quarta-feira, 5 de agosto de 2015

NOVA ELEIÇÃO, VELHAS MANHAS: DEZENAS DE CANDIDATOS VINCULADOS AO PARAMILITARISMO NA COLÔMBIA

Rosa Cotes, candidata a governadora, e seu marido Chico Zúñiga, condenado por parapolítica (Foto: Página/12)
Cerca de 140 aspirantes a cargos eletivos proveem da parapolítica, mantêm relações com outro tipo de organizações criminosas, receberam condenações pelo mal manejo dos recursos públicos ou cobraram propinas.
Por Gustavo Veiga – no jornal argentino Página/12, edição impressa de hoje, dia 5

O encerramento das listas para as eleições regionais da Colômbia que se realizarão em 25 de outubro ratificou uma situação que se tornou habitual. No país onde 61 parlamentares foram condenados por seus vínculos com paramilitares e outros 500 candidatos foram sentenciados ou investigados pela Justiça, as próximas eleições confirmaram a tendência: políticos submergidos na ilegalidade ou relacionados com ela voltarão a se apresentar. Num trabalho recente, a Fundação local Paz e Reconciliação assinala que uns 140 aspirantes a cargos eletivos proveem da parapolítica, mantêm relações com outro tipo de organizações criminosas, receberam condenações pelo mal manejo dos recursos públicos ou cobraram propinas. A diferença com relação a processos eleitorais anteriores é que agora estreitaram seus laços com os partidos mais tradicionais: 22 candidatos receberam avais do Partido Liberal, 19 do Conservador e 10 do Centro Democrático do ex-presidente Álvaro Uribe. Assim assinalou o autor do informe, Ariel Ávila Martínez, em declarações à rede de televisão Telesur.
A investigação de Paz e Reconciliação não é a primeira deste tipo. Revelações similares foram levadas em conta no passado pela Corte Suprema para abrir o expediente da parapolítica, como se diz na Colômbia. O presidente da ONG, o cientista político León Valencia, é um ex-guerrilheiro do Exército de Libertação Nacional (ELN) que deixou a luta armada em 1994. Foi ou é apresentador de TV, colunista e estudioso do fenômeno da parapolítica. Em 2013 teve que se exilar um tempo na Europa porque o governo de Juan Manuel Santos descobriu um plano para assassiná-lo e também dois de seus colaboradores. Ávila Martínez estava entre eles.
O estudo sobre as eleições de outubro próximo – cujo encerramento das listas foi no último dia 25 – concluiu que 140 candidatos estão vinculados a diferentes tipos de ilícitos. 78% deles têm possibilidades de ser eleitos. E outro grande percentual são considerados, segundo o informe, herdeiros da parapolítica.
Num artigo especial para o jornal El Espectador, Ávila Martínez escreveu sobre o tema: “Estes candidatos são ‘cota’ direta dum político envolvido com o escândalo da parapolítica, seja por já estar condenado ou investigado. Tal é o caso do departamento (estado) de Magdalena, onde Rosa Cotes, esposa do condenado parapolítico Chico Zúñiga, está se lançando a governadora, aparentemente sem competição alguma. Ela herda a estrutura política de seu marido, que era conhecido como um dos membros do clã dos Conejos. Ademais, Cotes estaria sendo apoiada por um  grupo forte de parapolíticos como Poncho Campos, Jorge Caballero ou o famoso Trino Luna”.
Continua em espanhol, com traduções pontuais:
Los aspirantes a cargos electivos denunciados por la fundación pueden dividirse en cuatro grupos: que mantienen nexos con grupos paramilitares; vinculados a otros grupos criminales; candidatos condenados o (ou) investigados por el mal manejo de fondos públicos y los que recibieron pagos irregulares o coimas (ou propinas) de contratistas del Estado.
En el primer grupo, el ejemplo más recordado es el del Pacto de Chivolo. Fue firmado en el año 2000 en el departamento (estado) de Magdalena bajo (sob) la presión del líder paramilitar de las Autodefensas Unidas de Colombia (AUC) en esa región, Jorge 40. Lo suscribieron 13 candidatos a las alcaldías (prefeituras) y 395 aspirantes a concejos y la asamblea (Câmaras de Vereadores e Assembleias Legislativas) que participaron de una reunión convocada por las AUC para establecer candidaturas funcionales a su jefe. Nadie (Ninguém)  podía faltar por orden de Jorge 40, el seudónimo (pseudônimo) de Rodrigo Tovar, cuyo ejército privado tenía el dominio político y militar en la zona. Incluso, recaudaba impuestos a nombre de aquellos candidatos que le respondían en el distrito.
Paz y Reconciliación sostiene (sustenta) que su objetivo es visibilizar a los aspirantes a cargos en el Estado que mantienen lazos con organizaciones criminales. En los comicios (Nas eleições) de octubre se elegirán gobernadores, alcaldes e integrantes de asambleas y concejos locales (gobernadores, prefeitos, deputados estaduais e vereadores). La investigación de la fundación se extendió a ocho (8) de los 32 departamentos colombianos: Valle del Cauca, Córdoba, Bolívar, Sucre, Magdalena, César, Antioquia y Santander. También obtuvo información en Putumayo, Guaviare, Casanare y La Guajira.
Una de las conclusiones clave que arrojó el trabajo es que “los candidatos han consolidado su caudal electoral en los municipios que tuvieron los más altos índices de violencia durante la arremetida paramilitar. Es decir, que estos candidatos se beneficiaron de la mal llamada ‘pacificación paramilitar’. Tal es el caso de Milene Jaraba Díaz, candidata a la Gobernación de Sucre y esposa del ex congresista Yahir Acuña, quien en las pasadas elecciones tuvo un indiscutible dominio electoral en municipios de Sucre que fueron azotados (que foram castigados) por la violencia paramilitar”, escribió Avila Martínez.
Marginados de la política durante los últimos años porque estuvieron en prisión o (ou) fueron investigados en la Justicia, ahora están volviendo. Es el caso del ex alcalde (ex-prefeito) de Medellín en 2001-2004, el ingeniero Luis Pérez Gutiérrez, acusado de recibir apoyo de grupos paramilitares y bandas delictivas en su intento por recuperar la alcaidía en 2011. Al menos diez testimonios recogidos por la Cadena Caracol (grupo de comunicação) en ese año, lo denunciaron por aportar dinero a esos grupos. Ahora dará un salto más alto. Inscribió su candidatura para la gobernación de Antioquia por la coalición de los partidos Liberal y Cambio Radical. El dice que la Justicia lo exoneró de los cargos (das acusações) del pasado.
Desde Paz y Reconciliación sostienen (sustentam) que el proceso de paz en Colombia podría verse afectado por ciertas candidaturas cercanas al paramilitarismo. Sobre todo los esfuerzos para la restitución de tierras a los desplazados (deslocados, refugiados) por la guerra civil.

Tradução (parcial): Jadson Oliveira

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