quarta-feira, 29 de outubro de 2014

ELEIÇÃO NO URUGUAI: MUJICA CRITICA MEIOS DE COMUNICAÇÃO E INSTITUTOS DE PESQUISA



Mujica, assediado por microfones: criticou a cobertura midiática das eleições (Foto: AFP/Página/12)
A Frente Ampla derrotou o Partido Nacional por mais de 15 pontos, enquanto as sondagens previram 10: lamentou que os meios de comunicação amplifiquem as pesquisas, cujos prognósticos para as eleições presidenciais do domingo último se distanciaram dos números obtidos pelos candidatos. Citou campanhas midiáticas contra ele e contra Dilma.

Matéria do jornal argentino Página/12, edição de hoje, dia 29

O presidente do Uruguai, José Mujica, criticou ontem as campanhas realizadas pelos meios de comunicação nas épocas eleitorais e os institutos de pesquisa. “Os meios de comunicação não estão à margem da lei”, expressou o mandatário em declarações a rádios, após os resultados das eleições em que a Frente Ampla (FA) derrotou no primeiro turno o Partido Nacional (PN) por mais de 15 pontos de diferença, frente aos 10 que previram as sondagens prévias. “Há campanhas sistemáticas da imprensa”, acrescentou Mujica, de 79 anos, que termina seu mandato em 1º de março próximo.

Também fez referência à publicação da revista Veja, que causou polêmica no Brasil a dois dias das eleições do último domingo, na qual se informava que a  presidenta brasileira reeleita, Dilma Rousseff, estava a par dos desvios de dinheiro da Petrobras. O presidente uruguaio disse que a informação foi publicada quando já não havia tempo para esclarecimentos devido à proximidade do dia da votação, ressaltando que de toda maneira é algo que tem um grande impacto. “Por que não se usou antes essa informação ou a via judicial?”, se perguntou.

O mandatário se referiu ao caso Feldman, que apareceu justamente antes do segundo turno em 2009 e que envolveu um homem que enfrentou a tiros a polícia em cuja casa foi encontrado um importante arsenal. Meios de comunicação uruguaios e dirigentes opositores vincularam então Feldman à guerrilha tupamara, à qual pertenceu Mujica, e chegaram a afirmar que essas armas eram desse grupo e que o homem as estava guardando, o que se demonstrou que era completamente falso.

“Vivi com amargura quando jogaram o caso Feldman em nossas costas no meio da batalha eleitoral, tomando um fenômeno fortuito, estranho, que o tempo demonstrou que era um episódio grave, mas consequência de um ser humano que tinha suas inclinações”, lembrou. Mujica disse que essas coisas não são “boas para a democracia” e que não seria bom que isso aconteça no Uruguai. “A democracia está construída por seres humanos, tem deficiências, enfermidades e na luta pelas decisões da vontade das grandes massas não necessariamente os homens utilizamos somente argumentos sadios”, explicou.

Continua em espanhol (com traduções pontuais):

En tanto lamentó que los medios (de comunicação) amplifiquen a las encuestadoras (empresas de pesquisa), cuyos pronósticos para las elecciones presidenciales del domingo último distaron de los que obtuvieron finalmente los candidatos. “Mire lo que pasó con las encuestas (Olhe o que aconteceu com as pesquisas); se hace la autocrítica de las encuestadoras (pesquisadoras), pero antes se amplificó permanentemente e influyó tanto que muchos compañeros nuestros pensaban lo mismo, y hubo que reflotar el espíritu interno. Es increíble el machaque de los medios, la influencia que tienen”, explicó Mujica.

“Cuando no hay noticias policiales de acá, las traen (as trazem) de los vecinos y se va creando una atmósfera de que no podemos salir a la calle (sair à rua). Se crea una alarma pública que nos termina perjudicando a todos; pero hay que seguir trabajando y trabajando mejor”, consideró el mandatario, quien encabezó la lista más votada al Senado en todo el país. “Yo soy el primero en reconocer el problema de seguridad, pero que me digan cómo es posible que yo ande por todos lados... No existe en el mundo entero eso”, aclaró Mujica.

De hecho, las principales empresas encuestadoras de Uruguay reconocieron sus “errores” en los sondeos previos a las elecciones del domingo. Si bien Interconsult, Factum, Cifra y Equipos Mori acertaron en confirmar la necesidad de una segunda vuelta para definir al presidente, se equivocaron en pronosticar la ausencia de mayorías parlamentarias, e incluso llegaron a darle al FA apenas un 41 por ciento de los sufragios, casi 7 puntos menos que lo que obtuvo realmente.

La directora de la empresa Cifra, Mariana Pomiés, achacó estos fallos de pronóstico (atribuiu estas falhas de prognóstico) a un “conjunto de factores de difícil explicación” que afectaron a todas las encuestadoras del país. Uno de los posibles causantes del desajuste, según Pomiés, es el impacto del voto de los electores indecisos, que se preveían más balanceados (equilibrados) entre las diferentes opciones.

Tradução (parcial): Jadson Oliveira

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