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terça-feira, 25 de setembro de 2018

OPORTUNISMO E ELITISMO, OS MALES DO STF SÃO

Edson Fachin (Foto: Internet)

Por Jadson Oliveira (jornalista/blogueiro) - editor deste blog

“Esses caras (os ministros do STF indicados pelos governos do PT), agora, que o contexto político mudou, têm que provar que não possuem nenhuma relação com o PT. Exageram na mão precisamente para afastar qualquer suspeita. Aí se tornam mais realistas que o rei e são tão parciais quanto o Moro é”.

Esta opinião é de um advogado e professor citada pela advogada Bibi Prado numa matéria de hoje, dia 25, do blog Conversa Afiada (Moro tem ódio de classe contra o PT e Lula).

É exatamente isso que eu penso. Me lembrei especialmente do Edson Fachin. Vocês se recordam? Quando ele foi indicado pelo governo Dilma foi um verdadeiro pandemônio, passava a impressão que o homem era um esquerdista radical, um espírito guerrilheiro, progressista empedernido, defensor do interesse popular, um perigoso amante do povo... pois não é que até já foi advogado do MST!?

A imprensa hegemônica, tendo à frente, claro, a Globo, fez um escândalo: os alicerces da nossa jovem democracia e da nossa sofrida república estavam sob ameaça mortal; a sabatina no Senado, então, foi um circo de indignação e hipocrisia. Terminou aprovado por nossos impolutos senadores, mas haja contorcionismo do candidato!

Pensei comigo, na minha santa ingenuidade: finalmente vamos ter um juiz no Supremo que vai colocar seu conhecimento jurídico e seu espírito de justiça a serviço dos interesses do povo e da Nação.

Logo, logo, porém, o homem já estava perfeitamente adaptado aos ventos da direita e do cinismo. Esteve sempre nesses gloriosos tempos de golpismo entre os ministros mais radicais e confiáveis na perseguição aos trabalhadores, ao petismo, a Lula.

Resta constatar: se os ventos mudarem de rumo, ele certamente mudará também rapidamente, ou melhor, se adaptará. Porque “esses caras”, como os chamou o professor, e agora digo eu, são basicamente oportunistas, além de profundamente elitistas.

Toda vez que leio alguma notícia sobre o Fachin, eu me recordo duma passagem dum livro do jornalista Ricardo Kotscho, que foi assessor de campanha eleitoral de Lula e chefe de sua Comunicação no primeiro governo (não localizei o título do livro, onde relata justamente esta sua convivência com Lula).

Kotscho conta que uma vez tentava convencer Lula a conceder uma entrevista a um determinado repórter. Lula resistia. Ele então argumentou que o colega era um bom profissional, etc e tal, inclusive já havia sido do PT.

Aí foi que Lula, já bastante calejado, cortou fora o rapaz. Disse: “Ah! esses são os piores, têm que provar o tempo todo ao chefe e ao patrão que não são mais petistas”.

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