segunda-feira, 27 de outubro de 2014

VERGONHA: DILMA, REELEITA, SE “ESQUECE” DA NECESSIDADE DE ENFRENTAR O TERRORISMO MIDIÁTICO



Dilma, ao lado do seu vice Michel Temer, ao fazer o discurso da vitória (Foto: em.com.br)

Foi um desfecho vergonhoso depois de tanta tensão diante da frenética campanha eleitoral encetada pela revista Veja, em conluio com a Rede Globo e os jornalões Folha, Estadão e O Globo.


 

Por Jadson Oliveira, jornalista/blogueiro – editor do blog Evidentemente


 

De Salvador (Bahia) – Não adiantou a consigna gritada pela militância petista, que, no sufoco diante do crescimento das forças de direita nessas eleições, parece ter dado sinais de renascimento nos últimos lances da campanha eleitoral: “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”.


 

A presidenta Dilma, reeleita pela mais estreita margem desde que o PT e seus aliados iniciaram a série de quatro vitórias em eleições presidenciais, a partir de 2002, escutou o clamor dos militantes, fez ouvidos de mercador, e continuou, impávida, sua cantilena protocolar de agradecimento pela vitória.


 

De substancial somente a reafirmação da prioridade da luta pelo plebiscito popular em busca da Constituinte exclusiva para a reforma política. Menos mal. O resto foi bolodório óbvio. Não é à toa que os apresentadores/comentaristas da TV Globo tenham observado ter sido um bom discurso.


 

Foi realmente um desfecho vergonhoso depois de tanta tensão diante da frenética campanha eleitoral encetada pela revista Veja, em conluio com a Rede Globo e os jornalões Folha, Estadão e O Globo, utilizando de forma deliberada e planejada os tais vazamentos de depoimentos de réus envolvidos em falcatruas na Petrobras, vazamentos feitos oportunamente num inquérito classificado oficialmente de sigiloso e réus atuando sob o signo da tal delação premiada.


 

E tensão especial durante o dia de sábado, véspera das eleições, quando a campanha de Dilma estava bloqueada, emudecida, pois não tinha mais o espaço do horário de propaganda eleitoral para se manifestar, e indefesa diante do aparato midiático tradicional – rádios, TVs e jornais -, todo ele a serviço dos donos da palavra, todo ele submetido aos ditames do pensamento único, ou seja, a serviço da direita e do seu candidato Aécio Neves.


 

Tal tensão do sábado chegou ao paroxismo quando finalmente, depois de passada a sexta-feira, a Rede Globo armou-se de coragem e repercutiu no Jornal Nacional do sábado, véspera da votação, a manjada capa da Veja: Dilma e Lula sabiam de tudo sobre a roubalheira na Petrobras.


 

A sensação, nítida, era de um governo cuja candidata se aventurava no campo de batalha desarmada, uma vocação suicida, uma irresponsabilidade diante de uma grande nação latino-americana que se arriscava a um retrocesso impensável. Não tinha meios de comunicação para se comunicar com os eleitores. Apelar ao TSE? Sim, apelou-se, mas com parcos resultados. E se a questão chegasse ao Supremo Tribunal Federal? Aí os resultados poderiam ser até piores.


 

Os nossos blogueiros chamados progressistas (ou “sujos”, nome cunhado pelo José Serra) chiaram, gritaram, denunciaram, resistiram heroicamente (creio que alguns deles dormiram pouco nesses dias). Nos seus artigos havia sempre – explicitamente ou subjacentemente – a ideia de que: ah! num segundo mandato da Dilma, caso vençamos mesmo esta, a coisa certamente será diferente, o governo e o movimento democrático e popular terão de criar instrumentos eficazes para fazermos o enfrentamento midiático, teremos que fazer a regulação “econômica” da mídia (como a Dilma chegou a dizer durante a campanha), teremos que criar instrumentos eficazes da mídia contra-hegemônica.


 

Vale enfatizar – lembram alguns oportunamente – que até o nosso Lula já andou declarando que doravante se tornaria um militante da causa pela democratização dos meios de comunicação.


 

Pois sim! Na hora do discurso de agradecimento pela vitória – ou do alívio diante da apertada vitória -, nossa presidenta, reeleita, se “esqueceu” de tocar em assunto tão decisivo, apesar da militância entoar, em áudio nitidamente audível, ao vivo, na cobertura da própria Rede Globo: “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”.

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