quarta-feira, 16 de setembro de 2015

GUERRA MIDIÁTICA: ESQUERDA BRASILEIRA PRECISA SE ARMAR E PARAR DE “BRINCAR DE BRIGAR”

(Foto: Internet)
Não é preciso repetir que somente com uma poderosa rede de imprensa popular poderemos lutar, com chance de êxito, contra o avanço das forças do retrocesso e por uma lei de democratização da mídia.
Por Jadson Oliveira (jornalista/blogueiro) – editor do blog Evidentemente – publicado em 16/09/2015
Lucilla, querida, me abateu uma baita preguiça de escrever, tem já umas quatro semanas que escrevi um artigo para meu blog. Hoje levantei decidido a escrever sobre a corrupção, pensei na foto acima, é preciso dizer às pessoas que essa gente da direita nunca se importou com corrupção e essa foto exaltando o Eduardo Cunha deixa isso escancarado, é simplesmente bandeirosa.
É uma verdade cristalina: ESSA GENTE DA DIREITA NUNCA SE IMPORTOU COM CORRUÇÃO. Agora, seletivamente, convenientemente, taticamente, tendo como vanguarda a imprensona hegemônica – TV Globo (como aguentar esses agentes da delinquência todo santo dia na sala de jantar falando, falando, falando...?), Folha, Estadão, O Globo & Cia -, essa gente esgoela “a corrupção do PT, de Lula, de Dilma...”
Então, vou escrever um artigo e demonstrar essa farsa, as mentiras, a empulhação, as meias verdades, falar um pouco da história recente deste país, em 1964, por exemplo, a mesma enganação: meteram na cabeça e no coração de grande parte dos brasileiros que João Goulart, o popular Jango, era “incompetente e corrupto” e deu no que deu. E agora a mesma imprensa, que o Paulo Henrique Amorim, do blog Conversa Afiada, chama de PIG – Partido da Imprensa Golpista, repete a mesma operação.
E grande parte das pessoas aceitam, de bom grado, serem manipuladas. Assimilam e repetem as doses diárias de desinformação, de veneno, se tornam agressivas, cospem ódio contra os “petistas corruptos”, se tornam arautos/vítimas duma máquina midiática, rica e bem azeitada, a serviço dos poderosos, dos que realmente detêm o poder de fato, capitaneados pelo capital financeiro.
Meu amor, pois então, resolvi desabafar, como faço vez em quando, numa carta pra você. Artigo pra publicar aonde, no meu blog Evidentemente, tentando rebater as “verdades” trombeteadas dia e noite através dos monopólios da imprensa hegemônica? Não dá, né?
Aliás, aí está o x do nosso problema, o problema da esquerda e da centro-esquerda. Não temos audiência, ou só temos a mesma audiência. Numa recente manifestação de rua aqui em Salvador, um companheiro me disse, mostrando os manifestantes e os raros assistentes: “Olhe aí, nós falamos para nós mesmos”.
Conclusão, Lucilla: eu viro e mexo e volto à mesma tecla: a esquerda e a centro esquerda no Brasil têm que se convencer da necessidade de começar a lutar pela construção duma potente rede de meios de comunicação contra-hegemônicos, órgãos privados, públicos, estatais, comunitários, sindicais, cooperativados, alternativos, etc.
(A propósito, saúdo com muita alegria a iniciativa de colegas jornalistas de Brasília, que criaram o jornal online Brasil Popular – www.brpopular.com.br . Segundo li, um dos objetivos é chegar a um jornal diário impresso. Entre os conselheiros, está o Beto Almeida, que dirige a TV Comunitária de Brasília e integra o conselho da Telesur, a poderosa rede de TV multiestatal sediada em Caracas. Ele não se cansa de lembrar a experiência vitoriosa do jornal Última Hora, dirigido por Samuel Wainer, trincheira de luta dos tempos de Vargas e Goulart).
Somente com uma poderosa rede de TVs, rádios, jornais, plataformas digitais, etc, comprometida com um jornalismo sério e competente, e com a defesa dos interesses populares e nacionais, poderemos disputar, com alguma chance de êxito, a hegemonia na mente e nos corações do povo brasileiro. Do contrário, estaremos fadados a somente lamentar as derrotas históricas diante da direita e do império - a de 1954, com Vargas, a de 1964, com Goulart, e agora, a que se vislumbra com Lula.
Lucilla, querida, quando os partidos de esquerda e centro-esquerda e os movimentos sociais, a blogosfera progressista e os ativistas digitais vão começar a lutar, prioritariamente, por isso?  Já não digo o governo brasileiro, enredado nas teias da chamada governabilidade e da conciliação. Não seria o caso de mandarmos observadores à tua terra (além da Argentina, poderia ser também à Venezuela, Equador ou Bolívia) para ver como este tema está sendo tratado?
Não é preciso repetir que somente com uma poderosa rede de imprensa popular poderemos lutar, com chance de êxito, contra o avanço das forças do retrocesso e por uma lei de democratização da mídia, além de outras reformas de cunho democrático e popular, incluindo aí uma luta efetiva contra os corruptos e os corruptores.
Claro, você bem sabe – como boa revolucionária que é – que as lutas políticas marcham interligadas, umas empurrando e/ou sendo empurradas por outras. Mas, estou seguro, sem avançarmos na construção duma mídia contra-hegemônica, não avançaremos em nada mais. Sem ela, é como “brincar de brigar”, como diz um neto meu de quase três anos.

Beijos, nos vemos.

3 comentários:

Militão disse...

Grande Jadson. Belo artigo. Porque você nãO ENVIA PÁRA OUTROS blos SUJOS, COMO "cOMENTÁRIO". fICA A SUGESTÃO. gRANDE ABRAÇO. mILITÃO

Militão disse...

Alvíssaras!! Acertei enviar um comentário. Militão

Jadson disse...

Até que enfim, Militão, beleza. Ultimamente, apesar de escrever muito espaçadamente, tenho enviado artigos a blogs "sujos". Espero passar a escrever mais, sempre batendo na tecla da necessidade imprescindível de se conscientizar os companheiros da esquerda e centro-esquerda no sentido de que sem a construção duma mídia contra-hegemônica nós só vamos andar pra trás.
Este artigo de ontem mandei hoje nos comentários do Tijolaço e Viomundo e também para o Centro Barão de Itararé e para o novo jornal online criado por jornalistas (em cooperativa) de Brasília, chamado Brasil Popular.
Grande abraço, vamos em frente, companheiro, nossa situação é péssima, mesmo se não tirarem a Dilma, ela vai continuar governando cada vez mais à direita. O retrocesso já é fato, ele está aí vigente, com Dilma ou sem Dilma, Jadson