Páginas

terça-feira, 27 de setembro de 2022

“É FÁCIL PEDIR VOTO PRA LULA”

(Foto: Internet)
“Vocês estão perdendo o tempo aqui, eu e minha família, todo mundo aqui já vota em Lula”

Por Jadson Oliveira (jornalista) – editor deste Blog Evidentemente – em 27/09/2022

“É fácil pedir voto pra Lula, todo mundo gosta dele”, me diz um senhor de uns 70 anos, sentado num tamborete em frente duma casa comercial na pracinha principal do povoado de Lagoa da Boa Vista, município de Seabra, na Chapada, interior da Bahia. Boa recepção a um pequeno grupo de militantes que fazia campanha para “o time de Lula”, a menos de duas semanas da votação.

É fácil, é estimulante. É de atiçar os sentimentos ver uma garota de seus sete anos pedir uma estrela do PT e ficar extasiada ao receber, colar no peito e sair sorrindo pela boca e pelos olhos, como se acabasse de ganhar um presente realmente precioso. Certamente o foi, procuremos nós entender o valor simbólico daquilo para uma garotinha do interior do Nordeste brasileiro!

Tais manifestações são quase unanimidade. Mesmo com a existência dos chamados “cabos eleitorais”, que têm compromissos os mais diversos com determinadas lideranças políticas - às vezes velhos “caciques” - a troco de serviços e mesmo da famigerada “compra de voto”. Ainda, infelizmente, uma instituição que viceja impunemente numa sociedade marcada pela desigualdade social.

Mas, “Lula é Lula”, como a gente diz. Até os velhos e novos “caciques” se dizem lulistas, sinceramente ou não. Afinal, eles não querem se arriscar a contrariar o coração do povo e perder votos para seus candidatos que realmente lhes importam, gente que despreza o povo e se acostumou a mamar no dinheiro público.

Lula é diferente. Apesar de caluniado anos seguidos pela TV Globo, a mando dos gordos capitalistas seus patrões, Lula cada vez mais mora no coração das pessoas simples do interior, do pequeno agricultor, do pequeno comerciante, do trabalhador... Eles não esquecem como foram beneficiados nos governos petistas.

Os militantes – incansáveis sonhadores, às vezes chamados de visionários ou idealistas - vão se acercando para distribuir os “santinhos” e se surpreendem, alegremente, diante da reação do povo:

- Vocês estão perdendo o tempo aqui, eu e minha família, todo mundo aqui já vota em Lula.

- A gente aqui só vota no homem que defende os pobres.

- Vocês me desculpem, vou ser logo sincero, não adianta me pedir voto, eu tô com Lula, eu e o pessoal aqui, disse um jovem trabalhador – daria a ele em torno de 23 anos – sentando no chão, logo após encostar a enxada pra nos atender, nas proximidades do povoado.

Pintou um dizendo-se ainda na dúvida e pintaram dois dizendo-se bolsonaristas. Casos raríssimos. A maioria esmagadora é Lula. Apesar da desgraceira esparramada pelo país por Bolsonaro e seus seguidores, nesses quase quatro anos, a grande maioria teima em ressuscitar a esperança.

domingo, 25 de setembro de 2022

"EFEITO LULA" APONTA PARA NOVA VIRADA NA ELEIÇÃO DA BAHIA

Jerônimo e Lula (Foto: Internet)
Candidato petista ao governo chega ao empate técnico, pela pesquisa Atlas/Intel; e encurta 17 pontos a distância para o adversário, pelo Datafolha

Por Jadson Oliveira (jornalista) - editor deste Blog Evidentemente - artigo publicado no site Brasil 247 em 16/09/2022

Depois de amargar grande distância em pesquisas eleitorais diante do principal adversário – o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil, ex-DEM) –, na disputa para o governo da Bahia, o petista Jerônimo Rodrigues já está desfrutando de um confortável empate técnico, no primeiro turno: 40,3% contra 40,8% de ACM, segundo os números da última pesquisa AtlasIntel/jornal A Tarde, divulgados hoje, dia 15.

