quarta-feira, 15 de outubro de 2014

EM EVENTO PRÓ-DILMA, HADDAD PARTE PARA O ATAQUE: "AQUI, MÍDIA TEM IDEOLOGIA"

(Foto: SpressoSP)
Em plenária que contou com a presença do prefeito e de secretários da administração municipal, petistas mostraram apoio à candidatura do partido à presidência e falaram em perseguição de parte da imprensa. Prefeito criticou Folha de S. Paulo e Rádio Bandeirantes

Por Igor Carvalho, no site SpressoSP, de 15/10/2014

A derrota volumosa sofrida pelo PT em São Paulo colocou o partido na rua e a reflexão sobre o resultado das urnas já está em curso. Na noite da última terça-feira (14), na sede da Uninove no Paraíso, foi realizada uma plenária que contou com a presença de diversos secretários e subprefeitos, além de militantes e estudantes que lotaram o auditório. Durante o ato, uma sensação comum estava presente nos discursos, a perseguição de parte da mídia ao partido.

O prefeito Fernando Haddad foi mais incisivo e, fugindo de seu habitual comportamento, demonstrou irritação. “Hoje, na rádio Bandeirantes, durante o almoço, ficaram 10 minutos discutindo com quem eu almocei, onde eu almocei e o que eu almocei. Gente, está faltando água na nossa cidade, está faltando segurança na nossa cidade e está faltando Metrô em São Paulo. Essa gente está de brincadeira”, afirmou o petista, aproveitando para criticar o governo estadual.

Mantendo o mesmo tom, Haddad lembrou que a Folha de S. Paulo produziu uma matéria, na última segunda-feira (13), informando que ele teria dado o aval para que uma favela fosse instalada em uma calçada no Campo Belo.

“Eu nunca autorizei isso. Encontrei o repórter da Folha lá em São Mateus hoje pela manhã. O repórter se apressou, chegou em mim e pediu desculpas pelo título da matéria. Eu até concedo as desculpas, mas e os 300 mil leitores da Folha, vai se desculpas com eles também?”, perguntou Haddad, que lamentou que a repercussão dos fatos negativos, na internet, não puderam ser controlados. “A matéria pode estar no miolo do jornal, mas as redes espalham. A direita funciona cada vez mais com práticas fascistas, não tem outra palavra.”

A vice-prefeita de São Paulo, Nádia Campeão, falou do papel da mídia na disputa entre os presidenciáveis deste ano. “A única coisa que o Aécio tem é a total unanimidade da grande mídia. Ou mudamos profundamente isso no Brasil ou não dá mais. São panfletos do Aécio nas bancas todo final de semana.”

Para Fernando Haddad, em São Paulo, “a mídia tem ideologia”. “Não tenho nada contra isso, mas fala de que lado está, não fica posando de imparcial. Eu tenho lado e falo”. O prefeito traçou um paralelo entre a atenção dada ao governo estadual e a prefeitura, na imprensa. “Eu fico me perguntando: ‘por que tanta blindagem? Por que um governo de 20 anos tem que ser blindado?’ É proibido se discutir o governo do Estado de São Paulo. Porém, o nosso governo é discutido todo dia, de manhã, de tarde e de noite.”

Segundo turno

O ato teve como mote central o apoio à candidatura de Dilma Rousseff à presidência. Por diversas vezes, lideranças do partido convocaram a militância para sair às ruas.

“Precisamos reverter o voto de alguns desavisados que, motivados pelo ódio da mídia, acreditaram no Aécio. Precisamos acabar com a festa da direita, que pretende governar o Brasil”, afirmou Emídio de Souza, presidente estadual do PT em São Paulo.

Para o secretário de governo da Prefeitura de São Paulo, Chico Macena, está em jogo, na eleição, que “modelo de parceria os paulistanos querem para a cidade”. “Apresentamos um projeto audacioso de 55 mil moradias populares. Isso será feito através do Minha Casa Minha Vida, que o outro candidato já afirmou que vai rever. São mais de 7 bilhões de investimentos do governo federal”, afirmou o petista, para em seguida apresentar outros dados sobre a parceria entre Prefeitura e Governo Federal, que podem chegar em investimentos de até R$ 16 bilhões, segundo o secretário.

Para Haddad, São Paulo pode ser um parâmetro de comparação entre o que significa uma gestão do PT e uma do PSDB. “Nós temos mais marcas na cidade de São Paulo em um ano e dez meses do que eles em 20 anos. Eu desafio qualquer tucano a debater a cidade comigo, faz a lista.”

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