Páginas

sábado, 14 de janeiro de 2023

LULA NÃO TEM FORÇA PARA ENFRENTAR QUESTÕES MILITARES AGORA, DIZ HISTORIADOR

Matéria reproduzida do site da BBC News – de 06/01/2023 (Atenção: entrevista feita antes do quebra-quebra nas sedes dos poderes em Brasília, dia 08/01/2023)


Especialista em estudos sobre a ditadura militar, Carlos Fico é autor de livros como 'O Golpe de 1964: Momentos Decisivos'© Julia Dias Carneiro/BBC News Brasil

 

O historiador Carlos Fico, estudioso da Ditadura Militar (1964-1985), considera que é "compreensível" a opção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de adotar uma postura conciliadora com as Forças Armadas no início do seu governo.

Na sua avaliação, o petista não tem força para enfrentar agora o antigo problema brasileiro de "intervencionismo militar" na política, após ter sido eleito em uma vitória apertada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, governo em que as Forças Armadas alcançaram o maior espaço desde a redemocratização.

"Qualquer governo que assumisse agora teria dificuldade (na relação com os militares), a não ser que fosse de extrema-direita novamente. Então, acho compreensível a tentativa de acalmar os ânimos", afirmou em entrevista à BBC News Brasil.

"Compreendo que seja impossível enfrentar os problemas que existem na relação dos militares com a política, dos militares com os civis, depois de toda uma longa trajetória de falas políticas indevidas, de indisciplina, de quebra da hierarquia, de tudo que aconteceu no governo Bolsonaro", acrescentou.

Para o professor titular de História Brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a politização das Forças Armadas aumentou a partir do governo de Michel Temer e, em especial, nos últimos quatro anos, mas é um problema "estrutural, extremamente complexo", que se reflete no "excesso de atribuições indevidas" atribuídas aos militares pelas constituições brasileiras ao longo dos séculos.

Fico diz que isso permanece na Constituição atual por meio do artigo 142, que estabelece que "as Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem".

Segundo o historiador, essa redação foi incluída por lobby dos militares e dá margem para interpretações equivocadas que atribuem às Forças Armadas um pretenso papel moderador sobre os três Poderes da República: Executivo, Legislativo e Judiciário.

Apesar de considerar que isso "fragiliza muito a institucionalidade da democracia brasileira", o historiador não acredita que haverá qualquer tentativa de mudar esse trecho da Constituição nos próximos anos.

"A alteração disso é uma coisa que criaria um tumulto muito grande entre os militares. Muito maior do que, por exemplo, foi a Comissão Nacional da Verdade (durante o governo Dilma Rousseff)", afirma.

"Precisa de um Presidente da República muito forte pra enfrentar esse tipo de problema. No momento, a gente está no início do governo, vindo de uma eleição que foi disputada quase que, diria, voto a voto. Então, temo que isso vá ter que aguardar um pouco", reforçou em outro trecho da entrevista.

Lula escolheu o político conservador José Múcio (PTB) para o Ministério da Defesa e nomeou como comandante das três forças os generais-oficiais mais antigos: general Julio César de Arruda (Exército), almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen (Marinha) e o tenente-brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno (Aeronáutica).

Apesar de considerar as escolhas compreensíveis dentro de uma estratégia de conciliação, Fico considerou "muito ruim" a antecipação da nomeação dos comandantes para antes da posse de Lula, após pressão das Forças Armadas.

Ele também criticou a declaração de Múcio de que os acampamentos em frente aos quartéis pedindo um golpe militar após a eleição de Lula, justamente como base no artigo 142 da Constituição, seriam uma "manifestação democrática".

"É um equívoco, um excesso de zelo dele. Ele não é tão habilidoso assim como se propaga, pelo visto, né?", questionou Fico.

Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista.

BBC News Brasil - Como avalia esse início de relação do governo Lula com os militares? A escolha de um ministro da Defesa conciliador foi adequada, ou deveria haver um enfrentamento mais duro à politização das Forças Armadas?

Carlos Fico - Qualquer governo que assumisse agora teria dificuldade, a não ser que fosse de extrema-direita novamente. Então, acho compreensível a tentativa de acalmar os ânimos, de não trazer temas que são realmente problemáticos na trajetória histórica das Forças Armadas para serem discutidos neste momento.

Não sei se no futuro haverá espaço para isso. Eu acho que durante muito tempo não vai haver. Então dá pra entender a escolha de um ministro com esse perfil de conciliação.

O que eu não gostei mesmo foi de ter havido aquela pressão para o presidente, ainda presidente eleito, fazer a nomeação logo de um ministro com esse perfil, inclusive sob pena de alguma insubordinação, que afinal acabou acontecendo. Então, me pareceu ruim que o Lula tivesse cedido àquela pressão. Houve aquela hipótese dos comandantes renunciarem e isso funcionou como uma forma de pressão. E, afinal de contas, acabou que eles deixaram os cargos mesmo antes da transmissão de cargo de comandante.

