terça-feira, 14 de outubro de 2014

WASHINGTON URANGA: SOPRAM VENTOS DE MUDANÇA NO VATICANO



Nesta semana as comissões darão forma ao documento de conclusões desta etapa do sínodo (Foto: AFP/Página/12)
Um documento do sínodo propõe outro olhar da Igreja sobre os gays e os casais não casados: o texto recompila a primeira semana de debates dos bispos. Apresenta uma abertura sobre a homossexualidade e os casais que não estão casados pela Igreja. Também, em torno dos divorciados e dos que voltaram a casar. Propõe um “reconhecimento respeitoso” de tais realidades.

Por Washington Uranga, no jornal argentino Página/12, edição de hoje, dia 14

“As pessoas homossexuais têm dons e qualidades para oferecer à comunidade cristã”, se afirma no documento intitulado Relatio post disceptationem apresentado ontem pelo cardeal húngaro Peter Erdó no primeiro dia da segunda semana do sínodo extraordinário dos bispos católicos que se celebra em Roma. O texto – de aproximadamente nove páginas – recolhe tanto as consultas prévias como os intercâmbios da primeira semana de deliberações do encontro que continuará até o próximo dia 19, agora em trabalho de comissões (“círculos menores”). O documento também interroga acerca de se “estamos (na Igreja) em condições de receber estas pessoas (homossexuais), garantindo-lhes um espaço de fraternidade em nossas comunidades?”

Mas o documento também sublinha que “a Igreja afirma que as uniões entre pessoas do mesmo sexo não podem ser equiparadas ao matrimônio entre um homem e uma mulher”, pondo em evidência que, se bem que haja predisposição para mudar a atitude pastoral, a maioria dos participantes do sínodo não quer avançar sobre mudanças que afetem os princípios doutrinais. “Comumente (as pessoas homossexuais) desejam encontrar uma igreja que seja casa acolhedora para elas. Nossas comunidades estão em condição de sê-lo, aceitando e avaliando sua orientação sexual, sem comprometer a doutrina católica sobre a família e o matrimônio”, se pergunta no documento.

Em outro parágrafo, o cardeal Erdó disse que “sem negar as problemáticas morais relacionadas com as uniões homossexuais, se toma em consideração que há casos em que o apoio mútuo, até o sacrifício, constitui um valioso suporte para a vida dos casais” e agregou que “a Igreja tem atenção especial para as crianças que vivem com casais do mesmo sexo, reiterando que em primeiro lugar devem ser observados sempre as exigências e os direitos dos meninos (as)”.

Em julho passado, de regresso a Roma depois de sua visita ao Brasil, o papa Francisco havia afirmado que “se uma pessoa é gay e busca o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-lo?”, adiantando de alguma maneira o que agora aparece refletido no texto que acolhe as intervenções dos participantes do sínodo.

O informe apresentado pelo cardeal Erdó é uma peça que tenta acolher de maneira equilibrada as diferentes posições existentes e as diferenças que aparecem entre os bispos. As palavras chaves, pronunciadas por todos, parecem ser “misericórdia” e “graduação”. No entanto, os significados que uns e outros dão a cada uma delas são distintos. Para os conservadores - entre os quais estão o prefeito (ministro) da Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Santo Ofício), Gerhard Ludwig Müller, o presidente emérito do Pontifício Comitê de Ciências Históricas, cardeal Walter Brandmüller, e o arcebispo de Bolonha, Carlo Caffara -, a misericórdia só chega a partir do reconhecimento do “pecado” e do “erro”, neste caso para os homossexuais, porém o critério também pode se aplicar aos divorciados ou aos que só registram uniões civis.

Continua em espanhol (com traduções pontuais):

Acerca de las “convivencias y de los matrimonios civiles y los divorciados vueltos (que voltaram) a casar” el documento sinodal señala que la Iglesia debe hacer un reconocimiento respetuoso de estas realidades, a las que califica de “modo incompleto e imperfecto” de vida. En este caso los obispos (bispos) recomiendan “apreciar más los valores positivos” que existen en estas opciones “en vez de los límites y las faltas”.

La idea de “gradualidad” (graduação) encierra una doble estrategia. Por un lado, apunta a indicar que, existiendo una condición “perfecta” desde la perspectiva de la Iglesia hay, sin embargo (entretanto), otros estados de la realidad que si bien no alcanzan el grado de perfección puede conducir hacia ella. De este modo – y después de un diagnóstico realista en el que se describen los nuevos modos de familia y de uniones alejadas (distantes) del deber ser católico –, se sostiene que “una nueva dimensión de la pastoral familiar actual consiste en captar la realidad de los matrimonios civiles y, hechas (feitas, constatadas) las debidas diferencias, también de las convivencias”. Y se agrega al respecto que “cuando la unión alcanza una notable estabilidad a través de un vínculo público, está marcada por un afecto profundo, por una responsabilidad en relación con los hijos (com os filhos), con la capacidad de resistir a las pruebas, pueden ser vistos como un germen para acompañar el desarrollo hacia (o desenvolvimento rumo) el sacramento del matrimonio”.

“No es sabio pensar en soluciones únicas o (ou) inspiradas en la lógica del ‘todo o nada (tudo ou nada)’”, se afirma al introducir el tema de las nulidades de los matrimonios católicos y la aceptación de los divorciados para participar de la eucaristía. Se pide particularmente que se evite “cualquier lenguaje o (ou) actitud” que haga sentir discriminados en la Iglesia a quienes están divorciados o vueltos (ou os que voltaram) a casar y se deja abierta la puerta a la participación sacramental de estas personas, si bien se pide seguir estudiando teológicamente el tema.

El texto dice también que diversos participantes “han subrayado (sublinharam) la necesidad de hacer más accesibles y ágiles los procedimientos para el reconocimiento de casos de nulidad (matrimonial)” y admite que “entre las propuestas han sido indicadas la superación de la necesidad de la doble sentencia, conforme la posibilidad de determinar una vía administrativa bajo (sob) responsabilidad del obispo diocesano y un proceso sumario para realizar en los casos de nulidad notoria”.

Durante esta semana las comisiones de trabajo darán forma al documento de conclusiones de esta etapa extraordinaria del sínodo y ese texto será elevado al Papa. Todo ello (Tudo isso) servirá también de base para los debates del sínodo ordinario que se celebrará del 4 al 25 de octubre de 2015 bajo (sob) el título “La vocación y la misión de la familia en la Iglesia en el mundo contemporáneo”.

Tradução (parcial): Jadson Oliveirao

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