terça-feira, 17 de novembro de 2015

LÚCIO FLÁVIO PINTO: A TRAGÉDIA DE MINAS E O EFEITO DA PROPAGANDA

(Foto: Internet)
A Vale tem sido uma das maiores compradoras da conivência, omissão ou parceria da imprensa brasileira.
Por Lúcio Flávio Pinto (jornalista paraense) – texto encaminhado por Miguel Oliveira como comentário à matéria postada logo abaixo no Blog do Alceu Castilho, de 10/11/2015
Alguns dos principais veículos da grande imprensa nacional deram à tragédia de Mariana, em Minas Gerais, causada pelo rompimento de barragens de retenção de rejeitos da produção de pelotas de minério de ferro, o tratamento adequado e o destaque merecido.
Mas a grande maioria dos órgãos de comunicação minimizou o fato, imensamente grave, e omitiu o quanto pôde o nome da Vale, dona de 50% da Samarco, a segunda maior exportadora de pelotas do país, com receita de 7,5 bilhões de reais no ano passado e lucro de R$ 2,8 bilhões (quase 40%).
Será que esse comportamento dissonante do mais elementar jornalismo tem a ver com a bilionária verba publicitária da Vale na imprensa brasileira? Por que uma empresa de mineração, que vende para um grupo seleto de poucos compradores um produto que é avaliado por milhões de toneladas, através de contratos de longo prazo, principalmente para o exterior, gasta tanto fazendo propaganda na mídia?

Juntando os dois parágrafos tem-se a resposta. A Vale tem sido uma das maiores compradoras da conivência, omissão ou parceria da imprensa brasileira. O Pará é um dos maiores exemplos disso. Desde que o grupo (de comunicação) Liberal acertou suas contas com a mineradora, em 2003, alguém já leu alguma coisa de mais significativa contra a Vale nos veículos de comunicação – tanto da família Maiorana (do grupo Liberal) quanto dos Barbalhos (do deputado Jáder Barbalho)? Quem apresentar essa matéria ganhará um quilo de minério de ferro.

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