O próprio ministro da Defesa também deixou o cargo antes. É uma coisa ruim que não tenha tido transmissão de cargo e que os comandantes indicados por Lula tenham sido nomeados como interinos pelo Bolsonaro. Então, já começou meio mal.

Mas eu compreendo que seja impossível enfrentar os problemas que existem na relação dos militares com a política, dos militares com os civis, depois de toda uma longa trajetória de falas políticas indevidas, de indisciplina, de quebra da hierarquia, de tudo que aconteceu no governo Bolsonaro.

BBC News Brasil - Por que a saída dos comandantes das Forças antes da posse de Lula é algo tão ruim?

Carlos Fico - Os comandantes militares do período do Bolsonaro não queriam, digamos, prestar continência para o Lula. Parece um problema menor para as pessoas no geral, mas no contexto do ambiente militar isso tem grande significação simbólica.

Então, para evitar perfilar e fazer continência ao novo presidente, os comandantes militares da época do Bolsonaro começaram a discutir uma proposta do antigo comandante da Aeronáutica de renunciar no dia 23 de dezembro e Bolsonaro, então, nomearia interinamente os novos comandantes indicados pelo Lula, que foram escolhidos pelo critério de antiguidade. Por que esse critério foi escolhido? Naturalmente, porque não há como contestar.

Eventualmente, o Presidente da República e o ministro da Defesa poderiam ter preferência por um outro general, um outro brigadeiro e um outro almirante, não necessariamente o mais antigo. Preferência, sei lá, por trajetória profissional, perfil político, qualquer coisa assim. Então, a escolha do critério da antiguidade pelo ministro da Defesa também faz parte dessa estratégia de conciliação.

Esse tipo de pressão é indevida e me pareceu muito negativa. Lula não foi capaz de resistir à pressão dos militares. Poderia ter sido o próprio Múcio, que é um perfil conciliador, e, em seguida, o Múcio nomearia os comandantes, e os antigos comandantes do Bolsonaro, como sempre aconteceu, fariam a transmissão do cargo pro novo comandante. Então, essas cerimônias (de transmissão de cargo) são tradicionais e não estão acontecendo.

 

BBC News Brasil - Múcio disse a jornalistas, após a cerimônia para assumir o cargo, que os atos na frente dos quartéis seriam democráticos. Como vê essa fala?

Carlos Fico - É um equívoco, um excesso de zelo dele. É claro que manifestações que peçam intervenção militar ou golpe militar são antidemocráticas e deveriam ser coibidas. Isso aí é muito ruim, muito negativo e certamente desnecessário. Não havia a menor necessidade. Mesmo com essa estratégia conciliadora, apaziguadora, não haveria necessidade de ele dar essa declaração. Ele não é tão habilidoso assim como se propaga, pelo visto, né?

BBC News Brasil - Após esse início conciliador, há algo que o governo Lula possa fazer para reduzir a politização das Forças Armadas?

Carlos Fico - Eu acho que a simples existência de um governo democrático, funcional e racional colabora no sentido de uma despolitização mais explícita. Na verdade, essa atuação indevida dos militares na política vem acontecendo com mais visibilidade desde o governo Michel Temer (2016-2018). E, no governo Bolsonaro, o presidente da República todo dia, praticamente, fazia um investimento nessa presença política das Forças Armadas, como se elas fossem dar o golpe. Então, o fato disso deixar de existir já é, por si só, muito positivo.

Agora, esse não é um problema pontual que começou com o Temer e se agravou com o Bolsonaro. Esse é um problema histórico, de longa duração. Vem desde o fim da Guerra do Paraguai (1864 a 1870), ainda durante o Império, no século 19. Ele atravessou todo o período republicano e, inclusive, tem uma dimensão, como eu sempre falo, constitucionalizada, que é o famoso artigo 142 da Constituição, que foi muito mal redigido e dá atribuições excessivas às Forças Armadas.

Muitos oficiais generais entendem que o artigo 142, assim como outros artigos de Constituições passadas, daria — o que é equivocado, mas muitos oficiais generais acham — às Forças Armadas o papel de moderador. É um problema estrutural, extremamente complexo. Na tradição constitucional brasileira, a atribuição das competências das Forças Armadas sempre foi excessiva, em competências indevidas.

É um problema que ultrapassa a crise criada pelo Bolsonaro e que vai ser muito difícil resolver. Não imagino que isso (a atual redação do artigo 142) vá ser sequer enfrentado durante os próximos quatro anos. Não sei quando será possível a gente ter um ambiente político para enfrentar esse problema, o que fragiliza muito a institucionalidade da democracia brasileira.

 

BBC NEWS Brasil - Então, na sua avaliação, o Congresso precisa aprovar emenda constitucional redigindo novamente esse artigo?

Carlos Fico - Exatamente. Parte desse artigo é muito ruim porque, durante a Assembleia Constituinte de 1987, 1988, quando a gente tinha saído há poucos anos da ditadura, havia uma preocupação grande do Ministro General Leônidas Pires Gonçalves, que era ministro do Exército do governo José Sarney (primeiro presidente Civil após o fim do regime militar), mas muito duro, muito preocupado com a tradição.

