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terça-feira, 23 de abril de 2019

NAZIFASCISMO: VOCÊ PRECISA SABER DOS RENTISTAS...


Por que será que o governo está gastando tanto em propaganda e pedindo depoimentos de pessoas ligadas à mídia para elas dizerem que a Reforma da Previdência é muito boa e que vai salvar a economia nacional?

Por Valdimiro Lustosa Soares – economista, antiga liderança do sindicalismo bancário da Bahia - texto transcrito do Facebook, de 19/04/2019 (complemento do título, destaque acima e disposição dos parágrafos são da edição deste blog)

O cientista político Luiz Alberto Moniz Bandeira fala em seu livro A Desordem Mundial (Civilização Brasileira-2016) que o nazifascismo não constitui um fenômeno particular da Itália e da Alemanha, quando ameaçou e se estendeu, sob diferentes modalidades, a outros países da Europa, como Portugal e Espanha, entre os anos 1920 e a deflagração da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

O que ocorreu nesses países foi uma espécie do que Machiavelli referiu como mutazione dello stato (mutatio rerum, commutatio rei publicae), quando a res publica, um Estado, sob o nome da liberdade transmuda-se em Estado tirânico, com violência ou não.

O fenômeno político denominado nazifascismo no século XX podia e pode ocorrer, nos Estados modernos, onde e quando a oligarquia e o capital financeiro não mais conseguem manter o equilíbrio da sociedade pelos meios normais de repressão, revestidos das formas clássicas da legalidade democrática, e assumir características e cores diferentes, conforme as condições específicas de tempo e de lugar.

Porém sua essência permanece como um tipo peculiar de regime, que se ergue por cima da sociedade, alicerçado em sistema de atos de força, com a atrofia das liberdades civis e a institucionalização da contrarrevolução, tanto no plano doméstico quanto no plano internacional, mediante perpétua guerra, visando implantar e/ou manter uma ordem mundial subordinada aos seus princípios e interesses nacionais e favorável à sua segurança assim como a prosperidade nacional.

Durante a Grande Depressão, que se seguiu ao colapso da bolsa de Wall Street, em outubro de 1929, a Black Friday, alguns grupos financeiros e industriais – cerca de 24 das mais ricas e poderosas famílias dos Estados Unidos, dentre as quais Morgan, Robert Sterling Clark, DuPont, Rockefeller, Mellon, J. Houeard Pew, da companhia Sun Oil, Remington, Anaconda, Bethlehem, Goodyear, Bird’s Eye, Maxwell House, Heinz Schol e prescott Bush – conspiraram.

Planejaram financiar e armar veteranos do Exército, sob o manto da American Legion, com a missão de marcharem sobre a Casa Branca, prender o presidente Franklin D. Roosevelt (1933-1945) e acabar com as políticas do New Deal (O Novo Acordo). O objetivo consistia na implantação de uma ditadura fascista, inspirada no modelo da Itália e no que Hitler começava a construir na Alemanha.

O Wall Street Plot, porém, abortou. O major-general Smedley Darlington Butler, que os big businessmen tentaram cooptar, denunciou a conspiração, ao reporter Paul French, do Philadelphis Record e do New York Evening Post.

Mutatis Mutandis, digo eu, qualquer país está sujeito a golpes fascistas. Tudo vai depender da reação do povo. O livro do professor Moniz Bandeira é um primor de história para poder-se entender como se comporta o sistema capitalista, os seus interesses e a quem serve o modelo.

No Brasil pode sim, ocorrer tentativas iguais à narrada pelo professor. Os homens do dinheiro gostam do dinheiro e de mais ninguém. Claro que a imprensa corporativa dos Estados Unidos não deu maior importância ao episódio acima narrado. Os donos do dinheiro compram tudo, como diz o sociólogo brasileiro Jessé Souza em seu livro a Radiografia do Golpe.

Os donos do dinheiro não dão nada de graça a ninguém. Isso me faz lembrar um ditado muito usual na minha terra: NINGUÉM DÁ MINGAU A MENINO SEM LAMBER OS DEDOS! Por que será que o governo está gastando tanto em propaganda e pedindo depoimentos de pessoas ligadas à mídia para elas dizerem que a Reforma da Previdência é muito boa e que vai salvar a economia nacional? Desconfie. O pano de fundo da reforma é outro: quem vai lucrar serão os bancos e os rentistas. Acorda povo!

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