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sexta-feira, 22 de novembro de 2019

A FALTA DE UM PROJETO ALTERNATIVO DELIBERADO AJUDA A EXPLICAR AS FALHAS DO PT


“Na falta de um projeto articulado e de uma TV pública com conteúdo plural, a presidenta (Dilma) viu-se forçada a deixar que a Rede Globo, braço midiático do próprio rentismo, explicasse a luta política à população nos seus próprios termos”.



Por Jessé Souza (sociólogo) – do livro A classe média no espelho (páginas 157/158), editora Estação Brasil (título e destaque acima são da edição deste blog)



O fato de o Partido dos Trabalhadores ter desenvolvido, a partir do carisma do ex-presidente Lula, o “lulismo”, na expressão marcante de André Singer (no livro Os sentidos do lulismo, da Companhia das Letras, 2012), como política de amparo aos mais pobres e marginalizados deve-se mais ao tino e à astúcia política do grande líder popular do que a um projeto partidário articulado e consciente. A lealdade conquistada nesses setores, antes os grotões mais conservadores da política brasileira, foi o ganho mais duradouro de uma política que, apesar de virtuosa, não soube mobilizar nem se proteger.



Apesar das conquistas históricas na luta contra a desigualdade abissal, a falta de um projeto alternativo deliberado explica boa parte da colonização do partido popular pelo discurso elitista do moralismo de fachada. Explica também boa parte do seu comportamento errático e hesitante em questões fundamentais, como, por exemplo, em relação ao aparato jurídico-policial do Estado.



Muitos, até pessoas inteligentes e argutas politicamente, não entendem claramente este ponto. A maioria acha que basta ter um projeto econômico alternativo e mais inclusivo que, espontânea ou magicamente, as pessoas vão compreender seu significado e seu benefício. Não se percebe a importância crucial de elaborar uma narrativa, ou seja, um projeto articulado alternativo ao elitista. Sem tal projeto convincente de longo prazo, não se sabe em que sentido, por exemplo, reformar o Estado, o Judiciário ou a política.



A inexistência desse projeto alternativo impossibilita um ataque ao núcleo do rentismo e da expropriação elitista, como corajosamente procurou fazer a ex-presidente Dilma. Na falta de um projeto articulado e de uma TV pública com conteúdo plural, a presidenta viu-se forçada a deixar que a Rede Globo, braço midiático do próprio rentismo, explicasse a luta política à população nos seus próprios termos.



Sem um projeto político de longo prazo, é possível promover a ascensão social de setores sociais inteiros, como parcelas dos pobres e da massa da classe média, mas se perde a narrativa da paternidade deste esforço para igrejas e outros atores sociais nas cidades do Centro-Sul. Sem um projeto articulado se faz, também, last but not least, o serviço para o inimigo, como fez o Ministério da Justiça da ex-presidenta Dilma, urdindo o aparato legal para as leis de exceção utilizadas mais tarde pelos inimigos para golpear a própria presidenta e a democracia.



Ainda assim, tem muita gente boa que não vê a importância de se articular, ponto a ponto, tal projeto alternativo. Obviamente, essa incapacidade mostra até que ponto somos dominados pela hegemonia dessa visão de mundo liberal-chique, que se torna, com o golpe, uma visão de mundo crescentemente “neoliberal-tosca”.


sexta-feira, 15 de novembro de 2019

GABRIELLI: OPOSIÇÃO BRASILEIRA DEVE TER COMO CENTRO A LUTA CONTRA A DESIGUALDADE (FOTOS DE PALESTRA EM SEABRA)


LULA LIVRE: José Sérgio Gabrielli com o grupo de seabrenses no auditório da UNEB
Fazemos um pequeno repique de palavras do nosso palestrante para divulgar imagens do evento no auditório da UNEB/Campus XXIII (Fotos de Smitson Oliveira)

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente

A luta por um Brasil menos desigual é um dos pontos mais realçados pelo professor José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, que fez palestras em Seabra (Chapada Diamantina), interior da Bahia, no dia 17 de outubro último, conforme várias matérias já postadas neste blog:



“Temos que manter como o centro de nossas atividades a luta contra a desigualdade, pela redução da pobreza e pela melhoria das condições de vida do nosso povo. Esse é o norte da construção dum novo modelo. Esse norte implica um papel essencial para o Estado, este Estado que está sendo destruído, desmontado pelo Bolsonaro.



