Páginas

quarta-feira, 25 de maio de 2022

PROFESSORES DE SEABRA: UMA GREVE LONGA E VITORIOSA

A categoria se manteve mobilizada (Fotos: Smitson Oliveira) 

Tânia Oliveira, dirigente da APLB-Sindicato

Depois de uma greve de mais de 50 dias, os professores da rede municipal de Seabra, na Chapada Diamantina, chegaram a um acordo considerado satisfatório, retomando as aulas a partir da terça-feira, dia 24: conseguiram a maioria das reivindicações, incluindo o reajuste de 33,24% do piso salarial, que é garantido em lei federal e faz parte da luta da categoria em todo o estado, pois tal direito vem sendo atropelado pelas prefeituras.

 

(Em Salvador, por exemplo, os professores das escolas municipais estão em greve, iniciada na última quinta-feira, dia 19, exigindo o mesmo reajuste).

 

Apesar da volta às aulas, o professorado seabrense continua mobilizado para serem efetivamente atendidos os itens acordados, constantes em ata registrada no Ministério Público. E também para acompanhar – buscando transparência – a aplicação das verbas para a educação.

 

Isto em meio à extrema má vontade do prefeito Fábio Miranda, que, passando ao largo da institucionalidade, negou-se a se sentar à mesa de negociação com os legítimos representantes da APLB-Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia, existente há 70 anos como referência em luta de classe.

 

O seu secretário da Educação, Altair Sá Teles, no entanto, negociou com a comissão dos grevistas. E o documento do acordo foi apresentado no Ministério Público local, no intuito de referendar o cumprimento dos prazos acordados.

 

Este é um pequeno resumo feito a partir da avaliação e relato da  dirigente da APLB, Tânia (Maristônia) Oliveira, presidente da Delegacia Sindical Lavras da Diamantina da APLB/Sindicato (abrange Seabra e mais quatro municípios da Chapada Diamantina).

 

Segundo ela, foram dias de muita movimentação, com manifestações de rua, assembleias, inclusive nas praças, “ocupações da prefeitura” (ocupação do pátio da Secretaria da Educação durante o expediente), panfletagens, carreatas, gravação e divulgação de vídeos e muita atuação nas redes sociais. Além de reuniões/encontros no sindicato, Câmara de Vereadores e Ministério Público.

 

O movimento contou (e ainda conta) com o apoio de mães e pais (principalmente as mães) dos alunos, cuja participação foi talvez um dos toques mais notáveis da mobilização e articulações.

 

Com o fim da greve, os professores têm agora também o compromisso com a reposição das aulas para os cerca de 8.000 alunos e alunas da rede de educação infantil e ensino fundamental, níveis da competência da gestão municipal. São aproximadamente 50 escolas em todo o município.


Mais fotos do movimento: