sexta-feira, 18 de setembro de 2015

FENÔMENO GILMAR MENDES É GERADO PELO MONSTRUOSO MONOPÓLIO DA MÍDIA HEGEMÔNICA

Um fenômeno midiático (Foto: Internet)
Tem cabimento um ministro do STF ter coragem de segurar, por um ano e cinco meses, um processo já com o resultado da votação delineado, atrasando uma decisão considerada vital para o combate à corrupção?

Por Jadson Oliveira (jornalista/blogueiro) – editor do blog Evidentemente – publicado em 18/09/2015

Ontem, quinta-feira, dia 17, foi dia de festa para as forças políticas à esquerda no Brasil. A blogosfera progressista (ou “suja”) e ativistas das redes sociais – os guerrilheiros midiáticos -, partidos e movimentos sociais festejaram a vitória de 8 a 3 no Supremo Tribunal Federal (STF), que, finalmente, decidiu proibir o financiamento das campanhas eleitorais pelos empresários.

Ou seja, os empresários não poderão mais, pelo menos legalmente, COMPRAR deputados, senadores, presidentes, governadores, prefeitos e vereadores. O ministro Gilmar Mendes, o maior representante da direita militante no STF, lutou até o último instante, estrebuchou, esperneou, mas foi, finalmente, derrotado.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), autora da ação que motivou a decisão, divulgou nota classificando a postura do ministro diante do representante da entidade no plenário do tribunal de “grosseira e arbitrária”. O PT, que parece ser o alvo predileto do ódio obsessivo de Mendes, também divulgou nota prometendo estudar a adoção de alguma medida judicial. Deputados discutem pedir o seu impeachment.

Dentre os artigos dos companheiros blogueiros chamados progressistas (ou “sujos”), destaco o de Paulo Nogueira, no blog DCM – Diário do Centro do Mundo, com o sugestivo título: ATÉ QUANDO GILMAR VAI ABUSAR DA NOSSA PACIÊNCIA? (Lembra, obviamente, a célebre ‘catilinária’ de Cícero: “Quo usque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?”). Deixo link aqui

Aproveito para responder a Paulo Nogueira: creio que por muito mais tempo teremos de aguentar Gilmar Mendes, mesmo que não seja propriamente este, mas um outro ou outros. Simplesmente porque Gilmar Mendes não é causa, mas o efeito gerado por um monstro chamado monopólios da mídia hegemônica. Para simplificar: a Globo e seus parceiros, os principais fazedores da cabeça dos brasileiros.

Pense bem (já falei isso aqui neste meu blog): tem cabimento um ministro do STF ter coragem de segurar, por um ano e cinco meses, um processo já com o resultado da votação delineado, atrasando uma decisão considerada vital para o combate à corrupção? Não numa conjuntura qualquer, mas numa conjuntura que, desde as manifestações de junho de 2013 e desde a deflagração da chamada Operação Lava Jato, está marcada pelo combate à corrupção (ou pelo suposto combate).

Tem cabimento!? Tem, porque nós não temos jornais e emissoras de rádio e TV interessados em defender posições populares, democráticas e nacionais e, portanto, um Gilmar Mendes se atreve a segurar um processo desse e ainda dispõe de meios de comunicação que lhe abrem os microfones para que ele defenda sua tese, segundo a qual financiamento de campanha eleitoral por empresas nada tem a ver com corrupção.

Então, diante do poder descomunal da Rede Globo – vamos nos ater ao inimigo principal do povo brasileiro, o mais visível -, me atrevo a prever que o ministro vai continuar sua militância política, através dos meios hegemônicos de comunicação.

E, claro, esses meios hegemônicos de comunicação – mesmo fustigados através da Internet e por algumas poucas publicações – não vão deixar que prosperem quaisquer medidas judiciais contra ele.

Como também não vão deixar que avance a luta pela democratização das concessões de rádio e TV; não vão deixar que avance a luta por uma reforma política e eleitoral de cunho mais popular e democrático; e não vão deixar que tiremos o “suposto” quando falemos de combate à corrupção.

Creio ser útil não esquecer o tamanho do poder da Globo e seus parceiros, inclusive e sobretudo num momento de vitória como o que significa a histórica decisão do STF. Como sempre, tal vitória será diluída, relativizada, porque, simplesmente, não conseguimos ainda construir uma mídia contra-hegemônica capaz de estabelecer a comunicação com o povo.


Aliás, lendo o livro do Paulo Henrique Amorim, ‘O Quarto (Primeiro) Poder – Uma outra história’, fiquei alarmado: segundo ele, até a ditadura militar, na sua fase terminal, estava assombrada diante do poder descomunal do monopólio da Globo. Só os governos do PT/Lula/Dilma não conseguiram enxergar (ou se quedaram impotentes). 

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