicado pela primeira vez em português pela Boitempo.

A pergunta que norteia este livro conciso e panorâmico é: o marxismo ainda é relevante? Para Therborn, o marxismo pode ter um futuro incerto, mas sua principal fonte ainda tem muito a oferecer para a nossa época: “É bastante provável que Marx seja redescoberto muitas vezes no futuro; novas interpretações serão feitas e novas inspirações serão encontradas – embora pouco propícias a identificações ismo-ista. (...) a impressão que tenho é que ele está amadurecendo, como um bom queijo ou um vinho de safra – não recomendável para festas dionisíacas ou pequenos goles na frente de batalha. Ele é, de preferência, uma companhia estimulante para o pensamento profundo sobre os significados da modernidade e da emancipação humana”, afirma o autor, para quem a história da filosofia tende a produzir sempre novas técnicas de leitura.


Estimulante para o especialista e acessível ao público em geral, o livro assume uma visão planetária que observa a economia global, faz o balanço dos sucessos da "esquerda" no século XX e lamenta o que o autor chama de "a guerra de Bush contra o mundo". Depois de apresentar uma breve história do marxismo no século XX, o terceiro e talvez mais impressionante ensaio analisa o espectro de intelectuais de esquerda na virada do século XXI, abordando Habermas, Derrida, Hardt e Negri, entre outros. Suas observações afiadas alcançam as mais recentes tendências da filosofia contemporânea, como a retomada teológica da crença defendida por Alain Badiou e Slavoj Žižek e o utopismo de Fredric Jameson e David Harvey.


Em uma declaração provocativa, Therborn diz que a esquerda precisa redescobrir um senso de diversão e prazer. “O compromisso da esquerda com o trabalho, com os direitos humanos socialmente significativos e com a não violência deveria cogitar também uma sociedade universal de prazer e diversão. A alegria sensual tem sido uma das contribuições brasileiras mais importantes aos Fóruns Sociais Mundiais e à possibilidade de um mundo diferente.”


Sobre o autor


Nascido em 1941 em Kalmar, na Suécia, Göran Therborn é Ph.D. em Sociologia pela Universidade de Lund (Suécia) e, desde 2006, professor-emérito (atualmente aposentado) e diretor de pesquisa na Universidade de Cambridge. Nos anos 1970 e 1980, publicou uma série de obras teóricas marxistas, mas desde o início da década de 1990 seu trabalho foca-se principalmente nos estudos sobre modernidades comparadas, sociedade europeia e processos globais. "Do marxismo ao pós-marxismo?" (Boitempo) é uma retomada dos estudos desenvolvidos nas décadas anteriores.

ABERTAS AS INSCRIÇÕES PARA O III BlogProg

O 3º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas será em Salvador-Bahia, nos dias 25, 26 e 27 de maio - Veja o esboço da programação


(Reproduzido do sítio do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, de 02/04/2012)

Agora está confirmado: O III Encontro Nacional de Blogueir@s ocorrerá em Salvador, Bahia, nos dias 25, 26 e 27 de maio. A estrutura do evento, que deve reunir cerca de 500 ativistas digitais de todo o país, já está quase toda montada. A comissão nacional organizadora do BlogProg tem realizado os últimos esforços para garantir alojamento e refeição para todos os participantes. A inscrição para encontro vai até o dia 11 de maio. O valor é de R$ 60,00 para os ciberativistas e de R$ 30,00 para estudantes.

Atenção: garanta sua vaga preenchendo o formulário (ver em www.baraodeitarare.org.br)


Para viabilizar a estrutura do evento, a comissão organizadora ficou responsável pelo contato com cerca de 40 entidades populares, sítios e publicações – os chamados “Amigos da Blogosfera”. A exemplo dos dois encontros anteriores, eles deverão contribuir financeiramente. Também estão sendo feitas articulações junto a instituições públicas e empresas para bancar o III BlogProg. Todos os apoiadores terão seus nomes divulgados na blogosfera e nas redes sociais, garantindo total transparência para o evento.

Quanto à programação, ela foi definida na reunião da comissão nacional no dia 24 de março. Os contatos já foram feitos, mas nem todos os convidados confirmaram a presença. O III BlogProg dará maior espaço para as oficinas autogestionadas – os interessados devem apresentar sugestões de temas e de debatedores até 4 de maio e ficam responsáveis pela iniciativa. Também haverá maior espaço para reuniões em grupo com o objetivo de intercambiar experiências, fazer o balanço das atividades no último período e traçar os próximos passos da blogosfera. Abaixo, a proposta de programação:

III Encontro Nacional de Blogueiros (BlogProg)

Salvador, Bahia – 25, 26 e 27 de maio de 2012

Programação

25 de maio, sexta-feira


15 horas – Início do credenciamento;

17 horas – Palestra inaugural: A luta de ideias no mundo contemporâneo


- Convidado: Michel Moore (diretor de cinema e escritor dos Estados Unidos)


19 horas – Ato político em defesa da blogosfera e da liberdade de expressão – Praça Castro Alves


- Convidados: Artistas, lideranças políticas e dos movimentos sociais;


26 de maio – sábado


9 horas – Nas redes e nas ruas pela liberdade de expressão e pela regulação da mídia


Convidados:


- Franklin Martins – ex-secretário da Secretária de Comunicação da Presidência da República;


- Emiliano José – integrante da Frente Parlamentar pelo Direito à Comunicação e pela Liberdade de Expressão;


- Gilberto Gil – ex-ministro da Cultura;


- Barbara Lopes – do movimento blogueiras feministas;


11 horas – A força das redes sociais no mundo


Convidados:


- Ignácio Ramonet – criador do Le Monde Diplomatique e autor do livro “A explosão do jornalismo”;


- Amy Goodman – fundadora do movimento Democracy Now e ativista do Ocupe Wall Street;


- Osvaldo Leon – Diretor da Agência Latino-Americana de Informação (Alai);


15 horas – Oficinas autogestionadas


(Os temas e conferencistas deverão ser propostos até 4 de maio; a organização das oficinas caberá exclusivamente aos seus proponentes);


17 horas – Apresentação e debate da proposta sobre a Associação de Apoio Jurídico à Blogosfera – Rodrigo Vianna e Rodrigo Sérvulo da Cunha;


19 horas – Lançamento oficial do Blogoosfero, Plataforma Livre e Segura para blogosfera e redes sociais


Responsáveis: Fundação Blogoosfero, Colivre, TIE-Brasil e Paraná Blogs


27 de maio – domingo


9 horas – Reuniões em grupo: balanço, troca de experiências e próximos passos da blogosfera;


12 horas – Plenária final: aprovação da Carta de Salvador, definição da sede do IV BlogProg e eleição da nova comissão nacional.

Mobilização e público-alvo

- Meta de 500 participantes de todo o país (300 da Bahia, sendo 100 do interior);


- Público alvo: ativistas digitais, estudantes, acadêmicos e jornalistas.