quarta-feira, 22 de outubro de 2014

DUARTE PEREIRA: VOTO NULO É ALTERNATIVA DEMOCRÁTICA A DILEMA FALSO



(Foto: Internet)
As espúrias alianças do PT com personalidades e partidos de direita não podem ser separadas dos sucessivos escândalos dos governos Lula e Dilma. Por que, então, nos comprometermos com as posições, alianças e métodos desses governos?

Que diabo de tática é essa que no máximo nos conduz, há tantos anos, a um social-liberalismo, ao enfraquecimento progressivo das forças de esquerda e de centro e ao crescimento ameaçador das forças  de direita?

Por Duarte Pereira, jornalista (ver observação abaixo) – da página web Correio da Cidadania (enviado pelo companheiro Otto Filgueiras)

As espúrias alianças do PT com personalidades e partidos de direita não podem ser separadas dos sucessivos escândalos dos governos Lula e Dilma. Por que, então, nos comprometermos com as posições, alianças e métodos desses governos?

A alternativa democrática do voto nulo no segundo turno deve ser examinada com seriedade e sem temor.

Não identifico diferenças substanciais entre as duas candidaturas. Não há, em ambas, alianças com o grande capital e com a direita conservadora, não estão envolvidas por escândalos de corrupção ativa e passiva assemelhados? Por que, então, continuarmos nos atrelando à cômoda teoria do “mal menor”?

Ao advertir para o falso dilema em que estamos enredados, o voto nulo não é, neste momento, o bem menor? Não contribui para elevar a consciência crítica de companheiros para a identidade básica no conteúdo e na forma de ambas as propostas que restaram, identidade básica que as campanhas raivosas tentam desesperadamente encobrir?

Com um Congresso Nacional ainda mais conservador, alguém tem dúvida do que vai ser necessário negociar para garantir a famosa “governabilidade” de um eventual governo Dilma, para não falar de um eventual governo Aécio? Como o fortalecimento do desenvolvimentismo capitalista pode aproximar-nos de um socialismo atualizado?

A tática não deve servir à estratégia? Que diabo de tática é essa que no máximo nos conduz, há tantos anos, a um social-liberalismo, ao enfraquecimento progressivo das forças de esquerda e de centro e ao crescimento ameaçador das forças  de direita? Se persistimos numa estratégia socialista, não devemos buscar uma nova tática – ampla, mas combativa e mobilizadora, que aproxime as forças de esquerda das forças de centro, mas invista contra as diferentes forças conservadoras e de direita, representativas do grande capital, nacional e transnacional, financeiro e produtivo?

Não existem “atalhos” para as verdadeiras transformações sociais, nem militaristas, nem pacifistas conciliadores. Se continuamos querendo essas transformações, temos que voltar, cada um de nós no limite de suas possibilidades, ao difícil e demorado caminho da mobilização, organização e educação política das bases populares e de seus aliados.

Observação do Evidentemente:

Articulista do jornal Movimento nos anos 70

Por Jadson Oliveira - jornalista/blogueiro - editor do blog Evidentemente

Para militantes do movimento democrático, popular e de esquerda, Duarte Pereira jogou um papel interessante nos anos 70, durante a fase mais dura da ditadura brasileira, através do Movimento, jornal de resistência dirigido pelo brilhante jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, hoje diretor da revista Retratos do Brasil.

Os mais jovens talvez não tenham referências a respeito, mas os da minha geração, especialmente os mais ligados à ação do PC do B (Partido Comunista do Brasil), clandestino na época, certamente recordam. Ele escrevia (clandestinamente) a seção Ensaios Populares, espécie de editoriais, onde opinava sobre os temas políticos mais quentes do momento. Teve grande influência entre a militância de esquerda e sua visão era bastante acatada, chegando a ser considerada uma orientação informal da direção do PC do B.

Os leitores do jornal Movimento só souberam bem mais tarde do verdadeiro autor dos Ensaios Populares. Duarte Pereira foi dirigente histórico da AP (Ação Popular), que virou partido político autodenominado marxista-leninista depois de seu início vinculado à militância católica. A AP se fundiu com o PC do B, mas Duarte Pereira, que participou ativamente das discussões para a fusão, acabou não se integrando ao PC do B.

Deve ser um dos importantes personagens do livro “Revolucionários sem rosto – uma história da Ação Popular”, de autoria do jornalista Otto Filgueiras, cujo primeiro volume (serão dois) já começou a ser vendido no Rio de Janeiro.

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