terça-feira, 3 de novembro de 2015

VARGAS LLOSA, UMA PENA POLÍTICA FRUSTRADA – POR ALFREDO SERRANO MANCILLA

(Foto: Internet)
Vargas Llosa continua sem compreender absolutamente nada do que acontece na mudança de época latino-americana. (...) Agora aposta em Macri para ver se consegue de uma vez por todas ganhar uma eleição nos países que buscaram outro caminho, diferente do neoliberalismo.

Por Alfredo Serrano Mancilla (*) – do jornal argentino Página/12, edição impressa de hoje, dia 3

Apesar de todos os prêmios literários, Vargas Llosa continua engasgado por sua derrota nas eleições presidenciais do Peru em 1990. Jamais superou o trauma. Nenhum dos seus merecidos reconhecimentos como escritor compensou seu sonho de todo menino filho da oligarquia latino-americana da época: ser presidente. Desde então, persistiu com suas diatribes em defesa de qualquer proposta da direita nascente na América Latina. Seu tom se enfureceu muito mais durante o século 21, depois da chegada dos governos de orientação contrária a seus desígnios.
Em todos esses casos (Venezuela, Brasil, Argentina, Bolívia, Equador), a democracia deixava de ser um sistema justo para eleger seus mandatários. O povo deixava de ter razão. E Vargas Llosa substituía sua pena ilustrada e criativa por uma linguagem de “brocha gruesa” (grosseira), de lugares comuns como qualquer político antiquado da direita do século 20.
O romancista e ensaísta voltou a aparecer em cena com as eleições argentinas. Em seu editorial de El País, “Uma esperança argentina”, faz campanha de forma “hooligan” a favor de Macri. Presenteia-o com todo tipo de piropos como guia da liberdade e da democracia, apesar de que sua fortuna – a da família Macri – se construiu na época da ditadura. Pelo contrário, arremete sem piedade contra o peronismo e o kirchnerismo. Os insulta com a  linguagem mais chula. Se atreve inclusive a equiparar o que acontece na Argentina com o nazismo e o fascismo: “O fenômeno do peronismo é, pelo menos para mim, mais misterioso ainda do que o do povo alemão abraçando o nazismo e o italiano o fascismo”. Sua língua viperina não tem limites. Contra Chávez disse absolutamente de tudo. O mesmo contra Evo Morales ou Correa. Contra Néstor e Cristina também os insultou com todo tipo de impropérios. Tudo porque – tal como ele mesmo afirma – a Argentina não volta “ao primeiro mundo”, ao seu primeiro mundo, a esse mundo privilegiado para uns poucos onde está proibida a entrada das maiorias. Vargas Llosa, como bom marquês (marquesado hereditário espanhol que foi criado para ele e entregue pelo rei Juan Carlos), sempre defende a sua própria casta.
Sua visão está impregnada de rancor e mentiras.
Continua em espanhol, com traduções pontuais:
Habla de empobrecimiento cuando Argentina es el país, según la Cepal, que más ha erradicado pobreza y reducido desigualdad gracias a las políticas públicas del kirchnerismo. Crítica el antiamericanismo del gobierno después de que éste se haya negado a acatar lo que un juez de Nueva York sentencia a favor de los fondos buitre (dos fundos abutres). Para Vargas Llosa el americanismo ha de significar todo proyecto político impuesto desde Estados Unidos en vez de cualquier construcción de una América latina más emancipada. Seguramente, jamás pudo digerir aquel No al ALCA (Area de Libre Comercio de las Américas) que tuvo lugar precisamente en Mar del Plata hace una década. El gobierno K jugó un rol clave en esa batalla y eso escuece todavía mucho a (teve um papel chave nessa batalha e isso ainda desagrada muito) aquellos que defienden que América latina ha de volver subordinadamente al redil atlántico trazado por Estados Unidos y Europa.
Vargas Llosa sigue sin comprender absolutamente nada de lo que sucede al interior del cambio (da mudança) de época latinoamericano. Sigue apoyando a perdedores en América latina: Henrique Capriles en Venezuela, Aécio Neves en Brasil, Lacalle Pou en Uruguay, Rubén Costas en Bolivia, Mauricio Rodas en Ecuador. En esta ocasión (Agora) apuesta por Macri a ver si logra de una vez por todas ganar una elección en países que buscaron otro camino, diferente al neoliberalismo. El 22 de noviembre veremos si atina. Por ahora (Por enquanto), sus aciertos son prácticamente nulos. Su olfato político deja mucho que desear (deixa muito a desejar).
(*) Diretor Celag, doutor em Economia, @alfreserramanci

Tradução (parcial): Jadson Oliveira

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