Não temos que fazer uma defesa intransigente do que é o atual Estado, mas fazer uma defesa intransigente das concepções de um Estado que seja capaz de colocar a distribuição da renda como a razão fundamental do seu ser, do seu significado, de sua função”.



Gabrielli está muito bem acompanhado na sua avaliação. O ex-presidente Lula, no histórico discurso feito no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, no último sábado (dia 9), um dia depois de sair da prisão, deixou claro a importância da luta, na conjuntura atual, contra o aprofundamento da pobreza e da desigualdade.



Na visão de Lula, a única saída para a crise econômica é a distribuição de renda e a geração de empregos.



Palavras da ex-presidenta Dilma, em Buenos Aires, durante recente reunião do Grupo de Puebla: “A questão da desigualdade está em primeiro plano, ainda mais em um país como o Brasil, onde 56% da renda nacional fica nas mãos de 10% da população".

E Alberto Fernández, presidente eleito da Argentina, no mesmo encontro, destacou também a desigualdade como um grande problema a ser resolvido: "Ninguém que se diz progressista, socialista, peronista ou comunista pode viver pacificamente com a desigualdade”.
Seleção de fotos com os participantes que fizeram intervenções durante os debates:
Adair Machado, presidente do PSOL/Seabra
Djalma Novais, o popular Piau, aposentado da Petrobras
Goiano (José Donizette), idealizador do evento, que contou com o apoio e participação da UNEB, IFBA, CES, Projeto Universidade para Todos, Colegiado do Território da Chapada Diamantina, APLB-Sindicato, Levante Popular da Juventude, Sindicato dos Trabalhadores Rurais e dos dirigentes municipais dos partidos PT, PCdoB e PSOL.
Lauro Roberto (Professor Lauro), vereador do REDE
Adriana Oliveira de Souza, dirigente da APLB-Sindicato
Professor Jorge Rabelo participou dos debates (na foto, expondo seu livro ambientado na Chapada Diamantina/Morro do Pai Inácio)
Professor Henri Dourado Almeida
Maristônia Oliveira (Tânia), dirigente da APLB-Sindicato
Jornalista Edilson Félix
Ludmila Agostinho, do Levante Popular da Juventude
Fernando Monteiro, da direção municipal do PSOL
Mais fotos do encontro no auditório da UNEB, que reuniu em torno de 300 pessoas, a maioria estudantes e professores:
Pintor Pedro Lima, presidente do PT/Seabra; na outra ponta, Jean Mota, diretor da escola de Bebedouro
Leonardo Teixeira, da UNEB, conduziu os trabalhos no plenário, auxiliado por Antônia Araújo, da APLB/Sindicato; atrás, Edilson Félix, na ponta à direita, este repórter Jadson Oliveira 
Na frente: Ludmila, Jadson e Goiano
Atrás, à direita, engenheiro Jorginho Oliveira
Êmille, do Levante Popular da Juventude
Rubia Oliveira e Alberto Souza, velho militante do movimento sindical bancário na década de 1970
Gabrielli posando com participantes da palestra/debate
Com Ana Catarina e Ludmila, do Levante
Com Carol Campos, do PT (à esquerda)
Esta foto é do salão do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, lotado durante outra palestra de Gabrielli em Seabra, no mesmo dia 17 de outubro, pela manhã 

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

AMÉRICA LATINA: DE GOLPE EM GOLPE


(Foto: AFP/Página/12)
De Zelaya em Honduras a Evo na Bolivia (passando por Lugo no Paraguai, Lula e Dilma no Brasil e Correa no Equador), o modus operandi apoia-se nos meios de comunicação, justiça e  militares. Com respaldo do império estadunidense.

