quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

VERDADE E JUSTIÇA/COLÔMBIA: PROMOTORIA INVESTIGA O GENOCÍDIO CONTRA A UNIÃO PATRIÓTICA



(Foto: Prensa Latina)
Como parte dessa operação de extermínio, cinco mil pessoas foram assassinadas, perseguidas, torturadas e desaparecidas, entre elas dois candidatos à presidência, oito congressistas, centenas de prefeitos e vereadores e milhares de ativistas locais.

Bogotá, 8 janeiro (Agência Prensa Latina) - A Unidade de Análise e Contexto da Promotoria colombiana identificou oito situações associadas aos assassinatos, ameaças e deslocamentos sofridos pelos militantes do movimento político União Patriótica (UP), em meados dos anos 80.
Segundo fontes citadas pelo jornal El Espectador, essa linha de trabalho permitirá aprofundar as investigações sobre o genocídio cometido, identificar seus executores e mandantes e os motivos que levaram a cometer o extermínio.

Uma das investigações se centrará nos crimes registrados nos departamentos [estados] do Meta e de Antioquia e também nas regiões de Urabá e Magdalena Medio, com objetivo de estabelecer uma sistematicidade nos crimes cometidos.

De acordo com El Espectador, a Promotoria trabalha na estruturação de um macrocontexto ou perfil sobre as características desse grupo político, "sua história e vitimização regional e nacional".
A União Patriótica fez recentemente um encontro nacional dentro do processo de rearticulação para voltar a atuar institucionalmente na política colombiana
Também serão investigados os assassinatos de dirigentes políticos da UP em quase todo o país e sua relação com os de outros representantes de movimentos e partidos políticos.

O massacre realizado contra a UP foi definida pelo congressista Ivan Cepeda, cujo pai foi uma das vítimas, como um caso paradigmático de aniquilação dos membros e líderes de um grupo em razão de suas convicções ideológicas, além da perseguição a seus simpatizantes e a destruição de seu meio social.

Como parte dessa operação de extermínio, cinco mil pessoas foram assassinadas, perseguidas, torturadas e desaparecidas, entre elas dois candidatos à presidência, oito congressistas, centenas de prefeitos e vereadores e milhares de ativistas locais.

A isso se unem, segundo cifras oficiais, um grande número de prisões arbitrárias contra os sobreviventes do movimento e populações deslocadas de suas zonas de influência.

Depois de uma década de batalhas jurídicas para conseguir a restituição de sua pessoa jurídica, a União Patriótica (UP) conseguiu que o Conselho de Estado acolhesse seus argumentos e a reintegrasse no cenário político e eleitoral.

A decisão do Conselho de Estado foi em resposta a uma ação popular apresentada pelo ex-magistrado da Corte Constitucional, Jaime Araújo, que recolheu as sentenças do alto tribunal do contencioso administrativo, as quais obrigavam o Estado a indenizar as vítimas do genocídio contra a União Patriótica.

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