(O terceiro nome na corrida é o bolsonarista João Roma, do PL, que tem apenas 12,3% das intenções de voto. ACM Neto, matreiramente, foge como o diabo da cruz de ter seu nome associado ao de Bolsonaro. E não fala mal do ex-presidente Lula, diz que “tanto faz” quem seja o próximo presidente).

Uma das pesquisas anteriores, do mesmo instituto, divulgada em 17 de julho, já anunciava o bom desempenho do petista: no primeiro turno, Jerônimo aparecia com 32,6% das intenções de voto contra 39,7% de ACM Neto.

Tal façanha, claro, veio a partir da colagem do nome de Jerônimo, inicialmente um ilustre desconhecido do eleitorado (nunca tinha sido candidato a qualquer mandato eletivo), ao do ex-presidente Lula e também ao do governador Rui Costa, do PT, cuja gestão ostenta boa avaliação.

ACM Neto, ao contrário, é superconhecido na Bahia (e no Brasil). Como o nome está indicando, é neto do velho ACM (Antônio Carlos Magalhães), que mandou e desmandou na Bahia durante mais de três décadas (1970 a 2006). Foi, de fato, uma espécie de vice-rei da ditadura militar.

Datafolha na Bahia

Mesmo em pesquisas de outros institutos, com números bem diferentes – devido a critérios diversos, como a menção clara, ou não, do apoio de Lula na hora da pergunta ao entrevistado -, o crescimento rápido da candidatura de Jerônimo é patente.

É o caso, por exemplo, das duas rodadas de pesquisa do Datafolha, encomendada pela rádio baiana Metrópole. Da primeira rodada para a última, cujo resultado foi divulgado ontem, dia 14, Jerônimo conseguiu encurtar a distância para ACM Neto em 17 pontos (em apenas três semanas – a primeira foi divulgada no último dia 24):

De uma para a outra, o ex-prefeito de Salvador perdeu cinco pontos e tem agora 49% das intenções de voto, contra 28% do petista, que subiu 12 pontos em relação à rodada anterior. (O placar ficou, portanto, em 49% para Neto e 28% para Jerônimo. João Roma aparece com 7%).

Ao avaliar os números do Datafolha, Rui Costa lembrou a virada que representou sua vitória quando foi eleito pela primeira vez, em 2014.

Contou que faltando pouco mais de uma semana para o dia da votação, o Ibope (o instituto de pesquisa mais badalado na época) registrava 43% para Paulo Souto (ex-governador, o quadro mais forte do carlismo, do velho ACM) contra 27% para ele, Rui, então candidato do então governador Jaques Wagner (atual senador do PT).

“Faltando mais de duas semanas para a eleição, Jerônimo já está acima do patamar que eu tinha faltando uma semana. E eu ganhei no primeiro turno”, disse o governador, conforme declarações dadas ao jornal baiano A Tarde.

Outras lideranças do PT na Bahia, a exemplo do deputado federal Jorge Solla, acreditam também que a virada será uma consequência natural: “Jerônimo tem bons padrinhos políticos”, diz Solla, referindo-se a Lula e Rui Costa.

O “efeito Lula” é o que impulsiona tanto otimismo. Muitos inclusive esperam ganhar já no primeiro turno. O peso da influência do ex-presidente parece compreensível: pesquisas apontam que Lula, na Bahia – bem como em outros estados nordestinos -, no primeiro turno, tem mais de 60% da preferência dos eleitores, contra apenas cerca de 20% de Bolsonaro.

Por que “nova virada”?

Porque, além da virada de 2014 mencionada por Rui Costa, os militantes políticos da Bahia não esquecem a virada histórica de 2006, quando Jacques Wagner foi eleito governador pela primeira vez, enterrando o “reinado” de ACM. (Não esquecer que o antigo “cacique” era ainda vivo).

Parece o começo de uma tradição inaugurada na história recente da Bahia. Wagner tinha passado toda a campanha eleitoral amargando derrota avassaladora nas pesquisas para o candidato do então poderoso ACM, o mesmo Paulo Souto – então do PFL, que virou DEM, que virou União Brasil - derrotado por Rui em 2014.

