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sexta-feira, 29 de maio de 2020

“VOU SER FUZILADO DAQUI A POUCO (...) NÃO QUERO QUE O FRIO ME FAÇA TREMER”

A execução aí na foto (da Internet) não tem relação com a da carta abaixo

“Assumi meu lugar no Exército de Libertação, e morro quando a luz da vitória já começa a brilhar”.
Por Spartaco Fontanot – soldado voluntário da luta antifascista na França ocupada durante a Segunda Guerra Mundial.
“Querida mamãe: De todas as pessoas que conheço, a senhora é a única que vai sentir mais, por isso meus pensamentos são para a senhora. Não culpe ninguém mais por minha morte, porque eu mesmo escolhi minha sorte.
Não sei como lhe escrever, porque, mesmo tendo a cabeça clara, não consigo encontrar as palavras certas. Assumi meu lugar no Exército de Libertação, e morro quando a luz da vitória já começa a brilhar (...) Vou ser fuzilado daqui a pouco com 23 outros camaradas.
Depois da guerra a senhora deve exigir seus direitos a uma pensão. Eles lhe entregarão minhas coisas na prisão, só que estou ficando com o colete de papai, porque não quero que o frio me faça tremer (...) Mais uma vez, digo adeus. Coragem!
Seu filho,
Spartaco”.
Spartaco Fontanot, metalúrgico, 22 anos, membro do grupo resistente de Misak Manouchian, 1944, in Lettere (1954, p.306)
PS: Transcrito do livro ‘Era dos Extremos – O breve século XX – 1914-1991’, autor Eric Hobsbawm, página 144, editora Companhia das Letras.
Conforme pesquisa na Internet, Spartaco Fontanot nasceu na Itália em 1922 e foi fuzilado no Forte Mont-Valérien, na França, em fevereiro de 1944, quando a Segunda Guerra Mundial estava chegando ao fim. Participava como voluntário da resistência contra o fascismo/nazismo na França ocupada.
Misak (ou Missak, como encontrei na Internet) Manouchian, o nome do grupo de resistência, foi um poeta e militante comunista do povo armênio, nascido na Turquia.

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