sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

IMPRENSA NO BRASIL: A FALTA QUE FAZ UM JORNAL DIÁRIO COMO O PÁGINA/12




A capa do jornal argentino, edição impressa desta sexta, dia 28
Pense um pouco, por exemplo, como é o noticiário no Brasil sobre os embates da política na Venezuela. Nossos meios de comunicação dos monopólios hegemônicos só divulgam um lado.

De Aracaju (Sergipe) – Uma pequena mostra da falta que faz uma publicação diária comprometida com a verdade factual e orientada editorialmente para fortalecer o movimento democrático e popular. Como o Página/12 da Argentina, cujas matérias – via online – uso sempre neste meu blog, como estão carecas de saber meus caros leitores.

Mesmo havendo atualmente uma situação bem menos escandalosa, devido à influência cada vez maior dos blogs chamados progressistas – e a batalha que se trava diariamente através da Internet -, creio que um meio de comunicação impresso, bem estruturado e com recursos adequados, diário, ainda teria um papel importante a cumprir na luta dos brasileiros por uma comunicação confiável.

Acredito que redutos do pensamento único – alinhado incondicionalmente com o ideário do “mercado”, do grande empresariado, do capital financeiro, das transnacionais, do império estadunidense – ainda fazem um estrago considerável nos corações e mentes da gente brasileira, através de diários como Folha de S.Paulo, Estadão e O Globo. Mesmo porque eles se repercutem com veículos da mídia hegemônica como a Rede Globo, a revista Veja e etc, etc.  

Pense um pouco, por exemplo, como é o noticiário no Brasil sobre os embates da política na Venezuela. Nossos meios de comunicação dos monopólios hegemônicos só divulgam um lado, as versões construídas pela direita, é um verdadeiro massacre de mentiras e manipulações.

Compare com a cobertura da edição impressa de hoje (sexta, dia 28) do Página/12, que deu manchete de capa ao assunto – “Apoio total e absoluto” -, falando da visita do chanceler venezuelano Elías Jaua. Traduzo a chamada da primeira página:

“O governo argentino aproveitou a visita do chanceler venezuelano, que se reuniu com (a presidenta) Cristina Kirchner, para respaldar as instituições democráticas desse país. ‘Se deve respeitar as instituições e a vontade popular, que se expressou há oito meses em eleições livres’, afirmou (Héctor) Timerman”. 

(Deixo aqui olink para a matéria interna, em espanhol: “Vamos pedir respeito à democracia”).

Há outra matéria na mesma edição, intitulada “Uma convocação à Unasul”. Traduzo o primeiro parágrafo:

“O chanceler venezuelano, Elías Jaua, esteve em Buenos Aires poucas horas, como parte dum giro pelos países da região. Com uma fisionomia séria, Jaua concedeu entrevista na Casa Rosada junto ao seu colega, Héctor Timerman, após se reunir com a presidenta Cristina Fernández, e agradeceu o apoio do governo argentino. ‘Encontramos na Argentina uma firme posição em defesa dos valores fundamentais da democracia e do direito a viver em paz que temos os venezuelanos’. No escasso tempo em que respondeu perguntas, Jaua disse que ia convocar uma reunião da União das Nações Sul-americanas (Unasul) para tratar da crise enfrentada por seu país. Assinalou que o governo de Nicolás Maduro espera que a oposição se sente para conversar. ‘O diálogo está aberto. Alguns não foram à Conferência Nacional pela Paz (de quarta-feira) por medo do linchamento midiático’”.

(Como já foi divulgado, o principal líder da oposição venezuelana, Henrique Capriles, governador do estado de Miranda e candidato derrotado duas vezes a presidente da República, recusou-se a participar da referida conferência, convocada por Maduro, dizendo se tratar de uma “simulação”, uma artimanha para livrar a cara do governo).

(Fica aqui olink também para esta matéria do diário argentino, em espanhol).

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