Na noite de 1º. de outubro de 2006 (domingo de eleição), a grande surpresa (para todos habituados a confiar nas pesquisas): a contagem dos votos apontou a vitória de Wagner no primeiro turno.

Os petistas de Salvador inundaram o largo de Santana (conhecido também como largo da Dinda), no Rio Vermelho (bairro boêmio da capital baiana), onde costumam festejar suas vitórias (e chorar suas derrotas).

Foi uma noite de festa inesquecível não só para os petistas, mas para grande parte dos baianos que acalentou por décadas o sonho de varrer para a lixeira da história os tempos autoritários do “coronel” ACM (ex-prefeito de Salvador, ex-governador (duas vezes) - cargos nomeados pela ditadura -, ex-governador - terceiro mandato, desta vez eleito, em 1990 - ex-presidente da Eletrobrás, ex-senador, ex-presidente do Congresso Nacional, ex-ministro das Comunicações).

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

SEABRA: “TRAIÇÃO” DO PREFEITO APIMENTA ÚLTIMAS SEMANAS DA CAMPANHA ELEITORAL

Lula e Jerônimo: Seabra recebe amanhã, quinta, caravana comandada pelo governador (Foto: Internet)

Rui Costa, com o “time de Lula”, fará comício na cidade amanhã, quinta, dia 22

Por Jadson Oliveira (jornalista) – editor deste Blog Evidentemente – em 21/09/2022

Tudo indica que o prefeito de Seabra, Fábio Lago Sul, do PP, deu um tiro no pé ao mudar de lado quase às vésperas da votação, passando a apoiar ACM Neto, do União Brasil, na disputa do governo da Bahia.

Este é o tempero mais picante da eleição em Seabra, no coração da Chapada, cuja campanha está na sua penúltima semana.

 A “traição” do prefeito, como tachou a direção municipal do PT, terá a resposta mais contundente amanhã, dia 22, quando o governador Rui Costa, com a caravana do “time de Lula”, fará comício na cidade.

Em companhia, claro, de Jerônimo Rodrigues, do PT, e Otto Alencar, do PSD, candidatos ao governo e ao Senado, e de deputados e outras lideranças lulistas.

Em entrevista à Rádio Nova FM, de Seabra, dada logo em seguida ao anúncio do rompimento do prefeito, na semana passada, o governador já deu o tom da sua reação:

Acusou Fábio de mentir e caluniar o seu governo para tentar justificar a troca de lado e se disse indignado, citando detalhadamente dezenas de obras realizadas pelo governo do estado no município, em especial na área de saúde.

Sem mencionar o nome do deputado Cláudio Cajado, do PP, Rui Costa fustigou o prefeito lembrando suas ligações com políticos bolsonaristas, acostumados às práticas abusivas e clientelistas do Centrão e do Orçamento Secreto.

Antes da entrevista do governador, o deputado federal Jorge Solla, do PT, soltou nas redes sociais um vídeo com duras críticas à posição tomada por Fábio, destacando melhorias obtidas pela população seabrense através da gestão do estado e também através de emendas parlamentares.

O prefeito, aliás, parece que já tinha sentido seu desgaste, agravado a cada dia, segundo analistas, por sua incompetência   política: ainda na semana passada, ele teve o cuidado de anunciar que continuava apoiando o ex-presidente Lula na disputa pela Presidência, apesar de ter rompido com o governador.

Mas o estrago já estava feito: o vice-prefeito Marlon Leite (filho do ex-prefeito Dálvio Leite, líder de tradicional grupo político do município) já tinha anunciado que, apesar da posição do prefeito, ele continuava engajado na campanha de Jerônimo, além da de Lula e Otto.

E para completar, o comício feito em Seabra, na última sexta-feira, por ACM Neto, o novo candidato do prefeito, não atraiu um grande público.

Vamos ver o poder de mobilização do chamado “efeito Lula” e do governador no comício de Jerônimo, amanhã, quinta-feira. As comparações serão inevitáveis.