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quarta-feira, 24 de junho de 2020

A TÃO FALADA DEMOCRACIA... UMA FALÁCIA!

Valdimiro Lustosa (Foto: da página do autor no Facebook)

“Era de se esperar um mundo mais humano em busca do bem-estar social, da harmonia entre os povos, de uma distribuição de renda menos perversa, em busca de dias mais felizes.” (Como brinde, ‘Números’, uma preciosidade do poeta italiano Trilussa)

REFLEXÕES

Por Valdimiro Lustosa – ex-dirigente sindical, bacharel em Direito (título principal e destaque acima são da edição deste blog)

Tenho aproveitado o período de isolamento social para me dedicar um pouco à leitura e fazer reflexões sobre o momento da pandemia e o momento político brasileiro. Assim, deparei-me com textos altamente esclarecedores, dignos de análises profundas do porquê estamos passando por momentos tão cruéis. Não que em outras eras o mundo tenha sido uma maravilha. Em absoluto. Vivemos momentos tão desastrosos com guerras, crises, escravidão etc. Todavia estamos no Século XXI e parece que ainda não saímos do Século XIX.  Era de se esperar um mundo mais humano em busca do bem-estar social, da harmonia entre os povos, de uma distribuição de renda menos perversa, em busca de dias mais felizes. No entanto o que vemos é a correria pela maximização do lucro (vide os escandalosos lucros dos bancos brasileiros ou dos estrangeiros que operam no Brasil). Os trabalhadores perderam seus direitos que foram arrancados por uma LEI CRIADA para, segundo os magnatas do poder, gerar mais empregos. O que vimos e estamos a assistir é um verdadeiro massacre com perdas de empregos que já somam no momento mais de 24 milhões de pessoas desempregadas. Que reforma é esta?!! O que vimos foi a destruição da previdência para ninguém poder se aposentar como antes. Depois falam em DEMOCRACIA. É UMA FALÁCIA! Aliás, sobre o tema democracia, gostaria de falar a posteriori. Vendem-se as empresas brasileiras e assim não teremos mais empregos. Esta é a proposta dos homens do dinheiro que bancam candidaturas e têm seus representantes no Congresso Nacional para elaboração de leis que interessem somente a eles. Pedem e pregam o NEOLIBERALISMO, ou seja, o Estado deve ficar fora das decisões econômicas, contudo, quando há uma crise como a que estamos passando e que afeta em cheio a economia notadamente, as pequenas empresas e os mais pobres, a burguesia não contribui com um real para salvar os mais necessitados. Todos esperam e cobram do governo. Neste momento ninguém quer ser liberal!

O que é a liberdade

Nas democracias o povo parece fazer o que quer, mas a liberdade política não consiste nisso. Num Estado, isto é, numa sociedade em que há leis, a liberdade não pode consistir senão em poder fazer o que se deve querer e em não ser constrangido a fazer o que não se deve desejar.
Deve-se ter em mente o que é independência e o que é liberdade. A liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis permitem: se um cidadão pudesse fazer tudo o que elas proíbem, não teria mais liberdade, porque os outros também teriam tal poder.

Os versos de Trilussa

Trilussa, poeta italiano cujo verdadeiro nome era Carlo Alberto Salustri, viveu no tempo de Mussolini e ousou escrever fábulas criticando ferinamente o regime fascista. Segundo Paulo Duarte, tradutor de sua obra, Trilussa reuniu cinquenta poemas em Libro muto (Livro mudo), cuja edição logo se esgotou: “O fascismo, como sempre acontece em momentos tais, só descobriu que o Livro mudo era um protesto violento escarnecedor e mordente quando o livro já estava na rua”. Mas também explica que Mussolini, no seu tempo de socialismo e boêmia, foi amigo de Trilussa, o que talvez justifique sua complacência com o poeta. Se bem que não se pode negar um certo oportunismo perante tão ilustre personalidade, famosa no mundo inteiro. Quando um escritor perguntou a Mussolini a respeito da censura rigorosa que fazia calar toda crítica, ele teria retrucado: “Abolição da liberdade? E Trilussa?...”

                                    Números

Eu valho muito pouco, sou sincero,
Dizia o Um ao Zero,
No entanto, quanto vales tu? Na prática
És tão vazio e inconcludente
Quanto na matemática.
Ao passo que eu, se me coloco à frente
De cinco zeros bem iguais
A ti, sabes acaso quanto fico?
Cem mil, meu caro, nem um tico
A menos nem um tico a mais,
Questão de número. Aliás é aquilo
Que sucede com todo ditador
Que cresce em importância e em valor
Quanto mais são os zeros a segui-lo.