Ele fez um lobby muito forte na Constituinte e conseguiu garantir duas coisas que integram a tal tradição constitucional: a Garantia da Lei e da Ordem, que é um papel de polícia que já não deveria haver, e também a garantia dos poderes constitucionais. Essa expressão, sobretudo, é que é ruim.

A Constituição diz que compete às Forças Armadas aquelas coisas tradicionais em qualquer país, a defesa da pátria contra ameaças externas, e também a Garantia da Lei e da Ordem e dos poderes constitucionais. Sobretudo essa última expressão ficou muito confusa, dúbia. Ninguém sabe exatamente o que isso significa. Porque garantir os poderes constitucionais, ou seja, o Congresso, o Executivo, o Judiciário, é um papel de todo mundo, né? E quem ameaça esses poderes constitucionais? Então isso fica ao arbítrio das Forças Armadas.

O Supremo Tribunal Federal fez uma decisão liminar interpretando o artigo 142 e dizendo: "não, não tem essa história de intervenção (dos militares nos demais Poderes), nada disso, não é isso que a passagem quer dizer". A mesa da Câmara também se manifestou, durante o governo Bolsonaro, dizendo que não. E, portanto, só pelo fato do Supremo e da mesa da Câmara terem sido obrigados a se manifestar, você vê que há um problema aí.

Tem essa interpretação otimista, que é claro que eu concordo com ela, mas a verdade é que qualquer pessoa que leia esse artigo vai ver que ele tem esse problema que eu mencionei. A alteração disso é uma coisa que criaria um tumulto muito grande entre os militares. Muito maior do que, por exemplo, foi a Comissão Nacional da Verdade (durante do governo Dilma Rousseff). O relatório da Comissão (responsabilizando militares pela tortura e assassinato de opositores da ditadura) gerou muita insatisfação entre os militares e também está na origem, vamos dizer, dessa antipatia que eles têm contra o PT, Lula, e, sobretudo, a Dilma.

Então são vários focos de problemas, mas o principal é essa tradição histórica, que vem desde o século 19, de várias intervenções militares, que acabou levando a diversas constituições, inclusive a primeira, de 1891, a darem essa atribuição excessiva, que agora se expressa nessa passagem do artigo 142 (da Constituição de 1988).

 

BBC News Brasil - Houve um excesso no uso das operações de Garantia da Lei e da Ordem, a partir dos governos petistas?

Carlos Fico - Essa utilização das Forças Armadas como força policial é claramente indevida. É claro que existe em outros países também, como no Brasil, previsão para esse uso no caso de situações extremamente dramáticas. Mas elas não podem ser banalizadas. Acredito que, com o tempo, a criação de forças especiais, federais, talvez vinculadas à Polícia Federal, vai acabar resolvendo esse problema.

Porque esse é um caso de problema estabelecido pelo artigo 142 que prevê exatamente a Garantia da Lei e da Ordem para as Forças Armadas. Então você vê como ele é terrível. O artigo 142 é escrito mais ou menos da seguinte maneira: às Forças Armadas competem isso, aquilo e aquilo, a garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de um deles, a Garantia da Lei e da Ordem.

Então, só a Garantia da Lei e da Ordem tem a previsão de iniciativa de um dos três poderes. Por isso que eu digo que a garantia dos poderes constitucionais é precária. E, para finalizar, tem o seguinte: se um presidente do Congresso ou presidente do Supremo pedem a aplicação da Garantia da Lei e da Ordem, quem decide, em última instância, é o presidente da República, conforme a lei que regulamenta o artigo 142. Então, você vê que é uma coisa cheia de detalhes, cheia de problemas.

BBC News Brasil - Então os outros Poderes podem chamar as Forças Armadas a atuar, mas é o presidente que tem a palavra final?

Carlos Fico - Era o receio que havia agora durante a eleição. Então, vamos supor que houvesse uma iniciativa de bolsonaristas mais radicais ainda, contestando as eleições, invadindo, sei lá, o Congresso, o TSE, e o Congresso ou o Supremo pedissem a aplicação da Garantia da Lei e da Ordem. Quem ia decidir? Seria o Bolsonaro. Ele poderia dizer: "não, não precisa, isso é uma manifestação democrática", e ficaria por isso mesmo. Então você vê que tem vários problemas que, inclusive, vão para o plano da legislação.

BBC News Brasil - O presidente Lula não citou as Forças Armadas nos dois discursos de posse. Seria mais um movimento para distensionar a relação, não provocar os militares?

Carlos Fico - Talvez não distensionar ou não provocar, mas sobretudo talvez não dar muita importância, o que seria positivo.

Na geração que me antecede, que é um pouco mais velha do que eu, e que, portanto, enfrentou mais diretamente a ditadura, eu acho que tem um problema geracional na relação com militares. Então, todos os presidentes democratas, como Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma, têm esse perfil. Eu não sei se é medo, se é uma atitude um pouco de covardia, mas tiveram muita cautela na relação com os militares. E, portanto, nunca enfrentaram, vamos dizer assim, de frente esses problemas que mencionei.

Espero que, com o tempo, isso se dissolva para que esse velhíssimo problema, o intervencionismo militar, seja enfrentado de frente, com maior segurança, maior clareza. Porque não dá pra você ter uma democracia consolidada sem a proeminência do poder civil. E isso tem uma dimensão que é simbólica também. Não é só constitucional, mas é simbólica. A maneira como os presidentes da república se relacionam com os militares, me parece que sempre houve, desde o fim da ditadura, esse excesso de reverência.

 

BBC News Brasil - No primeiro governo Lula havia um contexto mais favorável para a despolitização das Forças Armadas do que agora? Foi uma oportunidade perdida?

Carlos Fico - Sim, sobretudo o governo Fernando Henrique, que conseguiu um grande avanço com a criação do Ministério da Defesa. E, no caso do governo Lula, sobretudo depois dos três primeiros anos, em que havia aquele temor sobre o que o Lula vai fazer, o que não vai fazer, e aí ficou claro que era um governo democrático, fortalecido pelo sucesso do próprio governo. Portanto, esses dois momentos foram perdidos.

No governo da Dilma, eu acho que não havia, por conta do passado de militante da esquerda revolucionária. Mas, no caso do Lula e do Fernando Henrique Cardoso, esse problema poderia ter sido enfrentado. Aliás, Fernando Henrique Cardoso foi um dos constituintes que tentou melhorar o tal artigo 142 e não conseguiu. Assim como outros, José Genoíno, Afonso Arinos de Melo Franco. Mas, enfim, já perdemos algumas oportunidades, com certeza.

Agora, vai depender muito do que vai acontecer nos próximos anos, porque precisa de um Presidente da República muito forte pra enfrentar esse tipo de problema. No momento a gente está no início do governo, vindo de uma eleição que foi disputada quase que, diria, voto a voto. A diferença (de Lula sobre Bolsonaro) foi muito pequena. Então, temo que isso vá ter que aguardar um pouco.

BBC News Brasil - Voltando aos acampamentos na frente dos quartéis contra a eleição de Lula: as Forças Armadas foram coniventes?

Carlos Fico - Houve uma conivência dos comandantes bolsonaristas e do próprio Ministro da Defesa bolsonarista. Porque é claro que o Bolsonaro queria manter aqueles acampamentos. Houve claramente conivência porque eles deveriam ter convocado as polícias militares locais para coibir os excessos dos manifestantes. E, mesmo, estarem acampados ali, naquela região que é de segurança militar, é uma coisa completamente sem sentido. Porque eles não permitem nem que você passe sem parar com o carro nessas regiões, e permitiram um acampamento totalmente heterodoxo.

Agora, tem uma outra coisa também que é o papel do Congresso Nacional e dos governadores. Quer dizer, os governadores de Estado não poderiam mandar PMs simplesmente desmontar aquilo, mas poderiam falar com os comandantes das unidades militares no estado: "olha, dá um jeito nisso, faz alguma coisa". Não houve nada disso. Porque os governadores do Rio, de São Paulo, de Minas Gerais são rescaldos do bolsonarismo. E tampouco o Congresso Nacional fez qualquer coisa. Até porque tem o perfil político que tem. Então foi um conjunto de falta de iniciativas que, certamente, no caso dos comandantes, caracteriza conivência.


domingo, 9 de outubro de 2022

NÚMEROS INDICAM FAVORITISMO DE LULA, MESMO COM DERROTA NO SUDESTE

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert)
"Cenário aponta para a derrota do bolsonarismo - ainda que por margem mais estreita do que gostaríamos de ver"

Por Rodrigo Vianna – jornalista, âncora do programa Boa Noite 247 – em 05/outubro/2022 (atualizado em 06/outubro/2022)

Lula teve ótima votação no primeiro turno, dentro de um cenário que este jornalista por exemplo sempre desenhou nas transmissões da TV 247: o mais provável, pela história e pelas curvas dos candidatos, sempre foi eleição em dois turnos. Então, 48,5% dos votos para alguém perseguido durante quase dez anos foi uma vitória tremenda.

O que espantou os setores democráticos foi a arrancada para a vitória no Congresso de personagens nefastos ligados a Bolsonaro, aliada ao fato de que o capetão obteve 43% dos votos, ficando a apenas 5 pontos de Lula.  

Nos últimos dias, vejo certo desespero entre apoiadores de Lula e da Democracia. "Ah, Bolsonaro teve 1,7 milhão de votos de vantagem sobre Lula em São Paulo, isso é muito perigoso".

Oh, que espanto! Perigoso, é. Mas o PT desde 2006 perdeu todas as eleições presidenciais em São Paulo. Mesmo assim, foi capaz de ganhar nacionalmente (com exceção de 2018).