Por Eduardo Febbro (de Paris) – reproduzido do jornal argentino Página/12, de 14/11/2019 (destaque acima, disposição dos parágrafos e intertítulos são da edição deste blog)




América Latina tiene la derecha más depravada, pusilánime, corrupta e iletrada del mundo. Está dispuesta a quemar en la hoguera a un país entero con tal de no ceder ni un céntimo de sus ya monumentales beneficios.

Respaldada por Washington, aliada al militarismo golpista y embebida de una ideología involutiva, las derechas continentales actúan como si los países de los cuales extraen sus riquezas fueran para ellas un mero exilio y no la patria original.


El destino de golpes y destierros de seis presidentes latinoamericanos de orientación socialdemócrata es un retrato fantasmagórico de la carga destructiva que las castas oligarcas de América Latina están dispuestas a activar.


Manuel Zelaya en Honduras, Fernando Lugo en Paraguay, Lula da Silva y Dilma Rousseff en Brasil, Rafael Correa en Ecuador y ahora Evo Morales en Bolivia han sido los tótems malditos de un ala ultraconservadora que no dudó en desparramar muerte y represión para apartar del poder a una opción política que, más allá de sus retóricas, se asemejaba más a una socialdemocracia con perfil redistributivo que a una revolución socialista.


Honduras


El expresidente norteamericano Barack Obama fue el primero en inaugurar el siglo y entregar envuelto en papel castrense un golpe de Estado. Ocurrió en Honduras, en 2009. En junio de ese año, con la pueril excusa de una supuesta “traición a la Patria”, Manuel Zelaya terminó destituido, expulsado y exiliado (República Dominicana) por las fuerzas armadas en cumplimiento de una orden de la Corte Suprema de Justicia.


Se trató de una obscena patraña cuyo único objetivo consistía en impedir, entre otras cosas, que Zelaya llevara a cabo un plebiscito sobre una Asamblea Nacional Constituyente.


Con Honduras se inauguró la fase del nuevo golpismo a través de la construcción masiva de un relato contaminante. Los medios (meios de comunicação) y las redes sociales adquirieron en Honduras el perfil que hoy le conocemos: se volvieron armas de disuasión masiva armadas con falsedades.

El 28 de junio de 2009, Zelaya, en ropa interior, fue sacado a la fuerza de su residencia por los militares y expulsado del país. No le perdonaron su plebiscito ni su alianza con el eje liderado por el difunto presidente venezolano Hugo Chávez.


Paraguai


Fernando Lugo, en Paraguay, corrió una suerte similar. El “obispo de los pobres” había sido el segundo presidente de izquierda que llegó al poder después del corto periodo presidencial de Rafael Franco (1936-1937), otro desterrado. Ganó la presidencia en abril de 2008 y terminó destituido en junio de 2012 por un voto mayoritario de la Cámara de Diputados por un supuesto “mal desempeño” de sus funciones.


Como en Honduras, la caída de Lugo resultó de un relato armado con minuciosa eficacia a partir de hechos reales pero alterados en beneficio de la destitución.


Equador


En Ecuador, Rafael Correa gobernó por un periodo de 10 años, entre enero de 2007 hasta mayo de 2017. Su plataforma política, económica y social, así como su interlocución con la población indígena de Ecuador, hicieron de Correa un presidente de ruptura con respecto a los anteriores.


Tampoco se lo perdonaron, sobre todos los medios hegemónicos acostumbrados a manipular todo el espacio de la comunicación y los negocios. Su ya famosa “revolución ciudadana” trascendió las fronteras de Ecuador hasta volverse el argumento central de partidos de la izquierda radical europea como fue el caso de Francia Insumisa (Jean-Luc Mélenchon).


Pero las castas no admiten procesos de transformación profundos. Correa sacó a millones de personas del marginamiento (según el Banco Mundial, la tasa de pobreza en Ecuador pasó del 36,7% en 2007 al 22, 5% en 2014), otorgó derechos a las personas LGBT+, modificó la relación de fuerzas de los medios, multiplicó por cinco los gastos en sanidad, amplió la asistencia a los discapacitados, rehusó que Estados Unidos siguiera contando con una base militar en Ecuador y le brindó asilo a Julian Assange en la embajada ecuatoriana de Londres.


