sábado, 12 de dezembro de 2015

FIDEL: "NÃO EXISTE SEGURANÇA HOJE PARA NINGUÉM"

O líder cubano Fidel Castro escreveu ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (Foto: Correio do Brasil)

Fidel cumprimenta Maduro por atitude firme diante dos eleitores


Fidel lembra que outro herói latino-americano, além de Simón Bolívar, o oficial venezuelano de pura estirpe, Hugo Chávez, o compreendeu, admirou e lutou por seus ideais até o último minuto de sua vida.
Por Redação, com Prensa Latina – de Havana - reproduzido do jornal digital Correio do Brasil, de 11/12/2015
Líder da Revolução Cubana e símbolo mundial do comunismo, Fidel Castro cumprimentou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por reconhecer o resultado das urnas e trabalhar para levar a revolução bolivariana a um novo patamar, capaz de superar os atuais obstáculos. A ultradireita, aliada a setores dissonantes do chavismo, venceu as eleições parlamentares realizadas em 6 de dezembro.
Em carta divulgada nesta sexta-feira, Fidel reconheceu como brilhante e valente o presidente Nicolás Maduro.

Leia, adiante, a carta de Fidel:




Querido Nicolás:
Junto-me à opinião unânime daqueles que o felicitaram por teu brilhante e valente discurso na noite de 6 de dezembro, tão logo se conheceu o veredito das urnas.

Na história do mundo, o mais alto nível de glória que um revolucionário poderia alcançar correspondeu ao ilustre combatente venezuelano e Libertador da América, Simón Bolívar, cujo nome não pertence apenas a este país irmão, e sim, a todos os povos da América Latina.
Outro oficial venezuelano de pura estirpe, Hugo Chávez, o compreendeu, admirou e lutou por seus ideais até o último minuto de sua vida. Desde criança, quando frequentava a escola primária, na pátria onde os herdeiros pobres de Bolívar também tinham de trabalhar para ajudar o sustento familiar, desenvolveu o espírito em que se forjou o Libertador de América.
Fidel ‘Não existe segurança hoje para ninguém’
Os milhões de crianças e jovens que hoje frequentam a maior e mais moderna rede de escolas públicas do mundo são os da Venezuela. Outro tanto pode-se dizer de sua rede de centros de assistência médica e atenção à saúde de um povo valente, porém empobrecido em virtude de séculos de rapinagem por parte da metrópole espanhola e, mais tarde, pelas grandes transnacionais que extraíram de suas entranhas, durante mais de 100 anos, o melhor do imenso caudal de petróleo com que a natureza dotou este país.
A história deve também marcar que os trabalhadores existem e são os que tornam possível o desfrute dos alimentos mais nutritivos, os medicamentos, a educação, a segurança, a moradia e a solidariedade do mundo. Se o desejarem, perguntem à oligarquia: sabe ela de tudo isso?
Os revolucionários cubanos – a poucos quilômetros dos Estados Unidos, que sempre sonhou com apoderar-se de Cuba para convertê-la num híbrido de cassino e prostíbulo, como modo de vida para os filhos de José Martí – não renunciarão jamais à sua plena independência e ao respeito total de sua dignidade. Estou certo de que somente com a paz para todos os povos da Terra e o direito de converter em propriedade comum os recursos naturais do planeta, bem como as ciências e as tecnologias criadas pelo ser humano para benefício de todos seus habitantes, se poderá preservar a vida humana na Terra.
Se a humanidade prosseguir em seu caminho pelas sendas da exploração e continuar transnacionais e bancos imperialistas a saquear seus recursos, os representantes dos Estados que se reuniram em Paris tirarão as conclusões pertinentes.
Não existe segurança hoje para ninguém. São nove os Estados que contam com armas nucleares, e um deles, os Estados Unidos, lançou duas bombas que mataram centenas de milhares de pessoas em apenas três dias e causaram danos físicos e psíquicos a milhões de pessoas indefesas.
A República Popular da China e a Rússia conhecem melhor que os Estados Unidos os problemas do mundo, porque tiveram de suportar as terríveis guerras a elas impostas pelo egoísmo cego do fascismo. Não tenho dúvidas que por sua tradição histórica e sua própria experiência revolucionária farão o máximo de esforço para evitar a guerra e contribuir para o desenvolvimento pacífico da Venezuela, da América Latina, da Ásia e da África.
Fraternalmente,
Fidel Castro Ruz

Nenhum comentário: