sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

ALGUMA COISA ACONTECE NA AMÉRICA CENTRAL



Ao contrário do que ocorreu nas últimas décadas, vários países da América Central viram surgir experiências políticas progressistas

Por Agustín Lewit/Página/12 – reproduzido do portal Carta Maior, de 06/02/2014

Hoje já não é mais preciso argumentar exaustivamente sobre a ideia de que, nos últimos anos, o cenário político na América do Sul virou alguns graus em direção à esquerda. Ainda que esse deslocamento não compreenda a todos os países, visto que também surgiram na região governos conservadores – e, inclusive naqueles onde isso aconteceu, não faltem questionamentos sobre isso –, o certo é que, a esta altura, soa como um dado real da realidade que um certo espírito progressista se espalhou pelo subcontinente.

Mas o fenômeno parece ter transcendido as fronteiras do Cone Sul. De fato, algo similar também ocorreu na América Central onde, na contramão do cenário das últimas décadas, marcado por uma hegemonia neoliberal fechada e uma ingerência norte-americana asfixiante, vários países do istmo continental viram surgir experiências políticas progressistas. Sejam versões atualizadas de forças insurgentes do passado, ou surgindo enquanto projetos políticos novos, colocaram a América Central em sintonia com o ritmo político regional. Exemplo do primeiro caso é a Nicarágua, onde a Frente de Libertação Nacional conseguiu voltar ao poder em 2006, depois de quase duas décadas de governos conservadores. No segundo caso aparece Honduras, onde o Libre (Livre, em português)– partido de Manuel Zelaya e de sua mulher, Xiomara Castro –  não conseguiu derrotar o conservador PLN nas últimas eleições. Porém, com um programa de forte conteúdo social, chegou a se constituir como a segunda força nacional, rompendo mais de um século de bipartidarismo conservador.

Estes exemplos se reforçam com o que aconteceu recentemente em El Salvador e na Costa Rica, dois países que realizaram eleições presidenciais – no fechamento desta edição os primeiros resultados oficiais já eram conhecidos – em ambos os casos a esquerda mostrava um desempenho excelente. (Observação deste Evidentemente: no caso da Costa Rica não foi tão excelente; ao contrário do que diziam as pesquisas, o candidato de esquerda ficou em terceiro lugar, fora, portanto, do segundo turno). 

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