Correa dejó el poder en mayo del 2017. Fue reemplazado por su exvicepresidente, Lenín Moreno, quien se convirtió en un aliado de la venganza de las castas contra Correa. En 2018, la oposición de Correa al referéndum constitucional para reformar la Constitución le valieron los dardos de la justicia.


En julio, la jueza ecuatoriana Daniella Camacho dictó una orden de prisión preventiva contra el ex mandatario y hasta solicitó a Interpol que fuera arrestado. El presidente que más hizo por su país vive exiliado en Bélgica.


Brasil


Lula da Silva y Dilma Rousseff en Brasil son el anteúltimo peldaño del infierno al cual las derechas latinoamericanas están dispuestas a someter a los dirigentes socialdemócratas para apartarlos del camino. Los escándalos de corrupción de su partido, el PT, sirvieron como frase inaugural del gran relato desconstructor del lulismo emprendido por los abanderados históricos de la corrupción brasileña.


Atrás quedaban los programas sociales, la inversión en salud, educación, justicia, desarrollo, así como los millones de brasileños que salieron de la pobreza. Con un tejido de acusaciones respaldadas por un relato hegemónico, Lula fue arrestado el 4 de marzo de 2016 en el marco de la operación anti-corrupción Lava Jato, teledirigida por el juez Sergio Moro.


Lula fue condenado a nueve años y medio de cárcel acusado de recibir sobornos de la constructora OAS a cambio de contratos millonarios y Dilma Rousseff destituida en septiembre de 2016 al cabo de 13 años de gobiernos progresistas.


Bolívia


Evo Morales cerró en Bolivia la serie negra iniciada hace casi 15 años antes en Honduras. Las condiciones de su renuncia, la brutalidad, la violencia y la ilegitimidad de los actores políticos e institucionales que intervinieron sembraron la imagen de una venganza sangrienta.


Fueron dos de las fuerzas menos creíbles que existen en América Latina, las más corruptas, la policía y el ejército, quienes decidieron el destino político de una Bolivia que vivió sus años más prósperos y orgullosos bajo el mandato de Evo Morales.


Las circunstancias con las que se acorraló al presidente a la renuncia, el odio y la violencia liberadas en las calles, su partida al exilio mexicano, el silencio de las grandes democracias de Occidente y la pasividad retórica de los vecinos quedarán en la historia como una de las grandes heridas de nuestra América.


No es la hegemonía de un medio la que hace titubear la democracia sino la hegemonía de su mala fe. De Manuel Zelaya en Honduras a Evo Morales en Bolivia, la mecánica de la destitución ha sido similar: una casta oligarca que se apoya en los medios para viciar el relato, en la justicia y los militares. En cada caso se buscó arrancar del poder a opciones políticas reformistas, nacionalistas y con un fuerte ánimo redistributivo.


Ninguno de estos seis expresidentes ha sido un dictador, o un revolucionario violento, ninguno reprimió, amordazó a su pueblo, sentencio la libertad de expresión, ni derramó sangre en las calles.


Llegaron para abrir el juego político, social y económico en países cautivos de una casta explotadora, no para llenar las cárceles o los cementerios. Sus enemigos sí. Nuestras derechas cavernícolas jamás atravesaron el Siglo de las luces. Siguen ancladas en los tiempos de la barbarie ideológica y la obscuridad.


Lo acaban de probar en Bolivia, amparadas, una vez más, en la protectora dependencia de Washington. La Casa Blanca siempre ha estado a la vera de todas las hecatombes políticas de América Latina. Ha sido el capacitador ideológico y operativo de los golpes de Estado militares del Siglo XX como lo es ahora de los golpes cívico militares que promueve desde el inicio del Siglo XXI.

domingo, 3 de novembro de 2019

É A MÍDIA DE ENTRETENIMENTO, ESTÚPIDO!


Não são apenas noticiários manipulados da mídia hegemônica que fazem a cabeça e o coração do povo, são sobretudo os Datena, os Huck, Hollywood, novelas e congêneres.

