quarta-feira, 21 de outubro de 2015

GUIANA: A OUTRA CARTA CONTRA A VENEZUELA

(Foto: Prensa Latina)
A intenção da transnacional Exxon Mobil de explorar fontes de hidrocarbonetos na região de Esequiba, uma área em disputa histórica, é agora reforçada pela mais recente campanha difamatória sobre a política exterior de Caracas, segundo denúncias da diplomacia.

Da agência de notícias Prensa Latina, de 09/10/2015 
Caracas - A ponto de fechar o ano de 2015, repleto de agressões contra a Venezuela, a direita e seus assessores em Washington agora tiram uma nova carta da manga: aguçar o diferendo territorial com a Guiana, com a cumplicidade das principais autoridades de Georgetown.

A intenção da transnacional Exxon Mobil de explorar fontes de hidrocarbonetos na região de Esequiba, uma área em disputa histórica, é agora reforçada pela mais recente campanha difamatória sobre a política exterior de Caracas, segundo denúncias da diplomacia.

Nesse sentido, a chanceler Delcy Rodríguez explicou que os novos ataques encontram como seu principal porta-voz o próprio presidente guianês, David Granger.

A diplomata acusou esse chefe de Estado de mentir perante a comunidade internacional ao apresentar um livro nas Nações Unidas que acusa Caracas de fomentar planos intervencionistas.

Rodríguez mostrou aos jornalistas esse documento e sua capa, assinados pelo próprio Granger, que mostram um navio-patrulha venezuelano supostamente preso em Georgetown por pretender despertar conflitos armados.

Na realidade, disse, trata-se de um navio-patrulha que chegou à costa de Santa Cruz de Tenerife (Ilhas Canárias) em 22 de dezembro de 2011, com destino a Cádiz onde receberia manutenção.

A chefa da diplomacia venezuelana fez um chamado a Granger a não mentir ao secretário geral da ONU, Ban Ki-Moon, e respeitar a Venezuela, além de pedir ao mandatário, com tom de ironia, que não confundisse a capital de seu próprio país.

Depois de qualificar o fato como grave, Rodríguez adiantou que por instruções do presidente da República, Nicolás Maduro, informarão por todas as vias necessárias a comunidade internacional sobre esta difamação, que conta com o apoio dos Estados Unidos.

Sobre outro comentário de Granger, no qual afirmou que a Venezuela tem colaborado pouco com o desenvolvimento da Guiana, Rodríguez lembrou que como parte da aliança Petrocaribe e de maneira bilateral, a Venezuela tem sido um dos países que mais ajudou esse povo irmão, com investimentos superiores a 1,2 trilhão de dólares.

Também explicou que em Georgetown funciona um centro de reabilitação social que leva o nome do presidente Hugo Chávez, falecido em 2013.

Sobre o diferendo territorial com a Guiana, as autoridades venezuelanas reiteraram sua disposição de levar a cabo conversas respeitosas sobre as bases do Acordo de Genebra de 1966.

Por outra parte, o ministério de Relações Exteriores e o próprio presidente da República, Nicolás Maduro, repudiaram as recentes declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, que, como parte dessas manobras, falou abertamente contra a democracia venezuelana, a menos de 60 dias de eleições parlamentares.

Explicaram que está longe de ser competência de Kerry opinar sobre o sistema venezuelano, que conta com apoio popular.

Do mesmo modo, condenam outro fato: as palavras com tom injerencista do embaixador estadunidense na Guiana, Perry Holloway, para influenciar o diferendo entre Caracas e Georgetown.

Para a diplomacia venezuelana, ao interferir em um assunto que não lhe compete, nem política nem juridicamente, a Casa Branca pretende danificar as relações e a unidade latino-americana e caribenha.

A Guiana Esequiba, com uma extensão de 159.542 quilômetros, pertence à Venezuela desde 1777, com a criação da Capitania Geral.

Em 1811, todas as áreas que pertenciam à Capitania foram incluídas em sua primeira Constituição. Apesar dessas evidências históricas, este território pretendeu ser despojado pelo império britânico há dois séculos, o que gerou a controvérsia mantida hoje com a Guiana.

Para resolver o diferendo, em 1966, o Reino Unido aceitou iniciar conversas com a Venezuela e conseguiram, no dia 17 de fevereiro desse ano, assinar o Acordo de Genebra, na Suíça.

Este acordo foi reconhecido pela Guiana depois de sua independência, em 26 de maio daquele ano.

A controvérsia entre ambas as nações sul-americanas chegou a um ponto complexo depois de Granger assumir a Presidência da Guiana, em maio passado, e devido às provocações da direita internacional, que utiliza a disputa territorial como desculpa para se apoderar do petróleo venezuelano.

Próximo à 20a eleição nos últimos 16 anos de Revolução, para outras autoridades como Jorge Rodríguez, chefe de campanha do Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV), o tema de Guiana está inscrito nos planos promovidos por setores opositores para desacreditar o governo de Maduro, ao mesmo tempo em que geram instabilidade e violência no país.

O servidor público (Jorge Rodríguez), que entregou ao Conselho Nacional Eleitoral um documento que exige respeito aos resultados da consulta de 6 de dezembro por todas as organizações políticas, opinou que a estratégia da direita nacional e internacional é atentar contra o desenvolvimento pacífico desse processo decisivo.

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