Dessa vez, a derrota em São Paulo não foi feia. Lula venceu na capital e na região metropolitana. Ganhou ou perdeu por pequena diferença em cidades médias/universitárias (Araraquara, São Carlos). E perdeu por margem maior no interior profundo - que tem hegemonia do agro e identidade mais próxima com o Centro Oeste do Brasil.

Foi um susto? Ok. Mas a turma talvez esteja esquecendo de olhar para a fortaleza impressionante que Lula tem no Nordeste.

"Ah, são estados menos populosos do que São Paulo, então não fazem tanta diferença". Opa, calma. Olhe para os números que trago a seguir.

Só no estado do Ceará, Lula abriu 2,2 milhões de votos de diferença no primeiro turno. Ou seja: o Ceará compensou a derrota em São Paulo. E ainda sobraram quase 500.000 votos de lambuja para equilibrar também a derrota petista no Espírito Santo. A equação é: CE = SP + ES.

Da mesma forma, a vantagem estrondosa obtida por Lula na Bahia (um estado imenso) compensou a derrota no Rio, Paraná e Santa Catarina. 

O resumo é: Lula perdeu "de pouco" em SP/RJ e ganhou "de muito" no Nordeste. Motivo para salto alto? Nenhum. Mas tampouco para desespero.

Sejamos pessimistas e imaginemos que Lula não consiga recuperar terreno no Sudeste e no Sul, no segundo turno. Pensemos no seguinte quadro:

- Bolsonaro amplia a diferença em São Paulo, no segundo turno, para 2,5 milhões de votos sobre Lula;

- no Rio, a diferença pró Bolsonaro cresce de 1 milhão para 1,5 milhão de votos;

- e em Minas o apoio de Zema faz mágica e Bolsonaro inverte o jogo, em vez da derrota por 600 mil votos ocorrida dia 2, livra agora 600 mil votos sobre Lula, numa virara inédita em terras mineiras.

Somando isso tudo, Bolsonaro teria uma diferença de 5 milhões de votos no Sudeste. É bastante, eu sei. Mas é menos da metade da diferença que Lula deve abrir no Nordeste.

Bolsonaro tem apoio e máquinas estaduais em Minas, São Paulo e Rio. Lula tem apoio e máquinas fortes no Ceará, Bahia, Pernambuco, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte e também no Pará da família Barbalho.

A seguir, uma simulação da diferença de votos, por região, supondo que no segundo turno Bolsonaro amplie a vantagem onde já venceu no primeiro (Sudeste, Sul e Centro Oeste), conquistando a maior parte dos eleitores de Ciro/Tebet/Outros e alguns brancos/nulos/abstenções; enquanto Lula faria movimento semelhante, ampliando as margens nos estados onde já venceu (Nordeste e parte do Norte).

* Sudeste: Bolsonaro abre 5 milhões de votos

(2,5 milhões SP, 1,5 milhão RJ, 600 mil MG, 400 mil ES)

* Sul: Bolsonaro abre 3,5 milhões de votos

(1,5 milhão PR, 1,5 milhão SC, 500 mil RS)

* Centro Oeste: Bolsonaro abre 1,5 milhão de votos

* Norte: Lula abre pequena vantagem de 500 mil votos, graças ao peso do Pará lulista

* Nordeste: Lula abre 13 milhões de vantagem 

(4 milhões BA, 2,5 milhões CE, 2 milhões PE, 1,5 milhão MA, 1 milhão PI, 2 milhões PB/AL/SE/RN)

A vantagem de 10 milhões de votos de Bolsonaro - obtida no Sul, Sudeste e Centro Oeste - é revertida pela diferença brutal pró-Lula no Nordeste: 13 milhões, pelas minhas simulações (feitas sem exagero, e sendo sempre mais "otimista" com Bolsonaro). 

Isso quer dizer que, por essa simulação "pessimista" para Lula, o petista ainda teria vantagem por margem entre 3 e 4 milhões de votos - muito parecida com a vitória de Dilma em 2014.

Agora, esqueça as contas.

O mais provável é que a vitória de Lula não seja tão apertada, porque ele tem condições de recuperar terreno no Rio (com Eduardo Paes e o PDT de Rodrigo Neves entrando pesado na campanha), reduzir danos em São Paulo e segurar vantagem pequena/empate em Minas. O Rio Grande do Sul é outro estado em que Lula pode reduzir diferença, a depender da aliança local com Leite do PSDB. 

Por isso tudo, sigo a dizer: o mais provável é que Lula chegue ao fim do segundo turno com uma vantagem na casa de 53 x 47 ou até de 54 x 46.

Não se trata do que dizem pesquisas, mas do voto lulista profundamente enraizado no Nordeste, em parte de Minas e em periferias de capitais como São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre.  

