terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

VENEZUELA: O FRONT DA LUTA CONTRA O FASCISMO NA AMÉRICA LATINA



Marcha das mulheres venezuelanas foi uma das mobilizações populares em apoio à Revolução Bolivariana nesses últimos dias conturbados (Foto: AVN)
Nos últimos dias voltaram a desnudar outra verdade por demais sabida, replicada no resto dos cenários da região: o destacado papel que cumprem os meios de comunicação, tanto nacionais como internacionais, nos intentos de desestabilização...

Por Agustín Lewit (*), no jornal argentino Página/12, edição de hoje, dia 25, com o título “O que mostra a Venezuela” (o título acima é deste blog)

A Venezuela ocupa, desde um pouco mais de uma década, um ponto nevrálgico da geopolítica continental. Foi lá, nessa nação meio caribenha e meio sul-americana, onde nos finais da década de 90 começou a se abrir a brecha por onde se vislumbraria desde então a possibilidade dum novo tempo, não apenas para aquele país, mas para grande parte da região. Desde a sua consolidação, dito processo atuou real e simbolicamente como o motor do que – assumindo os riscos de toda generalização – chamamos uma nova época no subcontinente. Por ocupar esse centro, é lá, em seu incerto e convulsionado presente, onde se dirime também grande parte do futuro regional.

O dito não é de forma alguma um exagero: assim como a Revolução Bolivariana operou como a condição para a possibilidade de muitos dos novos processos regionais, uma queda da mesma – seja de que maneira for – significaria sem dúvidas colocar em perigo todas essas experiências. Basta imaginar a Unasur ou a Celac sem a participação venezuelana tal como ocorreu até então. Nem falar de blocos como a ALBA ou o Petrocaribe, de fundamental apoio para muitas nações caribenhas e cujo funcionamento depende de maneira crucial do governo de Maduro.

Mas também a Venezuela, por ser talvez o processo onde as contradições ficaram mais expostas e tensionadas, projete de maneira potencializada fenômenos presentes no resto das experiências políticas surgidas nos últimos anos na região.

Por um lado, os violentos acontecimentos das últimas semanas nos falam outra vez da exasperação duma direita que não encontra as vias eleitorais para ter acesso ao poder e apela, por isso mesmo, a ações golpistas. Sempre é bom recordar os 18 triunfos do chavismo nas últimas 19 eleições e os 10 pontos de vantagem que obteve nas últimas eleições municipais, há apenas dois meses; quer dizer, é uma força que se apresenta até agora francamente invencível nas urnas. Também nos últimos dias voltaram a desnudar outra verdade por demais sabida, replicada no resto dos cenários da região: o destacado papel que cumprem os meios de comunicação, tanto nacionais como internacionais, nos intentos de desestabilização, operando como caixa de ressonância da ira de setores minoritários e construindo, mediante obscenas distorções e montagens midiáticas, cenários bastante distanciados da realidade. É verdade que os setores populares venezuelanos têm algumas reclamações contra o governo, sobretudo vinculadas às dificuldades para adquirir certos bens básicos. Porém o agente por excelência dessas novas jornadas violentas originou-se, sem dúvida alguma, nos bairros mais ricos dos grandes centros urbanos, conhecidos localmente como “el sifrinaje”.

Continua em espanhol:

Y, finalmente, la figura de Leopoldo López y sus vínculos con EE.UU. echaron (jogaram) nuevamente luz sobre la silenciosa – y a veces no tanto – injerencia del país del Norte en la región, que se mueve estratégicamente brindando apoyo financiero a los distintos opositores locales. Conviene no soslayar (minimizar) aquí el dato (o dado) de que Venezuela posee la principal reserva comprobada de hidrocarburos (petróleo) del mundo, siendo el tercer abastecedor de crudo de la nación estadounidense. Con ese antecedente deben leerse las recientes declaraciones de Obama y su secretario de Estado, manifestando “profunda preocupación” por la violencia en Venezuela.

Desde un plano más general (geral), los últimos acontecimientos en la patria chavista confirman lo que parecería ser a esta altura una regla implícita de la política latinoamericana contemporánea: si los gobiernos conservadores tienen que convivir siempre con un cierto nivel de protesta social, los gobiernos progresistas, por su parte, se encuentran condenados a vivir con el acecho constante de la derecha, la cual – con formas más o menos explícitas, dependiendo de la coyuntura política de cada país – termina encauzando su accionar en intentos de desestabilización, potenciados por el accionar de los medios (meios de comunicação) y por el gran dominio que estos sectores poseen aún sobre los distintos mercados. Esa actitud constante de las fuerzas conservadoras marca el verdadero desafío para todos los gobiernos que se encuentran batallando por alterar las bases de sus realidades: cómo avanzar transformando la realidad y hacer frente a una resistencia que siempre amenaza con desbordarse y llevarse puesto al sistema democrático mismo. En definitiva, es la propia capacidad de la democracia de conjugar inéditas experiencias de transformación con fuerzas que se resisten al cambio (à mudança) por todos los medios la que está en juego. Las últimas semanas le han enrostrado con furia esta situación al gobierno de Maduro, quien dio algunos indicios de haber comprendido su gravedad. En ese sentido, la apertura de diálogos con algunos sectores de la oposición parece avanzar en la búsqueda de ese difícil y contingente equilibrio, tan necesario para Venezuela como para el resto de la región.

* Investigador del Centro Cultural de la Cooperación.

Tradução: Jadson Oliveira

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