Por Fabiano Viana Oliveira – professor na área de Ciências Sociais – do livro ‘Em busca da verdade II – Bioética, Hipocrisia e Antipetismo’ – págs. 96/98 (título e destaque acima são deste blog)

(...) Outro erro do PT foi acreditar que o apoio de uma parte importante da mídia, especialmente a Globo, seria perene e fiel. Esses grupos de mídia não têm fidelidade a ninguém. Quando as verbas de publicidade estatal foram diluídas em um número muito maior de grupos, especialmente de Internet, isso incomodou os representantes das grandes mídias tradicionais. Se o que está previsto na constituição de 1988 sobre regulamentação e revisão das concessões de mídia tivesse sido efetivado desde o primeiro governo de Lula, quando tinha amplo apoio popular, talvez as coisas hoje fossem diferentes.

A influência da mídia nas mentalidades coletivas é algo amplamente estudado tanto pelas teorias quanto pela sociologia da comunicação. Pode-se inclusive responsabilizar em parte as mídias corporativas mundiais pela criação e manutenção do sentimento anti-esquerda que hoje se vive. Explica-se: independente de partidos e instituições, o sentimento que pode chamar de esquerda é aquele que pretende construir um mundo mais justo e igualitário. Dentro deste sentimento há linhas mais moderadas como a social democracia no estilo alemão com o Estado cuidando do bem estar dos cidadãos com alta carga de impostos e menor desigualdade social. E há linhas mais radicais que creem numa suposta revolução socialista que levaria ao fim da distinção entre classes econômicas.

O que se faz crer dentro da existência dessa ideologia que afeta as crenças pessoais é que isso é uma utopia, um desejo impossível ou um fruto de doutrinação ideológica de esquerda. Os conteúdos midiáticos (jornais, livros, filmes, séries, músicas, novelas, shows) apresentam um modelo de conduta social que direta ou indiretamente induz o espectador a crer que todo e qualquer discurso pró-esquerda é errado. Esse erro pode ser por ingenuidade: “isso é utópico!” - ou por pura maldade: “eles querem tirar tudo que é seu!”. Basta ver quanto o período de guerra fria entre USA e URSS criou todo um conteúdo de indústria cultural que tornava os americanos e ingleses em heróis defensores da liberdade e da democracia (Ex.: James Bond; Flint e outros) e os russos comunistas em terríveis e temíveis cerceadores das liberdades individuais.

Para além dessa (essa sim) doutrinação ideológica anti-esquerda, advinda dos conteúdos midiáticos de entretenimento, há também o esforço “jornalístico” da mídia corporativa mundial de desqualificar qualquer esforço um pouco mais à esquerda de produzir sociedades mais justas e menos desiguais. Basta resgatar todo esforço de parte da mídia americana e brasileira também de apresentar tudo sobre a ilha de Cuba nos últimos 50 anos como sendo um grande terror ditatorial. Que existem problemas políticos inerentes a um regime autocrático e personalista, tanto por influência soviética quanto das tradições latino-americanas, é inegável. Mas admitir esses problemas não pode reduzir as conquistas do pequeno país caribenho a apenas o ruim; como muito se faz por aqui e pelos EUA.

Um exemplo de uso estranho do nome de Cuba, apenas como apreensão pejorativa por parte do cinema de hollywood dos tempos da guerra fria, foi de ter o vilão do filme de James Bond, Goldfinger (também nome do filme), dizer no final do mesmo que está fugindo para Cuba, deixando subentender que a ilha comunista de Fidel serve de refúgio para vilões e bandidos internacionais. Tal suposição é das mais ridículas, pois o que o regime de Fidel fez com os criminosos comuns foi justamente expulsar do país. A nação que sempre teve por tradição atrair e refugiar bandidos é o Brasil. Esses conteúdos simbólicos ficam gravados em nosso subconsciente e quando a mídia jornalística resgata esse imaginário, fica fácil atribuir qualquer coisa de negativo a um país sobre o qual de fato não sabemos quase nada.

(...)