Lula é favorito - a não ser que Bolsonaro consiga tirar uma quantidade significativa de votos do próprio Lula no segundo turno, algo absolutamente inédito (líder do primeiro turno jamais reduziu seu montante no segundo turno, desde 1989) e algo que a extrema-direita não conseguiu fazer até agora, mesmo batendo em Lula durante meses de campanha.

A vitória está garantida? Não. Será preciso lutar muito pela defesa da Democracia. Mas o cenário aponta para a derrota do bolsonarismo - ainda que por margem mais estreita do que gostaríamos de ver.

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

SEABRA: MAIORIA DOS ELEITORES DERROTA PREFEITO E CONFIRMA FAVORITISMO DE JERÔNIMO

Rui Costa e Jerônimo (Foto: Internet)

Candidato do PT teve mais do dobro dos votos de ACM Neto: 17.363 (66,79%) x 7.855 (30,22%)

Por Jadson Oliveira (jornalista) - editor deste Blog Evidentemente - em 05/outubro/2022

Cumpriu-se a previsão: Jerônimo Rodrigues (PT), apoiado por Lula e pelo governador Rui Costa, foi amplamente vitorioso no município de Seabra, no coração da Chapada: obteve 17.363 votos (66%), enquanto ACM Neto (União Brasil) ficou nos 7.855 (30%).

O apoio do prefeito Fábio Lago Sul ao ex-prefeito de Salvador, anunciado três semanas antes da votação, mostrou ter sido energicamente reprovado pelos eleitores.

Não por acaso a maioria dos seabrenses tinha lançado contra o prefeito a pecha de “traidor” e “ingrato”, diante da atitude de Fábio depois do município ter sido beneficiado por inúmeras obras do governo petista.

A incompetência política do prefeito e o consequente desgaste ficaram comprovados nas urnas, como já tinha sido alardeado pelo governador, pelos dirigentes petistas locais e por outras lideranças, a exemplo do deputado federal Jorge Solla (PT), reeleito e um dos mais votados no município (2.271 votos).

Tal desgaste, aliás, ficou claro logo após a troca de lado do prefeito: o seu vice, Marlon Leite, anunciou que mantinha seu posicionamento ao lado de Jerônimo; e o próprio Fábio, para tentar ficar bem com o povo, anunciou que continuaria apoiando Lula, apesar de não apoiar seu candidato a governador na Bahia.

No próximo dia 30, no 2º. turno, lideranças do governo baiano e do PT de Seabra não têm dúvidas de que Jerônimo ampliará, ainda mais, sua vantagem sobre Neto.

Não só em Seabra, mas também no total do estado, onde o candidato do PT chegou a 49,45% dos votos (ACM Neto teve 40,80%): faltou menos de 1% para Jerônimo vencer no 1º. turno.

Registrando o placar, para presidente, em Seabra: Lula – 22.505 votos (83,85%) x Bolsonaro – 3.397 (12,66%).

terça-feira, 27 de setembro de 2022

“É FÁCIL PEDIR VOTO PRA LULA”

(Foto: Internet)
“Vocês estão perdendo o tempo aqui, eu e minha família, todo mundo aqui já vota em Lula”

Por Jadson Oliveira (jornalista) – editor deste Blog Evidentemente – em 27/09/2022

“É fácil pedir voto pra Lula, todo mundo gosta dele”, me diz um senhor de uns 70 anos, sentado num tamborete em frente duma casa comercial na pracinha principal do povoado de Lagoa da Boa Vista, município de Seabra, na Chapada, interior da Bahia. Boa recepção a um pequeno grupo de militantes que fazia campanha para “o time de Lula”, a menos de duas semanas da votação.

É fácil, é estimulante. É de atiçar os sentimentos ver uma garota de seus sete anos pedir uma estrela do PT e ficar extasiada ao receber, colar no peito e sair sorrindo pela boca e pelos olhos, como se acabasse de ganhar um presente realmente precioso. Certamente o foi, procuremos nós entender o valor simbólico daquilo para uma garotinha do interior do Nordeste brasileiro!

Tais manifestações são quase unanimidade. Mesmo com a existência dos chamados “cabos eleitorais”, que têm compromissos os mais diversos com determinadas lideranças políticas - às vezes velhos “caciques” - a troco de serviços e mesmo da famigerada “compra de voto”. Ainda, infelizmente, uma instituição que viceja impunemente numa sociedade marcada pela desigualdade social.

Mas, “Lula é Lula”, como a gente diz. Até os velhos e novos “caciques” se dizem lulistas, sinceramente ou não. Afinal, eles não querem se arriscar a contrariar o coração do povo e perder votos para seus candidatos que realmente lhes importam, gente que despreza o povo e se acostumou a mamar no dinheiro público.

Lula é diferente. Apesar de caluniado anos seguidos pela TV Globo, a mando dos gordos capitalistas seus patrões, Lula cada vez mais mora no coração das pessoas simples do interior, do pequeno agricultor, do pequeno comerciante, do trabalhador... Eles não esquecem como foram beneficiados nos governos petistas.

