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sábado, 2 de março de 2019

EM BUSCA DUMA NOVA POLÍTICA

Encontro de dirigentes municipais do PT da Chapada; na mesa: Bete Wagner, Marcelino Galo, Pedro Lima (presidente do PT/Seabra), Jorge Solla e Filipe Almada, da Executiva Estadual/PT (Foto: Smitson Oliveira) 

Precisamos duma nova política para os tempos de ódio, desinformação e criminalização da política e dos políticos: se ligar às bases populares, às comunidades.

Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro – editor deste Blog Evidentemente

- Vivi um final de semana de aprendizado político, acompanhando uns debates de deputados com comunidades do meu interior de Seabra, na Chapada – disse a uma amiga.

- Mas, agora, depois que as eleições já passaram!? – ela se admirou.

- Política séria é assim, não é feita só na época de eleição – retruquei.

Pois é isso aí, fiquei matutando: fazer política com a participação direta das bases, das associações de moradores, das comunidades rurais, buscando compreender e encaminhar a solução de suas necessidades. E com políticos que se dispunham a receber votos suados (não comprados), isto é, votos obtidos através do contato direto, discussão e atendimento aos anseios do povo.

Os deputados no caso foram Jorge Solla (federal PT) e Marcelino Galo (estadual PT). Com a intermediação de Goiano (José Donizette, ativista social e político do Projeto Velame Vivo), botaram “o pé na estrada” – ou seja, rodaram em estrada de barro – e foram discutir as demandas do quilombo de Vão das Palmeiras e do povoado de Bebedouro, no município de Seabra, Chapada Diamantina, interior da Bahia. Foi na sexta-feira antes do Carnaval, dia 22 de fevereiro.

Goiano, Solla e Galo em reunião no quilombo de Vão das Palmeiras (Fotos: Valdimiro Lustosa)
Moradores de Vão das Palmeiras no encontro com os deputados petistas
Na comunidade do Bebedouro; na mesa, a partir de Solla, seguem Galo, Janete Brandão (vereadora/PSB) e Joselito Teixeira (Litinho, presidente da Associação de Pequenos Produtores Rurais de Várzea do Caldas)
No dia seguinte, sábado pela manhã, os dois parlamentares e a vice-presidente do PT estadual, Bete Wagner (ex-vice-prefeita de Salvador) participaram, em Seabra, do terceiro encontro regional dos dirigentes municipais do PT da Chapada.

E à tarde do mesmo sábado, Solla e Galo se reuniram com a comunidade do quilombo de Esconso, de Iraquara, e com militantes políticos do município.

É o que chamo de busca duma nova política, quando políticos usam seus mandatos a serviço das necessidades reais dos setores populares, procurando superar o costumeiro oportunismo/clientelismo das campanhas eleitorais. Digo “necessidades reais” porque apresentadas no cara a cara, através dos líderes comunitários e dos próprios moradores.

Talvez seja esta a prática política adequada para os tempos que vivemos, tempos marcados pelo ódio, desinformação e criminalização da política e dos políticos, numa palavra: regressão democrática (ou “democracia híbrida”, conceito cunhado pelo sociólogo português Boaventura de Sousa Santos).

Talvez uma boa dica para a busca do equilíbrio de ação da esquerda (ou centro-esquerda) brasileira, que parece nunca ter aprendido como combinar o trabalho parlamentar com o trabalho de base.

PS: Temas e aspectos dos encontros acima serão tratados aqui em outras postagens.

3 comentários:

Laranjeira disse...

Parabens aos realizadores do encontro. Espero que, efetivamente, esses encontros com debates e muitas discussões venham contribuir para a organização do partido na região. O PT precisa muitíssimo de constituir uma percepção clara do momento político, ou seja, do conjunto das circunstâncias que atuam nos cenários políiticos do país e do mundo.

Maricotinha disse...

Parabéns a Goiano pela iniciativa de levar esse tipo de discussão para as comunidades rurais.

jadson oliveira disse...

Transcrevo aqui comentários recebidos via email:

Sinval Soares

Que bom deputados, fora do período eleitoral, ouvindo a voz rouca das ruas. Não é novidade para alguns parlamentares, e seria muito bom que a prática fosse de comportamento geral da esquerda, em qualquer época mas sobretudo agora para fazer a disputa de projeto político diretamente com a base, quando a grande mídia, mesmo percebendo a grande merda que jogou no poder, ainda assim não dá espaço para partidos de oposição e movimentos populares e sindical.

Clóvis Caribé (Coió)

Parabéns pelas suas incursões e divulgações de atos e que tratam de uma, ainda relutante, organização da nossa combalida "sociedade civil".
Gosto das suas incursões e noticias porque são objetivas, interessantes e de fácil leitura!

Elsa Kraychete
A minha sensação é que temos que começar de novo, e não tem outro caminho, voltar às bases, do jeito que hoje é possível.