quinta-feira, 8 de outubro de 2015

LEONARDO PADURA: CUBA AINDA É UM FANTASMA QUE ASSOMBRA A DIREITA BRASILEIRA

(Foto: Internet)
O escritor cubano conta como a Revolução contribuiu para superar a discriminação racial no país ao dar acesso para negros à universidade. Ele defende o caráter humanitário da presença de seus conterrâneos no programa Mais Médicos e afirma que a relação entre Brasil e Cuba é social e economicamente vantajosa para ambos.

Por Leonardo Fuhrmann – no Portal Fórum, de 04/10/2015

O gosto de Leonardo Padura pela heresia – não só no pensamento religioso – está presente para além do título do livro que veio lançar no Brasil, Hereges. Para refletir sobre a Cuba de hoje, ele recorre ao passado de seu país e a personagens que enfrentaram o pensamento vigente. Ateu convicto, o escritor retrata na obra os judeus e a questão do livre arbítrio na relação deles com Deus.

Pessoalmente, mesmo sem ter fé religiosa, Padura trata com otimismo os resultados da visita do Papa Francisco a Cuba. Defensor do reestabelecimento de relações normais da nação com os Estados Unidos, ele deixa claro que não acredita que o sistema capitalista seja capaz de resolver os problemas de sociedade alguma.
Apesar de falar sobre as conquistas do regime cubano e as mazelas do antigo sistema, não esconde também os fracassos do governo revolucionário, como a falta de competitividade econômica ou de ética de algumas pessoas ligadas ao regime. Sobre o futuro de Cuba após o governo de Raúl Castro, responde com sinceridade e em espanhol claro: no tengo la más puta idea”.

Fórum – Qual o atrativo de escrever romances históricos?

Padura - Existe, de fato, uma tendência hoje a escrever romances históricos. Há um percentual grande de autores que são levados por argumentos que lhe parecem interessantes. A escolha se baseia em um acontecimento em si. Há cerca de dez anos, o gênero foi impulsionado pelo grande êxito de O código da Vinci, do Dan Brown. Eu me recordo de ter passado por uma livraria, em uma cidade da Espanha, e todos os livros que estavam na prateleira principal tinham a ver com Jesus Cristo, Maria, Santo Graal e templários.


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