Os militantes – incansáveis sonhadores, às vezes chamados de visionários ou idealistas - vão se acercando para distribuir os “santinhos” e se surpreendem, alegremente, diante da reação do povo:

- Vocês estão perdendo o tempo aqui, eu e minha família, todo mundo aqui já vota em Lula.

- A gente aqui só vota no homem que defende os pobres.

- Vocês me desculpem, vou ser logo sincero, não adianta me pedir voto, eu tô com Lula, eu e o pessoal aqui, disse um jovem trabalhador – daria a ele em torno de 23 anos – sentando no chão, logo após encostar a enxada pra nos atender, nas proximidades do povoado.

Pintou um dizendo-se ainda na dúvida e pintaram dois dizendo-se bolsonaristas. Casos raríssimos. A maioria esmagadora é Lula. Apesar da desgraceira esparramada pelo país por Bolsonaro e seus seguidores, nesses quase quatro anos, a grande maioria teima em ressuscitar a esperança.

domingo, 25 de setembro de 2022

"EFEITO LULA" APONTA PARA NOVA VIRADA NA ELEIÇÃO DA BAHIA

Jerônimo e Lula (Foto: Internet)
Candidato petista ao governo chega ao empate técnico, pela pesquisa Atlas/Intel; e encurta 17 pontos a distância para o adversário, pelo Datafolha

Por Jadson Oliveira (jornalista) - editor deste Blog Evidentemente - artigo publicado no site Brasil 247 em 16/09/2022

Depois de amargar grande distância em pesquisas eleitorais diante do principal adversário – o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil, ex-DEM) –, na disputa para o governo da Bahia, o petista Jerônimo Rodrigues já está desfrutando de um confortável empate técnico, no primeiro turno: 40,3% contra 40,8% de ACM, segundo os números da última pesquisa AtlasIntel/jornal A Tarde, divulgados hoje, dia 15.

(O terceiro nome na corrida é o bolsonarista João Roma, do PL, que tem apenas 12,3% das intenções de voto. ACM Neto, matreiramente, foge como o diabo da cruz de ter seu nome associado ao de Bolsonaro. E não fala mal do ex-presidente Lula, diz que “tanto faz” quem seja o próximo presidente).

Uma das pesquisas anteriores, do mesmo instituto, divulgada em 17 de julho, já anunciava o bom desempenho do petista: no primeiro turno, Jerônimo aparecia com 32,6% das intenções de voto contra 39,7% de ACM Neto.

Tal façanha, claro, veio a partir da colagem do nome de Jerônimo, inicialmente um ilustre desconhecido do eleitorado (nunca tinha sido candidato a qualquer mandato eletivo), ao do ex-presidente Lula e também ao do governador Rui Costa, do PT, cuja gestão ostenta boa avaliação.

ACM Neto, ao contrário, é superconhecido na Bahia (e no Brasil). Como o nome está indicando, é neto do velho ACM (Antônio Carlos Magalhães), que mandou e desmandou na Bahia durante mais de três décadas (1970 a 2006). Foi, de fato, uma espécie de vice-rei da ditadura militar.

Datafolha na Bahia

Mesmo em pesquisas de outros institutos, com números bem diferentes – devido a critérios diversos, como a menção clara, ou não, do apoio de Lula na hora da pergunta ao entrevistado -, o crescimento rápido da candidatura de Jerônimo é patente.

É o caso, por exemplo, das duas rodadas de pesquisa do Datafolha, encomendada pela rádio baiana Metrópole. Da primeira rodada para a última, cujo resultado foi divulgado ontem, dia 14, Jerônimo conseguiu encurtar a distância para ACM Neto em 17 pontos (em apenas três semanas – a primeira foi divulgada no último dia 24):

De uma para a outra, o ex-prefeito de Salvador perdeu cinco pontos e tem agora 49% das intenções de voto, contra 28% do petista, que subiu 12 pontos em relação à rodada anterior. (O placar ficou, portanto, em 49% para Neto e 28% para Jerônimo. João Roma aparece com 7%).

Ao avaliar os números do Datafolha, Rui Costa lembrou a virada que representou sua vitória quando foi eleito pela primeira vez, em 2014.

Contou que faltando pouco mais de uma semana para o dia da votação, o Ibope (o instituto de pesquisa mais badalado na época) registrava 43% para Paulo Souto (ex-governador, o quadro mais forte do carlismo, do velho ACM) contra 27% para ele, Rui, então candidato do então governador Jaques Wagner (atual senador do PT).

“Faltando mais de duas semanas para a eleição, Jerônimo já está acima do patamar que eu tinha faltando uma semana. E eu ganhei no primeiro turno”, disse o governador, conforme declarações dadas ao jornal baiano A Tarde.

Outras lideranças do PT na Bahia, a exemplo do deputado federal Jorge Solla, acreditam também que a virada será uma consequência natural: “Jerônimo tem bons padrinhos políticos”, diz Solla, referindo-se a Lula e Rui Costa.

O “efeito Lula” é o que impulsiona tanto otimismo. Muitos inclusive esperam ganhar já no primeiro turno. O peso da influência do ex-presidente parece compreensível: pesquisas apontam que Lula, na Bahia – bem como em outros estados nordestinos -, no primeiro turno, tem mais de 60% da preferência dos eleitores, contra apenas cerca de 20% de Bolsonaro.

Por que “nova virada”?

Porque, além da virada de 2014 mencionada por Rui Costa, os militantes políticos da Bahia não esquecem a virada histórica de 2006, quando Jacques Wagner foi eleito governador pela primeira vez, enterrando o “reinado” de ACM. (Não esquecer que o antigo “cacique” era ainda vivo).

Parece o começo de uma tradição inaugurada na história recente da Bahia. Wagner tinha passado toda a campanha eleitoral amargando derrota avassaladora nas pesquisas para o candidato do então poderoso ACM, o mesmo Paulo Souto – então do PFL, que virou DEM, que virou União Brasil - derrotado por Rui em 2014.

Na noite de 1º. de outubro de 2006 (domingo de eleição), a grande surpresa (para todos habituados a confiar nas pesquisas): a contagem dos votos apontou a vitória de Wagner no primeiro turno.

Os petistas de Salvador inundaram o largo de Santana (conhecido também como largo da Dinda), no Rio Vermelho (bairro boêmio da capital baiana), onde costumam festejar suas vitórias (e chorar suas derrotas).

Foi uma noite de festa inesquecível não só para os petistas, mas para grande parte dos baianos que acalentou por décadas o sonho de varrer para a lixeira da história os tempos autoritários do “coronel” ACM (ex-prefeito de Salvador, ex-governador (duas vezes) - cargos nomeados pela ditadura -, ex-governador - terceiro mandato, desta vez eleito, em 1990 - ex-presidente da Eletrobrás, ex-senador, ex-presidente do Congresso Nacional, ex-ministro das Comunicações).

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

SEABRA: “TRAIÇÃO” DO PREFEITO APIMENTA ÚLTIMAS SEMANAS DA CAMPANHA ELEITORAL

Lula e Jerônimo: Seabra recebe amanhã, quinta, caravana comandada pelo governador (Foto: Internet)

Rui Costa, com o “time de Lula”, fará comício na cidade amanhã, quinta, dia 22

Por Jadson Oliveira (jornalista) – editor deste Blog Evidentemente – em 21/09/2022

Tudo indica que o prefeito de Seabra, Fábio Lago Sul, do PP, deu um tiro no pé ao mudar de lado quase às vésperas da votação, passando a apoiar ACM Neto, do União Brasil, na disputa do governo da Bahia.

Este é o tempero mais picante da eleição em Seabra, no coração da Chapada, cuja campanha está na sua penúltima semana.

 A “traição” do prefeito, como tachou a direção municipal do PT, terá a resposta mais contundente amanhã, dia 22, quando o governador Rui Costa, com a caravana do “time de Lula”, fará comício na cidade.

Em companhia, claro, de Jerônimo Rodrigues, do PT, e Otto Alencar, do PSD, candidatos ao governo e ao Senado, e de deputados e outras lideranças lulistas.

Em entrevista à Rádio Nova FM, de Seabra, dada logo em seguida ao anúncio do rompimento do prefeito, na semana passada, o governador já deu o tom da sua reação:

Acusou Fábio de mentir e caluniar o seu governo para tentar justificar a troca de lado e se disse indignado, citando detalhadamente dezenas de obras realizadas pelo governo do estado no município, em especial na área de saúde.

Sem mencionar o nome do deputado Cláudio Cajado, do PP, Rui Costa fustigou o prefeito lembrando suas ligações com políticos bolsonaristas, acostumados às práticas abusivas e clientelistas do Centrão e do Orçamento Secreto.

Antes da entrevista do governador, o deputado federal Jorge Solla, do PT, soltou nas redes sociais um vídeo com duras críticas à posição tomada por Fábio, destacando melhorias obtidas pela população seabrense através da gestão do estado e também através de emendas parlamentares.

O prefeito, aliás, parece que já tinha sentido seu desgaste, agravado a cada dia, segundo analistas, por sua incompetência   política: ainda na semana passada, ele teve o cuidado de anunciar que continuava apoiando o ex-presidente Lula na disputa pela Presidência, apesar de ter rompido com o governador.

Mas o estrago já estava feito: o vice-prefeito Marlon Leite (filho do ex-prefeito Dálvio Leite, líder de tradicional grupo político do município) já tinha anunciado que, apesar da posição do prefeito, ele continuava engajado na campanha de Jerônimo, além da de Lula e Otto.

E para completar, o comício feito em Seabra, na última sexta-feira, por ACM Neto, o novo candidato do prefeito, não atraiu um grande público.

Vamos ver o poder de mobilização do chamado “efeito Lula” e do governador no comício de Jerônimo, amanhã, quinta-feira. As comparações serão inevitáveis.